Na XIV Convenção “Aqui é Fresco”, realizada em Aveiro em Junho passado, a rede voltou a superar expetativas e a afirmar-se como um dos grandes protagonistas do comércio de proximidade em Portugal. Com recordes de volume de negócios, crescimento de faturação acima da média do setor e um forte compromisso com a sustentabilidade, a rede demonstra a sua vitalidade e visão estratégica para o futuro. Em entrevista à Revista Pontos de Vista, Carla Esteves, Diretora Executiva da Sociedade Aqui é Fresco, faz um balanço dos principais marcos alcançados, partilha os desafios e oportunidades do setor e revela as prioridades estratégicas para que o “Aqui é Fresco” continue a crescer de forma sustentável e a ser a rede de referência no comércio de proximidade em Portugal.
A XIV Convenção da “Aqui é Fresco” em Aveiro voltou a bater recordes de volume de negócios. A que fatores atribui este crescimento expressivo face à edição anterior?
O crescimento expressivo do volume de negócios na XIV Convenção do Aqui é Fresco deve-se, sobretudo, a três fatores. Primeiro, à forte adesão e confiança dos nossos Associados e Clientes, que veem na rede uma oportunidade concreta de crescimento e competitividade. Segundo, à variedade e qualidade das soluções apresentadas pelos nossos Fornecedores, que permite a todos renovar e diversificar a oferta para os clientes finais, com uma boa competitividade. E, finalmente, à aposta em experiências mais interativas, momentos de networking e workshops práticos, criando um ambiente propício, não só à celebração, mas também à concretização de negócios.
Este resultado demonstra que o Aqui é Fresco continua a ser uma rede robusta, próxima dos seus Associados, próxima dos seus clientes e capaz de criar valor real para todos os parceiros envolvidos.
O crescimento de 10% da faturação da rede em 2024 ultrapassou a média do setor. Quais foram as principais estratégias adotadas para alcançar este desempenho acima da média?
O crescimento de 10% da faturação da rede em 2024 reflete o trabalho contínuo que temos vindo a desenvolver com os nossos Associados, Clientes e Fornecedores Parceiro. Entre as principais estratégias que nos permitiram superar a média do setor destacam-se, o fortalecimento da rede de Associados, onde investimos em formação, apoio operativo e ferramentas que permitem às lojas aumentar a competitividade e melhorar a experiência do cliente final e a diversificação e qualidade da oferta, onde introduzimos novos produtos e marcas próprias, reforçando a frescura, inovação e valor percebido pelos consumidores.
Estas estratégias, combinadas com a confiança que os Associados depositam na rede, têm-nos permitido crescer de forma consistente e acima da média do setor, mantendo sempre o foco na satisfação do cliente e na sustentabilidade do negócio.
A marca própria “UP” celebra este ano 20 anos de existência. Como descreve a evolução da marca ao longo destas duas décadas e quais os objetivos para o futuro?
O percorrer destas duas décadas, tem sido um verdadeiro exemplo de crescimento, inovação e confiança junto dos nossos consumidores. Desde o seu lançamento, a ‘UP’ tem procurado oferecer produtos de qualidade a preços competitivos, sempre com o foco na frescura e na satisfação do cliente final.
Ao longo destes 20 anos, a marca evoluiu significativamente: alargámos a gama de produtos, investimos em embalagens mais sustentáveis e incorporámos tendências de consumo, mantendo sempre a coerência com a marca.
Para o futuro, os nossos objetivos passam por continuar a inovar, reforçar a sustentabilidade da marca e ampliar a presença e reconhecimento junto dos consumidores, garantindo que a ‘UP’ continua a ser uma referência de qualidade, confiança e valor na escolha diária das famílias portuguesas. Queremos continuar a reafirmar “A nossa marca para todos os nossos clientes.”
Atualmente, a rede conta com 250 lojas em processo de adoção da nova imagem. Que impacto tem tido esta renovação na perceção do cliente e nos resultados operacionais?
A renovação da imagem em 250 lojas da rede tem tido um impacto muito positivo, tanto na perceção dos clientes, como nos resultados operacionais. Para os consumidores, a nova imagem transmite modernidade, frescura e proximidade, reforçando a confiança na marca e tornando a experiência de compra mais agradável e intuitiva. É muito importante o alagamento das lojas com a nova imagem, para criarmos mais notoriedade e alargar a mancha da Rede a nível Nacional.
Do ponto de vista operacional, a atualização das lojas permite melhorar a organização do espaço, otimizar fluxos e aumentar a eficiência. A modernização das instalações e a padronização de processos contribuem para uma gestão mais eficaz e para uma melhor apresentação dos produtos, refletindo-se diretamente em maior satisfação dos clientes e, consequentemente, melhores resultados de venda.
A digitalização foi referida como um dos pilares de crescimento. Que investimentos específicos têm sido feitos neste campo e que resultados esperam colher a curto e médio prazo?
A digitalização é, de facto, um dos pilares estratégicos do crescimento da rede. Nos últimos anos, temos investido em plataformas de marketing digital, que permitem decisões mais rápidas e informadas. Nas redes sociais, LinkedIn, Facebook e Instagram. E tornamos o nosso Site mais intuitivo e informativo.
A nível dos Associados e com as várias ferramentas que disponibilizam, a médio prazo, esperamos colher ganhos de eficiência operacional, redução de desperdício e maior controlo de stocks. O objetivo é fortalecer a ligação com os clientes, aumentar a fidelização e expandir as oportunidades de negócio, mantendo o Aqui é Fresco como uma rede competitiva, inovadora e preparada para os desafios do mercado.
O mote da XIV Convenção foi a Economia Circular. De que forma a sustentabilidade está integrada na estratégia da “Aqui é Fresco” e como avalia o envolvimento das lojas e parceiros nesse compromisso?
O mote da XIV Convenção, ‘Economia Circular’, reflete o compromisso da Aqui é Fresco com a sustentabilidade em todas as vertentes do negócio. A sustentabilidade está integrada na nossa estratégia através de iniciativas como redução de desperdício alimentar, otimização de embalagens, eficiência energética nas lojas e promoção de produtos mais responsáveis.
O envolvimento das lojas e parceiros tem sido excecional. Cada associado tem adotado práticas mais sustentáveis, desde a gestão de stocks e logística, até à comunicação com os clientes sobre escolhas conscientes. Os fornecedores também desempenham um papel crucial, oferecendo produtos que respeitam critérios ambientais e sociais.
Este compromisso conjunto permite-nos não só reduzir o impacto ambiental, mas também reforçar a confiança e a ligação com os consumidores, mostrando que o Aqui é Fresco é uma rede responsável, inovadora e próxima das comunidades.
A parceria com entidades como a Too Good To Go e os programas de combate ao desperdício alimentar têm sido destaque. Pode partilhar alguns dados e impactos mais recentes dessas iniciativas?
A parceria com a Too Good To Go e os programas de combate ao desperdício alimentar são exemplos concretos do nosso compromisso com a sustentabilidade. Nos últimos anos, conseguimos reduzir significativamente o desperdício nas nossas lojas, transformando excedentes em oportunidades para os consumidores, através de aplicações e campanhas de sensibilização.
Por exemplo, apenas em 2024, mais de 4 000 magic boxes foram salvas nas nossas lojas, do desperdício e colocadas à disposição dos clientes a preços reduzidos, beneficiando centenas de famílias e diminuindo o impacto ambiental da nossa operação. Além disso, estas iniciativas têm gerado maior consciência entre consumidores e Associados, promovendo hábitos de consumo mais responsáveis e consolidando a reputação do Aqui é Fresco como uma rede comprometida com o futuro sustentável.
O setor do comércio de proximidade continua a ser essencial para a economia nacional. Que desafios ainda persistem e que medidas considera fundamentais para o seu reforço, nomeadamente ao nível do apoio governamental?
O comércio de proximidade continua a ser um pilar essencial da economia nacional, promovendo emprego, dinamismo local e ligação direta às comunidades. Contudo, ainda existem desafios importantes, como pressões competitivas de grandes cadeias, custos operacionais crescentes, dificuldade em atrair e reter talento qualificado e a necessidade de modernização tecnológica.
Para reforçar o setor, consideramos fundamentais medidas de apoio governamental que promovam os incentivos à inovação e digitalização, ajudando pequenos retalhistas a modernizar lojas e processos; redução de custos operacionais, nomeadamente energia e logística; apoio à sustentabilidade, incentivando práticas que reduzam o desperdício e promovam responsabilidade ambiental.
Com estas medidas, o comércio de proximidade pode crescer de forma sustentável, continuando a desempenhar um papel estratégico nas comunidades e nas economias local e Nacional.
A presença do Secretário de Estado Pedro Machado foi um marco nesta edição. O que representa, para a rede e para o setor, este novo foco político na área do comércio?
A presença do Secretário de Estado Pedro Machado na XIV Convenção, com apenas três dias de exercício, representa um sinal muito positivo de reconhecimento do papel do comércio de proximidade e da rede Aqui é Fresco no tecido económico Nacional. É importante que as políticas públicas estejam alinhadas com as necessidades do setor, e este foco político reforça a relevância estratégica das redes de retalho independente.
Para a nossa rede, é uma oportunidade de dialogar diretamente sobre desafios e oportunidades, apresentar propostas concretas e consolidar parcerias que promovam a modernização, a digitalização e a sustentabilidade das lojas. Para o setor, envia uma mensagem clara: o comércio de proximidade continua a ser prioridade no debate político e económico, e iniciativas que apoiem o crescimento e a competitividade são cada vez mais valorizadas.
Por fim, olhando para o segundo semestre de 2025 e para o futuro da rede “Aqui é Fresco”, quais são as prioridades estratégicas em cima da mesa?
No segundo semestre de 2025 e olhando para o futuro, as prioridades estratégicas do Aqui é Fresco passam por três grandes eixos:
Em primeiro lugar, a continuidade da modernização da rede, com mais lojas a adotarem a nova imagem e a beneficiarem de ferramentas que melhorem a eficiência e a experiência do cliente.
Em segundo lugar, a digitalização e fidelização, através de soluções que aproximem ainda mais os consumidores da marca, potenciando programas de cliente, comunicação personalizada e novos canais digitais.
Por fim, a sustentabilidade e responsabilidade social, áreas que já fazem parte do nosso ADN e que queremos reforçar, desde o combate ao desperdício alimentar até à adoção de práticas mais amigas do ambiente em toda a operação.
Olhamos para o futuro com confiança: queremos que o Aqui é Fresco continue a ser a Rede de referência no Comércio de Proximidade em Portugal, crescendo de forma sustentável e mantendo a proximidade que sempre nos distinguiu no mercado.


