O próximo colapso das PME’s, não será financeiro. Será comportamental.

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OPINIÃO de Rui Ferreira,
Especialista em Produtividade de Equipas, Liderança e Comportamento Organizacional

As organizações raramente falham por falta de estratégia. Na maioria das vezes, falham porque os seus comportamentos deixaram de acompanhar os desafios que enfrentam.

Na edição anterior desta revista falei sobre conflito.

Um tema que continua a gerar desconforto em muitas organizações.

Partilhei a ideia de que o conflito não é necessariamente um problema.

Na verdade, quando é compreendido e bem gerido, pode tornar-se uma poderosa ferramenta de crescimento, inovação e produtividade.

Mas existe uma questão ainda mais importante. Quem…

  • Cria as condições para que o conflito seja produtivo?
  • Influencia a forma como as equipas comunicam?
  • Cria confiança?
  • Promove responsabilidade?
  • Ajuda a transformar tensão em progresso?

A liderança.

Ao longo dos anos, primeiro na área dos Recursos Humanos e atualmente através do Coaching Executivo, da Formação, da Psicologia Positiva, do Mapeamento Comportamental e da metodologia LEGO® Serious Play®, tenho acompanhado líderes, equipas e organizações dos mais diversos setores.

E existe algo que observo repetidamente. As organizações raramente, falham por:

  • Falta de conhecimento técnico, falham por falta de alinhamento.
  • Falta de estratégia.
  • Na maioria das vezes, falham porque os seus comportamentos deixaram de acompanhar os desafios que enfrentam.

É precisamente por isso que acredito que o próximo grande desafio das PME’s não será financeiro. Será comportamental!

 

O que não aparece nos indicadores

Quando um cliente sai, as vendas caem, ou a margem diminui, estes efeitos são refletidos nos indicadores, revelando-nos a dimensão do desafio, que temos pela frente.

Mas quando…

  • Uma equipa começa a perder energia?
  • Os colaboradores deixam de contribuir?
  • As pessoas deixam de acreditar?
  • Os líderes vivem permanentemente a apagar incêndios?

São sinais que raramente aparecem nos indicadores, mas revelam-se nas reuniões, nos corredores, nos silêncios e nas conversas que deixaram de acontecer.

Porque antes de existir um problema financeiro, normalmente já existe um problema humano.

E antes de existir um problema humano, normalmente já existe um problema de liderança.

 

O erro que continua a custar caro às PME’s

Existe uma situação que encontro frequentemente e possivelmente também a encontre na sua organização.

Tem um colaborador competente, responsável, experiente, conhece o negócio, resolve problemas, entrega resultados. E por isso é promovido.

À primeira vista parece uma excelente decisão, mas existe uma pergunta que raramente é feita:

 

Quem o preparou para liderar?

Porque liderar não é uma recompensa. É uma profissão e como qualquer profissão exige preparação.

Um técnico é valorizado pelo que faz. Um líder é valorizado pelo que consegue desenvolver nos outros.

Um técnico gera resultados, um líder multiplica resultados.

Quando esta transição não é acompanhada começam a surgir sintomas como:

  • Dificuldade em delegar;
  • Excesso de controlo;
  • Equipas dependentes;
  • Falta de autonomia;
  • Conflitos recorrentes;
  • Desgaste crescente.

Por isso, um dos maiores prejuízos das organizações não seja só perder talento, mas com certeza será, de não preparar, quem vai liderar esse talento.

Cinco desafios que já estão a bater à porta das PME’s

Não estamos a falar de desafios futuros, estamos a falar de desafios presentes.

Alguns deles já estão dentro da sua organização.

 

  1. Preparar líderes antes da promoção

Durante décadas promovemos pessoas pelos resultados que alcançaram, mas liderar exige competências diferentes. Exige…

  • Escuta.
  • Comunicação.
  • Gestão emocional.
  • Capacidade de desenvolver pessoas.

A verdadeira questão é:

Está a promover líderes ou apenas a mudar colaboradores de função?

 

  1. Compreender verdadeiramente as pessoas

Muitos líderes continuam a gerir equipas com base em perceções. No famoso “acho que”.

Acredito cada vez mais que uma das competências críticas da liderança moderna é compreender pessoas. O que as motiva, como comunicam e como reagem aos desafios do dia a dia.

Quanto melhor conhecemos as pessoas, menos energia desperdiçamos em conflitos, interpretações erradas e expectativas desalinhadas.

 

  1. Criar ambientes onde as pessoas queiram contribuir

Existem equipas onde as pessoas trabalham e existem equipas onde as pessoas contribuem.

A diferença é enorme. Quando as pessoas sentem que podem participar, questionar e contribuir sem receio…

O compromisso aumenta;

As ideias melhoram;

As decisões tornam-se mais robustas;

A produtividade cresce;

Não por obrigação, mas por envolvimento.

 

  1. Desenvolver autonomia sem perder alinhamento

Muitas PME’s continuam excessivamente dependentes do líder. Tudo passa e espera por ele.

Tudo depende dele, mas uma organização não cresce quando tudo depende de uma só pessoa.

Cresce quando várias pessoas assumem responsabilidade.

Desenvolver autonomia não significa perder controlo, significa criar maturidade.

 

  1. Liderar em contexto de mudança permanente

A mudança deixou de ser um acontecimento para passar a ser o contexto. Novas tecnologias, novas gerações e novas expectativas estão a transformar a forma como trabalhamos e lideramos.

Os líderes, que continuarem a procurar respostas antigas, para novos desafios terão cada vez mais dificuldade em mobilizar com sucesso, as suas equipas.

O futuro pertence a quem aprende constantemente.

 

A boa notícia!

Apesar de todos estes desafios, nunca existiram tantas oportunidades para desenvolver pessoas e equipas. Hoje conseguimos compreender melhor comportamentos, desenvolver liderança e criar equipas mais alinhadas.

E quando isto acontece, algo extraordinário surge. As pessoas deixam de trabalhar apenas porque têm de trabalhar. Passam a compreender o impacto do seu contributo.

Os líderes deixam de viver em modo de sobrevivência e passam a construir futuro.

E a produtividade deixa de depender da pressão e passa a depender do alinhamento.

 

Liderar pessoas é multiplicar resultados

Ao longo dos anos tenho aprendido uma lição simples. Os melhores líderes não são aqueles que fazem tudo, são aqueles que conseguem desenvolver pessoas capazes de fazer mais e melhor.

É precisamente por isso que decidi criar o webinar:

Liderar Pessoas é Multiplicar Resultados

Menos atrito, mais ação.

Lidere pelo que realmente impulsiona a sua equipa.

Um encontro pensado para líderes, empresários, gestores, responsáveis de recursos humanos e todos aqueles que querem deixar de liderar com base em perceções, intuição ou “achismos” e passar a liderar com maior clareza.

 

Benefícios do webinar

Quando compreendemos melhor as pessoas:

  • Comunicamos melhor;
  • Delegamos melhor;
  • Gerimos melhor os conflitos;
  • Tomamos melhores decisões;
  • Criamos equipas mais produtivas.

No fundo, deixamos de liderar aquilo que imaginamos que as pessoas são e começamos a liderar aquilo que elas realmente precisam para dar o seu melhor. Este webinar será online e terá lugar, já no dia 16 de Julho. A sua inscrição, pode ser feita através deste QRcode.

Basta aproximar o seu dispositivo e será direcionado para a página, onde encontrará mais informações e onde poderá inscrever-se e confirmar a sua inscrição!

Desde já conto, com a sua presença. Inscreva-se! As vagas são limitadas.

 

Reflexão final

Talvez o próximo colapso das PME’s não seja provocado pela falta de clientes, nem pela falta de tecnologia, nem pela falta de estratégia, ou outra falta técnica.

Talvez comece muito antes, quando deixamos de…

  • Desenvolver líderes;
  • Compreender pessoas;
  • Investir nos comportamentos que sustentam os resultados.

E quanto mais claro estiver, nas nossas mentes, mais sucesso teremos, porque no final do dia, os números contam uma história, mas por detrás dos números existem sempre pessoas, comportamentos.

E antes dos resultados existe liderança e é ela, um dos pilares críticos que faz mover as organizações de sucesso!

Acredito profundamente, que as organizações mais preparadas, para o futuro não serão aquelas que trabalham mais.

Serão aquelas que conseguem alinhar melhor as suas pessoas, os seus comportamentos e os seus objetivos.

E isso leva-nos a uma nova reflexão.

Será que as equipas mais produtivas são realmente aquelas que trabalham mais horas?

Ou serão aquelas que conseguem trabalhar de forma mais inteligente, mais alinhada e com menos desperdício?

É precisamente sobre isso que iremos refletir no próximo artigo:

Equipas produtivas não trabalham mais. Trabalham melhor.

Porque o verdadeiro segredo da produtividade não está em fazer mais, mas sim em fazer melhor aquilo que realmente importa.

 

Para saber mais

Se este tema conecta consigo e com a sua realidade, convido-o a acompanhar o meu trabalho, onde aprofundo estas e outras dimensões da realidade das PME’s, da Liderança e da produtividade das equipas.

 

Referências e enquadramento

Conteúdo desenvolvido com base em estudos, modelos e referências nas áreas de comportamento organizacional e produtividade das equipas,
incluindo: Manual de Comportamento Organizacional e Gestão —
Capítulo 7: O processo de Liderança

Teses da especialidade; Outros suportes.

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Revista Pontos de Vista Edição 151

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