O Futuro do Setor Financeiro: Decisão, Contexto e Responsabilidade

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António Rodrigues Queiroz, da Digibloom – Intermediação de Crédito, Lda, afirma que o setor financeiro enfrenta hoje volatilidade e incerteza, onde decidir bem deixou de ser diferencial: tornou-se essencial. Para ele, o intermediário de crédito não é apenas um facilitador: é tradutor de risco, estratega e curador de soluções. Adaptar-se a cada cliente, inovar integrando serviços e liderar antecipando cenários são os pilares da sua atuação. No futuro, mesmo numa banca cada vez mais digital, a chave será clareza, integração e responsabilidade: não mais produtos, mas melhores decisões. Saiba mais na sua Revista Pontos de Vista!

O setor financeiro atravessa um período de transformação profunda. Como interpreta este momento e quais considera serem os principais desafios para os próximos anos?

O setor financeiro atravessa uma transformação estrutural — não apenas tecnológica, mas também impulsionada por um contexto macroeconómico cada vez mais instável. As recentes tensões geopolíticas, nomeadamente envolvendo países do Médio Oriente, vieram reforçar três fatores críticos: – pressão inflacionista (sobretudo energética) – volatilidade das taxas de juro – aumento da perceção de risco O cliente deixou de aceitar decisões padronizadas. Hoje exige clareza, rapidez e contexto. O maior desafio dos próximos anos não será a tecnologia. Será a capacidade de transformar incerteza em decisões sustentáveis. Num mundo mais volátil, decidir bem deixou de ser uma vantagem. É uma necessidade!

 

Francisca Guedes de Oliveira, Administradora do Banco de Portugal tem sublinhado a necessidade de uma banca que saiba “adaptar, inovar e liderar”. De que forma esta visão se reflete no seu dia a dia profissional?

Adaptar, inovar e liderar são também os nossos pilares estratégicos, concordando em absoluto com a estimada Dra. Francisca Guedes de Oliveira. Adaptar, inovar e liderar traduz-se numa disciplina diária: – Adaptar: pois cada cliente é único – Inovar: integrar crédito, imobiliário e seguros tendo assim o cliente um único ponto de contato estratégico. – Liderar: orientar decisões, não apenas executar processos. Num contexto instável, liderar é antecipar — não reagir!

Qual é, na sua perspetiva, o papel do intermediário de crédito na aproximação entre o sistema financeiro e os consumidores?

O intermediário de crédito deixou de ser um facilitador. É hoje um tradutor de risco, facilitador de estratégia e oportunidade. Num sistema mais complexo e volátil, o seu papel é simplificar, comparar com rigor e proteger o cliente de decisões frágeis.

 

A literacia financeira continua a ser um desafio em Portugal. Que contributos concretos podem dar os profissionais do setor para melhorar este cenário?

A literacia financeira resolve-se com decisões acompanhadas e compreendidas. Num contexto de maior incerteza, é necessário contextualizar e demonstrar consequências reais.

 

A proteção do consumidor bancário é hoje um tema central. Como garante que os seus clientes tomam decisões informadas e sustentáveis?

A verdadeira proteção está na qualidade da decisão antes da assinatura. Implica análise de risco real, simulação de cenários adversos e alinhamento com o ciclo de vida do cliente.

 

O setor financeiro tem vindo a evoluir também no domínio da sustentabilidade.
Como vê este tema a impactar o trabalho dos intermediários de crédito?

A sustentabilidade passou a ser financeiramente relevante, refletindo-se nas condições de financiamento, avaliação de risco e valorização de ativos.

 

Que mudanças considera essenciais para promover uma maior igualdade no setor?

A igualdade exige ação concreta: acesso real a oportunidades, valorização da competência e eliminação de vieses invisíveis.

 

Enquanto líder no setor financeiro, que obstáculos encontrou e que conquistas mais valoriza ao longo do seu percurso?

O maior obstáculo é, e será, contrariar a fragmentação do setor. A maior conquista é ver decisões mais conscientes com impacto real.

 

Que competências considera fundamentais para uma nova geração de profissionais financeiros?

O futuro pertence a quem sabe interpretar contexto, comunicar com clareza, integrar variáveis e adaptar-se rapidamente.

 

Que mensagem gostaria de deixar a quem pretende construir carreira na área financeira?

Não entrem para vender… Entrem para orientar decisões! O sucesso está na confiança.

 

Olhando para o futuro, como imagina o papel do intermediário de crédito numa banca cada vez mais digital e automatizada?

A tecnologia não substitui interpretação, contexto e decisão estratégica. O intermediário será um curador de soluções e estratega financeiro.

 

Se tivesse de resumir em três palavras o futuro do setor financeiro, quais escolheria?

Clareza. Integração. Responsabilidade. O setor financeiro não precisa de mais produtos. Precisa de melhores decisões. Digibloom Inteligência antes da decisão.

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