“Na HMInvest, a inclusão é vivida na prática e nas decisões do dia a dia”

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Nesta edição da Revista Pontos de Vista, convidamos Paula Holstein de Mello, fundadora da HMInvest, cujo percurso se construiu na exigência, na visão estratégica e na consolidação de uma cultura empresarial sólida. Num setor tradicionalmente competitivo e em permanente transformação como o imobiliário, defende uma liderança exigente, mas consciente; orientada para resultados, mas profundamente alinhada com as pessoas. Porque, na sua perspetiva, o futuro da liderança será inevitavelmente mais estratégico — e mais humano.

Paula, no seu percurso profissional. de que forma a sua visão pessoal de liderança foi moldada ao longo dos anos? Quais eventos, experiências ou desafios mais contribuíram para essa construção?

O meu percurso tem sido profundamente marcado pela construção da HMInvest e pela experiência direta no terreno, num setor exigente e em constante transformação.

Ao longo dos anos, percebi que liderança não é apenas crescimento — é consistência, visão e responsabilidade sobre as pessoas e os resultados. Foram sobretudo os momentos de maior exigência que moldaram a minha forma de liderar: decisões difíceis, contextos de incerteza e a necessidade de manter direção quando nem tudo é linear.

Hoje, lidero com um princípio claro: criar valor de forma estruturada, sustentável e alinhada com uma cultura forte.

 

Como concilia a liderança orientada para resultados com uma abordagem humana e empática no dia a dia — especialmente em momentos de alta pressão ou mudanças organizacionais?

Na HMInvest, encaramos os resultados como uma consequência — nunca como um fim isolado.

Acredito numa liderança exigente, mas consciente. Em contextos de pressão, o foco está na clareza, na proximidade e na capacidade de manter a equipa alinhada. As pessoas precisam de direção, mas também de sentir que fazem parte de algo maior.

Esse equilíbrio entre performance e humanidade não só melhora resultados, como fortalece a estrutura da empresa.

 

Na sua experiência, de que forma a liderança feminina — com foco em colaboração e sensibilidade — tem gerado impacto real nas culturas organizacionais e nos resultados das equipas com que trabalha?

A cultura da HMInvest foi construída com base na colaboração e na transparência — dois pilares que considero essenciais numa liderança moderna.

Ambientes onde existe confiança e abertura tendem a gerar equipas mais comprometidas e consistentes. A liderança tem um impacto direto nessa dinâmica: define o ritmo, o comportamento e o nível de exigência.

Quando a cultura é sólida, os resultados tornam-se uma consequência natural.

Num setor tradicionalmente competitivo como o imobiliário, uma das mudanças mais relevantes que implementámos na HMInvest foi a introdução de uma lógica de colaboração interna estruturada.

 

A liderança feminina muitas vezes desafia modelos tradicionais de poder. Pode partilhar um exemplo de quando a sua forma de liderar trouxe inovação ou mudança positiva num contexto particularmente tradicional ou conservador?

Criámos um modelo onde a partilha de oportunidades entre consultores é incentivada, sem comprometer a responsabilidade de quem angaria. Esta abordagem permitiu aumentar a eficiência comercial e, simultaneamente, melhorar o ambiente interno.

Foi uma mudança estratégica que demonstrou que colaboração e resultados não são opostos — são complementares.

 

Quais as práticas concretas que tem implementado ou promovido para garantir que a diversidade de género e a inclusão sejam vividas, e não apenas discutidas nas organizações?

Na HMInvest, a inclusão é vivida na prática e nas decisões do dia a dia.

Mais do que políticas, valorizamos o mérito, a atitude e a capacidade de execução. Criamos espaço para que cada pessoa tenha autonomia, responsabilidade e voz.

A diversidade torna-se uma mais-valia quando existe uma cultura que a integra de forma natural — e é isso que procuramos consolidar.

 

Quais foram as maiores aprendizagens — pessoais e profissionais — que retirou de experiências onde a sua liderança foi testada ou desafiada?

Os momentos mais exigentes foram, sem dúvida, os mais transformadores.

Aprendi a decidir com clareza, mesmo quando não existe uma resposta perfeita. Aprendi a confiar na minha leitura das pessoas e dos contextos. E, sobretudo, aprendi que liderar implica assumir responsabilidade total — pelos resultados, pelas decisões e pelo impacto nas equipas.

A liderança constrói-se na prática e na consistência ao longo do tempo.

 

Na sua perspetiva, de que forma a sensibilidade — como valor de liderança — pode ser uma alavanca para a inovação e para a construção de ambientes mais resilientes e sustentáveis?

A sensibilidade é, muitas vezes, subvalorizada no contexto empresarial, mas na minha experiência tem sido uma das maiores alavancas de diferenciação.

Na HMInvest, essa capacidade de leitura — das pessoas, do mercado e do timing — permite-nos antecipar necessidades e adaptar estratégias com maior eficácia.

A inovação não surge apenas da disrupção, mas da compreensão profunda da realidade.

 

Liderar com propósito é um dos temas centrais do nosso editorial. Como define “propósito” no contexto da sua liderança e como ele guia as suas decisões estratégicas e relacionamentos?

O propósito, para mim, é um princípio orientador — não um conceito abstrato.

Na HMInvest, traduz-se na criação de valor real e consistente, tanto para clientes como para investidores. É esse alinhamento que orienta decisões estratégicas e define prioridades.

Quando existe clareza de propósito, existe também coerência — e essa coerência é o que sustenta o crescimento a longo prazo.

 

Que mensagem gostaria de deixar a outras mulheres — e a toda a comunidade profissional — que ambicionam liderar, mas sentem barreiras, inseguranças ou dúvidas sobre si mesmas?

A quem ambiciona liderar, diria que não espere validação externa para avançar.

A confiança constrói-se na ação e na experiência. O mais importante é começar, assumir responsabilidade e evoluir ao longo do caminho.

Hoje, há espaço para uma liderança mais consciente, mais estratégica e mais autêntica. E essa mudança começa em cada decisão individual.

 

O que considera essencial no modelo de liderança do futuro? Como imagina que a liderança feminina poderá continuar a influenciar positivamente as organizações nos próximos anos?

O futuro da liderança será cada vez mais exigente — mas também mais humano.

As organizações vão valorizar não apenas resultados, mas consistência, cultura e capacidade de adaptação. Na HMInvest, temos vindo a construir esse modelo: colaborativo, estruturado e orientado para o longo prazo.

A liderança feminina continuará a ter um papel relevante, não por diferenciação, mas por integrar competências que são hoje essenciais — visão, empatia e capacidade de equilibrar pessoas e performance.

“Liderar, para mim, é criar estrutura, gerar resultados e garantir que as pessoas crescem no processo.”

“Na HMInvest, acreditamos que os resultados são importantes — mas a forma como lá chegamos é ainda mais.”

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