“Liderar é criar as condições para que os outros brilhem, e não o contrário”

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Com uma sólida experiência na liderança e na criação de pontes entre investidores internacionais e oportunidades em Portugal, Cláudia Rodrigues assumiu, em abril do ano passado, a Direção-Geral da UPP Partners, a mais recente aposta do Grupo Vermilion. A marca nasce com uma missão clara: apoiar investidores, empreendedores e famílias de todo o mundo que pretendam viver, investir ou expandir negócios em Portugal. Com sede em Lisboa e um alcance verdadeiramente global, a Revista Pontos de Vista – conversou com Cláudia Rodrigues para compreender a génese e ambição da UPP Partners, os desafios e oportunidades no panorama de investimento internacional em Portugal, e o seu próprio olhar sobre a liderança feminina no século XXI.

A UPP Partners é uma marca jovem, mas já com uma visão muito clara. Como nasceu este projeto dentro do Grupo Vermilion e o que o torna diferente no panorama nacional?

A UPP Partners surgiu de uma necessidade que identificámos no mercado da mobilidade internacional e de uma especialização que já tínhamos através da CipleMaster, na ajuda a investidores que estavam na fase final do processo de Golden Visa e precisavam do certificado linguístico. Somos reconhecidos como os melhores nesse processo, mas percebemos que havia muito mais potencial em todo o percurso que leva à obtenção do Golden Visa.

A UPP nasceu assim, para oferecer um acompanhamento completo, transparente e especializado, desde o momento da decisão até à concretização do investimento e integração em Portugal.

 

A vossa atuação vai muito além da consultoria de vistos. Falam em “soluções de vida em Portugal”. Pode explicar o que isso significa na prática?

Na prática, significa que olhamos para cada cliente de forma integrada.

Acompanhamos famílias e investidores em todo o processo de mudança, desde as questões legais e financeiras até à integração real na vida em Portugal.

Temos sinergias com outras marcas do grupo, como a Open Learning School, que apoia a integração de estudantes internacionais no sistema educativo português, e a Premium Student, que ajuda jovens a ingressar em universidades de excelência em qualquer parte do mundo, com mais de 15 anos de experiência no mercado.

Não tratamos o investimento apenas como um ato financeiro, mas como uma decisão de vida.

 

Portugal tornou-se um destino de eleição para investidores e famílias internacionais. Que tendências têm observado e como estão a evoluir os perfis?

A mobilidade internacional é um facto, com uma real necessidade das famílias encontrarem novos destinos para viver, estudar e investir. O interesse norte-americano, de alguns países do leste da Europa e de algumas zonas do Médio Oriente tem crescido muito nos últimos meses devido à situação de alguma instabilidade interna e geopolítica.

O nosso foco é oferecer a estas famílias um acompanhamento nas várias componentes do que significa uma realocação. Falamos de pessoas que procuram planos B, alternativas às realidades que já conhecem, e que valorizam segurança em várias dimensões da vida, como a financeira, a saúde e a educação.

Portugal oferece um equilíbrio raro entre tudo isto: é um país seguro, acessível e com uma cultura que acolhe bem quem chega.

 

O Grupo Vermilion tem presença em Portugal, mas um alcance global. De que forma essa localização contribui para a vossa missão?

Temos colaboradores de vários países, e isso é algo que nos enriquece muito.

Portugal é a casa do grupo, mas a nossa forma de trabalhar é profundamente internacional.

A comunicação dentro da Vermilion é feita com equipes espalhadas por diferentes geografias, porque a maioria das nossas marcas atua em mercados internacionais.

A nossa sede em Portugal é o ponto de ligação entre essas realidades, um espaço onde o global e o local se encontram.

 

Entrou na Direção-Geral do Grupo Vermilion em abril de 2024, num momento de grande transformação. Quais foram os principais desafios?

Houve muitos desafios que passaram pelo desenvolvimento das equipas internas, recrutamento de novos talentos, definição de novos departamentos transversais que sustentam o crescimento que ambicionamos, mas o principal desafio foi definir claramente o papel de cada marca e criar pontes entre elas. Apesar das marcas terem uma estratégia definida individualmente, o Cliente de todas tem o mesmo perfil e posicionamento. Com um grupo de empresas tão diversificado, percebemos rapidamente que havia oportunidades reais de cross selling entre as marcas, aproveitando as sinergias e reforçando o valor que conseguimos entregar ao cliente quando trabalhamos em conjunto.

Foi também essencial consolidar a identidade da Vermilion enquanto grupo, para que cada marca cresça com uma visão partilhada.

 

Liderar uma estrutura em crescimento exige visão, resiliência e empatia. Quais são, para si, os pilares da liderança moderna?

Para mim, a liderança moderna baseia-se em transparência, escuta ativa e sobretudo clareza na definição do caminho e o que se espera de todos individualmente e como um todo. A liderança deve apontar o caminho e encontrar soluções para apoiar esse caminho.  É importante comunicar bem, dar espaço às pessoas e confiar nelas.

Acredito muito em equipas autónomas, que saibam o seu papel e sintam que fazem parte de algo maior.

Liderar é criar as condições para que os outros brilhem, e não o contrário.

 

O investimento responsável e a sustentabilidade são temas incontornáveis. Como a UPP Partners incorpora essas dimensões?

O nosso compromisso é com um investimento responsável e com impacto positivo, não só económico, mas também cultural e social.

Trabalhamos com entidades e parceiros que partilham os nossos valores e procuramos sempre que o investimento feito em Portugal traga algo de bom para o país, seja em conhecimento, diversidade, cultura ou oportunidades, por esta razão, temos uma rede diferenciada de parceiros pelo país todo.

Queremos ser parte de um crescimento sustentável no sentido mais humano da palavra. O nosso mote é “We Care”. São mesmo muito importantes para o Grupo as relações que criamos com todos os que fazem parte deste ecossistema, sejam eles Clientes, Parceiros e Equipas. Gostamos de sentir que trabalhamos com um propósito, e esse propósito vem quando a nossa ação tem resultados que mudam vidas, que criam valor.

 

Faz parte desta edição dedicada às líderes femininas. Que significado tem para si este reconhecimento?

É um orgulho e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade. Liderar é abrir caminho, influenciar e motivar um grupo de pessoas a atingir um fim comum.

Acredito cada vez mais que o sucesso das organizações depende de lideranças empáticas,

colaborativas e orientadas para o propósito, e isso é algo que talvez as líderes femininas possam trazer mais ao mundo da gestão.

Do ponto de vista pessoal, a motivação para levar a Vermilion Group ao seu reconhecimento e ao desenvolvimento desta equipa é o maior objetivo a que me proponho.

 

Que conselhos deixaria às mulheres que ambicionam posições de liderança?

Que acreditem no seu valor e que não esperem pelo momento perfeito. Que se rodeiem de pessoas que as desafiem e apoiem. E, acima de tudo, que não percam a autenticidade.

A liderança mais eficaz é sempre a que vem de um lugar verdadeiro.

 

Olhando para o futuro, quais são as grandes metas do Grupo Vermilion e da UPP Partners?

O grupo tem tudo para crescer.

Estamos num momento de consolidação e de expansão sustentada, com equipas fortes e marcas que se complementam.

O meu foco é continuar a estruturar esse crescimento com base em confiança, clareza e impacto real, garantindo que a Vermilion continua a ser uma casa de marcas que fazem a diferença.

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