O setor financeiro atravessa uma das fases mais desafiantes e decisivas da sua história. É neste cenário que o papel do intermediário de crédito ganha uma relevância acrescida, assumindo-se como um elo fundamental entre instituições financeiras e clientes, promovendo não só o acesso a soluções mais ajustadas, mas também uma maior literacia financeira e confiança no sistema. Nesta entrevista à Revista Pontos de Vista,
Tiago Pereira, Intermediário de Crédito na G&C – Noble Finance, partilha a sua visão sobre os desafios atuais do setor, a importância da proximidade humana numa era digital e o contributo destes profissionais para uma banca mais transparente, sustentável e orientada para o futuro.
O setor financeiro atravessa um período de transformação profunda. Como interpreta este momento e quais considera serem os principais desafios para os próximos anos?
O setor financeiro vive um momento de transformação profunda, impulsionado por fatores económicos, tecnológicos e sociais que estão a redefinir a relação entre a banca e os consumidores.
Hoje, as famílias estão mais cautelosas, sobretudo no acesso à habitação própria, fruto da instabilidade global, da evolução das taxas de juro e dos elevados preços do imobiliário em Portugal. Isto exige de nós, profissionais do setor, um elevado sentido de responsabilidade, assente na transparência, na gestão de expetativas e na apresentação de soluções ajustadas a cada realidade.
A digitalização da banca será outro desafio central. A tecnologia veio simplificar processos e melhorar a experiência do cliente, mas não substitui a componente humana em decisões financeiras relevantes. O futuro do setor passará, na minha perspetiva, pelo equilíbrio entre inovação tecnológica e proximidade humana.
Francisca Guedes de Oliveira, Administradora do Banco de Portugal, tem sublinhado a necessidade de uma banca que saiba “adaptar, inovar e liderar”. De que forma esta visão se reflete no seu dia a dia profissional?
Esta visão reflete-se diariamente no contato com perfis muito distintos de clientes e na constante evolução do próprio setor.
A adaptação começa na capacidade de ajustar soluções às necessidades concretas de cada pessoa. Um jovem à procura da primeira habitação tem preocupações muito diferentes de um investidor que procura estruturar financiamento para um ativo imobiliário, o que exige uma abordagem flexível, personalizada e permanentemente atualizada face às mudanças do mercado e do enquadramento regulamentar.
A inovação está cada vez mais presente através da digitalização dos processos, do recurso a simuladores e de ferramentas remotas que tornam a experiência do cliente mais rápida, cómoda e informada.
Ainda assim, acredito que a tecnologia deve complementar, e nunca substituir, o acompanhamento humano. Muitas vezes, os clientes chegam já com alguma informação recolhida online, mas sem a confiança necessária para a interpretar corretamente. É precisamente aqui que o nosso papel se torna diferenciador.
Quanto à liderança, vejo-a como a responsabilidade de contribuir para um setor mais transparente, próximo e orientado para decisões sustentáveis.
Qual é, na sua perspetiva, o papel do intermediário de crédito na aproximação entre o sistema financeiro e os consumidores?
O papel do intermediário de crédito é, acima de tudo, o de servir como ponte de confiança entre o sistema financeiro e os consumidores.
Num setor marcado por processos técnicos, linguagem complexa e forte componente regulamentar, o nosso trabalho passa por traduzir essa realidade de forma clara, acessível e ajustada a cada cliente, defendendo sempre os seus interesses.
Mais do que apresentar soluções financeiras, acompanhamos pessoas e famílias em decisões com impacto profundo nos seus projetos de vida, ajudando a gerir expetativas, esclarecer dúvidas e reduzir a burocracia associada ao processo.
Na G&C – Noble Finance, este acompanhamento é reforçado por um forte trabalho de equipa, onde analisamos diferentes cenários e estratégias para garantir a solução mais adequada a cada caso.
Acredito que o verdadeiro valor do intermediário de crédito está precisamente na combinação entre conhecimento técnico, proximidade humana e compromisso com o melhor interesse do cliente, contribuindo para humanizar o sistema financeiro.
A literacia financeira e a proteção do consumidor bancário são hoje temas centrais. Como contribuem os profissionais do setor para garantir decisões informadas e sustentáveis?
Acredito que estas duas dimensões caminham lado a lado. Melhorar a literacia financeira é, em si, uma forma de proteger o consumidor.
Grande parte das decisões menos sustentáveis nascem da falta de informação, de expetativas irreais sobre o financiamento ou da ausência de planeamento financeiro prévio. O nosso papel passa precisamente por educar, esclarecer e ajudar cada cliente a compreender o impacto real das suas decisões.
Na G&C – Noble Finance, trabalhamos muito esta componente pedagógica, através do acompanhamento direto ao cliente, da apresentação de diferentes cenários e também da partilha regular de conteúdos no blog do nosso website.
A proteção do consumidor começa, para nós, muito antes da aprovação do crédito. Passa por analisar a realidade financeira da família, a sua taxa de esforço, objetivos futuros e capacidade de acomodar diferentes cenários de mercado.
E há momentos em que a melhor recomendação é, simplesmente, não avançar de imediato. Quando entendemos que a operação não é sustentável a curto ou médio prazo, preferimos aconselhar o cliente a reorganizar a sua situação financeira e adiar a decisão.
Acredito que o verdadeiro valor do nosso trabalho está em ajudar famílias a tomar decisões conscientes, sustentáveis e alinhadas com os seus projetos de vida.
Como vê os temas da sustentabilidade e da igualdade a impactar a evolução do setor financeiro?
Vejo ambos os temas como pilares cada vez mais relevantes na evolução do setor financeiro.
Do ponto de vista da igualdade, continua a ser essencial garantir que todas as pessoas tenham acesso a informação clara, aconselhamento de qualidade e soluções ajustadas à sua realidade. Democratizar o acesso à informação e ao crédito é fundamental para um setor mais justo e sustentável.
Na G&C – Noble Finance, procuramos refletir esse princípio no acompanhamento diário aos clientes, assegurando que cada pessoa recebe uma explicação clara, uma solução personalizada e o mesmo nível de proximidade.
Ao nível da sustentabilidade, vejo uma crescente procura por parte de investidores na aquisição e reabilitação de imóveis antigos, com o objetivo de os reintroduzir no mercado com melhores padrões de eficiência energética e maior valorização patrimonial.
Acredito que o futuro do setor passará cada vez mais por decisões financeiramente sólidas, sustentáveis e acessíveis.
Ao longo do seu percurso profissional, que obstáculos encontrou e que conquistas mais valoriza?
Encaro o meu percurso neste setor como uma construção contínua assente na confiança, na consistência e no trabalho de equipa.
Um dos maiores desafios no início foi, sem dúvida, construir credibilidade junto de clientes, parceiros e investidores, num setor onde as decisões têm impacto significativo e exigem elevado rigor técnico e humano.
Outro desafio importante foi consolidar uma rede sólida de contatos e parceiros. Hoje, uma parte muito significativa dos clientes que chegam até mim e à G&C – Noble Finance surge por via de referenciações, o que considero uma das maiores validações do trabalho desenvolvido.
Valorizo igualmente muito o facto de fazer parte do crescimento da G&C – Noble Finance e da consolidação de uma marca assente em proximidade, rigor e espírito de equipa.
Para mim, a maior conquista está em contribuir diariamente para ajudar famílias e investidores a concretizar projetos de vida e investimento.
Que competências considera essenciais e que mensagem deixaria a quem pretende construir carreira na área financeira?
Acredito que os profissionais do futuro devem reunir um equilíbrio sólido entre competências técnicas e, acima de tudo, valores humanos.
A empatia, a capacidade de comunicação, a ética e a transparência são, para mim, pilares absolutamente essenciais. Estamos a lidar diariamente com decisões que impactam diretamente a vida e os projetos de futuro das pessoas, pelo que saber ouvir, compreender e comunicar de forma clara é tão importante como o conhecimento técnico.
Naturalmente, a capacidade analítica, a atualização constante e a adaptação às novas ferramentas digitais serão também determinantes num setor em permanente evolução.
No entanto, a minha principal mensagem para quem pretende entrar nesta área é simples: entrem pelos valores e não apenas pelo retorno financeiro.
Na G&C – Noble Finance acreditamos muito na formação, no acompanhamento e na criação de profissionais diferenciados, preparados não só tecnicamente, mas também na forma como se relacionam com clientes, parceiros e mercado.
A reputação constrói-se com tempo, consistência e integridade. O verdadeiro crescimento profissional será sempre consequência da credibilidade, dos valores e da forma como comunicam com as pessoas.
Olhando para o futuro, como imagina o papel do intermediário de crédito numa banca cada vez mais digital e automatizada e em que três palavras resumiria essa evolução?
Vejo o futuro do intermediário de crédito como ainda mais relevante numa banca cada vez mais digital e automatizada.
A tecnologia continuará a simplificar processos, acelerar análises e melhorar a experiência do cliente. No entanto, acredito que esta evolução não reduz a importância do fator humano — pelo contrário, reforça-o.
O papel do intermediário será, cada vez mais, o de construir pontes entre a inovação da banca e a realidade concreta de cada família ou investidor, transformando informação complexa em decisões claras e seguras.
Se tivesse de resumir esta evolução em três palavras, escolheria: Confiança. Inovação. Proximidade.
O futuro será construído no equilíbrio entre estas três dimensões, com o intermediário de crédito a assumir um papel central nessa ligação entre tecnologia, estratégia e proximidade humana. ▪


