Em tempos marcados por ritmos acelerados, escolhas automáticas e uma crescente desconexão entre corpo, mente e propósito, surgem projetos que resgatam a essência do que significa realmente cuidar. O The Therapist é um desses exemplos — um espaço pioneiro onde a nutrição funcional, a terapia e a educação convivem com naturalidade, criando uma nova forma de olhar para o bem-estar. À frente deste movimento está Joana Teixeira, uma líder que transformou uma visão pessoal num conceito diferenciador, hoje reconhecido pela sua abordagem holística e pelo impacto que gera na vida de milhares de pessoas. Nesta edição da Pontos de Vista, conversamos com Joana sobre o caminho que percorreu, os valores que sustentam o The Therapist e o papel transformador que as mulheres estão a assumir na liderança contemporânea. Falámos sobre coragem, responsabilidade, escuta ativa e sobre a importância de criar negócios com alma — aqueles que não só crescem, mas que também cuidam.
1. Percurso e Visão
Joana, como nasceu o conceito do The Therapist e o que a inspirou a unir a restauração, a terapia e a formação num único espaço?
O The Therapist nasceu de uma certeza que tenho: a de que cuidar do corpo não é suficiente se não cuidarmos também da mente, das emoções e do conhecimento. Percebi que muitas pessoas procuravam “comer bem”, mas continuavam desconectadas de si mesmas, exaustas e sem consciência do impacto das suas escolhas. Quis criar um espaço onde a nutrição fosse terapêutica, a experiência de comer fosse um ato de autocuidado e onde o conhecimento estivesse acessível. Foi assim que juntei gastronomia funcional, terapia e educação num só sítio.
O The Therapist é hoje uma referência pela sua abordagem holística à saúde e sustentabilidade. Como foi o processo de transformar uma visão em realidade?
Foi um processo desafiante, porque construir algo que não existia exigiu alguma coragem e portanto o caminho foi feito de muitas tentativas, alguns erros e ajustes de acordo com o feedback da nossa equipa, dos clientes e dos fornecedores. Cada decisão, desde o design dos menus até à forma como comunicamos, foi pensada para gerar impacto real e não fazer apenas parte de uma tendência. A visão tornou-se realidade quando deixámos de ser apenas um restaurante e passámos a ser um movimento.
Que valores pessoais e profissionais considera fundamentais para liderar um projeto com propósito e impacto positivo?
Autenticidade para não ceder ao que é mais fácil, resiliência para continuar mesmo quando o mercado ainda não entende a proposta, e responsabilidade porque liderar um projeto com propósito é saber que cada escolha, desde um fornecedor até ao tom de voz da marca, educa, influencia e transforma. E, acima de tudo, acreditar que cuidar de pessoas é a forma mais elevada de fazer negócio.
2. A Nova Agenda das Líderes
O tema desta edição é “A Nova Agenda das Líderes”. Na sua opinião, o que caracteriza a liderança feminina nos dias de hoje?
A liderança feminina de hoje não procura apenas mandar. Procura integrar o propósito com a ação, a performance com o bem-estar, a ambição com o cuidado. É uma liderança que quer romper com modelos rígidos do passado e que está a criar novas formas de o fazer.
De que forma as mulheres estão a redefinir o conceito de liderança, especialmente em setores ligados ao bem-estar, saúde e sustentabilidade?
As mulheres estão a trazer ao centro temas que antes eram vistos como “complementares”: a empatia, a escuta, a regeneração, o impacto humano das decisões. No setor da saúde e da sustentabilidade, isso é especialmente visível. Não basta ser viável economicamente, é necessário ser saudável emocionalmente e justo socialmente. Estamos a provar que é possível crescer e, ao mesmo tempo, cuidar.
Que papel desempenha a empatia, a escuta ativa e o equilíbrio emocional na sua forma de liderar equipas e inspirar outros?
Para mim, liderar não é dar respostas, é fazer as perguntas certas. A empatia e a escuta ativa são ferramentas de gestão tão importantes como qualquer indicador financeiro. Uma equipa alinhada emocionalmente gera resultados muito acima da média. No The Therapist, acreditamos que bem-estar não é um benefício, é uma competência de gestão.
3. O Propósito do The Therapist
O The Therapist trabalha em torno de quatro objetivos funcionais – imunidade, detox, força & energia e mente. Pode explicar-nos como estes pilares se traduzem na experiência diária dos clientes?
Cada pilar foi desenhado para responder a uma necessidade concreta da vida moderna. A imunidade para reforças as defesas do organismo, o detox para quem sente o corpo sobrecarregado e quer desintoxicar, a energia para quem quer performance sem exaustão, e a mente para quem procura clareza e calma num mundo hiperestimulante. Estes conceitos não estão apenas no menu, estão nas terapias, nas formações e em cada conteúdo que criamos.
De que forma o restaurante, a clínica e a escola se complementam para promover uma transformação real no estilo de vida das pessoas?
O restaurante desperta a curiosidade, a clínica transforma a alimentação e a escola consolida os conhecimentos. Primeiro, a pessoa experimenta um prato que a faz sentir-se bem. Depois, aprofunda através de acompanhamento nutricional. Finalmente, aprende e aplica esse conhecimento para a vida, através de cursos e workshops. É assim que a mudança deixa de ser pontual e se torna estilo de vida.
Qual tem sido o maior desafio e, ao mesmo tempo, a maior recompensa em liderar um projeto que toca áreas tão interligadas como a nutrição, a saúde mental e a educação?
O maior desafio é manter a coerência, garantindo que o que servimos no prato está alinhado com o que ensinamos e com a forma como cuidamos da equipa. A maior recompensa é ver vidas a mudarem, equipas a crescerem e perceber que o The Therapist não é apenas um negócio: é um ponto de viragem na relação que as pessoas têm com a sua própria energia.
4. Sustentabilidade e Futuro
A sustentabilidade é um eixo central do vosso trabalho. Como é que o The Therapist contribui para um mundo mais saudável e sustentável, dentro e fora das suas paredes?
Sustentabilidade, para nós, vai muito além dos ingredientes locais ou das embalagens recicláveis e reutilizáveis. É sobre cuidar das relações com o corpo, com a comunidade, com os fornecedores e com os recursos do planeta. Trabalhamos com produtores locais, reduzimos desperdício diariamente com processos internos rigorosos e, acima de tudo, educamos para escolhas mais conscientes.
Que novas iniciativas ou projetos estão a desenvolver para os próximos tempos? Há planos de expansão ou parcerias internacionais?
Estamos a preparar uma nova fase do projeto com a abertura de um espaço com um conceito mais urbano e funcional, orientado para o formato grab & go, sempre com os mesmos valores de nutrição consciente e propósito. Será uma evolução natural do The Therapist, pensada para acompanhar o ritmo das cidades e facilitar escolhas saudáveis no dia a dia. Mantemos também o nosso compromisso de crescer com consistência e alma, por isso preferimos revelar menos e construir com profundidade.
Como imagina o futuro do The Therapist e qual gostaria que fosse o seu legado enquanto fundadora?
Vejo o The Therapist como uma marca-movimento, presente em várias geografias, mas sempre com alma local. Gostaria que o legado fosse este: provar que é possível criar negócios rentáveis que respeitam a vida do planeta, das equipas e de quem se senta à mesa.
5. Mensagem Inspiradora
Que conselho deixaria a outras mulheres que aspiram liderar projetos com impacto social e ambiental?
Comecem antes de estar tudo pronto. A clareza vem com o caminho, não antes dele. E lembrem-se: liderança com propósito não é feita de heroínas incansáveis, mas de mulheres conscientes, que sabem pedir ajuda, criar uma rede de apoio e cuidar de si enquanto cuidam do negócio.
Que mensagem gostaria de partilhar com as leitoras da Revista Pontos de Vista sobre a importância de cuidar de si próprias e do mundo que as rodeia?
Cuidar do mundo começa no gesto íntimo de cuidar de si. Quando nutrimos o nosso corpo, acalmamos a nossa mente e aprendemos com consciência, ganhamos energia para transformar o que está à nossa volta. O autocuidado não é um luxo, é um ato de responsabilidade social.


