Com seis anos de atividade assinalados em janeiro, a People (Ac)Counts afirma-se como um projeto que nasceu da vontade de devolver proximidade humana a um setor tradicionalmente focado apenas no cumprimento. Fundada por Liliana Rodrigues, formada em Gestão de Recursos Humanos e com um percurso construído em escritórios de contabilidade, a empresa surgiu da identificação de uma lacuna clara: empresários pouco acompanhados, sem explicação nem apoio real à decisão. Ao unir rigor técnico com presença, clareza e empatia, a People (Ac)Counts construiu uma proposta diferenciadora onde os números contam, mas as pessoas contam ainda mais. Saiba mais na Revista Pontos de Vista!
A People (Ac)Counts assinala seis anos de atividade em janeiro. Que lacunas no mercado a motivaram a criar este projeto e de que forma a sua experiência profissional anterior influenciou a génese da empresa?
Eu sou formada em Gestão de Recursos Humanos, sendo que a minha carreira foi construída em escritórios de contabilidade e ao longo do meu percurso percebi que muitos empresários se sentiam perdidos, pouco acompanhados e, muitas vezes, tratados como apenas mais um número.
Senti que faltava alguém que explicasse, que estivesse presente e que ajudasse a decidir — não só a cumprir. Foi daí que nasceu este projeto: da vontade de juntar rigor profissional com proximidade humana. Costumo brincar, referindo que o mais difícil foi encontrar o nome que dissesse isso mesmo: People (Ac)Counts.
O nome People (Ac)Counts reflete uma visão muito clara sobre o papel das pessoas nas organizações. Que valores estão na base da empresa e como se materializam no trabalho desenvolvido com clientes e parceiros?
O nome People (Ac)Counts diz exatamente aquilo em que acreditamos: as pessoas contam e são o centro de tudo.
A nossa equipa são todas as pessoas que trabalham connosco, sejam colaboradores sejam clientes, fornecedores ou parceiros, sem elas o nosso negócio não funciona.
Trabalhamos com números, sim, mas nunca esquecemos que por trás deles há decisões, sonhos, preocupações e famílias. Os nossos valores vivem na forma como falamos com os clientes, como explicamos, como acompanhamos e como assumimos cada negócio como único.
Quais considera terem sido os principais marcos da People (Ac)Counts desde a sua fundação até hoje? Houve momentos particularmente desafiantes ou decisivos neste percurso?
Nestes seis anos crescemos muito, mas sobretudo amadurecemos. Aprendemos a escolher melhor, a dizer “não” quando era preciso e a proteger a identidade da People (Ac)Counts.
Eu nunca tinha gerido uma empresa, é difícil ser multidisciplinar e multitask, é preciso confiar, saber delegar. Recrutar uma boa pessoa é diferente de recrutar um bom profissional. Para mim pessoalmente, o maior desafio é, sem dúvida, ter uma equipa estável, comprometida.
Houve desafios, momentos difíceis e decisões exigentes, mas todos contribuíram para sermos hoje mais conscientes, mais consistentes e mais alinhados com aquilo que queremos ser.
Enquanto fundadora e líder, que tipo de cultura procura promover dentro da People (Ac)Counts e que princípios orientam o seu estilo de liderança?
A cultura que procuro criar é simples: autonomia versus responsabilidade. Vivemos com uma legislação laboral desajustada e esta cultura que pensei ser fácil, foi um grande desafio: as pessoas não sabem gerir o seu tempo, organizar o seu trabalho. Não me preocupo com o horário das pessoas, mas apenas se o planeamento está cumprido.
Valores como respeito, proximidade, transparência, simplicidade (no contato, na comunicação) e confiança, são valores inegociáveis.
Acredito que as pessoas trabalham melhor quando se sentem seguras, valorizadas e ouvidas. Como líder, estou próxima, acompanho e exijo — sempre com humanidade e clareza.
Fala-se cada vez mais de pessoas como ativo estratégico. Na sua perspetiva, o que ainda falta às organizações para integrarem verdadeiramente a gestão de pessoas na sua estratégia de negócio?
Ainda há empresas que falam de pessoas, mas não as colocam verdadeiramente no centro. Simplesmente tornou-se “moda” e é uma boa estratégia de marketing para o mercado.
Já se assiste a uma grande evolução, vê-se um investimento na “felicidade no trabalho”, mas falta ouvir mais, planear melhor e perceber que investir em pessoas não é um luxo — é uma necessidade para crescer de forma sustentável e cada uma é única.
Que áreas de atuação da People (Ac)Counts destacaria como mais procuradas neste momento e de que forma a empresa se diferencia num mercado cada vez mais competitivo, seja na Consultoria, Contabilidade ou Recursos Humanos?
A contabilidade acabou por se tornar o nosso core business: afinal todas as empresas têm esta área como exigência legal. Mas a nossa personalização ajustada à visão e necessidades do gestor, acabou por ser o diferencial que nos faz receber mais clientes.
A consultoria tem sido uma área crescente em que cada vez mais nos destacamos, principalmente no acompanhamento e apoio na criação de novos negócios.
A área de recursos humanos (RH) acabou por ficar reduzido à área administrativa, dado que a dimensão dos clientes não exige mais e ainda não temos posicionamento no mercado que nos permita captar a atenção de empresas de maior dimensão que exija outro tipo de áreas de RH mais complexas (recrutamento, avaliação de cultura organizacional, necessidades de formação, etc.).
Mas o que nos diferencia não é o serviço em si — é a forma como o prestamos. Explicamos sem complicar, acompanhamos de perto e ajudamos a tomar decisões com mais segurança e menos ansiedade.
De que forma o trabalho da People (Ac)Counts tem contribuído para a transformação das organizações com quem colabora? Pode partilhar exemplos de impacto real, seja ao nível da liderança, desempenho ou cultura?
O maior impacto acontece quando um cliente passa a perceber os seus números e deixa de decidir “às cegas”.
Tenho clientes que chegaram a pensar que deviam fechar os seus negócios e com um bom planeamento fiscal e de tesouraria, os seus negócios hoje são sustentáveis e estão expansão.
Ou jovens empreendedores que chegaram com a ideia de criar uma empresa: nem sempre o negócio começa por uma empresa, é importante perceber qual a melhor decisão /estrutura para a sua atividade e dar o 1º passo da forma mais ajustada pode ser crucial.
Já acompanhámos crescimentos, mudanças, reorganizações e novos começos. Em todos eles, o foco foi sempre dar clareza e tranquilidade a quem lidera o negócio.
Vivemos um período de profundas transformações no mundo do trabalho. Quais são, hoje, os principais desafios que as empresas enfrentam na gestão de pessoas e como a People (Ac)Counts tem respondido a essa realidade?
Hoje, todos lidamos com má gestão de tempo, pressão legal, mudanças constantes e equipas cansadas.
Na minha opinião, a área da contabilidade não tem tido a evolução expetável, seria suposto apostarmos nos nossos clientes e não no cumprimento de prazos legais. Tem-se assistido à implementação de automatismos que permite a “desresponsabilização” das entidades estatais, mas uma maior pressão dos profissionais desta área para verificar ao detalhe e entregar situações em repetido que seria expetável o Estado assegurar.
O nosso papel tem sido ajudar a organizar, antecipar e simplificar, para que os empresários consigam respirar e decidir com mais calma. Em termos de equipa, é preciso ajustar planeamentos, automatizar o que é possível e reforçar equipas, é impossível crescer sem aumentar equipas. E é preciso proporcionar atividades que quebrem a rotina, para que seja uma mais valia de crescimento pessoal e profissional (ou não), mas que motive, que permita sair da rotina da pressão de prazos e exigências legais que são cada vez mais nesta área.
A atração e retenção de talento continuam a ser uma preocupação central. Que estratégias considera fundamentais para criar equipas comprometidas e sustentáveis a longo prazo?
Já não existe a utopia “da pessoa certa para o lugar certo”. Já todos entendemos que ninguém quer ser insubstituível, porque não permite a progressão na carreira. O recrutamento tornou-se uma área complexa em Portugal. A situação económica financeira do país está desequilibrada: pessoas trabalham muitas horas, mas não produzem. O SMN é baixo, mas as empresas pagam excessivamente por este valor. O custo de vida para um cidadão que trabalhe, é elevado. Tudo isto, entre outros fatores, faz com que tenhamos profissionais sem qualquer experiência ou qualificação a exigir salários desajustados.
Por outro lado, as pessoas não procuram apenas salário. Procuram respeito, reconhecimento e sentido e, é por aqui a minha base estratégica: equipas fortes constroem-se com comunicação, liderança consciente e relações de confiança.
Como tem a People (Ac)Counts integrado inovação, novas metodologias ou abordagens na sua atuação, mantendo-se relevante num contexto em constante mudança?
A tecnologia faz parte do nosso dia a dia, mas nunca substitui o olhar humano.
Usamo-la para ganhar tempo e eficiência, para podermos estar mais presentes onde realmente importa: nas pessoas.
Enquanto mulher líder, como analisa a evolução da liderança feminina nas organizações? Que papel têm a diversidade e a inclusão no desempenho das empresas?
A liderança feminina tem vindo a ganhar espaço, e isso é positivo, mas ainda não é um caminho terminado. Hoje já vemos mais mulheres em posições de decisão, porém muitas continuam a sentir que têm de provar mais, justificar mais e equilibrar mais do que seria desejável.
Acredito que a liderança feminina traz, muitas vezes, uma forma diferente de estar: mais próxima, mais consciente das pessoas e mais atenta ao impacto das decisões no dia a dia das equipas. Não se trata de ser melhor ou pior — trata-se de trazer diversidade de perspetivas.
Quando falamos de diversidade e inclusão, falamos de empresas mais reais, mais equilibradas e mais preparadas para lidar com a complexidade. Equipas diversas pensam de forma diferente, questionam mais e tomam decisões mais completas. Isso reflete-se diretamente no desempenho, na inovação e no ambiente de trabalho.
Incluir não é apenas “aceitar diferenças”, é criar espaço para que cada pessoa possa ser quem é, contribuir com a sua visão e sentir que pertence. E quando isso acontece, as empresas tornam-se mais humanas — e, curiosamente, também mais fortes.
Na sua opinião, qual deve ser hoje o verdadeiro papel de uma consultoria focada em pessoas: técnica, estratégica ou transformacional?
Hoje, uma consultoria focada em pessoas não pode ser apenas técnica. A técnica é importante, é a base, mas não chega. As organizações não precisam apenas de alguém que diga o que fazer — precisam de alguém que ajude a compreender, a decidir e a implementar.
Uma boa consultoria caminha ao lado. Escuta antes de propor, explica antes de exigir e adapta antes de impor soluções. Cada empresa tem a sua história, o seu ritmo e os seus desafios, e isso deve ser respeitado.
Quando a consultoria é feita com proximidade, clareza e empatia, o impacto vai muito além dos processos. Ajuda líderes a ganhar confiança, equipas a alinharem-se e negócios a crescerem de forma mais consciente e sustentável.
É nesse equilíbrio entre conhecimento técnico e acompanhamento humano que a consultoria se torna verdadeiramente transformadora.
Quais são os grandes objetivos e ambições da (Ac)Counts para os próximos anos?
O futuro passa por crescer com consciência, reforçar a componente digital, expandir para outras áreas como apoio administrativo, formação, mas acima de tudo continuar a apostar numa contabilidade próxima, clara e humana.
Queremos continuar a ser um apoio real para quem empreende.
Para terminar, que mensagem gostaria de deixar aos líderes e organizações que ainda veem a gestão de pessoas como um custo e não como um investimento?
As pessoas não são um custo. São o coração de qualquer negócio.
São elas que tomam decisões, resolvem problemas, criam relações com clientes e fazem os negócios acontecer todos os dias.
Quando a gestão de pessoas é vista apenas como despesa, perde-se a oportunidade de construir algo sólido. Mas quando se cuida das pessoas, quando se escuta, quando se investe no seu desenvolvimento e bem-estar, os resultados aparecem naturalmente — não apenas nos números, mas na consistência, na confiança e na sustentabilidade do negócio.
Negócios crescem quando as pessoas crescem. E isso continua a ser algo que nenhuma tecnologia substitui.


