Do Azeitão Zen ao Palmela Zen: UM CAMINHO DE TRANSFORMAÇÃO E PROPÓSITO

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A sua história é uma viagem de alma. Sandra Rodrigues, fundadora dos projetos Azeitão Zen e Palmela Zen, fala à Revista Pontos de Vista sobre o caminho de autodescoberta que a levou da restauração a uma vida de propósito, serenidade e partilha. Nesta conversa, revela o que significa “viver devagar”, o poder transformador dos retiros e a evolução natural que deu origem ao Palmela Zen — um espaço que respira harmonia e autenticidade.

O Azeitão Zen nasceu de um impulso de mudança. Que momento foi esse na sua vida?

O Azeitão Zen nasceu da necessidade de mudança, de um impulso profundo para um novo caminho — mais lento, mais consciente, mais verdadeiro. Eu precisava abrandar, respirar, reencontrar a minha paz interior e, acima de tudo, voltar a “viver” a minha casa. Essa transição não foi apenas profissional, foi profundamente pessoal.

Deixei para trás o ritmo acelerado da restauração, com todas as responsabilidades e pressões que ela carrega. E nesse desapego descobri algo essencial: que a verdadeira realização não está apenas em trabalhar muito, mas em trabalhar com sentido — em harmonia com quem sou e com aquilo que realmente desejo viver.

 

Hoje, o Azeitão Zen é uma referência em retiros de bem-estar. O que torna estas experiências tão transformadoras?

Nos retiros, o convite é simples e profundo: “dar-se o presente de estar presente”. Vivemos rodeados de estímulos, ruídos e urgências. Aqui, o objetivo é silenciar o mundo exterior para ouvir o som mais importante — o da respiração, do corpo, do coração.

Criámos um espaço seguro, de acolhimento e sem julgamentos, onde as pessoas podem abrir portas à cura e à introspeção. Até as refeições são um ritual de presença: vegetarianas, conscientes, preparadas com intenção e muito amor. Costumamos fazer uma refeição sensorial de olhos vendados — é uma experiência profunda, que desperta os sentidos e amplia a perceção.
Cada garfada torna-se uma celebração da natureza e da vida. É mais do que alimentar o corpo, é alimentar a alma com atenção plena e gratidão.

 

Por que motivo considera que todas as pessoas deviam fazer um retiro pelo menos uma vez na vida?

Porque vivemos num mundo onde tudo acontece rápido e onde o “fazer” parece valer mais do que o “sentir”. Um retiro é uma pausa sagrada — um reencontro connosco mesmos.

Ao sair do ambiente habitual, libertamo-nos dos papéis e das distrações. Ouvimos o que o corpo pede, o que o coração sente, o que a alma sussurra. É um momento em que o tempo desacelera e em que percebemos que a paz que tanto procuramos… mora dentro de nós.

 

Escreveu o livro “DesapeSo”, nascido também deste processo de cura. Que mensagem quis deixar aos leitores?

Durante 12 anos de organização de retiros e eventos, percebi que as pessoas procuram curar feridas internas — e que a cura começa quando aceitamos a dor, em vez de a negar.

O DesapeSo é um livro sobre superação. Foi um processo muito terapêutico e emotivo para mim. É a história de uma vida de amores e desamores, de resiliência, sem tabus, sem medos e sem desculpas.

Quis mostrar que quando alinhamos o nosso sentido de direção, não há impossíveis. A verdade que vive no coração tem força para alavancar o sonho. Falo sobre corpo, transformação e sobre o poder das palavras — porque acredito que cada tempestade traz consigo um arco-íris.

 

E como surgiu o Palmela Zen?

O Palmela Zen nasceu de forma muito natural, como uma expansão do Azeitão Zen. Muitos participantes pediam eventos de apenas um dia, e senti a necessidade de criar um espaço diferente. Transformei uma quinta familiar num lugar mágico, pensado para acolher workshops, cerimónias, constelações familiares e celebrações.

Temos um alojamento com capacidade para 10 pessoas e um salão rústico para 70. Mas é ao atravessar a pérgula, o nosso ex-libris, que tudo se revela — um exterior capaz de receber 200 pessoas, rodeado por oliveiras centenárias e uma paisagem que respira paz.

Cada detalhe foi pensado para abrandar, celebrar e viver momentos em harmonia com a natureza. Quando o dia termina e o pôr do sol pinta o céu, sinto que cada evento ali vivido é uma bênção.

 

O espaço também tem sido muito procurado para casamentos e eventos especiais. O que torna o Palmela Zen único?

Cada cerimónia é uma experiência única, criada com alma e significado. Trabalhamos muito a personalização dos espaços e a criação de mobiliário exclusivo, em parceria com o Motherwood Projects.

Hoje, o Palmela Zen é palco não só de celebrações, mas também de momentos de preparação — como o “making of” das noivas, que transformam o nosso alojamento num verdadeiro ateliê da beleza e da emoção.

Acreditamos que o casamento não começa na cerimónia, mas em cada instante de preparação. Por isso, estamos a projetar um espaço dedicado apenas a esse momento — porque queremos que tudo seja vivido com beleza, conforto e cuidado.

 

Quais têm sido os maiores desafios nesta caminhada?

As obras! (risos) Estamos sempre a transformar, a melhorar, a adaptar. Viver e trabalhar num espaço em constante evolução não é fácil, mas eu adoro. Sou um furacão de ideias e há sempre algo novo a nascer dentro de mim.

Outro grande desafio é construir uma equipa com alma. Num mundo tão automático, encontrar pessoas que trabalhem com o coração é raro — mas é isso que faz toda a diferença.

Queremos acolher pessoas reais, que valorizem autenticidade e conexão. Esse é o nosso verdadeiro propósito: criar espaços onde a simplicidade tem alma e onde cada detalhe conta.

 

Para terminar, como define este caminho do Azeitão Zen ao Palmela Zen?

É um caminho de transformação e propósito. Um percurso que começou dentro de mim e se expandiu para o mundo.

Mais do que criar espaços bonitos, quero continuar a criar experiências com significado — onde as pessoas se reencontrem, se curem e descubram que a paz não está fora… mas dentro.

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