“Enquanto presidente, acredito que a dimensão técnica só faz sentido quando está ao serviço das pessoas”

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No mês em que se assinala o Dia Internacional da Mulher, a Revista Pontos de Vista destaca o tema “Liderança feminina que transforma organizações” e dá voz a Ana Barbosa, Presidente da Associação de Empresas de Paredes (ASEP). Com uma liderança assente na proximidade, na escuta ativa e na criação de valor real para as empresas e para o território, Ana Barbosa partilha uma visão humanizada e colaborativa da liderança, demonstrando como o propósito, a cooperação e a empatia podem ser motores de transformação sustentável nas organizações e na economia local.

 A ASEP tem uma missão muito orientada para o apoio às empresas e para a criação de valor local. Como a sua visão de liderança contribui para esse propósito e como isso se reflete nas ações da Associação?

A missão da ASEP sempre esteve muito ligada ao apoio concreto às empresas e à criação de valor no território. A minha visão de liderança assenta precisamente nesse propósito: estar próxima do tecido empresarial, compreender os seus desafios reais e antecipar necessidades. Isso reflete-se numa atuação muito prática da ASEP, desde o reforço da comunicação e da confiança com os associados, até ao desenvolvimento de projetos que geram impacto direto, como iniciativas de formação, digitalização e sustentabilidade, sempre com o objetivo de fortalecer as empresas e, consequentemente, a economia local.

 

Enquanto presidente de uma associação empresarial, como equilibra a dimensão técnica (ex: apoio contabilístico, formação) com uma liderança que valoriza a proximidade, a escuta e a empatia com os empresários associados?

Enquanto presidente, acredito que a dimensão técnica só faz sentido quando está ao serviço das pessoas. O apoio contabilístico, jurídico ou formativo é essencial, mas tem de ser acompanhado por proximidade, escuta ativa e empatia. Na ASEP procuramos conhecer cada empresário, perceber o contexto do seu negócio e oferecer respostas ajustadas. Essa abordagem mais humana fortalece a confiança e permite que a associação seja vista não apenas como uma entidade técnica, mas como um verdadeiro parceiro no crescimento das empresas.

Que desafios marcantes enfrentou desde que assumiu a liderança da ASEP e de que forma essas experiências a ajudaram a crescer enquanto líder? Que aprendizagens considera mais valiosas para o presente e futuro do trabalho?

Um dos principais desafios tem sido captar e manter o envolvimento dos empresários nas dinâmicas associativas, num contexto económico cada vez mais exigente. Esse percurso ensinou-me a importância da comunicação clara, da coerência e da capacidade de adaptação. Cresci enquanto líder ao perceber que antecipar problemas, ouvir diferentes perspetivas e trabalhar em equipa são aprendizagens fundamentais para enfrentar os desafios atuais e futuros do mundo do trabalho.

 

Como a ASEP, sob a sua liderança, tem apoiado a transformação digital, sustentabilidade e inovação nas empresas de Paredes? Pode partilhar um exemplo que ilustre essa influência?

Sob a liderança da minha equipa, a ASEP tem apoiado ativamente a transformação digital e a inovação das empresas de Paredes. Um exemplo concreto é o projeto dos Bairros Digitais, desenvolvido em parceria com o Município, que incluiu a criação de um Marketplace digital para apoiar o comércio local. Paralelamente, temos promovido ações de formação e projetos de consultoria aplicada, ajudando as empresas a tornarem-se mais competitivas, sustentáveis e preparadas para o futuro.

 

Um dos focos da ASEP é aproximar os jovens ao mundo empresarial local. Como vê o papel de uma liderança com sensibilidade e propósito na orientação das novas gerações para carreiras plenas e sustentáveis?

A aproximação entre os jovens e o tecido empresarial é essencial para garantir um futuro profissional mais sólido e sustentável. Uma liderança com sensibilidade e propósito tem um papel decisivo neste processo, criando pontes entre escolas e empresas, mostrando oportunidades reais e valorizando o talento local. A ASEP tem apostado nesse caminho, acreditando que investir nas novas gerações é investir no futuro da economia e da comunidade.

 

Pode partilhar com os nossos leitores um momento em que uma abordagem colaborativa e empática da liderança tenha feito diferença para resolver um desafio coletivo?

Um exemplo marcante foi a organização de encontros dedicados à formação, que reuniram cerca de 150 empresários. Ao escutar as suas preocupações e necessidades, conseguimos estruturar candidaturas ao programa Formação/Ação alinhadas com a realidade das empresas. Esta abordagem colaborativa e empática permitiu transformar um desafio coletivo, a falta de competências específicas, numa oportunidade de crescimento conjunto.

 

Para si, qual é a principal mudança que as organizações precisam de adotar para que a liderança do futuro — especialmente a feminina — continue a transformar culturas, resultados e comunidades?

A principal mudança passa por colocar as pessoas no centro das decisões. A liderança do futuro, em particular a feminina, deve continuar a promover culturas organizacionais mais humanas, colaborativas e orientadas para o impacto. Quando as organizações valorizam a escuta, a diversidade e o propósito, os resultados surgem de forma mais sustentável e com benefícios claros para a comunidade.

 

Que mensagem gostaria de deixar a outras mulheres que estão a construir as suas trajetórias de liderança, sobretudo em ambientes onde ainda predominam modelos tradicionais?

Diria a outras mulheres que liderar não é imitar modelos tradicionais, mas assumir a sua autenticidade. A empatia, a capacidade de ouvir, de cooperar e de criar impacto são forças, não fragilidades. A liderança faz-se com consistência, proximidade e coragem para transformar, mesmo em contextos mais conservadores.

 

Se tivesse de resumir a sua forma de liderar numa única palavra ou valor, qual escolheria e porquê?

Proximidade. Porque acredito que é através da proximidade, com as pessoas, com as empresas e com a comunidade, que se constrói confiança, cria-se soluções eficazes e se gera verdadeiro impacto.

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Revista Pontos de Vista Edição 149

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