A Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Ana Faria, Diretora de Recursos Humanos do InterContinental Luanda Miramar, que partilha a sua visão sobre o verdadeiro significado do Dia Internacional da Mulher no contexto empresarial e o papel determinante da liderança feminina na construção de culturas organizacionais mais inclusivas, humanas e sustentáveis. Numa conversa inspiradora, destaca ainda o papel estratégico dos Recursos Humanos na promoção da equidade e deixa uma mensagem de confiança e propósito a todas as mulheres que, diariamente, conciliam carreira, responsabilidade e ambição.
O Dia Internacional da Mulher continua a ser um marco importante nas organizações. Que significado assume esta data para si, enquanto líder de pessoas?
O Dia Internacional da Mulher representa para mim uma oportunidade de reflexão sobre as conquistas alcançadas, mas também de consciencialização sobre os desafios que ainda existem. Enquanto líder de pessoas, é um momento para reconhecer a importância da diversidade, reforçar o valor da inclusão e inspirar todas as colaboradoras a desenvolverem plenamente o seu potencial, contribuindo para uma cultura organizacional mais equitativa e sustentável.
Na sua perspetiva, de que forma a liderança feminina tem vindo a transformar a cultura organizacional no InterContinental Luanda Miramar?
A presença crescente de líderes femininas tem trazido uma abordagem mais colaborativa e empática à gestão. No InterContinental Luanda Miramar, isto tem se traduzido numa cultura mais aberta ao diálogo, com maior valorização do trabalho em equipa e do bem-estar dos colaboradores. A liderança feminina tem contribuído também para maior inovação, criatividade e capacidade de adaptação, caraterísticas essenciais num ambiente hoteleiro dinâmico.
Enquanto Diretora de Recursos Humanos, quais considera serem hoje os principais desafios e oportunidades para as mulheres em cargos de liderança?
Os principais desafios incluem equilibrar exigências profissionais e pessoais, combater estereótipos e garantir visibilidade em ambientes tradicionalmente dominados por homens. Por outro lado, as oportunidades são significativas: as mulheres têm cada vez mais acesso a programas de desenvolvimento de liderança, mentorias e redes de apoio, que permitem não só crescer profissionalmente, mas também moldar culturas organizacionais mais inclusivas e humanizadas.
A empatia, a escuta ativa e a inteligência emocional são frequentemente associadas à liderança feminina. Como estes fatores impactam a gestão de equipas?
Estes fatores são fundamentais para criar ambientes de trabalho de confiança e colaboração. Líderes que praticam empatia e escuta ativa conseguem compreender melhor as necessidades e motivações da equipa, o que favorece o envolvimento, a retenção de talento e a performance. A inteligência emocional permite gerir conflitos com equilíbrio e tomar decisões estratégicas que consideram não apenas resultados, mas também o impacto humano.
Que políticas ou práticas internas têm sido fundamentais para promover a igualdade de oportunidades e o desenvolvimento do talento feminino?
Temos implementado políticas de recrutamento inclusivo, programas de mentoring e coaching, bem como oportunidades de formação contínua direcionadas para mulheres. Flexibilidade laboral, conciliação entre vida profissional e pessoal, e planos de carreira transparentes são igualmente essenciais para garantir que o talento feminino possa crescer e liderar de forma plena.
Como avalia o papel do RH na construção de organizações mais inclusivas, humanas e sustentáveis?
O RH é central na criação de culturas inclusivas, pois é através das políticas, processos e práticas que moldamos o ambiente de trabalho. Promover diversidade, equidade e bem-estar, apoiar a liderança inclusiva e fomentar o desenvolvimento de competências interpessoais são ações que tornam a organização não apenas mais justa, mas também mais resiliente e sustentável a longo prazo.
Que aprendizagens retirou do seu percurso profissional que considera essenciais para outras mulheres que aspiram a posições de liderança?
Aprendi que a consistência, a resiliência e a confiança nas próprias competências são essenciais. A formação contínua, a capacidade de ouvir e aprender com os outros, e o investimento em redes de apoio profissional fazem uma diferença enorme.
Além disso, é importante não subestimar a força da autenticidade e da empatia — liderar com integridade e humanidade inspira confiança e respeito.
Que mensagem gostaria de deixar às mulheres que, diariamente, conciliam carreira, responsabilidade e propósito?
Gostaria de dizer que a vossa dedicação, coragem e capacidade de adaptação são inspiradoras.
Nunca subestimem o impacto que podem ter na vida das pessoas à vossa volta e na transformação das organizações. Continuem a acreditar no vosso potencial, a desenvolver-se continuamente e a liderar com autenticidade e propósito — o mundo corporativo precisa do vosso talento e da vossa visão.


