No âmbito do destaque internacional que posiciona Cabo Verde entre os 10 destinos turísticos mais seguros para viajar em 2025, segundo a International SOS, a Revista Pontos de Vista entrevistou Marvela Rodrigues, Gerente da PraiaTur, para uma reflexão aprofundada sobre os fatores que sustentam esta distinção e os desafios futuros do turismo nacional. Nesta conversa, a responsável aborda a importância da segurança como pilar estratégico, o papel da governação, das autoridades e do setor privado, bem como a visão para um turismo sustentável, resiliente e competitivo. Uma leitura que revela como Cabo Verde continua a afirmar-se no cenário internacional como um destino de confiança, autenticidade e excelência.
Como recebeu a notícia de que Cabo Verde foi reconhecido pela International SOS como um dos 10 destinos turísticos mais seguros para viajar em 2025?
Recebi essa notícia com enorme satisfação, orgulho e um profundo sentido de responsabilidade. É um reconhecimento internacional muito relevante, que confirma aquilo que quem conhece Cabo Verde já sabe: somos um destino seguro, estável e acolhedor. Ao mesmo tempo, este destaque da International SOS reforça a confiança dos mercados emissores e motiva-nos, enquanto profissionais do turismo, a continuar a elevar os padrões de qualidade, segurança e serviço, para que Cabo Verde continue a afirmar-se como um destino de excelência em 2025 e nos anos seguintes.
O que considera que esteve na base desta distinção internacional? Quais os principais fatores que contribuem para a perceção de segurança no país?
Considero que esta distinção resulta de um conjunto de fatores estruturais e humanos. Cabo Verde é um país politicamente estável, com instituições sólidas, um clima social pacífico e uma forte cultura de hospitalidade. A perceção de segurança é também reforçada pelo bom funcionamento dos serviços de saúde, pela colaboração entre as autoridades e os operadores turísticos, bem como por práticas responsáveis adotadas pelo setor privado. Além disso, a dimensão humana do país,a nossa Morabeza , a proximidade entre as pessoas e a experiência positiva dos visitantes contribuem significativamente para a imagem de um destino tranquilo, confiável e seguro aos olhos da comunidade internacional.
De que forma este reconhecimento reforça a posição de Cabo Verde no mercado turístico global e a confiança dos viajantes internacionais?
Este reconhecimento reforça de forma muito positiva a posição de Cabo Verde no mercado turístico global, pois a segurança é hoje um dos principais critérios na escolha de um destino. Estar entre os 10 destinos mais seguros do mundo aumenta a credibilidade internacional do país, diferencia Cabo Verde num mercado altamente competitivo e transmite uma mensagem clara de confiança aos viajantes. Para os mercados emissores, operadores turísticos e companhias aéreas, este selo de segurança reduz perceções de risco, facilita a tomada de decisão e incentiva tanto o turismo de lazer como o de negócios, consolidando Cabo Verde como um destino fiável, estável e atrativo a nível internacional.
Cabo Verde tem sido apontado como um destino estável, acolhedor e preparado. Que papel desempenham a governação, as autoridades locais e as entidades do setor privado — como a PraiaTur — na construção deste ambiente favorável?
Este ambiente favorável é o resultado de um trabalho articulado entre a governação, as autoridades locais e o setor privado. A estabilidade política, a boa governação e a atuação responsável das autoridades criam as bases essenciais de segurança, organização e confiança. As autoridades locais têm um papel fundamental na gestão dos destinos, na proximidade com as comunidades e na garantia de um ambiente acolhedor para residentes e visitantes.
Por sua vez, o setor privado — incluindo empresas como a
PraiaTur — contribui diretamente para esta perceção positiva através do profissionalismo, do cumprimento de normas, da aposta na qualidade dos serviços e na segurança dos clientes. As empresas turísticas funcionam como embaixadoras do destino, promovendo boas práticas, formação contínua e uma experiência positiva ao visitante. Quando estes três pilares trabalham em conjunto, Cabo Verde apresenta-se ao mundo como um destino preparado, confiável e sustentável.
Enquanto líder da PraiaTur, que estratégias e políticas a instituição tem implementado para assegurar um turismo seguro, organizado e sustentável?
Enquanto instituição, a PraiaTur tem apostado numa estratégia assente em três pilares fundamentais: segurança, organização e sustentabilidade. Implementamos políticas internas rigorosas de qualidade e controlo operacional, assegurando o cumprimento de normas, a boa gestão dos serviços e a proteção do cliente em todas as etapas da viagem.
Investimos de forma contínua na formação das equipas, na sensibilização para boas práticas de atendimento, segurança e ética profissional, bem como no reforço da cooperação com autoridades, parceiros locais e comunidades. Paralelamente, promovemos um turismo responsável e sustentável, valorizando a cultura local, incentivando o consumo de produtos e serviços nacionais e reduzindo impactos negativos sobre os destinos.
O nosso objetivo é garantir experiências seguras, bem organizadas e autênticas, contribuindo para a reputação de Cabo Verde como um destino de confiança e para um desenvolvimento turístico equilibrado e duradouro.
A segurança turística envolve várias dimensões: saúde, clima, infraestruturas, proteção civil e resposta a emergências. Que avanços destacaria nestas áreas nos últimos anos?
Nos últimos anos, Cabo Verde tem registado avanços significativos em várias dimensões da segurança turística. Destaco o reforço dos serviços de saúde, com melhor cobertura e maior capacidade de resposta, sobretudo nas ilhas com maior fluxo turístico. Houve também progressos ao nível das infraestruturas, da conetividade aérea e da modernização de equipamentos, bem como na atuação da proteção civil, com maior coordenação na prevenção e gestão de riscos. A crescente atenção às questões climáticas, à informação ao viajante e aos planos de contingência contribuiu para tornar o destino mais preparado e resiliente face a eventuais situações de emergência.
Na sua perspetiva, que desafios ainda persistem e que prioridades devem ser reforçadas para manter e elevar este padrão de segurança?
Apesar destes progressos, persistem alguns desafios. É fundamental continuar a investir na formação especializada dos profissionais, no reforço da resposta a emergências em todas as ilhas e na melhoria contínua das infraestruturas, sobretudo fora dos grandes centros turísticos. A articulação entre entidades públicas e privadas deve ser cada vez mais forte, assim como a aposta na prevenção, na comunicação clara com os visitantes e no planeamento sustentável dos destinos. Manter e elevar este padrão de segurança exige uma visão de longo prazo, investimento contínuo e um compromisso coletivo com a excelência e a confiança do viajante.
O turismo seguro também requer envolvimento das comunidades locais. Como tem sido trabalhada esta vertente e qual a importância da participação comunitária?
O envolvimento das comunidades locais tem vindo a ganhar maior atenção como um pilar essencial do turismo seguro e sustentável. Em Cabo Verde, já se registam avanços ao nível da sensibilização das populações para o seu papel enquanto anfitriãs do destino, através da valorização da cultura local, do artesanato, da gastronomia e da integração de pequenos negócios na cadeia turística. Estas iniciativas contribuem para uma maior proximidade entre residentes e visitantes e para um ambiente de confiança e acolhimento.
No entanto, é uma vertente que ainda precisa de ser mais trabalhada e estruturada, apesar das mudanças positivas já visíveis. Reforçar a formação, o diálogo permanente e a inclusão efetiva das comunidades no planeamento turístico é fundamental para que os benefícios sejam mais equilibrados. A participação comunitária é decisiva, pois quando as populações locais se sentem parte do processo e beneficiam do turismo, tornam-se parceiras naturais na promoção da segurança, na preservação do património e na construção de uma imagem positiva e sustentável do destino.
A distinção surge num contexto global marcado por instabilidade e riscos crescentes. De que forma Cabo Verde tem conseguido diferenciar-se e construir resiliência?
Num contexto global marcado por instabilidade, incertezas e riscos crescentes, Cabo Verde tem conseguido diferenciar-se através da sua estabilidade política e social, da boa governação e de uma capacidade consistente de adaptação. O país tem apostado na prevenção, no diálogo institucional e na cooperação entre o setor público e privado, o que permite antecipar riscos e responder de forma coordenada a diferentes desafios.
A resiliência constrói-se também com planeamento, diversificação da oferta turística e valorização do capital humano. A aposta na formação, na qualidade dos serviços e na proximidade com os mercados emissores reforça a confiança internacional. Além disso, a dimensão humana do país, o forte sentido de comunidade e a hospitalidade natural do povo cabo-verdiano contribuem para um ambiente de tranquilidade e confiança, permitindo que Cabo Verde se afirme como um destino seguro, estável e resiliente mesmo em cenários globais adversos.
Para além da segurança, que outro atributo considera essenciais para consolidar Cabo Verde como um destino de excelência e competitivo a nível internacional?
Para consolidar Cabo Verde como um destino de excelência e competitivo a nível internacional, considero que, para além da segurança, são essenciais vários atributos complementares. Destaco, em primeiro lugar, a qualidade da experiência turística, que envolve serviços bem organizados, hospitalidade, atenção aos detalhes e autenticidade cultural.
A diversidade e o valor do património natural e cultural são igualmente determinantes — praias, montanhas, sítios históricos e tradições locais oferecem experiências únicas que atraem diferentes tipos de visitantes. A sustentabilidade também é um fator-chave, assegurando que o crescimento turístico respeite o ambiente e beneficie as comunidades locais.
Finalmente, a conetividade, a inovação no setor e a promoção estratégica nos mercados internacionais são cruciais para fortalecer a visibilidade de Cabo Verde, atrair turistas de alto valor e garantir que o destino se mantenha competitivo e relevante no panorama global.
Em termos de impacto económico e reputacional, que benefícios esta distinção pode trazer ao país e ao setor turístico em 2025 e nos anos seguintes?
Esta distinção traz benefícios significativos, tanto económicos como reputacionais, para Cabo Verde e para o setor turístico. Em termos económicos, reforça a confiança dos mercados emissores, estimulando o aumento do fluxo de turistas e, consequentemente, das receitas associadas ao turismo, como alojamento, restauração, transportes e atividades locais. A longo prazo, pode atrair novos investimentos, parcerias internacionais e oportunidades de negócios ligados ao setor, contribuindo para o desenvolvimento sustentável das comunidades e da economia nacional.
Do ponto de vista reputacional, estar entre os destinos mais seguros eleva a imagem de Cabo Verde no panorama internacional, consolidando a perceção de um país estável, confiável e acolhedor. Isto fortalece a marca do destino, aumenta a fidelização dos visitantes e cria um efeito positivo de promoção orgânica, onde turistas satisfeitos tornam-se embaixadores do país. Para 2025 e nos anos seguintes, esta combinação de reconhecimento, confiança e visibilidade contribuirá para posicionar Cabo Verde como um destino competitivo, de excelência e referência no turismo global.
Que mensagem gostaria de deixar aos viajantes internacionais que procuram destinos seguros, autênticos e bem preparados?
Gostaria de transmitir uma mensagem de confiança e acolhimento: Cabo Verde é um destino seguro, estável e preparado para receber todos os viajantes com hospitalidade e profissionalismo. Aqui, podem desfrutar de experiências autênticas, mergulhar na nossa cultura, na gastronomia e nas belezas naturais, sempre num ambiente tranquilo e organizado.
Convidamos os visitantes a explorar cada ilha, a descobrir histórias, tradições e paisagens únicas, sabendo que a sua segurança e bem-estar são uma prioridade. Cabo Verde não é apenas um destino de viagem, mas uma experiência memorável, onde o turismo sustentável, a autenticidade e o cuidado com o visitante se unem para criar lembranças inesquecíveis.
Que visão estratégica tem para o futuro do turismo em Cabo Verde e qual será o papel da PraiaTur na próxima década?
A minha visão estratégica para o futuro do turismo em Cabo Verde assenta num crescimento sustentável, qualificado e inclusivo, que valorize a autenticidade do destino, proteja os recursos naturais e gere benefícios reais para as comunidades locais. O objetivo é consolidar Cabo Verde como um destino de excelência, seguro e diversificado, capaz de atrair diferentes perfis de viajantes ao longo de todo o ano, reduzindo a sazonalidade e aumentando o valor da experiência turística.
Na próxima década, a PraiaTur pretende continuar a desempenhar um papel ativo como agente de confiança e inovação no setor. Apostaremos na profissionalização contínua, na digitalização de processos, na criação de produtos turísticos diferenciadores e no reforço de parcerias nacionais e internacionais. A PraiaTur quer ser parte da construção de um turismo mais organizado, responsável e competitivo, contribuindo para a projeção internacional de Cabo Verde e para um desenvolvimento turístico equilibrado e duradouro.


