Com um percurso marcado pela coragem de empreender cedo e pela visão de transformar a contabilidade em mais do que números, Patrícia Dourado fundou a Douradotoc aos 23 anos, com a missão de ajudar empresas — especialmente micro e pequenas — a olharem para a gestão como bússola estratégica e não como obrigação burocrática. Hoje, alia a sua experiência técnica à mentoria e ao coaching, inspirando líderes, sobretudo mulheres, a assumirem o seu lugar com consciência, clareza e propósito. Saiba mais na Pontos de Vista!
Como descreve o seu percurso profissional até chegar onde está hoje?
O meu percurso não foi uma linha reta – foi uma jornada de expansão.
Comecei nos números, mas sempre soube que eles eram apenas a superfície. Por trás de cada balanço, há histórias. Por trás de cada relatório, há pessoas. A Douradotoc nasceu para ser mais do que um gabinete de contabilidade: é um espaço de visão estratégica e de consciência para os negócios.
Comecei por trabalhar como contabilista por conta de outrem, mas aos 23 anos decidi criar a Douradotoc, porque queria algo maior: queria transformar a forma como as empresas olham para a contabilidade e a gestão e criar uma economia sustentável para as micro empresas.
Com o tempo percebi que a minha missão ia para além dos relatórios e balanços. De tanto alinhar contas, comecei a alinhar pessoas e estratégias. Hoje, ajudo empresários e, sobretudo, mulheres a encontrarem clareza, direção e confiança para liderarem os seus negócios e a sua própria vida.
O que a motivou a escolher a contabilidade e a consultoria como áreas centrais da sua carreira?
Porque os números contam histórias, hoje, ensino líderes a lerem os números e a transbordarem nas suas vidas abundância e prosperidade.
Os números mostram onde há força e onde há desequilíbrios. Escolhi esta área porque sabia que poderia ajudar empreendedores a olhar para os números não como um peso, mas como uma bússola. A consultoria veio completar essa missão: dar poder de decisão e estratégia a quem tem visão e quer crescer.
Como é que colaboração, propósito e liderança se refletem na sua forma de liderar?
Eu não lidero apenas equipas ou clientes, lidero energia.
Acredito que liderar é abrir caminho para que cada pessoa descubra o seu próprio poder.
Propósito é o que dá direção, colaboração é o que dá força, e liderança é o que dá forma a tudo isso.
Liderar é inspirar, é abrir caminho. É criar espaço para que cada pessoa da minha equipa cresça. É tomar decisões alinhadas com o propósito e com a visão. Eu lidero equipas, negócios e mentalidades.
Que mensagem gostaria de deixar às mulheres que sonham com cargos de liderança?
Não esperem pela oportunidade perfeita — criem-na. Liderar é escolher, todos os dias. É assumir responsabilidade, mesmo quando dói. É confiar em si, mesmo quando há medo. Levanta-te. O mundo muda quando tu decides mudar.
O Dia Nacional do Contabilista tem algum significado especial para si?
É dia de dizer: sem nós, não há estratégia, não há futuro, não há crescimento.
É o dia de reconhecer a verdadeira energia desta profissão que sustenta empresas, empregos e sonhos.
Muitas vezes estamos nos bastidores, mas sem nós não há estratégia, nem crescimento. Este dia lembra-nos da importância de elevar a profissão — e de mostrarmos o quanto podemos ser parceiros estratégicos.
Quais os maiores desafios e oportunidades para os contabilistas hoje?
O desafio é sermos vistos como peças-chave de decisão e não apenas “fazedores de impostos”.
A oportunidade é enorme: assumirmos o lugar de conselheiros de negócios, usando a informação que temos para antecipar, orientar e transformar.
Não há avanço tecnológico, inteligência artificial que apague o impacto e a energia desta profissão. A IA só veio mesmo ajudar a tornar possível para todos contabilistas não sermos executores, mas sim conselheiros.
Como é que a contabilidade pode transformar um negócio?
Quando usada com consciência, a contabilidade é um mapa. Diz-te se estás no caminho certo, mostra o que precisa de ser ajustado e dá segurança para crescer. É a diferença entre apenas sobreviver e prosperar de forma saudável e sustentável.
Pode transformar empresas reativas em empresas visionárias.
Que conselhos dá aos empreendedores e líderes que acompanha?
Digo sempre:
– Alinha a tua vida antes de alinhar o teu negócio.
– Não faças escolhas a partir do medo ou da escassez – faz escolhas a partir da tua visão.
– E lembra-te: o teu negócio só cresce até onde tu cresces.
Que legado gostaria de deixar?
Quero deixar um legado de liberdade e consciência.
Que mulheres e homens liderem negócios com alma e humanidade.
Que os números sejam usados como ferramentas de poder e não como armas de medo.
Que cada pessoa que passa por mim descubra o seu verdadeiro lugar no mundo e escolha habitá-lo com grandeza.

