A 147ª edição da Revista Pontos de Vista olha para “Engenharia e Construção 2026: Pessoas, Inovação e Qualidade, Transformação Digital e Crescimento com Propósito” como eixos centrais para o futuro de um setor que precisa de evoluir sem perder rigor, confiança e sentido humano. Neste contexto, convidámos Manuela Timóteo, CEO da PMT Engenharia, cuja reflexão que cruza experiência no terreno com visão estratégica, e que reforça a ideia de que crescer com propósito é hoje uma condição essencial para garantir o futuro do setor.
Quais foram os momentos mais determinantes do seu percurso para a criação e afirmação da PMT no mercado?
A criação da PMT, em 2009, foi um momento decisivo. O setor atravessava uma fase particularmente exigente, mas acreditei que era possível construir uma empresa assente em valores sólidos, competência técnica e compromisso. Ao longo dos anos, cada projeto, cada desafio superado e cada pessoa que integrou a equipa contribuíram para afirmar a PMT como uma referência de rigor, qualidade e confiança.
O que considera essencial para construir uma cultura organizacional sólida em equipas técnicas e multidisciplinares?
Uma cultura sólida constrói-se todos os dias. Constrói-se com pessoas comprometidas, relações de confiança e uma liderança próxima. Na PMT valorizamos a transparência, a responsabilidade e a colaboração, tanto internamente como com os clientes. Cada profissional deve sentir que o seu trabalho tem impacto e que a exigência técnica pode coexistir com respeito e proximidade humana.
Como define liderança próxima e transparente, na prática, num contexto de projetos exigentes e prazos críticos?
Liderar de forma próxima é estar disponível. É orientar, apoiar e ajudar a remover obstáculos, sem microgestão. Em contextos de elevada exigência, isso traduz-se em clareza de objetivos, confiança nas equipas e acompanhamento constante, sempre com espaço para ouvir, ajustar e melhorar.
Que valores considera inegociáveis para garantir confiança, rigor e sentido de responsabilidade em obra e em projeto?
A confiança constrói-se com consistência, presença no terreno e decisões bem fundamentadas. O rigor técnico, a responsabilidade e a coerência entre palavra e ação são inegociáveis. Assumimos responsabilidades, valorizamos a segurança e acreditamos que só com valores humanos fortes é possível manter um elevado nível técnico e relações duradouras com clientes e parceiros.
Como vê o grau de maturidade do setor em Portugal na transformação digital?
A transformação digital do setor não está bloqueada pelos processos, mas sobretudo pelas pessoas do lado público que têm de os aplicar. O verdadeiro desafio está na capacidade de acompanhar a evolução tecnológica, na formação técnica e na abertura à mudança. Sem investimento sério na capacitação de técnicos e decisores públicos, qualquer plataforma digital acaba por ser subaproveitada. Modernizar o setor exige, antes de mais, modernizar competências, atitudes e responsabilidades.
Que tipo de inovação tem mais impacto real na gestão e fiscalização de projetos?
A inovação que faz a diferença é a que ajuda a decidir melhor. A modelação digital, a gestão integrada de dados e a monitorização em tempo real reduzem riscos, melhoram a coordenação e elevam a qualidade da execução. A PMT está num processo contínuo de transformação digital, com um investimento relevante, financeiro e humano, consciente de que estes processos são exigentes, mas essenciais para uma gestão e fiscalização mais eficientes.
Como garantir a adoção efetiva de novas ferramentas e métodos sem aumentar a complexidade operacional das equipas?
A tecnologia deve simplificar, não complicar. A formação contínua, a escolha de soluções intuitivas e a demonstração clara dos benefícios práticos são determinantes para que as equipas adotem naturalmente novas ferramentas no seu dia a dia.
Que mudanças considera prioritárias para acelerar processos e elevar a qualidade global do setor?
Investir nas pessoas, valorizar o conhecimento técnico das equipas, modernizar práticas e integrar a digitalização de forma consistente. Quando capacitação, rigor técnico e inovação caminham juntos, a produtividade e a qualidade aumentam de forma sustentada.
A PMT foi contratada para a fiscalização e coordenação de segurança na modernização da Linha Ferroviária de Vendas Novas. O que representa este projeto para a empresa?
Este projeto representa um marco muito importante para a PMT. Trata-se de uma intervenção estruturante, com elevado nível de exigência técnica e responsabilidade. Assumir a fiscalização e a coordenação de segurança numa infraestrutura estratégica reforça a nossa experiência em grandes projetos e confirma a confiança que entidades públicas e clientes depositam no nosso trabalho.
Que práticas de controlo e acompanhamento considera decisivas para garantir qualidade e segurança, do planeamento à entrega?
Planeamento rigoroso, acompanhamento permanente, regras de segurança claras e comunicação constante entre todos os intervenientes. A excelência técnica não se improvisa e cada decisão deve ser pensada, registada e tecnicamente sustentada.
Como se gere o equilíbrio entre prazo, custo, qualidade e segurança quando existem múltiplos intervenientes?
É uma equação exigente. A chave está na antecipação de riscos, na coordenação desde as fases iniciais e num acompanhamento disciplinado ao longo de todo o projeto.
Que papel têm as certificações e standards na consistência da entrega e na reputação da empresa?
As certificações são instrumentos fundamentais de consistência e confiança. Garantem o cumprimento de padrões reconhecidos de qualidade, segurança e sustentabilidade, reforçando a credibilidade e a reputação da empresa.
O que distingue um crescimento saudável no setor da engenharia e como evitar crescer com dispersão?
Um crescimento saudável é aquele que é feito com foco e consistência, sem sacrificar qualidade, cultura ou segurança para ganhar volume. Na PMT, este crescimento tem sido possível porque existe uma equipa de gestão muito próxima do dia a dia da empresa, que pensa continuamente na melhoria de processos, na modernização das práticas e na forma como a organização evolui.
Esse trabalho é feito todos os dias por pessoas que conhecem o terreno, as equipas e os desafios reais do setor, permitindo crescer de forma estruturada e sustentada.
Que estratégia considera mais eficaz para atrair e reter talento num mercado competitivo?
O investimento nas pessoas, formação contínua, reconhecimento do mérito e um ambiente de trabalho que valorize o bem-estar individual e coletivo são fatores decisivos para atrair e reter talento.
Como integrar desenvolvimento e bem-estar das equipas com exigência técnica e elevado nível de responsabilidade?
Com equilíbrio e comunicação. Equipas motivadas, apoiadas e valorizadas tomam decisões mais seguras e contribuem para uma entrega técnica de maior qualidade. A exigência só funciona quando vem acompanhada de respeito e apoio.
Se tivesse de escolher uma prioridade número um para 2026, qual seria para reforçar consistência, qualidade e evolução sustentável da PMT?
Continuar e aprofundar a transformação digital da PMT, integrando a inteligência artificial de forma transversal em todas as áreas da empresa. O objetivo é simplificar processos, apoiar a tomada de decisão, reduzir tarefas repetitivas e melhorar a eficiência global, sem perder rigor técnico nem qualidade. A tecnologia deve estar ao serviço das pessoas e do conhecimento, potenciando o que fazemos melhor.


