“O atual panorama empresarial em Angola esta numa fase de transformação”

Data:

Administrador da Prudencial Seguros e empreendedor de sucesso, Edeltrudes Miguel consolidou-se como uma referência no setor empresarial angolano. A sua trajetória distingue-se pela visão estratégica, capacidade de inovação e liderança em múltiplos projetos, que abrangem setores como fitness, gastronomia, microcrédito e call center. À frente destas iniciativas, tem promovido soluções inovadoras e impulsionado o crescimento sustentável, contribuindo para o desenvolvimento do ambiente empresarial em Angola. Nesta edição da Revista Pontos de Vista, num contexto de transformações económicas e sociais, Edeltrudes Miguel analisa os desafios e oportunidades que moldarão o futuro dos negócios na região. O empresário destaca a inovação, a sustentabilidade e o desenvolvimento humano como pilares fundamentais para a nova agenda dos líderes lusófonos, reforçando a importância da adaptação às dinâmicas do mercado global.

Como surgiu o seu envolvimento com a Prudencial Seguros?

O meu envolvimento com a Prudencial Seguros surge desde o estado embrionário da mesma, onde desde cedo me posicionei como uma espécie de assessor dos acionistas e mentores do Projeto, que são para mim, a nível pessoal e profissional, referências e exemplos a seguir. Acresce ainda que, para além de ser formado em ciências de gestão técnica, com ênfase em gestão de projetos e com um mestrado em gestão de empresas, a realidade é que, para melhor desempenhar as minhas atividades, senti necessidade de me complementar academicamente e participei ainda num curso avançado para gestão de seguradoras, o primeiro a ser oferecido em Angola através da Academia BAI.

 

O que o motivou a diversificar os seus investimentos para múltiplos setores?

A decisão de expandir os meus investimentos para diferentes e desafiantes setores foi impulsionada, essencialmente, pela minha vocação empreendedora e pelo desejo de independência financeira. No entanto, mais do que um objetivo pessoal, esta estratégia reflete a forte convicção de que posso agregar valor ao mercado, introduzindo diferenciais competitivos e contribuindo para a evolução dos setores em que atuo. A diversificação dos investimentos não é apenas um mecanismo de mitigação de riscos, mas também uma abordagem estratégica para identificar oportunidades emergentes e maximizar o crescimento sustentável. Este modelo de gestão permite capitalizar nichos de mercado inexplorados, promovendo inovação e garantindo uma adaptação contínua às mudanças económicas e sociais. Acredito que o futuro do sucesso empresarial reside na capacidade de antecipar tendências, inovar com propósito e construir modelos de negócio resilientes e alinhados com as necessidades do mercado.

 

Quais foram os principais desafios que enfrentou ao gerir empresas em setores tão distintos?

Toda a atividade tem os seus desafios idiossincráticos, mas os princípios da gestão são transversais, ou seja, podem ser aplicáveis nos diferentes setores. Com isso, o meu maior desafio foi o de implementar uma cultura de excelência e automação dos processos. É difícil num país como o nosso, muito jovem e ainda com algumas fragilidades no sistema de ensino, ter acesso a mão de obra qualificada, que garanta a verificação dos conceitos e a dinâmica que gosto de imprimir aos negócios.

 

Como descreve o seu estilo de liderança?

Vejo-me como um líder servidor, isto é, sou muito virado para a elevação da instituição a que pertenço, das pessoas que dela fazem parte, mantendo sempre um forte compromisso com os meus princípios e objetivos.

 

Que valores considera essenciais para a gestão eficaz de um negócio?

São valores para os quais procuro no dia a dia dar o exemplo, onde destaco:

Ÿ Integridade;

Ÿ Conhecimento do meio em que atuo;

Ÿ Aprendizagem contínua;

Ÿ Processos e métodos transparentes;

Ÿ Flexibilidade e inovação constante;

Ÿ Pessoas comprometidas;

Ÿ Foco no cliente;

Ÿ Alinhamento e cultura inabalável.

 

Como manter o equilíbrio entre as diferentes responsabilidades empresariais?

É desafiador manter o equilíbrio com esta dinâmica, mas com a abordagem certa é possível dar conta de maneira eficaz. Por exemplo, gosto de trabalhar processos tão díspares e exigentes, como a boa gestão de tempo, cuidar do físico e saúde e, por último, utilizar tecnologias que auxiliam na eficiência. Enfim, são alguns dos truques que uso.

 

Como avalia o atual panorama empresarial em Angola?

O atual panorama empresarial em Angola esta numa fase de transformação. O país, completa 50 anos de independência, logo é inevitável que por si só traga múltiplos desafios e oportunidades empresariais.

Vejamos que após tantos anos de dependência do petróleo, terá de haver uma inevitável diversificação, o que é aliás uma das narrativas constantes e permanente do executivo.

 

Quais são as principais oportunidades e desafios para empreendedores no país?

Na minha opinião, acho que são o setor de serviços, Oil&Gás, o setor da mobilidade, Fintech para inclusão financeira, soluções tecnológicas para agricultura, soluções tecnológicas para a saúde e ainda soluções tecnológicas para Educação.

Entendo ainda que enfrentamos outro tipo de desafios, mas estou certo também que com determinação, foco e interesse superior pela nossa querida Pátria, seremos capazes de melhorar, tais como:

– Acesso ao crédito;

– Alguns setores com pouca ou nenhuma legislação;

– Capital humano mais qualificado;

– Sistema Fiscal propício para o empreendedorismo;

– Infraestrutura apropriada;

– Melhorar a burocracia.

 

Quais as tendências para os próximos anos no mercado empresarial?

Temos que observar que estamos atualmente na era da globalização, da internacionalização, com uma rapidez fulminante das novas tecnologias. Capacidade de auto-desenvolvimento, auto-conhecimento e não menos importante, desenvolver valências que nos permitam ser auto-didatas, serão algumas ferramentas que nos permitirão enfrentar as novas tendências de mercado, que estarão muito ancoradas nas novas tecnologias. Repara-se na AI. Quem não a acompanhar, estará certamente a perder oportunidades e ficará numa fila onde ninguém quer estar, que é na fila de trás.

 

Como a Prudencial Seguros se adapta às novas tecnologias e mudança do setor?

Hoje em dia, é quase impossível gerir qualquer instituição sem fazer recurso a tecnologias e aqui na Prudencial não fugimos à regra e usamos a tecnologia no relacionamento com gestores (plataformas, no relacionamento com clientes, contact center), gestão dos riscos (ferramentas de AI e machine learning), melhoria na experiência do cliente (Chat Boot), análise de dados (ferramenta de Big Data) e automação dos processos, entre algumas outras novas tecnologias.

 

De que forma implementa práticas sustentáveis nos seus negócios?

Adotar práticas sustentáveis é quase um lugar comum, mas essencial, pois estamos a contribuir para a proteção do ambiente. Nas minhas empresas tentamos sempre incentivar e obter práticas de redução de resíduos, promover reciclagem, fazer atividades de consciencialização para os funcionários, etc.

 

O que acredita ser essencial para o crescimento do empresariado Angolano?

Angola é um país sui generis, logo tem uma especificidade própria. Nesta senda, o que podemos ver como sustentável noutras geografias pode não ser aplicável em Angola.

Acredito que para o crescimento sustentável do tecido empresarial Angolano, acima de tudo deve ser o patriotismo, sentido de missão, compromisso com o país, uma crença inabalável em Angola e no seu povo, pois como empresários temos responsabilidades para com o Estado por via de impostos, INSS, criação de empregos, formação de quadros nacionais, desenvolvimento do setor económico nacional e criação de riqueza geracional para as famílias Angolanas.

Adicionalmente, temos outros fatores tais como, educação, capacitação, acesso a financiamento, inovação tecnológica, política, economia estável, parcerias e troca de conhecimentos.

 

Quem foram as suas maiores influências na vida e nos negócios?

As minhas influências de vida são os meus pais. Nos negócios, o meu pai pela sua postura vertical, colocando sempre a integridade e princípios éticos acima de qualquer ganho financeiro ou material.

 

Como concilia a vida pessoal e o trabalho?

Acredito que temos sempre tempo para o que é realmente importante. Como metodista que sou, aprendi desde cedo que Deus deve vir sempre primeiro e o resto será acrescentado. Com essa premissa do manual da vida que é a Bíblia, é sempre mais fácil conciliar as duas facetas da minha vida. Homem de família e a segunda como homem de negócios.

 

Qual conselhos daria a jovens empreendedores que querem seguir os seus passos?

Para os jovens empreendedores, aconselho a procura em Deus e seguir sempre os seus preceitos em tudo que forem fazer. Acredito que com este comportamento, tudo se torna alcançável e principalmente mais gratificante, para nós próprios e para os restantes.

Muito obrigado pela oportunidade. Foi muito gratificante.

 

Partilhar

Revista Digital

Revista Pontos de Vista Edição 148

Popular

Mais Artigos deste tipo

Crescer com Direção: A Estratégia como Pilar do Novo Projeto de Paulo Jesus

Num contexto empresarial onde crescer se tornou sinónimo de...

Liderar com Alma: quando a cura se transforma em missão

OPINIÃO DE Diana Pinto, Terapia d’Emoções Há momentos na vida...

“Precisamos criar ambientes onde a ambição feminina não seja vista como excesso, mas como visão”

Tássia Carvalho, Diretora Financeira do InterContinental Luanda Miramar, também...