Do berçário ao 9.º ano: educação com propósito e resultados que o provam

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Por Ana Paula Oliveira

Administradora do Astoria International School (Colégio Europeu Astória), Lisboa

Há uma pergunta que faço a quem visita o Astoria pela primeira vez: como é que se sabe que uma escola é boa? A resposta fácil é olhar para a brochura. A resposta honesta é outra, uma escola vale aquilo que terceiros, que nada lhe devem, estão dispostos a confirmar sobre ela.

Comecei nesta profissão com uma convicção simples e, confesso, um pouco teimosa: uma educação verdadeiramente internacional e de excelência não tinha de ser um bem de luxo, ao alcance de muito poucos. Estava convencida de que era possível construir um colégio superior, com quatro línguas, certificação internacional e uma exigência académica a sério, e mantê-lo, ainda assim, acessível a quem faz da educação dos filhos uma prioridade, sem obrigar ninguém a abdicar das raízes do currículo português. O Astoria nasceu dessa convicção, e foi dela que tudo o resto decorreu.

O que aprendi pelo caminho é que o propósito, sozinho, não chega. Toda a escola diz que educa para a felicidade, para o futuro, para o mundo. São palavras bonitas e, na maioria dos casos, sinceras. O problema é que ninguém as pode verificar. Por isso, ao construir o Astoria, fiz a escolha que me parece hoje a mais importante de todas: aceitar ser avaliada por quem não tem qualquer interesse em agradar-nos.

Somos avaliados, em primeiro lugar, pelo próprio Estado. Os nossos alunos prestam as mesmas provas nacionais do IAVE que todas as crianças do país, nas mesmas condições, sem rede. Os resultados colocam-nos na 23.ª posição entre as escolas básicas portuguesas, públicas e privadas (ano letivo de 2024/2025). Não é um prémio que se compre nem um selo que se encomende: é a régua do sistema, aplicada a todos por igual, e poucas escolas, públicas ou privadas, ficam à nossa frente. Para uma escola que muitos ainda julgam ser apenas “a internacional do Areeiro”, este é o dado que mais gosto de partilhar, porque é o mais difícil de contestar.

Somos avaliados, em segundo lugar, pelo mundo. A certificação Cambridge International e os exames do Trinity College London não são adornos no site — são exames externos, corrigidos lá fora, segundo critérios que não controlamos. A média dos nossos alunos conclui-os com distinção, em todos os ciclos. O alemão e o francês seguem o mesmo princípio: entram de forma progressiva ao longo do percurso e são igualmente certificados por exames externos, os do Goethe-Institut e os da Alliance Française, com resultados oficiais ao mesmo nível dos que alcançamos em inglês. Quando uma criança termina connosco o 9.º ano, move-se em quatro línguas com naturalidade e leva consigo qualificações reconhecidas que abrem portas em qualquer universidade, dentro ou fora do país.

E somos avaliados, em terceiro lugar, por aquele que talvez seja o avaliador mais cético de todos: o tecido empresarial. O Astoria mantém protocolos com dezenas de empresas e instituições — SONAE, Deloitte, Galp, NOS, REN, Novobanco, Montepio, Fidelidade, Fujitsu, Impresa, Dr. Oetker, Adecco e com várias Ordens profissionais, das dos Advogados aos Engenheiros, dos Economistas aos Farmacêuticos. Estes protocolos garantem condições especiais às famílias dos seus colaboradores e associados, é certo. Mas o que me parece mais revelador não é a vantagem comercial: é o que significa uma empresa como a SONAE, ou uma Ordem profissional, dizer na prática “confiamos nesta escola para os filhos dos nossos”. As empresas conhecem o valor do escrutínio. Quando escolhem uma escola para junto do seu nome, não o fazem por simpatia.

Reúno estes três testemunhos — o do Estado, o do mundo e o do mercado — não por vaidade, mas porque dizem algo que eu, sozinha, não conseguiria provar: que é possível ter propósito e ter resultados ao mesmo tempo. Aliás, no Astoria isso nunca foi uma tensão. As decisões que nos tornam humanos são exatamente as que nos tornam eficazes.

Tomemos as turmas pequenas. São uma decisão estrutural, não um detalhe de organização, e têm um custo que assumimos de olhos abertos. Com turmas reduzidas, quem ensina conhece cada criança pelo nome, pelo ritmo a que aprende, por aquilo em que se destaca e por aquilo em que tropeça. Acompanhamento individualizado, aqui, não é uma frase de folheto: é a forma como funcionamos todos os dias. E não significa baixar a exigência, significa ajustar o caminho. Há quem precise de mais tempo para consolidar; há quem precise de ser desafiado para não estagnar. O mesmo professor que conhece um aluno ao detalhe é quem melhor o prepara para uma prova nacional.

Tomemos a continuidade. No Astoria, a mesma criança pode entrar no berçário e sair no 9.º ano sem nunca ter de recomeçar do zero. É um percurso pensado para a acompanhar, não para a obrigar a adaptar-se de novo a cada mudança de ciclo. Essa estabilidade, conhecer a escola e ser conhecido por ela durante anos, é, em si mesma, um fator de resultados.

E tomemos aquilo que nos inspira: o movimento da Escola Moderna e a teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner. Partimos de uma ideia que me parece evidente, mas que muitas escolas esquecem: nem todas as crianças aprendem da mesma maneira, nem todas brilham no mesmo terreno. Por isso as artes, o desporto, o teatro, a escrita criativa e as ciências experimentais não são extras que se cortam quando o calendário aperta, são parte do núcleo. Tenho alunos que se descobriram num laboratório, outros que floresceram num palco, outros ainda que se revelaram na natação. O multilinguismo, do mesmo modo, não se ensina numa sala isolada: vive-se, desde o berçário, em contato natural e diário. Uma criança que cresce assim ganha uma flexibilidade mental e uma abertura ao outro que nenhum manual transmite, sem nunca perder a identidade, porque a âncora é, e continuará a ser, o currículo português.

Perguntam-me muitas vezes se uma escola tão atenta a resultados não corre o risco de se esquecer das crianças. A minha resposta é que sucede exatamente o contrário. Não educamos para o ranking; ficamos bem colocados no ranking porque educamos bem. A métrica que mais me importa não aparece em tabela nenhuma: é a criança que entra na escola, todas as manhãs, com um sorriso genuíno. Educar para a felicidade e educar com exigência não se opõem. São a mesma coisa, vista de dois ângulos.

Nada disto se faz sozinho, e seria desonesto fingir que sim. Consolidar um projeto assim, internacional, multilingue, exigente e, ao mesmo tempo, próximo, é um exercício diário de gestão e de escolhas. O maior desafio nunca foi a ambição; foi conciliá-la com os recursos e decidir, todos os dias, o que é prioritário. O segundo é a notoriedade: temos uma proposta sem paralelo em Lisboa, mas competimos com instituições centenárias, e ser conhecido pelo que verdadeiramente se é leva tempo. Construir uma equipa pedagógica forte, experiente e internacional, que conheça e abrace o projeto, é a tarefa que mais protejo, porque uma escola vale, no fim, exatamente o que valem as pessoas que nela ensinam.

Quanto ao futuro, não acredito que a escola que aí vem seja a que troca professores por ecrãs. A tecnologia entrará, e bem, onde acrescentar. Mas a competência que tenciono manter acima de todas as outras é a mais antiga e a mais difícil: a de se ser plenamente humano num mundo cada vez mais automatizado. É isso que quero consolidar nos próximos anos, crescer sem perder a proximidade que nos define, alargar sem diluir.

Se houver um legado que gostaria de deixar, não será uma posição num ranking, por mais que a estime. Será uma geração de adultos que passou por esta casa e que se lembra dela como o lugar onde alguém os conheceu pelo nome, acreditou no que podiam ser e os preparou a sério, para um mundo que ainda não existe. Os avaliadores externos confirmam que o caminho está certo. A confiança das famílias, essa, renova-se todos os dias. E é essa, afinal, a única certificação que nunca se compra.

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