“As mulheres empresárias conquistaram espaço, voz e legitimidade”

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No mês em que celebramos o Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino, a Revista Pontos de Vista abre espaço para histórias que inspiram, desafiam e transformam. Entre essas vozes que têm reconfigurado a forma de pensar a liderança, destaca-se Sandra Sousa, Fundadora da Academia do Empresário. Desde 2021, Sandra tem guiado líderes e empreendedoras num caminho de consciência, estratégia e propósito, mostrando que negócios sólidos nascem quando a visão se encontra com a verdade interna e a ação se alinha com a identidade. A sua abordagem, profundamente humana e simultaneamente estruturada, devolve às lideranças a clareza, a força e a responsabilidade necessárias para construir empresas que não apenas crescem, mas perduram. Nesta entrevista, Sandra partilha a essência da sua missão, os desafios da mulher líder contemporânea e a nova agenda que está a inspirar uma geração de mulheres a liderar com coragem, maturidade e impacto real.

O que a inspirou a criar a Academia do Empresário e como descreve o seu propósito central?

A Academia do Empresário nasceu da necessidade de trazer estratégia, organização e soluções concretas a empresas que operavam em esforço constante, sem estrutura, sem procedimentos claros e sem visão alinhada com o seu crescimento real. Ao longo da minha experiência, percebi que muitas empresas não falhavam por falta de talento, mas por ausência de direção, processos e decisão consciente.

A Academia é uma empresa de consultoria e formação certificada que atua junto de empresários, lideranças e equipas, desenvolvendo estratégias aplicadas, desenhando soluções à medida, estruturando processos e implementando procedimentos que permitem maior eficiência, clareza e previsibilidade. O seu propósito central é transformar negócios em estruturas sólidas, organizadas e sustentáveis, onde a liderança deixa de viver em sobrevivência e passa a liderar com consciência, estratégia e responsabilidade.

 

Quais considera as principais conquistas e barreiras das mulheres empresárias nos últimos anos?

As mulheres empresárias conquistaram espaço, voz e legitimidade. Entraram em setores historicamente masculinos e provaram consistência, visão e capacidade de gerar resultados sustentáveis. As principais barreiras continuam ligadas à pressão interna, ao perfecionismo, à culpa associada ao equilíbrio vida pessoal e profissional e ao julgamento social.
Não acredito que exista uma nova forma de liderar no feminino. Cada mulher líder é resultado da sua história, do seu percurso, das suas experiências e das ferramentas a que teve acesso.

 

Na sua perspetiva, existe uma nova forma de liderar no feminino? Quais são as suas caraterísticas essenciais?

Na Academia cruzo-me diariamente com realidades muito distintas. Há mulheres mais reativas, outras mais estratégicas, algumas extremamente ponderadas e outras em modo de sobrevivência, tal como acontece na liderança masculina. O posicionamento de cada líder depende do contexto, do tempo em função e do seu nível de maturidade e consciência. O que realmente diferencia a liderança é o grau de responsabilidade, clareza e estrutura com que cada pessoa escolhe liderar.

 

Como interpreta a “nova agenda” da liderança feminina e que temas considera incontornáveis para 2025? De que forma a Academia do Empresário integra essa nova agenda nas suas iniciativas e programas?

A “nova agenda” da liderança feminina passa por três pilares incontornáveis. Autoconsciência profunda. Liderança com fronteiras claras. Performance com humanidade.

Temas como saúde mental nas lideranças, gestão de energia, cultura de responsabilidade, decisões difíceis com dignidade e posicionamento firme sem necessidade de aprovação serão absolutamente centrais.

A Academia do Empresário integra esta agenda através de programas que trabalham o líder como pessoa antes de trabalhar o líder como função. Dinâmicas provocadoras, formações práticas, acompanhamento estratégico e desenvolvimento de maturidade emocional aplicada ao contexto empresarial.

 

Qual tem sido o impacto da Academia na formação de empreendedores e nas competências mais urgentes para o presente?

O impacto da Academia traduz-se em empresários mais conscientes, mais assertivos e mais capazes de tomar decisões difíceis. Trabalhamos competências fundamentais como comunicação eficaz, tomada de decisão estruturada, gestão de pessoas, organização de processos e implementação de procedimentos que permitem maior eficiência e previsibilidade.

 

Em que medida as mulheres empreendedoras beneficiam das iniciativas da Academia?

As mulheres empreendedoras encontram na Academia um espaço prático e orientado para soluções, onde fortalecem o seu posicionamento, clarificam decisões e ganham estrutura para sustentar o crescimento dos seus negócios. Beneficiam não apenas de formação certificada, mas de acompanhamento estratégico que respeita a sua individualidade e potencia a sua capacidade de liderança de forma consistente e sustentável.

 

Quais são hoje os principais desafios das líderes portuguesas e lusófonas e como antecipa a evolução do papel da mulher na liderança nos próximos anos?

Os principais desafios continuam a residir na gestão da pressão interna e externa, na necessidade constante de provar competência e na dificuldade em equilibrar exigência, presença e autoconsciência. O futuro aponta para uma mulher líder mais estratégica, mais seletiva e mais focada em impacto sustentável, afastando-se da lógica de exaustão como sinal de valor.

 

Que projetos futuros da Academia do Empresário destaca e que mudança política ajudaria a acelerar o empreendedorismo feminino?

Entre os projetos futuros da Academia destacam-se programas de liderança consciente, laboratórios de gestão emocional e experiências imersivas de transformação comportamental, posicionamento e tomada de decisão em contexto real. Quanto à mudança política, acredito que o verdadeiro impacto surge na base. Educação de qualidade desde a infância, estímulo ao pensamento crítico e transformação do paradigma cultural que molda crenças e comportamentos. É essa base que prepara futuras líderes sólidas, autónomas e conscientes.

 

Que conselho deixa às mulheres que desejam iniciar o seu negócio e que mensagem transmite às líderes que procuram alinhar carreira, impacto e propósito?

Às mulheres que desejam iniciar o seu negócio deixo uma mensagem clara. Comecem com critério, não com romantismo. Estruturem a ideia, avaliem riscos, criem base, organizem processos e tomem decisões conscientes desde o primeiro dia. Empreender sem estrutura gera desgaste, não liberdade.

Às líderes que procuram alinhar carreira, impacto e propósito, relembro que não existe coerência sem verdade interna. A coerência nasce da verdade interna, não do esforço excessivo e liderar com intenção, sem sacrificar identidade, clareza e saúde emocional, é aquilo que sustenta resultados que perduram e não apenas conquistas momentâneas. O sucesso sem consciência gera vazio enquanto a liderança com sentido cria legado.

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