Kausa: Uma década de liderança com assinatura própria

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Dez anos depois da sua fundação, a Kausa Advogados afirma-se como uma sociedade de referência assente na independência, no rigor técnico e numa visão humanista da advocacia. Liderada por duas sócias fundadoras que fizeram da proximidade, da ética e da liderança feminina pilares do seu percurso, a Kausa celebra uma década de crescimento sustentado, compromisso institucional e dedicação a um Direito responsável, construído diariamente com credibilidade, confiança e propósito. Saiba mais na Revista Pontos de Vista!

O que representa celebrar o 10º aniversário da Kausa Advogados?

Mafalda Fernandes (MF) – Celebrar dez anos da Kausa é um momento muito especial de orgulho e gratidão. Orgulho pelo projeto que estamos a construir, com consistência, rigor e identidade própria; gratidão por todas as pessoas, clientes e parceiros que fizeram parte deste percurso e que contribuíram para este crescimento da Kausa ao longo destes dez anos. A Kausa nasceu da vontade de criarmos algo que refletisse a nossa forma de estar na vida e no Direito, uma forma muito própria de estar ao lado das pessoas e das organizações que nos confiam os seus assuntos.

Olhar para estes 10 anos é também reconhecer as pessoas que ajudaram a construir este percurso. A equipa é pequena, o ambiente é extraordinário e todos os que passaram pela Kausa deixaram algo de si, ajudando-nos a escrever uma história que sentimos profundamente nossa.

 

Que visão esteve na origem da criação da sociedade em 2016?

Raquel Alves (RA) – A Kausa nasceu da vontade de criarmos algo nosso, à nossa imagem, com o nosso cunho e com aquilo em que acreditávamos que devia ser uma organização de uma sociedade de advogados, sempre com o foco no Direito Administrativo. Chegámos a um ponto da nossa carreira em que sentimos que queríamos construir um projeto próprio, assente numa combinação entre exigência técnica, independência, proximidade, organização e responsabilidade institucional, mas também numa determinada forma de cuidar das relações, desde logo com os clientes e com a equipa que formámos.

A visão nunca foi apenas jurídica. Desde o início quisemos que a Kausa fosse um espaço onde as pessoas se sentissem realizadas a trabalhar e onde os clientes sentissem que eram acompanhados de forma próxima, séria e personalizada. Nem sempre foi fácil concretizar essa visão. Há 10 anos, o meio da advocacia era ainda mais institucional e cinzento, menos aberto a uma perspetiva nova, diferente e fora da caixa.

 

Como descrevem a evolução da Kausa desde os primeiros clientes até à consolidação atual?

MF – A evolução da Kausa foi feita de forma progressiva, sustentada e muito assente na confiança construída caso a caso. Nunca sentimos este crescimento como algo meramente quantitativo. Sentimo-lo, sobretudo, como a consolidação de uma forma de trabalhar e de uma forma de estar na advocacia que fomos construindo com muita consciência.

Nos primeiros anos, houve um foco muito forte na afirmação técnica e na consolidação da relação com os clientes. Começámos com apenas alguns clientes contados numa mão e, a partir daí, fomos crescendo com prudência, consistência e muita dedicação. Ampliámos a nossa intervenção, passando a acompanhar diversas entidades públicas, em matérias de elevada complexidade jurídica e institucional, sem perder a proximidade que sempre quisemos preservar.

Ao longo desta década, a Kausa consolidou a sua presença em áreas de reflexão jurídica, participação institucional, produção de artigos de opinião, iniciativas ligadas à igualdade de género e projetos associados ao desporto, à ética e à integridade institucional.

 

Que valores continuam a definir a identidade da sociedade?

RA – O rigor técnico, a organização, a responsabilidade, a lealdade institucional, a independência, a credibilidade e a proximidade continuam a ser pilares centrais da identidade da Kausa.

Na advocacia, a confiança constrói-se lentamente e pode perder-se rapidamente.

Existe ainda uma dimensão de compromisso cívico e institucional, pois a advocacia implica também responsabilidade na participação em temas relevantes para a sociedade.

 

Como se constrói liderança num projeto que nasceu de convicções partilhadas?

MF – Constrói-se através de coerência, exemplo e confiança. Quando um projeto nasce de convicções partilhadas, essas convicções têm de se refletir nas decisões do dia a dia: na forma como se gere a equipa, na relação com os clientes, na exigência que colocamos em cada trabalho e também na forma como protegemos a identidade da sociedade.

RA – Diria que constrói-se, ainda, através de um enorme respeito mútuo e de uma admiração profunda entre sócias. Temos personalidades diferentes, mas talvez seja precisamente aí que reside uma das maiores forças da Kausa: cada uma complementa a outra, desafia-a, ampara-a nos momentos-chave e ajuda-a a ver mais longe. Essa relação, que é feita de confiança, lealdade, amizade e admiração genuína, acaba por se refletir naturalmente na equipa, criando um ambiente em que o respeito, o apoio e a entreajuda não são apenas valores assumidos, mas uma forma diária de estar.

 

Que papel tem a liderança feminina na forma como a Kausa se posiciona no mercado jurídico?

RA – Com duas sócias, pode dizer-se que a liderança feminina, a sororidade, faz parte da identidade da sociedade desde a sua origem. A liderança feminina nunca foi encarada como um elemento meramente simbólico. Acreditamos que o segredo está na forma como nos incentivamos, protegemos e genuinamente celebramos o crescimento uma da outra.

Acreditamos que as mulheres trazem muitas vezes para a liderança uma sensibilidade distinta, feita de escuta, intuição, cuidado, atenção ao detalhe e capacidade de compreender as pessoas para além da sua função profissional.

Na Kausa, essa sensibilidade não diminui a exigência — pelo contrário, torna-a mais consciente, mais humana e mais agregadora. É também isso que procuramos levar para a equipa e para a forma como nos posicionamos no mercado jurídico.

A participação em iniciativas ligadas à liderança feminina, à igualdade de género e à mentoria resulta de uma consciência clara de que ainda existem assimetrias relevantes na advocacia.

De que forma a paridade, a igualdade de género e a valorização do talento influenciam a cultura interna da sociedade?

MF – Influenciam de forma estrutural. A valorização das pessoas nunca foi apenas discurso institucional. Na Kausa, procuramos que a igualdade de oportunidades, a valorização do mérito e a criação de ambientes profissionais equilibrados e respeitadores sejam práticas concretas. Queremos que as pessoas cresçam profissionalmente, aprendam, partilhem conhecimento e sintam que fazem parte de um projeto exigente, mas também humano.

A advocacia continua a ser uma profissão particularmente exigente, sobretudo para muitas mulheres. Ignorar essa realidade seria ignorar um problema estrutural.

 

Afirmam que reputação não se afirma, constrói-se. Como se traduz essa ideia no exercício diário da advocacia?

RA – Na advocacia, a reputação resulta da forma como se trabalha diariamente: na organização do trabalho, na preparação técnica dos processos, na seriedade com que se analisam riscos, na transparência com os clientes e na responsabilidade com que se assumem posições. Cada decisão, cada parecer, cada intervenção pública e cada relação profissional contribuem para essa construção.  É preciso ter essa consistência.

 

Que importância têm rigor técnico, critério e responsabilidade institucional nas áreas em que atuam?

MF – Rigor técnico, critério e responsabilidade são a essência do nosso trabalho. Não faria sentido operar sem dar a máxima atenção a esses aspetos! Sendo que a minha sócia acrescentaria, ainda, a Organização.

 

Como se gere a confiança de clientes que vos confiam decisões relevantes?

RA – Só é merecedor de confiança quem é competente, organizado, responsável e transparente. Os clientes procuram-nos em momentos de elevada pressão, complexidade ou risco. Isso implica perceber que a relação ultrapassa a dimensão puramente técnica. Um advogado é contratado para, mais do que validar decisões, alertar, prevenir riscos e ajudar a encontrar soluções juridicamente sólidas.

 

Que papel tem a ética profissional na construção de uma sociedade sólida e respeitada?

MF – A ética profissional é um princípio estruturante da advocacia. É algo que levamos tão a sério que a sócia fundadora Raquel Alves é vice-presidente do Conselho de Deontologia de Lisboa da Ordem dos Advogados. A forma como se intervém institucionalmente influencia a reputação de todos os advogados em geral.

 

Porque defendem que cada caso nunca é apenas um caso?

RA – Essa ideia faz parte da nossa mensagem de 10º aniversário: Porque por detrás de cada processo existe sempre uma realidade humana, institucional ou empresarial concreta. Mesmo em matérias altamente técnicas, existem decisões que afetam pessoas, carreiras, organizações, investimentos ou políticas públicas.

 

Como se equilibra a exigência técnica com a dimensão humana das histórias que chegam ao escritório?

MF – Equilibra-se, antes de mais, pela capacidade de escutar. Muitas vezes, os clientes chegam ao escritório em momentos particularmente sensíveis, em que uma decisão jurídica tem impacto muito relevante na sua vida pessoal, na sua organização ou no futuro de um projeto. Nesses momentos, o papel do advogado não é apenas interpretar normas ou encontrar soluções tecnicamente sólidas; é também saber ouvir, apoiar, orientar e transmitir segurança. A dimensão humana está precisamente aí: em compreender o que está verdadeiramente em causa para o cliente e, a partir daí, construir uma resposta jurídica rigorosa, mas também serena, próxima e responsável.

 

Que aprendizagens retiram do contacto com clientes institucionais, privados, empresas, municípios e entidades públicas?

RA – A principal aprendizagem é que não existem soluções padronizadas para realidades complexas.  Trabalhar com diferentes tipos de clientes obriga a adaptar abordagens, compreender diferentes estruturas de decisão e perceber os impactos concretos das soluções jurídicas propostas.

 

Ao longo destes anos, a Kausa alargou a sua intervenção a dimensões institucionais, associativas e sociais. Que importância tem essa participação?

MF – É muito relevante porque entendemos que a nossa missão também passa por participação cívica e institucional. Ao longo destes anos, a Kausa esteve envolvida em iniciativas ligadas à formação, reflexão jurídica, igualdade de género, ética, e promoção do desporto precisamente porque acreditamos que devemos contribuir para o debate público e para o fortalecimento das instituições. Temos também o propósito de, no futuro, criar uma bolsa de estudo que permita acompanhar o percurso de uma menina desde a entrada na escola até à conclusão da sua formação universitária.

 

Quando pensam no 20º aniversário da Kausa, que história gostariam de estar a contar?

RA – Trabalhamos para daqui a 10 anos estarmos a contar uma história de evolução, persistência e inovação. A história de uma sociedade que conseguiu crescer sem perder identidade, preservar proximidade sem abdicar da exigência técnica e manter independência. Gostávamos que a Kausa continuasse a ser reconhecida como uma lufada de ar fresco na advocacia: uma sociedade com assinatura própria, fiel àquilo que a fez nascer e capaz de continuar a transformar essa visão em futuro.

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