No Dia Mundial da Alimentação, a reflexão sobre a forma como produzimos, preparamos e consumimos os alimentos ganha uma relevância acrescida. Num contexto em que a segurança alimentar, a sustentabilidade e o combate ao desperdício são desafios globais, torna-se essencial dar voz a quem está na linha da frente destas mudanças. A SARA HACCP, fundada e liderada por Ângela Leal, tem vindo a afirmar-se no mercado nacional como uma plataforma digital pioneira, que alia tecnologia, simplicidade e rigor na gestão da segurança alimentar. Mais do que uma solução tecnológica, a SARA HACCP posiciona-se como um verdadeiro parceiro estratégico para empresas e profissionais do setor, promovendo uma cultura de prevenção e responsabilidade coletiva. Nesta entrevista, Ângela Leal partilha a visão da empresa, os principais desafios do setor e o papel transformador da digitalização na construção de um futuro alimentar mais seguro e sustentável.
Pode apresentar-nos brevemente a SARA HACCP e a sua missão no setor alimentar?
A SARA HACCP é uma plataforma digital que nasceu com o propósito de simplificar o cumprimento das obrigações legais de segurança alimentar, promovendo um controlo mais eficaz, auditável e sustentável. A nossa missão é clara, pretendemos eliminar a burocracia associada aos registos do sistema HACCP e tornar os processos mais seguros, eficientes e adaptados à realidade de quem trabalha diariamente nas cozinhas e unidades alimentares.
De que forma a vossa atuação se distingue no mercado nacional?
A nossa forma de atuar é muito próxima da operação e do dia a dia dos profissionais que trabalham nas cozinhas e unidades alimentares, fazemos questão de estar constantemente no terreno. A SARA HACCP foi desenhada por uma equipa que conhece os desafios reais do setor alimentar, com uma abordagem prática, personalizável e centrada na usabilidade. Mais do que um software, somos um parceiro estratégico que acompanha os profissionais e promove uma verdadeira cultura de segurança e prevenção, envolvendo as equipas no processo e reforçando o compromisso profissional com a segurança dos alimentos.
Qual considera ser hoje o maior desafio das empresas em matéria de segurança alimentar?
O maior desafio é conciliar a exigência dos regulamentos com o ritmo intenso do setor. Muitos profissionais sentem que o HACCP é apenas uma obrigação documental, quando deveria ser visto como uma ferramenta de gestão do risco. A verdade é que, em 2025, quem vê a segurança alimentar apenas como um processo burocrático está a correr riscos desnecessários. A conformidade deixou de ser uma questão de “bom senso” e passou a ser um exercício diário de ciência, ética e responsabilidade coletiva. Só assim se garantem alimentos verdadeiramente seguros.
Qual o impacto da regulamentação e das exigências europeias na forma como as empresas trabalham a conformidade e o controlo de qualidade?
A regulamentação europeia tem sido determinante para transformar a segurança alimentar de um processo baseado no cumprimento formal em algo muito mais exigente, técnico e orientado para a prevenção. As diretrizes relacionadas com rastreabilidade, água, sustentabilidade, aditivos, transparência e cultura de segurança obrigaram as empresas a adotar sistemas de controlo mais robustos, vivos e auditáveis, aplicando a ciência à operação diária. Hoje, já não basta preencher registos ou montar um dossier em papel. É necessário garantir que os processos estejam a funcionar de forma preventiva e eficaz. A exigência de provas objetivas, obriga as organizações a investir em formação contínua, sistemas digitais e numa cultura técnica transversal a toda a equipa.
A SARA HACCP trabalha diretamente com operadores do setor alimentar. Que papel podem estas entidades ter no combate ao desperdício?
Os operadores do setor alimentar estão na linha da frente da luta contra o desperdício. Com acesso direto aos recursos, decisões de produção e práticas de armazenamento, têm a responsabilidade e a oportunidade de fazer a diferença. Reduzir o desperdício começa com consciência e dados: saber o que é desperdiçado, quando e porquê. Isso exige monitorização, planeamento e formação das equipas. Com estes procedimentos, os operadores conseguem evitar compras em excesso, melhorar o rendimento dos ingredientes e até adaptar porções com base em dados reais, tudo isto reduzindo perdas e aumentando a rentabilidade, sem comprometer a segurança alimentar. No fim do dia, menos desperdício significa mais eficiência, mais sustentabilidade e maior impacto positivo na comunidade e no planeta.
O que pensa do Plano de Ação de Combate ao Desperdício Alimentar (PACDA) e da Estratégia Nacional nesse âmbito?
O PACDA representa um passo importante na afirmação do combate ao desperdício alimentar como prioridade nacional. É um documento orientador que permite alinhar os esforços de todos os intervenientes da cadeia alimentar, promovendo uma abordagem integrada e responsável. Contudo, para que esta estratégia tenha impacto real, é fundamental garantir a sua aplicabilidade no terreno. A sua eficácia depende da capacidade de transformar medidas políticas em ações práticas, adaptadas à realidade das empresas.
Como é que a SARA HACCP contribui para reduzir desperdícios e promover práticas mais sustentáveis?
A SARA HACCP é uma plataforma que permite registar, monitorizar e analisar processos em tempo real. Com alertas sobre prazos, falhas na cadeia de frio ou erros de receção, é possível atuar antes que o desperdício ocorra. Além disso, ao eliminar o uso de papel, ajudamos também na redução da pegada ambiental das empresas. Acreditamos que a digitalização é uma das maiores aliadas da sustentabilidade no setor alimentar. E é aqui que a SARA HACCP entra, a nossa plataforma permite às empresas integrar boas práticas na sua operação diária, de forma contínua e eficiente.
De que forma a digitalização e novas tecnologias estão a impactar o trabalho da SARA HACCP?
A digitalização e as novas tecnologias estão no centro da proposta de valor da SARA HACCP. Através da nossa plataforma, conseguimos transformar registos em papel em dados digitais organizados, acessíveis e auditáveis em tempo real. Esta transformação traz maior eficiência operacional, redução de erros humanos, rastreabilidade imediata e capacidade de resposta mais ágil em caso de não conformidades. Assim como ajudamos os nossos clientes a tomar decisões informadas e a garantir o cumprimento da legislação. Mais do que uma mudança tecnológica, esta é uma transformação cultural. E é esse o impacto que queremos continuar a gerar: uma cultura de segurança alimentar sustentada em dados, rigor e inovação acessível a todos.
Como vê a evolução do setor alimentar em Portugal no que toca à segurança, sustentabilidade e desperdício?
Vejo um setor em profunda transformação, cada vez mais sensível à importância da segurança, do controlo e da redução de desperdício. Os consumidores estão mais exigentes, e as empresas sentem essa pressão, até porque os decisores também são consumidores. Acredito que as próximas décadas serão marcadas pela ampla adoção de tecnologias digitais e pela incorporação da sustentabilidade como critério de competitividade.
Que mensagem gostaria de deixar aos profissionais e consumidores no âmbito do Dia Mundial da Alimentação?
No Dia Mundial da Alimentação, celebramos o direito a uma alimentação saudável, nutritiva e acessível para todos. Agradecemos a quem, todos os dias, trabalha para garantir que os alimentos chegam à nossa mesa com qualidade, segurança e respeito pelo planeta. Este dia é um convite à reflexão sobre a fome, o acesso a alimentos, o futuro da alimentação e o impacto das nossas escolhas alimentares. Por trás de cada prato bem preparado, deve haver conhecimento, responsabilidade e compromisso com a qualidade. Porque alimentar é cuidar. E cuidar é garantir que cada refeição começa e termina com confiança.


