Num contexto empresarial marcado por transformações profundas, onde a saúde, o bem-estar e a sustentabilidade humana se tornam fatores decisivos de competitividade, a liderança exige novas formas de pensar e agir. Luís Terêncio, Fundador e Diretor Geral da Team Saúde, tem sido uma das vozes que mais se destaca nesta mudança de paradigma e que assume, hoje em dia, uma visão clara: apenas o cuidado, a prevenção e o investimento no capital humano garantem verdadeiramente futuro, desempenho e legado. Veja o exemplo deste líder nesta entrevista à Pontos de Vista.
O seu percurso profissional culmina na liderança da Team Saúde. Que momentos ou aprendizagens foram determinantes para desenvolver uma visão centrada no cuidado, na prevenção e no capital humano?
Ao vivenciar contextos empresariais marcados por lideranças restritivas, onde a visão se limitava ao imediato, que compreendi que apenas o cuidado, a prevenção e o capital humano podem sustentar futuro e legado.
A missão de promover saúde ocupacional e bem-estar organizacional tem ganho relevância num mundo laboral cada vez mais exigente. Como descreve o valor que estes serviços aportam ao desempenho e sustentabilidade das empresas?
Num mundo laboral cada vez mais exigente, a Team Saúde acrescenta valor através de uma consultoria especializada em saúde ocupacional, na legitimação legal dos serviços internos de saúde de forma rigorosa e sustentável. Complementarmente, com a plataforma digital de bem-estar da WellWo, que promove a saúde física, emocional, nutricional, ambiental, social e financeira, garantimos colaboradores mais saudáveis, mais produtivos, com um maior comprometimento e envolvimento, maior resistência ao stresse, maior satisfação e o aumento do bem-estar.
Na sua experiência, quais são hoje os maiores desafios das organizações em matéria de saúde ocupacional – desde a prevenção ao atendimento, passando pela literacia em saúde e pela gestão do risco?
Os maiores desafios passam por integrar a prevenção como prioridade estratégica, elevar a literacia em saúde dos colaboradores e gerir o risco de forma contínua, transformando a saúde ocupacional num verdadeiro motor de sustentabilidade organizacional. Outro grande desafio é o cumprimento da legislação da saúde ocupacional. O atropelo sistemático da legislação e a falta de rigor das entidades oficiais em garantir o seu cumprimento fragilizam a proteção dos trabalhadores e comprometem a credibilidade do sistema.
Que impacto concreto pode ter um programa estruturado de bem-estar organizacional na motivação, produtividade, retenção e clima interno? Há fatores-chave para que estas iniciativas resultem?
Um programa estruturado de bem-estar organizacional gera benefícios tangíveis tanto para a empresa como para os colaboradores. Para alcançar resultados consistentes, é fundamental que esteja integrado na estratégia corporativa, alinhado com os seus objetivos, sustentado por dados e indicadores claros, e apoiado por uma liderança comprometida e uma comunicação contínua.
A inovação tem assumido um papel central no setor. De que forma ferramentas digitais, software dedicado, abordagens híbridas de atendimento e processos de recrutamento especializado elevam a qualidade dos serviços prestados?
A inovação eleva a qualidade dos serviços ao integrar ferramentas digitais avançadas, software especializado e abordagens de atendimento que garantem proximidade e eficiência. Somando-se processos de recrutamento especializado, estas soluções permitem chegar a todos os trabalhadores, assegurar rigor técnico e promover um ecossistema de saúde ocupacional e bem-estar organizacional mais inclusivo, sustentável e orientado para resultados. Enquanto muitos programas de wellbeing permanecem restritos a líderes e chefias, esquecendo a maioria dos trabalhadores, a plataforma digital da WellWo distingue-se por garantir verdadeira equidade e igualdade, disponibilizando conteúdos e programas de bem-estar acessíveis a todos, independentemente da função, localização ou nível hierárquico. É esta abrangência que fortalece a cultura organizacional e assegura impacto real e sustentável.
O atendimento ao cliente tem sido assumido como eixo estratégico. Que princípios, métricas e práticas considera indispensáveis para assegurar um atendimento de excelência que construa confiança e relações duradouras com os parceiros?
Na Team Saúde antecipamos o compromisso de colocar o cliente no centro de todas as decisões e por isso obtivemos a certificação LAC, Líder no Atendimento ao Cliente. Este reconhecimento reforça o nosso compromisso em assegurar padrões de excelência, consistência e confiança em cada interação. Um atendimento de excelência exige princípios claros, como empatia, rigor e transparência, sustentados por métricas objetivas como tempos de resposta, níveis de satisfação e fidelização. Práticas como a escuta ativa, a personalização da solução e a melhoria contínua são indispensáveis para construir confiança e relações duradouras com os parceiros.
O futuro do trabalho traz novas exigências: saúde mental, envelhecimento ativo, flexibilização, competências digitais e maior pressão sobre a segurança psicológica. Que tendências prevê como mais impactantes entre 2025 e 2030?
Entre 2025 e 2030, o futuro do trabalho será marcado por exigências estruturais mais profundas, com a visão holística da saúde a assumir prioridade absoluta. O envelhecimento ativo, impulsionado pelo alargamento da idade da reforma, os modelos laborais flexíveis do teletrabalho ao trabalho remoto, da semana de 4 dias ao job sharing que combina irreverência jovem com experiência, a gestão autónoma do tempo, o reforço das competências digitais e a crescente pressão sobre a segurança psicológica não são apenas tendências, serão fatores determinantes da competitividade e sustentabilidade das organizações. Neste contexto, a Team Saúde, através da sua consultoria especializada e a plataforma digital de bem-estar da WellWo, com os seus seis pilares inclusivos, assume um papel estratégico.
Que papel devem ter as empresas especializadas em saúde ocupacional na preparação das organizações para estas mudanças, apoiando a transição cultural, a valorização das pessoas e a construção de ambientes de trabalho saudáveis?
É uma excelente questão, que nos remete para a realidade de um serviço de prevenção frequentemente mal prestado e, por isso, desvalorizado pelo mercado. Trata-se de um serviço que, em muitos casos, é contratado apenas por imposição legal, e não pelo reconhecimento do seu verdadeiro valor estratégico na proteção das pessoas e na sustentabilidade das organizações. Assim, as empresas especializadas em saúde ocupacional devem assumir um papel verdadeiramente estratégico na preparação das organizações para as novas exigências, atuando como agentes de transformação cultural e valorização das pessoas. Esse papel exige uma intervenção ativa e rigorosa, no cumprimento da legislação em vigor, na prevenção como investimento, substituindo práticas reativas por estratégias preventivas que reduzem riscos, absentismo e custos futuros, na integração da saúde e o bem-estar como valores centrais da organização, e não apenas como obrigações legais, na valorização dos colaboradores através de programas de literacia em saúde que reforçam motivação, confiança e desempenho, na construção de ambientes laborais orientados para o bem-estar, a produtividade e a sustentabilidade.
A Team Saúde, com a sua experiência consolidada e reconhecida pelos seus parceiros, assume um papel determinante no rigor técnico, proximidade e soluções adaptadas às necessidades reais de cada organização.
Pode partilhar um exemplo ou caso de sucesso que ilustre como um programa de saúde ocupacional, bem-estar ou recrutamento transformou positivamente o funcionamento de uma empresa?
Por razões de confidencialidade não podemos referir as marcas dos nossos parceiros, mas partilhamos um exemplo. É o de uma multinacional norte-americana, maior produtora de produtos químicos em Portugal, que não tinha o seu serviço de saúde ocupacional legalizado, em incumprimento do artigo 78.º da Lei 102/2009, e que estava a desperdiçar recursos significativos.
O apoio da Team Saúde na legalização do serviço interno de saúde ocupacional ao assegurar o recrutamento de médicos e enfermeiros do trabalho, sem qualquer margem adicional sobre o valor destes profissionais, resultou numa redução efetiva de 20%. A renegociação de serviços adicionais como análises clínicas, sem cativação de qualquer margem, permitiu uma redução de 35%.
Uma gestão mais rigorosa e próxima do posto médico, possibilitou uma redução de 40% na compra de material e 15% o valor global associado o stock de consumíveis. Estas reduções contribuíram para uma maior capacidade financeira e assim reinvestir na implementação de ferramentas de bem-estar, reforçando a motivação, a confiança e a sustentabilidade organizacional.
Diversidade, ética e responsabilidade social tornam-se cada vez mais pilares estratégicos. De que forma estes valores contribuem para uma liderança mais humana, inovadora e sustentável?
Entendo que a diversidade, ética e responsabilidade social são hoje, pilares estratégicos que redefinem o conceito de liderança. A diversidade garante pluralidade de perspetivas e soluções, potenciando inovação e criatividade.
A ética assegura transparência, integridade e confiança, elementos indispensáveis para relações duradouras com colaboradores, parceiros e sociedade.
A responsabilidade social, por sua vez, traduz-se na capacidade de alinhar objetivos empresariais com impacto positivo, promovendo sustentabilidade e legitimidade.
Quando integrados, estes valores contribuem para uma liderança mais humana, capaz de valorizar as pessoas e criar ambientes inclusivos, mais inovadora, ao transformar diferentes experiências e competências em vantagem competitiva e mais sustentável, ao assegurar que o crescimento organizacional se faz com responsabilidade e visão de futuro.
Que desafios e oportunidades identifica para as lideranças empresariais num cenário em que o cuidado e a saúde das pessoas passam a ser fatores determinantes de competitividade?
Num cenário em que o cuidado e a saúde das pessoas se tornam fatores determinantes de competitividade, as lideranças empresariais enfrentam desafios complexos e oportunidades únicas. Uma liderança renovada e orientada para o futuro tem que ir além da gestão tradicional, assumindo responsabilidades acrescidas. Há muitos desafios, como já referimos atrás, como garantir o cumprimento rigoroso da legislação, como integrar a saúde holística com prioridade estratégica, como garantir a igualdade no acesso a programas de bem-estar para uma melhor gestão do envelhecimento ativo e a diversidade geracional, conciliar experiência entre colaboradores e adaptar modelos laborais cada vez mais flexíveis, digitais e híbridos, sem perder coesão cultural e propósito coletivo.
Uma liderança forte e moderna deve ser inclusiva, ética e orientada para o bem-estar, capaz de valorizar as pessoas como o principal ativo da competitividade.
Por fim, olhando para 2026–2030, quais são as três prioridades que considera essenciais para reforçar o ecossistema da saúde ocupacional em Portugal e consolidá-lo como vantagem competitiva para empresas e profissionais?
Olhando para o período 2026/2030, considero três prioridades absolutamente essenciais para reforçar o ecossistema da saúde ocupacional em Portugal e consolidá-lo como uma verdadeira vantagem competitiva para empresas e profissionais:
Cumprimento da legislação e fiscalização – É imperativo que as organizações deixem de encarar a saúde ocupacional como mera obrigação legal e passem a vê-la como parte integrante da sua estratégia. O incumprimento continua a ser uma realidade em todos os setores, privado e público, e só com rigor e responsabilização se garante credibilidade e confiança.
Transformação da prevenção em investimento estratégico – A prevenção não pode ser vista como custo imediato, mas como investimento no futuro. Reduz riscos, absentismo e custos indiretos, ao mesmo tempo que aumenta a motivação, retenção de talento e produtividade.
Integração da saúde e bem-estar na cultura organizacional – Uma liderança moderna deve colocar as pessoas no centro, promovendo ambientes laborais inclusivos, resilientes e orientados para o bem-estar. Isso implica literacia em saúde, programas de apoio psicológico e físico, e uma visão holística que valorize o capital humano como motor da inovação e da sustentabilidade.


