VitalAire – 40 ANOS A TRANSFORMAR OS CUIDADOS RESPIRATÓRIOS DOMICILIÁRIOS EM PORTUGAL

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Quatro décadas depois de ter introduzido em Portugal um modelo pioneiro de cuidados respiratórios no domicílio, a VitalAire celebra um percurso que se confunde com a própria evolução do setor no nosso país. De Coimbra para todo o território nacional, a empresa não só ajudou a mudar o paradigma do tratamento das doenças respiratórias crónicas, como se tornou um parceiro de referência do Serviço Nacional de Saúde e de milhares de famílias portuguesas. Nesta entrevista à Revista Pontos de Vista, Jorge Correia, Diretor Geral da VitalAire Portugal, reflete sobre o legado construído ao longo destes 40 anos, os marcos mais relevantes, os desafios atuais e a visão para um futuro em que tecnologia e humanização caminham lado a lado.

Que significado têm estes 40 anos de presença contínua em Portugal?

Celebrar 40 anos em Portugal tem um significado que transcende a mera longevidade empresarial. Representa, acima de tudo, um compromisso inabalável com a saúde e o bem-estar dos portugueses. É a materialização de quatro décadas de dedicação contínua à inovação, mas também à nossa capacidade de adaptação às necessidades de uma sociedade e de um sistema de saúde em constante evolução.

Esta jornada começou em 1985, quando a então Oxiven, que viria a dar origem à Air Liquide – VitalAire, assinou o primeiro contrato de tratamentos domiciliários no nosso país, em Coimbra. Esse momento foi verdadeiramente pioneiro, marcando o início de uma nova era na gestão de doenças respiratórias crónicas. Pela primeira vez, os pacientes podiam receber cuidados essenciais no conforto e na segurança dos seus lares.

Esta presença contínua até hoje significa que somos um parceiro de longa data e de confiança para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e para as famílias portuguesas.

 

Quais considera os maiores marcos da VitalAire ao longo das últimas décadas?

É difícil resumir 40 anos em alguns marcos, porque cada passo foi crucial para nos tornarmos quem somos hoje. No entanto, se tiver de destacar os momentos mais determinantes, diria que o primeiro foi, sem dúvida, a nossa génese e o pioneirismo em trazer os cuidados respiratórios para o domicílio. Isso mudou o paradigma.

Depois, destacaria a nossa constante aposta na inovação tecnológica e terapêutica e a expansão da nossa rede de serviços por todo o território nacional, garantindo equidade no acesso a cuidados de saúde de qualidade, independentemente da localização geográfica do paciente.

Contudo, acredito que o nosso maior marco, e aquele que mais nos orgulha, é a criação de uma cultura de proximidade e personalização. A aposta contínua na formação especializada das nossas equipas permitiu-nos construir uma relação de confiança única com os pacientes e as suas famílias. A nossa capacidade de antecipar e responder aos desafios clínicos e tecnológicos, mantendo sempre o paciente no centro de tudo o que fazemos, é o testemunho da nossa liderança e o nosso maior legado.

 

De que forma a empresa mudou a vida dos pacientes respiratórios em Portugal?

A VitalAire, em conjunto com as empresas do setor, revolucionou a vida dos pacientes respiratórios ao oferecer uma alternativa humanizada e clinicamente eficaz ao internamento hospitalar prolongado. A mudança é multifacetada.

Primeiro, devolvemos o lar ao paciente. Ao levar os cuidados para o domicílio, permitimos que as pessoas continuassem a viver no seu ambiente, junto das suas famílias, o que tem um enorme impacto psicossocial e emocional na sua recuperação e bem-estar. Isto traduz-se numa maior autonomia e qualidade de vida.

Segundo, através da personalização dos tratamentos e do acompanhamento contínuo, garantimos uma maior adesão às terapias. As nossas equipas não se limitam a instalar um equipamento; elas ensinam, acompanham e apoiam o paciente e os seus cuidadores, capacitando-os para uma gestão ativa da sua própria saúde. Este empoderamento é transformador.

Por último, esta abordagem resulta numa redução significativa dos re-internamentos e das visitas às urgências, o que não só contribui para melhorar a vida do paciente, evitando o desgaste físico e emocional das hospitalizações, como também alivia a pressão enorme sobre o sistema de saúde, permitindo que os hospitais se concentrem nos casos mais agudos.

 

Que inovações destacaria como transformadoras nos últimos anos?

Nos últimos anos, a inovação acelerou de forma exponencial, e a VitalAire tem estado na vanguarda dessa transformação. A inovação mais disruptiva foi, sem dúvida, a introdução e massificação de tecnologias de seguimento terapêutico, com a telemonitorização a assumir um papel central. Esta tecnologia permite um acompanhamento remoto, contínuo e proativo dos nossos pacientes, permitindo-nos otimizar os tratamentos, contribuindo para prevenir agudizações e complicações.

Paralelamente, o desenvolvimento de novas plataformas digitais e serviços remotos tem sido transformador, e aqui gostaria de destacar as nossas plataformas kairin. Concretamente, refiro-me a um Portal destinado ao médico prescritor, que agiliza a partilha de informação clínica e a uma APP, desenhada especificamente para melhorar a adesão à terapêutica, a qualidade de vida e a experiência global da pessoa com Apneia Obstrutiva do Sono (AOS). Estas ferramentas facilitaram a comunicação e a interação entre os pacientes, os seus cuidadores e as equipas de saúde, quebrando barreiras geográficas e tornando os cuidados mais acessíveis, ágeis e eficientes.

Finalmente, destacaria também a importância dos nossos EspaçoVital e EspaçoVital+, um conceito criado para estarmos ainda mais próximos dos nossos pacientes.

Como parte da nossa permanente estratégia de personalização e proximidade para com pacientes e cuidadores, a VitalAire criou em 2016 o primeiro EspaçoVital. Trata-se de um conceito inovador, complementar aos serviços domiciliários, que tem demonstrado um elevado nível de satisfação. Estes centros são verdadeiros polos de literacia em saúde, onde a nossa equipa de Profissionais de Saúde apoia pacientes com patologias respiratórias crónicas, como a AOS e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC).

É nestes locais que realizamos o nosso programa de Sessões Educativas Paciente VitalAire, onde a nossa equipa de Profissionais de Saúde procura conhecer as dúvidas e necessidades de cada pessoa, investindo na sua capacitação para que possa gerir melhor o seu tratamento no dia a dia.

Atualmente, estes espaços estão abertos em dias úteis e localizados estrategicamente junto a Hospitais de referência nas cidades do Porto, Viseu, Santarém, Almada, Évora e Ponta Delgada estando em preparação a abertura muito em breve de mais um espaço na zona Centro.

Podemos encontrar também os EspaçoVital+ em mais 8 localidades a nível nacional. Tudo isto parte de uma convicção simples: acreditamos que um paciente informado é um paciente mais envolvido e com melhores resultados de saúde.

De que forma a telemonitorização tem alterado a prática clínica e a experiência do paciente?

A telemonitorização representa uma mudança de paradigma. Para a prática clínica, significa passar de um modelo reativo para um modelo proativo de cuidados. Através da análise de dados em tempo real, permite detetar precocemente alterações no estado de saúde dos pacientes, possibilitando intervenções atempadas, contribuindo para uma redução de hospitalizações e episódios de urgência.

Para o paciente, oferece uma maior segurança e tranquilidade, sabendo que está monitorizado. Ao mesmo tempo, promove uma maior autonomia e liberdade. O paciente pode gerir a sua condição de forma mais eficaz e independente, mas com a certeza de que tem uma rede de apoio constante.

 

Como a VitalAire reforça o seu papel como parceiro dos profissionais de saúde?

O nosso papel vai muito além do de um simples fornecedor. Posicionamo-nos como um verdadeiro parceiro estratégico dos profissionais de saúde. Fazemo-lo de várias formas. Primeiro, através da disponibilização de formação contínua e acesso a tecnologias avançadas, garantindo que os profissionais têm as ferramentas e o conhecimento necessários para prestar os melhores cuidados.

Segundo, através de uma colaboração ativa e próxima com médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde. Partilhamos conhecimento, experiência e, fundamentalmente, dados relevantes que permitem otimizar os planos de tratamento e garantir os melhores resultados clínicos para cada paciente.

A criação de canais de comunicação eficientes e a partilha de informação clínica contribuem para uma abordagem integrada e multidisciplinar, que é a base de um modelo de Value-Based Healthcare, onde o foco está no valor gerado para o paciente. Somos um elo essencial na cadeia de cuidados, facilitando a coordenação entre os diferentes níveis de saúde, do hospital ao domicílio.

 

Que papel desempenham os CRD na sustentabilidade do sistema nacional de saúde?

Os Cuidados Respiratórios Domiciliários (CRD) são um pilar fundamental para a sustentabilidade do SNS. Ao permitirmos que doentes crónicos sejam tratados em casa, estamos a reduzir a necessidade de internamentos hospitalares, que são o recurso mais caro e limitado do sistema de saúde. Esta otimização liberta camas e recursos, diminuindo os custos globais do SNS associados ao tratamento de doenças crónicas.

E não falamos de forma teórica. Para quantificar este impacto, a Air Liquide Healthcare, casa-mãe da VitalAire, desenvolveu o estudo clínico VitalCare, o primeiro estudo clínico e de impacto económico no ecossistema de saúde, sobre a adesão ao tratamento para a apneia do sono realizado em Portugal. Este estudo pioneiro demonstra com dados concretos que um acompanhamento personalizado, como o que praticamos, não só contribui para melhorar a saúde do paciente, como gera poupanças significativas e mensuráveis para o SNS.

A prevenção de re-internamentos e a melhoria da gestão destas patologias contribuem para um sistema de saúde mais eficiente, resiliente e, em última análise, capaz de responder melhor às crescentes necessidades de uma população em envelhecimento.

 

Quais os maiores desafios atuais na regulação e operação do setor?

Apesar da sua maturidade, o setor enfrenta desafios significativos. Em termos de regulação, o maior desafio continua a ser o pleno reconhecimento político dos CRD como um parceiro estratégico e integrado no SNS. Os avanços tecnológicos e as melhores práticas clínicas evoluem rapidamente, e a regulação e os modelos de financiamento precisam de acompanhar este ritmo para garantir que podemos continuar a inovar e a prestar cuidados da mais alta qualidade. A colaboração estreita com o SNS é, por isso, indispensável.

Do ponto de vista operacional, os desafios são enormes. Gerimos uma logística de alta complexidade para a entrega e manutenção de dispositivos médicos em todo o país, muitas vezes em locais remotos. Garantimos a formação contínua não só das nossas equipas, mas também dos pacientes e cuidadores. E, claro, gerimos uma vasta equipa multidisciplinar de profissionais de saúde altamente qualificados, assegurando que os mais elevados padrões de qualidade e segurança são cumpridos em cada interação. É uma operação exigente, que requer um investimento e um rigor constantes.

 

Que compromissos a VitalAire tem assumido ao nível da sustentabilidade ambiental?

A sustentabilidade, para nós, é um pilar que abrange as vertentes económica, social e, claro, ambiental. Temos assumido compromissos muito sérios e mensuráveis nesta última área. Isso inclui a otimização contínua das nossas operações logísticas para reduzir a nossa pegada de carbono.

Implementamos uma gestão de resíduos cada vez mais responsável, promovendo a reciclagem e a economia circular sempre que possível. Além disso, trabalhamos com os nossos fornecedores para promover o desenvolvimento e a utilização de equipamentos mais eficientes do ponto de vista energético. Esta preocupação com o impacto ambiental reflete a nossa visão alargada de responsabilidade social corporativa, que se estende para além dos cuidados diretos ao paciente.

 

Como imagina a evolução dos cuidados respiratórios nos próximos 10 anos?

Os próximos 10 anos serão, acredito, ainda mais transformadores. A evolução será impulsionada por duas grandes forças: a inteligência artificial (IA) e a personalização. A IA permitirá uma análise preditiva mais sofisticada dos dados recolhidos através da telemonitorização, permitindo-nos não só reagir, mas antecipar riscos e otimizar os tratamentos de forma dinâmica.

A personalização dos cuidados atingirá um novo patamar, com terapias avançadas e planos de tratamento adaptados não só à clínica, mas também às caraterísticas genéticas e ao estilo de vida de cada indivíduo. A telemedicina, a monitorização remota e os canais alternativos de interação com o paciente irão consolidar-se como o padrão de cuidado, tornando a saúde mais acessível, descentralizada e eficiente.

 

Que contributo pretende que a VitalAire continue a dar à sociedade portuguesa?

O nosso legado de 40 anos é o alicerce sobre o qual construímos o futuro. O nosso contributo será o de continuar a ser um motor de inovação e um parceiro estratégico e reconhecido. Queremos continuar a liderar a introdução de novas tecnologias e terapias, a promover a literacia em saúde e a defender políticas que fortaleçam e integrem os CRD em Portugal.

A nossa promoção da literacia em saúde vai para além do paciente individual e estende-se à sociedade em geral. Um exemplo claro disso é o nosso estudo “Fadiga, Sonolência e Distúrbios do Sono – Que impacto na Segurança Rodoviária?”, desenvolvido este ano em parceria com a Prevenção Rodoviária Portuguesa. Com esta iniciativa, procuramos sensibilizar ativamente a população e os decisores para os graves riscos que a apneia do sono não tratada representa para a condução, contribuindo assim para a segurança de todos nas estradas.

Ambicionamos expandir o acesso a cuidados de excelência, combatendo as desigualdades na saúde, e continuar a contribuir para a formação de profissionais qualificados.

O nosso papel como empresa de referência em Portugal e dentro do grupo Air Liquide garante um compromisso contínuo com a excelência, a inovação e a responsabilidade social.

 

Que mensagem gostaria de deixar aos profissionais e pacientes neste marco de 40 anos?

A minha mensagem é, antes de mais, de profunda gratidão e esperança.

Aos profissionais de saúde, com quem trabalhamos lado a lado todos os dias, o reconhecimento pela sua dedicação incansável e pelo papel fundamental que desempenham na vida dos pacientes.

Aos pacientes e às suas famílias, a garantia de que a VitalAire continuará a ser o parceiro indispensável, oferecendo os melhores cuidados e o apoio necessário para que possam viver com mais qualidade e conforto.

Às autoridades de saúde, a nossa total proatividade e empenho em sermos cada vez mais vistos e integrados como um parceiro estratégico, e não como um mero fornecedor de serviços.

A nossa mensagem final é de confiança no futuro. A VitalAire continuará a inovar, a estar próxima e a construir um futuro mais sustentável para os cuidados respiratórios em Portugal. Estamos convencidos de que os próximos 40 anos serão tão ou mais transformadores do que os que agora celebramos.

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