Monte das Lages onde o tempo abranda e a alma respira

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Por Amélia Pereira Coutinho, Gestora de Turismo Rural “Monte das Lajes”

Há lugares que não se inventam, revelam-se. O Monte das Lages é um desses espaços raros, onde a terra fala baixo, mas diz tudo. Localizado no coração do Alentejo, este refúgio nasceu da vontade de escutar os ritmos antigos da natureza, de honrar as raízes e de criar um lugar com alma, onde cada detalhe convida à pausa e à presença.

Como tudo começou
A ideia de transformar o Monte das Lages num espaço de turismo rural e alojamento local com identidade própria, nasceu sem pressas.
Foi um processo orgânico, quase como a poda das oliveiras — lento, cuidadoso, respeitador do tempo certo. Não se tratou de um plano frio traçado à régua e esquadro, mas sim de uma escuta atenta ao lugar, às suas necessidades, e ao que ele podia oferecer a outros.
Numa herdade grande, com custos de exploração muito elevados, tornou-se uma necessidade rentabilizar um espaço bonito e acolhedor numa forma de suportar os custos mensais.
Foi também um regresso. Um regresso à terra, à herança familiar, ao modo de vida simples mas cheio de sentido. A paisagem, as casas antigas, a barragem, as vinhas, tudo já lá estava, como sementes à espera de serem cuidadas.
As duas casas que temos para alugar têm 2 quartos, 2 casas de banho, sala, sala de jantar e cozinha totalmente equipada para que os nossos hóspedes se possam sentir em casa.
A quem chega, oferecemos um cesto de boas vindas com fruta ou legumes do pomar e da nossa horta, ovos das nossas galinhas, compota caseira e vinho alentejano. Também entregamos pão fresco de manhã para que os nosso hospedes possam estar descansados sem a preocupação de irem comprar o pão, o pão alentejano que é o melhor pão do mundo.

A força da memória
O Monte nasceu de raízes familiares profundas. Aqui viveram gerações que conheciam os nomes das árvores, os humores do vento e os segredos do solo. A recuperação do espaço foi feita com respeito por essa memória — não como um museu, mas como um corpo vivo. As paredes foram reconstruídas sem apagar a história, os espaços repensados para acolher sem trair a alma do lugar.
A família teve um papel central, não só como guardiã da terra, mas como inspiração diária. Os sobreiros plantados pela primeira geração apenas darão fruto para a terceira geração, sabemos isso e planeamos o futuro.
Cada gesto, cada pedra recolocada, foi também uma homenagem a quem veio antes.
Procurámos manter a traça alentejana, construindo paredes à volta das enormes Lages que dão o nome ao Monte, indo às fábricas do Norte escolher os melhores lençóis e fronhas, criando um cheiro que aromatiza as casas e lhes dá um toque pessoal e familiar.

A arte de acolher
A hospitalidade no Monte das Lages é feita com vagar e verdade. Aqui não se recebe hóspedes — acolhem-se pessoas. Há chá quente nas mãos, uma parceria com os chás orgânicos Comfy Lover; olhos nos olhos, e uma atenção serena aos detalhes. O conforto é essencial, sim, mas mais importante ainda é que quem chega se sinta em casa, mesmo sem nunca cá ter estado.
Os valores que orientam este acolhimento são simples: autenticidade, cuidado, presença, respeito pelo ritmo de cada um. Acreditamos que o luxo maior é poder ser, sem pressas, sem filtros, sem máscaras.

Viver com vagar
“Viver com vagar” não é apenas uma frase bonita, é o fio condutor de tudo o que aqui se faz.
É um convite a abrandar, a reparar, a respirar fundo. É ter tempo para ouvir o som dos pássaros, para saborear uma refeição colhida da terra, para ver o pôr-do-sol sem pensar na próxima tarefa. Promovemos o slow living, o contacto com a Natureza e a desconexão dos écrans.
É uma filosofia que se vive na prática: pequenos-almoços sem horário, conversas longas ao final da tarde, passeios sem destino pelos trilhos do monte.

Aqui, o tempo não corre, caminha ao nosso lado
Sustentabilidade: um compromisso silencioso
A sustentabilidade é levada a sério, e está presente em várias valências.
A barragem que alimenta o monte foi pensada para garantir autonomia hídrica. A água da chuva é reaproveitada. As vinhas crescem com práticas responsáveis. As vacas pastam livremente, e até os carregadores de carros elétricos fazem parte desta visão de futuro enraizada na terra.
O cuidado com os recursos é diário, discreto, mas constante. Porque sabemos que cuidar da terra é também cuidar do futuro de todos.

Experiências com sentido
No Monte das Lages desenvolvem-se experiências que alimentam o corpo, mas também a alma. Sessões de massagem sob marcação na sua casa, caminhadas meditativas, workshops de tintas naturais, em parceria com a Tinctória, momentos de contemplação noturna sob o céu estrelado; tudo é pensado para quem procura reencontro consigo mesmo e com a natureza.
Não são atividades para “ocupar o tempo”, mas sim para habitar o tempo de forma mais plena e consciente.

Enraizados na comunidade
A ligação à comunidade local é uma das colunas deste projeto. Trabalhamos com produtores, artesãos e empreendedores da região. Os chás vêm da Comfy Lover, os sabonetes do Teixo, as experiências de bem-estar com a Vip Relax, e há parcerias com projetos como a Tinctória, entre outros.
Acreditamos que o futuro do Alentejo se constrói em rede, com respeito, criatividade e colaboração.

Aprendizagens que vêm com os outros
Receber pessoas é, também, uma forma de aprender.
Muitos dos nossos hóspedes vêm em busca de silêncio, autenticidade e tempo. Com eles reaprendemos o valor do essencial, a beleza do não fazer, a importância do intervalo entre uma respiração e outra.
Cada estadia é uma partilha. E é nesse encontro que o Monte cresce, por dentro.

Tudo com Vagar: a voz do Monte
O podcast “Tudo com Vagar” nasceu da vontade de levar esta filosofia mais além. Sem sair do campo, chegamos a quem está nas cidades, nos carros, nos escritórios — todos os que sentem que precisam de parar, de escutar, de se reconetar.
Semanalmente, partilhamos reflexões sobre temas como o pão quente, o valor do silêncio, o ritmo das estações, a sabedoria das galinhas… Sempre com a mesma voz tranquila de quem sabe que o mais importante raramente tem pressa.
Turismo como caminho de transformação
Acreditamos que o turismo pode (e deve) ser um veículo de desenvolvimento pessoal, cultural e espiritual. Quando feito com respeito e intenção, ele aproxima mundos, cura feridas, desperta consciências.
No Monte das Lages, não oferecemos apenas camas. Oferecemos tempo, espaço, escuta. E isso pode, verdadeiramente, transformar vidas.

Sonhos com raízes e asas
O futuro do Monte passa por acolher mais eventos e retiros: encontros criativos, formações conscientes, residências artísticas e programas de reconexão com a natureza e consigo mesmo. Sempre em pequena escala, sempre com verdade, sempre com vagar.
Estamos neste momento a desenvolver um projeto de ampliação das nossas instalações para poder dar resposta a inúmeros pedidos de realização de eventos corporate, teambuildings e retiros.
O Monte das Lages tem uma capela lindíssima que está dentro de um moinho que foi reconstruído e que tem uma parede em vidro com vista para as vinhas.
Queremos ser um lugar onde o essencial acontece, em silêncio e profundidade.

Uma mensagem final
A quem sente o apelo de uma vida mais simples, mais intencional, mais ligada à terra: siga esse chamado. Não é preciso mudar tudo. Basta começar por abrandar, por escutar, por saborear melhor o que já está.
A natureza não tem pressa e tudo nela se cumpre. Talvez nós também precisemos apenas disso: tempo, presença e um pouco de vagar.
O Monte das Lages estará por cá. Sempre de portas abertas.

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Revista Pontos de Vista Edição 147

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