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Ana Rita Silva

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Livros gratuitos ate ao 12º ano

O líder parlamentar comunista, João Oliveira, congratulou-se com o acordo alcançado no âmbito das negociações para o Orçamento do Estado para 2019,​​​​​ embora “esteja ainda por operacionalizar a forma como a medida vai ser implementada no terreno”, a partir do ano letivo de 2019/20, ou seja, até setembro do próximo ano.

Até agora, os livros gratuitos abrangiam somente os 1.º e 2.º ciclos, ou seja, o ensino básico, alargando-se agora aos 7.º, 8.º, 9.º, 10.º, 11.º e 12.º anos de escolaridade. Segundo estimativas dos comunistas, os custos da medida anunciada ascendem a “pouco mais de 100 milhões de euros”.

Esta confirmação surge a três dias da data para a entrega da proposta governamental da Lei do Orçamento do Estado para 2019 (OE2019), com o fim de semana de permeio. O documento tem vindo a ser alvo de negociações bilaterais, desde antes do verão, entre o executivo e os outros partidos da maioria de esquerda: BE, PCP e PEV.

Outra medida já “fechada” entre o executivo socialista e os seus parceiros parlamentares, segundo o deputado comunista, foi o “reforço do abono de família, entre o três e os seis anos de idade, cujo valor passa a corresponder a um terço da verba destinada aos primeiros três anos” de uma criança.

O OE2019 tem de dar entrada no parlamento até 15 de outubro, seguindo-se o seu debate na generalidade entre 29 e 30 de outubro. A votação final global, após o período de discussão na especialidade, com a possibilidade de introdução de alterações por todos os partidos, está agendada para 29 de novembro.

Atirar água, a beata para o chão ou cuspir são alguns dos hábitos que dão direito a multa

Sabia, por exemplo, que atirar beatas para o chão já dá direito a multa? Esta não é uma regra que se aplique em todos os municípios, aliás, como refere a DECO, “cada autarquia é responsável por aprovar os regulamentos que definem quais as condutas que não podem ser adotadas”.

No que às beatas diz respeito, o município do Funchal estabeleceu uma coima de até 50 euros para quem for apanhado a violar o estabelecido. No entanto, em Leiria os valores das coimas variam entre os 100 e os 500 euros, se for uma pessoa singular. Caso seja uma pessoa coletiva a violar as regras então o valor das coimas sobe para de 200 a 1000 euros.

Mas há mais comportamentos passíveis de serem multados e que até nem são uma novidade.

Aliás, já noticiámos que não é letra de lei que possa ou não lavar varandas com derrame de água para a via pública. Em muitos municípios só é possível levar a cabo esta ação durante a noite, pois não há perigo de a água atingir pessoas que caminhem no passeio. A DECO refere que em Oeiras é proibido“regar plantas em varandas e sacadas de forma a derramar água na via pública, desde as 07h00 até às 00h00”. Mais a norte, no Porto, estas ações estão proibidas entre as 08h00 e as 23h00”.

Mas não é só a água das varandas derramadas para a via pública que pode originar coimas, pelo menos em Matosinhos, onde são aplicadas coimas que podem chegar aos 5.800 euros a quem instalar equipamentos de ar condicionado nas fachadas dos prédios que vertam líquido para a via pública.

No que toca a alimentar os pombos há mais municípios com decisões unânimes. As autarquias de Cascais, Lisboa, Porto e Sintra proíbem esta prática, sendo que na capital a coima pode chegar aos 106 euros.

Longe vão os tempos em que os proprietários das casas atiravam baldes de água a quem apanhassem a urinar contra o seu prédio. Ora, tendo em conta que agora é proibido verter água para a via pública, a situação resolve-se com a aplicação de coimas a quem for apanhado a urinar na via pública de municípios como Lisboa, Oeiras, Porto e Matosinhos. Neste último a coima pode chegar aos 5.800 euros e aplica-se não só ao ato de urinar, como também ao de cuspir para a via pública.

De referir ainda que quem for apanhado a deixar o saco do lixo junto ao caixote cheio – mesmo que esteja bem fechado – poderá ser alvo de coimas e o mesmo se aplica a sacudir tapetes à janela.

Por fim, fique a saber que não pode utilizar fogareiros de carvão se estes prejudicarem os vizinhos, seja pelo fumo ou pelo cheiro que os assados emanam (especialmente quando se trata de peixe). Mais uma vez é o município de Matosinhos que, conforma aponta a DECO, aplica a coima mais pesada a quem incomodar os vizinhos com fogareiros: 2.900 euros, no máximo.

Não se esqueça que cada autarquia é livre de estabelecer o seu código de conduta a ser seguido pelos cidadãos, por isso, em caso de dúvida consulte o site do seu município ou contacte diretamente com a autarquia para dissipar todas as dúvidas que possa ter.

“Devastação humana”, é assim que a Amnistia Internacional descreve o cenário sírio

People walk with their belongings as they flee the rebel-held town of Hammouriyeh, in the village of Beit Sawa, eastern Ghouta, Syria March 15, 2018. REUTERS/Omar Sanadiki TPX IMAGES OF THE DAY

Por outro lado, a poucos dias do fim do prazo para a concretização do acordo para a criação de uma zona desmilitarizada na província de Idlib, último bastião da Oposição ao regime sírio, a AI apelou aos países envolvidos para que evitem uma nova catástrofe humanitária nesta zona.

“O que vi em Raqa chocou-me no íntimo. Edifícios bombardeados, água corrente e eletricidade quase inexistentes e um odor a morte no ar. Que alguém consiga viver aqui desafia a lógica e é um testemunho da notável resiliência da população civil”, disse o novo secretário-geral da organização, Kumi Naidoo, citado num comunicado da AI.

Kumi Naidoo devia falar hoje numa conferência de imprensa em Beirute, no Líbano, para dar conta dos resultados de uma deslocação ao terreno, mas um problema com os vistos impediu a sua presença.

O responsável da AI adianta que os ataques da coligação liderada pelos Estados Unidos, há quase um ano, “mataram centenas e deslocaram milhares de civis”.

Muitos destes, acrescentou, estão a regressar à cidade em ruínas, enquanto outros “definham” em campos de deslocados.

Kumi Naidoo sustentou ainda que a “mesma terrível realidade” é vivida por sobreviventes em outras cidades, onde as forças russas e sírias, “destruíram hospitais e instalações médicas, escolas e infraestruturas”, privando as populações de “direitos básicos”.

Com o prazo para a implementação de uma zona desmilitarizada na província de Idlib – 15 de outubro – a chegar ao fim, o responsável da AI expressou, por outro lado, receios pela proteção dos civis, especialmente os que vivem fora da referida zona.

“Como o Presidente Bashar al-Assad disse nas suas mais recentes declarações públicas, este acordo é temporário, o que significa que os civis não estarão protegidos muito tempo, especialmente aqueles que vivem fora da zona desmilitarizada”, alertou.

“O povo da Síria habituou-se a falsas promessas de segurança, especialmente da Rússia e do governo da Síria. Monitorizaremos a implementação da zona desmilitarizada para continuar a denunciar as violações das leis humanitárias internacionais cometidas contra civis por todas as partes em conflito”, disse.

Kumi Naidoo assegurou que “os olhos” da AI estão em Idlib, instando a comunidade internacional a “não olhar para o lado”.

“Os nossos receios pela população civil em Idlib baseiam-se no registo de completo desprezo pelos princípios fundamentais de humanidade do governo da Síria”, sublinhou.

A Amnistia Internacional documentou dezenas de ataques ilegais a civis por parte, quer do governo sírio, com o apoio da Rússia e do Irão, quer de grupos armados da Oposição, apoiados pela Turquia e outros países.

Dezenas de milhares de civis foram mortos e mutilados, dezenas de milhares foram submetidos a desaparecimentos forçados, arbitrariamente detidos e torturados.

Milhões de civis foram deslocadas internamente e privados de alimentos e de outras necessidades básicas, milhares deles depois de terem sido alvo de ataques pelas forças do Governo e, em menor medida, por grupos da Oposição.

“Todas as partes, incluindo o Governo sírio e seus aliados e a coligação liderada pelos EUA, devem facultar às vítimas e suas famílias uma reparação completa”, considerou o secretário-geral da AI.

O responsável acusou o Governo sírio de continuar a cometer “crimes de guerra que incluem ataques a civis em Ghouta e Daraa orientais, deslocação forçada de milhares e bloqueio da ajuda das agências humanitárias.

Pelo menos 3.273 pessoas morreram, incluindo 1.287 civis, em Raqa durante os mais de quatro messes (entre 5 junho e 17 de outubro) da ofensiva contra o grupo Estado Islâmico (EI) por parte de uma coligação liderada pelos Estados Unidos da América e que integrava as Forças Democráticas Sírias (FDS), uma aliança de combatentes curdos e árabes apoiada por Washington.

A ponte entre academia e empresas em Portugal

Fazer um doutoramento em Portugal é cada vez mais um exercício complexo e ao mesmo tempo interessante de se fazer. Entender o contexto de ter um doutoramento também. Com a massificação e alguma desvalorização das licenciaturas e dos mestrados pós-bolonha, realizar um doutoramento é hoje uma forte alternativa e forma de diferenciação curricular e profissional num mercado de trabalho muito complicado e de difícil entrada.

Educação, formação, ensino superior de excelência, crescimento e qualificação pessoal e profissional, produção científica e inovação são bandeiras de um país desenvolvido e em crescimento, também associadas a um doutoramento. As universidades portuguesas formam mais doutorados que nunca, 3000 novos doutores por ano – valor de louvar – mas ainda abaixo dos valores totais recomendados pela OCDE no seu relatório preliminar em 2017. No entanto, o panorama deixa de ser tão positivo quando se percebe que alguns doutorados podem estar nos sítios errados e com as suas qualificações subaproveitadas.

Portugal tem uma clara escassez de doutorados integrados no tecido empresarial nacional, evidenciada em diversos estudos ao longo dos anos e reforçado pela OCDE. Apenas cerca de 4% dos doutorados em Portugal trabalham numa empresa (dados Advencis 2015), estando mais de 80% nas universidades e nos centros de investigação, muitos em situação laboral precária e a viver num pós-doutoramento de bolsa em bolsa. Estes valores reduzidos levam ainda a maior apreensão quando comparados com taxas de integração em empresas superiores a 30% em países como a Bélgica, Holanda e Dinamarca, ou mesmo com os distantes 40% nos Estados Unidos da América.

O tecido empresarial português é formado por 98% de pequenas e médias empresas (PME’s), que apresentam ainda alguma impermeabilidade e relutância à integração de doutorados nos seus quadros, tanto pela falta de recursos financeiros e massa crítica como pela cultura empresarial nacional não reconhecer ainda plenamente a mais valia de um doutorado. O crescimento e melhoramento da qualidade das empresas, associado a modernização, inovação e sofisticação está dependente de profissionais mais qualificados, e os doutorados não estão a entrar nesse circuito. A economia nacional tem a ganhar com uma maior fixação de doutorados no tecido empresarial e com o desenvolvimento de programas específicos para trazer o conhecimento especializado às empresas e por consequência à sociedade.

As parcerias entre academia e empresas continuam a ser reduzidas e devem ser incentivadas através de doutoramentos em empresas e instituições não académicas, quer através de Programas Doutorais quer através de bolsas individuais de doutoramento, ambos através da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Mas o fomentar desta sinergia não recai apenas na tutela da FCT. É necessário aproximar universidades e empresas, aumentar a comunicação, falar a mesma ‘’língua’’, reduzir o desfasamento de interesses que ainda existe entre a realidade académica e a realidade empresarial. É fundamental que doutorados altamente especializados façam parte do sistema produtivo português.

No seguimento destas necessidades nacionais, Coimbra recebeu a primeira edição do Simpósio Drugs R&D. Este simpósio internacional foi organizado pelos doutorandos da 1ª edição do Programa Doutoral FCT em empresas, em Investigação e Desenvolvimento do Medicamento (Drugs R&D), da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra.

O evento decorreu nos passados dias 27 e 28 de Setembro e conseguiu reunir 12 empresas farmacêuticas e de biotecnologia, desde multinacionais a empresas start-up, 5 Universidades portuguesas e figuras de relevo no panorama socio-económico e cientifico nacional. Ao longo dos 2 dias de evento, 25 oradores apresentaram as suas perspetivas e participaram em debates com foco na colaboração entre academia e empresas e na translação de ciência do laboratório até ao mercado. É importante realçar a lotação esgotada do evento, com 320 participantes que tiveram a oportunidade de ver e ouvir os intervenientes desta sinergia essencial para a economia portuguesa.

Incentivar ciência e investigação básica e fundamental é também essencial, até pela necessidade continua do aumento de doutorados nos quadros das universidades e centros de investigação. No entanto, o dever de garantir que as gerações mais qualificadas de sempre do nosso país, resistentes às dificuldades económicas da última década, participem e sejam absorvidas pelo sistema produtivo é real e imperativo. A competitividade do tecido empresarial depende em parte deste paradigma, com benefícios claros para os trabalhadores, para as universidades, para as empresas, para a ciência e para o país. Felizmente, sairíamos todos a ganhar.

João Calmeiro, Investigador e Presidente da Comissão Organizadora do 1st Drugs R&D PhD Symposium

Este ano já morreram 56 jornalistas

Num comunicado divulgado hoje, a RSF indicou que 2017 foi o ano com menos mortes de jornalistas em 14 anos (55 mortes de jornalistas profissionais), entretanto, em 2018 houve uma inversão na tendência de queda nas mortes dos profissionais do jornalismo.

“Até agora (em 2018), cinquenta e seis jornalistas já foram mortos por causa das suas atividades profissionais. A estes números devem ser adicionados mais de uma dúzia de casos sob investigação pela Repórteres Sem Fronteiras”, acrescentou a ONG.

“O alarmante número de mortes lembra-nos a necessidade urgente de proteger mais os jornalistas”, disse o secretário-geral da RSF, Christophe Deloire, citado no documento.

A RSF pediu nomeação de um representante especial da ONU encarregado da proteção dos jornalistas, uma medida apoiada por vários Estados, incluindo a França e “130 médias, organizações e sindicatos pelo mundo”.

O Afeganistão é o país mais letal para estes profissionais, já que 13 jornalistas foram mortos desde o início do ano, referiu a RSF, sublinhando que, só a 30 de abril, 10 jornalistas foram mortos.

A 30 de abril, nove jornalistas morreram num duplo ataque terrorista (inclusivamente Shah Marai, fotógrafo-chefe da AFP em Cabul) e, no mesmo dia um correspondente da BBC, Ahmad Shah, foi assassinado por homens armados no leste do país.

Entretanto, mesmo que o número de jornalistas profissionais mortos na Síria tenha mostrado uma grande queda (dois desde o início do ano, contra nove durante 2017), isso não deve ocultar “os riscos enormes vividos pelos jornalistas-cidadãos (não profissionais) sírios por testemunharem o conflito”, referiu a RSF.

Entre os jornalistas-cidadãos, seis deles morreram desde o início do ano, além de um colaborador dos media.

Coma proteína para emagrecer

Ficar em forma e perder peso requer o consumo de uma dieta equilibrada e da prática de exercício físico.

Ingerir um regime alimentar com alto teor de proteína promove a construção de músculo e a perda de gordura acumulada.

Um estudo publicado pela US National Library of Medicine revelou que os alimentos com alto teor de proteína aceleram o metabolismo entre a 15 a 30%.

Está a tentar adicionar mais proteína à sua dieta mas não sabe como?

Eis cinco alimentos ricos neste nutriente e que farão com que perca gordura abdominal. Já!

Requeijão

A saber 113 gramas de requeijão contém apenas 120 calorias, cinco gramas de gordura, três gramas de hidratos de carbono e 12 gramas de proteína.

Trata-se de um alimento preferido por muitos desportistas, devido ao seu elevado teor de proteína caseína (uma variedade de proteína de longa duração), ao mesmo tempo que é pobre em gordura.

Grão-de-bico

Sobretudo para os vegetarianos, o grão-de-bico é uma fonte saudável de proteína, com alto teor de fibra, promovendo a saúde do coração e dos ossos.

Trata-se de uma ótima fonte de energia e de proteína para petiscar ou comer em saladas.

Tomate seco

Não só é uma excelente fonte de proteína, como de fibra.

Os tomates secos contêm ainda mais proteína comparativamente aos frescos.

Batata

Apesar da má reputação, a batata é uma ótima fonte de nutrientes, incluindo de proteína.

Uma batata média com casca contém cerca de quatro gramas de proteína.

Carne de búfalo

Trata-se de uma carne magra e de alto teor proteíco. Já experimentou?

Para facilitar a perda de peso os nutricionistas aconselham o consumo diário de 0,54 a 0,68 gramas de proteína por cada quilograma de peso.

Fome afeta mais de 820 milhões em todo o mundo

O Índice Global da Fome (GHI, sigla em inglês) 2018, hoje divulgado, referiu que o flagelo da fome caiu 28% globalmente desde o início do século e a mortalidade infantil – de crianças com menos de cinco anos – diminuiu para metade no mesmo período.

Apesar destes avanços, ainda há níveis graves fome no mundo, alerta o relatório, elaborado anualmente pela organização não-governamental (ONG) alemã Welthungerhilfe e a irlandesa Concern Worldlife, assim como pelo Instituto Internacional de Investigação sobre Políticas Alimentares (IFPRI), dos Estados Unidos.

Especificamente, 45 dos 117 países incluídos no índice têm níveis “graves” de fome e outros seis – Chade, Haiti, Madagáscar, Serra Leoa, Iémen e Zâmbia – têm níveis “muito graves”.

A situação na República Centro-Africana – imersa desde 2012 numa grande instabilidade política provocada pela guerra civil – é “alarmante”.

Em outros sete países – Burundi, República Democrática do Congo, Eritreia, Líbia, Somália, Sudão do Sul e na Síria, aos quais não se pode aplicar o índice devido a falta de dados – a situação da fome e da desnutrição é “preocupante”.

Em cada um desses sete países, os conflitos violentos, os distúrbios políticos e/ou a pobreza extrema geraram números de enormes dimensões de deslocados, algo frequentemente ligado à insegurança alimentar, indica o relatório.

“Os confrontos bélicos, os conflitos e as consequências das alterações climáticas geram fuga, deslocados e fome. Precisamos de soluções políticas duradouras para os conflitos no mundo para alcançar a erradicação da fome uma vez por todas”, disse a presidente da Welthungerhilfe, Bärbel Dieckmann.

A situação é particularmente grave no sul da Ásia e na África subsaariana, onde os valores de desnutrição em crianças, atrasos no crescimento como resultado de deficiências nutricionais, enfraquecimento crónico e mortalidade infantil são “inaceitavelmente elevados”.

No entanto, nessas regiões mais afetadas pela fome, há países como o Gabão, o Gana, as Maurícias, o Senegal, a África do Sul e o Sri Lanka, que conseguiram atingir níveis “moderados”.

Estes números contrastam com os valores no leste e sudeste da Ásia, Médio Oriente, norte da África, América Latina e Caribe, Europa Oriental e da Comunidade de Estados Independentes, que têm níveis de fome “baixa” ou “moderada”.

Outono chega atrasado e chuvoso

com algumas semanas de atraso, eis que esta quinta-feira parece ter chegado o outono, com uma notória descida da temperatura e o regresso, já anunciado, da chuva.

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), em termos globais, para esta quinta-feira está prevista chuva, passando a aguaceiros fracos durante a manhã. É também esperado vento moderado a forte no litoral e terras altas até ao final da manhã.

O céu apresentar-se-á muito nublado, diminuindo de nebulosidade a partir da tarde. Os períodos de chuva previstos podem ser, por vezes, fortes nas regiões do Norte e Centro.

O vento soprará fraco a moderado (até 30 km/h) do quadrante sul, soprando por vezes forte (até 40 km/h) no litoral, tornando-se temporariamente do quadrante oeste. Nas terras altas, registar-se-á vento moderado (até 30 km/h) de sudoeste, soprando forte (até 45 km/h), com rajadas até 75 km/h, até final da manhã.

De realçar que o vento forte e a agitação marítima colocaram hoje as ilhas do Corvo e Flores (grupo ocidental) e Graciosa, S. Jorge, Faial, Pico e Terceira (grupo central) sob aviso amarelo até ao final do dia. O IPMA colocou também hoje, até às 12h00, sob aviso amarelo o arquipélago da Madeira devido à previsão de aguaceiros por vezes fortes.

No continente, os distritos de Vila Real, Viseu e Coimbra também estão sob aviso amarelo até às 09h00 de hoje por causa da chuva, que pode ser forte.

De acordo com os meteorologistas, regista-se esta quinta-feira uma pequena subida da temperatura mínima e, paralelamente, uma descida da temperatura máxima nas regiões Norte e Centro. As temperaturas máximas vão variar entre os 23ºC, em Lisboa, 24ºC em Faro, 25ºC em Beja e 20ºC no Porto.

A temperatura mínima para a capital andará pelos 18ºC, a mesma prevista para Faro. No Alentejo, Beja espera uma mínima de 15ºC e Évora de 14ºC.

A Norte, o Porto vai registar uma mínima de 14 ºC e Bragança de 11ºC.

A Sustentabilidade e a Complexidade Circular

Vivemos numa sensação constante de apocalipse planetário. Vivemos num mundo que enfrenta crises agrícolas, aquíferas e energéticas, é assolado com a poluição atmosférica, a destruição florestal e a subida das temperaturas ou com a ocorrência cada vez maior de tufões e sismos. E em todos esses cataclismos, há uma palavra-chave que se apresenta como sendo a solução (pelo menos na teoria). E esse termo é sustentabilidade. A dura realidade é que uma prática sustentável é algo que tem, forçosamente, de ser visto de uma forma holística e sob múltiplos prismas uma vez que esta só será possível se houver uma combinação de fatores que promovam a mesma. E uma abordagem sustentável implica desenhar sistemas que permitam atingir esse objetivo, modificando os modelos de negócio e de sociedade para atacar problemas globais, de um ponto de vista politico, económico, social e ambiental.

Tal constatação está na origem daquilo que se designa por modelos de negócio circulares ou circular business models. Tal como Al Gore nos diz na sua sequela inconveniente “A Verdade ao Poder”, a revolução da sustentabilidade associa a escala da revolução industrial à velocidade da revolução digital. E num mundo tão conectado e em constante mutação como o atual, o sentido e missão da economia circular vai muito além dos 3Rs (reciclar, reutilizar e reduzir) que nos foram ensinados em tenra idade, dada a complexidade dos processos, tecnologias e temas transversais à mesma.

Segundo a Fundação Ellen MacArthur que tem como missão acelerar a transição para uma economia circular, esta tem três princípios fundamentais: atacar o desperdício e a poluição, manter produtos e materiais em uso e regenerar sistemas naturais. A realidade é que esta gestão do ciclo não é trivial, uma vez que implica minimizar a utilização de recursos, ao mesmo tempo que se procura aumentar eficiência, adaptar o ritmo da produção e desmaterializar soluções produtivas que permitam ajudar em toda esta dinâmica. Embora a definição seja bastante abrangente, a verdade é que a sua execução prática varia bastante consoante o local onde é aplicada.

No mês passado, a mesma fundação apresentou no encontro anual de ciência e tecnologia do Fórum Económico Mundial em Tianjin, na China, no qual tive a oportunidade de participar como representante de Portugal, um relatório que apresenta a oportunidade da economia circular para a inovação industrial e urbana do mesmo país. A sua visão foca-se, essencialmente, em 5 pilares: reduzir o impacto ambiental relacionado com os edifícios, em temas como o seu desgaste ou a poluição; promover uma politica de mobilidade que possa utilizar materiais reciclados e ir na direção de uma lógica de emissão zero de carbono; aplicar medidas de regeneração de sistemas de produção alimentar; utilizar recursos mais eficientes na produção têxtil; e aplicar metodologias de reciclagem e re-manufactura no mercado de bens de consumo eletrónicos.

Também este ano, a Comissão Europeia lançou um plano de ação que: procura reduzir o impacto do uso de plásticos, com um claro foco nos plásticos encontrados nos mares e oceanos; melhorar a legislação no que toca à ligação entre a produção, os químicos e os desperdícios; e promover uma melhor utilização de matérias primas. Por outro lado, definiu ainda uma framework de progresso com 10 indicadores-chave no âmbito da economia circular tendo em conta as suas principais fases bem como outros aspetos relevantes, como o investimento na mesma ou a promoção da inovação na sua aplicação.

Da análise das politicas e medidas enunciadas nos dois casos apresentados, é importante referir que os sistemas de economia circular refletem realidades com prioridades e desafios comuns mas também diferenciados. E é desta comprovação que a abordagem multi – stakeholder celebrizada pelo Fórum Económico Mundial ganha uma nova dimensão. Para se entender o real impacto e eventuais soluções para os desafios que a economia circular pode resolver, é necessária uma interligação entre os diferentes agentes do tecido económico, empresarial e social uma vez que só com todos estes sentados à mesma mesa é que teremos uma fiel representação das várias áreas essenciais à formulação e desenho do sistema circular, seja na produção, na reutilização, na reciclagem ou no consumo.

Diogo Almeida Alves é Vice-Presidente na A2D Consulting, que se dedica à transformação digital de grandes empresas e à capacitação do capital humano para enfrentar a era digital. Está a escrever um livro que se foca na origem, evolução e intersecção dos 4 elementos da natureza com a humanidade e a tecnologia.

É ainda Professor Convidado na Universidade Católica Portuguesa onde leciona Empreendedorismo e Inovação, Director da Associação Federal Alemã de Sustentabilidade e Global Shaper do Fórum Económico Mundial. Viveu e trabalhou em quatro continentes durante cerca de uma década. Estudou em Lisboa, Paris, Hong Kong e Londres e tem um Master of Science in Business Administration.

Ao longo dos próximos meses, e nas próximas edições desta crónica sobre a economia circular, o autor irá retratar várias áreas fundamentais sobre a mesma, bem como exemplos e casos de estudo inovadores e inspiradores sobre o tema.

Gestão em saúde: Análise e melhoria de processos na prestação de cuidados

A Filipa Breia Fonseca é investigadora em Gestão de Saúde. Para contextualizar o leitor, que aspetos abrange este conceito?

O conceito de gestão de saúde é bastante abrangente e envolve alguma complexidade. Como investigadora na área da gestão da saúde verifico que os profissionais que operam nestas duas áreas, têm que ser dotados de muita formação, treino e atualização de competências dentro das suas profissões. A gestão em saúde está dependente da integração da contribuição individual de cada um dos profissionais para um objectivo comum. O desafio é sobretudo gerir as inúmeras situações que acontecem em simultâneo acrescidas de uma dose de imprevisibilidade. No fundo, para gerir bem em saúde será necessário garantir que os bons profissionais e a sua expertise sejam facilitadas e capacitadas por bons sistemas e processos eficientes para que se consiga um bom desempenho. Os gestores precisam de expandir a sua atenção, não só sobre o que os indivíduos fazem individualmente, como também não descurar como é que as várias peças dos processos se unem e se inter-ligam.  Nunca esquecendo que o objectivo maior será sempre a vida do paciente.

 

Que principais desafios se enfrenta numa área de investigação desta complexidade?

As organizações de saúde independentemente do seu tamanho são e serão sempre complexas. Como investigadora verifico que os serviços de saúde apresentam incontestáveis contradições. Por um lado temos pessoas excepcionalmente bem treinadas, com formação e motivadas, com a melhor ciência e tecnologia à sua disposição que se esforçam diariamente para curar, tratar, e aliviar a dor e o sofrimento dos pacientes. Por outro lado, o seu esforço colectivo é marcado por custos altos, baixa qualidade, falta de recursos humanos, fraca remuneração e uma frustração implacável para os colaboradores e para os pacientes.

Uma forma de responder aos desafios em saúde significa criar as rotinas diárias de detecção de problemas que impedem a eficácia, resolvê-los para que eles não sejam recorrentes e partilhar os erros que aconteceram localmente para que se consiga um impacto positivo no sistema. Sabemos que não existe uma solução mágica para conseguir fechar as lacunas sobre aquilo que é conseguido hoje e aquilo que é teoricamente possível fazer.

Hoje em dia as iniciativas em torno da segurança do doente, consistem até mais em resoluções organizacionais e numa abordagem de sistemas devidamente enquadradas numa cultura local de segurança, do que em esforços centrados em agentes diretos de prestação. Para além disso, o papel das equipas e das organizações e a melhoria de processos para obter melhores níveis de segurança é algo fundamental.

 

Abordou, numa apresentação no âmbito da sessão “Segurança: uma Chave do Sistema de Saúde” os problemas e propostas no que diz respeito à gestão da segurança do doente. Fale-nos um pouco sobre esta intervenção.

Tenho tido a oportunidade de falar deste tema em diversas conferências  nacionais e internacionais. Para além disso, durante este ano o Nova SBE Health Economics and Management Knowledge Center, do qual faço parte, ofereceu vários cursos nas áreas da gestão e economia da saúde. Num deles também abordei esta temática.

Relativamente à questão que me coloca gostaria de salientar que a segurança do doente, tem sido desde os anos 60  até aos nossos dias um assunto de muita pesquisa e debate.

Na “6th Annual World Patient Safety, Science and Technology Summit” em Fevereiro deste ano, o Diretor geral da WHO alertava para o facto de 10 em cada 100 pacientes na Europa terem problemas com eventos adversos nos hospitais, isto é, ocorrências indesejáveis que causaram danos ao paciente.

Existem inúmeros obstáculos que prejudicam a segurança do doente, posso dar-lhe dois ou três exemplos simples. O ego por exemplo, ou seja uma perturbadora atitude ego protetora que ocorre quando o staff rejeita inovações que têm que ser implementadas, que fazem com que tornem as suas competências menos relevantes. Sabemos que muitas das vezes os profissionais de saúde séniores ativamente se opõe a métodos mais seguros. Outro exemplo é o jogo da culpa, isto é, a grande dificuldade que existe nos profissionais em não assumir o erro, culpando automaticamente o outro pelo sucedido. Outro obstáculo ainda é perceber a lacuna que existe entre o trabalho que é percebido pelos gestores e o trabalho que é executado pelo front-line staff nos hospitais. Este intervalo é endémico no top down da condução da segurança.  A segurança do doente é também muitas das vezes prejudicada pela falta de transparência. Creio ser vital os profissionais de saúde reportarem os incidentes nos sistemas de reporte de erros de forma transparente e sem receio de represálias.

Um dos sistemas de informação mais usual para detectar os erros, é baseado no reporte voluntário e confidencial das ocorrências, promovendo assim a sensibilidade aos mesmos e aos riscos no local de trabalho. Através da investigação local de incidentes e da análise de diversos incidentes agregados, pode gerar-se informação útil e criar programas para identificar e corrigir as fraquezas e os problemas.

Quando falamos de segurança do doente e como melhorar a mesma, estamos a falar de que aspetos, em concreto?

Existem vários factores a por em prática que podem melhorar a segurança do doente, nomeadamente: i) A notificação, isto é, quanto maior for a eficácia do sistema de notificação, maior a probabilidade de existir uma maior segurança do paciente. ii) Garantir uma maior visibilidade do erro e das suas implicações aos mais variados níveis através de relatos, auditorias, listas, revisão de processos e participação dos doentes. iii) Usar os resultados da análise de dados para formular recomendações para executar alterações no sistema e no próprio processo: criação de bases de dados de fácil registo e acesso, com informação relacionada com a segurança dos doentes; (ex: infecção hospitalar, erros de prescrição).

 

Em Portugal, a segurança do paciente é um assunto suficientemente debatido ou valorizado?

Deveria ser um assunto mais debatido, mas sim hoje em dia é muito valorizado. Muitos dos hospitais portugueses fazem a análise de erros e incidentes e isto origina muitas das vezes a revisão de vários processos e a melhoria dos mesmos.

O que acontece é que as próprias equipas de saúde são chamadas a cuidar dos processos e procedimentos do seu local de trabalho, da mesma forma como cuidam dos seus doentes. Diferentes métodos têm sido utilizados para este fim. O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido e o Institute for Healthcare Improvement nos Estados Unidos adaptaram e disponibilizaram várias destas técnicas para os projetos de melhoria contínua em saúde. Por exemplo, na criação de grupos de trabalho para dar resposta ao fluxo permanente de informação de segurança, na melhoria de processos nas passagens de turnos, nas normas de prescrição manual, nos armários de medicação e nos próprios programas de treino.

Será contudo necessário divulgar o sucesso que alguns hospitais apresentam nestes programas de melhoria, para que possam inspirar outros a adoptar e a implementar os mesmos.

 

O que é importante saber ou realçar relativamente à gestão de saúde e gestão da segurança do doente?

No que diz respeito à gestão de saúde penso que gestores e profissionais desta área  deverão estudar o fluxo de trabalho para melhorar as tarefas individuais; ser encorajados a não omitir e transpor nenhum procedimento que seja considerado perigoso; a ação do gestor deverá ser “go and see for yourself”, isto é, tentar resolver os problemas localmente. Isto será uma forma padronizada para os executivos de visitar as enfermarias e falar diretamente com o staff sobre os riscos de segurança.

No que diz respeito à segurança do doente e para que exista uma forte cultura de segurança é necessário que cada colaborador que trabalhe na área da saúde se comprometa com a sua instituição e faça da segurança a prioridade número um.

Nesse sentido, as medidas que respondem a qualquer erro reportado devem ser usadas como processos de aprendizagem. O erro com mais potencial para causar dano ao doente deverá ser mais visível para os profissionais e eventualmente para os próprios doentes. Para isso deverão ser criados processos de detecção precoce ao erro.

Nenhuma das ferramentas criadas e adaptadas para a segurança do paciente, isto é, relatos de incidentes, auditorias, “care bundles”, listas, revisão de processos, “triggers”, deve ser considerada como supérflua e dispensável na prática clínica.

Existem na verdade muitas formas de melhorar a segurança do paciente, mas para que o progresso seja equilibrado, será importante não esquecer que os profissionais da saúde são humanos.

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