“Priorizar-me deixou de ser um ato de coragem: tornou-se um ato de dignidade”

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Num tempo em que as carreiras se constroem tanto com escolhas conscientes como com ruturas inesperadas, Filipa Fartura vive o que descreve como uma “fase de viragem consciente”. Aos 47 anos, depois de duas décadas em contextos institucionais exigentes, de desafios pessoais profundos e de uma vida profissional marcada por liderança, resiliência e impacto, Filipa decidiu parar. Escutar-se. Recomeçar.

O que poderia ter sido apenas uma rutura tornou-se um movimento de regresso a si: à verdade, à integridade, à consciência e a uma identidade que durante anos ficou por inteiro adormecida. Hoje, Filipa está a escrever um livro — e não apenas um livro, mas uma narrativa que expõe padrões, memórias, dores silenciosas e a herança emocional que atravessa gerações. A escrita tornou-se o seu lugar de propósito e também o seu espelho: um espaço onde se reencontra, onde cura e onde ilumina.

Nesta entrevista à Revista Pontos de Vista, Filipa fala sem filtros sobre perda, reinvenção, liderança, identidade e a coragem de assumir um caminho autoral. Fala sobre o impacto da PHDA, sobre as dinâmicas institucionais que a moldaram, sobre o que significa escolher a verdade quando essa escolha tem custos reais, e sobre como redefiniu por completo a ideia de sucesso.

 

Comecemos pelo momento em que está agora: uma “fase de viragem consciente”. O que motivou essa viragem? Foi algo planeado ou surgiu de forma repentina?

A minha viragem foi o resultado de vários fatores que se acumularam e atingiram o limite ao mesmo tempo.
Perdi o emprego, senti-me desorientada aos 47 anos enquanto mãe solteira, percebi que nunca encontrei verdadeira pertença nos contextos profissionais e vivi anos de conflitos judiciais ligados à parentalidade. Em paralelo, cheguei a um limite emocional e mental que já não conseguia ignorar.
Procurei um diagnóstico que intuía há muito — e confirmou-se: tenho PHDA de nível elevado. Este foi o último clarão de consciência de que algo precisava de mudar.
Percebi que tinha de parar e cuidar de mim com verdade.
Foi assim que começou a minha viragem consciente.

 

Como define o seu propósito neste novo capítulo da sua vida profissional?

Encontro-me numa fase de transição consciente.
Estou a escrever um livro, e a escrita tem sido o primeiro lugar onde este propósito ganha forma, clareza e direção.
Hoje, o meu propósito está completamente alinhado com a minha identidade.
Significa viver com verdade, sem máscaras, com uma consciência emocional e espiritual que transforma primeiro a mim — e, através de mim, quem se cruza com a minha história.
O meu propósito é iluminar.
Não no sentido de ensinar ou corrigir, mas de testemunhar.
Através da minha própria jornada, quero abrir espaço para que outras pessoas possam reconhecer as suas sombras, as suas dores e também o seu potencial — caso tenham coragem de olhar para o seu próprio reflexo.
Quero ser voz e espaço de consciência numa época que nos pede uma relação mais honesta connosco mesmos.

Olhando para a sua trajetória profissional, como esse passado institucional moldou quem é agora?

O meu percurso institucional não começou em cargos de topo. Passei por diferentes funções, em várias instituições e por vários níveis hierárquicos, e isso deu-me uma visão muito concreta de como pessoas, equipas e culturas organizacionais realmente funcionam.
O meu primeiro cargo de liderança foi alcançado por mérito, consistência, esforço e dedicação. Era um ambiente multicultural e dinâmico, onde viajava com frequência, criava projetos, desenvolvia iniciativas e trabalhava com membros de várias partes do mundo. Foi um período de grande expansão, de inspiração, e de marcos únicos alcançados para a instituição, onde permaneci durante cerca de uma década. Mas aprendi que, em qualquer organização, existem ciclos. E quando certas dinâmicas internas começaram a pedir que eu me encolhesse para caber — diminuindo responsabilidades que eu tinha conquistado e distorcendo a natureza do meu papel — percebi que já não era o meu lugar. Mais tarde, uma pessoa envolvida nessas decisões confirmou-me que determinados movimentos tinham sido planeados. Isso deu-me consciência, pela primeira vez, da profundidade de algumas práticas silenciosas que acontecem nos bastidores corporativos.
No segundo cargo de liderança, descobri outra face das estruturas: um sistema rígido, vertical e altamente hierárquico. Nesse ambiente, observei padrões que reconheço bem — controlo, manipulação subtil, falta de transparência e estilos de liderança que anulam, em vez de expandir.

Quando mantive a minha integridade e apresentei a minha verdade, a consequência foi imediata: o meu contrato terminou, numa entidade onde já trabalhava há vários anos. Seguiu-se um processo judicial que iniciei, e que ainda decorre, no qual — mesmo com um acordo formalizado em tribunal — houve incumprimento. O que apenas reforçou a minha leitura das dinâmicas presentes. Mas não digo isto num tom de acusação — digo-o num tom de consciência. Falo da minha experiência, dos meus sentimentos e do impacto real que certas práticas organizacionais tiveram em mim. E é precisamente por isso que hoje acredito que determinadas verdades precisam de ser ditas com maturidade e responsabilidade: porque só quando nomeamos o que está desalinhado é que podemos transformar culturas de trabalho.

Sou profundamente grata a tudo o que vivi — ao bom e ao difícil. Porque foram essas experiências que me mostraram quem sou, que tipo de líder escolho ser e, acima de tudo, que tipo de ambientes permitem a expansão humana — e quais a anulam.
Hoje sei, com total clareza, que os valores que carrego — verdade, integridade, lucidez e consciência — nunca poderiam florescer plenamente dentro de estruturas que não ressoam com eles.
E foi essa verdade que me trouxe até aqui.

Quais foram as aprendizagens mais importantes dessas fases de liderança?

As minhas fases de liderança ensinaram-me três aprendizagens fundamentais.

Primeiro, que a liderança vai muito além de um cargo ou de um conjunto de comportamentos. A verdadeira liderança é inspiração e expansão — é a capacidade de elevar os outros, de abrir espaço para que cresçam e de criar ambientes onde as pessoas se sintam seguras para ser quem são e para acrescentar valor.

Segundo, percebi que a integridade é inegociável. Manter a verdade, mesmo quando tem custos, ensinou-me a reconhecer ambientes saudáveis — e a identificar rapidamente aqueles que exigem submissão ou silêncio.

E, por fim, compreendi que liderança é, acima de tudo, responsabilidade.
Responsabilidade para reconhecer a própria humanidade do líder, assumir falhas, respeitar os outros com empatia e responder pelas consequências das escolhas e decisões que se tomam. Mas também responsabilidade para orientar: dar feedback construtivo, oferecer coaching adequado e prestar mentoria que permita o crescimento de cada pessoa, sem invadir nem controlar.

Sem esta responsabilidade integral — humana, ética e profissional — não há liderança.
Há apenas poder.
Estas aprendizagens tornaram-me uma líder mais consciente, mais humana e mais alinhada com quem sou.

O que a levou a optar por um caminho mais autoral e independente?

A decisão de seguir um caminho mais autoral e independente começou quando me perguntei:
“Como cheguei até aqui?”
Foi aí que começou a minha jornada.
Ao revisitar o meu passado, o meu percurso, as circunstâncias que vivi, as escolhas que fiz e as consequências que marcaram o meu presente, comecei a compreender-me de uma forma profunda. E dessa consciência nasceram novas perguntas — perguntas de autodescoberta — que continuam a revelar quem sou e o que realmente quero para a minha vida. Este não é um processo imediato, é contínuo.
Percebi que o silêncio, o autoabandono e o tentar caber em moldes que não eram meus me adoeceram mais do que qualquer risco que a verdade pudesse trazer.
Priorizar-me deixou de ser um ato de coragem: tornou-se um ato de dignidade.
Escolher a independência foi, portanto, escolher-me a mim.
Escolher a minha voz, a minha identidade, a minha consciência — e a liberdade de criar uma vida que esteja alinhada com quem sou.

 

Essa transição acarretou desafios práticos (financeiros, logísticos, emocionais)? Se sim, como tem lidado com eles?

A transição tem trazido desafios a vários níveis — financeiros, logísticos e, sobretudo, emocionais.
De momento, vivo com o rendimento do fundo de desemprego e organizo-me da melhor forma possível, com pragmatismo e foco. É um período que exige equilíbrio, gestão e presença.
Mas o maior desafio é emocional. Tomar uma decisão deste tipo nunca é fácil e o processo de autodescoberta é extremamente doloroso.
Ao revisitar camadas antigas — algumas muito profundas — sinto a transformação que ocorre (mesmo ao nível somático) quando a identidade se realinha com a verdade interior.
E, inevitavelmente, surgem dúvidas:
“É o caminho certo?”
“Será sustentável?”
“Estarei à altura?”
“Estou a investir ou a perder tempo?”
Aprendi a ver estas dúvidas como parte do processo.
Para me manter centrada, fiz até uma reflexão estruturada, listando todas as razões pelas quais escolhi este caminho e a escrita deste livro. Sempre que hesito, volto a esse documento — e reencontro-me. Reencontro o propósito, a missão e a força para continuar.
Tenho também o apoio dos meus pais, que acolheram a minha decisão sem julgamento, e isso tem sido fundamental.
Hoje vivo um dia de cada vez. Uma preocupação de cada vez. E sigo o plano — com coragem, determinação e a consciência de que esta transição é, acima de tudo, um ato de verdade.

Contou-nos que está a escrever um livro. Poderá partilhar um pouco sobre o que está a explorar nele? (“Padrões de comportamento humano, história familiar, trauma e consciência”, conforme mencionaste.)

O livro que estou a escrever é, antes de tudo, um testemunho verdadeiro sobre a minha história e sobre o legado emocional da minha família. Exploro como padrões — comportamentais, relacionais e até silenciosos — se podem transmitir de geração em geração, e quase sempre sem consciência.

É também o relato da minha experiência enquanto filha de um pai com doença mental, e de como essa realidade moldou a minha infância, identidade e forma de estar no mundo. Falo sobre o trauma infantil e as consequências subtis (e profundas) que ele deixa na vida adulta — não num sentido clínico, mas humano. O livro é cru, intenso e honesto.
Não procura culpados nem vitimização. Procura verdade.
Trago à superfície aquilo que tantas vezes permanece oculto — a vida real dentro das famílias, as dinâmicas silenciosas, as dores que não se nomeiam, a herança emocional que carregamos sem nos aperceber.
Escrevo esta história porque acredito que testemunhos reais têm um impacto diferente: permitem que cada leitor reconheça algo seu, compreenda melhor o que o formou e talvez encontre coragem para olhar para a sua própria narrativa.
O meu objetivo não é explicar — é iluminar.
E abrir um espaço de reflexão sobre temas que ainda precisam de ser ditos sem filtros: saúde mental, educação emocional, trauma, responsabilidade familiar e consciência geracional.

Como é que o processo de escrita se cruza com o seu próprio autoconhecimento? São espelhos: escreve para se conhecer, ou vai descobrindo ao escrever?

A escrita tem sido, para mim, muito mais do que um processo criativo — é um veículo de libertação e revelação.
Ao escrever, confronto-me, abro camadas, reconheço padrões e encontro partes de mim que, durante anos, estiveram adormecidas ou apagadas. A escrita devolve-me quem eu era, porque o regresso ao passado tem como objetivo validar-me e validar os meus sentimentos, numa época em que eu não tinha estrutura para o fazer. Revela-me quem sou agora e quem me estou a tornar.
Não é um caminho linear. A vida continua a acontecer no presente, e é precisamente no presente — nos estímulos, nas emoções, nas relações com os outros, nos gatilhos — que muitas vezes surge a necessidade de compreender. E, curiosamente, ao ser confrontada com eles, quase sempre encontro respostas e novas camadas no passado.
O meu processo é intuitivo e visceral.
Por vezes avanço por capítulos diferentes, porque a minha memória também é fragmentada; outras vezes revisito fisicamente lugares antigos para reativar sensações e lembranças. Há momentos em que preciso parar — dias, até semanas — porque certas verdades só podem ser integradas com tempo, silêncio e maturidade emocional.
Mas cada pausa, cada memória, cada lágrima, é parte da cura.
E cada página escrita transforma-me.
Hoje, qualquer estímulo emocional ou psicológico torna-se matéria de consciência.
E a escrita é o espelho onde essas revelações se tornam visíveis — para mim e, espero, para quem um dia as ler.

Como mudou o seu conceito de “sucesso”?

No passado, o “sucesso” para mim estava profundamente ligado ao exterior.
Era ser reconhecida, validada, apreciada pelo meu desempenho — corresponder às expectativas, ser competente, cumprir, exceder.
O sucesso era uma medida externa, que eu tentava alcançar para preencher um vazio interno que, na verdade, não se preenchia assim.
Hoje, o significado mudou por completo.
O sucesso passou a ser um movimento inverso: nasce dentro de mim e só depois se reflete no exterior.
Antes, o sucesso vinha de fora para dentro.
Agora, nasce dentro de mim — e, esperançosamente, irradia.

Sentiu alguma resistência interna ou externa ao escolher este caminho menos linear?

Sim. Houve resistência interna — e profunda.
Escrever sobre a minha família fez-me hesitar.
Durante muito tempo, pensei no impacto que teria expor não só a minha história, mas também fragmentos da história deles.
Senti desconforto, coloquei-me na pele de cada um e questionei-me:
“Tenho o direito de revelar isto?”
Depois de muita reflexão, falei abertamente com a minha família. Expliquei o porquê deste caminho e a importância de trazer à luz temas que, nas famílias, tantas vezes permanecem em silêncio — por vergonha, por proteção, por medo do julgamento.
Mas esse silêncio perpetua padrões.
E senti que era precisamente aí que estava a minha responsabilidade: quebrar o ciclo. Decidi escrever com maturidade emocional, respeito e verdade.
Não acredito numa “verdade única”: existe a minha verdade, a deles, e todas as nuances entre ambas.
O que trago no livro é a minha experiência — sem culpabilizar, sem vitimizar, mas com honestidade.
A resistência externa foi sobretudo subtil — expectativas sociais de que certos assuntos “não se expõem”, de que “a família é privada”, de que “não se mexe no passado”. Mas compreendi que esconder nunca foi solução.
E que iluminar é, para mim, um ato de integridade.

Que mensagem espera que outras pessoas em transição — seja de carreira, de identidade, de propósito — retirem da sua história?

Espero que quem atravessa uma fase de transição — seja de carreira, identidade ou propósito — perceba, antes de tudo, que não está sozinho. Que o valor e o mérito não vêm de fora, mas da autenticidade e da consciência que cada pessoa traz consigo.
Não acredito em fórmulas mágicas, nem em listas de “10 passos para a felicidade”.
A existência humana é demasiado singular, complexa e digna para ser reduzida a isso.
Quero que entendam que cada vida merece ser honrada tal como é — com luz e sombra.
Não somos apenas bons ou maus; somos essa dualidade viva, e é precisamente aí que reside a nossa humanidade.
É na capacidade de reconhecer as nossas escolhas — boas ou más — que nasce a possibilidade de aprender, transformar e decidir quem queremos ser daqui para a frente.
Se a minha história puder servir de espelho para que alguém encontre coragem de olhar para si, isso, para mim, já é impacto suficiente.

 

Como vê o seu contributo para o mundo, agora, neste novo jeito de estar? Em que “narrativa” se quer inserir?

Vejo o meu contributo para o mundo como um ato de iluminação e consciência.
Quero abrir espaços de verdade — aqueles onde os temas difíceis deixam de ser tabu e passam a ser humanizados. Acredito que a dor não é inimiga; é um sinal, uma oportunidade, um convite à mudança e à evolução.
A minha presença, a minha história e a minha forma de testemunhar são, para mim, ferramentas de transformação.
Quero inserir-me numa narrativa de autenticidade.
Como autora independente e como oradora transformacional, quero ocupar um lugar que não é de autoridade, mas de verdade: um espaço onde a coragem de olhar para dentro se torna ponto de partida para compreender o mundo ao redor.

Aonde gostaria de chegar profissional ou pessoalmente daqui a 5 ou 10 anos?

Daqui a 5 ou 10 anos, vejo-me cada vez mais alinhada entre o que sou pessoalmente e o que faço profissionalmente.
Neste momento, em plena fase de transição, o meu primeiro lugar de propósito é o meu livro — é daí que tudo nasce. Mas, no futuro, vejo-me a expandir esse espaço: a falar em eventos, a viajar para palestras, a trabalhar de forma independente e, ao mesmo tempo, a colaborar com entidades e profissionais que estejam alinhados com esta visão de consciência e verdade.
Acredito que as oportunidades certas se revelam ao longo do caminho — e quero manter-me disponível para novas sinergias e formas de impacto.
No plano pessoal, desejo realização, a sensação profunda de estar a cumprir o meu propósito, saúde emocional, tranquilidade mental, relações maduras e liberdade.
Acredito que esta harmonia entre dentro e fora será a base de tudo aquilo que construirei.

Para além do livro, há outros projetos ou áreas em que pensa desenvolver-se (consultoria, mentoring, speaking, coaching, outro tipo de criação)?

Para além do livro, o speaking é, neste momento, a área que mais ressoa comigo.

Contudo, e como ainda estou em fase de transição, mantenho-me aberta ao que o percurso me revelar.
Há também outra possibilidade, mais íntima e não necessariamente como carreira: a música. Vejo-a como um meio criativo que poderá integrar este caminho mais à frente — não como objetivo principal, mas como extensão natural da minha expressão.

 

Se pudesse voltar no tempo e conversar com a “Filipa do passado” — aquela que trabalhava em contextos institucionais — que conselho lhe daria agora?

“Tu és muito mais do que consegues ver agora.”


Pedir-lhe-ia que se priorizasse, que cuidasse de si.
Que procurasse descobrir-se com verdade enfrentando o passado— mesmo quando essa verdade fosse difícil de olhar. Dir-lhe-ia para resgatar a criança que foi, validando os seus sentimentos e confiando na intuição que sempre teve. Assegurar-lhe-ia que as respostas estão nela — sempre estiveram — e que nenhum sistema externo define quem ela é. E, acima de tudo, pedir-lhe-ia para confiar mais em si e menos no que os outros querem, esperam ou acham.

E que aquilo que chamavam “demasiado” era, na verdade, a sua maior força.

E qual o mantra que a guia agora?

“Iluminar o caminho — sem nunca abandonar a minha humanidade.”

Significa ser luz, sim — mas com verdade, imperfeição, compaixão e presença.

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