OPINIÃO DE Cátia Lopes – psicóloga | hipnoterapeuta
das Clínicas Dr. Alberto Lopes – Psicologia & Hipnose Clínica
Já reparou como tudo parece mais pesado depois de uma noite mal dormida? A mesma conversa magoa mais. O mesmo problema parece maior. A mesma insegurança ganha voz.
O sono não é apenas importante, é fundamental para o equilíbrio físico, mental e cognitivo. Regula o sistema imunitário, estabiliza hormonas, protege o coração. Mas, sobretudo, organiza a nossa vida emocional.
Gosto de usar esta imagem: à noite, quando dormimos, o cérebro faz o seu banho das emoções tóxicas. Quando o ambiente se cala, a mente inicia o seu turno invisível: organiza memórias, processa emoções, reorganiza o caos do dia. O que parecia incêndio transforma-se em compreensão.
Um estudo publicado na revista Sleep demonstrou que a privação de sono aumenta a reatividade da amígdala, uma área cerebral ligada às emoções intensas, reduzindo a capacidade de regulação racional. Em termos simples: dormimos mal, reagimos pior. Ficamos mais impulsivos, mais ansiosos, menos tolerantes.
É aqui que entra a higiene do sono. A aclamada neurologista Elena Safonova explica que o cérebro precisa de um sinal claro de transição entre o “eu diurno” e o “eu que vai dormir”. Sem essa passagem simbólica, ele mantém-se em alerta.
Criar rituais, luz suave, menos ecrãs, horários consistentes, não é rigidez. É maturidade emocional.
Dormir bem é um ato de amor-próprio. É permitir que o corpo repare, que a mente integre, que as emoções assentem.
Quando descansamos, tornamo-nos mais equilibrados. E uma pessoa emocionalmente regulada comunica melhor, decide com mais clareza e relaciona-se com mais consciência.
O sono não é pausa da vida.
É o momento em que a mente se reorganiza para viver mais e melhor.


