“O meu lema mantém-se atual: qualidade a preços competitivos”

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No dia 30 de setembro celebra-se o Dia Internacional da Tradução, uma data que homenageia todos os profissionais que, de forma muitas vezes discreta, constroem pontes entre línguas, culturas e mercados. A tradução é, por excelência, uma atividade que exige rigor, sensibilidade cultural e uma dedicação constante à aprendizagem. Nesta edição, a Revista Pontos de Vista dá destaque a Ana Honrado, fundadora da AH Traduções & Explicações, profissional licenciada em Tradução, que reflete connosco a relevância do setor, os desafios e as perspetivas de futuro para os profissionais da língua.

Para começar, poderia apresentar-nos a sua organização/projeto e a sua missão no setor da tradução e serviços linguísticos?

O meu nome é Ana Honrado e sou licenciada em Tradução, com uma carreira construída desde 2007 na área dos serviços linguísticos. Fundadora do meu próprio escritório de tradução, que está em funcionamento há mais de 15 anos e com atendimento ao público desde 2015, o meu projeto tem como missão oferecer serviços linguísticos de elevada qualidade, a preços acessíveis, com especial atenção às necessidades reais das empresas ou clientes particulares — tanto em Portugal, como no mercado internacional.

Ao longo do meu percurso, complementei a formação académica com especializações em áreas como o Direito, a Gestão Hoteleira, o E-learning, a Gestão de Projetos e a Educação, tendo também um Doutoramento em Tradução e Interpretação. Este investimento contínuo na formação reflete o compromisso com a excelência que também procuro transmitir a cada cliente, seja numa tradução técnica, jurídica ou criativa. O meu lema mantém-se atual: qualidade a preços competitivos.

 

Na sua perspetiva, qual é hoje a importância dos profissionais da tradução e da interpretação para a economia e para as empresas portuguesas?

Os profissionais da tradução e interpretação são, muitas vezes, os elos invisíveis que garantem que a comunicação entre mercados, culturas e contextos jurídicos acontece de forma fluida, segura e eficaz. Num mundo globalizado, onde as empresas procuram internacionalizar-se, captar investimento estrangeiro ou comunicar com clientes e parceiros além-fronteiras, os tradutores são peças-chave para garantir que a mensagem é compreendida com precisão, respeitando as nuances culturais e linguísticas.

Além disso, no contexto nacional, onde coexistem várias comunidades linguísticas e há uma ligação histórica com os países lusófonos, a tradução é essencial para fomentar o diálogo económico, cultural e institucional.

 

Que papel desempenha o seu escritório/projeto na promoção da qualidade e da excelência dos serviços linguísticos?

Acredito que a qualidade começa pela escuta ativa do cliente e pelo profundo conhecimento das áreas técnicas envolvidas. O meu trabalho é altamente personalizado: cada projeto é cuidadosamente analisado para garantir que o tradutor mais adequado — com experiência específica no domínio do texto e na língua — é o responsável pela tarefa. Sigo processos rigorosos de revisão e, quando necessário, consultoria linguística adicional.

Além disso, aposto na minha formação contínua, no uso de ferramentas tecnológicas adequadas (mas sempre com supervisão humana) e na adoção de boas práticas internacionais, de forma a garantir um padrão de excelência consistente.

 

Considera que a tradução é muitas vezes um trabalho “invisível”, mas fundamental? De que forma podemos dar mais visibilidade a este setor?

Sem dúvida. A tradução é muitas vezes “invisível” porque, quando bem feita, o leitor não se apercebe de que está a ler uma versão adaptada de um original noutra língua — sente-se apenas a naturalidade do texto. No entanto, essa invisibilidade não deve traduzir-se em desvalorização.

Para dar mais visibilidade ao setor, é importante educar o público e as empresas sobre o que está por detrás de uma boa tradução: investigação, conhecimento técnico, sensibilidade cultural e responsabilidade. A celebração de datas como o Dia Internacional da Tradução, iniciativas de divulgação nas escolas e universidades, e o reconhecimento profissional nos media e nas organizações são formas de aumentar essa visibilidade e reconhecimento.

 

Quais os principais desafios que identifica atualmente no mercado da tradução e interpretação em Portugal (e na Lusofonia)?

Existem vários desafios, entre os quais destacaria:

Ÿ Desvalorização financeira da profissão, com pressões para redução de preços que, muitas vezes, comprometem a qualidade.

Ÿ Proliferação de serviços automáticos sem supervisão humana, que criam uma falsa ideia de que “qualquer um pode traduzir”.

Ÿ Falta de regulamentação clara da profissão em muitos países lusófonos, o que dificulta a proteção do profissional qualificado.

Ÿ Necessidade de adaptação constante às novas tecnologias, o que exige formação contínua e capacidade de investimento.

Ainda assim, acredito que há espaço para os profissionais que oferecem valor real, conhecimento profundo, ética de trabalho e compromisso com o cliente.

 

Em termos de inovação e tecnologia (IA, softwares de tradução assistida, etc.), como é que o seu escritório/projeto tem integrado estas ferramentas no dia a dia?

As tecnologias vieram para ficar e podem — quando bem usadas — ser grandes aliadas do tradutor profissional. No meu projeto, utilizo softwares de tradução assistida (CAT tools) que permitem manter consistência terminológica, trabalhar de forma mais eficiente e responder com maior rapidez às necessidades dos clientes.

Quanto à Inteligência Artificial, embora reconheça o seu potencial, acredito que a sua aplicação deve ser sempre acompanhada de uma intervenção humana especializada. A IA pode sugerir, mas é o tradutor que decide. A minha prioridade continua a ser a qualidade e a retidão à mensagem do texto do cliente.

 

Que mensagem gostaria de deixar neste Dia Internacional da Tradução relativamente ao futuro da profissão e à valorização dos profissionais da língua?

Neste Dia Internacional da Tradução, gostaria de deixar uma mensagem de valorização, mas também de responsabilidade. A tradução não é apenas uma ferramenta — é uma ponte entre culturas, negócios e pessoas. É um trabalho que exige ética, rigor e sensibilidade.

O futuro da profissão dependerá da nossa capacidade de nos adaptarmos às novas tecnologias, sem perder a nossa essência: a humanização da comunicação. É fundamental que os profissionais da língua continuem a investir na sua formação, a exigir condições justas e a educar os clientes sobre o verdadeiro valor do nosso trabalho.

A tradução tem futuro — e esse futuro é tão sólido quanto o respeito que construirmos por quem a exerce com competência e paixão.

E por isso, neste Dia Internacional da Tradução, celebro não só a importância da nossa profissão para o mundo — enquanto ponte entre línguas, culturas e mercados — mas também o privilégio de poder exercê-la com equilíbrio.

A tradução é uma profissão que me permite estar presente: para os meus clientes, com dedicação e qualidade; para a minha família, com tempo e atenção; e para mim própria, com espaço para crescer, aprender e evoluir.

É possível conjugar excelência profissional com uma vida pessoal plena — e é isso que torna esta carreira tão especial. Que possamos continuar a valorizar os profissionais da língua não apenas pelo que produzem, mas também pelo compromisso silencioso com a clareza, a verdade e a humanidade em cada palavra traduzida.

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