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Ana Rita Silva

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Irlanda do Norte: Um passado por resolver

Após um período de incursões vikings na Alta Idade Média, a Irlanda começou a ser ambicionada por aristocratas anglo-normandos que estenderam o seu domínio a muitas zonas da ilha. Mas é com Henrique VIII e, mais tarde, com a Rainha Isabel I que o domínio inglês se torna mais absoluto e definitivo até praticamente 1922, ano em que a Irlanda ganhou a sua independência do Reino Unido.

Contudo, nem toda a ilha irlandesa ficou independente do jugo britânico. Alguns condados no norte da ilha, habitados por uma maioria protestante e etnicamente não irlandesa (composta sobretudo por escoceses das low lands e ingleses), mantiveram o poder e ligação com o Reino Unido. Este território veio a chamar-se Irlanda do Norte e tornou-se no epicentro de um conflito que na sua essência é sobretudo étnico.

O domínio britânico na Irlanda ficou marcado por dois flagelos humanitários que ficaram para a história como as Grandes Fomes (estimando-se que a mais mortal tenha resultado num decréscimo da população em cerca de 20%, resultado de mortes e emigração em massa). Note-se que na Irlanda, nomeadamente na Irlanda do Norte, onde a consciência histórica e o ressentimento são mais agudos, é geralmente reconhecida a versão dos acontecimentos que retratam a negligência das autoridades britânicas ao não impedirem, e até fomentarem, a saída de alimentos do país para serem vendidos em Inglaterra e noutras partes do Império Britânico.

Voltemos ao século XXI. Recentemente tive oportunidade de visitar Dublin e Belfast, duas cidades próximas geograficamente, mas distantes em muitos aspetos. Em Dublin o ano de 1998 é longínquo, mas em Belfast fica a sensação que 1998 está ao virar da esquina. Deixo três exemplos: não existem crianças com nomes típicos irlandeses, como Patrick ou Connor, a crescerem num bairro “protestante”; ninguém se arrisca a passear com um cachecol do Glasgow Rangers (clube de futebol escocês com uma base de adeptos protestantes unionistas) num bairro “católico”; e ainda existe um muro a separar as duas comunidades (!). O uso de aspas neste parágrafo serve para ilustrar que o conflito de facto não é religioso como acontece noutras partes do globo – os conflituantes nunca foram caracterizados na sua maioria como fanáticos religiosos, muitos deles não frequentam igrejas sequer, mas identificam-se etnicamente como irlandeses ou britânicos.

A ameaça de um Hard Brexit pode transformar o atual lume brando no fogo que se viveu recentemente. Os grupos armados de ambos lados não desapareceram, a investigação policial norte-irlandesa confirma que muitos dos membros converteram-se em operacionais do crime organizado, como tipicamente acontece no final de conflitos armados. Outro dado político importante a reter é a imensa pressão popular que os eleitores da Irlanda do Norte irão exercer para permanecerem na UE. Essa pressão tem não só uma vertente identitária, por parte daqueles que não se consideram britânicos, mas também uma vertente económica apelativa para outra franja da população (comunidade protestante inclusive) que teme uma depressão económica iminente.

Ironicamente as correntes protecionistas que despoletaram o Brexit no Reino Unido tiveram o sideeffect de também alimentarem a ideia da constituição de uma Irlanda unida que, no referendo de 2016, ganhou um novo alento com o voto favorável de permanência na UE por parte dos eleitores da Irlanda do Norte. Neste caso particular, o remain sugere uma leitura política tão fraturante como o próprio Brexit – o desejo de parte significativa da população em votar um referendo relativo à união das duas Irlandas, tal como previsto no Acordo de Sexta-Feira Santa.

  David Pimenta

Medicina Desportiva: Astroscopia e engenharia dos tecidos são duas técnicas que revolucionaram o mundo do desporto

Tratar um desportista é diferente de tratar um doente comum

A medicina desportiva é uma área da medicina dedicada aos cuidados prestados aos atletas. Orientada para que o rendimento de um atleta esteja em alta, esta especialidade abrange muitas áreas da medicina comum com destaque para ortopedia, fisiatria, cardiologia e medicina interna.

A medicina desportiva incide na prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação de lesões sofridas durante a atividade física. O objetivo do tratamento é curar e reabilitar a lesão para que o atleta possa retornar à atividade o mais rapidamente possível.

A ortopedia ganha terreno nesta área devido ao uso frequente, desgaste e risco de quedas ou acidentes associados com as atividades desportivas. Os atletas são muitas vezes suscetíveis a lesões ortopédicas (como fraturas, lesões musculares, tendinosas e ligamentares). Nesta necessidade de rápidas melhoras surgiu uma técnica que veio revolucionar por completo tratamentos cirúrgicos: a artroscopia, um procedimento cirúrgico pelo qual a estrutura interna de uma articulação é examinada para diagnóstico e/ou tratamento usando um instrumento semelhante a um tubo, chamado artroscópio.

Popularizada no estrangeiro por volta da década de 60, acabou por se tornar comum um pouco por toda a parte. É normalmente feita por cirurgiões ortopédicos em regime ambulatório – o que significa que os pacientes podem geralmente regressar a casa depois do procedimento-. “A técnica da artroscopia resume-se em inserir o artroscópio, um pequeno tubo que contém fibras óticas e lentes, através de pequenas incisões na pele para que a articulação possa ser examinada. O artroscópio está conectado a uma câmara de vídeo e o interior da articulação pode ser visto num ecrã de televisão”, explica o médico.

A cirurgia artroscópica é uma técnica muito pouco evasiva e que consiste em, através de pequenos furos, introduzir uma câmara e operar a olhar para um ecrã sem fazer grandes estragos. Inúmeros procedimentos podem ser feitos desta forma. Uma cirurgia artroscópica causa menos impacto nos tecidos, quando comparada com uma cirurgia tradicional, resultando em menos dor e numa recuperação mais rápida.

Engenharia dos tecidos no desporto – reproduzir tecidos do corpo humano em laboratório

“Deixem jogar o Mantorras”, recorda-se? O joelho direito do avançado que se consagrou no Sport Lisboa e Benfica não melhorou após quatro cirurgias e inúmeros tratamentos e ditou o final de carreira aos 28 anos.

Kerlon Foquinha passou seis cirurgias ao joelho e duas no tornozelo e o precoce fim de carreira deu-se aos 29 anos. Críticos de futebol garantiram que ele seria tão bom quanto Neymar.

No ténis, Andy Murray, aos 31 anos, anunciou a sua retirada dos courts por causa de uma lesão na anca. Chegou a ser número um do mundo no ranking ATP.

Muitos foram os atletas que viram chegar o fim da sua carreira devido a lesões e, nesta temática, a engenharia dos tecidos promete ser o fim, não de carreira, mas da falta de soluções para dar a volta ao resultado.

“A ideia é chegar a um ponto em que se vai conseguir reproduzir um tendão, um menisco e colocá-lo no corpo. Embora ainda em fase embrionária, a possibilidade de tratar lesões com tecidos do próprio atleta, irá permitir que uma lesão grave não signifique o término de uma carreira de um desportista, revela João Torres.

Papel do ortopedista no desporto e lesões mais frequentes

A ortopedia, tradicionalmente, é das especialidades mais associadas com o desporto, pelo tipo de lesões envolvidas. Com a evolução dos tempos a medicina desportiva começou a ser muito abrangente e, hoje, existem muitas pessoas dedicadas à medicina desportiva que nada têm a ver como a ortopedia”, afirma João Torres.

O papel do ortopedista tem no entanto uma importância relevante na investigação e tratamento das patologias.

Tratar um atleta é diferente de tratar um doente comum

Em termos de lesões, as lesões são diferentes porque as lesões das pessoas no dia-a-dia acontecem mais por desgaste continuado, contrariamente aos desportistas, em que o corpo sofre altas pressões constantemente.

O papel do ortopedista pode ser essencialmente dois. Dedicar-se à medicina desportiva em geral, algo que se vê muito nos EUA, ou o mais comum que é ser um traumatologista no desporto.

O leque das lesões mais frequentes é extenso e o seu tipo depende do desporto em causa. No entanto as áreas mais afetadas são os ombros, joelhos e tornozelos. As modalidades que mais risco apresentam são, segundo o nosso interlocutor, as de combate, de contacto direto ‘corpo a corpo’ e as com rotações, que põem mais em risco as estruturas ligamentares do membro inferior, como basquetebol e andebol.

Em Portugal há muito que se faz um bom trabalho em termos de medicina do desporto e por isso “já não há a necessidade de sair do país para tratar uma lesão desportiva: em Portugal converge uma panóplia de técnicas inovadoras assim como conhecimento para que os resultados sejam bons e rápidos”.

AEFMUP e o curso de Medicina Desportiva

Com o objetivo de projetar a conversação e o entendimento geral acerca de lesões desportivas, João Torres, criou em sinergia com a associação de estudantes da Faculdade de Medicina do Porto, o Curso de Medicina Desportiva. “A ideia surgiu depois de ter regressado dos meus estágios nos EUA, onde as lesões desportivas eram faladas e discutidas publicamente de forma didática. Enquanto entusiasta do desporto, pensei em criar um curso de Medicina Desportiva em que, num dia, conseguisse reunir um conjunto de patologias de áreas ligadas à MD e que quem participasse ficasse com uma ideia generalizada das principais patologias presentes na traumatologia desportiva e também, englobar várias áreas da saúde como nutrição ou a psicologia que estão também intimamente ligadas à boa prática de desporto. Depois de quatro edições, o curso é um sucesso em que as inscrições esgotam em poucos minutos e já se tornou num curso dedicado não só aos médicos mas aberto a várias áreas de formação em saúde”.

O curso é dividido em duas partes. A primeira, é reservada ao escrutínio de lesões específicas e mais comuns em certas regiões do corpo por parte de convidados especialistas.

A segunda, é dedicada a palestras, onde em edições anteriores se contam nomes como André Villas Boas ou Nélson Pulga – médico do Futebol Clube do Porto – e workshops em simultâneo em que os participantes escolhem aquele em que querem participar. A oferta varia e vai desde psicologia, nutrição do atleta, metodologia de treino, cirúrgicos ou traumatologia. No final, é realizada uma discussão de casos clínicos.

Aproximar o serviço público de emprego dos cidadãos e empresas

Para adequar os serviços prestados à maior autonomia e exigência (de conteúdo e tempo de resposta) dos cidadãos e empresas, o IEFP tem vindo a implementar, no âmbito da modernização do serviço público de emprego, projetos centrados na promoção de uma relação de confiança e qualidade, apostado na diversificação e melhoria dos seus canais de atendimento e prestação de serviços presenciais e a distância.

Existe, pois, uma clara aposta do IEFP na personalização de serviços, simplificação e desmaterialização, para uma resposta mais célere, sem custos e de qualidade, permitindo o alargamento das possibilidades de escolha dos cidadãos quanto à forma como pretendem aceder e utilizar os serviços.

De entre os desenvolvimentos mais recentes, ao nível da componente digital, destaca-se o portal iefponline, como alternativa ao atendimento presencial.

O iefponline é o balcão único de emprego de serviços interativos de emprego e formação profissional do IEFP, para cidadãos e empregadores, que facilita o acesso generalizado à informação e aos serviços, no sentido de responder aos desafios impostos pela crescente exigência que os cidadãos e as empresas pretendem e esperam de si.

Este portal conta com uma série de novas funcionalidades que facilitam a vida quer de cidadãos quer de empregadores. É fácil de usar, em função do tipo de utilizador, é seguro e permite o acesso por computador, smartphone ou tablet.

Para além de uma maior rapidez e agilidade no tratamento dos assuntos, este portal disponível todos os dias e todas as horas permite, também, uma maior proximidade entre as empresas e os cidadãos.

Das funcionalidades disponíveis online para cidadãos destaca-se a inscrição para emprego e a gestão da respetiva inscrição (consulta, alteração, atualização de dados ou anulação); a divulgação de currículos; a pesquisa e resposta a ofertas de emprego e estágios, a pré-inscrição em cursos de formação profissional; o pedido de declarações e a submissão de documentos. Encontra-se também disponível a possibilidade de submeter o requerimento do subsídio de desemprego.

O serviço de notificações eletrónicas é outra mais valia do iefponline. Ao aderir (apenas obrigatório para as entidades beneficiárias de apoios) o utilizador recebe as comunicações do IEFP na sua “caixa de correio digital” e um email de aviso de nova notificação. Este serviço representa ganhos para o ambiente e evita ao utilizador a deslocação aos correios.

É de destacar ainda a possibilidade de, através do iefponline ou por telefone ou email, ser possível agendar previamente o dia e hora em que quer ser atendido presencialmente no serviço de emprego.

Para as empresas que procuram trabalhadores ou apoios do IEFP existem funcionalidades específicas que permitem: consultar os currículos disponíveis e definir perfis de consulta, com possibilidade de contato direto com os candidatos que o autorizarem previamente; a divulgação e gestão das ofertas de emprego; a comunicação dos resultados do recrutamento; a candidatura a apoios, bem como toda a gestão e acompanhamento das candidaturas. Podem ainda receber informação sobre medidas de emprego, com alertas, notificações e troca de correspondência.

O iefponline enquadra-se numa estratégia que privilegia a proximidade e a personalização dos serviços, que se reflete também na adoção de formas de atuação mais ajustadas às necessidades de cada um.

É nesse sentido que o IEFP tem vindo a estreitar a sua relação com os empregadores, através da criação do Gestor+, um gestor para empresas com implantação nacional que presta serviços personalizados que integram as diversas valências do IEFP. Também para os candidatos a emprego, em especial para os desempregados de longa duração (ou em risco) e para os subsidiados, foi reforçado o acompanhamento por um Gestor Pessoal responsável por encontrar respostas adequadas que permitam o regresso ao mercado de trabalho.

 

Quer saber mais?

Entre em: https://iefponline.iefp.pt e veja por si.

 

“Enfrentamos os desafios lado a lado (com os nossos clientes)”

No sentido de contextualizar junto do nosso leitor, como podemos perpetuar o percurso da marca desde a sua génese, 2016, até aos dias de hoje?

Para contextualizar o surgimento da Paylink Solutions é preciso olhar mais para trás quando, ainda em modo embrionário, era um departamento de desenvolvimento para o grupo Totemic. Nessa altura, e enquanto departamento de software do grupo, providenciava as soluções necessárias para os negócios Totemic. Quando falamos do Grupo Totemic falamos de gestão e recuperação de crédito, de seguros, de empréstimo hipotecário, financiamento automóvel. Em 2016 a Paylink Solutions autonomiza-se e é formalizada como uma empresa de direito próprio, que aproveita a sua experiência interna para desenvolver soluções à medida para o mercado externo.

Assumem-se como um importante player na vertente do fornecimento de soluções digitais, direcionadas para diversas áreas de negócio. Quais são as principais caraterísticas das soluções «made in» Paylink Solutions?

Uma solução “Made in” Paylink Solutions é uma solução flexível e totalmente direcionada para ir ao encontro das necessidades e requisitos dos nossos clientes. Flexível porque abrange áreas de negócio diversas e direcionada, porque trabalhamos com os nossos clientes, não apenas para eles, mas e principalmente, com eles. Temos soluções standard que respondem à maioria das necessidades do mercado, mas também fazemos adaptações quando necessário, ou desenvolvemos de raiz se essa for a melhor solução. O foco da Paylink são os nossos clientes e procuramos que a solução apresentada seja tanto deles como nossa, trabalhamos para um “Made with” Paylink Solutions, muito mais do que para um “Made in” Paylink Solutions.

Relativamente à concorrência, como perpetuam a diferença na gestão, personalização e relacionamento com o cliente?

Os nossos clientes são mais parceiros que clientes, trabalhamos mais com eles do que para eles. É precisamente nessa relação que fazemos algo diferente. A relação quer-se sólida e duradoura. Trabalhamos em parceria sempre com uma base de transparência, confiança e amizade porque são eles os alicerces de qualquer operação. Se perdemos isso, perdemos os alicerces que sustentam todo o negócio. Acreditamos que perpetuamos uma diferença na gestão de clientes porque enfrentamos os desafios lado a lado, caminhamos juntos para um objetivo comum e com o total comprometimento que depois se traduz na redução dos riscos de falhar na entrega daquela solução específica, aquela solução que foi identificada previamente, como a solução perfeita para aquele cliente específico.

Quais são as principais soluções que disponibilizam em território luso?

A nossa solução mais sonante no mercado, neste momento, é o Embark Solution. Uma solução de onboarding digital que pode ser moldada para os mercados de crédito ao consumo, de imobiliário, de automóvel, entre outros. O Embark recolhe uma panóplia de informações do cliente final, de uma forma segura e rápida, perfeitamente ajustada às necessidades do nosso cliente. Esta solução pode ser integrada com vários módulos, incluindo o nosso Módulo de Pagamentos Instantâneo.

No âmbito das vossas soluções, existe alguma ou algumas que considere mais relevantes na orgânica da marca? Se sim, qual ou quais e que vantagens aporta ao mercado?

Sem dúvida o Embark porque tem a nossa marca genética. É uma solução que engloba vários anos de experiência e aprendizagem que advêm de trabalhar em mercados distintos, enfrentando vários desafios pelo caminho. A vantagem que o Embark traz para o mercado é que simplifica e ganha tempo na recolha de dados do consumidor final, apresentando um certificado/relatório final com todos os dados partilhados pelo próprio consumidor final, sejam eles extractos bancários, recibos de vencimentos, IRS ou mesmo o Mapa de responsabilidades de Crédito – tudo isto numa solução 100% digital, segura e disponibilizada em poucos minutos.

De que forma é que as vossas soluções se enquadram num mercado que é cada vez mais digital, tanto a nível institucional como para o consumidor final?

Temos que olhar sempre para o consumidor final ao mesmo tempo que olhamos para as necessidades do nosso cliente. Podemos criar uma solução aparentemente brilhante e de acordo com as necessidades identificadas, mas se não é funcional para o consumidor final, é inútil. O consumidor final, hoje, independente da idade, está cada vez mais digital. Há 15 anos era impensável que todos andassem com pequenos computadores de bolso e que acedessem a informação a velocidades alucinantes mas é, de facto, a realidade atual. Não podemos criar soluções que não acompanhem este ritmo veloz e tão contemporâneo, porque os nossos clientes não podem correr o risco de ficar para trás na corrida. A nossa experiência destes anos em UK tem-nos permitido acompanhar muito de perto esta era da digitalização e assim dar-nos conhecimento e sensibilidade para conseguir responder a este paradigma do mercado nacional.

A vossa solução de pagamentos online já está em vigor e funcionamento? Se sim, quais as vantagens da mesma e em que mercados é que está a ser inserida?

No Reino Unido, sim e já há alguns anos, porque a legislação assim o permite. Em Portugal, será integrada até ao final de 2019, visto que ainda existem algumas adaptações que estão a ocorrer no mercado para que a mesma possa ser utilizada de igual modo, como em UK.

Quando abordamos a vertente dos pagamentos online, um dos primeiros vetores que surge passa pela vertente da segurança. Este é um dos pontos primordiais das vossas soluções/produtos?

Sem dúvida alguma que a vertente segurança é fulcral para a nossa atividade. Hoje em dia, a segurança de dados pessoais é de um valor crucial. As nossas soluções e produtos são criadas e mantidas com o máximo de cuidados de segurança. É esse mesmo nível de cuidado que exigimos dos nossos parceiros e providers, razão pela qual somos uma entidade certificada com a ISO 270001.

O universo do digital está constantemente em mutação, obrigando que players como a Paylink Solutions estejam atentas quase diariamente. Como perpetuam esta dinâmica e qual a importância dos recursos humanos da marca para que a empresa não se deixe ultrapassar?

Para nós é tão relevante esse acompanhamento diário que optamos por ter um recurso 100% dedicado ao estudo e análise das alterações, não só a nível tecnológico, mas também legal, porque são ambas componentes primárias em soluções digitais como as nossas. No entanto, como instituição britânica, toda a empresa está em constante processo de formação e aprimoramento das competências, sejam eles os nossos developers ou a equipa de suporte, com os nossos project managers e business analysts, num esforço continuo para estarem sempre a par das alterações mais recentes e preparando-se para as futuras.

Na sua opinião, que consequências é que terá o Brexit para as empresas e negócios entre Portugal e o Reino Unido? Qual seria o melhor desfecho?

É difícil dizer… O melhor desfecho seria uma saída suave que não tivesse consequências graves mas, infelizmente, neste momento, é uma incerteza. Pode criar sérias dificuldades para empresas que negoceiem entre os dois países, especialmente devido a legislação ao nível da fiscalidade. A Paylink Solutions tem um escritório em Portugal que lhe permite trabalhar nos mercados da União Europeia teoricamente sem consequências, mas até à saída real, é impossível prever o que pode acontecer.

De que forma é que o Brexit já criou transtornos e mudanças no relacionamento empresarial entre ambos os países? No vosso caso, que impacto é que o mesmo teve?

Para já, não teve impactos graves porque ainda não se concretizou, a mudança principal foi mais ao nível de preparação para algumas possíveis consequências.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, insistiu que continua a ser possível o Reino Unido abandonar a União Europeia a 29 de março. Acha que é um prazo viável?

Viável, é. Desejável? Nem por isso. O Reino Unido é um membro fundador e importante na União Europeia, de tal maneira que é impossível calcular os impactos da sua saída, mesmo que seja bem programada e suave. Uma saída dia 29 de Março sem preparação, pode ser caótica a vários níveis.

Em 2015 foi adotada a diretiva de pagamentos pelo Parlamento Europeu, também denominada por PSD2. Quase quatro anos depois, de que forma é que a mesma veio revolucionar o mundo bancário e financeiro?

Como sabe, para muitos players, a diretiva comumente chamada de PSD2, será uma revolução para o mundo bancário e financeiro equivalente à chegada dos aplicativos móveis.

Mas importa referir, que o objetivo maior do PSD2 é melhorar a concorrência, a inovação e a proteção do cliente final. Para isso, a diretiva obrigará as instituições financeiras a uma transformação do “status quo” visto que as mesmas terão que adaptar as suas infraestruturas e serviços e, em alguns casos, os próprios modelos de negócios para o novo paradigma competitivo que se constituirá. De facto, a diretiva é de 8 de Outubro de 2015. Contudo, o caminho para a sua real implementação continuará a ser “ longo”, bastando para isso analisar o que tem acontecido em alguns países, entre eles Portugal, que só este ano está a transpor a Diretiva. Ou seja, levou cerca de três anos, para que a mesma fosse transposta para a realidade portuguesa.

Na nossa opinião, importa deixar claro, que o regulamento impõe mudanças em todos os níveis: nas instituições, nos mercados, no modo como o consumidor final passará a ser “o dono” dos seus dados. A grande alteração é mesmo essa, porque cria novas figuras no ambiente financeiro, entre eles, os Fornecedores de Terceiros (TPP) ou Fornecedores Externos de Pagamento.

Sente que este passo veio promover uma melhoria concreta ao nível do mercado, ou seja, da concorrência, da inovação e da segurança do consumidor final?

O Decreto Lei nº 91/2018, que aprovou o novo regime jurídico dos serviços de pagamentos em Portugal e que mais não é que a transposição da Diretiva comunitária de 2015, não apenas acelerará a mudança das instituições financeiras, reduzindo as barreiras à entrada e à chegada de produtos e serviços alternativos, como dará ao cliente final “uma nova força”, visto que passará a ter uma maior transparência e qualidade nos serviços financeiros, beneficiando da entrada de um novo “ conceito de banco”.

Por isso, sim. Sinto claramente que, como já acontece no Reino Unido e em Espanha, o novo conceito de banco significa que haverá novos players que irão operar sem a necessidade de serem bancos ou de terem os seus próprios produtos, permitindo que se ofereça um melhor aconselhamento aos clientes e um portfólio de produtos mais interessante, criando uma nova realidade de “Customer Journey “ que passará a ser o diferenciador, num mercado cada vez mais digitalizado onde a inovação, associada a elevados níveis de segurança, será preponderante para as escolhas do consumidor final.

O que podemos esperar da Paylink Solutions para o futuro, mais concretamente para 2019?

Em 2019 teremos uma posição mais marcante no mercado Ibérico. Finalizada esta fase inicial de apresentação da empresa e das nossas soluções, estaremos preparados para solidificar a nossa marca, num mercado que tem um grande apetite pelos nossos serviços.

Escolher Paylink Solutions é…?

Mais que escolher um provider, é escolher um parceiro com bastante know-how num mercado muito competitivo como o britânico, que procura trazer essa experiência e inovação para o mercado Ibérico, sempre com o intuito de ajudar os nossos clientes e parceiros a ir ao encontro da resolução para as suas inquietudes e problemáticas, e, em resumo, é escolher um parceiro em que as soluções foram bastante experimentadas e testadas ao longo de vários anos de aprendizagem contínua em UK.

 

26 Personalidades distinguidas na III Gala de Mérito das Mulheres Empreendedoras Europa & África

Durante o jantar de Gala assistimos à entrega de Prémios de Mérito (Óscar) das Mulheres Empreendedoras Europa & África em diferentes categorias.

Da saúde, às artes, passando pelo empreendedorismo, a política, o desporto ou a literatura, foram várias as mulheres que viram o reconhecimento do seu trabalho e do seu contributo para a sociedade com a atribuição do Prémio Mérito na III Gala de Mérito das Mulheres Empreendedoras Europa & África.

O evento contou com momentos musicais das artistas Sofia Hoffmann, Monáxi e Salomé Pais Matos, com um desfile da nova coleção da estilista Zaineb El Kadiri e com a peça “Como salvar um casamento”, uma comédia encenada por Lídia Franco, com texto original de Bruno Motta. “Porque o amor é um assunto que nunca se esgota, esta comédia é uma aula séria sobre relações amorosas”. Lídia Franco foi uma das mulheres distinguida com o prémio Mérito na categoria “Representação”.

A bailarina Carolina Costa, de apenas 12 anos, venceu o Prémio Mérito na categoria “Arte”, tornando-se na mais jovem mulher de sempre a ser galardoada com este prémio.

Na categoria “Empreendedorismo” foi a vez de Fátima Pereira da Silva, Helena Centeio e Patrícia Vasconcelos de verem o seu trabalho reconhecido.

“A Associação Mulheres Empreendedoras Europa & África saiu mais encorajada para continuar a valorizar o papel da mulher nas mais distintas áreas profissionais pelo conjunto do seu trabalho”.

A MEEA é um grupo de mulheres independentes, que ajudam criar sinergias entre mulheres de várias áreas sociais.

O prémio é uma iniciativa da Presidente e Fundadora da Associação Mulheres Empreendedoras Europa & África, Isabel de Nascimento, empresária e ativista social e cultural na Bélgica e Portugal.

A bailarina Carolina Costa, de apenas 12 anos, venceu o Prémio Mérito na categoria “Arte”, tornando-se na mais jovem mulher de sempre a ser galardoada com este prémio.

Na categoria “Empreendedorismo” foi a vez de Fátima Pereira da Silva, Helena Centeio e Patrícia Vasconcelos de verem o seu trabalho reconhecido.

“A Associação Mulheres Empreendedoras Europa & África saiu mais encorajada para continuar a valorizar o papel da mulher nas mais distintas áreas profissionais pelo conjunto do seu trabalho”.

A MEEA é um grupo de mulheres independentes, que ajudam criar sinergias entre mulheres de várias áreas sociais.

O prémio é uma iniciativa da Presidente e Fundadora da Associação Mulheres Empreendedoras Europa & África, Isabel de Nascimento, empresária e ativista social e cultural na Bélgica e Portugal.

Seguros de crédito: Portugal em quarto lugar à escala mundial

A Crédito y Caución é líder indiscutível do seguro de crédito no mercado interno e no crédito à exportação na Península Ibérica. Neste sentido, e para contextualizar o nosso leitor, como é que a Crédito y Caución tem vindo a promover uma dinâmica de confiança com os seus clientes no domínio do seguro de crédito?

Há vários fatores, mas o mais importante é a ênfase no serviço ao cliente e na disponibilidade para apoiar os segurados sempre que necessitam. Isso traduz-se em taxas de captação e retenção elevadas. Depois há fatores como uma cultura empresarial forte, uma ampla cobertura internacional ou a implementação de iniciativas para aumentar a eficiência e, com isso, a qualidade dos nossos serviços ao cliente.  A digitalização, por exemplo, tem permitido gerar eficiências e melhorar a acessibilidade e transparência dos nossos serviços.

Quais são as mais-valias das vossas soluções e de que forma é que as mesmas contribuem para o sucesso comercial dos vossos clientes?

Cada serviço oferece diferentes mais-valias, mas, de forma geral, aquilo que nos distingue é a adequação dos nossos produtos ao mercado e a constante ampliação da nossa oferta. A dedicação e experiência das nossas equipas é uma mais-valia igualmente importante, tal como a segurança de estarmos integrados num grande grupo mundial. Dispomos de mais de 50 milhões de registos empresariais, continuamente atualizados e monitorizados, e fazemos a análise diária de mais de 10 mil vendas a crédito. Isto representa um grande manancial de informação que dá confiança às empresas.

O Seguro de Crédito, talvez mais do que qualquer outro ramo de seguro, é fortemente influenciado pela evolução da situação económica e das diferentes variáveis conjunturais. Que análise perpetua deste setor em Portugal?

O seguro de crédito existe para reduzir riscos nas transações a crédito. Riscos decorrentes dos próprios intervenientes nas operações e os associados aos setores, países ou cenário internacional. Este será um ano difícil com aumento da incerteza global e do risco. O Brexit, a sucessão política na Alemanha, as eleições europeias e a possível afirmação de movimentos eurocéticos que aumentem o protecionismo, a situação em Itália e, acima de tudo, o acentuar da guerra comercial entre EUA e China são fatores que geram incerteza e que podem influenciar o comércio mundial. Em 2019 espera-se um acentuar das insolvências mundiais. A Europa Ocidental onde se localizam os nossos principais mercados de exportação vai liderar essa tendência com previsões para um aumento de 2%. Este cenário poderá potenciar o recurso ao seguro de crédito.

A relevância do setor de seguro de crédito é superior em momentos mais desfavoráveis a nível económico e financeiro?

É um mecanismo muito importante para as empresas, em especial, em momentos de maior incerteza. Através do seguro de crédito e dos serviços associados os nossos segurados partem para as suas transações com maior segurança. A segurança de conhecerem os seus parceiros de negócio em termos de solvabilidade, cumprimento e condições de pagamento. A segurança de terem o apoio para a cobrança de faturas caso seja necessário e a segurança de serem indemnizados se a operação não correr como previsto. Esta tripla garantia é fundamental para ajudar as empresas a expandir a sua atividade.

Sente que as empresas lusas perpetuam atualmente uma recetividade e conhecimento superiores das vantagens dos seguros de crédito?

As empresas portuguesas são boas conhecedoras do seguro de crédito e das suas vantagens e muito recetivas a esta ferramenta de gestão. Dados da Associação Portuguesa de Seguradores referentes a 2016 colocam Portugal como o quarto país, em termos mundiais, com maior penetração do seguro de crédito na economia. Esta posição é estabelecida com base na análise da relação entre prémios e PIB e pela evolução das vendas cobertas pelas seguradoras face ao PIB. Em 2016, o setor segurador nacional garantiu vendas equivalentes a quase 15% do PIB e perto de 20% das exportações. Acreditamos que este rácio está a crescer, acompanhando a maior dinâmica exportadora do país e o facto do seguro de crédito, pelo menos no nosso caso, ser hoje uma ferramenta à disposição tanto das grandes empresas como das PME.

Como é que este setor é essencial para que as empresas portuguesas consigam ter maior competitividade e segurança com a sua presença nos mercados?

O seguro de crédito mitiga a incerteza associada às transações a crédito. É uma segurança essencial para que as empresas avancem para novos mercados ou concretizem negócios com novos clientes sem que isso, em caso de incumprimento, ponha em risco a sua estabilidade financeira.

À medida que a carteira de clientes de uma empresa cresce e se diversifica torna-se, por vezes, difícil o controlo e a gestão assertiva da mesma. Este é um dos maiores desafios que as empresas enfrentam atualmente?

Temos desenvolvido diversos serviços para apoio às empresas nesse processo. Um exemplo é a nossa plataforma de análise comercial e procura de novos clientes. Centra-se no apoio à diversificação da carteira com base em critérios de solvabilidade. O CyCred Maps permite identificar novos clientes e filtrá-los com base no seu risco de incumprimento, delimitar zonas de atuação e desenhar áreas de influência para estudar individualmente cada potencial cliente e, por último, posicionar esses clientes num mapa e definir rotas otimizadas. Além de Portugal, esta busca de mercados potenciais está disponível para a Alemanha, Bélgica, Luxemburgo, França, Espanha, Noruega, Holanda e Suécia e, em breve, Irlanda e Reino Unido.

Depois temos toda uma área de apoio na gestão de faturas e cobranças, através da Gestifatura, que nos permite oferecer soluções personalizadas no apoio à gestão e recuperação de faturas em Portugal e no estrangeiro, independentemente do valor, antiguidade, setor ou dimensão da empresa.

Qual é a importância das avaliações de risco de crédito? Este é fundamental no âmbito da internacionalização e das exportações das empresas portuguesas?

A avaliação de risco é fundamental na internacionalização. Qualquer empresa que faça vendas a crédito para o exterior deveria conhecer bem o perfil de solvabilidade dos seus parceiros, o risco de incumprimento associado e os riscos macro que podem atuar a favor ou contra a operação. Só assim se poderá proteger e garantir que tem as suas vendas cobertas perante qualquer atraso de pagamento ou incumprimento. Sem este mitigar do risco, o insucesso de uma operação pode inviabilizar a continuidade da empresa.

Quais são as principais ofertas da Crédito y Caución neste domínio?

A nossa solução para a internacionalização, o CyComex, integra um conjunto de serviços de apoio à internacionalização. Desde logo, o acesso a informação prática sobre os processos de internacionalização, como questões legais, documentação, financiamento, garantias ou fiscalidade, bem como a disponibilização de informação de mercado que vai da identificação de oportunidades de negócio, a dados sobre o contexto empresarial, meios e prazos de pagamento, morosidade ou ações de cobrança. Inclui ainda um serviço de alertas internacionais que permite o envio, por email, de informação antecipada e relevante sobre mercados onde o cliente pretenda atuar.

Destacamos igualmente dentro do CyComex o serviço de consultoria personalizada que avalia a capacidade de internacionalização de uma empresa, assim como a sua necessidade de reorientação se já tiver experiência no âmbito internacional, podendo elaborar um Plano de Internacionalização com a finalidade de definir uma estratégia eficaz e rentável para a sua expansão internacional.

Que análise é possível fazer sobre a presença da Crédito y Caución em Portugal? Quais as perspetivas de crescimento? Uma das apostas passará pela fileira agroalimentar? Porquê este setor?

O balanço é muito positivo. Temos mais de 20 anos de presença no mercado, somos um dos maiores e mais reconhecidos operadores no setor, lideramos a nível ibérico e continuamos a crescer. Em 2018, o volume de prémios processados ascendeu a 18 milhões de euros com um crescimento na ordem dos 3% face a 2017. Em 2019 queremos manter este ritmo de crescimento e isso passa por disponibilizar os nossos produtos e serviços a todos os setores e tipologias de empresas, tanto no mercado interno como para exportação. O agroalimentar é sempre uma aposta pela capacidade exportadora das empresas do setor e pelo crescente reconhecimento nas marcas e produtos nacionais.

Uma rainha na hotelaria

Como justifica este sucesso e o relaciona com o facto de ser mulher?

Nos dias de hoje ser mulher é sinónimo de determinação, isto aliado à sensibilidade natural das mulheres traz resultados muito positivos para as empresas.

O sucesso das empresas são as pessoas, deve haver um equilíbrio, um ambiente misto e não um mundo só de mulheres nem só de homens porque é inegável que se complementam.

Como mulher encontrou muitas barreiras pelo caminho?

Admito que para chegar ao mesmo patamar que os homens é mais difícil, encontrei mais obstáculos mas, com dinamismo e perseverança chegamos lá e depois encontramos igualdade nos pares. Só precisamos das mesmas oportunidades!

Porque a sua empresa é considerada especial?

É difícil vender algo em que não se acredita ou não se gosta, acredito muito no nosso produto, o tratamento com o cliente é bastante diferenciador, não somos meros fornecedores, somos parceiros, conselheiros, consultores. Os nossos clientes aumentam as críticas positivas dos clientes deles porque adaptamos o artigo às necessidades do cliente, tendo em conta ambiente inserido, características da unidade e dos próprios consumidores.

Temos uma excelente relação qualidade preço, é muito importante sermos competitivos.

O meu objectivo principal é trazer mais cuidado, qualidade e luxo à hotelaria na área dos têxteis que, muitas vezes são esquecidos e deviam ser considerados como dos mais importantes porque a roupa de cama e banho são considerados os verdadeiros cartões-de-visita de um hotel, pois o seu uso reflecte-se directamente no conforto e satisfação do hóspede.

Como lidera a sua equipa?

O desafio é incluir toda a equipa e, fazer acreditar que quando a empresa cresce crescemos todos, e funcionários felizes e motivados são mais produtivos.

É licenciada em psicologia, isso ajuda na sua posição enquanto líder?

Penso que sim, deu-me algumas ferramentas para poder pôr em prática enquanto líder.

A liderança ainda é associada à capacidade de ser assertivo, dominante e ter autoridade mas, quando associamos isso a mulheres, pensamos na liderança de forma diferente. A liderança feminina é inclusiva, encoraja a participação, partilha o poder e informação com todos por isso tende a criar grupos mais fortes.

O estilo da mulher é inovador, assenta na qualidade, flexibilidade, comunicação e persuasão, assim como conseguem gerar altos níveis de empatia.

Que mensagem deixaria a outras mulheres?

Convidava todas as mulheres a acreditarem no seu potencial, a serem independentes e determinadas.

Mesmo com os desafios da vida moderna, que fazem com que as mulheres estejam verdadeiramente assoberbadas, não vamos desistir agora e perder o estatuto que tão difícil foi conseguir!

 

Em 20 anos o número de empresas certificadas já ultrapassou um milhão e meio

Num mundo cada vez mais global e onde as empresas se cruzam cada vez mais, que importância assume uma empresa como a eiC – especialista em certificações internacionais? Qual é a vossa área de atuação?

A pergunta é de facto interessante. Porquê um tal sucesso da Certificação no mundo. Porque é que, em pouco mais de 20 anos, o número de empresas certificadas já ultrapassou o 1.500.000?

A eiC distingue-se por ser obviamente uma entidade independente mas sobretudo por garantir uma grande proximidade aos clientes e desenvolver os serviços prestados sem perdas de tempo, sem percursos complicados e sem intervenções desnecessárias. Preocupamo-nos em reconhecer as necessidades de cada cliente e garantir qualidade no serviço prestado.

Oferecemos ao mercado certificações de Sistemas de Gestão (Qualidade, Ambiente, Saúde Segurança no Trabalho, Segurança da Informação, Segurança Alimentar, entre outras) e também certificação de serviços e produtos.

De forma a elucidar os nossos leitores, o que se entende por certificação internacional e qual a sua aplicabilidade?

Voltemos então ao sucesso das Normas ISO no mercado global.

A globalização veio colocar em contacto economias e culturas através do mundo como nunca antes tinha acontecido, o que originou uma procura pelos nossos serviços por parte de empresas que, embora longínquas de Portugal, têm necessidade de demonstrar que cumprem normas internacionais aos seus clientes, através das mais diversas certificações.

A eiC ao ter a quase totalidade da sua atividade acreditada e reconhecida pelo IAF (International Acreditation Forum) apresenta-se no mercado global como um parceiro lógico.

Para o sucesso da internacionalização, contribui existirem indutores de confiança e uma linguagem comum.

Vender produtos ou serviços a milhares de quilómetros só se tornou possível porque todos nos balizamos por Normas reconhecidas por todas as partes, geradoras da confiança necessária para que a ou as transações se efetuem

Além das Normas Internacionais, como a ISO, ou as Normas Europeias EN que tornam possível esta confiança, a existência de entidades independentes que garantam o cumprimento das mesmas é peça fundamental.

Essas entidades são empresas certificadoras acreditadas no âmbito do IAF (International Acreditation Fórum) organização, que define a nível mundial os procedimentos que cada

organismo de certificação deve cumprir de forma a garantir que fornece serviços de forma competente e imparcial.

Só com este conjunto, documento que define os requisitos necessários (norma) e entidade que garante serem esses requisitos cumpridos, se garante a confiança.

Estão presentes em Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde e Itália. Existem muitas diferenças entres estes países nos processos de obtenção de certificação?

Talvez seja preferível refrasear a pergunta. Digo isto porque o processo em si decorre de regras e requisitos de carácter global que são horizontais em todo o mundo. Não há consequentemente diferenças.

Creio que aqui se estaria a referir à forma como os agentes destes diferentes países encaram a certificação e aí de facto existem situações com diferenças significativas entre, por exemplo, Itália um dos países com maior densidade de entidades certificadas e outras regiões onde a atividade económica está agora a entrar em desenvolvimento. Nesses países as necessidades de exportação que se vão fazendo sentir podem considerar-se a grande alavanca para a procura pela certificação.

Ainda, referindo um país onde a procura já é de algum valor, Angola, pode apontar-se a pressão de algumas indústrias, nomeadamente a petrolífera como motor para a demonstração do cumprimento de normas sobre a maioria dos seus fornecedores.

Interessante referir que há efetivamente abordagens diferentes ao tipo de certificação. Enquanto os aspetos da Gestão da Qualidade, referimo-nos concretamente aos Sistemas de gestão da Qualidade ISO 9001 que geram interesse e procura de forma transversal. Em todas as economias e regiões são normalmente as mais utilizadas.

Já quando olhamos para outros referenciais normativos, enquanto em Angola o cumprimento dos aspetos de Saúde e Segurança no Trabalho são fulcrais, em Itália há um enfoque maior no cumprimento dos aspetos ambientais.

Quais são as principais dificuldades que uma empresa denota na hora de obter uma certificação?

Eu diria que a obtenção da certificação é a fase final de um processo que começa muitas horas de trabalho antes.

Começa na implementação do sistema de gestão preconizado pela Norma selecionada, procurando construir um sistema que além de dar resposta aos requisitos ali expressos reflita a empresa, sua cultura e estratégia.

Da minha experiência, seria caso para dizer, e afirmo o sem base científica, apenas por perspetiva pessoal, as principais dificuldades são o envolvimento das pessoas, fazê-las acreditar nos benefícios que irão resultar para a organização em si e para os próprios em particular.

O sucesso de um projeto deste tipo é alcançar um sistema que se adapte às necessidades da organização, que prove ser útil, que seja de facto utilizado no dia-a-dia e conduza ao almejado processo de melhoria contínua.

Nesse processo, qual o papel desempenhado pelo organismo certificador?

O organismo certificador surge após a implementação do sistema de gestão ter sido realizada e torna-se num parceiro fundamental no processo de melhoria contínua do seu sistema de gestão.

Existe uma grande contribuição, no sentido de ter ao seu serviço auditores experientes e competentes, que se preocupam em avaliar um sistema pelas questões de substância e não de pormenores eventualmente irrelevantes para a performance da empresa.

Distinguir entre o que de facto ajuda a organização a melhorar e não levantar questões que muitas são apenas de forma.

Envolver os colaboradores é um dos maiores desafios?

Sem dúvida. A motivação dos colaboradores num objetivo comum levando os intervenientes a acreditar na importância de um sistema de gestão no funcionamento da organização na melhoria de resultados e na melhoria do seu dia-a-dia e nos seus resultados pessoais.

A eiC também efetua auditorias cuja importância se reflete no desempenho melhorado das organizações. Que outras vantagens podem ser retiradas de tais auditorias?

Ao evidenciar que cumpre os requisitos associados á uma determinada Norma uma empresa certificada mostra a diferença e gera um acréscimo de confiança aos clientes atuais e potenciais.

Por outro lado, estar certificado é uma afirmação pública e uma garantia de cumprimento das expectativas dos seus parceiros.

Para além da melhoria de imagem que decorre da Certificação, ao debruçar-se igualmente sobre a gestão dos processos e sobre a melhoria continua, as empresas que adotam a certificação gerem melhor as suas fragilidades e os seus pontos fortes, criando uma sequência de indicadores que, devidamente utilizados, propiciam uma gestão com base em dados reais, garantindo uma adequada avaliação das decisões tomadas e do grau de satisfação que os franchisadores percecionam nos serviços que lhes são prestados.

Em suma: a certificação melhora a imagem da empresa através da segurança adicional que transmite permitindo, em simultâneo, gerar internamente uma cultura da Qualidade e de satisfação de todas as partes interessadas.

 

 

Fabrimetal lança produto que até à data não é produzido em angola

O lançamento está previsto para finais abril, no meio deste investimento ainda vai surgir um novo forno e assim capacitar a empresa a passar das oito mil toneladas de varão de aço para 15 mil, por mês.

“É preciso uma forte resiliência para estar em Angola e esse tem sido um dos grandes desafios. O maior desafio de um gestor em Angola é criar condições para conseguir colocar o seu produto fora. Este lançamento vai alavancar outros setores como a metalúrgica, serralharia e outros do género sem os quais o setor da construção civil não existe”, começa por dizer Luís Diogo.

A Fabrimetal é uma das organizações angolanas que cria impacto desde que começou a sua produção em 2010. E são ainda um dos grandes produtores de aço nacionais que contribuem para a redução de exportações e consequentemente para a diversificação da economia

Em 2012, a importação média mensal de aço em Angola, de acordo com dados do Conselho Nacional de Carregadores de Angola, era de cerca de 25 mil toneladas por mês, hoje esses números desceram e, no caso da Fabrimetal – que já contribui com 8 mil toneladas por mês – tal facto traduz-se em menos importações e aumento da produção nacional. Por outro lado, em termos do mercado da construção civil, já não se verifica a mesma dimensão mas as empresas de construção civil “começaram a olhar mais para o mercado local – onde estamos – e começam a reconhecer cada vez mais o nosso produto como um produto de qualidade”, afirma o diretor geral, que continua a explicar o impacto económico criado pela empresa produtora de aço: “Empregamos, neste momento, 600 trabalhadores nacionais e cerca de 130 expatriados. Se tivermos em conta que o agregado familiar mínimo em angola tem, em média, cinco elementos, podemos dizer que contribuímos diretamente para o rendimento de 2500 pessoas, e ainda todo o ciclo em torno do negócio, a nível de fornecedores e subcontratados sobre os quais somos também parte do seu rendimento”.

Também a questão ambiental é uma das maiores premissas da Fabrimetal que, só em 2017 transformou 92 mil toneladas de sucata de metal em aço.

Apesar de constituída em 2006, só 2010 a empresa começou a produzir, devido a questões burocráticas.

Começaram por produzir em novembro de 2010, 1000 toneladas por mês e para um segmento muito específico – o mercado informal – que normalmente opta por preços baixos e alto consumo. Das mil toneladas até às atuais oito mil, a Fabrimetal foi crescendo a olhos vistos. Em 2014 foi o grande aumento de produção e em 2015 tomam uma decisão que se tornou crucial para o sucesso alcançado: “Com a crise, o setor da construção civil começou a ter problemas em importar os materiais, havia imensas restrições pela falta de divisas. A Fabrimetal começou a ver o mercado formal/profissional como uma oportunidade e criou as condições necessárias para se tornar num dos principais produtores de aço nacional e abastecer as empresas que estavam com dificuldades”, explica Luís Diogo.

Fizeram investimentos significativos, nomeadamente ao nível da qualidade de produto. A qualidade já existia, mas era preciso mostrá-la. “Aquilo que quisemos mostrar, principalmente, às pessoas é que comprar Fabrimetal é sinónimo de confiança, que sabem onde estamos e que, por isso, podem ver facilmente aquilo que produzimos”.

Mas o que agora está consolidado não foi fácil de alcançar: “Houve uma grande preparação para isto, conseguimos materializar este objetivo e em 2016, 99,9% do nosso volume de negócio transformou-se em mercado formal e não informal como inicialmente. A crise foi assim, um fator determinante de sucesso, fez-nos perceber que tínhamos espaço no mercado e que o caminho era para a qualidade do produto e para a profissionalização do setor e ainda exportar. Numa época em que todos reduziam os investimentos, nós aumentamos”.

“Angola pertence à zona de comércio livre, as portas abriram-se e por isso o país terá que se adaptar”, recomenda e explica que os passos internacionais que a empresa quer dar são direcionados aos países africanos mais próximos.

“Existem barreiras que apesar de menores, continuam problemáticas como a energia e a água. O país tem vindo a melhorar e Luís Diogo, acredita assim que os empresários angolanos têm que apostar essencialmente na qualidade do produto.

A Fabrimetal tem marcado presença em várias feiras e 2019 não será diferente. Desde 2015 que apresentam os seus produtos em feiras e na opinião de Luís Diogo “além de mostrar o que fazemos, temos a possibilidade de procurar mão-de-obra necessária e é importante mostrar ao mercado que as profissões técnicas são essenciais enquanto motor do mundo de trabalho”.

 

 

 

 

 

“Custa muito sair da zona de conforto, mas é fundamental para o crescimento”

Ao longo da sua experiência profissional já acumulou experiência como advogada, mediadora, jurista, consultora e Ministra da Justiça, Administração Publica e Assuntos Parlamentares de S. Tomé e Príncipe. O que a motiva e a inspira diariamente para alcançar os projetos e objetivos a que se propõe?

Sou uma mulher de fé, acredito que aprendo todos os dias e, sobretudo, gosto de superar-me. O conhecimento é dinâmico, o que sabíamos ontem já foi melhorado hoje; então, inspiro-me nessa perspetiva dinâmica dos acontecimentos.

Edite Ten Jua é também uma mulher empreendedora e dona da marca TEN JUA Collection, um dos seus sonhos desde criança. Em que momento da sua vida surge este projeto? Que valor aporta para si?

A Ten Jua Collection surge de três fatores fundamentais ao longo da minha vida. De uma mãe que embora de origem humilde sempre teve bom gosto e sempre valorizou a qualidade sobre a quantidade.

Na adolescência tive alguns amigos ligados a moda e que através dos mesmos comecei a ir ao Moda Lisboa e aos desfiles de moda. Estávamos na década de 90, início dos anos 2000 e é a altura em que surgem as icónicas modelos como a Naomi Campbell, a Claudia Schiffer, Christy Turington, a Cindy Crawford entre outras e na moda portuguesa as fantásticas Ana Marta Faial, a Sofia Aparício, a Nayma.

A tudo isto acresce a minha ida à Nigeria em 2004, por razões profissionais, onde me deparo com uma vivência diferente. A riqueza dos panos africanos, no contexto dos mercados cheios de cores e aromas tropicais. As diversas línguas locais e sobretudo a história por detrás do pano africano. Aprendi que os panos caracterizam diversas etnias e são utilizados em cerimónias específicas, servindo como elemento unificador e representativo de respeito.

A TEN JUA Collection surge em 2006, tendo aberto a primeira loja em S. Tomé no ano de 2007, seguiu-se uma segunda loja em Abuja (capital da Nigeria) em 2010 e em 2017 abrimos uma pop-store no Chiado, em Lisboa. Neste momento estamos a abrir novamente em S. Tomé.

A moda tem relevância, na medida em que é uma forma de comunicar, ela exprime quem somos ou o que queremos projetar, ela contém em si uma mensagem. Ao mesmo tempo, a moda conta uma história, seja no corte, seja nos tecidos utilizados. E sobretudo a moda representa uma área de investimento em crescente expansão.

Como se definiria enquanto profissional? Diria que a veia de empreendedora já nasceu consigo?

Enquanto pessoa posicionei-me em ser uma solução, uma resposta, e transporto isso para a minha vida profissional. Acredito que sim, que a veia empreendedora já nasceu comigo. Acredito que essa vocação foi reforçada pela minha mãe que era, efetivamente, uma grande empreendedora, uma mulher que estudou somente até à 4a classe, mas que era avançada para o seu tempo, no sentido dos princípios que ela valorizava: a educação, as boas maneiras, o diálogo. Igualmente, acredito que, enquanto africana que veio para Portugal em 1976, fiz parte de uma geração que tinha de se superar, porque viemos sem nada e tínhamos de enquadrarmo-nos numa sociedade diferente e em que tínhamos de vencer.

Enquanto Cristã acredito que todos temos em nós o poder criativo de Deus. Tanto quanto sei, Deus não faz cadeiras, mas fez árvores e delas o ser humano cria objetos infindáveis, então nós temos a capacidade de criar.

Defende que é importante sair-se da zona de conforto e ir atrás do que realmente se gosta de fazer. É este lema que tem pautado o seu percurso?

Custa muito sair da zona de conforto, mas é fundamental para o crescimento e para que possamos abrir novos horizontes. Gosto de ilustrar que o próprio processo de nascer é extremamente doloroso e stressante quer para mãe, quer para o filho. Mas se a criança ficar no conforto do útero materno nunca será a pessoa que deveria ser. O desconforto, a dificuldade e até os fracassos são elementos propulsores para o crescimento e o sucesso.

É ainda escritora e autora de histórias infantis como o livro “Tita Catita” e defensora do empoderamento das mulheres e dos direitos das crianças. Que projetos tem ligados a estas causas?

Escrevo livros infantis porque acredito que só se consegue ser grande sonhando e idealizando. E as histórias são, de facto, um meio de dar a conhecer estórias, hábitos e costumes, ao mesmo tempo que se incute o hábito da leitura. Cada vez lemos menos. Nunca tivemos uma sociedade com tanto conhecimento disponível, ao toque de um dedo, de uma tecla. A era digital é, sem dúvida, uma grande aquisição, mas também nos tornou seres mais isolados, alimentados por imagens predefinidas, em que em vez de se procurar a autenticidade se cultiva o copiar a história do outro. O querer ser o outro.

O livro, na minha opinião, alarga a imaginação. Potencia a curiosidade e a aprendizagem.

No âmbito dos direitos das crianças tenho através da minha Fundação El-Shaddai feito ações com crianças desfavorecidas em África, onde o acento tónico é a escola, a educação e a importância da estruturação familiar.

Quanto as mulheres tenho tido a oportunidade de participar em colóquios e debates sobre a temática da mulher, no contexto do combate à violência doméstica, a necessidade de maiores oportunidades laborais e a representatividade, sobretudo política. Mas, considerando sempre que as mulheres, sobretudo mães e encarregadas de educação, devem promover, incentivar o conhecimento das meninas e mulheres de modo a que adquiram efectivamente as competências necessárias para preencher lugares chaves na sociedade.

Em 2004, quando integra os quadros da organização internacional Autoridade Conjunta Nigéria – S. Tomé e Príncipe, exercendo funções na unidade Jurídica (que dirigiu entre 2008-2010), torna-se na primeira mulher advogada santomense no setor do Petróleo e Gás. Este foi, na altura, um verdadeiro desafio para si?

Foi um grande desafio. Vinha de um background de advocacia em Portugal e Moçambique. Estava, na altura, a dirigir o Departamento de Tax & Legal da KPMG Angola, através do qual tive a oportunidade de passar pela KPMG Africa do Sul e KPMG Moçambique. Angola apresentava-se um espaço profissional interessante, após a guerra civil, despertando um enorme interesse às grandes empresas internacionais. Tinha sido convidada para criar de raiz a prática jurídica e fiscal da KPMG Angola e formar jovens quadros talentosos para os desafios empresariais que se avizinhavam. Foi uma época profissional muito interessante, em que tive como grande mentora a saudosa Isabel Serrão, então Sénior Partner da KPMG Angola, alguém que me incentivou imenso na minha carreira e que me mostrou que as mulheres podem e devem empoderar outras mulheres no contexto profissional.

Na mesma época recebo um convite para dirigir a Polícia de Investigação Criminal de S. Tomé e Príncipe, convite que declinei devido a esta grande responsabilidade profissional que se me apresentava em Angola.

Mas, anos antes S. Tomé e Príncipe começara a surgir no contexto da exploração petrolífera, sobretudo na Zona de Desenvolvimento Conjunto com a Nigéria; e eu havia-me candidatado para preencher uma vaga como advogada na organização internacional Nigeria-São Tomé e Príncipe e, em 2003, recebo a oferta de trabalho.

Foi, efetivamente, um grande desafio, que me tornou na primeira mulher jurista no setor do Petróleo e Gás. Vinha de um background de advocacia em Portugal e Moçambique, onde exerci advocacia nas firmas Macedo Pinto & Pedrosa Russo e a sociedade António Vasconcelos Porto & Associados. Num país com uma língua diferente (o inglês), com um sistema jurídico diferente, numa indústria eminentemente masculina. Foram anos em reuniões em que eu era a única mulher. Devo reconhecer o cavalheirismo dos colegas, mas no estágio da progressão o mundo profissional ainda é muito masculino.

No entanto, há que reconhecer da mesma forma a presença feminina transversalmente nos diversos setores profissionais da sociedade; embora ainda tenhamos um longo caminho a percorrer no sentido da consolidação da nossa presença. Temos de continuar a advocacia por salários iguais para funções iguais, maior representatividade nos Parlamentos e maior oportunidade para as meninas e mulheres.

Durante o seu percurso profissional enfrentou obstáculos pelo facto de ser mulher? A desigualdade de género é uma realidade para si?

Não e sim. Não, porque pertenço a uma classe profissional com muitas mulheres, porque tive o privilégio de abraçar projetos pioneiros, o que logo, à partida, me colocou na primeira linha de os desenvolver. Mas sim, no que concerne à progressão na carreira. No início da minha carreira senti que ser mulher, jovem e negra criou alguns entraves a uma maior progressão.

Parece-me que a sociedade permite, acede à capacidade da mulher para iniciar, para maturar projetos, mas, muitas vezes, quando é o momento de reconhecer o trabalho, o empenho e as escolhas recaem nos homens.

Em alusão ao dia 8 de março, dia internacional da mulher, desejo que as mulheres sejam mais unidas e que assumam o papel de mentorar outras meninas e mulheres, ao mesmo tempo em que educam os rapazes a serem fortes e decididos, mas reconhecedores do valor de uma mulher. No essencial, que a sociedade progride de modo mais sustentável se tiramos partido das capacidades próprias e inerentes, quer dos homens quer das mulheres.

Quem é Edite Ten Jua?

Atualmente exerço as funções de Assessora dos Assuntos Petrolíferos do Primeiro-Ministro e Chefe de Governo da República Democrática de São Tomé e Príncipe. Fui convidada a colocar os conhecimentos adquiridos ao longo de quinze anos no setor petrolífero ao serviço do país.

São Tomé e Príncipe está estrategicamente localizada na zona do Golfo da Guiné, a qual é efetivamente uma das regiões geológicas mais ricas do mundo em hidrocarbonetos.

O setor do petróleo e gás é a par do turismo, da agricultura e das pescas um dos sectores de grande importância para São Tomé e príncipe, a qual possui duas grandes áreas com grande potencialidade em petróleo e gás: a zona económica exclusiva e a zona de desenvolvimento conjunto com a república federativa da Nigéria, ambas têm despertado grande interesse internacional.

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