“A empatia deixou de ser um “soft skill” para se tornar uma competência estratégica”

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Num contexto global cada vez mais interligado, em que a liderança empresarial é desafiada a equilibrar resultados, responsabilidade social e visão de longo prazo, a Revista Pontos de Vista destaca o editorial “A Nova Agenda dos Líderes na Diáspora em 2026 – Colaboração, Empatia e Propósito em destaque no Mundo Empresarial e Organizacional”. O foco recai sobre líderes que, a partir da diáspora, desempenham um papel ativo e transformador nos mercados africanos e internacionais, contribuindo para modelos de crescimento mais sustentáveis, éticos e inclusivos. É neste enquadramento que apresentamos a visão de Luís Diogo, Diretor-Geral da Fabrimetal Angola, cuja experiência internacional e liderança no setor do aço em Angola oferecem uma perspetiva clara sobre os desafios atuais do mercado, a evolução do tecido industrial e a importância crescente da colaboração, da empatia e do propósito nas organizações.

Na sua perspetiva, quais são hoje os principais desafios e responsabilidades dos líderes da diáspora no contexto empresarial africano?

Os líderes da diáspora enfrentam o desafio de conciliar padrões globais de governação, eficiência e compliance com a realidade operacional africana, marcada por assimetrias infraestruturais, regulatórias e de capital humano. A responsabilidade central é criar valor sustentável, fortalecendo capacidades locais sem perder competitividade internacional.

 

De que forma a experiência internacional influência as suas decisões estratégicas enquanto líder em Angola?

A experiência internacional aporta disciplina estratégica, planeamento de longo prazo, foco em eficiência operacional e gestão de risco. Em Angola, isso traduz-se em decisões mais estruturadas, baseadas em dados, parcerias estratégicas e visão de sustentabilidade.

 

Considera que os líderes da diáspora têm um papel diferenciado na transferência de conhecimento, inovação e boas práticas? Porquê?

Sim. Os líderes da diáspora funcionam como pontes naturais entre ecossistemas, acelerando a transferência de tecnologia, modelos de gestão e cultura de performance, encurtando ciclos de aprendizagem que, de outra forma, levariam décadas.

 

Até que ponto a colaboração entre empresas, instituições e mercados internacionais tem sido determinante para o crescimento sustentável das organizações?

Tem sido determinante. Nenhuma organização cresce de forma sustentável isoladamente.

Cadeias de valor integradas, parcerias internacionais e colaboração institucional são hoje fatores críticos de escala, resiliência e inovação.

 

Como avalia a importância da empatia na liderança, especialmente em contextos económicos desafiantes?

A empatia deixou de ser um “soft skill” para se tornar uma competência estratégica.

Em contextos económicos desafiantes, líderes empáticos conseguem alinhar equipas, manter confiança e tomar decisões difíceis sem destruir capital humano.

 

O propósito organizacional é hoje um fator real de competitividade ou ainda um conceito em construção no tecido empresarial angolano?

Ainda está em construção, mas já começa a diferenciar empresas. Organizações com propósito claro atraem melhores talentos, parceiros e financiamento, sobretudo em setores industriais expostos a escrutínio social e ambiental.

 

Como descreve o comportamento do mercado angolano nestes primeiros meses do ano?

O mercado mantém-se cauteloso, com foco em liquidez, controlo de custos e seletividade nos investimentos, embora existam sinais de retoma gradual em setores estruturantes.

 

Quais têm sido os principais constrangimentos e oportunidades identificados no atual contexto económico?

Constrangimentos: acesso a financiamento, logística, volatilidade cambial e enquadramento regulatório.

Oportunidades: substituição de importações, industrialização local, infraestruturas e integração regional.

Que expetativas tem para a evolução do mercado até ao final do ano?

Esperamos um crescimento moderado, sustentado por maior disciplina fiscal, investimento público seletivo e maior confiança gradual do setor privado.

 

Como avalia o desempenho do setor do Aço em Angola no início deste ano?

O setor do aço em Angola iniciou 2026 num momento de transição, mantendo-se central para a construção civil, infraestruturas e recuperação económica. Apesar de desafios como a distribuição e o acesso à energia, logística e acesso a matérias-primas, a procura interna tem-se mostrado relativamente estável, com oportunidades em projetos públicos e privados. O ambiente operacional, porém, foi impactado por reformas regulatórias significativas. Destaca-se o Decreto Executivo n.º 7/26, que proíbe a pesagem comercial de metais fora das unidades industriais licenciadas.

 

Quais são, atualmente, os maiores desafios estruturais do setor?

Antes do Decreto Executivo n.º 7/26, a cadeia de fornecimento de metais em Angola era fragmentada e marcada por elevada informalidade, especialmente na comercialização de sucata. A falta de rastreabilidade dificultava o acesso das indústrias a materiais de origem comprovada, gerando incerteza nos custos e no abastecimento. Com o decreto, tornou-se obrigatório que as empresas garantam compliance rigoroso e rastreabilidade integral dos consumos, sob pena de sanções. O encerramento das casas de pesagem informais evidenciou a necessidade de canais formais e regulamentados, capazes de sustentar operações industriais contínuas e competitivas.

 

Que fatores considera críticos para garantir a competitividade e sustentabilidade da indústria do Aço em Angola?

A competitividade e sustentabilidade do setor do aço em Angola dependem hoje da adaptação ao novo enquadramento regulatório e da modernização do modelo industrial. O Decreto Executivo n.º 7/26 tornou o compliance e a rastreabilidade essenciais, exigindo sistemas robustos de controlo e verificação da origem das matérias-primas. A regulamentação também cria oportunidades para reduzir externalidades negativas, como o vandalismo associado ao comércio informal de sucata, e fortalecer canais formais de recolha e processamento. Paralelamente, é fundamental investir em tecnologia, eficiência energética e qualificação do capital humano para elevar produtividade, garantir qualidade internacional e consolidar o setor como pilar da industrialização e diversificação económica do país.

 

Existem oportunidades de parcerias regionais ou internacionais que possam impulsionar o setor?

O setor do aço em Angola tem hoje oportunidades importantes de expansão através de parcerias regionais e internacionais, que fortalecem capacidade produtiva e inovação tecnológica. A integração com países da SADC e outros mercados africanos permite cadeias de fornecimento mais resilientes e acesso seguro a matérias-primas e produtos semiacabados. Joint ventures com operadores internacionais facilitam transferência de tecnologia, melhores práticas de gestão e acesso a financiamento competitivo, aumentando eficiência e qualidade. Essas colaborações estratégicas posicionam Angola como um hub industrial capaz de atender demandas regionais e globais de forma sustentável e organizada.

 

Que competências considera essenciais para os líderes empresariais em 2026?

Pensamento estratégico, literacia digital, liderança intercultural, gestão de risco, empatia e capacidade de execução em ambientes complexos.

 

Que mensagem deixaria aos jovens líderes e gestores que pretendem atuar entre África e a diáspora?

Construam pontes, não muros. Conheçam profundamente África, mas pensem globalmente. O futuro pertence a quem alia competência técnica, ética, humildade e visão de longo prazo.

 

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Revista Pontos de Vista Edição 149

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