“Acredito profundamente que o processo terapêutico é um caminho de regresso à autenticidade e à essência de cada indivíduo”

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Elisabete Sousa é psicóloga e fundadora da Heal & Grow Elisabete Sousa, um projeto que integra consciência e desenvolvimento pessoal numa abordagem estruturada e profundamente humana. Nesta entrevista à Revista Pontos de Vista, mais do que falar de crescimento individual, Elisabete Sousa propõe uma reflexão sobre maturidade emocional, responsabilidade e liderança com propósito. Porque, para si, o verdadeiro impacto na saúde mental não se mede pela rapidez dos resultados, mas pela profundidade da transformação e pela consistência do método.

Que momentos do seu percurso académico e profissional mais a transformaram enquanto. Psicóloga, e de que forma esses marcos influenciaram a criação e identidade da Heal & Grow Elisabete Sousa?

Os momentos do meu percurso académico e profissional que mais me transformaram, enquanto pessoa e enquanto psicóloga, foram, sem dúvida, as experiências formativas e vivenciais que abracei em diferentes cidades, contextos e áreas de conhecimento. A licenciatura de Psicologia realizada em Aveiro, o mestrado de Psicologia concluído no Porto e a formação em artes performativas — teatro e cinema — em Lisboa, bem como também o curso de artes performativas, teatro e cinema no Rio de Janeiro, no Brasil, constituíram etapas estruturantes na construção da minha identidade pessoal e profissional. Cada uma destas experiências contribuiu para ampliar a minha visão do ser humano, não apenas do ponto de vista científico, mas também expressivo, cultural e relacional.

A estas formações juntam-se diversas experiências formativas, nomeadamente especialização avançada em Psicologia Clínica e da saúde e múltiplos cursos na área do desenvolvimento pessoal, realizados em Portugal, que consolidaram a minha base técnica e científica, ao mesmo tempo que aprofundaram a minha reflexão sobre consciência, propósito e comportamento humano.

Paralelamente ao percurso académico, houve uma fase da minha vida em que cheguei a desempenhar simultaneamente várias funções profissionais distintas — desde hotelaria e restauração como hostess, explicadora de biologia e inglês, funções na área de recursos humanos nos setores de IT e imobiliário, entre outras experiências — enquanto estudava e também quando mantinha a prática clínica. Esse período exigente foi determinante na construção da minha disciplina, resiliência, foco e ética de trabalho.

Hoje reconheço que essas experiências não foram apenas etapas de sobrevivência profissional, mas verdadeiros contextos de aprendizagem humana. Contatar diariamente com pessoas de diferentes áreas, níveis de responsabilidade e realidades socioeconómicas permitiu-me desenvolver uma compreensão prática e concreta das dinâmicas humanas no “terreno”. Aumentou a minha capacidade de observação, a minha consciência contextual e, sobretudo, a minha empatia.

Foi também esse percurso intenso que me permitiu criar, de forma sustentada, o meu próprio projeto – Heal & Grow Elisabete Sousa. A quantidade de experiências vividas foi o que me deu estrutura, maturidade e independência para hoje escolher trabalhar exclusivamente na minha marca, valorizando profundamente a presença, a qualidade e a profundidade do trabalho que realizo.

Enquanto psicóloga, estas vivências reforçaram em mim a convicção de que cada pessoa enfrenta desafios invisíveis e que, por isso, a gentileza, a escuta e o autoconhecimento são pilares essenciais. Acredito profundamente que o processo terapêutico é um caminho de regresso à autenticidade e à essência de cada indivíduo — e é com essa consciência que hoje exerço a minha prática.

 

Como define hoje o posicionamento da Heal & Grow no panorama da saúde mental e do desenvolvimento humano, e que diferenciação procura afirmar no mercado?

Hoje vejo a minha marca posicionada como uma referência na integração entre saúde mental e desenvolvimento humano consciente. Não trabalho apenas a resolução de sintomas; trabalho a reconexão com a essência.

O posicionamento da Heal & Grow assenta numa abordagem verdadeiramente integral, que combina psicologia, mindfulness e coaching, criando uma metodologia estruturada, mas profundamente humana. Acredito que o futuro da saúde mental passa por esta visão integral — onde ciência, consciência e desenvolvimento pessoal caminham lado a lado.

A diferenciação que procuro afirmar no mercado está precisamente nessa integração consistente e ética. Não se trata de seguir tendências, mas de oferecer um espaço seguro, fundamentado e transformador, onde cada pessoa é vista na sua totalidade — mente, emoções, comportamento e propósito.

Para além das consultas individuais, há também formações de desenvolvimento pessoal, permitindo que o crescimento não seja apenas pontual, mas contínuo e expansivo para que se crie contextos de conexão, partilha e evolução.

A marca está profundamente alinhada com valores como verdade, empatia, propósito, conexão e evolução. Esses valores são vividos na prática clínica, na comunicação e nas decisões estratégicas.

Hoje, mais do que uma marca na área da saúde mental, é um movimento de consciência e autoestima. As pessoas são ajudadas a fortalecer a sua identidade, a confiarem na sua voz e a viverem com maior alinhamento interno: profundidade com leveza, estrutura com sensibilidade, ciência com humanidade.

 

Num contexto em que cresce a procura por soluções rápidas, o que considera inegociável numa intervenção psicológica em termos de ética, limites, avaliação e segurança do cliente?

Vivemos numa era de aceleração, onde o desenvolvimento pessoal, por vezes, é apresentado como um produto de consumo rápido. No entanto, a saúde mental não pode ser reduzida a promessas simplistas nem a processos superficiais. Uma intervenção psicológica responsável exige tempo, profundidade e um enquadramento técnico sólido.

Para mim, é inegociável começar por uma avaliação cuidadosa e estruturada, que permita compreender a história clínica, o contexto de vida, os recursos internos e as vulnerabilidades da pessoa. Sem essa base, qualquer intervenção corre o risco de ser inadequada. A personalização do acompanhamento é um princípio ético.

Da mesma forma, os limites terapêuticos são fundamentais. A clareza na relação profissional, a definição de objetivos realistas, o respeito pelo ritmo do cliente e a manutenção de fronteiras éticas bem estabelecidas garantem um espaço seguro e contido. A relação terapêutica é, em si, um instrumento de transformação — e deve ser protegida com responsabilidade.

A segurança emocional do cliente é outra prioridade absoluta. Isso implica trabalhar dentro das competências técnicas e assegurar confidencialidade. Implica também não prometer resultados milagrosos, mas sim comprometer-se com um processo sério, sustentado e alinhado com evidência científica.

Acredito que o verdadeiro desenvolvimento não acontece pela pressa, mas pela integração. E essa integração só é possível quando há estrutura, ética e consciência. Num mercado onde muitas vezes se valoriza o impacto imediato, escolho valorizar a profundidade, a responsabilidade e o respeito pelo processo humano.

 

Quando uma pessoa inicia acompanhamento consigo, quais são os primeiros passos clínicos que considera essenciais para estruturar um processo sólido e com objetivos claros?

Nas primeiras sessões, o foco está na construção de uma base segura: recolha da história clínica, enquadramento do momento atual, identificação de padrões emocionais e comportamentais, compreensão do contexto familiar, relacional e profissional, bem como mapeamento de recursos internos. Esta fase é essencial para garantir que qualquer intervenção seja personalizada, ética e ajustada à realidade daquela pessoa.

Paralelamente, considero fundamental estabelecer um contrato terapêutico claro. Isso implica definir objetivos concretos e realistas, alinhar expetativas, esclarecer limites, confidencialidade e metodologia de trabalho. A clareza desde o início promove segurança e compromisso com o processo.

Nas consultas, procuro ajudar a pessoa a clarificar o que realmente deseja transformar — seja reduzir sintomas, fortalecer autoestima, melhorar relações, desenvolver regulação emocional ou aprofundar o autoconhecimento. O objetivo não é apenas “resolver um problema”, mas promover integração e crescimento sustentado.

Na minha abordagem integral, estruturo o processo combinando ferramentas da psicologia com práticas de mindfulness e estratégias de desenvolvimento pessoal, sempre de forma fundamentada e adaptada ao ritmo do cliente.
A intervenção respeita o tempo psicológico de cada pessoa — não acelero processos que precisam de maturação.

Por fim, considero essencial avaliar continuamente o progresso. Um processo sólido não é estático; é acompanhado, revisto e ajustado sempre que necessário. Essa monitorização garante eficácia, segurança e alinhamento com os objetivos definidos.

Acredito que é esta combinação de rigor clínico, visão integral e relação terapêutica segura que permite que o acompanhamento não seja apenas um espaço de apoio, mas um verdadeiro processo de transformação consciente.

 

Que desafios surgem hoje com maior frequência na prática clínica, como ansiedade, exaustão, relações ou autoexigência, e que padrões psicológicos identifica por trás desses sintomas?

Hoje observo um aumento significativo de quadros de ansiedade, exaustão emocional, dificuldades relacionais e níveis muito elevados de autoexigência. No entanto, mais do que olhar para os sintomas de forma isolada, procuro compreender os padrões psicológicos que os sustentam.

A ansiedade, por exemplo, surge muitas vezes associada a uma necessidade intensa de controlo e a uma antecipação constante de cenários negativos. Está frequentemente ligada a crenças internas de insuficiência — a ideia de que “não sou suficiente” ou “preciso de provar o meu valor”. Quando a identidade está excessivamente ancorada na performance, o sistema nervoso permanece em estado de alerta contínuo.

A exaustão e o burnout, por sua vez, revelam um padrão de desconexão entre o fazer e o sentir. Muitas pessoas vivem num modo automático, orientado para resultados, produtividade e validação externa, negligenciando limites internos e necessidades emocionais. A dificuldade em dizer “não”, o medo de desapontar e a procura constante de reconhecimento são fatores recorrentes.

Nas relações, identifico frequentemente padrões de medo de abandono, dependência emocional ou evitamento afetivo. Por trás destes comportamentos estão, muitas vezes, experiências precoces de ausência de segurança ou modelos relacionais inconsistentes. A forma como nos vinculamos na vida adulta raramente é aleatória — é uma continuação da nossa história relacional.

Quanto à autoexigência, vejo-a como uma das manifestações mais silenciosas e socialmente valorizadas do sofrimento psicológico. Vivemos numa cultura que recompensa o desempenho e a superação constante, mas pouco ensina sobre autorregulação emocional e autocompaixão. Muitas pessoas confundem valor pessoal com produtividade, o que gera ciclos de comparação, culpa e frustração.

De forma transversal, identifico um padrão comum: desconexão da própria essência. Existe uma dificuldade crescente em escutar necessidades internas, reconhecer limites e validar emoções. A pessoa afasta-se de si mesma na tentativa de corresponder a expetativas externas — familiares, sociais ou profissionais. É precisamente aqui que considero que o trabalho terapêutico ganha relevância: ajudar a pessoa a reconhecer os seus padrões inconscientes, compreender a sua origem e construir novas formas de relação consigo própria e com os outros. Mais do que eliminar sintomas, o objetivo é promover consciência, integração e autenticidade.

Acredito que, quando há reconexão interna, a ansiedade diminui, os limites tornam-se mais claros, as relações tornam-se mais seguras e a autoexigência transforma-se em responsabilidade saudável com autocompaixão. E esse é, para mim, o verdadeiro trabalho clínico: não apenas aliviar o sofrimento, mas facilitar um regresso consistente à identidade e à essência de cada pessoa.

 

Como gere expetativas de quem procura “resultados imediatos” e como explica a importância do processo, da continuidade e da responsabilidade individual na mudança?

Explico que a psicologia não funciona como um interruptor que se liga e desliga. Os padrões emocionais, crenças e mecanismos de defesa foram construídos ao longo de anos, muitas vezes desde a infância. Pretender transformá-los em poucas sessões não é muito possível.

Desde o início, faço questão de diferenciar alívio sintomático de transformação estrutural. É possível reduzir ansiedade ou melhorar a regulação emocional num curto espaço de tempo com estratégias específicas. No entanto, mudança consistente implica consciência, repetição, integração e compromisso.

Trabalho muito a ideia de autoconsciência e autoresponsabilidade. A terapia é um espaço de orientação técnica, reflexão e estrutura, mas a verdadeira mudança acontece no quotidiano — nas escolhas, nos limites que se colocam, nas conversas difíceis que se tem, nos comportamentos que se ajustam. Sem envolvimento ativo da pessoa, não há processo sustentável.

Além disso, considero que o processo terapêutico não é linear. Há momentos de avanço, momentos de resistência e momentos de maior vulnerabilidade. E isso não significa regressão — significa profundidade. A continuidade permite consolidar ganhos e evitar que padrões antigos voltem a assumir o controlo em momentos de maior stress.

Mais do que prometer rapidez, comprometo-me com consistência, ética e profundidade. Acredito que o verdadeiro respeito pelo cliente está em não alimentar ilusões, mas sim em oferecer um caminho sólido, estruturado e seguro.

No fundo, gerir expetativas é também educar emocionalmente: ajudar a pessoa a compreender que o desenvolvimento humano não é um produto de consumo rápido, mas um processo de maturação. E quando essa consciência é integrada, o compromisso com a mudança torna-se muito mais autêntico e eficaz.

 

De que forma integra mindfulness e autorregulação emocional na sua intervenção, e que indicadores utiliza para avaliar evolução e autonomia emocional?

A integração de mindfulness e autorregulação emocional na minha intervenção não surge como uma técnica isolada, mas como parte estruturante de um modelo terapêutico integral. Não utilizo o mindfulness como tendência, mas como ferramenta enquadrada e adaptada às necessidades específicas de cada pessoa.

No início e durante a intervenção, identifico se a pessoa apresenta padrões de maior ativação (ansiedade, ruminação, reatividade emocional) ou menor ativação (desligamento emocional, evitamento, apatia). A partir daí, introduzo práticas de consciência corporal, respiração regulada, treino de atenção focada e observação não julgadora dos pensamentos — sempre contextualizadas dentro do processo terapêutico.

O objetivo não é apenas ensinar a “acalmar”, mas desenvolver consciência emocional. Muitas pessoas sabem o que pensam, mas não sabem o que sentem nem como o corpo reage ao stress. O mindfulness permite criar espaço entre estímulo e resposta, fortalecendo a capacidade de escolha consciente em vez de reação automática.

Paralelamente, trabalho competências de autorregulação emocional: identificação e nomeação de emoções, tolerância ao desconforto, reestruturação cognitiva quando necessário, definição de limites e desenvolvimento de autocompaixão. A autorregulação não significa suprimir emoções, mas aprender a senti-las com segurança e integrá-las de forma funcional.

Relativamente aos indicadores de evolução, utilizo vários critérios clínicos e observacionais. Entre eles:

– Redução da reatividade e maior capacidade de pausa antes da resposta.

– Aumento da clareza emocional e verbalização mais precisa do que sente.

– Maior coerência entre valores, decisões e comportamentos.

– Capacidade de estabelecer limites sem culpa excessiva.

– Diminuição da dependência do terapeuta como única fonte de validação.

– Maior segurança interna perante situações anteriormente desorganizadoras.

– A autonomia emocional começa a tornar-se evidente quando a pessoa passa de um funcionamento automático para um funcionamento consciente. Quando deixa de procurar apenas alívio externo e começa a desenvolver recursos internos.

Para mim, o verdadeiro sucesso terapêutico não é a ausência total de ansiedade ou desconforto — isso seria irrealista — mas a capacidade de atravessar emoções desafiantes com consciência, responsabilidade e estabilidade interna.

É essa combinação entre prática consciente, estrutura clínica e integração progressiva que permite que o processo não seja apenas regulador, mas transformador.

 

Num mercado saturado de informação sobre bem-estar, onde coloca a linha entre psicologia, coaching e práticas complementares, garantindo clareza e proteção para quem a procura?

Num mercado saturado de informação sobre bem-estar, considero fundamental traçar uma linha clara entre psicologia, coaching e práticas complementares.

A psicologia é uma prática regulada, sustentada por formação académica específica, código deontológico e supervisão profissional. Quando estou a intervir enquanto psicóloga, trabalho com avaliação clínica, conceptualização de caso, diagnóstico quando aplicável e intervenção baseada em evidência científica. Existe um enquadramento técnico claro e uma responsabilidade direta pela segurança psicológica da pessoa.

O coaching, por sua vez, posiciona-se num nível diferente: está orientado para objetivos, performance e desenvolvimento de competências, partindo do princípio de que não existe uma condição clínica subjacente. É um processo focado no futuro e na ação estratégica e não é um processo terapêutico.

Já as práticas complementares — como mindfulness ou outras abordagens integrativas — podem ser recursos valiosos, desde que não substituam intervenção clínica. Na minha prática, estas ferramentas nunca surgem de forma solta ou descontextualizada; são integradas com critério clínico, avaliação prévia e clareza sobre o seu propósito.

A linha que estabeleço é simples e transparente:

Quando há sintomatologia clínica, perturbações emocionais significativas ou sofrimento psicológico estruturado, a intervenção é exclusivamente da psicologia.

Quando o foco é desenvolvimento de competências, liderança ou objetivos específicos, pode existir um enquadramento de coaching — sempre que não haja indicadores clínicos que exijam outro tipo de intervenção.

As práticas complementares entram como suporte regulador ou integrativo, nunca como substituto de acompanhamento terapêutico adequado.

Garantir esta distinção é, acima de tudo, uma forma de proteção para quem me procura. A clareza evita falsas promessas, evita ultrapassar competências e reforça a confiança na relação terapêutica.

Acredito que a integração é valiosa, mas só é segura quando existe base científica, consciência de limites e ética profissional sólida. Num mercado onde muitas abordagens se misturam sem fronteiras claras, escolho diferenciar-me precisamente pela responsabilidade, transparência e rigor.

 

Enquanto mulher que lidera um projeto próprio na área da saúde mental, que desafios encontrou na construção de autoridade técnica e reputação, e como os ultrapassou?

Durante muito tempo, sobretudo no início do percurso, senti que existia uma expetativa implícita de que a autoridade estivesse associada a rigidez ou a um estilo de comunicação mais distante. No meu caso, a minha força sempre esteve na empatia, na escuta e na proximidade — e foi importante perceber que autoridade não é sinónimo de dureza, mas de consistência, competência e coerência.

Outro desafio foi um mercado competitivo e, por vezes, ruidoso. A construção de marca pessoal exige segurança interna. Houve momentos em que a autoexigência foi elevada, precisamente por querer garantir excelência.

Ultrapassei esses desafios investindo profundamente em formação contínua, supervisão clínica e especialização, reforçando a minha base científica. A competência técnica foi — e continua a ser — a estrutura da minha confiança. Paralelamente, trabalhei o meu posicionamento com clareza: definir valores, limites e visão estratégica permitiu-me comunicar de forma mais assertiva e alinhada.

Também aprendi a transformar a vulnerabilidade em força.

Todo o meu percurso fortaleceu a minha sensibilidade, intuição, capacidade relacional e visão integradora — caraterísticas que hoje considero diferenciadoras.

Acima de tudo, foi um processo de maturação interna. Construir o nosso caminho começa dentro: é reconhecer o próprio valor, manter compromisso com a verdade e sustentar decisões mesmo quando a jornada exige coragem.

 

No contexto do Dia Internacional da Mulher, que mensagem gostaria de deixar a mulheres que desejam liderar com propósito e criar projetos sólidos na área do desenvolvimento humano, sem abdicar de rigor, método e consistência?

No Dia Internacional da Mulher, a minha mensagem para todas as mulheres que desejam agir com propósito na área do desenvolvimento humano é simples, mas profunda: Tudo começa dentro de nós, na clareza do que defendemos, na coerência entre valores e ações, e na coragem de criar espaços de transformação que respeitem rigor, método e consistência.

É importante ter como prioridade a autenticidade, a ética e a empatia no centro de cada decisão. Significa que podemos ser ambiciosas e, ao mesmo tempo, acolhedoras; exigentes connosco mesmas e com os outros, mas sem perder humanidade.

A construção de um caminho sólido exige disciplina, estudo contínuo, prática fundamentada e a capacidade de sustentar uma visão mesmo perante desafios.

Quero que saibam que a vulnerabilidade não é fraqueza — é fonte de aprendizagem e conexão. Assumir quem somos, com as nossas dúvidas e potencialidades, é o primeiro passo para agir de forma verdadeira e inspiradora.

E, acima de tudo, fundamental conetarmo-nos com o nosso propósito e intuição e como consequência, eventualmente, haver impacto positivo: criar projetos que transformem vidas, promovam consciência, autoestima e autenticidade.

O convite que deixo é este: não abdique do rigor, da consistência nem da integridade científica; mas não se esqueça de que a sua sensibilidade, intuição e humanidade são o que torna a sua jornada única e transformadora. É nesse equilíbrio que construímos legados duradouros, não apenas resultados imediatos.

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Revista Pontos de Vista Edição 149

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