Inicia-se um novo ano e muitas vezes sentimo-nos mais motivados para implementar novos hábitos e rotinas nesta altura.
Em questões de saúde, será que mais vale prevenir que remediar?
Vamos perceber!
A esperança média de vida tem aumentado nas últimas décadas, o que significa que temos vivido mais anos. No entanto, estes anos vividos não significam necessariamente anos vividos com qualidade. Atualmente assiste-se a um aumento do número de anos vividos com patologias e incapacidades. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, doenças originadas maioritariamente pelo estilo de vida, como a diabetes e as doenças cardiovasculares, são responsáveis pela morte anual de cerca de 41 milhões de pessoas ou, por outras palavras, por 71% de todas as mortes. Assim, torna-se imperativo refletir sobre estes dados e perceber o que podemos fazer para detetar precocemente sinais e sintomas que surjam, retardando ou mesmo evitando a instalação de doenças preveníveis.
É neste contexto que entra o papel da Medicina Preventiva, cujo objetivo é prevenir, dentro do possível, as doenças que surjam com o envelhecimento, vivendo com qualidade de vida e mantendo a saúde a nível físico, mental e social.
Se conseguirmos detetar precocemente as patologias que já se tenham iniciado no organismo, dando sintomas ou não, torna-se mais fácil agir atempadamente para impedir o seu avanço.
Ao mesmo tempo, quem não tem sintomas pode fazer por otimizar a saúde ao máximo, pois ter saúde não é somente ausência de doença e o objetivo é, para além de se evitar a doença, viver no nosso melhor.
O check-up preventivo, incluído na consulta de medicina preventiva, engloba:
> Uma anamnese, onde é importante perceber:
– Doenças pessoais e familiares que existam;
– Fatores de risco para essas doenças, que se corrigidos a tempo (como o controlo dos níveis de colesterol, a cessação do tabagismo ou do sedentarismo), podem evitar o desenvolvimento de doenças crónicas e aumentar a longevidade;
– Hábitos de vida:
A alimentação, em que os estudos mostram que dietas ricas em açúcares refinados e processados acarretam maior risco de doença;
A atividade física, que é fundamental para nos mantermos com vitalidade e preservamos a nossa massa muscular. São recomendados pela Organização Mundial de Saúde pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana;
A higiene do sono;
O nosso ambiente e a forma como gerimos o stress, que é um fator que se não for gerido da forma correta pode contribuir para desencadear doença.
> Um exame físico geral, englobando os diversos sistemas desde o visual, auditivo, gastrointestinal, respiratório, circulatório e osteoarticular.
> Análises completas, onde é avaliado o funcionamento dos vários órgãos (exemplos: hemograma, colesterol, função renal, hepática e tiroideia, urina II), bem como os níveis de vitaminas, minerais e hormonas. Nos dias de hoje é muito comum existirem défices de vitaminas uma vez que a nossa alimentação nem sempre as consegue fornecer nas quantidades necessárias – seja pelo aumento do consumo de alimentos processados, seja pelo processo de degradação dos solos que pode afetar a qualidade nutricional dos mesmos. Estes défices vitamínicos podem ser responsáveis pelo aparecimento de sintomas que devem ser tratados.
> Exames complementares de diagnóstico: alguns estão incluídos em rastreios populacionais a partir de determinadas idades, como por exemplo a mamografia para a deteção precoce de cancro de mama ou a pesquisa de sangue oculto nas fezes para rastreio de cancro colorretal. No entanto, existem outros exames que podem ser pedidos de forma individual e personalizada com base na idade, histórico e fatores de risco de cada pessoa.
> Testes genéticos em alguns casos.
Para quem está indicado?
O check-up preventivo, incluído na consulta de medicina preventiva, não está indicado apenas para as pessoas que não têm doenças pré-existentes, pode ser útil para todos:
Para quem já tem mais de 35 anos e começa a sentir “o peso da idade”, que muitas vezes se associa a um estilo de vida que não está ajustado;
Para quem apresenta fatores de risco para doença por exemplo fumadores, ou quem já tem diagnóstico de doenças: hipertensão, diabetes, doença cardíaca, …
Para quem tem sintomas inespecíficos e gostaria de perceber a causa, por exemplo queda de cabelo, fadiga, insónia, alterações no humor…;
Para quem inicia sintomas relacionados com a queda hormonal: no caso das mulheres, a aproximação à menopausa, que pode gerar um impacto muito negativo na qualidade de vida com sintomas como os calores, mudanças corporais, etc…; no caso dos homens a andropausa, com sintomas também muito variados mas especial impacto na vitalidade e vida sexual;
Para o jovem estudante que quer otimizar a sua saúde mental e cognitiva;
Para o atleta que quer estar no seu melhor a nível físico.
Assim, ficam claras as vantagens de aderir a uma medicina preventiva: a melhoria da condição de saúde através de um acompanhamento individualizado, a diminuição de custos com medicamentos e tratamentos futuros, evitando também custos futuros por incapacidade para os sistemas de saúde, e uma maior longevidade com qualidade de vida.


