Criatividade com Propósito, Liderança com Empatia

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No universo do design de interiores, cada detalhe conta uma história, cada espaço reflete identidades e cada projeto tem o poder de transformar vidas. É nesse cruzamento entre estética, funcionalidade e impacto humano que se destaca Fátima Graf, Sócia-Gerente da Quadradespontâneo Lda., cuja visão vai muito além da decoração. Para si, o design é uma linguagem de bem-estar, cultura e significado, capaz de criar memórias e fortalecer laços. Saiba mais nesta edição da Revista Pontos de Vista!

Fátima, como descreve a sua trajetória até chegar à fundação da Quadradespontâneo Unipessoal Lda e à posição de Sócia Gerente?

A minha trajetória profissional foi construída a partir de uma base em Design e de uma paixão profunda pelo Design de Interiores e pela forma como os espaços podem influenciar o bem-estar, a cultura e a vida das pessoas.

Desde cedo, desenvolvi um olhar atento para ambientes, cores, luz e formas, entendendo que o design vai muito além da estética.

Ele transforma experiências e cria significado. Ao longo do meu percurso, adquiri competências técnicas e de gestão, mas também aprendi a importância da empatia, da escuta e da criatividade aplicada à vida real.

Cada projeto que desenvolvi, cada cliente e cada desafio proposto, contribuíram para moldar a minha visão profissional e pessoal, revelando a necessidade de criar soluções únicas, funcionais e alinhadas com valores autênticos e focado na experiência vivida por cada cliente.

 

Qual foi a motivação principal para criar um projeto com identidade própria no design de interiores?

Foi esta minha visão que me levou a fundar a Quadradespontâneo Unipessoal Lda., um projeto autoral que reflete a minha identidade e propósito.

A Quadradespontâneo nasce da vontade de transformar espaços em ambientes vivos, empáticos, significativos e personalizados, oferecendo soluções que combinam estética, funcionalidade e impacto positivo.

Assumir a posição de sócia gerente trouxe-me a responsabilidade de equilibrar a criatividade com a gestão estratégica, sempre orientada para resultados sustentáveis e de qualidade e resultou de um processo de aprendizagem ao longo do tempo, na área. Aprendendo diariamente a equilibrar o lado criativo com o empresarial.

 

Que valores pessoais e profissionais mais influenciam a sua forma de liderar?

Os meus valores pessoais e profissionais moldam a forma como lidero, e ao qual dou extrema importância, são eles a empatia, integridade, resiliência e uma enorme paixão pelo que faço, aliados á criatividade com propósito, excelência, colaboração e orientação para criar algo impactante.

Estes valores tornam a minha liderança mais humana, inspiradora e focada em criar ambientes onde cada pessoa se sinta valorizada e parte de um propósito comum.

Em essência, a minha missão é que cada projeto da Quadradespontâneo seja mais do que um espaço bem decorado: seja uma experiência transformadora, autêntica e com significado, refletindo a união criativa e o compromisso com o bem-estar das pessoas.

 

Como define o estilo de liderança feminina que hoje marca a agenda empresarial e social?

É meu entendimento, que o estilo e a liderança feminina distinguem-se pela visão estratégica aliada à sensibilidade humana. Promovendo empatia, colaboração e inclusão.

A liderança feminina é um equilíbrio, entre a firmeza nas decisões e na atenção que damos ás pessoas e aos detalhes.

Rejo-me por algo que li e que me guia até á data de hoje, “liderar com sensibilidade e criatividade permite criar espaços que inspiram e transformam comunidades”.

 

De que forma a colaboração, dentro e fora da equipa, se tornou um elemento estratégico na condução de projetos criativos?

A colaboração é fundamental, isto porque dentro da equipa, gera confiança e coesão e fora, integra diferentes áreas e parceiros, enriquecendo todo o processo criativo.

Creio que a diversidade de perspetivas, geram ideias que dificilmente nasceriam num contexto de uniformidade.

Sendo a criatividade a ponte entre o sonho e realização, transformando as boas ideias em soluções práticas.

 

Na sua opinião, quais são as maiores diferenças que a liderança feminina pode trazer no setor do design e da arquitetura?

O impacto na liderança feminina, quer no design quer na arquitetura, a meu ver, só vem acrescentar uma visão mais holística, valorizando uma vez mais a estética, a funcionalidade, sustentabilidade e experiência humana.

Cada espaço deve inspirar, acolher e transformar, promovendo, como já mencionei, o bem-estar, a cultura e um impacto social positivo.

 

O conceito de propósito tornou-se central nas organizações modernas. Qual é o propósito que guia o seu trabalho e a missão da Quadradespontâneo?

O propósito que guia toda a minha atividade e a missão da Quadradespontâneo é o de transformar espaços em ambientes que promovam bem-estar que sejam autênticos, possuam significado e sejam criadores de memórias junto dos clientes.

Acredito que o design de interiores vai muito além da estética. Possui a capacidade de influenciar o estado de espírito, a forma como nos relacionamos e até a cultura de um espaço.

Na Quadradespontâneo, procuramos criar projetos que reflitam identidade e os valores de cada cliente, sempre com soluções personalizadas, funcionais e criativas.

Assim sendo, o meu propósito é, usar o design como uma ferramenta de impacto positivo, capaz de melhorar a qualidade de vida, inspirar e deixar uma marca duradoura nos espaços e nas pessoas.

 

Como o design de interiores pode ir além da estética e tornar-se um motor de bem-estar, cultura e impacto social?

Conforme comentado anteriormente, o design de interiores tem o poder de ir muito além da estética, quando é pensado de forma consciente e integrada. O design de interiores também é cultura, porque traduz a identidade de quem o habita, podendo resgatar memórias, tradições e expressões artísticas. Cada projeto realizado conta uma história.

Além disso, o impacto social que o design tende a ter na sociedade, pode democratizar o acesso a espaços mais saudáveis, inclusivos e sustentáveis, contribuindo assim para comunidades mais equilibradas e conscientes.

Por exemplo, quando desenhamos com propósito, transformamos não apenas casas ou locais de trabalho, mas também a forma como as pessoas vivem, interagem e se sentem no meio onde estão integrados.

 

Que exemplos de projetos desenvolvidos pela empresa considera mais representativos deste alinhamento entre propósito e impacto?

Destaco sobretudo aqueles projetos em que consigo traduzir a identidade do cliente em soluções personalizadas, estando sempre implícitos, o bem-estar e a funcionalidade.

Tenho vários exemplos de projetos realizados como a transformação de residências/apartamentos, onde o objetivo não era apenas renovar a estética, mas criar um ambiente que transmitisse serenidade e conforto, respeitando a história da família e integrando peças com forte valor emocional. O resultado, foi um espaço que não só ficou mais harmonioso, mas também passou a ter um significado mais profundo para quem o habita.

Outro exemplo, são projetos em contexto empresarial, onde a prioridade é desenhar espaços de trabalho que favoreçam a criatividade, a colaboração, o equilíbrio e um sentir de conforto, num prolongamento da “casa”.

Nestes casos, o impacto é ainda mais visível, não só na produtividade, mas também no bem-estar diário das pessoas que ali passam grande parte do tempo.

Para mim, são estes projetos que refletem a missão da Quadradespontâneo, unir estética, propósito e impacto real. Espaços que contam histórias, reforçam valores e que contribuem para melhorar a vida das pessoas.

 

Quais são as grandes tendências que vislumbra no design de interiores e que vão moldar o setor até 2030?

Até 2030, vejo o design de interiores ser profundamente marcado por 3 grandes tendências:

– A Sustentabilidade, que deixa de ser uma opção, para se tornar uma linha orientadora.

Vamos privilegiar materiais ecológicos, soluções de eficiência energética e processos que respeitem o ambiente, promovendo espaços mais conscientes e responsáveis;

– A Personalização, cada vez mais os clientes procuram ambientes que reflitam a sua identidade, história e estilo de vida. Significa criar projetos únicos, que combinam estética/funcionalidade/significado pessoal, afastando-se de modelos padronizados.

– A integração da tecnologia de forma harmoniosa, ou seja, a casa inteligente, a iluminação adaptativa e as soluções digitais vão estar cada vez mais presentes, e aqui o desafio será incorporá-las sem perder a essência humana e acolhedora dos espaços.

Em resumo, o futuro do design de interiores até 2030 será feito de sustentabilidade, identidade e inovação, sempre com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e criar ambientes que dialoguem com as necessidades do presente e as aspirações do futuro.

 

Que conselho deixaria às jovens profissionais que hoje iniciam o seu caminho no universo criativo e empresarial?

O meu conselho é que sigam a curiosidade e cultivem a paixão pelo que fazem. Que nunca deixem de investir na aprendizagem contínua.

O universo criativo e empresarial é cheio de desafios, mas também de oportunidades, e é essencial aliar criatividade à disciplina e ao conhecimento técnico.

Acredito também que a autenticidade e a coragem de ter uma visão própria, são diferenciais fundamentais. Que não tenham medo de propor soluções diferentes, de assumir riscos calculados e de criar projetos que reflitam a vossa identidade e valores.

Valorizem o networking e a colaboração. O sucesso surge da combinação entre paixão, propósito, dedicação e capacidade de aprender e de nos adaptarmos.

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Revista Pontos de Vista Edição 148

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