Elisa Coelho, Architect & Founder da ER Home Living, é a protagonista da nossa edição e surge em destaque para celebrar os dois anos de um projeto que nasceu da coragem, da resiliência e de uma paixão inabalável pela Construção Civil. A sua história é marcada por determinação, por um percurso construído praticamente do zero e por uma visão muito própria de liderança, rigor e excelência. Hoje, com uma equipa consolidada e uma marca em crescimento acelerado, Elisa abre-nos as portas do seu trajeto pessoal e profissional, revisita desafios, conquistas e aprendizagens, e partilha a ambição que continua a impulsionar a ER Home Living. Uma conversa inspiradora com uma mulher que lidera, transforma e fascina.
A ER Home Living celebra dois anos de existência. Que balanço faz deste percurso e quais considera terem sido os principais marcos e aprendizagens deste período?
Dois anos. Meu Deus. Parece que foi ontem.
Se fechar os olhos ainda sinto a incerteza de começar todo este projeto, sozinha, sem apoio no que diz respeito ao conhecimento empresarial, de ninguém, sem dinheiro que segurasse o que quer que fosse, sem uma segurança para o caso de poder correr mal e ter alguém que me dissesse “eu ajudo, eu tenho, eu resolvo”.
Não é fácil. Hoje olho para trás e às vezes nem sei como é que consegui chegar até aqui.
Foi mesmo difícil e ainda hoje não é fácil, mas o grau de dificuldade é muito alto quando iniciamos alguma coisa do zero e sem saber.
A única coisa que eu sabia é que isto tinha de funcionar, porque a minha vida e a de mais umas três ou quatro pessoas, na altura, dependia de mim.
Isto é mesmo difícil, as pessoas não têm noção. Eu trabalho muito. Eu dedico-me muito.
Eu estou 24h com a minha cabeça a trabalhar, a fazer contas, a organizar, a preparar, a idealizar. Mas isto dá-me uma pica, não imaginam.
Isto está a crescer de uma forma mesmo bonita, cresce por mérito, por um excelente trabalho executado, por mim e por todos os meus colaboradores.
Hoje somos 10. Tenho a equipa que idealizei desde o primeiro dia, mas não comecei logo com ela. Isto demora. Não é estalar os dedos e contrato pessoas, há toda uma logística por trás que tem de estar ok, para eu dar segurança a cada trabalhador meu.
Mas agora sim, isto está com um volume de trabalho e um reconhecimento extraordinário. Graças a Deus e a todo o esforço e dedicação de cada um que faz parte da minha equipa. Agradeço-lhes do fundo do coração, eles sabem.
O que motivou a criação da ER Home Living e de que forma o projeto reflete a sua visão pessoal de arquitetura e construção?
A minha paixão profissional sempre foi que o meu percurso passasse pela Construção Civil. Sempre sonhei muito com o liderar uma equipa, liderar trabalhos, gerir orçamentos, custos/lucros. Já na minha vida pessoal sou assim. Gosto de gerir tudo e fazer tudo funcionar. Isso fascina-me. Mas no trabalho considero que é o que me dá alento para viver. O meu trabalho é muito da minha felicidade, da minha realização pessoal, da minha qualidade de vida. Não vivo sem ele e isto não é ser doente “por”, é ser só apaixonada pelo que faço. Nunca fui de “sonhar” com a execução de Projetos de Arquitetura, sou mais o tipo de pessoa que delira só em saber que o vou coordenar e fazê-lo nascer. Trabalho de Atelier de Arquitetura é algo que não gosto, sempre soube que a minha Carreira profissional não iria passar muito por esse lado. Tenho dez anos de experiência profissional, na qual oito anos e meio de experiência foram em empresas de Construção Civil.
Quais têm sido as maiores conquistas e também os maiores desafios no crescimento da empresa num setor tão competitivo?
O reconhecimento pelo nosso trabalho, a recomendação e a valorização do mesmo, é a melhor conquista que podemos ter.
O maior desafio é a garantia de trabalho e a preparação do mesmo a longo prazo. Até Março/Abril de cada ano corrente, eu tenho que fechar o próximo ano já de trabalho. Não tenho outra hipótese, dez pessoas comigo, é um peso e uma responsabilidade gigante. Eu tenho que os segurar e a segurar a vida deles também.
Como definiria a identidade da ER Home Living hoje — e de que forma a empresa se distingue no mercado da construção e reabilitação em Portugal?
Distingue-se pela diferença, pelo cuidado, pelo bom gosto e brio profissional. Aqui não se faz de qualquer forma, nem às três pancadas. Aqui ou se faz em condições ou não se faz. Ponto.
A ER Home Living atua em várias frentes, desde a coordenação e direção de obra até à fiscalização e fase de acabamentos. Como é feita essa integração entre as diferentes áreas para garantir qualidade e eficiência?
A organização é indispensável para quem quer trabalhar bem e se inteirar de tudo na sua área.
Na sua perspetiva, quais são hoje os maiores desafios da coordenação e fiscalização de obras em Portugal?
O maior desafio é coordenar e fiscalizar quem não sabe trabalhar, aí sim, temos um problema grave. Tirando isso, quando há organização e trabalhamos com equipas competentes é uma questão de gerir prazos, timings e ter um jogo de cintura. Atrasos existem sempre, mas quando está tudo bem coordenado e organizado, tudo funciona.
Que papel desempenham a tecnologia e a comunicação no acompanhamento rigoroso das obras e na relação com o cliente?
É fundamental, hoje em dia preparar o cliente e ajudá-lo a perceber o que está no papel.
As pessoas têm dificuldade em visualizar, em perceber, às vezes até na obra simulamos os interiores com marcações em tijolo, posição do mobiliário em fita, para os clientes perceberem os espaços e a posição dos elementos que o compõem. Temos que ser pró-ativos, práticos e muito bem resolvidos connosco mesmos para poder ajudar a “resolver” as dificuldades dos outros.
O que considera essencial na fase de preparação de obra para assegurar que o projeto reflita verdadeiramente a visão do cliente?
Um projeto bem executado, bem pensado e bem pormenorizado é fundamental para que a obra se desenvolva de acordo com o pretendido, caso contrário, ninguém sabe o que o arquiteto pensou “para”. Infelizmente isso acontece muitas vezes, chegam-nos projetos “vazios” às mãos. É miserável, as pessoas não pagam para isso. O bom de eu ser arquiteta é que, em muitas das minhas obras, eu é que dou todo o apoio que falta no projeto do cliente e aí sim, as coisas correm bem. Dou o meu ponto de vista, mostro soluções, explico o porquê de não funcionar “assim”. Este apoio terra a terra, é muito importante e não o encontramos em qualquer Empresa de Construção ou Atelier de Arquitetura.
A organização do espaço e a escolha de materiais e acabamentos são aspetos que a ER Home Living trata com especial cuidado. Que princípios orientam essas decisões?
Qualidade, resistência, durabilidade e valor agregado a estes aspetos são princípios que mantemos sempre nos nossos orçamentos e sugestões em projeto/obra. Não precisamos de trabalhar com materiais ou soluções premium, mas também não trabalhamos de todo com soluções e materiais fracos. Não é de todo a imagem que queremos passar.
Como é que a sua experiência no terreno influencia a forma como aborda o projeto de arquitetura e a execução prática?
A experiência no terreno é que faz de nós um(a) excelente Arquiteto(a) a elaborar Projeto. Desengane-se quem acha que Arquitetura é estar o dia inteiro em frente a um computador a fazer plantas, cortes e alçados. Ser um bom arquiteto, é ter conhecimento de materiais, de soluções construtivas mas não é no autocad, é em obra. É ter um problema e resolvê-lo na hora, com o pedreiro, com o trolha, com o eletricista, o picheleiro, o carpinteiro. Aqui se vê a capacidade de resolução e de resposta a um projeto. É isto que nos permite depois conseguir melhorar o nosso projeto. É neste dia a dia, no terreno, nos problemas, nas soluções, que nós melhoramos o nosso conhecimento de forma alucinante. Não “fujam” desta realidade, é lindo ver o que está no papel a acontecer de uma forma diferente da pensada inicialmente, só porque não funcionou assim, mas ok. Resolvemos.
A ER Home Living tem vindo a afirmar-se como uma referência em inovação e sustentabilidade. Que práticas sustentáveis implementam nos vossos projetos e que impacto têm observado?
Promover a sustentabilidade na Construção Civil tem cada vez mais relevância. A criação de Edifícios Sustentáveis é muito importante para o meio ambiente, o impacto deles, a durabilidade dos materiais, a sua manutenção. São inúmeras as soluções que temos no mercado de forma a facilitar a inserção de práticas sustentáveis nas obras. Podemos falar das energias renováveis, como painéis solares, da gestão de resíduos, de forma a que durante a construção se reduza o desperdício e promova a reciclagem. A eficiência energética que é de extrema importância, incluindo o uso de isolamentos térmicos, caixilharias eficientes, sistemas de iluminação led e tantas outras tecnologias que permitem reduzir o consumo de energia. Apostar mais na Iluminação natural, com o uso de claraboias que por sua vez permitem a entrada de luz natural, o que reduz o gasto da iluminação artificial. O aproveitamento das águas da chuva, podendo ser usada para realizar lavagens de pavimentos exteriores, sistemas de rega. São diversas as soluções que podemos desenvolver para melhorar a sustentabilidade na construção.
Como vê a evolução do setor da construção civil nos próximos anos, sobretudo face aos desafios ambientais e às novas exigências dos consumidores?
Eu acho que a construção vai continuar em alta, ao que eu vejo e me chega às mãos, isto tende a crescer de dia para dia.
De que forma a empresa está a preparar-se para esse futuro – em termos de tecnologia, materiais e métodos construtivos?
Tentamos estar sempre atentos à nova tecnologia, às novas soluções, nós arriscamos muito para que o nosso trabalho seja feito cada vez melhor e com uma qualidade acima da média.
Num setor tradicionalmente masculino, como é ser uma mulher a liderar um projeto de construção com dimensão e impacto como a ER Home Living e os principais entraves que teve ao longo dos mais de dez anos de experiência profissional em Arquitetura e Construção?
Uma sensibilidade e um cuidado diferente para gerir pessoas e problemas neste meio. Aqui falo mesmo por mim, porque cheguei a ver colegas mulheres que não se sobressaíam pelo lado positivo no meio de tantos homens. Tem muito a ver com o caráter e personalidade de cada pessoa, não é só pelo facto de ser líder mulher ou homem. Acima de tudo temos de ser humildes, perceber que quem está na execução tem muito a ensinar-nos. Nunca tive uma falta de respeito de nenhum trabalhador nas três empresas que trabalhei.
Gosto muito de ter uma boa relação, ser compreensiva, ajudar. Gosto de brincar com eles, gosto de pedir opinião, gosto de ser prática e resolver na hora.
Quero acima de tudo que se sintam bem com a minha presença, por isso tento ser o mais simples e humilde possível, para que percebam que estamos todos no mesmo barco.
Que valores procura transmitir à sua equipa e como cultiva uma cultura de colaboração, confiança e excelência?
Humildade acima de tudo, respeito, compreensão, ajuda. É isto que têm de mim, é isto que tento que o façam comigo também.
Que mensagem gostaria de deixar a outras mulheres que desejam trilhar o seu caminho na arquitetura e na construção?
Arrisquem.
Se pudesse descrever a ER Home Living em três palavras, quais seriam?
Garra. Dedicação. Mérito.
Que novos projetos ou ambições podemos esperar no futuro próximo da marca?
Isso, têm de esperar para ver. Ambições, já perceberam que tenho muitas.


