“O angolano já nasce com o sorriso pronto, mas sabemos que o turismo moderno exige um padrão de excelência mundial”

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Num momento em que Angola reforça a sua afirmação no panorama internacional, o turismo surge como um dos pilares estratégicos para a promoção da marca país, captação de investimento e diversificação económica. À frente desta visão está Allícia Santos, Diretora Geral do Instituto de Fomento Turístico de Angola (INFOTUR) que lidera uma nova narrativa para o setor através da campanha Visit Angola – The Rhythm of Life. Em entrevista à Revista Pontos de Vista, partilha a ambição de posicionar Angola como um destino autêntico, competitivo e inesquecível no mapa global do turismo.

A promoção internacional da marca Visit Angola – The Rhythm of Life representa uma nova fase. Que visão sustenta esta campanha?

O Visit Angola nasce no âmbito do nosso programa estratégico Comunica Turismo, iniciativa que define uma nova forma de apresentar Angola ao mundo e que se traduz no conceito The Rhythm of Life. Trata-se do nosso novo cartão de visita internacional, pensado para reposicionar o país através de uma narrativa moderna, inspiradora e alinhada com o potencial turístico nacional.

Queremos mudar perceções. Durante muito tempo, Angola foi reconhecida sobretudo pelos seus recursos minerais ou pelo seu peso político e económico na região. Hoje, queremos que o mundo descubra o nosso rosto mais inspirador: o do turismo, das experiências, da cultura vibrante e da hospitalidade genuína. The Rhythm of Life é um convite para sentir a pulsação de Angola. Representa a energia do nosso povo, a riqueza da nossa diversidade e a autenticidade que nos distingue. Queremos que Angola seja vista como um destino moderno, seguro e profundamente marcante. Mais do que receber visitantes, queremos proporcionar experiências transformadoras. Não pretendemos apenas que nos visitem, mas que reconheçam Angola como um destino incontornável para a criação de memórias verdadeiramente inesquecíveis.

 

Como o conceito “The Rhythm of Life” traduz a identidade de Angola?

Este conceito é como se um presente que traduz a nossa essência resumida em três palavras. O ritmo em Angola não está só no Semba ou no Kuduro que se ouve nas ruas de Luanda; está no barulho das Quedas de Kalandula, no silêncio do Deserto do Namibe e no movimento das ondas do nosso Atlântico.

Mas o “ritmo” mais forte é o do coração dos angolanos. Temos uma hospitalidade que não se aprende em manuais; é nata, é generosa. Num mundo de destinos “fabricados”, nós oferecemos o real, quem nós somos.

 

Quais os mercados prioritários e o que nos diferencia de outros destinos africanos?

Estamos a acompanhar com grande atenção os principais mercados emissores com elevada capacidade de consumo turístico e maior propensão para viagens de valor acrescentado. Observamos, por exemplo, que turistas provenientes de países como Alemanha, Áustria e Suíça apresentam caraterísticas particularmente interessantes para o destino Angola. São viajantes que tendem a permanecer por períodos mais longos, possuem maior capacidade de investimento nas suas férias e valorizam destinos autênticos, exclusivos e ainda pouco explorados.

Ao mesmo tempo, mantemos um foco estratégico em mercados de grande relevância, como o Reino Unido, os Estados Unidos e os nossos vizinhos da região da SADC, que representam oportunidades importantes tanto no segmento de lazer como no turismo de negócios e de proximidade.

O grande trunfo de Angola é aquilo a que chamamos o “luxo da descoberta”.

Muitos destinos africanos já atingiram níveis elevados de maturidade e saturação turística. Angola, por outro lado, continua a ser um dos segredos mais bem guardados do continente. Oferecemos ao visitante uma sensação cada vez mais rara no mundo atual: a possibilidade de ser um dos primeiros a descobrir paisagens quase intocadas, experiências genuínas e uma cultura que se manteve fiel às suas raízes.

 

Como vê o turismo como ferramenta diplomática e económica?

Um turista feliz é o melhor embaixador que um país pode ter; ele volta para casa e conta a verdade sobre nós. Economicamente, é uma ferramenta de reputação. Quando as pessoas começam a vir para passar férias, os investidores começam a vir para fazer negócios. O turismo limpa lentes embaciadas e mostra esta nova Angola que estamos a promover, cheia de oportunidades!

 

Que investimentos estão a ser feitos em infraestruturas e conetividade?

Não se faz turismo sem conforto, acessibilidade e conetividade. O novo Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto representa, sem dúvida, o nosso grande game changer; é a principal porta que abrimos ao mundo e um marco estratégico para a competitividade de Angola enquanto destino turístico.

Contudo, sabemos que o trabalho não termina no desembarque. Por isso, temos vindo a estruturar todo o ecossistema de investimento e desenvolvimento do setor. O guia Tourism Doing Business – Investing in Angola, lançado na ITB Berlim, apresenta de forma clara o ambiente de negócios e as oportunidades existentes no país, reforçando a confiança dos investidores. Este instrumento destaca os master plan em curso, as parcerias público-privadas, os projetos bancáveis e os polos de desenvolvimento devidamente identificados para expansão turística.

Porque o turista contemporâneo procura autenticidade e natureza, mas exige também conveniência. Quer estar no meio da savana, viver uma experiência única, e ao mesmo tempo poder partilhá-la instantaneamente com o mundo.

 

Que incentivos existem para atrair o investimento privado?

A mensagem para os investidores é clara: Angola está aberta ao investimento e reúne condições muito promissoras para o desenvolvimento do setor turístico.

Estamos a trabalhar ativamente na melhoria do ambiente de negócios, tornando os processos mais céleres, previsíveis e atrativos para quem pretende investir no país.

Prova disso é o Simplifica Turismo, um conjunto de medidas orientadas para a desburocratização administrativa, a facilitação de licenças e a modernização dos procedimentos ligados ao setor. Paralelamente, estamos a impulsionar parcerias público-privadas e a criar condições para projetos de elevada qualidade, desde resorts costeiros a lodges de luxo no interior do país.

No âmbito do programa Planifica Turismo, encontram-se identificadas oportunidades concretas, zonas prioritárias de investimento, linhas estratégicas de expansão e projetos estruturantes para diferentes segmentos do mercado.

Quem investe em Angola neste momento não está apenas a abrir um negócio; está a participar ativamente na construção de um novo setor económico com enorme potencial de crescimento. E, naturalmente, quem chega primeiro terá uma posição estratégica e vantagens competitivas relevantes.

Como estão a trabalhar a qualidade do serviço e da hospitalidade?

O angolano já nasce com o sorriso pronto, mas sabemos que o turismo moderno exige um padrão de excelência mundial. É por isso que investimos no Capacita Turismo, o nosso programa estratégico para elevar o serviço ao nível das nossas paisagens. Queremos o domínio das línguas, a perfeição na técnica hoteleira e o cuidado com cada detalhe, garantindo uma hospitalidade impecável na execução, mas profundamente angolana no sentimento.

 

O turismo pode ser mesmo o motor da diversificação económica?

Sem dúvida. O turismo é “contagioso” no bom sentido. Quando falamos de valor no Turismo não é só sobre os hotéis e restaurantes, é toda estrutura por detrás, a chegada de um turista faz o agricultor vender mais verduras, o pescador vender mais peixe, o artesão mostrar a sua arte e o jovem guia conseguir o seu primeiro emprego. É uma cadeia de valor que chega onde outras indústrias não chegam. Para diversificar Angola, o turismo é a nossa peça-chave.

 

O E1 Luanda GP 2026 é um evento de grande visibilidade. Qual o impacto esperado?

É um momento histórico! O E1 coloca Luanda no radar de uma audiência global que valoriza a inovação e a sustentabilidade. Esta é a oportunidade perfeita para demonstrar a nossa capacidade logística na organização de grandes eventos, reforçando a nossa estratégia de turismo de negócios e assinalando o lançamento oficial do Angola Convention Bureau. É, acima de tudo, uma afirmação de competência e modernidade perante o mundo.

 

Que legado pretende deixar com este evento?

Não queremos um evento de dois dias que depois desaparece. Queremos um legado de conhecimento. Queremos capacitar as nossas equipas, mover toda esta indústria de eventos, dinamizar os nossos desportos náuticos e mostrar que Luanda pode ser a capital africana de grandes conferências e competições. O legado é a confiança: “Se fizemos isto, podemos fazer muito mais”.

 

Como eventos deste tipo atraem marcas e investidores?

Os grandes eventos são provas de esforço bem-sucedidas. Quando uma marca internacional vê que Angola organiza um GP com sucesso, ela sente-se segura para investir aqui, para promover aqui. Eventos reduzem o risco percebido e aceleram a nossa reputação global.

 

Como Angola pode unir desporto, tecnologia e sustentabilidade?

Temos um potencial incrível para sermos um “laboratório vivo”. Com a nossa costa extensa e a nossa juventude conetada, podemos liderar no turismo ativo e em projetos de mobilidade limpa. Queremos unir a natureza intocada com o que há de mais moderno na tecnologia.

 

Que atributos únicos Angola oferece ao viajante contemporâneo?

Angola oferece o que o dinheiro hoje tem dificuldade em comprar: a realidade. É o almoço com o pé na areia no Mussulo, é o pôr do sol místico no Miradouro da Lua, é a energia de uma Luanda que nunca dorme e a paz de um deserto imenso, o rubrar das águas das Quedas de Kalandula. É um destino para quem quer sentir-se vivo.

 

Como garantir que este crescimento seja sustentável?

Não queremos um turismo que destrua o que temos de melhor. Crescer com responsabilidade é a nossa prioridade. Isso significa proteger o ambiente, mas também garantir que as comunidades locais beneficiem diretamente do turismo. O turista moderno valoriza a conservação, e nós também.

 

Quais as metas para 2030?

Até 2030, queremos que Angola seja uma escolha óbvia no roteiro africano. Queremos hotéis cheios, parques naturais preservados e, acima de tudo, que o turismo seja uma fonte de orgulho e rendimento para milhares de angolanos. Queremos uma marca Angola forte e respeitada em todo o mundo.

 

Que mensagem deixa a quem ainda não descobriu Angola?

Não espere mais. Angola está a viver um momento vibrante de transformação. Para o investidor, o momento é de oportunidade; para o viajante, o momento é de descoberta. Venham sentir o nosso ritmo. Angola não se explica, sente-se. E garanto-vos: depois de sentirem Angola, vão querer sempre voltar.

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Revista Pontos de Vista Edição 150

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