“Na Vector Estratégico, a colaboração e a empatia são pilares fundamentais para a manutenção da estrutura da nossa entidade”

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Dulce Gomes, Administradora da Vector Estratégico – Estudos e Consultoria, Lda, é um exemplo de resiliência, dedicação e visão estratégica. Ao longo do seu trajeto profissional, Dulce Gomes consolidou um estilo de liderança marcado pela empatia, pela valorização das pessoas e pela procura de soluções sustentáveis, refletindo os valores que defende e que hoje pauta na condução da Vector Estratégico. Nesta entrevista, partilha a sua visão sobre a nova agenda das líderes em 2025, os desafios e oportunidades para as mulheres em cargos de decisão e as prioridades estratégicas da empresa para a próxima década.

Pode partilhar um pouco do seu percurso até chegar à liderança da Vector Estratégico?

Na Vector Estratégico, onde cheguei há 19 anos como Assessora Técnica especializada na área do Planeamento do Território, ocupei diversos cargos de Direção até chegar à liderança da empresa. No entanto, o meu percurso profissional também passou por outras áreas e entidades: trabalhei numa empresa de ambiente, em projetos ligados à água, saneamento e licenciamentos industriais; fui bolseira de investigação na Universidade de Aveiro, com participação no Plano de Ação Ambiental da Barrinha de Esmoriz; fiz Assessoria Técnica no Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional, onde colaborei em estudos no âmbito das Políticas Nacionais sobre o Ordenamento do Território; também fiz Assessoria Técnica na faculdade de Engenharia da Universidade do Porto na área do Planeamento do Território, e fui docente numa Instituição Universitária.

 

Quais foram os principais marcos e inspirações da sua carreira?

Inspiro-me diariamente nas pessoas com quem me cruzo e nas conversas que tenho com quem admiro. Aliado a isto, gosto sempre de me envolver em leituras motivadoras e análises de gestão e lideranças fora da caixa, seguindo principalmente, a vertente das lideranças humanas e as que fazem os outros felizes, que, infelizmente, hoje em dia, são poucas.

 

Na sua visão, o que diferencia a liderança no feminino e como esta pode contribuir para transformar as organizações e a sociedade?

Os modelos tradicionais de liderança, geralmente associados ao poder masculino, ficaram marcados pelo autoritarismo, pela competição e por uma hierarquia rígida, embora tenham existido excelentes exceções.

Com a chegada de cada vez mais mulheres a cargos de direção, houve abertura para uma mudança de estilo de liderança, que sendo também forte, assertiva e focada em atingir objetivos, promoveu uma gestão inclusiva, valorizou mais o trabalho em equipa, agregou empatia, inteligência emocional, bem-estar e trouxe uma visão inovadora a longo prazo que prioriza a sustentabilidade, o equilíbrio e impacto positivo duradouro para as entidades e colaboradores/as.

E na Vector Estratégico isto está bem presente, uma vez que os dois principais cargos de decisão são ocupados por mulheres.

Neste sentido, a liderança no feminino, que foi historicamente silenciada ou tornada invisível, traz uma nova perspetiva à gestão e transformação das organizações e da sociedade, potenciando maior adaptação, resiliência, participação, igualdade e equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

 

De que forma o propósito e os valores pessoais influenciam as suas decisões enquanto líder?

Existem princípios que para mim são bandeira, como a honestidade, a lealdade, o respeito e a verdade. Estes valores, que são intrínsecos à minha forma de ser e de estar, quer a nível pessoal, quer a nível profissional, alicerçados na grande dedicação e capacidade de trabalho, permitem-me tomar decisões enquanto líder, que considero adequadas e justas às estratégias a curto e médio prazo.

 

O bem-estar é hoje um tema central na agenda da liderança. Como procura equilibrar os desafios da gestão com a qualidade de vida e saúde mental?

O bem-estar, alicerçado na família e nas verdadeiras amizades, é a base que deveria sustentar quem tem que liderar ou gerir. Como tal, procuro ter tempo de qualidade comigo, em que não dispenso uma caminhada ao ar livre, andar de bicicleta e jogar alguns jogos de estratégia ou descoberta, em que os “escape room” têm lugar de destaque, assim como, estar com as pessoas que me fazem sentir bem, de modo a potenciar a minha saúde mental e o meu equilíbrio. Também gosto de planear e fazer viagens que, além de me permitirem descansar e aliviar o stress diário, agreguem mais conhecimento e valor aos meus dias, dado que considero que viajar não é um luxo, mas sim uma forma prazerosa de investir em mim… pois a “pessoa que retorna de uma viagem não é a mesma que partiu”.

 

Como avalia o papel da colaboração e da empatia na construção de equipas fortes e organizações mais resilientes?

Na Vector Estratégico, a colaboração e a empatia são pilares fundamentais para a manutenção da estrutura da nossa entidade. Só cultivando um ambiente de partilha de conhecimento, de confiança e espírito de entreajuda é que se podem criar equipas coesas e resilientes, que mantêm relações laborais saudáveis e motivadoras, que geram e sustentam soluções criativas e inovadoras para responder às necessidades dos/as clientes.

Como é que a empresa se tem adaptado às exigências de um mercado cada vez mais competitivo e atento à qualidade e sustentabilidade?

Nos últimos anos, fizemos algumas alterações internas, que implicaram não só a mudança de estatutos como de instalações, de modo a solidificar a nossa estratégia empresarial e a potenciar cada vez mais, o bem-estar das nossas equipas e clientes, e que se reflete na qualidade do nosso trabalho.

Por outro lado, a Vector Estratégico está atenta aos desafios societais e, como tal, apresenta um portfólio de produtos e serviços que trazem mais-valias para o território e para as comunidades locais, considerando o desenvolvimento integrado que enquadra a economia, o ambiente e a parte social.

 

Quais são, atualmente, os maiores desafios que as mulheres líderes enfrentam e que oportunidades emergem nesta “nova agenda” de liderança?

Apesar da evolução social a este nível nos últimos anos, na minha perspetiva, existem dois grandes desafios relativamente à liderança no feminino:

– Um, está relacionado com o estereótipo de género, que associado à resistência cultural e institucional, ainda continua a subvalorizar ou a questionar esta liderança, sendo por isso exigido às mulheres darem mais mostras do seu valor;

– Outro, tem a ver com a dupla jornada de trabalho e a conciliação entre a vida profissional e familiar, que pode limitar a progressão na carreira.

Na Vector Estratégico, enquanto gestora e líder da empresa, já implemento algumas situações que considero se encaixam numa “nova agenda” de liderança mais humana e integradora, como são os casos: do pagamento salarial justo pelo reconhecimento do valor do/a colaborador/a independentemente do género, da possibilidade de escolha de teletrabalho em alguns dias da semana, e da semana de quatro dias de dois em dois meses.

Relativamente às oportunidades, a contínua pressão social e institucional em prol da igualdade, acaba por criar mais possibilidade às mulheres acederem a cargos de decisão e liderança, abrindo espaço para que as mulheres não apenas participem, mas redefinam o que significa liderar.

 

Olhando para os próximos 10 anos, quais são as prioridades estratégicas da Vector Estratégico?

Daqui a 10 anos, a Vector Estratégico estará a um passo dos 30 anos, por isso, até lá, o objetivo é continuar a consolidar a nossa posição no mercado da Consultoria, encontrando formas inovadoras de contribuir para a sustentabilidade e regeneração dos territórios e para o bem-estar das comunidades, destacando as nossas áreas de trabalho: Território e Governança; Ambiente e Sustentabilidade; Gerações Ativas e Inclusivas; Competitividade e Coesão.

Nestas áreas, temos diversas tipologias de serviços que vão desde as Candidaturas a Fundos Europeus Estruturais e de Investimento; Estudos e Planos Estratégicos e/ou Operacionais; Observatórios Temáticos e Desenvolvimento de Produtos, que apoiam a tomada de decisão dos nossos clientes.

Neste caminho de definição e desenvolvimento de estratégias, há que ter em consideração os desafios a que a sociedade está exposta, principalmente no que respeita às incertezas a nível internacional e à utilização da inteligência artificial, e que, na minha opinião, não permitem uma visão a tão longo prazo. Neste contexto, é importante perceber limites e estar sempre à procura de novos posicionamentos, sabendo que o nosso foco se alinha com uma relação de proximidade com os nossos clientes e com padrões de qualidade de excelência do nosso trabalho.

 

Que mensagem gostaria de deixar a outras mulheres que ambicionam assumir posições de liderança?

A mensagem principal em questões de liderança, independentemente de ser no feminino ou masculino, tem a ver com a firmeza nos valores, em que a ética tem que ser o primeiro e a humildade o segundo.

Um caminho de liderança não fala de perfeição, mas sim de coragem, autenticidade, capacidade de resiliência, de reconhecer erros e agradecer conquistas.

Neste caminho, há que estar atenta, confiar nas capacidades e intuição, investir (sempre!) em conhecimento e desenvolvimento, seja pessoal ou técnico, há que avançar mesmo com medo, sendo exemplo e força transformadora, para que mais vozes sejam ouvidas e valorizadas.

Liderar é um misto de solidão e conexão, que se entrelaça no dia-a-dia, para que a visão que temos do que queremos alcançar, se concretize. E para isso, é necessário “dream big, work hard, stay focused”!

 

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