“A nossa marca pessoal reside no binómio Rigor e Empatia”

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No Dia Internacional da Mulher, a mobilidade urbana surge como um dos territórios onde a liderança feminina começa a deixar uma marca clara e transformadora. À frente da Parques Tejo, entidade responsável pela gestão do estacionamento e da mobilidade no concelho de Oeiras, Mara Duarte e Dina Aguiar Presidente do Conselho de Administração e Administradora Executiva, respetivamente, representam uma nova forma de pensar o espaço público: mais humana, mais equilibrada e centrada nas pessoas. Saiba mais na Revista Pontos de Vista!

Que etapas do vosso percurso profissional foram mais determinantes para as líderes que são hoje, e que aprendizagens trouxeram das vossas áreas de atividade para as funções de administração?

O nosso percurso é alicerçado na convicção de que a mobilidade é feita por pessoas para pessoas. A transição da Dina Aguiar da direção de Recursos Humanos para a Administração Executiva trouxe uma aprendizagem crítica: a eficácia de uma empresa depende da capacidade de mobilizar talentos e alinhar o propósito da equipa com o serviço público. Para Mara Duarte, com background na área jurídica e na gestão de operações, assumir a Presidência em novembro de 2025 representou o desafio de liderar uma estrutura complexa na gestão do espaço público. Esta composição maioritariamente feminina do Conselho de Administração é uma raridade estatística no setor, e queremos que o nosso legado seja provar que esta diversidade gera decisões mais integradas e eficazes.

 

Como descrevem a transição para a Parques Tejo e o que representou assumirem esta nova responsabilidade num contexto de continuidade e exigência pública?

Assumir esta responsabilidade num contexto de continuidade e elevada exigência pública significa gerir com rigor um serviço essencial ao quotidiano de Oeiras. A transição foi encarada como um compromisso com a eficiência, onde a experiência anterior na gestão de pessoas serviu como o alicerce necessário para garantir uma liderança próxima, mas focada na entrega de resultados tangíveis à comunidade.

 

Que princípios de liderança procuram deixar como marca pessoal nas equipas e nos projetos que acompanham?

A nossa marca pessoal reside no binómio Rigor e Empatia. Procuramos que as equipas sintam que o seu trabalho tem um impacto direto no território. O princípio da paridade não é apenas um conceito, mas uma prática: desde os cargos de direção, onde temos 50% de representação feminina, até às funções operacionais como motoristas e fiscais, onde o número de colaboradoras do sexo feminino é crescente. Com 50% dos cargos de direção ocupados por mulheres, demonstramos que a competência não tem género. A lei exige 33% de representação, nós vamos aos 66% mas além dos números, vivemos e sentimos equidade na prática.

 

O que significa, para vocês, liderar sendo mulheres em funções executivas com impacto direto na vida das pessoas e no espaço público?

Significa liderar com a consciência de que a competência não tem género, embora os cargos executivos no setor da mobilidade ainda sejam maioritariamente masculinos. Para nós, estar no topo da hierarquia da Parques Tejo é uma oportunidade de demonstrar que a sensibilidade ao detalhe urbano e a capacidade de execução estratégica são competências universais.

 

Como equilibram a valorização do legado recebido com a ambição de inovar e consolidar novos resultados?

Valorizamos o caminho percorrido pela Parques Tejo e ambicionamos consolidar a empresa como uma entidade de facto equitativa e tecnologicamente avançada. Inovamos ao trazer uma visão mais humana e menos burocrática para a gestão do espaço público, garantindo que o legado de serviço público se adapte às exigências da mobilidade inteligente.

 

Que competências consideram mais críticas para mulheres que querem assumir cargos de liderança em organizações com forte dimensão operacional e de serviço público?

A capacidade de decisão sob pressão, a visão sistémica do território e a inteligência emocional são fundamentais. Em organizações operacionais, é vital saber ouvir as bases e traduzir essa escuta em estratégias de gestão eficazes.

Na vossa perspetiva, quais são hoje os maiores desafios para transformar hábitos de mobilidade a nível local e aproximar os cidadãos de soluções mais sustentáveis?

O maior desafio é a mudança de paradigma cultural: passar de uma cidade centrada no automóvel para uma cidade desenhada para as pessoas. A aproximação a soluções sustentáveis exige que estas sejam fáceis, acessíveis e seguras para o cidadão comum no seu dia a dia em Oeiras.

 

Como avaliam o papel de projetos com componente educativa e comunitária na construção de uma mobilidade mais segura, partilhada e consciente?

Estes projetos são a base de uma mobilidade consciente feita para as pessoas. O que se pretende na visão estratégica de mobilidade do concelho de Oeiras é tratar o presente e preparar o futuro e isto só é possível com a mudança cultural nas novas gerações, facto pelo qual o projeto Oeiras Move Escolas nas suas quatro ações é essencial – BikeBus, PediBus, Fiscal por 1 dia e escola de mobilidade – para criar cidadãos, condutores, peões e utilizadores de transportes mais respeitadores do espaço partilhado, um dever cívico para cidades preparadas para os desafios do futuro. Nos quais toda a comunidade é essencial, o apoio das escolas e das associações de pais são fundamentais para a prática efetiva desta mudança de cultural. Não gerimos apenas lugares de estacionamento, gerimos o tempo e a segurança das famílias de Oeiras.

 

Que impacto pode ter uma visão de mobilidade centrada nas pessoas na qualidade de vida, na segurança e na relação com o espaço urbano?

Uma mobilidade centrada nas pessoas reduz o stress urbano, aumenta a segurança e devolve o espaço público ao convívio social. O impacto direto sente-se na saúde pública e na felicidade de quem habita ou trabalha no concelho.

 

Numa das vossas reflexões públicas, referem a importância de conciliar vida profissional, pessoal e familiar com mais consciência e menos culpa. Como essa vivência influencia a vossa forma de liderar?

Acreditamos que líderes conscientes das suas responsabilidades familiares e pessoais são líderes mais equilibrados e produtivos. Ao liderarmos sem a “culpa” tradicional, damos o exemplo para que as nossas equipas também procurem esse equilíbrio, resultando numa organização mais saudável e menos propensa ao erro.

 

De que modo a empatia, a escuta e o reconhecimento das diferentes realidades humanas contribuem para equipas mais fortes e organizações mais eficazes?

A empatia permite reconhecer as diferentes realidades humanas dentro da Parques Tejo — desde quem está no terreno até quem está no escritório. Equipas que se sentem ouvidas e reconhecidas são equipas mais fortes e comprometidas com a eficácia da organização.

Que mensagem gostariam de deixar a outras mulheres que estão a iniciar ou a consolidar percursos de liderança e gestão?

Foquem-se na vossa qualificação e na vossa visão estruturada. Não tenham receio de ocupar espaços tradicionalmente masculinos. A vossa competência será sempre o vosso melhor argumento, e a liderança autêntica é aquela que abre caminho para as próximas gerações.

 

Que prioridades estratégicas consideram essenciais para reforçar o papel da Parques Tejo como entidade de referência no concelho de Oeiras?

A prioridade é reforçar a Parques Tejo como o braço direito do município na gestão da mobilidade inteligente, garantindo que a empresa seja uma referência de excelência e igualdade.

 

Como imaginam a evolução da mobilidade urbana nos próximos anos, e que mudanças culturais serão mais decisivas para o sucesso dessa transformação?

Nos próximos anos, a mobilidade será cada vez mais digital e integrada. A mudança cultural decisiva será a aceitação da “mobilidade como serviço”, onde a conveniência e a sustentabilidade pesam mais do que a posse do veículo individual.

 

Se tivessem de identificar três compromissos de liderança para este novo ciclo, quais seriam?

Consideramos que seriam a excelência no Serviço Público, garantindo uma resposta ágil e eficaz às necessidades de mobilidade dos cidadãos de Oeiras; outro compromisso é a consolidação da equidade, ou seja manter a Parques Tejo como um exemplo de representação equilibrada em todos os níveis da hierarquia e por fim deixamos o nosso compromisso com a Inovação e Sustentabilidade, liderando a transição para soluções de transporte e estacionamento que respeitem o ambiente e melhorem a qualidade de vida urbana.

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