“Sempre disse — e repito com o coração aberto — que esta empresa é o meu propósito de vida”

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No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, a Revista Pontos de Vista destaca o percurso inspirador de Cidália Ferreira, CEO do Grupo EOL Vision Premium, que celebra 29 anos de história no setor da ótica. Com quase três décadas dedicadas à saúde visual, Cidália partilha a sua visão sobre liderança feminina, propósito, inovação e o futuro das organizações. Mais do que gerir uma organização, Cidália Ferreira construiu uma cultura assente em valores, onde cada decisão estratégica reflete um compromisso claro: transformar a saúde visual numa experiência de confiança, excelência e impacto duradouro na vida das pessoas.

Cidália, com quase três décadas no setor da ótica e agora a celebrar os 29 anos de história do Grupo EOL Vision Premium, como vive este mês com tanto significado e qual é a importância de destacar a liderança feminina em setores tão técnicos como a saúde visual?

O mês de março tem sempre um simbolismo muito especial para mim, não só pelo Dia Internacional da Mulher, mas porque representa a força, a resiliência e a capacidade transformadora que tantas mulheres demonstram diariamente. Trabalhar há quase três décadas no setor da ótica, com 15 lojas reforça precisamente este sentimento, pois chegar aqui exigiu determinação, coragem e muita persistência.

Destacar a liderança feminina em setores técnicos como a saúde visual é fundamental. A diversidade traz riqueza às organizações, e as mulheres têm contribuído com uma visão profundamente humana, estratégica e sensível às necessidades reais das pessoas. Acredito que quando damos voz à liderança feminina, abrimos espaço para organizações mais equilibradas, inovadoras e capazes de cuidar verdadeiramente das comunidades que servem.

A liderança feminina em setores técnicos como a saúde visual é mais do que necessária — é transformadora. As mulheres trazem sensibilidade, visão estratégica e uma enorme capacidade de cuidar. E cuidar, no fundo, é o que sustenta a missão desta área.

 

Já disse que a sua empresa é “o seu propósito de vida”. Como é que esta ligação profunda à missão da empresa influencia o modo como lidera equipas, toma decisões estratégicas e enfrenta desafios de mercado?

Digo muitas vezes que a minha empresa é o meu propósito de vida, porque é assim que a sinto. Construí este projeto enquanto crescia como mulher, como profissional e como mãe. Essa ligação profunda influencia a maneira como lidero: com verdade, com paixão e com uma enorme responsabilidade.

Cada decisão estratégica é tomada com uma visão de longo prazo e com o compromisso de deixar um impacto positivo — nos colaboradores, nos clientes e no setor. Os desafios de mercado não me intimidam; pelo contrário, motivam-me. Quando acreditamos no propósito, encontramos sempre forças para avançar, inovar e transformar.

Sempre disse — e repito com o coração aberto — que esta empresa é o meu propósito de vida. Cresci com ela. Educou-me, desafiou-me, moldou-me. Enquanto mãe, mulher e líder, encontrei aqui um espaço onde pude juntar a força do trabalho à força do amor.

Essa ligação profunda reflete-se na forma como lidero: ouço com atenção, decido com consciência e enfrento desafios com coragem. Há dias difíceis, claro. Mas quando se lidera com propósito, o medo transforma-se em ação e a dúvida em estratégia.

O propósito dá-me direção. E dá-me força.

 

No setor da saúde visual, onde a relação com o cliente é muito próxima e pessoal, como a sua liderança fomenta uma cultura de empatia, cuidado e atenção ao bem-estar das pessoas?

A saúde visual é profundamente humana — envolve confiança, proximidade e atenção. Por isso, a minha liderança assenta na criação de uma cultura que valoriza o cuidado genuíno. Nesta perspetiva, incentivo as minhas equipas a escutar, a observar e a colocar o bem-estar do cliente sempre no centro.

Promovemos formação contínua não apenas técnica, mas também emocional: como acolher, como comunicar, como acompanhar cada pessoa desde o diagnóstico até à adaptação dos seus óculos. Cada cliente tem uma história, e nós fazemos parte dela. Essa consciência cria equipas mais empáticas, serviços mais completos e assegura a fidelização dos clientes.

A saúde visual é mais do que técnica — é emocional. Envolve confiança, vulnerabilidade e a capacidade de acolher o outro. A minha liderança procura criar uma cultura onde ninguém é tratado como “mais um cliente”, mas como alguém que confia a sua visão — e, por extensão, a sua vida — às nossas equipas.

Incentivo todos a olhar para cada pessoa com empatia genuína. A perguntar, a ouvir, a cuidar. A perceber que por detrás de cada consulta há sempre uma história, um medo, uma expetativa. E quando trabalhamos com o coração, o cliente sente. E volta e recomenda-nos., porque se lembra de como o fizemos sentir.

 

O Grupo EOL Vision Premium tem sido reconhecido pela aposta na inovação e na qualidade dos serviços e produtos. Pode partilhar um exemplo de como liderou uma transformação significativa que impactou tanto a organização como os clientes?

Um dos marcos mais significativos do Grupo EOL Vision Premium foi a integração de tecnologia avançada para elevar a qualidade da avaliação visual e criar experiências mais personalizadas.

Liderei essa transformação com uma visão clara: modernizar sem perder a essência humana. Introduzimos equipamentos de última geração, digitalizamos processos e tornámos as nossas lojas mais eficientes e sustentáveis. Os clientes sentiram imediatamente a diferença: mais rigor clínico, mais transparência e maior conforto no atendimento, princípios estes que integram a nossa visão de que “Todos têm direito a Ver Bem”.

Aos líderes emergentes deixo este conselho: nunca deixem que o ruído exterior abafe a vossa voz interior. É essa voz que vos guiará quando tudo à volta parecer turbulento.

 

Quais os maiores desafios que encontrou ao longo do seu percurso como mulher líder no setor ótico e quais as aprendizagens que considera mais valiosas para líderes emergentes hoje em dia?

Na área da liderança, enquanto mulher, enfrentei desafios que muitos preferem não mencionar: provar competência num setor tradicional, conciliar maternidade e carreira e lidar com expetativas muitas vezes diferentes das impostas aos homens. Mas cada obstáculo tornou-me ainda mais forte e com mais vontade de seguir em frente.

A maior aprendizagem que levo é simples: ninguém nos pode tirar aquilo que construímos com honestidade, trabalho e perseverança. Aos líderes emergentes, deixo este conselho: não tenham medo de ser firmes, de errar e de recomeçar. A liderança é um caminho, não um destino…

 

A educação sobre a importância da saúde visual é um elemento central no vosso trabalho. De que forma essa missão se traduz em práticas internas — quer no relacionamento com clientes, quer na formação das equipas?

A educação para a saúde visual é um pilar da nossa ação. Internamente, investimos na formação contínua das nossas equipas, promovendo conhecimento técnico atualizado e competências de aconselhamento.

Com os clientes, trabalhamos pedagogicamente para que cada visita seja informativa. Explicamos diagnósticos, aconselhamos hábitos saudáveis e alertamos para sinais de risco. Acreditamos que quando uma pessoa entende a importância da sua visão, cuida melhor dela — e esse impacto, para mim, é Missão Cumprida.

Externamente, dedicamo-nos a explicar, a orientar e a sensibilizar. Acreditamos que quando alguém compreende a importância de cuidar da visão, ganha autonomia sobre o seu próprio bem-estar. E essa autonomia é uma forma poderosa de transformar vidas.

 

A cultura empresarial positiva e a inclusão têm sido temas crescentes no mundo corporativo. De que forma promove estes valores no seu grupo e o que isso tem trazido de diferente para a organização?

No Grupo EOL Vision Premium, acreditamos que a diversidade gera criatividade, inovação e equilíbrio. Promovo ativamente uma cultura onde cada pessoa é valorizada pelo seu talento e pela sua autenticidade.

Esta abordagem tem transformado a organização: equipas mais motivadas, maior sentido de pertença e um ambiente de trabalho mais saudável. Quando os colaboradores se sentem respeitados e incluídos, dão o seu melhor — e o cliente sente isso. O impacto tem sido transformador: equipas unidas, colaboradores mais felizes e uma cultura forte, onde todos têm espaço para crescer. E quando as pessoas florescem, as organizações florescem com elas.

 

O setor da ótica está em constante evolução — desde tecnologia aplicada ao cuidado visual até à digitalização e personalização de serviços. Como imagina o futuro da liderança das organizações que cuidam de pessoas, tecnologia e sustentabilidade nesta área?

O futuro da ótica será marcado pela tecnologia, pela personalização e pela sustentabilidade. Antecipo um setor onde a Inteligência Artificial terá um papel fundamental no diagnóstico, na gestão de dados clínicos e na adaptação de soluções visuais.

As organizações terão de adotar uma liderança consciente — que cuida de pessoas, respeita o planeta e abraça a inovação com responsabilidade. E é precisamente esse caminho que estamos a fazer no Grupo EOL Vision Premium.

 

Que mensagem gostaria de deixar às mulheres que estão a construir a sua carreira em setores técnicos ou de saúde, mas que ainda enfrentam obstáculos ou dúvidas sobre si mesmas e sobre o seu papel enquanto líderes?

Às mulheres que enfrentam dúvidas ou obstáculos na carreira, deixo esta mensagem: nunca subestimem a vossa força. Ser mulher é sinónimo de resiliência. O mundo precisa da vossa voz, do vosso talento e da forma única como veem as coisas.

A liderança não é um título — é uma atitude. Começa quando acreditamos que somos capazes e continua quando decidimos não desistir.

Às mulheres que ainda duvidam de si, deixo esta mensagem: vocês têm tudo o que é preciso dentro de vocês. A força, a inteligência, a sensibilidade e a coragem. O mundo precisa das vossas ideias, da vossa voz e da vossa visão.

A liderança feminina não se impõe — inspira. E cada mulher que se eleva abre caminho para outras subirem também.

 

Se tivesse de resumir a sua forma de liderar em uma palavra ou valor, qual seria e porquê?

Resiliência. Porque tudo o que construí nasceu da capacidade de persistir, de me adaptar e de transformar desafios em oportunidades.

A resiliência é a minha força e a essência daquilo que quero transmitir à minha equipa e ao meu setor. Porque foi a resiliência que me permitiu continuar quando outros teriam parado. Que me ensinou que cair faz parte, mas levantar faz a diferença. Que me mostrou que a liderança nasce da coragem de persistir, mesmo quando a estrada se torna difícil. A minha liderança é feita de força, de fé e de muita verdade. ▪

 

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Revista Pontos de Vista Edição 149

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