“A produtividade de uma equipa é sempre o reflexo da arquitetura dos seus comportamentos”

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A produtividade das equipas vai muito além de estratégias e ferramentas — nasce, sobretudo, da forma como as pessoas pensam, comunicam e se comportam. Nesta entrevista à Revista Pontos de Vista, Rui Ferreira partilha o seu percurso, marcado por uma experiência profissional diversificada e mais de 18 anos na área de Recursos Humanos, e apresenta a sua visão sobre aquilo que realmente impulsiona os resultados nas organizações. Com uma abordagem centrada na “Arquitetura da Produtividade”, revela como o alinhamento entre comportamentos, confiança e clareza pode transformar equipas e desbloquear desempenho sustentável, especialmente num contexto empresarial cada vez mais exigente.

Para começar, quem é Rui Ferreira e como nasceu o seu interesse pela produtividade das equipas? Gostávamos de conhecer um pouco do seu percurso e do que o levou a trabalhar nesta área.

A minha história começa cedo, numa fase em que fui “obrigado” a trabalhar para conseguir gerar recursos para estudar. E talvez tenha sido aí que tudo começou.

Desde muito novo, que uma ideia me acompanha: como fazer mais com menos.

Passei por várias áreas, agricultura, montagem, obras, serviços, experiências que me deram não só ferramentas práticas, mas também uma enorme consciência da realidade do trabalho e das pessoas.

Mais tarde, já com licenciatura em Gestão, iniciei o meu percurso em Recursos Humanos numa multinacional do setor automóvel. Ao longo de mais de 18 anos, tive a oportunidade de trabalhar diretamente com equipas, desempenho, desenvolvimento e produtividade.

E foi ao longo desse percurso que fui percebendo algo que hoje é central no meu trabalho:
os resultados das organizações estão profundamente ligados à forma como as pessoas pensam, comunicam e se comportam.

Afirma que muitos desafios nas empresas não estão apenas na estratégia, mas nos comportamentos e dinâmicas das equipas. Quando começou a perceber isso?

Principalmente nos momentos mais desafiantes.

Foi em contextos de crise que comecei a observar padrões muito claros: comunicação paralela, conflitos entre equipas, desalinhamentos e acima de tudo, falta de confiança. Situações que, muitas vezes, não são visíveis à primeira vista… mas que têm um impacto direto na produtividade.

Porque a verdade é esta:

Podemos ter a melhor estratégia, o melhor plano, os melhores recursos… mas se os comportamentos não estiverem alinhados, dificilmente vamos chegar ao resultado. Costumo dizer que é como construir uma linha de alta velocidade… e depois perceber que o comboio não foi preparado para a viagem.

Outro ponto crítico é a comunicação. Muitas vezes pensamos que comunicar é apenas falar ou escrever, mas na realidade vai muito além disso, porque o corpo também comunica quando está em silêncio!
Sem confiança e segurança psicológica, não existe comunicação eficaz e sem comunicação, não há desempenho sustentável.

Muitas empresas tentam resolver problemas de produtividade apenas com processos e ferramentas. O que normalmente fica por resolver?

Fica por resolver o mais importante: o comportamento humano.

A parte técnica é fundamental, mas depende sempre de uma atitude para ser bem aplicada. E há uma realidade que vejo repetidamente nas organizações: contrata-se pela técnica… e demite-se pelo comportamento.

Podemos ter excelentes processos e ferramentas, mas quem os executa são pessoas. E se essas pessoas não tiverem os comportamentos adequados, os resultados não aparecem.

Aprender técnica é possível, muitas vezes até com rapidez.

Desenvolver comportamentos consistentes como foco, responsabilidade, comunicação é mais exigente, mas é aí que está a verdadeira diferença.

 

O seu trabalho passa por alinhar comportamentos com resultados. O que significa isso na prática?

Significa começar pelo fim.

Ou seja, perceber com clareza qual é o resultado que queremos atingir e a partir daí, identificar que comportamentos são necessários para lá chegar.

Depois, olhar para as pessoas e perceber:

  • Se já têm esses comportamentos;
  • Em que nível estão;
  • E o que precisa de ser desenvolvido.

Na prática, podemos ter diferentes cenários, desde pessoas já alinhadas até situações onde é necessário desenvolver ou até reavaliar o enquadramento.

O objetivo é garantir que cada pessoa tem as “ferramentas comportamentais” necessárias para desempenhar bem a sua função e contribuir para os resultados.

 

Trabalha com líderes, equipas e PME ‘s. Que desafios são mais típicos nestas organizações?

Nas PME ‘s existe uma realidade muito própria: poucas pessoas com muitas funções e relações muito próximas.

Isto tem vantagens, mas também traz desafios importantes:

  • Falta de clareza de papéis;
  • Mistura entre relação pessoal e profissional;
  • Liderança pouco estruturada;
  • Dificuldade em criar autonomia nas equipas.

Muitas vezes o líder acumula o papel técnico com o papel de liderança, sem uma separação clara. E isso gera confusão, desgaste e bloqueios.

Quando não há clareza sobre o que cada um deve fazer e com que objetivo, a equipa dispersa e a produtividade ressente-se.

 

No seu trabalho combina coaching executivo, formação em liderança, psicologia positiva e mapeamento comportamental com LEGO. Como se complementam?

Tudo depende do objetivo e da realidade da organização.

O coaching executivo, ajuda a trazer clareza e desenvolvimento ao líder. A formação atua nas lacunas do líder e das equipas.

A psicologia positiva trabalha as forças internas, o potencial das pessoas, assim como o seu bem-estar produtivo.

E o mapeamento comportamental permite conhecer com maior profundidade como cada pessoa funciona, como é vista pelos seus pares e o que mais a motiva.

A abordagem LEGO® Serious Play® é uma metodologia de facilitação que utiliza peças LEGO para tornar visível aquilo que muitas vezes é abstrato, facilitando a consciencialização e a tomada de decisão.

No fundo, estas abordagens complementam-se com um objetivo comum: criar mais clareza, alinhar comportamentos e melhorar resultados.

 

Criou a “Arquitetura da Produtividade”. O que significa este conceito?

A Arquitetura da Produtividade é um modelo que integra as várias engrenagens que influenciam os resultados de uma organização.

Falamos de fatores como:

  • Clareza;
  • Comportamentos;
  • Confiança;
  • Responsabilidade;
  • Estratégia.

Todos estão interligados e influenciam-se mutuamente.

A produtividade não depende de um único fator, depende da forma como estas engrenagens funcionam em conjunto.

 

E o Método MAPA da Produtividade?

Pode explicar-nos, de forma simples, em que consiste e como ajuda as equipas a desbloquear resultados?

O Método MAPA é a forma prática de trabalhar as engrenagens da arquitetura da produtividade. MAPA significa:

  • Mapear;
  • Alinhar;
  • Potenciar;
  • Acelerar.

Mais do que um método, o MAPA é um processo estruturado que permite às organizações e equipas evoluírem ao nível certo, aquele que realmente sustenta o desempenho sustentável.

Porque no final, não é a estratégia que falha… é a falta de alinhamento e capacidade para a executar.

 

Fala de “dinâmicas invisíveis” nas equipas. Que exemplos costuma encontrar?

São todas aquelas dinâmicas que não são visíveis… mas que influenciam tudo.

Por exemplo:

  • Acordos silenciosos;
  • Conflitos não assumidos;
  • Jogos de poder;
  • Lealdades ocultas;
  • Perceções que nunca são verbalizadas.

Criam muitas vezes uma “paz aparente”, mas que na realidade está contaminada. E isso tem impacto direto no clima, na confiança e naturalmente, na produtividade.

 

O objetivo do seu trabalho é aumentar produtividade, melhorar decisões e promover bem-estar organizacional. Como se relacionam entre si?

Estão totalmente interligados.

Sabemos hoje que colaboradores mais felizes são também mais produtivos, vários estudos apontam para aumentos significativos.

Mas isto não acontece por acaso.

Acontece quando:

  • As pessoas estão nas funções certas;
  • Existe alinhamento entre função e perfil;
  • Há impacto;
  • Há ligação ao propósito.
  • Isto gera mais envolvimento, mais energia, melhores decisões e melhores resultados.

É uma relação que todos beneficiam, organização e pessoas.

 

Qual o erro mais comum que líderes cometem ao tentar melhorar a produtividade?

O erro mais comum é tentar aumentar a produtividade através de pressão e do controlo.

Na prática, isso traduz-se em líderes que tentam fazer tudo sozinhos, mergulhados nos sistemas, focados na operação…e acabam por ver apenas a parte, perdendo a visão do todo. O resultado?

Uma visão redutora que raramente resolve o problema… e muitas vezes até o agrava.

Porque a produtividade não se impõe.  Constrói-se. E constrói-se com clareza, alinhamento e direção. Muitas vezes, é precisamente uma visão externa que permite trazer:

  • Clareza sobre o que realmente está a acontecer;
  • Foco no que importa;
  • Método para fazer mais com menos, com consistência e progresso.
  • No fundo, a produtividade é o reflexo do alinhamento entre:
  • Competências;
  • Comportamentos;
  • Dinâmicas de equipa;
  • Ambiente.

Quando este alinhamento não existe, aumentar a pressão só gera mais resistência, mais desgaste… e menos resultados. Porque, no final do dia, não estamos a gerir apenas processos.  Estamos a liderar pessoas.

Se tivesse de deixar uma ideia simples para quem lidera equipas hoje, qual seria?

Se quer melhorar resultados, comece por melhorar as conversas. Crie um ambiente onde as pessoas se sintam seguras para falar, questionar e contribuir.

É aí que começam as mudanças reais dentro de uma equipa.

 

A sua frase-chave diz que “a produtividade de uma equipa é sempre o reflexo da arquitetura dos seus comportamentos.” Como podem os líderes começar a redesenhar essa “arquitetura” comportamental?

Antes de mais, desenvolvendo-se e sendo exemplo. Depois:

  • Definir com clareza os comportamentos desejados;
  • Comunicar de forma consistente;
  • Acompanhar e desenvolver outros líderes e as equipas.

Uma abordagem prática é escolher dois comportamentos e trabalhar neles durante três meses, com foco e consistência. A mudança comportamental constrói-se passo a passo.

 

Para terminar: o que podem os leitores esperar desta parceria ao longo de 2026?

Podem esperar partilha prática, baseada em experiências reais. Vou trazer temas como:

  • Gestão de conflitos;
  • Desafios de liderança;
  • Bloqueios à produtividade;
  • Entre outros.

Sempre com uma lógica simples: Ajudar líderes e equipas a desbloquear resultados através dos comportamentos.

Se quiserem ir mais longe, convido-os a acompanharem os próximos conteúdos e a explorarem os recursos que preparei. Convido-os a conetarem-se ao meu perfil de LinkedIn, onde partilho regularmente conteúdos sobre estes temas. Boas leituras e muitos progressos!

Saudações positivas!

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Revista Digital

Revista Pontos de Vista Edição 150

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