Georesearch: Geociências, Diversificação, Dados e Decisão na Construção do Futuro

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Num contexto em que os dados se tornam cada vez mais estratégicos e a sustentabilidade territorial um imperativo, a GeoResearch tem vindo a afirmar-se como uma voz inovadora e cientificamente rigorosa no setor das geociências aplicadas.. À frente do seu núcleo de investigação está Manuel de Jesus Vieira, Chief Research Officer, e um dos impulsionadores desta abordagem centrada na inteligência geoespacial como catalisador da transformação económica e social. Nesta conversa, Vieira reflete sobre os primeiros passos e desafios da empresa, o seu impacto atual no mercado angolano e lusófono, e partilha a visão ambiciosa para os próximos anos, incluindo a internacionalização e o reforço da ligação entre ciência e desenvolvimento.

Como nasceu a Georesearch e qual foi a sua motivação para fundá-la?
A Georesearch surgiu a partir da identificação de oportunidades para aplicar ciência, análise espacial e inteligência territorial de forma integrada, contribuindo para decisões mais informadas e sustentáveis a nível de trabalhos de exploração, gestão territorial e agricultura.
Percebemos que havia espaço para complementar as abordagens existentes com uma perspetiva mais técnica e preditiva, tanto no setor público quanto no privado. A nossa ambição foi, desde o início, acrescentar valor através de soluções baseadas em evidência científica, apoiando os decisores com ferramentas que aliam rigor científico ao conhecimento do território.

Que principais marcos destaca desde a fundação da Georesearch?
Destaco alguns momentos-chave: a primeira colaboração com uma universidade nacional para mapear padrões de expansão urbana; o desenvolvimento de modelos preditivos para gestão de risco ambiental; e, mais recentemente, a nossa participação em estudos de avaliação do potencial para exploração de fosfatos que posteriormente serão aplicados para a melhoria da produtividade agrícola, e contribuir assim para mais um passo para a diversificação da economia de Angola. Estes projetos não só validaram a proposta científica da empresa, como também consolidaram a sua relevância estratégica.

Quais foram os maiores desafios enfrentados e como foram superados?
A principal barreira foi cultural: convencer organizações a basearem decisões em ciência, em vez de práticas tradicionais ou percepções. Temos superado isso com persistência, provas de conceito bem executadas e resultados mensuráveis.
Houve algum momento em que pensou em desistir? O que o motivou a continuar?
Houve momentos de frustração, sim — sobretudo quando nos deparámos com resistência à inovação. Mas quando pensamos no impacto positivo que pretendemos causar a curto, médio e longo prazo, bem como a capacidade de gerar valor tangível para as comunidades, dá-nos força para continuar. Acreditar no papel da ciência como instrumento de transformação social foi, e continua a ser, o que nos mantém firmes.

Quais são hoje os principais serviços e soluções oferecidos pela Georesearch?
A Georesearch disponibiliza um portfólio diversificado de soluções focadas em análise territorial, planeamento urbano, estudos de impacto ambiental, modelação de riscos, agricultura de precisão e apoio a projetos de exploração e sustentabilidade. Combinamos tecnologias de geoinformação, estatística avançada e visualização interativa para transformar dados complexos em conhecimento prático. Além disso, promovemos formações técnicas em geociências e inteligência geoespacial, contribuindo para o desenvolvimento de competências locais e institucionais.
O nosso propósito é apoiar decisões estratégicas com base científica e tecnológica, promovendo uma gestão mais eficiente dos territórios e dos recursos naturais — e, acima de tudo, transformar oportunidades latentes em valor económico real e sustentável.

De que forma a empresa se diferencia no mercado angolano e lusófono?
Na Georesearch, procuramos afirmar o nosso diferencial através do rigor científico e de um compromisso profundo com a pesquisa e o desenvolvimento. Acreditamos que decisões bem-sucedidas exigem fundamentos sólidos, e, por isso, construímos as nossas soluções com base em evidência técnica, validação empírica e uma leitura crítica da realidade.
Num contexto em que muitas decisões são tomadas de forma superficial ou descoladas do conhecimento científico, optamos por seguir o caminho da integridade, da análise profunda e da responsabilidade técnica. Esta é a nossa abordagem: agir com consciência, investir no conhecimento e transformar dados em decisões sustentáveis, relevantes e fiáveis.

Pode partilhar alguns projetos ou clientes que simbolizam o impacto atual da Georesearch?
Um projeto emblemático foi o estudo de vulnerabilidade ambiental para uma província costeira, que apoiou diretamente políticas públicas de adaptação climática. Outro caso relevante foi o mapeamento do potencial agrícola em zonas anteriormente negligenciadas — o que levou ao redirecionamento de investimentos públicos e privados com base em dados. Estes são exemplos de como a ciência pode influenciar decisões com impacto real.

Como é a cultura interna da empresa e o papel da inovação no dia a dia da equipa?
A Georesearch é movida por curiosidade e rigor. Incentivamos a experimentação, o pensamento crítico e o intercâmbio entre ciência e tecnologia. Mantemos uma cultura colaborativa e multidisciplinar, onde investigadores, engenheiros e analistas trabalham lado a lado. A inovação não é apenas uma meta — é o caminho.

Quais são as principais metas e prioridades para os próximos 5 anos?
Estamos focados em três pilares: expansão regional, desenvolvimento de tecnologias proprietárias e fortalecimento do nosso núcleo de pesquisa aplicada. Queremos levar as nossas soluções a outras geografias da Lusofonia, lançar ferramentas preditivas acessíveis a municípios e ONGs, e posicionar a Georesearch como referência em inteligência geoespacial no continente.

A internacionalização está nos planos? Quais países lusófonos são estratégicos?
Sem dúvida. Estamos a preparar a entrada em Moçambique, Cabo Verde e Portugal. Cada um desses mercados apresenta desafios territoriais específicos — desde gestão de recursos hídricos até planeamento urbano sustentável — nos quais as nossas soluções têm clara aplicabilidade. Já estamos a estabelecer pontes com universidades e agências locais.

Como avalia o ecossistema tecnológico e científico na Lusofonia e que papel pretende desempenhar nele?
Estamos num momento de despertar. Há talento, há vontade, mas ainda falta integração entre ciência e setor produtivo. A Georesearch quer ser essa ponte: entre academia e mercado, entre dados e decisão, entre inovação e impacto. Temos a responsabilidade de mostrar que o conhecimento produzido aqui pode competir globalmente.

Que mensagem gostaria de deixar a jovens investigadores e empreendedores em Angola e no espaço lusófono?
Acreditem no poder da ciência como ferramenta de desenvolvimento.
Não se deixem limitar pela escassez de recursos — inovação nasce, muitas vezes, da necessidade. Formem-se, colaborem e pensem o vosso território como um laboratório vivo.
O futuro será moldado por quem souber ler, interpretar e transformar dados em soluções reais — e esse alguém pode ser cada um de vocês.

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Revista Pontos de Vista Edição 147

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