Açores Um Destino que Transforma Pessoas e Inspira Novas Perspetivas

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Mais do que um destino turístico de excelência, os Açores afirmam-se cada vez mais como um território de bem-estar, desenvolvimento humano e transformação pessoal. Nesta entrevista à Revista Pontos de Vista, Goreti Freitas, CEO da Best Advisors – Azorean Coaching, Consulting & Training & Gerente da Azores Five Project – Serviços Turísticos partilha a sua visão sobre o potencial da Região para se posicionar internacionalmente como um destino de equilíbrio emocional, liderança consciente e qualidade de vida.

 

Os Açores são frequentemente associados à natureza e tranquilidade. Na sua perspetiva, podem também afirmar-se como um destino internacional de bem-estar emocional e transformação pessoal?

Mais do que um destino de natureza e tranquilidade, os Açores reúnem condições únicas para se afirmarem como um território de bem-estar emocional e transformação pessoal. Num mundo cada vez mais acelerado e exigente, as pessoas procuram muito mais do que paisagens bonitas: procuram equilíbrio, significado e reconexão consigo próprias.

As nove ilhas oferecem uma combinação rara de autenticidade, proximidade humana, ligação ao oceano, silêncio e contato profundo com a natureza. Não se trata de criar uma nova tendência, mas de valorizar algo que já faz parte da identidade açoriana.

Acredito que os Açores têm condições para liderar um posicionamento diferenciador à escala internacional: evoluir do turismo de contemplação para o turismo de transformação. Quem chega aos Açores não vem apenas observar o que está à sua volta; vem reencontrar-se.

Ao celebrar 50 anos de Autonomia, a Região pode ambicionar um novo salto estratégico: afirmar-se não apenas como um destino turístico de excelência, mas como um arquipélago reconhecido pelo bem-estar emocional, pela regeneração humana e pela capacidade de transformar vidas.

 

O conceito de “reset mental” tem ganho cada vez mais relevância numa sociedade marcada pelo excesso de pressão, velocidade e desgaste emocional. O que torna os Açores um território particularmente diferenciador para esse reencontro interior?

Numa época em que estamos permanentemente ligados ao mundo, mas cada vez mais desligados de nós próprios, os Açores oferecem algo raro: espaço para voltar a ouvir o essencial.

A sua localização no meio do Atlântico funciona como um refúgio natural onde o ruído do mundo perde intensidade. O oceano, as lagoas, os trilhos e o silêncio criam condições únicas para recuperar clareza, energia e perspetiva.

Aquilo que muitos destinos procuram construir através de programas sofisticados de bem-estar, os Açores oferecem de forma autêntica e natural. Não proporcionam apenas uma pausa, proporcionam um verdadeiro reajuste interior.

Porque o reencontro não acontece quando fugimos da realidade, mas quando encontramos as condições para regressar a ela mais conscientes, equilibrados e alinhados connosco próprios.

 

Acredita que o futuro do turismo açoriano poderá passar também pela valorização de experiências ligadas ao wellness, retiros emocionais, espiritualidade e equilíbrio mente-corpo?

Sem dúvida, mas com uma abordagem própria e profundamente ligada à identidade açoriana.

Os Açores não devem limitar-se a replicar modelos de wellness existentes noutros destinos. A verdadeira oportunidade está em transformar os seus recursos naturais em recursos emocionais.

A força dos vulcões, as águas termais, o oceano, os trilhos, o silêncio e a autenticidade das comunidades podem dar origem a experiências que integrem natureza, desenvolvimento humano, inteligência emocional, criatividade e propósito.

Mais do que oferecer retiros tradicionais, os Açores podem posicionar-se como um laboratório vivo de regeneração humana. Esta reflexão foi amplamente debatida durante a nossa participação na BTL, onde diversos agentes do setor reconheceram o enorme potencial desta diferenciação.

Além de criar valor acrescentado, este posicionamento pode contribuir significativamente para combater a sazonalidade e reforçar a notoriedade internacional da Região.

 

Como olha para a ligação entre natureza, silêncio, oceano e inteligência emocional no contexto açoriano?

Vejo estes quatro elementos como um dos maiores ativos estratégicos dos Açores.

A inteligência emocional desenvolve-se quando existe espaço para parar, observar, sentir e refletir. E esse é precisamente um dos recursos mais valiosos que as ilhas oferecem.

O silêncio não representa ausência, representa presença. Permite-nos ouvir emoções que muitas vezes ficam abafadas pelo ritmo acelerado do quotidiano. O oceano recorda-nos a importância da humildade e da perspetiva e a natureza funciona como um espelho onde cada pessoa acaba por se reencontrar.

Talvez seja por isso que tantos visitantes descrevem os Açores como uma experiência difícil de explicar racionalmente. Porque aquilo que muda não é apenas a paisagem que observam, mas também a forma como passam a olhar para si próprios.

 

Num mundo cada vez mais tecnológico e acelerado, sente que os Açores oferecem algo raro: tempo, presença e autenticidade humana?

Claro que sim. E acredito que o tempo, a presença e a autenticidade serão alguns dos ativos mais valiosos do futuro.

Vivemos numa era em que tudo é imediato, mas quase nada é profundo. Os Açores oferecem algo cada vez mais raro: a possibilidade de desacelerar, estar verdadeiramente presente e recuperar uma ligação genuína consigo próprio, com os outros e com a natureza.

A autenticidade açoriana não foi criada para o turismo, faz parte da identidade das ilhas, da proximidade das pessoas e da forma como o tempo ainda é vivido.

Quando o mundo inteiro acelera, os territórios que oferecem presença tornam-se excecionais. Talvez o maior luxo do século XXI não seja ter mais tempo, mas conseguir vivê-lo verdadeiramente.

 

O coaching e o desenvolvimento humano podem desempenhar um papel importante na valorização da Região e na captação de novos perfis de visitantes e investidores? De que forma?

Durante muitos anos, o turismo centrou-se na pergunta: “O que há para ver neste destino?” Hoje, emerge uma questão muito mais relevante: “Quem me posso tornar depois desta experiência?”

Acredito que é precisamente nesta mudança de paradigma que os Açores podem assumir uma posição diferenciadora. Ao integrar o desenvolvimento humano, a inteligência emocional, a liderança e o autoconhecimento na sua oferta, a Região passa a atrair pessoas que procuram não apenas lazer, mas crescimento, inspiração, clareza e propósito.

Imagino, e já comecei a desenhar programas internacionais de liderança, retiros empresariais, experiências de reflexão estratégica e jornadas de desenvolvimento pessoal tendo as ilhas como cenário e fonte de inspiração.

No futuro, os territórios mais competitivos não serão apenas aqueles que oferecem melhores infraestruturas, mas aqueles que conseguem gerar experiências com significado. E os Açores têm todas as condições para se afirmarem como um lugar onde as pessoas não vêm apenas descansar ou investir, mas crescer, reinventar-se e evoluir.

Considera que os Açores têm potencial para atrair líderes, empreendedores e profissionais internacionais à procura de experiências de reconexão, criatividade e clareza mental?

Sem dúvida. Num mundo onde a atenção se tornou um dos recursos mais escassos, os Açores oferecem algo que muitos líderes procuram e poucos lugares conseguem proporcionar: tempo para pensar.

As grandes decisões raramente nascem no meio do ruído, mas sim quando existe espaço para refletir, criar e ganhar perspetiva. A natureza, o oceano, a escala humana das ilhas e a distância saudável dos grandes centros urbanos criam condições excecionais para a criatividade, a inovação e o pensamento estratégico.

Mais do que um destino turístico, os Açores podem posicionar-se como um laboratório de ideias e um território de reconexão para quem tem a responsabilidade de imaginar e construir o futuro.

Esta é uma oportunidade diferenciadora para a Região: afirmar-se não apenas como um lugar para descansar, mas como um lugar onde nascem novas visões, novos projetos e novas formas de pensar.

 

Que impacto poderá ter o investimento em experiências de wellness e desenvolvimento pessoal na economia regional e na projeção internacional dos Açores?

Acredito que o impacto poderá ser profundamente transformador.

O turismo associado ao wellness, ao desenvolvimento pessoal e ao bem-estar emocional atrai visitantes com estadias mais longas, maior capacidade de investimento e uma procura centrada na qualidade da experiência. Trata-se de um segmento de elevado valor acrescentado e com forte potencial de crescimento.

Mas uma das maiores vantagens está na capacidade de combater a sazonalidade. Ao contrário de muitos segmentos turísticos, estas experiências encontram no outono e no inverno condições ideais para a reflexão, o reencontro interior e a renovação pessoal, permitindo distribuir a procura ao longo de todo o ano.

Mais do que uma oportunidade turística, estamos perante uma oportunidade de posicionamento económico. Os Açores podem competir menos pelo volume de visitantes e mais pelo valor da experiência que oferecem.

Ao celebrar 50 anos de Autonomia, esta poderá ser uma oportunidade para a Região afirmar uma marca internacional diferenciadora, associada ao bem-estar emocional, à liderança consciente e à qualidade de vida.

 

Hoje fala-se cada vez mais de felicidade organizacional, saúde emocional e qualidade de vida. Poderão os Açores transformar-se num laboratório natural de novas formas de viver e trabalhar?

Acredito que essa pode ser uma das visões mais inovadoras para o futuro dos Açores.

A forma como trabalhamos, lideramos e procuramos qualidade de vida está a mudar profundamente. Neste contexto, os Açores reúnem condições excecionais para se afirmarem como um laboratório natural de novas formas de viver e trabalhar.

A qualidade ambiental, a autenticidade das comunidades, a ligação à natureza e a escala humana do território criam o cenário ideal para experimentar modelos inovadores de liderança, trabalho remoto, desenvolvimento humano e felicidade organizacional.

Imaginemos empresas, equipas e empreendedores a escolherem os Açores para fortalecer culturas organizacionais, estimular a criatividade e desenhar estratégias de futuro.

Os Açores podem tornar-se um dos primeiros territórios europeus a associar qualidade de vida, felicidade organizacional e desenvolvimento económico numa mesma estratégia de posicionamento internacional.

Mas para que essa visão seja credível, deve começar dentro da própria Região, fazendo dos Açores um exemplo vivo de equilíbrio entre desempenho, bem-estar e qualidade de vida.

A Região pode posicionar-se como um destino de “luxo emocional”, onde o verdadeiro valor está na experiência humana, na natureza e no equilíbrio interior?

Absolutamente. Aliás, acredito que o conceito de luxo emocional pode tornar-se uma das mais fortes propostas de valor dos Açores no panorama internacional.

Durante décadas, o luxo foi associado à ostentação e à acumulação de bens. Hoje, o verdadeiro luxo está a mudar de significado. Passa a ser aquilo que se tornou raro: tempo, silêncio, autenticidade, conexão humana, bem-estar e equilíbrio interior.

E é precisamente aí que os Açores possuem uma vantagem competitiva única.

As nove ilhas oferecem, de forma genuína, aquilo que muitas pessoas procuram e poucos destinos conseguem proporcionar: espaço para respirar, tempo para refletir, proximidade humana e contato profundo com a natureza.

Quando falamos de luxo emocional, falamos da capacidade de proporcionar experiências que deixam marcas duradouras. Um valor que não se mede pelo preço, mas pela profundidade do que se sente.

Se o luxo do passado estava naquilo que se possuía, o luxo do futuro estará naquilo que se sente. E nesse território, os Açores têm uma vantagem difícil de replicar.

 

Que oportunidades identifica para integrar turismo, coaching, sustentabilidade humana e valorização territorial numa mesma visão estratégica para os Açores?

Vejo uma oportunidade extraordinária para criar uma visão integrada e profundamente diferenciadora para a Região.

Mais do que desenvolver produtos turísticos, os Açores podem construir um verdadeiro ecossistema de desenvolvimento humano, onde natureza, conhecimento, comunidade e crescimento pessoal se complementam.

Imagine programas que utilizem os recursos naturais das ilhas como metáforas vivas de superação, liderança e adaptação. Experiências que unem natureza, inteligência emocional, coaching, sustentabilidade humana e autoconhecimento.

Ao mesmo tempo, esta visão valoriza o talento local e promove a colaboração entre comunidades, empresas, universidades, investigadores e agentes turísticos.

O resultado seria um modelo de desenvolvimento mais qualificado, sustentável e gerador de valor acrescentado. Em vez de competir pela quantidade de visitantes, os Açores poderiam distinguir-se pela profundidade da experiência que proporcionam.

No fundo, não estaríamos apenas a promover turismo. Estaríamos a criar uma nova narrativa de desenvolvimento para os Açores.

 

Que mensagem gostaria de deixar sobre os Açores enquanto território capaz de transformar pessoas, emoções e mentalidades?

Ao celebrarmos os 50 anos da Autonomia dos Açores, devemos olhar para o passado com orgulho, mas sobretudo para o futuro com ambição.

Durante décadas, afirmamo-nos pela beleza das nossas paisagens. Nas próximas décadas, poderemos afirmar-nos pela capacidade de transformar vidas.

Vivemos num mundo marcado pela velocidade, pela pressão constante e por uma crescente desconexão humana. Neste contexto, os Açores têm uma oportunidade única: posicionarem-se não apenas como um destino turístico de excelência, mas como um território de bem-estar, equilíbrio, autenticidade e regeneração humana.

Talvez tenha chegado o momento de deixarmos de ser vistos apenas como um lugar no meio do Atlântico para passarmos a ser reconhecidos como um lugar no centro daquilo que o mundo mais procura: tempo, significado, conexão e qualidade de vida.

Acredito que esta pode ser uma das grandes visões estratégicas dos próximos anos. Um arquipélago onde a natureza, a dimensão humana e a autenticidade se unem para criar experiências transformadoras. Um lugar onde as pessoas não vêm apenas descansar, mas reencontrar-se, ganhar clareza e regressar às suas vidas com uma nova perspetiva.

Porque o verdadeiro valor de um território não está apenas naquilo que mostra ao mundo, mas naquilo que desperta dentro de cada pessoa que por ele passa.

E essa poderá ser uma das maiores contribuições dos Açores para o mundo nos próximos anos: recordar que o progresso não se mede apenas pelo que construímos, mas também pela forma como ajudamos as pessoas a viver melhor, a sentir melhor e a encontrar um sentido mais profundo para as suas vidas.

São palavras escritas com o coração, uma visão estratégica que já há muito defendo e que acredito ser a marca diferenciadora do Turismo nos Açores, e que terá um impacto transformador na capacitação das nossas gentes e de todos os que por cá passarem. Um ecossistema transformador para um novo mindset.

 

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