“Acreditamos que investir no desenvolvimento técnico e humano das equipas não é um custo, mas sim uma estratégia de negócio”

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No Dia Internacional da Mulher, celebramos lideranças que transformam o setor tecnológico através de visão estratégica, empatia e impacto real. Nesta edição, damos voz a Alexandra Gonçalves, fundadora e CEO da Onile IT, uma líder que tem vindo a desafiar modelos tradicionais ao colocar as pessoas no centro da transformação digital. Ao longo do seu percurso — marcado por exigência técnica, gestão humana, desafios como a pandemia e a experiência da maternidade — Alexandra construiu uma liderança consciente, orientada para resultados sustentáveis, bem-estar das equipas e igualdade de oportunidades. Nesta entrevista, partilha os momentos que a moldaram enquanto líder, a visão que esteve na génese da Onile IT e as práticas que considera essenciais para criar acesso, progressão e liderança feminina com verdadeiro impacto na tecnologia.

Quem é a Alexandra Gonçalves e que momentos do seu percurso a moldaram enquanto líder?

Sou fundadora e CEO da Onile IT, uma consultora tecnológica que, desde 2016, tem vindo a apoiar empresas na transformação digital através de soluções inovadoras e integradas que valorizam tanto o negócio como as pessoas envolvidas no projeto. Ao longo da minha carreira tive de equilibrar exigência técnica e gestão humana, momentos de alta pressão, reestruturação de equipas e alguns desafios imprevistos nomeadamente a pandemia, bem como a experiência da maternidade, que acabaram por moldar a minha forma de liderar, passando a ter mais empatia, presença e foco no bem-estar da equipa, sem nunca perder a ambição pelo impacto e pela qualidade.

 

Como nasceu Onile IT e a que necessidade concreta quis responder no mercado?

A Onile IT surgiu da convicção de que muitas empresas precisam de parceiros tecnológicos que não sejam apenas fornecedores, mas aliados estratégicos. Identificámos uma lacuna no mercado: consultoria que combina excelência técnica com relações de confiança e transparência. Através do conceito de FairSourcing, procuramos criar relações duradouras com clientes e funcionários, reduzindo a rotatividade e promovendo um ambiente onde o talento se desenvolve e contribui diariamente para resultados de negócios relevantes, não esquecendo nunca o bem-estar dos funcionários.

 

Que decisões foram determinantes para consolidar o projeto e ganhar confiança de clientes e parceiros?

Desde cedo apostamos em transparência nas relações e foco na entrega de valores reais, em vez de soluções tecnológicas “por defeito”. Acredito que por trás de um líder, está uma pessoa com qualidades e defeitos, um ser humano na sua essência, com medos, ambições e sonhos. Decisões como investir em equipas multidisciplinares, promover certificações, criar processos de acompanhamento contínuo no ciclo de projeto e reforçar parcerias com clientes juntando a um ADN inovador, foram chave para construir reputação e confiança no mercado! Se em todas as ações que tomamos atuarmos com empatia, transparência e honestidade, conseguem criar-se relações fortes e duradouras com clientes, parceiros e funcionários.

 

Quais são hoje os maiores desafios para uma empresa tecnológica manter o foco, qualidade e entrega?

No contexto atual, manter qualidade e capacidade de entrega é um equilíbrio entre atrair e reter talento qualificado, adaptar-se rapidamente às mudanças tecnológicas (cloud, IA, IoT) e gerir expetativas dos clientes de forma honesta e realista. A velocidade da evolução tecnológica exige curiosidade constante e processos internos robustos de aprendizagem e adaptação. O mercado do IT está cada vez mais competitivo, graças também à pandemia e à possibilidade do trabalho remoto em empresas internacionais. No entanto, temos lutado para oferecer as melhores condições tanto salariais, como de crescimento profissional aos nossos funcionários. Acreditamos que investir no desenvolvimento técnico e humano das equipas não é um custo, mas sim uma estratégia de negócio.

 

Onde sente maior pressão no crescimento: talento, execução, diferenciação ou gestão de expetativas do cliente?

A pressão é multidimensional, mas diria que talento e execução são os fatores que mais influenciam o crescimento sustentável. Sem talento motivado é impossível executar com consciência. Sem entrega sólida, a diferenciação e gestão de expetativas tornam-se meras palavras. Por isso, procuramos um ambiente que valorize o crescimento técnico e humano em paralelo.

 

De que forma a maternidade e a pandemia redefiniram a forma como lidera?

Essas experiências foram transformadoras. Aprendi que liderança não é sinónimo de estar sempre disponível e fazer tudo sozinha. Tenho a sorte de ter ao meu lado as pessoas mais bonitas, uma equipa forte, responsável e dinâmica, que acredita tanto neste projeto como eu e me tranquiliza todos os dias com um sorriso e com o lema: “Juntas conseguimos, juntas seremos sempre mais fortes!”. A maternidade ensinou-me a ser mais organizada e paciente. A pandemia mostrou-me a importância da adaptabilidade e da comunicação clara, quando algo corre menos bem. Hoje a minha liderança é mais consciente, equilibrada e orientada para resultados com bem-estar. Liderar com intensidade sem cuidar de quem somos não é sustentável nem o desejo.

 

Quais foram os principais obstáculos enquanto mulher no setor tecnológico e como os ultrapassou?

O setor tecnológico continua dominado por perfis masculinos em posições mais séniores, o que pode criar barreiras implícitas, desde questionamentos sobre a autoridade até sub-representação em reuniões estratégicas. Contudo, consegui ultrapassá-los através da confiança no meu conhecimento técnico, networking ativo para outras mulheres líderes e mentoria interna – proporcionando também oportunidades de crescimento a outras mulheres nas nossas equipas.

 

Que práticas considera essenciais para garantir igualdade de oportunidades desde o recrutamento até à progressão?

Esta pergunta é curiosa, uma vez que atualmente, a minha equipa de recrutamento só é constituída por mulheres. A igualdade começa no recrutamento: processos de seleção que reduzam vieses inconscientes, painéis de entrevista diversos e critérios claros de avaliação. Depois, planos de carreira transparentes, formação contínua e políticas de promoção baseadas em mérito mensurável ajudam a garantir oportunidades reais e justas.

 

Prioridade para acelerar igualdade de oportunidades e mensagem final?

Para mim, a prioridade é medir e publicar métricas de diversidade e progresso interno, criando responsabilidade real nas empresas. Às mulheres que estão a iniciar carreira na tecnologia ou a considerar uma transição, deixo uma mensagem simples e honesta: confiem nas vossas capacidades, procurem ambientes onde o mérito é reconhecido e não tenham receio de ter voz!

A tecnologia precisa de diversidade para evoluir – e a liderança do futuro será, necessariamente, mais plural, mais consciente e mais humana. A mudança acontece quando liderança, exigência e justiça caminham juntas – com impacto real nas pessoas, nas empresas e na sociedade. Uma verdade: Se és Mulher, és muito mais forte do que imaginas! Um conselho: Não permitas que ninguém te subestime!

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