Já ouvistes falar do termo “doomscrolling”? Quando foi a última vez que olhaste para o ecrã e apenas leste uma notícia e dás por ti a sair diferente de quando entraste? Ou seja, mais agastado, pessimista e inquieto, tralvez pensaste: será que me estou a «doomscrollar»?
No centro desta pergunta está o conceito de doomscrolling: o hábito de consumir, de forma compulsiva, notícias negativas e7ou alarmantes.
Em termos simples, tratamos de percorrer sem parar os feeds, os títulos sombrios, as manchetes que apelam ao medo, mesmo sabendo que esse ato nos deixa emocionalmente pior. Segundo a revisão de Sena Güme (2024) – investigadora académica turca que publicou em 2024 um artigo de revisão intitulado “Doomscrolling: A Review” na revista Psikiyatride Güncel Yaklaşımlar – Current Approaches in Psychiatry – este fenómeno está associado a elevados níveis de ansiedade, fadiga emocional, perturbações do sono e menor bem-estar psicológico. A explicação mais profunda encontra-se no funcionamento do nosso cérebro: programado para detetar ameaças antes de reconhecer segurança, funciona como um alarme ancestral que grita ao menor sinal de perigo — e cada título trágico acende esse alarme, libertando cortisol e dopamina, criando um ciclo em que a curiosidade se mistura com a preocupação.
Para que isso não nos aprisione, proponho um plano de ação em três passos — simples, mas firme — para que tu, que lês estas linhas com intenção e consciência, possas reocupar o teu poder interior:
- Define um tempo
e um contexto de consulta:
Escolhe um único momento curto do dia para ver notícias e encerra totalmente o acesso fora desse período.
- Usa um «filtro de intenção»
antes de abrir o feed:
Pergunta-te por que queres ler agora e, se for por medo, faz uma pausa e decide conscientemente se precisas realmente de continuar.
- Reequilibra com um pequeno ritual de presença:
Após leres as notícias, realiza um gesto simples de grounding — respirar, observar, escrever — para reacender a serenidade interna.
Vale a pena recordar: o mundo tem tanto de luz como de sombra, e o teu cérebro — ainda que dotado de mecanismos antigos de vigilância — merece viver na clareza de que estar informado não significa estar presa(o). E amar a própria mente é também protegê-la de curvas constantes que oxidam a sua calma. Que possas, com este pequeno plano, reconquistar o teu espaço interno, e que cada olhar ao ecrã seja um gesto consciente — e não apenas um reflexo do medo antigo.


