Editorial Especial | Dia Internacional da Mulher Sandra Soares: Administradora da BRAIN POWER

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Sandra Soares é o rosto da empresa que oferece vínculos contratuais estáveis com direitos completos para profissionais em onze ano e continua a desafiar tradições laborais, combinando flexibilidade, segurança e inovação. Veja a sua entrevista na Revista Pontos de Vista sobre o Dia Internacional da Mulher.

Liderança e percurso pessoal

Ao longo da sua trajetória profissional, quais foram os momentos mais determinantes que moldaram a líder que é hoje? Houve algum episódio particularmente desafiador que tenha redefinido a sua forma de liderar?

Ao longo do meu percurso, houve vários momentos determinantes, mas destaco sobretudo aqueles em que fui desafiada a tomar decisões difíceis, com impacto direto nas pessoas e no rumo da organização. Antes de tudo, a empreender e na criação do nosso modelo, mas depois a consolidar a BRAIN POWER num mercado exigente obrigou-me a ser resiliente.

Houve fases particularmente desafiadoras em que percebi que liderar não é ter todas as respostas, mas saber fazer as perguntas certas, ouvir verdadeiramente e confiar nas equipas. São momentos que redefiniram a minha liderança.

 

 

O significado
da Liderança Feminina

Na sua perspetiva, o que distingue a liderança feminina no contexto empresarial atual? Considera que as mulheres trazem competências específicas e diferenciadoras para os cargos de decisão?

Acredito que a liderança feminina traz uma forte componente de inteligência emocional, empatia e capacidade de integrar diferentes dimensões. Não se trata de afirmar que homens e mulheres lideram de forma oposta, mas reconheço que muitas mulheres desenvolveram competências relacionais e uma visão sistémica que hoje são absolutamente essenciais nas organizações.

 

 

Desafios ainda presentes

Apesar dos avanços registados nos últimos anos, que obstáculos continuam a existir para as mulheres que ambicionam posições de liderança? Como podem as organizações contribuir para a sua superação?

Acredito que, hoje, existem muito mais oportunidades para as mulheres do que existiam há alguns anos, e isso é um sinal claro de evolução. Em muitos setores, as oportunidades já se encontram bastante equilibradas e o mérito tem vindo a assumir um papel cada vez mais determinante.

Naturalmente, continuam a existir alguns desafios, sobretudo culturais e ligados a modelos tradicionais de liderança. No entanto, vejo uma mudança consistente e positiva.

Na BRAIN POWER, por exemplo, o universo de colaboradores é maioritariamente feminino, e muitas dessas mulheres ocupam cargos de liderança. Isso não resulta de uma política de género, mas sim de uma cultura orientada para a competência, o compromisso e os resultados.

A visão da BRAIN POWER

Enquanto CEO da BRAIN POWER, de que forma a empresa promove uma cultura de desenvolvimento humano, liderança consciente e igualdade de oportunidades? Estes valores fazem parte do ADN da organização?

Na BRAIN POWER, aquilo que defendemos para as outras organizações é exatamente aquilo que procuramos viver internamente. Para mim, não faria sentido falar de desenvolvimento humano e liderança consciente se isso não começasse dentro da própria equipa.

Todos têm acesso às mesmas condições e às mesmas oportunidades de crescimento. Aqui, ninguém progride por género, por título ou apenas por qualificações formais.

O que realmente conta é o mérito, a atitude, a responsabilidade e as provas que cada um dá diariamente.

Acredito muito numa cultura de exigência justa: damos oportunidades, mas também valorizamos consistência, entrega e resultados. É essa coerência entre discurso e prática que define o nosso ADN.

 

 

Liderar pessoas num mundo
em mudança

Vivemos um contexto de constante transformação, marcado pela inovação, pela tecnologia e por novas dinâmicas de trabalho. Que competências considera essenciais para os líderes do presente e do futuro?

Adaptabilidade e, algo que estou sempre a dizer: a curiosidade, ambas são fundamentais. O mundo muda rápido e precisamos de líderes que aprendam constantemente, que saibam ouvir, inspirar e tomar decisões conscientes. A inteligência emocional é também crucial porque liderar pessoas significa perceber como se sentem, o que as motiva e como podemos ajudá-las a crescer.

O líder do futuro será, acima de tudo, alguém capaz de mobilizar pessoas num contexto de incerteza.

 

 

Inteligência emocional
e tomada de decisão

Qual é o papel da inteligência emocional no exercício da liderança? A acredita que esta competência tem um impacto direto no desempenho das equipas e nos resultados das organizações?

Sem dúvida. Liderar é muito mais do que dar instruções: é gerir emoções, criar confiança e perceber o que cada pessoa precisa para dar o seu melhor. Equipas que se sentem compreendidas e valorizadas rendem mais e entregam melhores resultados. A inteligência emocional é, para mim, tão importante quanto qualquer competência técnica.

 

 

Mulheres, poder
e autenticidade

Ainda existe a ideia de que as mulheres líderes precisam de “provar mais” ou adaptar o seu estilo para serem levadas a sério. Como encara esta realidade e de que forma defende uma liderança autêntica?

Infelizmente, ainda existe essa pressão. Mas acredito que a autenticidade é a chave. Não precisamos de imitar estilos que não nos pertencem ou de “encaixar” em expectativas alheias. Liderar de forma genuína, com clareza, competência e coerência, é a forma mais poderosa de inspirar e gerar resultados e também de mudar perceções.

 

 

Inspiração e referências

Teve ou tem alguma referência feminina que a inspire no seu percurso profissional ou pessoal? Que características dessas líderes mais a influenciaram?

Sempre me inspirei em mulheres que lideram com coragem, integridade e humanidade. Mais do que nomes concretos, admiro quem consegue manter os valores mesmo perante desafios, quem consegue combinar exigência e empatia e transformar pessoas e organizações positivamente.

 

 

O equilíbrio entre vida pessoal e profissional

A conciliação entre carreira, vida pessoal e, em muitos casos, maternidade, continua a ser um tema central. Que estratégias considera fundamentais para alcançar um equilíbrio saudável e sustentável?

Para mim, equilíbrio é algo dinâmico e não existe uma fórmula perfeita. É sobre prioridades, organização e saber dizer “não” quando é necessário. Também é essencial reservar tempo para nós próprias e para a família. Delegar e confiar na equipa é outro pilar: não conseguimos fazer tudo sozinhas, e não precisamos. Também é fundamental reservar tempo para nós próprias. Uma liderança sustentável começa pelo equilíbrio interno.

 

 

O papel da formação e do autoconhecimento

Enquanto líder de uma empresa dedicada ao desenvolvimento de competências, qual a importância do autoconhecimento e da aprendizagem contínua para quem lidera?

O autoconhecimento é fundamental: só quem se conhece consegue compreender e inspirar os outros. E a aprendizagem contínua é essencial, especialmente num mundo que muda rapidamente. Na BRAIN POWER, procuramos que cada líder cresça todos os dias, técnica e emocionalmente, porque isso faz a diferença para toda a organização.

 

 

Mensagem às novas gerações de mulheres líderes

Que conselho deixaria às jovens mulheres que ambicionam construir uma carreira de liderança, mas que ainda enfrentam inseguranças ou falta de oportunidades?

Invistam em vocês mesmas, nas vossas competências e no vosso autoconhecimento. Não deixem que o medo ou a insegurança ditem o caminho.

Diria para acreditarem no vosso potencial e apostarem no vosso desenvolvimento. Aprendam, procurem experiências que vos desafiem, construam uma rede de contactos e não tenham medo de pedir ajuda ou orientação. Sejam persistentes, consistentes e façam-se notar pelo que conseguem entregar todos os dias.

Não esperem que as oportunidades venham até vocês, criem-nas, mostrem resultados e assumam responsabilidades. A liderança não é só uma posição, é uma prática diária. Com determinação e foco, qualquer mulher pode chegar onde deseja.

 

 

O futuro da liderança feminina

Para terminar, como imagina o futuro da liderança feminina nos próximos anos? Acredita que caminhamos para uma liderança mais inclusiva, equilibrada e humana?

Sou otimista. Acredito que caminhamos para uma liderança mais inclusiva, humana e equilibrada. As organizações estão cada vez mais conscientes de que diversidade e mérito caminham juntos e que mulheres líderes fazem toda a diferença. Vejo um futuro em que o género será cada vez menos um fator e o talento, a competência e a autenticidade serão o que realmente conta.

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