“Espero que 2026 seja um ano de consolidação e maturidade”

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Cabo Verde volta a destacar-se no panorama internacional ao ser reconhecido pela International SOS como um dos 10 destinos mais seguros para viajar em 2025. Esta distinção reforça a imagem do país como um território estável, acolhedor e preparado, capaz de conjugar tranquilidade, autenticidade e qualidade de serviço. É neste contexto que a Revista Pontos de Vista conversa com Carlo Martins, Diretor Geral do Foya Branca by Flagworld Hotels, uma das unidades hoteleiras de referência em Cabo Verde, e que partilha a sua leitura sobre o impacto desta distinção, o papel do setor privado na construção de um turismo seguro e competitivo, os desafios futuros do destino e a ambição de elevar Cabo Verde — e o Foya Branca — aos mais altos padrões internacionais.

Como recebeu a notícia de que Cabo Verde foi reconhecido pela International SOS como um dos 10 destinos turísticos mais seguros para viajar em 2025?

Recebi esta distinção com enorme satisfação, mas sobretudo com um profundo sentido de responsabilidade. Este reconhecimento confirma aquilo que quem vive, trabalha e investe em Cabo Verde sente diariamente: estamos num país seguro, estável e preparado para receber o mundo.

 

O que considera que esteve na base desta distinção internacional? Quais os principais fatores que contribuem para a perceção de segurança no país?

Esta distinção assenta numa combinação de fatores muito concretos: estabilidade política e social, uma governação consistente, um clima de paz, a hospitalidade natural do povo cabo-verdiano e um trabalho contínuo nas áreas da saúde, proteção civil e segurança pública. Tudo isto constrói confiança e confiança é a base do turismo.

 

De que forma este reconhecimento reforça a posição de Cabo Verde no mercado turístico global e a confiança dos viajantes internacionais?

Reforça de forma muito clara.

Num contexto internacional marcado por incerteza a segurança tornou-se um critério decisivo na escolha dos destinos. Cabo Verde passa a afirmar-se não apenas como um destino atrativo, mas como um destino de excelência, credível e confiável.

 

Cabo Verde tem sido apontado como um destino estável, acolhedor e preparado. Que papel desempenham a governação, as autoridades locais e as entidades do setor privado, como o Foya Branca, na construção deste ambiente favorável?

Este ambiente é fruto de um trabalho conjunto. A governação e as autoridades criam o enquadramento e a estabilidade, mas o setor privado tem um papel determinante na execução. No Foya Branca by Flagworld Hotels, assumimos diariamente a responsabilidade de sermos parte ativa desta reputação, com rigor, profissionalismo e proximidade à comunidade.

 

Enquanto Diretor Geral do Foya Branca by Flagworld Hotels, que estratégias e políticas a instituição tem implementado para assegurar um turismo seguro, organizado e sustentável?

Implementámos políticas claras de segurança, saúde e sustentabilidade: protocolos operacionais exigentes, formação contínua das equipas, investimento em infraestruturas, práticas ambientais responsáveis e uma cultura interna de antecipação e prevenção. Tudo isto só é possível graças a uma equipa altamente comprometida e à visão estratégica da Flagworld.

 

A segurança turística envolve várias dimensões: saúde, clima, infraestruturas, proteção civil e resposta a emergências. Que avanços destacaria nestas áreas nos últimos anos?

Destaco avanços muito claros na área da saúde, na capacidade de resposta a emergências, na melhoria das infraestruturas e na articulação entre entidades públicas e privadas. Cabo Verde está hoje mais preparado, mais organizado e mais alinhado com padrões internacionais.

 

Na sua perspetiva, que desafios ainda persistem e que prioridades devem ser reforçadas para manter e elevar este padrão de segurança?

A formação contínua, o reforço das infraestruturas, a digitalização de processos e a sustentabilidade ambiental devem continuar a ser prioridades. Manter um padrão elevado exige tanto esforço quanto alcançá-lo.

 

O turismo seguro também requer envolvimento das comunidades locais. Como tem sido trabalhada esta vertente e qual a importância da participação comunitária?

A participação comunitária é absolutamente essencial. Um destino seguro começa nas pessoas que lá vivem. No Foya Branca temos uma ligação muito próxima à comunidade de São Vicente, promovendo emprego local, formação, responsabilidade social e respeito mútuo. Turismo sem comunidade não é sustentável.

 

A distinção surge num contexto global marcado por instabilidade e riscos crescentes, mas também com Cabo Verde muito falado pela qualificação para o Campeonato do Mundo de Futebol de 2026. De que forma o país tem conseguido diferenciar-se e construir resiliência?

Cabo Verde tem conseguido diferenciar-se pela sua resiliência, pela clareza estratégica e pela capacidade de transformar desafios em oportunidades. A qualificação para o Mundial 2026 simboliza exatamente isso: um país pequeno em dimensão, mas enorme em ambição, organização e união.

 

Para além da segurança, que outros atributos considera essenciais para consolidar Cabo Verde como um destino de excelência e competitivo a nível internacional?

Autenticidade, qualidade do serviço, gastronomia, cultura, sustentabilidade e experiências genuínas. O viajante moderno procura emoção, verdade, contato humano e Cabo Verde oferece tudo isso de forma natural.

 

Em termos de impacto económico e reputacional, que benefícios esta distinção pode trazer ao país e ao setor turístico em 2025 e nos anos seguintes?

Este reconhecimento reforça a confiança dos operadores internacionais, atrai novos mercados, incentiva o investimento e valoriza a marca Cabo Verde. O impacto é transversal e beneficia todo o setor turístico e a economia nacional.

 

Que visão estratégica tem para o futuro do turismo em Cabo Verde e qual será o papel do Foya Branca by Flagworld Hotels na próxima década?

A minha visão passa por qualidade, sustentabilidade e diferenciação. O Foya Branca by Flagworld Hotels continuará a assumir um papel de liderança, inovação e formação, contribuindo ativamente para elevar o padrão do destino na próxima década, foi para isso que vim para esta unidade hoteleira, para reestruturar não só a estrutura, mas também os RH e financeiramente tornando, recuperar e elevar aos mais altos padrões hoteleiros internacionais, tornar esta unidade um exemplo em Cabo Verde e Africa com muita personalidade.

 

O Foya Branca by Flagworld Hotels foi distinguido como Melhor Beach Resort de Cabo Verde 2025 e Melhor Hotel 4 Estrelas de Cabo Verde 2025. Isto eleva a fasquia do projeto e da sua liderança?

Sem dúvida. São distinções que pertencem à equipa, à Flagworld e a todos os que acreditaram no projeto. Para mim, representam não um ponto de chegada, mas um novo ponto de partida, com ainda maior responsabilidade. Posso desde já anunciar que também já estou nomeado para melhor Diretor Geral em 2026, algo que é surpreendente, mas estou consciente que fizemos um trabalho fantástico.

 

Recentemente assumiu a presidência do Comité de Ação Comunitária de São Pedro, um projeto financiado pelo Banco Mundial e ligado ao ecoturismo. O que nos pode confidenciar sobre este novo desafio?

É um novo capítulo que abraço com enorme sentido de missão. Este projeto reforça a ligação entre turismo, comunidade e sustentabilidade e acredito que será um exemplo de boas práticas para o ecoturismo em Cabo Verde. Caso nos deixem, podemos sem dúvidas fazer de São Pedro um espaço para Cabo Verde daquilo que a comunidade, as organizações locais, governamentais e mundiais podem fazer em prol do desenvolvimento. Destaco a presença do Instituto de Turismo de Cabo Verde em todo este processo, pela sua visão, disponibilidade e orientação.

 

Para terminar, o que espera de 2026 face a um 2025 tão intenso e revelador de sucesso?

Espero que 2026 seja um ano de consolidação e maturidade. O verdadeiro sucesso não está apenas em alcançar resultados, mas em mantê-los, formar pessoas e deixar legado. Cabo Verde tem todas as condições para continuar a crescer de forma responsável e exemplar. Escolhi não viver da hotelaria, mas viver para a hotelaria, fazendo a diferença todos os dias. O Hotel Foya Branca dá-me esse espaço. O escritório é apenas um ponto de passagem; é na operação, junto das equipas e dos clientes, que me realizo e onde deixo a minha marca.

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