No âmbito do Dia Nacional do Contabilista, conversámos com Ana Figueira, responsável pela PASAF – Serviços de Contabilidade e Gestão de Empresas, para conhecer a sua visão sobre a valorização da profissão, os desafios da digitalização e o papel cada vez mais estratégico da contabilidade no apoio às empresas. Saiba mais nesta entrevista na Revista Pontos de Vista de 30 de Setembro em destaque.
O que representa para si e para a PASAF o Dia Nacional da Contabilidade?
Para mim, como profissional na área, é um momento que fortifica a valorização do papel técnico e estratégico do contabilista, não só a nível fiscal, mas como de parceria na gestão e criação de relevância empresarial.
É uma oportunidade para divulgar e enaltecer proficiências diferenciadoras aos clientes e demais interessados na área. Identificar, clarificar e interpretar todo o trabalho que é feito por um contabilista que é identificado nas Demonstrações Financeiras e Analíticas, sempre com o objeto de criar oportunidades e mais valias aos empresários. Para a PASAF, é uma plataforma de comunicação institucional e comercial ideal para reforçar a marca, demonstrar expertise e consolidar confiança junto de clientes e potenciais clientes. Através da divulgação de conteúdos informativos (“como ler uma demonstração de resultados”), campanhas de sensibilização sobre planeamento fiscal e financeiro, ações internas de reconhecimento e formação. Estas ações transformam uma efeméride em geração de leads e em reforço da proposta de valor.
O Dia Nacional da Contabilidade é uma ocasião estratégica para comunicar valor e acelerar a transição da PASAF (e de toda a profissão) de um modelo, essencialmente transacional, para um papel consultivo e tecnológico.
Como avalia a evolução da profissão contabilística em Portugal nos últimos anos?
A profissão contabilística em Portugal tem evoluído significativamente a nível tecnológico, estamos a falar no âmbito da automação e digitalização de documentos e tarefas que, consequentemente, diminuem o tempo de “backoffice” e permitem um maior foco analítico.
A diminuição do tempo dispensado nas tarefas administrativas e maior foco nas funções de consultoria é cada vez mais exigido pelos clientes que esperam análises que traduzam números em decisões.
Com esta evolução e adaptação da nossa profissão às novas tecnologias, é-nos exigido cada vez mais, formação contínua, organização e responsabilidade profissional.
Além do domínio técnico contabilístico são agora exigidas competências digitais, capacidade de comunicação e visão estratégica.
Esta adaptação cria-nos alguma pressão para maior eficiência nos preços. O crescimento da procura por serviços cada vez mais especializados, favorece a deslocação de atividades contabilísticas para estruturas mais tecnológicas e integradas.
Apesar do avanço tecnológico na execução das nossas tarefas, agilizar tempo administrativo, reduzir custos e redirecionar recursos para atividades de maior valor, incorre também o risco de obsolescência de alguns profissionais não conseguirem investir em competências digitais.
Quais considera serem hoje os maiores desafios para os profissionais de contabilidade?
Um dos maiores desafios é a necessidade cada vez mais crescente de competências digitais e a necessidade de requalificação contínua, a automação de tarefas e ferramentas analíticas criam uma lacuna entre as competências tradicionais do contabilista e as competências tecnológicas exigidas.
Esta evolução digital cria frequentes alterações dos enquadramentos regulatórios e exige maior formalização do profissional de contabilidade.
As adaptações necessárias para a automação dos serviços basilares dos contabilistas, quer sejam as tarefas de lançamento, reconciliações e processamentos, provocam uma compressão de preços e exigem que os gabinetes e serviços técnicos se diferenciem por valor acrescentado.
Como a contabilidade pode ser cada vez mais vista como uma parceira estratégica das empresas, e não apenas como uma obrigação fiscal?
Os nossos empresários sempre pretenderam e esperam cada vez mais que o contabilista traduza os números em decisões operacionais e estratégicas, já não se limitam a apenas entregas fiscais e cumprimento legal por parte do profissional.
O profissional de contabilidade assume cada vez mais o papel de consultor, onde a capacidade de análise e comunicação é exigida.
A proatividade do contabilista em querer demonstrar indicadores de negócios, traduzir impactos em decisões de curto e médio prazo, ajuda a mudar a perceção do cliente de um serviço que se baseia apenas na profissionalização técnica e legal para um parceiro que antecipa e orienta.
Investir em competências interpessoais e de negócios, planeamento estratégico torna a proposta do contabilista mais convincente junto dos empresários.
De que forma a digitalização e a automação estão a impactar o setor?
A digitalização e automação reduz tempo e erro nas operações rotineiras, dando capacidade ao contabilista para ter maior foco nas atividades analíticas e consultivas.
Este avanço tecnológico, com a criação de soluções de partilha, temos a Cloud ou integração por API, a informação financeira é quase em tempo real, o que agiliza a tomada de decisões táticas. Permite a valorização do contabilista que está a traduzir esses dados numa tomada de decisão.
A IA está a ser aplicada de forma a mudar o foco do trabalho do contabilista, direcionando-o para a validação, interpretação e aconselhamento estratégico suportado por modelos.
A nossa competitividade será diferencial na capacidade de oferecer análises de negócios, otimização fiscal estratégica e serviços de consultoria.
Pode apresentar-nos a PASAF e a sua missão no mercado português?
A PASAF posiciona-se como uma empresa de Contabilidade e Gestão de Empresas cujo propósito central é simplificar a contabilidade e entregar resultados que importam ao cliente, com ênfase na transparência, interatividade e no apoio à gestão das empresas.
No site corporativo a comunicação centra-se em oferecer serviços de apoio administrativo e contabilístico desenhados para permitir que o empresário se foque no crescimento do negócio.
Em termos de missão operacional, a PASAF pretende prover conformidade contabilística e fiscal de forma fiável e atempada, traduzir informação contabilística em apoio à gestão, prestar um serviço próximo e orientado para resultados.
Que diferenciais a PASAF traz para os seus clientes face a outras empresas de contabilidade e gestão?
Nós focamo-nos na simplicidade e na claridade, comunicação direta e “contabilidade descomplicada” que reduz fricções entre contabilista e empresário, facilitando a tomada de decisão.
Estamos orientados para a gestão (e não só compliance), onde o nosso posicionamento que combina serviços contabilísticos com apoio à gestão (relatórios, indicadores, acompanhamento), transformando entregáveis fiscais em outputs de negócio.
Preferimos um atendimento próximo e adaptado a cada cliente que nos procura, estrutura de serviço pensada para PME e empresários, com ênfase em interatividade e suporte prático ao crescimento.
Face ao ritmo de transformação do setor, a adoção de automatização e ferramentas de análise é hoje um diferencial competitivo, pelo que para reduzir trabalho transacional e elevar a oferta de consultoria, introduzimos algumas melhorias tecnológicas.
Comunicação simples, foco em outputs de gestão, atendimento adaptado e incorporação controlada de tecnologia, achamos que competimos com ofertas tradicionais e com serviços mais “industrializados”.
Como têm acompanhado as necessidades específicas das PME, que representam a maior fatia do tecido empresarial em Portugal?
A PASAF promove serviços administrativos e contabilísticos que visam libertar tempo à gestão para se concentrar no crescimento, cativando os empresários que preferem externalizar tarefas não-core.
A comunicação institucional enfatiza a proximidade e a interatividade, que achamos essenciais para quem exige resposta rápida e aconselhamento prático.
O contexto nacional (programas de transição/digitalização e iniciativas de apoio a PME) torna relevante que um gabinete como a PASAF integre abordagens que facilitem o acesso a incentivos, ajudas e ferramentas digitais para clientes e alinhar oferta com esses programas aumenta a utilidade do serviço.
A sustentabilidade empresarial é cada vez mais valorizada. Que papel pode a contabilidade ter neste caminho?
A contabilidade deve continuar a assumir a responsabilidade pela recolha, validação e controlo interno dos dados e documentos, utilizando procedimentos e políticas que assegurem fiabilidade, rastreabilidade e coerência com as demonstrações financeiras. Será a base para relatórios credíveis e para a exigência de consultoria.
Integrar processos de planeamento e orçamento, convertendo as métricas de sustentabilidade, transformando a contabilidade num instrumento de parceria estratégica.
O profissional de contabilidade deve continuar a liderar a responsabilidade documental e a integração em sistemas que permitem relatórios periódicos e comparáveis. Esta função é crítica para os empresários que dependem de fornecedores externos e de soluções de armazenamento.
O que espera que venha a mudar no futuro da profissão contabilística nos próximos 5 a 10 anos?
Com a automatização de vários processos contabilísticos teremos como consequência a redução dos custos operacionais e a necessidade de repensar modelos de faturação. O tempo do profissional será orientado para validação, correção e análise de dados.
A profissão evoluirá de execução e tratamento fiscal para consultoria, exigindo competências em análises de dados, modelação e comunicação empresarial.
O investimento e a integração de IA nos nossos sistemas permitirá a sumarização automática de relatórios, os cursos e requisitos profissionais integrarão competências digitais e a reciclagem profissional será contínua e determinante para a empregabilidade.
Que mensagem gostaria de deixar aos profissionais de contabilidade neste Dia Nacional da Contabilidade?
Requalifiquem-se com o objetivo de priorizar formação prática em análise de dados, e ferramentas de automação/IA. A competência técnica deve ser complementada por literacia digital. Proponham e implementem controlos que assegurem qualidade e rastreabilidade das informações não financeiras e financeiras. Que sejam proativos e orientados para os negócios dos clientes, transformando dados contabilísticos em produtos de decisão. Adotem tecnologia com critérios, a inovação responsável gera vantagem competitiva. A tecnologia aumenta capacidade e competitividade, mas o discernimento profissional, ético e confiança não é substituível, preservem o julgamento ético.


