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Ana Rita Silva

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Bâloise lança o primeiro livro branco 100% digital para ajudar as pessoas a decifrar seguros

A Bâloise Vie Luxembourg, filial do Grupo suíço Bâloise, propõe soluções de investimento inovadoras e personalizadas. Um dos vossos fatores diferenciadores é que tais soluções podem ser moldadas consoante as necessidades dos clientes. Pode explicar-nos melhor este método?

Somos especialistas em seguros de vida no Luxemburgo e possuímos um verdadeiro know-how através das nossas equipas que possuem um vasto conhecimento jurídico e fiscal a nível internacional sobre os vários produtos oferecidos pela nossa empresa. Assistimos os nossos clientes na implementação de soluções tailor-made e que vão ao encontro da situação de vida dos mesmos bem como das suas necessidades.

Os seguros oferecidos pela Bâloise são, assim, seguros flexíveis, associados a ter uma poupança a médio e longo prazo através de um contrato de seguro e que possibilitam a escolha de estratégias de investimento diferenciadas.

Os nossos clientes podem encontrar no Luxemburgo um leque de possibilidades tais como os fundos internos dedicados, fundos externos, fundos de seguro especializado bem como fundos internos coletivos, para não falar do acesso a uma vasta gama de ativos, como OICVM, ações e obrigações cotadas ou produtos estruturados, mas também todos os fundos públicos ou não públicos, emitidos em diferentes jurisdições europeias ou mundiais.

Podemos ainda dizer que um acompanhamento jurídico e fiscal constante aliado às nossas competências técnicas e linguísticas, recetividade na abordagem e implementação de soluções tradicionais e inovadoras que vão ao encontro das necessidades dos clientes e parceiros para a criação de valor acrescido fazem igualmente parte da nossa metodologia.

Além de personalizarem contratos para os clientes, a vossa atuação também sofre mutações de acordo com o país de atuação. Estando presentes em 12 países, de que forma articulam os vossos serviços? Quais são as principais diferenças entre eles?

Temos equipas multidisciplinares organizadas por países e que são especializadas no suporte de contratos de seguros de um ponto de vista comercial, jurídico, fiscal e planeamento patrimonial e sucessório. Não obstante existirem diferenças entre os diversos países onde atuamos, todos os nossos contratos têm como fator comum a legislação luxemburguesa, diferenciando-se no respeito pelo direito local de cada jurisdição.

Quais diria que são, atualmente, as tendências de mercado e evolução do mercado segurador em Portugal e em Luxemburgo?

Cada vez mais se verifica uma preocupação sucessória e uma procura de soluções de planeamento patrimonial, pelo que a procura de soluções como o seguro de vida Luxemburguês tem vindo a desempenhar sem dúvida um papel importante no planeamento patrimonial porque permite uma proteção acrescida dos ativos e uma distribuição equitativa entre os beneficiários da apólice.

Que análise faz acerca da economia portuguesa e respetiva conciliação com os seguros unit linked do Luxemburgo?

O país tem vindo a ter alguma recuperação económica tendo em conta que toda a economia mundial está de boa saúde, mas o receio dos nossos clientes tem sido o abrandamento da economia considerando que são empresários ou particulares com uma faixa etária elevada e que têm como objetivo a preservação do património.

O Luxemburgo oferece aos subscritores uma proteção e uma segurança únicas na Europa, através de um contrato de seguro de vida subscrito numa Companhia de seguros luxemburguesa, o triângulo de segurança. Em Portugal, uma medida assim seria popular?

Com certeza, porque é uma preocupação dos particulares que é a segurança do seu património.

O Grão-Ducado do Luxemburgo oferece uma proteção única na Europa: através do seu famoso “triângulo de segurança” que assegura a separação jurídica e física entre os ativos dos tomadores, por um lado, e os ativos dos acionistas e outros credores da Companhia de seguros, por outro.

A segregação dos ativos é controlada trimestralmente pelo Commissariat aux Assurances, o organismo regulador e de supervisão de seguros no Luxemburgo. A principal vantagem deste regime de proteção dos investimentos reside na obrigação legal de confiar todos os ativos do tomador a um banco depositário independente da Companhia de Seguros de Vida e aprovado pelo Commissariat aux Assurances do Luxemburgo.

Os tomadores luxemburgueses dispõem de um privilégio especial que lhes confere a qualidade de credores privilegiados de primeira linha da companhia de seguros. Graças a este privilégio, o tomador tem prioridade sobre todos os credores, inclusive o Estado. O capital também é protegido em caso de falência da Seguradora. É considerado um privilégio absoluto para os credores de seguros por prioridade sobre outros credores muitas vezes considerados privilegiados. Evidentemente, este é exatamente o tipo de mecanismo de proteção de ativos que os clientes procuram ao abrigo de uma apólice de seguro de vida luxemburguesa.

Na sua opinião, os portugueses são pessoas consciencializadas sobre a importância dos seguros?

Hoje, muito mais do que antes, a apólice de seguro de vida é uma ferramenta essencial para efeitos da gestão patrimonial familiar, pelo que temos visto que as pessoas têm desenvolvido os seus conhecimentos e, nesse sentido, temos dado o nosso contributo para dizer que é um produto com uma vertente de organização patrimonial e não um produto de índole fiscal.

De modo a contribuirmos para o desenvolvimento do setor de seguros, em março de 2019 a Bâloise Vie Luxembourg lançou o primeiro livro branco 100% digital (Life-insurance360.com – https://lu.linkedin.com/company/baloise-international), cujo objetivo é reinventar a forma como as pessoas aprendem os seguros de vida, decifrando o setor de uma nova maneira. Constatamos que, em geral, não é fácil encontrar informação nas páginas Web das companhias de seguro, pelo que desenvolvemos uma plataforma moderna na sua conceção e filosofia, com conteúdos escritos por especialistas da Bâloise Vie Luxembourg, mas também aberta a colaboradores externos (empresas de auditoria, advogados, family offices, private bankers, intermediários e personalidades do centro financeiro). Estamos muito satisfeitos com o feedback entusiasta que temos recebido.

A escrita do livro digital testemunha, sem dúvida, o lugar predominante que a companhia de seguros ocupa hoje em dia. Com uma excelente classificação (A +), experiência multi-mercado e uma gama muito diversificada de produtos ligados a unidades de participação, queremos ir ao encontro das necessidades dos nossos clientes contribuindo para uma maior consciência da importância dos seguros.

Que tipos de seguros são os mais contratados em Portugal?

Essencialmente seguros de vida e de capitalização.

Quais são as diferenças mais evidentes entre Luxemburgo e Portugal quando o assunto é seguros?

Credibilidade da praça através do profissionalismo que se encontra associado à mesma, pela essência da área financeira, a existência de bons profissionais, boas empresas e naturalmente a segurança oferecida pela proteção em caso de catástrofe. Outro elemento diferenciador tem sido o sigilo profissional, que apesar de só poder ser excluído em determinadas situações, tem sido considerado pelos clientes como um nível adicional de segurança em termos da sua própria proteção, mas também da proteção dos seus bens e ativos.

A médio e longo prazo, quais são os planos do Grupo Bâloise em Portugal?

Em conjunto com o mercado Francês, Belga e Itália, Portugal sendo um dos mercados prioritários da Bâloise Vie Luxembourg, a médio e longo prazo os planos passam pelo desenvolvimento do mercado através de novas soluções e otimização de soluções existentes mas ainda proceder ao reforço da equipa (já temos sete pessoas dedicadas ao mercado português), visto esta ser uma preocupação que existe no mercado, isto é, ter um suporte que entenda as necessidades do tomador na sua língua materna.

 

BIM, o modelo que está a revolucionar o setor da construção

Imagine-se a poder construir o mais complexo dos edifícios vários meses antes sequer das máquinas entrarem no terreno. Durante muitos anos a deteção de problemas com a exequibilidade dos projetos, coordenação das várias especialidades e também deteção de desvios nas previsões das quantidades de projeto apenas acontecia em fase de obra. Com a implementação do BIM essa “construção virtual” permite-nos tentar detetar e resolver esses problemas em fases mais embrionárias dos empreendimentos.

O que é o BIM?

O conceito BIM passa pela modelação digital, não apenas na sua questão geométrica (3D), mas com muitas camadas adicionais de informação que vão desde especificações técnicas dos materiais, marcas, datas (planeadas, entrada em obra), durações de manutenção previstas, etc. Estas várias camadas de informação transformam o que pode ser subvalorizado como apenas um modelo 3D num modelo nD (representando n as várias camadas de informação presentes em cada elemento). Com as várias equipas a trabalhar em BIM (mesmo que em softwares diferentes) permite trabalhar de uma forma mais colaborativa. Permite também olhar para o ciclo de vida de uma outra forma: a informação digital que vai, não só, acompanhar as fases de projeto e construção como a operação e manutenção.

A adoção do BIM tem sido relativamente lenta em Portugal. Tudo começa na valorização que se dá à qualidade do projeto. Há alguns donos de obra que “ainda não percecionam a mais-valia de um projeto com BIM integrado”, conta Bernardino Lima. “No entanto, a nível internacional já existem exigências para que se utilize o BIM, pelo que a sua utilização permanente tornar-se-á algo inevitável”, elucida Romeu Simões.

Em alguns países que a sua utilização é obrigatória já há alguns anos. Em Portugal, ainda não o é mas os nossos interlocutores acreditam que seja algo que acontecerá num futuro próximo. Mais importante que ser obrigatório será haver a perceção das suas vantagens evidentes: mais trabalho colaborativo e melhor comunicação são os pontos mais visíveis numa primeira fase. O BIM traz consigo uma capacidade de otimizar custos e de redução de erros.

Os nossos entrevistados falam no papel das Entidades Públicas que será crucial para o começo do uso do BIM: “Se estes organismos assumirem o papel de impulsionador será bom para que depois os investidores privados lhe sigam o exemplo.” Algumas entidades já estudam a sua aplicabilidade e obrigatoriedade de, por exemplo, submissão de projetos de licenciamento em algumas câmaras municipais em BIM.

“Nas grandes obras o cliente não hesita em ter e exigir a modelação BIM pelas mais-valias que representa. Em Portugal, alguns projetos de alguma dimensão já estão a adotar o modelo” referem os nossos entrevistados.

Em Portugal “ainda se pensa pouco na manutenção dos edifícios e mais apenas no investimento inicial”, diz Bernardino Lima. O BIM associado a outras ferramentas de facility management também acrescentam valor à fase de exploração e manutenção dos empreendimentos e não apenas às fases iniciais de projeto e construção.

O BIM na Techonis

A TECHONIS é uma empresa de engenharia, criada em 2016, por fundadores com uma vasta experiência internacional. A génese da empresa é Engenharia de Estruturas mas a oferta estende-se a todas as especialidades de engenharia necessárias aos projetos de construção, de uma forma integrada. Grande parte do seu trabalho desenvolve-se a nível internacional estando já presentes em sete mercados e três continentes. A área de projeto e consultoria representa cerca de 90% da atividade da empresa mas que também realiza trabalhos de fiscalização e coordenação de segurança em obra. Com uma equipa experiente nessa área oferece desde a sua génese consultoria e projeto baseado em BIM.

Ainda não é de uso generalizado e em algumas obras em que intervêm onde a aplicação do BIM ocorre apenas em algumas especialidades e outros intervenientes não trabalham em BIM, a mais-valia que acrescentaria o modelo de algumas das especialidades é menor.

Para reforçar a capacidade de integração e coordenação das diversas especialidades o BIM aparece como uma forma de aumentar a qualidade do projeto e a qualidade da própria coordenação. Numa fase inicial há sempre inevitavelmente uma fase de investimento de tempo em formação e aprendizagem mas em fase “cruzeiro” já se nota também optimização do tempo nas tarefas de projeto e coordenação.

Neste momento um bom exemplo das mais-valias que representa o BIM pode ser visto num projeto em que a TECHONIS está envolvida a nível de projeto e de coordenação. A ampliação do aeroporto de Santiago do Chile em que trabalha diretamente para o consórcio VINCI-ASTALDI está a ser desenvolvido integralmente em BIM. “Há equipas espalhadas pelos quatro cantos do mundo em vários fusos horários” referem os entrevistados. A vertente colaborativa baseia-se numa plataforma central para intercâmbio dos modelos das várias especialidades bem como para partilha dos modelos de coordenação.

O BIM neste projeto é utilizado em várias vertentes, tendo começado no desenvolvimento dos anteprojetos, durante toda a fase dos projetos de execução e também para fabrico, construção e manutenção. Dos modelos BIM são extraídas todas as informações necessárias para se efetuar o fabrico e encomenda dos vários elementos que compõe a construção e, posteriormente, os mesmos modelos e informação extraída deles serve de apoio à construção propriamente dita. No final os modelos BIM terão a informação de projeto mas também toda a informação relativa à construção (modelo “as built”) que servirá de base a todas as operações de manutenção (“facility management”).

Porque devem as empresas apostar na transformação digital?

Segundo dados do website IoT Analytics, registaram-se mais de 17 mil milhões de dispositivos conectados em 2018, sendo que entre estes estão 7 mil milhões dispositivos de IoT (Internet of Things), número que exclui smartphones, tablets, laptops e telefones fixos. Já em 2020, estima-se que o número de dispositivos IoT suba para 20 mil milhões e em 2025 para cerca de 22 mil milhões.

O crescimento destes dispositivos tem impacto no dia-a-dia de pessoas, que aderem cada vez mais a veículos e casas conectadas, e de empresas, que têm de adaptar os seus processos e por vezes modelos de negócio aos novos paradigmas da tecnologia.

Segundo a IDC, empresa líder mundial na área de market intelligence, advisory e eventos para os mercados das Tecnologias de Informação e Transformação Digital, o IoT será o principal catalisador de desenvolvimento para o país a curto prazo. Contudo, a consultora prevê que apenas 30% da economia portuguesa estará digitalizada em 2021, o que será um número baixo quando comparado com a previsão da digitalização da economia a nível mundial, que atingirá os 50%.

A transformação digital em Portugal

O estudo Maturidade Digital das Empresas em Portugal, realizado pela NovaSBE Center for Digital Business & Technology em parceria com a EY em outubro de 2018, indica que a transformação digital é um processo demorado: embora 41% das empresas garantam ter iniciado o seu processo de Transformação Digital há mais de 5 anos, apenas 35% afirmam ter um nível avançado de implementação nas novas tecnologias.

O mesmo estudo refere que 75% das empresas que participaram explicam existir uma grande aposta na implementação dos processos de marketing digital e redes sociais nas suas organizações. Do universo de empresas inquiridas, 65% aposta em cloud computing, 61% em big data e analytics e pouco mais de 50% em IoT.

Estas novas tecnologias têm vindo a ganhar cada vez maior importância no mercado de trabalho digital, e com o avanço tecnológico surge a necessidade de mais recursos especializados. O relatório The State of Application Development 2019 da Outsystems indica que 51% das organizações portuguesas investiram no crescimento das suas equipas de desenvolvimento de software em 2018.

Contudo, nem todas as necessidades são colmatadas e mais de 60% das empresas auscultadas no estudo da NovaSBE / EY reconhecem não ter habilitações e conhecimentos digitais adequados, o que pode gerar um aumento da procura pelo talento em Portugal. Esperamos assim assistir nos próximos anos a um aumento da contratação de colaboradores especializados e a um crescimento da aposta das empresas na formação de recursos já contratados.

O consumidor no centro

A Transformação Digital vem também mudar a forma como os negócios olham para todo o processo de venda e o papel do seu consumidor. Enquanto anteriormente se baseava todo o planeamento de produto e de venda em ideias generalizadas e não comprovadas sobre os consumidores, existem hoje em dia um conjunto de metodologias, que incluem o UX Design e a utilização de Big Data para se chegar a conclusões com base em factos, que permitem decisões mais fundamentadas e adaptações das empresas em tempo real.

Marta Lousada, E-commerce & Digital Manager da Sephora Portugal, afirmou durante o Expo Fórum Digitalks Lisboa 2019 que 93% das vendas de retalho em Portugal continuam a ser nas lojas físicas, mas mais de metade (63%) são influenciadas por touchpoints digitais antes da compra.

Sabemos ainda que o consumidor português passa cerca de 6h38min por dia online, das quais cerca de um terço (2h27min) é passado em mobile. Estes dados, disponíveis no relatório Digital 2019 criado pela Hootsuite e We Are Social, são complementados com a informação de que mais de 7 milhões de portugueses (69% da população total) utilizam a internet via mobile.

“Os consumidores têm novos hábitos e a transformação digital tem muito a ver com isso. Não é apenas porque chegaram tecnologias novas, é também porque os consumidores mudaram a sua forma de escolha: no passado a seleção de um produto ou serviço tinha muito a ver com preço e disponibilidade, mas hoje em dia está a ganhar cada vez mais importância a experiência”, refere André Carvalho, Partner da Spark2D e da Tangível.

A questão dos testes de usabilidade ganha uma grande dimensão e impacto no mercado atual, e é por isso que a Tangível criou um Laboratório de UX no LISPOLIS, em que realiza testes com utilizadores reais. “O Laboratório é constituído por duas salas e um conjunto de equipamentos de teste, câmaras e outras tecnologias para registar tudo o que o utilizador faz. Por exemplo, se estivemos a trabalhar num browser, interessa-nos perceber o movimento do rato e os cliques, porque isso pode dar-nos pistas sobre hesitações, por exemplo, interessa-nos gravar tudo o que o utilizador diz, para onde olha, linguagem corporal, expressões faciais, entre outras, porque a partir da observação, do diálogo, daquilo que o utilizador está a fazer e do seu comportamento gestual e corporal, podemos inferir muitas coisas”, clarifica André.

Empresas como Santander, SIBS, Critical Software, Médis, Cetelem, ANACOM e a Worten são já clientes da Tangível e percebem a potencialidade e o benefício da utilização de testes de usabilidade, uma vez que é através destes que conseguem inferir como podem melhorar continuamente as suas soluções para o utilizador final, ao obterem uma perceção real, adquirida através da observação, do funcionamento dos seus produtos do lado do consumidor.

Humanizar a transformação

É importante envolver as pessoas no processo de transformação, uma vez que qualquer mudança gera alguma apreensão, nomeadamente por parte dos colaboradores das empresas.

“A envolvência das pessoas no processo de transformação atinge dois grandes objetivos: por um lado, garante que a solução endereça um problema real das pessoas, que são o principal ativo da organização; por outro lado, reduz e em muitos casos elimina quase por completo a carga de um processo de gestão de mudança associado a iniciativas de transformação”, explica Tiago Perdigão, Business Devil & CEO da Fractal Mind, empresa especialista em processos de gamificação que tem vindo a ajudar as empresas portuguesas como a Worten a alcançar os seus objetivos internos ao envolver os colaboradores. “Se a solução foi construída pelas pessoas, não lhes está a ser imposto, há uma noção de ownership que deriva da participação no processo, aquilo a que chamamos o efeito IKEA”, complementa.

No caso da WortenWinners, plataforma que fomenta a motivação da força de vendas através de uma lógica de jogo que permite a criação de missões e atribuição de prémios aquando do alcance dos objetivos, Tiago explica que transformou por completo a experiência dos colaboradores. “Na Worten, a gamification permitiu o aumento do feedback e transparência, assim como oportunidades de reconhecimento e recompensa para os outliers. A introdução de mecânicas de jogo para a operação, não só a tornou mais gratificante, com +80% dos colaboradores satisfeitos com o novo processo, como impactou positivamente os resultados, gerando um aumento de 6% de vendas por colaborador ao abrigo da experiência gamificada, face ao grupo de controlo”, revela.

A Gamification é um mercado em grande expansão em Portugal e no Mundo. Segundo dados do Mordor Intelligence, o mercado global de gamificação foi avaliado em US $ 5,5 bilhões em 2018, e estima-se uma taxa de crescimento anual composta de 30,31% ao longo do período 2019-2024. As vantagens da gamificação das empresas são cada vez mais difíceis de ignorar: a capacidade de envolver colaboradores e clientes, de obter feedback, de funcionar numa lógica de cocriação, de reconhecer esforços, de promover a competição saudável, de motivar, de oferecer autonomia aos colaboradores e de criar um novo mundo de ‘jogo’ que vem trazer algo de disruptivo à rotina.

“A gamification é elemento diferenciador neste tipo de processos por uma simples razão: poucos fenómenos despertam emoções tão fortes quanto os jogos”, indica Tiago. “A utilização de mecânicas de jogo fornece às organizações uma ferramenta para despertar as emoções que mais movem os seus colaboradores, gerando a motivação necessária para as mudanças comportamentais que suportam os processos de transformação”, remata.

Opinião de Cíntia Costa e Pedro Rebordão, marketing e comunicação do Lispolis

 

As novas tecnologias revolucionaram o continente africano nas últimas décadas

O Luís é o Diretor Regional, em Moçambique, da Axiz. Quais diria que são os seus maiores desafios no exercício das suas funções?

Há desafios que são comuns a todos os empresários e/ou diretores em Moçambique e há desafios que são específicos da nossa atividade e da nossa condição de líderes no mercado da distribuição de TIC na SADC. Em adição a isto, há igualmente o desafio de gerir à distância os outros mercados pelo quais tenho a responsabilidade direta, como Angola, Cabo Verde e São Tomé e Principe.

A motivação permanente dos nossos colaboradores e a melhoria contínua das suas competências é a principal responsabilidade de qualquer líder. Especialmente num contexto onde é necessário gerir diferentes origens e culturas entre investidores, empresa e colaboradores.

Em segundo lugar, temos o desafio de, num mercado pequeno e algo saturado, como o de Moçambique, explorar novas oportunidades, explorar o melhor possível a relação com parceiros, melhorar margens e reduzir barreiras ao negócio, quer o nosso quer o dos nossos clientes (revendedores).

Depois existem desafios específicos da economia moçambicana como são a gestão dos riscos de crédito ou cambiais (desafios igualmente partilhados em Angola), que também são relevantes numa economia pequena e dependente do exterior como é Moçambique.

E finalmente existem desafios relacionados com a estrutura e competição específicas do mercado de distribuição de TIC em Moçambique e que implicam uma permanente atenção à qualidade do serviços prestado pelos distribuidores e á satisfação dos clientes finais, a valorização das marcas e dos seus produtos originais, o combate à contrafacção (grey market) e a monitorização dos preços e margens praticados para garantir que superamos sempre as expectativas dos nossos clientes (revendedores).

Moçambique atravessa uma fase menos boa do ponto de vista económico-social devido ao ciclone, porém, anteriormente, o crescimento era consolidado e esperavam-se ótimos números. Empresas como a Axiz podem estar na origem deste crescimento. Na sua opinião, qual o contributo que a tecnologia teve e tem neste crescimento?

Moçambique atravessou um período de menor crescimento, mas atenção, nunca entrou em recessão. No ano mais crítico da chamada crise cambial (porque foi sobretudo motivada por uma desvalorização significativa do metical face às principais moedas dos parceiros externos – USD, EURO e RAND), o país registou uma taxa de crescimento real de 3,2%. E espera-se que, nos próximos anos, se aproxime dos dois dígitos por ano, em grande medida motivado pelo investimento na indústria extrativa, especialmente por parte da Anadarko que, só na bacia do Rovuma investirá 22 a 24 mil milhões de USD nos próximos anos.

Estas entradas de capital, a realizarem-se, são massivas face à dimensão da economia Moçambicana. E, na sua maioria, são investimentos em tecnologia de ponta na área da energia, construção naval, tecnologias de informação e comunicação, transportes e logística. O passado mostra, aliás, que foram investimentos semelhantes na área da energia, extração e logística que alavancaram o crescimento do país.

No curto prazo, será o investimento em tecnologia o principal acelerador do crescimento em Moçambique. A sustentar este facto temos assistido a um boom acentuado de novas startups tecnológicas nos últimos anos.

Em termos de soluções tecnológicas, quais são as necessidades mais emergentes no mercado moçambicano? Como é o panorama tecnológico atual em Moçambique?

Moçambique tem um stock de capital físico e humano muito aquém do que conhecemos nas economias mais desenvolvidas da Europa e Ásia, ou mesmo quando comparando com outros países da África Austral.

Estas necessidades não podem ser todas satisfeitas de repente, dado que o país tem uma capacidade limitada para investir em tecnologia e tem de qualificar o capital humano nacional para a sua absorção e utilização produtiva.

Setores como a indústria extractiva, a construção, a logística e os serviços financeiros (banca e seguros) têm um potencial enorme de crescimento. Mas este crescimento será, sobretudo, satisfeito com recursos a tecnologia importada e, por isso, o país estará limitado na sua satisfação. O Estado Moçambicano já está sobreendividado o suficiente e o país depende fortemente da ajuda de doadores para manter contas públicas equilibradas. E a importação em massa de tecnologia vai agravar os deficits externos do país, pelo que terá de ser feito dentro do quadro e possibilidades do país e, necessariamente, acompanhado por uma melhoria significativa das competências tecnológicas dos recursos humanos nacionais.

Que papel pretende a Axiz assumir também no crescimento e desenvolvimento do país?

A AXIZ tem um papel chave a três níveis: em primeiro lugar no apoio à transição do mercado para uma estrutura mais qualificada, recheada de operadores e empresas qualificadas, certificadas e promotoras de garantias aos clientes finais, capaz de oferecer soluções tecnológicas e financeiras adequadas a um mercado que carece sobretudo de confiança. Na qualidade dos produtos e na qualidade dos serviços. Para que ambos criem valor nas empresas que investem em tecnologia.

Em segundo lugar no combate à contrafação e contrabando de produtos tecnológicos (grey market), sem que isso signifique o aumento de custos de investimento e exploração para as empresas nacionais e internacionais instaladas no país. Mas como representantes e distribuidores de marcas mundiais de confiança, temos de assumir um papel muito ativo neste domínio.

Finalmente, queremos apoiar a melhoria contínua das competências e qualificações dos profissionais e utilizadores de tecnologia em Moçambique. Para isso temos contribuido anualmente com workshops e ações formação das marcas que representamos oficialmente em Moçambique.

Porque é o caminho único para o desenvolvimento da procura de tecnologia em qualquer país e isso significa que estaremos a criar o nosso próprio mercado, mas também porque só com recursos humanos (e empresas) capazes de uma transformação tecnológica em valor, poderemos crescer de forma sustentada.

O foco da empresa é concentrar-se no futuro das novas tecnologias em África, construindo ecossistemas. Num continente tão grande e diverso, estas soluções criam proximidade e rapidez nos negócios. Como descreveria a transformação tecnológica que aconteceu nos países africanos nos últimos anos e de que forma foram essas mudanças revolucionárias?

As novas tecnologias revolucionaram o continente africano nas últimas décadas, nos mais diversos contextos e muitas vezes, mesmo em territórios e nações onde os desastres naturais e os conflitos ameaçavam de forma determinantes qualquer forma de progresso humano.

Novas tecnologias no domínio agrícola, das comunicações, banca, saúde e saneamento levaram a que a esperança média de vida, a escolarização (especialmente das raparigas) e o poder de compra da classe média (que nem existia!) alcançassem níveis que julgaríamos inimagináveis há 30 anos.

No setor das tecnologias de informação e comunicação, as transformações foram quase inacreditáveis.

Em países como o Quénia a banca móvel chega à maioria da população e o país é hoje o recordista mundial nas transações móveis! À frente de todos os países de desenvolvimento elevado! As redes móveis garantem coberturas quase universais e permitem fazer chegar às populações rurais serviços bancários e de seguros, serviços informativos e serviços de pagamento como a água e a energia em contextos dificílimos e onde os países ocidentais demoraram séculos a encontrar soluções.

Por isso, a tecnologia foi e é o principal criador de mercados em África. E têm sido as empresas que usam mais intensivamente tecnologia que têm conseguido criar e reter valor nestes novos mercados.

Recentemente o BCI, juntamente com a Axiz assinaram um protocolo de parceria que formaliza o lançamento do cartão de crédito Private Label AXIZ. Que solução é esta e a quem se destina?

O acesso ao crédito em Moçambique ainda não está ao nível de outros Países com economias mais estáveis, com exigências idênticas às práticas internacionais, a concessão de Crédito é condicionada ao cumprimento de regras e informações da actividade que muitas vezes as empresas não têm devidamente estruturadas e com isso , as empresas especialmente dedicadas ao comércio por grosso e a retalho de equipamento, registam dificuldades naturais na constituição de  stocks ou elas próprias na criação de facilidades de crédito aos seus clientes para uma boa fluidez do seu negócio.

A AXIZ sempre procurou apoiar os seus Clientes Revendedores (empresários em nome Individual, Micro, Pequenas e Médias, e Grandes Empresas) facilitando-lhes vendas a Crédito, mas esta é uma actividade que cabe ao sistema financeiro gerir e não a cada empresa individualmente.

O que fizémos foi criar com o Banco Comercial de Investimentos de Moçambique (BCI), um produto de crédito que facilita a actividade dos nossos clientes revendedores e que lhes permite adquirir stock a Crédito sem custos, quando realizados os pagamentos dessa mercadoria até 40 dias, ou com custos quando o pagamento observa prazos superiores.

Com esta solução, aumentamos o apoio de tesouraria a cada um dos nossos Clientes, permitindo maior fluidez nas vendas e na reposição de stocks, sem penalizar o sector por falta de meios.

Esta parceria, que celebramos com o BCI, permite-nos dividir o risco associado a este apoio e assegurar uma cobertura nacional a qualquer empresa do sector que possa desenvolver a sua actividade entre o Sul ou o Norte de Moçambique, que tem no Crédito a sua principal área de negócio com vantagens para ambos pela troca de conhecimento que promove.

É aquilo a que podemos chamar uma solução win-win-win (BCI-AXIZ-Revendedores).

Dentro daquilo que é a vossa oferta, em que áreas têm apostado mais ao nível de soluções?

Atualmente, estamos a ser impulsionados pelo crescimento do ‘’cloud computing’’, da transformação digital e de um papel (directo) menos abrangente desempenhado pelos fabricantes que representamos; o relacionamento entre estes fabricantes, os distribuidores e os revendedores, está a ser radicalmente alterado.

Todos os grandes fabricantes, estão globalmente a mudar sua abordagem de negócio – de um onde havia uma entidade “super ativa” em toda a cadeia de valor, para um onde estão a reduzir os seus principais negócios, direccionando muito das suas atividades, aos seus distribuidores de valor acrescentado (VAD).

Estão a solicitar-nos para fazer (mais) marketing, para ter (mais) recursos técnicos altamente capacitados e fornecer (mais) serviços de suporte direto e indireto. E ao mesmo tempo, os revendedores e os seus clientes finais, estão a diminuir seus departamentos de TI.

Tudo isto tem um grande impacto nas nossas margens de lucro, uma vez que o ecosistema que nos rodeia, perde as suas ofertas de serviços. Também afeta, como e onde devemos investir.

Estamos focados na construção de ecossistemas que simplifiquem a forma como os clientes interagem com tecnologia, com soluções e entre si.

Moçambique faz fronteira com a Tanzânia, Malawi, Zâmbia, Zimbabué, África do Sul e Reino de Eswatini. Na sua opinião, estes países estão alinhados com Moçambique em questões tecnológicas?

Moçambique tem um mercado pequeno, estruturado em torno de um pequeno número de grandes compradores de tecnologia (empresas de minas e energia, telcos e bancos) e com um baixo nível de readiness (novos produtos e novas soluções) quando comparado com outros países da sub-região.

A competição no setor das comunicações faz-se entre três grandes operadores (Vodacom, TmCel e Movitel), o que é normal em outros países vizinhos. Mas, no entanto tem algumas características raras. É dos poucos países onde existe competição interplataforma nas comunicações (a TV CABO compete com as operadoras moveis em todas as províncias). E a competição provocou que o preço de 1GB em Moçambique fosse (é) o 3º mais baixo entre 49 economias africanas, mais barato do que no Quénia, Gana ou África do Sul (fonte: Research ICT África).

No entanto, a penetração das comunicações móveis e internet é ainda muito baixa face aos países vizinhos. E apenas 50% da população tem acesso a telefone móvel, havendo, especialmente, um significativamente baixo número de mulheres com acesso a telefone móvel (32%).

O baixo poder de compra da população rural (Moçambique tem um poder de compra muito inferior à média dos seus vizinhos, especialmente em meio rural) leva a que muitos não possam sequer comprar equipamentos informáticos ou de comunicações. E na maioria das regiões do país o acesso a energia seria sempre impeditivo da sua utilização regular. (50% da população não tem acesso a energia regular, contra 33% na Nigéria ou 6% na África do Sul).

Também devido a isto, a banca móvel ainda tem uma penetração limitada em Moçambique, mas está em acelerado crescimento nas zonas urbanas e peri-urbanas (63% dos utilizadores de telefones moveis têm uma conta de banca móvel nas cidades principais).

Podemos dizer que os fortes laços de Moçambique com o motor económico da região, a África do Sul, sublinham a importância do seu desenvolvimento económico?

A África do Sul é um parceiro económico de referência, especialmente no sul de Moçambique. Mas atenção que Moçambique tem parcerias económicas importantes com muitos outros países, tanto ao nível comercial como financeiro.

Os principais mercados de exportação de moçambique são a Índia, a África do Sul e a China (30,4%, 24,0 e 7,1% respetivamente), mas há um peso importante de países europeus neste domínio. É nas importações que se sente mais o peso da África do Sul, mas como o país vale “apenas” 23,1% das importações, não podemos falar exactamente de dependência.

Moçambique é a porta de entrada das mercadorias importadas por quatro países na região que não têm acesso ao mar (Reino de Eswatini, Zimbabwe, Zâmbia e Malawi). Moçambique vende energia eléctrica de Cahora Bassa aos seus vizinhos da região e este já é um dos principais produtos de exportação do país.

O que não quer dizer que a África do Sul não tenha uma importância muito grande. É uma das principais origens de investimento em áreas críticas como a agricultura e a agro-indústria. E o seu peso nas importações é suficiente para que se sintam intensamente as flutuações do Metical face ao RAND.

Por vários motivos, Moçambique nunca foi uma prioridade do investimento das empresas sul-africanas, a que não é alheia o contexto da língua e cultura e a situação de conflito em Moçambique durante muitos anos. Há espaço para um grande crescimento da relação com a África do Sul. Como fornecedor de tecnologia mas também como origem de investimento, competências e formação e até mesmo como mercado de exportação para produtos de origem moçambicana.

Numa dinâmica de cooperação entre os países pertencentes à CPLP, o que deveria, na sua opinião, ser prioridade dentro do universo das novas tecnologias?

Educação, educação, educação. Esta deve ser a primeira, a segunda, a décima e a última prioridade da cooperação em matérias de novas tecnologias em Moçambique.

Uma sociedade tecnologicamente avançada e inclusiva requer uma população qualificada na sua utilização, na sua transformação em valor e utilidade, na sua aplicação produtiva nas empresas nacionais e no desenvolvimento de novos produtos e serviços para o mercado, baseados nessas mesmas tecnologias.

Sem acesso a educação, para todos, e a um ensino tecnologicamente avançado, não se podem cumprir as fundadas, mas muito exigentes, expectativas de desenvolvimento e fuga à pobreza da população no país.

“O cimento YETU está pronto para fazer parte do quotidiano de todos os países da CPLP”

O cimento é um dos materiais mais utilizados na construção civil devido à sua grande aplicabilidade. A FCKS foi fundada em 2003, numa época em que Angola tinha apenas duas fábricas de cimento com capacidades insignificantes diante de uma demanda considerável e crescente. Como descreveria o crescimento e consolidação da empresa no país até aos dias de hoje?

A FCKS, como bem disse, foi fundada em 2003, depois de muitos anos de pesquisa e prospeção para comprovar a existência das principais matérias-primas que garantissem a produção de cimento. Em 2008 iniciou a construção da fábrica. O seu comissionamento teve lugar em Fevereiro de 2014. Desde então a Fábrica de Cimento do Kwanza Sul, FCKS, tem progressivamente garantido exponencialmente o seu segmento de mercado. Em Angola começou por conquistar o mercado centro-sul tendo já adquirido uma parte do mercado de Luanda. A sua marca Yetu está já disseminada por todo o país estando também a ser comercializada em países vizinhos. Felizmente hoje já não é possível falar-se em cimento em Angola sem mencionar o seu cimento de superior qualidade, Yetu, propriedade da FCKS, garantia dos padrões mais conceituados do globo.

Mesmo em tempos de crise, nomeadamente quando houve uma desvalorização da moeda, o cimento foi dos poucos produtos que não terá sofrido alterações significativas. Porquê?

Acreditamos que em Angola todos os setores de atividade têm sido afetados e a indústria cimenteira não é exceção. O período de crise que começou em 2015 está a ter uma influência muito negativa na demanda de cimento em Angola, como é óbvio. É bem patente a retração da construção civil no país. Como exemplo, em 2014 a procura total do produto era de 4,9 milhões de toneladas e em 2017 baixou para 2,5 milhões, uma redução de cerca de 50%. Essa desaceleração da comercialização do produto doméstico teria sido mais catastrófica se não fosse proibida a importação de cimento nos últimos anos.

Dentro dos valores que perpetuam, o ambiente é um aspeto muito considerado. Qual é a vossa atuação nesta temática?

Toda a indústria deve respeitar os requisitos que defendam a preservação do ambiente e a FCKS não foge à regra. Exploramos calcário, argila e sílica e todo o tratamento está de acordo com as regras e normas padronizadas. Por outro lado, tratando-se de uma fábrica de cimento de via seca não tem emissão de gases poluentes à atmosfera.

Em 2015, o Governo angolano proibiu a importação de cimento. Considera que esta foi uma decisão vantajosa? Porquê?

Com certeza. Se a capacidade instalada de Angola é superior a 8 milhões de toneladas/ano e o consumo de pouco mais de 5 milhões de toneladas/ano, na altura não fazia qualquer sentido empregar meios financeiros que pudessem ser utilizados em outros sectores. De notar que presentemente o consumo nacional é de apenas cerca de dois milhões de toneladas/ano.

Da vossa futura carteira de clientes existem intenções de exportar para países tais como o Japão, a Finlândia ou Portugal, ou ainda outros países de expressão oficial portuguesa?  

Devido à alta qualidade do cimento da FCKS, já foi solicitada a exportação do cimento Yetu por vários países, entre os quais a RDC, S. Tomé e Príncipe e Namíbia. Para outros países isso não foi possível na altura devido aos elevados encargos alfandegários e aduaneiros. No entanto, acreditamos que as nossas autoridades estejam atentas a esse constrangimento e que em benefício da almejada diversificação da economia encontrem meios seguros para que essa situação seja ultrapassada.

Acredita que, pela língua comum aos países pertencentes à CPLP, os negócios são concretizados de forma mais direta ou isto é uma ilusão?

Existem vários fatores que contribuem para que o negócio tenha benefícios mútuos para o vendedor e o comprador. No entanto, fazendo parte de uma comunidade é provável que possam vir a existir acordos que facilitem os procedimentos. A FCKS está atenta e caso esse desiderato seja transformado em realidade o cimento Yetu está pronto para fazer parte do quotidiano de todos os países da CPLP.

No ano passado tiveram problemas na produção devido à falta de combustível, paralelamente, a banca também vos dificultou pela falta de divisas. Em que escala este tipo de problemas afetou a FCKS?

A fábrica ainda não tem energia elétrica da rede e isso leva-a a consumir cerca 400 toneladas de Heavy Fuel Oil (HFO). No entanto, devido a interesses estranhos à mesma foi forçada à uma paralisação ao longo de seis meses por aumento drástico do preço do combustível, HFO. A falta de divisas é um problema que afecta a generalidade do país, mas a FCKS acredita que essa situação poderá ser ultrapassada com o apoio de quem de direito.

Quais são, neste momento, as prioridades da empresa a curto-prazo?

De momento, as prioridades da FCKS são:

  • Ter energia elétrica da rede nacional, pois desse modo irá diminuir consideravelmente os custos de produção;
  • Ter a possibilidade de maior expansão nos mercados nacional e internacional, com base em taxas para o benefício da nossa economia;
  • Sendo produtor excedente de clínquer de qualidade, fornecer esse produto ao mercado nacional de modo a que outras cimenteiras deixem de o importar, para que as divisas do país possam ser empregues em setores de maior prioridade.

Neste momento, que projetos têm em curso e que merecem destaque?

Existem, de facto, projetos ambiciosos, os quais aguardam por momento oportuno.

O setor do cimento mostrou ser capaz de se adaptar a todas as situações e com a contínua produção apesar de todos os obstáculos. Que análise faz sobre a posição que o sector tem vindo a marcar ao longo do tempo?

Num país como Angola, com recursos naturais para a produção de cimento tanto de via seca como de via húmida, essa indústria é estratégica para o seu desenvolvimento. O mercado doméstico está a fazer face a algumas dificuldades devido à crise, mas essa fase transitória dará lugar ao ressurgir de novas necessidades do produto. No entanto, tendo em conta as necessidades além-fronteiras esse segmento terá de ser devidamente explorado.

Fábrica de cimento

A Fábrica de cimento do Kwanza-Sul, tem capacidade para produzir 4.200 toneladas por dia de Clinker e 5.600.000 toneladas/dia de cimento Portland, num total de cerca de 1.4 milhões de toneladas de cimento por ano.  O Cimento Yetu é o único cimento integralmente produzido em Angola.

A FCKS produz dois tipos de Cimento:

Cimento Portland de calcário

CEM II /A-L 32.5 N | CEM II /A-L 42.5 N

Fábrica de clinker

Com a capacidade instalada de 4200.000 toneladas por dia. PROCESSO: (i) A Argila, o Calcário e a Areia são triturados, doseados e entram no forno de queima a 1450 Cº, transformando os três componentes em Clinker. (ii) O Clinker, após ser formado no forno rotativo entra no resfriador. Esta fase do processo tem uma dupla finalidade: resfriar o clinker e recuperar a energia em forma de calor para o processo de fabrico, representando uma menor utilização de combustíveis e redução de custos. (iii) O Clinker após resfriado é transportado em esteiras mecânicas até ao silo de estocagem onde aguarda a sua utilização no processo de moagem de cimento.

 

“Nenhuma economia se desenvolve de forma sustentável sem as empresas”

José Severino apela aos empresários portugueses a investir em Angola ao invés de verem o país como um destino das exportações. Estão reunidas as condições para o investimento direto?

Os empresários que se remetam sistematicamente à área de conforto perdem oportunidades, e quem as perde corre o risco de ser ultrapassado na competitividade e Angola já mostrou ser um lugar muito aliciante para o investimento até porque o seu mercado tem uma expansão natural para países vizinhos encravados e que somam cerca de 100 milhões de consumidores.

O que muda com a nova Lei do investimento Privado?

O privado estrangeiro deixa de ficar constrangido à obrigação de ter sócios angolanos sendo tal uma opção do investidor, já não há a obrigação do valor mínimo de USD 1,0 milhão.

A condição para as transferências de dividendos tem um regime mais claro bem como há agora legislação para transparência como a da Concorrência e a forte flexibilização de vistos de entrada e de permanência.

O Presidente da Associação Industrial Angolana (AIA) chama, ainda, a atenção para a entrada de Angola na zona de livre comércio da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). Quais são as mais-valias para Angola e para os empresários?

Vendo o importante papel que os investidores estrangeiros podem desempenhar, o nosso alerta é de que o mercado regional e face à livre circulação de bens os que não investirem cá dificilmente sobreviverão com a concorrência de países da região, com destaque para a África do Sul até com custos de transporte muito reduzidos pela proximidade e num regime, em muitos casos, de camionagem “porta a porta”. Claro que também perde a possibilidade de se inserir nesse mercado de USD 250 milhões de consumidores.

José Severino tem-se demonstrado preocupado com o futuro da economia em Angola por falta de micros, pequenas e médias empresas. Por onde pode ou deve passar a mudança? O que deve ser feito?

Nenhuma economia se desenvolve de forma sustentável sem as empresas e por isso a coerência do Executivo ter aceitado as nossas propostas atrás referidas (embora tardiamente) e colocadas logo à nascença da então lei e aqui a eliminação da obrigação do mínimo de USD 1,0 milhão. Para isso, e no domínio interno, o Executivo está a implementar uma série de medidas no domínio do Crédito.

Que relação gostaria de ver entre Portugal e Angola, a par de um maior investimento por parte dos empresários?

Os empresários portugueses, em quem reconhecemos méritos, verão a sua influência económica minimizar-se a médio prazo e, consequentemente, perda de influência geopolítica na região.

Angola, bem como os restantes países-membros da CPLP, está a aproveitar devidamente o potencial da comunidade no que diz respeito à cooperação económica e empresarial?

Negativo, mas ainda assim os líderes políticos deverão trabalhar muito mais na análise das vantagens comparativas que os seus recursos naturais, suas posições geográficas e os seus mercados oferecem.

Devia ser feito mais por parte da CPLP?

Sim, mas sem sobranceria dos ditos mais fortes e sem complexos de ditos menos fortes, pois isso são questões meramente subjetivas, onde por vezes o que parece poder oferecer menos, será um gigante propulsor das vantagens dos demais.

AKTUS: A gestão que garante o sucesso dos projetos de comércio integrado e centros comerciais em Angola

Trabalha desde os 15 anos e sempre lutou para alcançar os seus objetivos. Hoje é uma mulher de negócios, é uma mulher empreendedora num país onde a cultura empresarial se distancia muita da cultura europeia. No entanto, não tem medo dos desafios, nem da mudança. Afirma mesmo que a nossa zona de conforto deve incluir a mudança. “Devemos sentir-nos bem a mudar senão, enquanto profissionais, não conseguimos posicionar-nos. Venho de uma família de comerciantes e, desde que me lembro, todos trabalhávamos juntos, por isso, sempre dei muito valor ao trabalho e ao esforço para alcançar qualquer objetivo. Nunca nada foi um dado adquirido, antes pelo contrário”, realça.

Começou o seu percurso profissional como Diretora de Marketing no Fórum Aveiro e, quatro anos depois, é convidada pelo Grupo Amorim Imobiliária para inicialmente liderar a área de Marketing no Porto. Aqui, naquela que considera ser a sua verdadeira escola da vida, aprendeu o significado da palavra resiliência. “Esta fase da minha vida profissional foi das mais difíceis mas também foi das mais felizes até aqui. Abracei e liderei diferentes áreas ao mesmo tempo e, inclusive, aceitei o convite para dar aulas de marketing no IPAM”. Foi, ainda, responsável pela área de Market Corporate Center, que envolvia todas as áreas de negócio de imobiliário do grupo e um trabalho mais institucional e comercial com marcas e entidades, o que lhe permitiu desenvolver um trabalho muito mais estratégico para o grupo.

 

É nesta altura, depois de alguns anos a ser contactada e desafiada para abraçar um projeto mixed-used do empreendimento Comandante Gika, o maior projeto imobiliário de Angola, que decide entrar numa nova aventura enquanto Diretora Geral do Luanda Shopping. “O projeto era desafiante e queria marcar a diferença. A gestão portuguesa e os profissionais portugueses são bastante valorizados neste mercado”, explica-nos Solange Rocha. “Apesar da minha decisão, orgulho-me de ter criado e de continuar a manter uma excelente relação com os amigos que fiz no Grupo Amorim”, acrescenta.

Já passaram oito anos desde que foi convidada para trabalhar como especialista na área dos centros comerciais e se mudou para Angola.

A Aktus surge depois de passar por um conjunto de projetos de grande dimensão que liderou e depois de uma análise que lhe permitiu perceber que, após um período de forte construção em Angola, o país precisava de empresas de gestão porque o mercado assim o iria exigir. Ademais, a isenção advinda de uma empresa sua iria permitir-lhe trabalhar de acordo com os seus valores e ideais. O resultado foi, portanto, a abertura de uma empresa, há quatro anos, especializada em gestão de empreendimentos.

Na Aktus conta agora com uma equipa interna especializada, mas também com o trabalho de colegas através de parcerias externas para dominar todas as áreas necessárias, desde a engenharia à arquitetura, para projetos de grandes empreendimentos.

“O meu foco e a minha paixão sempre foram os meus projetos”

Solange Rocha confessa que durante o seu percurso profissional sentiu algumas dificuldades pelo facto de ser mulher, tanto em Angola como em Portugal. Dificuldades essas que se prenderam com a credibilidade e com o esforço para demonstrar as suas competências, mas também para chefiar equipas. “Sendo eu mulher senti alguma relutância nas equipas, quer da parte dos homens como das mulheres. É preciso ter muita resiliência, mas também saber moldar-nos às circunstâncias”, afirma.

Quanto à complexidade em conciliar a vida profissional com a vida pessoal, Solange admite que é possível conciliar ambas mas que, por vezes, é difícil pelo que constata à sua volta. “No entanto, no meu caso, o meu foco e a minha paixão sempre foram os meus projetos desde muito cedo. Por isso mesmo, lidar com o sucesso e conciliar tudo quando se tem 20/30 anos é muito duro. Depois, quando se é mais velho e se olha para trás, para os resultados e para o sucesso alcançados, percebemos que, de repente, a vida aconteceu”, diz-nos Solange Rocha.

Explica, ainda, que uma carreira profissional não impede uma mulher de ser mãe, mas que uma carreira profissional que obriga a viajar constantemente, que ocupa muito tempo, que obriga a despender de horas nos fins-de-semana, já nos leva a ter de saber bem o que queremos.

Liderança

Solange Rocha acredita que o estilo de liderança está relacionado com o género e que a liderança feminina, seja em que papel for, ainda enfrenta alguma oposição social por parte do sexo masculino, o que, a seu ver, torna as mulheres muito exigentes.

Contudo, admite que a sua vivência em Portugal foi muito feliz no que diz respeito à liderança e gestão de equipas. “Como líder sou muito de delegar e procuro ajustar as pessoas aos cargos de acordo com as suas competências. Independentemente do cargo da pessoa numa organização não nos podemos fixar às funções inerentes a esse cargo porque o perfil da pessoa pode ser uma mais-valia e acrescentar valor noutras áreas”, explica a nossa entrevistada.

“A liderança para mim é isso, é saber olhar para as pessoas e perceber onde é que elas são uma mais-valia e, sobretudo, prepará-las para trabalhar em equipa. E ainda, a informação deve ser transparente, pois uma equipa que sabe plenamente para o que está a trabalhar, veste mais facilmente a camisola da casa e sente-se mais valorizado por se sentir incluído no foco, objetivos e estratégia da organização”, acrescenta.

Uma empresa de gestão de centros de comerciais que pensa diferente

Angola viveu um forte período de construção de infraestruturas e de investimento privado e público em estruturas comercias e hotelaria. No entanto, grande parte da construção e dos projetos, inclusive residenciais, careceram de acompanhamento e de uma gestão profissionalizada devido, em muito, à cultura empresarial bastante enraizada em Angola, onde os projetos são geridos pela própria equipa interna. “É preciso realçar a importância de se ter uma gestão profissional e a grande necessidade das empresas promoverem e perceberem que é essencial fazer uma aposta em gestores e em empresas de gestão profissional, assumindo esse custo como um investimento imprescindível para o sucesso dos projetos, à semelhança do que acontece na Europa e noutras economias desenvolvidas”, explica Solange Rocha.

Durante todos esses anos verificou-se, portanto, um boom de construção de edifícios de vários níveis, mas chegou a altura de fazer a gestão desses empreendimentos para se tornarem rentáveis e possibilitar um rápido período de recuperação ao investidor. Esse é o foco da Aktus.

A par da gestão de empreendimentos, a Aktus executa projetos de raiz, desde a compra do terreno até à sua gestão. “O nosso know-how e o nosso leque de serviços permite-nos abranger o ciclo de um empreendimento. Temos ido à procura dos melhores profissionais e de estabelecer relações com várias entidades nacionais e internacionais para complementar os serviços prestados. Além disso, conheço todos os projetos de centros comerciais em Angola, conheço os preços, os modelos, os sistemas, as dificuldades e os desafios, o que nos tem aberto portas para outros mercados”, esclarece Solange Rocha.

Outro ponto que claramente diferencia a Aktus no mercado, é o facto de terem projetos comerciais e mix-used que são desenvolvidos propositadamente para África e para o cliente e Spot específico.

“Pensamos em unidades integradas comerciais com modelos desenvolvidos por nós, com conceitos inovadores e adaptados à região. Pesquisamos vários mercados para «pegar» nas boas práticas dos outros países e desenvolver um modelo que permita um retorno rápido para o investidor, que assente numa construção simples e bonita, com materiais económicos e com durabilidade e que prima pela inovação. Não queremos levar modelos fixos para os nossos projetos e sim apresentar ao investidor formatos de negócios de comércio integrados que o farão ter o retorno do seu investimento a curto prazo e que garantam uma boa gestão operacional e financeira corrente. Como exemplos temos os «Mercados», que são projetos com foco na venda de produtos alimentares, restauração lazer e serviços e os Car Shoppings que são projetos de enorme sucesso em vários países, especialmente na América do Sul”, adianta Solange Rocha.

A área do retalho

Apesar de considerar ainda não ser fácil para os estrangeiros investir em Angola devido a vários entraves e dificuldades, incluindo as administrativas para se constituir empresas, a Aktus decidiu apostar numa nova unidade de negócio, o retalho. Juntamente com o seu sócio, Paulo Silva, Solange Rocha iniciou a aposta no trading. “Recentemente fechamos um negócio que nos levará a ser os representantes oficiais da marca de cosméticos e suplementos alimentares «SUTA Spirulina Technology» em Angola e introduzir os seus produtos no país. Já temos uma experiência direta em retalho alimentar e não alimentar em Angola há cerca de seis anos o que nos permite alargar a oferta de produtos e criar e trabalhar nichos de mercado onde encontramos oportunidades”.

Está, ainda, a trabalhar na atividade de venda para o mercado informal, tendo por base a experiência e o know-how da Aktus no desenvolvimento de centros comerciais e no setor do retalho. “De momento já temos duas lojas próprias e armazéns de logística para a sua distribuição”, realça a nossa entrevistada.

Projeto MDC Shopping

Com um portfólio de projetos em mãos, Solange Rocha mostra-se particularmente entusiasmada com o desafio de projetar um plano de expansão de um centro comercial integrado na apaixonante e alegre cultura africana, o MDC Shopping Center, um dos projetos da Aktus.

“O projeto já existe como loja stand alone – a MDC Mundo da Casa – a qual também está a ser melhorada ao nível de layout, imagem e diversificação de produtos. A MDC Mundo da Casa vai crescer, nesta 1ª fase, cerca de 3.000 m2 o que consolidará, sem dúvida, a mesma como a maior e melhor ao nível de oferta de produtos para casa em Angola.

Coube à Aktus proceder ao rebranding desta loja, que será a âncora principal do Centro Comercial, bem como prestar serviços complementares – category management, entre outros – de forma a obterem o upgrade desejado pelo cliente proprietário da estrutura.

“O Centro Comercial que estamos a desenvolver à volta desta mesma âncora terá um espaço multiusos de Lazer com mais de 1.500 m2, com bares, restaurantes, área reservada para festas infantis, um espaço com mais de 300 m2 com um palco/ecrã gigante e auditório. Neste espaço haverá uma gestão de eventos com muita dinâmica e que abrangerá todos os públicos”, explica Solange Rocha.

Por outro lado, o Shopping contará com a presença de vários serviços, entre os quais Bancos, Seguradoras, Beleza e Bem-Estar e Ginásio. Um espaço de 1.300 m2 está reservado para área de Supermercados.

“A estratégia Comercial do MDC Shopping Center é claramente a de apoiar os lojistas. As lojas já estarão praticamente prontas para entrada dos mesmos, de forma a que o seu investimento inicial seja muito baixo e assim, até porque as próprias rendas são de muito baixo risco, o Lojista poderá começar logo a ter uma excelente operação. Por estes motivos, vamos escolher bem quais os lojistas a entrar, para que o Tenant Mix seja o certo e o sucesso global do empreendimento seja imediato”, reforça a nossa entrevistada.

A Aktus já deu início à comercialização no princípio do mês de junho, de forma a ter já o arranque da obra do Shopping a acontecer. “Já temos várias reservas, pois, mesmo numa fase em que o mercado está difícil, as condições que oferecemos são bastante vantajosas: já existe uma forte operação a decorrer (a Loja MDC com cerca de 8.000 m2), o que já garante um forte tráfego, a presença de Lojas com Fit Out praticamente pronto, e despesas mensais baixas para o Lojista”, adianta Solange Rocha.

O MDC ficará localizado na Via Expresso, em Luanda, Angola, e estender-se-á por mais de 15.000 m2 de ABL total, com quase 1000 m2 de área de lazer e entretenimento para crianças e adultos, Drive In, tradicional e Fast Food restaurantes, e bares. A previsão é que este projeto esteja concluído até junho de 2020.

Seguindo as oportunidades de mercado e a disposição de oferecer mais serviços aos seus clientes, o futuro plano de expansão da MDC inclui a criação de um Home Center no Shopping Center e a abertura de mais três Shopping Centers MDC nos próximos dois anos. Todos estarão baseados em Angola, dois em Luanda e um na cidade de Benguela, com a ideia principal de abranger outros países africanos num futuro próximo.

A MDC faz parte do Grupo Yewhing e abriu as portas no mercado angolano há cinco anos.

Este Home Center conta já com 45 mil clientes regulares, que estão fidelizados à marca e ofereceu soluções a mais de 250 mil famílias. Tendo em conta que a família angolana tem uma média de seis pessoas, este valor representa mais de de 1.5 milhões de angolanos e residentes.

SUTA Spirulina Technology

Outro projeto empolgante de Solange Rocha é a representação da marca de dermocosmética, SUTA Spirulina Technology, em Angola. “A aposta nesta marca, cujo sucesso está a superar qualquer expectativa, prende-se com o facto de a mesma ser 100% natural. Com excelentes resultados e a um preço médio bastante vantajoso, muitos angolanos já estão a render-se à marca e a comprar os produtos em Portugal. A vantagem é que agora poderão ter acesso aos produtos em Angola e comprá-los em Kwanzas”, afirma Solange Rocha.

A marca entrou recentemente no mercado português e conta já com uma parceria com os Spas dos hotéis Pestana ao mesmo tempo que começa a marcar posição noutros países como Angola.

Mirela Suta, médica dermatologista, é a criadora da marca e encontrou na Spirulina o elemento base da sua própria marca de dermocosméticos.

A sua infância foi marcada por uma forte ligação à terra. O fascínio pelas plantas, e pelo que podia obter delas, levou a que Mirela Suta, e o irmão, transformassem a cozinha da mãe num laboratório de experiências. “Aos 9 anos de idade fiz o meu primeiro sabonete”, conta a mentora e criadora da marca Suta Spirulina Technology.

Na Roménia dos anos 80, na época comunista, as famílias tinham de produzir tudo o que necessitavam. Não era opção ir ao supermercado comprar sabonete, champô, detergente para a loiça ou outros artigos.

Foi uma aprendizagem de vida que conduziu Mirela Suta a um sonho, ao sonho de querer criar uma marca diferenciadora e mundialmente reconhecida.

Formou-se em Medicina e especializou-se em Dermatologia e, em 2000, mudou-se para Portugal, onde se tornou empresária na área dos dermocosméticos e cosméticos.

Em abril de 2018, após nove anos de intensas pesquisas em busca de ingredientes diferenciados, ‘encontrou’ a Spirulina, o diferencial da SUTA – a primeira marca de dermocosméticos portuguesa com uma gama de cuidados para a pele à base de Spirulina.

A marca entra no mercado e dá início à sua comercialização online, quer através da sua própria loja digital (sutacosmetic), quer dentro da sua rede de clínicas – as Clínicas Sorria.

A consolidação da marca e o aumento das vendas permitiram que, desde maio deste ano, dois grandes sites de marketplace – Sweet Care e Beauty Shop – passassem também a comercializar os produtos SUTA, bem como deram início ao processo de abertura de mais espaços físicos, nomeadamente na região norte do país.

 

“À sua escala, Portugal orgulha-se de estar a fazer a sua parte”

Num país que se tem mantido distante da onda de intolerância que domina na Europa, o Alto Comissariado para as Migrações (ACM) tem desempenhado um papel determinante na integração dos imigrantes que chegam a Portugal. Desta forma, quais são os grandes desafios que se colocam ao Alto Comissariado para as Migrações de momento?

A gestão das migrações forçadas trouxe, a todos os países solidários com o acolhimento e a integração de pessoas refugiadas, novos desafios e Portugal não é exceção, a começar pelo seu posicionamento humanista, manifestando a sua solidariedade ativa no âmbito dos diversos programas, para além dos pedidos de asilo espontâneos: recolocação, reinstalação, barcos humanitários e acordos bilaterais.

Este envolvimento tem levado o ACM, I.P., desde finais de 2015, a assumir a coordenação do acolhimento e integração, na sociedade portuguesa, dos requerentes e beneficiários de proteção internacional ao abrigo de todos aqueles programas de apoio, em cooperação com municípios e entidades da sociedade civil, adaptando respostas já existentes às necessidades do novo público-alvo e investindo na conceção de outras, de modo a contribuir para percursos migratórios humanitários sustentáveis.

Este é um desafio de que nossa orgulhamos, em particular quando, recentemente, dados do Eurobarómetro Standard revelaram que alguns dos temas que mais inquietam os povos europeus, como as migrações, o crime e o terrorismo, são quase ignorados pelos portugueses/as. O caso das pessoas migrantes é o mais paradigmático, dado que, em Portugal, é citado apenas por 3% de inquiridos/as como a sua maior preocupação, enquanto no restante do velho Continente chega aos 21%, apenas superado pelo problema do desemprego.

Contudo, este é sempre um trabalho inacabado, onde, permanentemente, surgem novos desafios. O Plano Estratégico para as Migrações (PEM), como instrumento de política pública de âmbito nacional, visa preparar o país e responder de forma articulada, eficaz e transversal a esses desafios. Assim, se é verdade que houve avanços muito significativos no combate transversal ao défice demográfico e no equilíbrio do saldo migratório, revertido em 2017 depois de seis anos de saldos negativos. Se, igualmente, é evidente que se registaram grandes avanços na capacidade de melhorar os instrumentos legais de apoio à integração das comunidades migrantes e seus descendentes (que superam as 500.000 atribuições da nacionalidade portuguesa na última década), continuaremos a aprofundar o nosso trabalho ao nível do acolhimento e integração das pessoas refugiadas, mas também do ponto de vista mobilidade internacional, na perspetiva da captação de migrantes e da valorização das migrações e do talento, no alinhamento com os setores de atividade que mais carecem de população ativa, assegurando uma solução eficiente e justa, desde logo, para as próprias pessoas migrantes, no enquadramento do Pacto Global para as Migrações.

Não há sucesso nas políticas migratórias se não forem consideradas, com toda a prioridade, as políticas de acolhimento e integração de migrantes na sociedade de acolhimento. Portugal está no bom caminho neste sentido?

O modelo de governação integrada desenvolvido em Portugal tem merecido inúmeros reconhecimentos e prémios internacionais. Esta ideia original portuguesa, que designamos de one stop shop,  desenvolvida e inspirada nas Lojas do Cidadão, permite ter, no mesmo edifício, todos os serviços que respondem de forma integrada às necessidades de migrantes, sejam imigrantes, refugiados ou cidadãos da UE em mobilidade. Estes Centros Nacionais de Apoio à Integração de Migrantes (CNAIM) são estruturas de apoio fundamentais no processo de integração em Portugal, disponibilizando para o efeito vários tipos de serviços, da responsabilidade do ACM, I.P., e de outras instituições públicas de diferentes ministérios.

Para além dos diversos serviços públicos aí presentes, os CNAIM têm diversos Gabinetes que se complementam, designadamente o Gabinete de Acolhimento e Triagem, o Gabinete de Apoio Jurídico, o Gabinete de Assuntos Sociais e Inclusão e o Gabinete de Apoio à Inserção Profissional, Ensino Superior e Qualificação. Numa lógica de atendimento integrado, estes gabinetes articulam-se entre si e com os demais ministérios presentes nos CNAIM, de forma a desbloquear as situações apresentadas pelas pessoas migrantes, potenciando assim o seu processo de integração.

Os CNAIM de Lisboa, Norte e Algarve, articulam-se, por sua vez, e de forma descentralizada, com 99 Centros Locais de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM) disponíveis por todo o país, fazendo jus ao princípio de que a integração se faz a nível local e, como tal, articulando em parceria com inúmeras câmaras Municipais e entidades da sociedade civil de norte a sul do país e regiões autónomas que por sua vez constroem, nos seus territórios, projetos em rede com escolas, centros de saúde, centros de emprego, associações de migrantes, entre outros parceiros, de modo a responderem de forma integrada às necessidades de migrantes do ponto de vista do atendimento e dos respetivos processos de integração .

Além do trabalho desenvolvido pelos CNAIM e CLAIM, é de realçar o aumento de pedidos de informação na Linha de Apoio a Migrantes (808257257) e a utilização crescente da app MyCNAIM, lançada em 2017, enquanto medida Simplex +, que permite desmaterializar o apoio prestado presencialmente.

A crescente replicação, no estrangeiro, destas e de outras práticas portuguesas de apoio à integração mostra-nos que estamos a fazer bem um trabalho que, noutras geografias, infelizmente, não encontra a mesma determinação e consenso.

Sente que em Portugal a integração é vista como o motor de desenvolvimento e coesão social da sociedade?

Em finais de 2018, a OCDE confirmou Portugal como um dos poucos países europeus onde a perceção sobre a imigração evoluiu mais favoravelmente nos últimos 12 anos (a par do Reino Unido e da Noruega), considerando o nosso país como uma “notável exceção”, reforçada pelo facto de Portugal (a par do Luxemburgo) ser um país onde as pessoas que têm raros contactos com imigrantes têm mais probabilidade de afirmar que a imigração é uma oportunidade.

Estes são dados que o Eurobarómetro confirmou, ao mostrar que a perceção portuguesa sobre a integração de migrantes na sociedade suplanta largamente a média europeia (fixada nos 54%), sendo que 77%  dos portugueses/as consideram que a integração de migrantes é bem-sucedida, um número só superado pela Irlanda (80%).

Em dezembro de 2018, e como nos últimos quatro anos, o ACM, I.P., através do seu Observatório das Migrações, lançou o Relatório Anual “Imigração em Números”. Trata-se de uma bateria de mais de 200 indicadores de integração, o que nos permite medir os níveis de integração dos estrangeiros em Portugal com rigor científico, e nos permite responder, pragmaticamente, às dúvidas que, muitas vezes, surgem ao redor deste tema: os estrangeiros contribuem para o nosso mercado de trabalho? E para a segurança social ou a demografia?

As nossas respostas a estas questões partem da evidência dos dados robustos que são trabalhados, e que permitem responder favoravelmente. A título de exemplo, em 2017, os estrangeiros contribuíram positivamente para a nossa Segurança Social com 514M€. Estes são factos que mais do que responder à questão inicial, permitem combater medos e mitos.

Não perdermos estes resultados de vista permitir-nos-á continuar a pautar a narrativa sobre as migrações com um olhar pragmático, complementado por um olhar humanista que deve sempre relembrar que, ao final do dia, são apenas pessoas como nós em busca de um projeto de felicidade.

Qual tem sido o papel do Alto Comissariado para as Migrações na adaptação e integração dos muitos imigrantes, oriundos dos mais diversos países, que têm chegado a Portugal?

O Alto Comissariado para as Migrações é o organismo, em Portugal, responsável pelas políticas de acolhimento e integração de migrantes, assente em 4 pilares, em torno dos quais de desenvolve o trabalho levado a cabo pelo ACM:

Pilar I – Integração de proximidade, através da Rede Nacional de Apoio à Integração de Migrantes, pioneira desde 2003 e composta por: 3 Centros Nacionais e 99 Centros Locais, porque a integração se faz a nível local;

Pilar II – Parceria e Cooperação com Municípios e Sociedade Civil, desde 2003, fomentando a construção bottom up de políticas municipais com o envolvimento direto de migrantes, na procura de soluções conjuntas, através das Associações de Migrantes e de Refugiados, para a conceção de Planos Municiais para a Integração de Migrantes (desde 2014), numa lógica de cooperação, porque a diversidade é uma vantagem competitiva;

Pilar III – Participação e representatividade das Comunidades Migrantes no Conselho para as Migrações, dinamizado pelo ACM, I.P., onde estão representadas as principais comunidades migrantes, afrodescendentes e de refugiados, a par dos diferentes serviços públicos (desde 1998) e cujo modelo tem vindo a ser replicado a nível local, através de Conselhos Municipais para a Interculturalidade, ou outras designações semelhantes;

Pilar IV – Modelo intercultural de gestão da diversidade, onde mais do que a mera coexistência das diferentes comunidades em presença no território nacional, se promove a interação das comunidades entre si e destas com a sociedade de acolhimento, na base da valorização da diversidade, do diálogo intercultural e inter-religioso.

Neste sentido, o papel do ACM, I.P. passa, desde logo, pela concretização plena do Plano Estratégico para as Migrações onde 13 Ministérios, Municípios e Sociedade Civil são envolvidos diretamente na concretização de 106 medidas para o apoio à integração.

Complementarmente, o ACM desenvolve inúmeros projetos e iniciativas que asseguram respostas diretas aos seus públicos-alvo. Entre essas iniciativas, destacamos as campanhas, o Observatório e um conjunto alargado de ações, tais como o Programa Escolhas, a Rede de Escolas Interculturais, a Carta para a Diversidade, o apoio ao Associativismo Migrante ou o Programa de Apoio ao Empreendedorismo Migrante. São, de facto, centenas de iniciativas que, no seu todo, ajudam a consolidar a ideia-chave que lhes subjaz: a ideia de uma sociedade portuguesa intercultural e inter-religiosa.

A promoção da igualdade de tratamento de todas as pessoas, como é exemplo o combate à discriminação racial, é fundamental. Desta forma, sente que a nível estatal tem sido realizado um esforço ao nível de investimento nesta área? Que lacunas ainda identifica?

Portugal tem, desde agosto de 2017, um novo enquadramento legal para a prevenção e combate à discriminação em razão da origem racial e étnica, cor, nacionalidade, ascendência e território de origem. Estas duas últimas caracteríticas “ascendência e território de origem” decorrem precisamente da nova lei, assim como o reforço de poderes da Comissão para a Igualdade e contra a Discriminação Racial – CICDR, a atribuição de poderes de instrução ao ACM, I.P., a simplificação de procedimentos na formalização de queixas; decisões sujeitas a publicação; o ônus da prova passou a permitir a presunção da intenção discriminatória, cooperação entre entidades com competência em matérias de discriminação e com os tribunais que agora informam CICDR das decisões proferidas, mediação ante acompanhamento da CICDR, como forma resolução de litígios e proibição da discriminação por associação, e discriminação múltipla.

Fruto deste importante impulso legislativo e verificando-se um maior conhecimento dos direitos e dos mecanismos da CICDR que o ACM, I.P. tem desenvolvido, através de campanhas e inúmeras iniciativas, o n.º de queixas em 2018 foi de 346, maioritariamente impulsionadas pelas próprias vítimas: 214 queixas= 61,8%.

Temos, felizmente, um novo enquadramento legal que veio reforçar os mecanismos de sanção à discriminação étnica e racial e tivemos, igualmente, um reforço no Código Penal para as tipologias de crimes de ódio racial que procuraram melhor responder a este desafio civilizacional. Mas, simultaneamente, há que continuar uma permanente sensibilização para uma pedagogia e cidadania que importa sempre reforçar.

Ao nível da União Europeia, Portugal tem estado na linha da frente das melhores políticas de resposta a migrantes e refugiados, recebendo merecido destaque como um dos países com uma abordagem positiva e construtiva, cumpridora dos mais elementares Direitos Humanos. Na sua opinião, quais são as principais razões para os imigrantes escolherem Portugal?

À sua escala, Portugal orgulha-se de estar a fazer a sua parte. Numa Europa onde alguns Estados-Membros substituíram a solidariedade por muros, Portugal tem merecido o destaque da UE, do Conselho da Europa e das Nações Unidas. Para tal, contribuiu o enorme consenso político nesta matéria, mas também o consenso social, como comprova o European Social Survey 2018 ao considerar Portugal como o país europeu onde mais desceu oposição à imigração, defendendo o acolhimento de refugiados e valorizando os benefícios da diversidade cultural e o contributo dos migrantes.

Solidário com a causa dos refugiados na Europa, Portugal acolheu 1550 pessoas refugiadas ao abrigo do Programa da Recolocação da UE, 142 no âmbito do Acordo UE/Turquia; 112 de Barcos Humanitários (estando para chegar mais 10 do navio Alan Kurdi) e recebeu já 194 pessoas através do Programa da Reinstalação, na relação direta com o ACNUR (de 1010 para os anos de 2018 e 2019). Paralelamente, foi o primeiro EM a celebrar com a Alemanha um Acordo Bilateral para efeito das Retomas a Cargo e celebrou um outro com a Grécia para mais 100 pessoas em 2019. A estes números acrescem os pedidos de asilo espontâneos que, em 2018, abrangeu mais de 1300 pessoas.

Atualmente, Portugal conta com novas comunidades, fruto dos mecanismos de proteção internacional, como é o caso das comunidades síria, eritreia e iraquiana. Entre elas, em sede de acompanhamento é possível identificar, entre os testemunhos das próprias pessoas refugiadas, a sua valorização no que se refere: à segurança, à hospitalidade, ao acesso a recursos como por exemplo a educação e a saúde.

Atualmente, quais são os principais programas de integração de imigrantes disponibilizados pelo Alto Comissariado para as Migrações?

À resposta integrada que o ACM, I.P. disponibiliza através dos CNAIM e dos CLAIM, a necessidade constante de adaptação e criação de novas respostas, tem levado o ACM, I.P. a oferecer novos recursos de que são exemplo mais recente:

O Serviço de Tradução Telefónica, atualmente com 60 tradutores e 57 idiomas, entre eles árabe, curdo e tigrínia, para responder às necessidades das novas comunidades de pessoas refugiadas em Portugal;

A Plataforma de Português Online, que apresenta conteúdos para a aquisição do Português europeu por adultos falantes de outras línguas, através de módulos traduzidos para inglês, espanhol e árabe (+ de 11.000 utilizadores/166 nacionalidades);

A Plataforma Refujobs, que tem por objetivo potenciar as competências profissionais das pessoas refugiadas, associando-as às oportunidades de emprego disponíveis em entidades e empresas portuguesas;

O Protocolo com a Plataforma Global de Apoio aos Estudantes Sírios, para atribuição de bolsa de estudo a estudantes refugiados de todas as nacionalidades no acesso ao ensino superior;

O Protocolo com todas as Associações de Refugiados que existem em Portugal para dinamização conjunta de atividades e cedência de espaço o que se verifica no CNAIM de Lisboa;

Portugal vive atualmente uma melhoria económica evidente. Sente que isso é fundamental para retomar saldos migratórios positivos que assegurem condições para um desenvolvimento sustentável do país?

O crescimento da economia e do emprego, assim como da recuperação da credibilidade internacional de Portugal que levou à redução do défice de 2018 para 0.5, são seguramente bons indicadores. A par destes, o Relatório Estatístico Anual 2018 do Observatório das Migrações (OM)  dá conta, não só de um conjunto de indicadores que revelam uma  contribuição muito positiva das pessoas migrantes para o país, mas também dos impactos das políticas migratórias de integração. De facto, os migrantes foram os primeiros a sinalizar os primeiros sintomas da crise e foram, depois, os primeiros a assinalar a retoma económica.

Os dados apresentados apontam para o facto de Portugal apresentar, em 2017, um saldo migratório positivo (+4.886), invertendo a trajetória de declínio verificada desde 2010, revelando-se, assim, um número de imigrantes (36 639, +22% do que em 2016) superior às pessoas que saíram do país (31 753, -17% do que em 2016). A população estrangeira com títulos de residência voltou a ultrapassar os 400 mil indivíduos, traduzindo um crescimento face ao ano anterior de +6%, vivendo em Portugal 421.711 pessoas estrangeiras, o que representa 4,1% do total de residentes do país.

Contrariando a tendência de envelhecimento da população portuguesa, as pessoas imigrantes são tendencialmente mais jovens, concentrando-se nos grupos etários em idades férteis e em idades ativas, facto verificado no contributo das mulheres de nacionalidade estrangeira para o nascimento de 10% do total dos nados-vivos em Portugal.

A terminar, quais devem continuar a ser as políticas portuguesas de integração de migrantes e pessoas refugiadas, e o que podemos esperar no futuro por parte do ACM?

No final de 2018, Portugal subscreveu o Pacto Global para as Migrações, pelo que a assunção dos compromissos daí decorrentes representam um desafio relativamente ao qual queremos estar à altura. É nesse caminho que a experiência do ACM, I.P. no acolhimento e integração de refugiados tem constituído uma aprendizagem que queremos aprofundar, assim como desejamos que o lugar de Portugal no MIPEX (Migrant Integration Policy Index), evolua para patamares ainda mais além do já conquistado até aqui. Recorde-se que, em 2015, no MIPEX IV, Portugal manteve-se como o segundo melhor país do mundo em termos de políticas de acolhimento e integração de migrantes.

Isto não significa, porém , que tudo esteja perfeito e há sempre muito trabalho para fazer e aprofundar. Desde logo no árduo trabalho de garantir que passamos da Lei à prática com os mesmos resultados.

A esse nível, destacamos os desenvolvimentos recentes na vertente da saúde, área genericamente menos bem cotada no MIPEX em 2015. A esse nível é de salientar o trabalho que temos vindo a fazer em parceria com a Direção-Geral de Saúde (DGS) e a OIM , procurando assegurar a efetiva concretização pelos serviços dos direitos dos estrangeiros em acederem aos serviços de saúde, independentemente de Portugal ser um dos raros países europeus que assegura o acesso à saúde a todos os estrangeiros, independentemente da sua condição legal. Neste domínio o ACM tem colaborado com a DGS e a OIM, através do projeto EquiHealth, formando centenas de  médicos, enfermeiros e assistentes, procurando garantir que esta boa vontade se concretiza no terreno.

Por outro lado, e se é verdade que na vertente da educação importa destacar que portugal tem melhorado bastante os resultados no pisa (programa internacional de avaliação de alunos), sendo o país da ue que mais aproximou os diferenciais nas taxas de sucesso e insucesso escolar dos alunos portugueses e estrangeiros, há, porém, determinadas nacionalidades que apresentam maior prevalência de abandono escolar e dificuldades escolares. Percebermos, no entanto, que não estamos perante deficits causados por serem migrantes, mas por contextos de classe social e de baixos níveis de qualificação dos pais que se tendem a reproduzir nas gerações seguintes, é fundamental. É neste domínio que o acm, através do seu programa escolhas, tem vindo a intervir, garantindo que, na corrida da vida, ninguém fica para trás.

“Pesquisar e descobrir” com espírito inovador

Graças à influência governativa positiva de todos os stakeholders, particularmente na valorização dos funcionários, traduzida em priorização das oportunidades de treinamento e desenvolvimento pessoal e plano de carreiras, a Keyresearch é uma das pioneiras do ramo com um histórico de confiança de 14 anos. Através do comprimento das boas práticas internacionais e uma tecnologia adequada, transpõe as barreiras das competências locais e do pagamento dos serviços em moeda local, atuando com várias técnicas especializadas que vão desde os estudos de satisfação e fidelização, estudos de consumo e comportamento, estudos de perfil do cliente, indicadores de performance tais como o cliente mistério, segmentação baseada no valor do cliente, testes de conceito, estudos de notoriedade das marcas ou análises de campanhas de comunicação.

Portefólio de clientes

Com mais de 250 projetos realizados, possuímos atualmente um portfólio de clientes bastante diversificado que inclui, entre outros, empresas multinacionais e grandes, médias e pequenas empresas angolanas, atuando em todos setores da economia, tais como, indústria alimentar, higiene e beleza, bebidas, produtos de limpeza, automóvel, farmacêutica; banca e seguros; agências de comunicação; distribuição; agricultura; saneamento básico; tecnologia e electrónica.

Decisões estratégias agregaram valor à empresa

Como resposta à conjuntura em que evoluíamos, decorrente da situação económica do país, associada a acções compulsórias legais face a temáticas de promoção de emprego, desenvolvemos um plano de valorização da diversidade de conhecimentos, a capacidade de aprender, criar e inovar, tornando-se num fator fundamental para promover a empresa num ambiente dinâmico e competitivo. Um dos principais vetores de gestão contínua da empresa é a valorização de um dos maiores patrimónios da empresa: as pessoas, o corpo de funcionários, uma equipa profissionalizada e dinâmica, com alto nível de capacitação e dedicação, em constante treinamento e aperfeiçoamento. Um dos programas que deu sustentabilidade à Keyresearch nesta última década foi o programa de desenvolvimento de competências que visa dividir responsabilidades e envolver todos os funcionários na busca dos objetivos estratégicos delineados pela empresa.

Um modelo de gestão adaptado virado para a qualidade dos serviços 

A filosofia sobre a qualidade de trabalho estende-se a todos os níveis da empresa abrangendo, inclusive, os parceiros prestadores de serviços. Tal política é suportada por amplas e específicas normas organizacionais, que estabelecem regras já introduzidas na cultura e no dia-a-dia dos stakeholders envolvidos com o ambiente organizacional. Possuímos uma grande vantagem em relação às outras empresas. Construímos uma rede de colaboradores locais qualificados de um total aproximado de 80 prestadores de serviço contratados. Em quase todo o país vivem pessoas que já trabalharam na nossa empresa. Temos do norte ao sul de Angola grupos de recrutadores, entrevistadores e auditores que nos possibilitam construir uma perfeita rede de apoio eficiente com mais de 14 anos de know-how da nossa empresa.

Investimento tecnológico

A empresa realizou investimentos tecnológicos destacando-se a migração de questionários em papel (PAPI) para a utilização de tablets (CAPI): sendo a base na qual são desenvolvidos os produtos e processos, garantindo maior flexibilidade, eficiência, fiabilidade e, consequentemente, serviços diferenciados.

Com o aumento da utilização dos meios digitais para aprimorar a comunicação e armazenamento de dados, surgiu a necessidade de garantir a manutenção da integridade da informação, um ativo que consideramos de elevada importância. Por isso, toda a rede da nossa empresa, dispõe de um sistema de Prevenção de Perda de Dados (DLP – Data Loss Prevention). Desta forma, garantimos que os dados dos nossos clientes permanecem confidenciais.

Maximização do valor da empresa

Tendo como filosofia básica a “convivência” do tripé: cliente, funcionário e empresa, maximiza-se o valor do empreendimento ao buscar incessantemente uma maior valorização da empresa e dos funcionários no mercado e oferecer um serviço de alto valor agregado para a satisfação dos nossos clientes. Somos uma empresa socialmente responsável, que pensa não somente no proveito, mas, acima de tudo, no investimento do seu Capital Humano, promovendo a cidadania empresarial, por meio de parcerias entre o universo corporativo, comunidades de prestadores de serviço e funcionários.

Declaração de valor

Não nos limitamos a cumprir apenas os preceitos sobre os indicadores e métricas contractuais. Desenvolvemos ações e realizamos programas inovadores que buscam posicionar a Keyresearch como referência em matéria de estudos de mercado. Pretendemos ser o parceiro de escolha, fornecendo soluções eficientes e adequadas às necessidades do cliente e com custos flexíveis. Com orgulho temos um histórico de 14 anos de fundação e como pessoa jurídica, comprometemo-nos a atingir o objetivo de “Pesquisar e descobrir” com espírito inovador.

 

Como a tecnologia BIM está a revolucionar as empresas

Que principais marcos contam a história do vosso percurso?

A Global Geosystems é uma empresa que conta com quase 20 anos de experiência na distribuição de equipamentos e software com aplicação nas áreas da topografia, construção, arquitetura, controlo de máquinas, e sistemas de informação geográfica, entre outros.

Contamos com cinco escritórios no norte de Espanha, e procuramos agora marcar presença física também em Portugal, país onde já temos um volume assinalável de negócios, a partir da nossa loja online, topotienda.com.

Nos últimos cinco anos, em estreita colaboração com a Leica Geosystems, temos vivido um período de crescimento muito significativo, que nos tem colocado num patamar de grande importância neste setor na Península Ibérica.

Hoje, que papel a Global Geosystems assume no mercado?

A Global Geosystems é o maior distribuidor da Leica Geosystems em toda a Península Ibérica, e um dos maiores a nível europeu.

Disponibilizamos um serviço de assistência técnica com o nível de qualificação mais elevado que a marca outorga e reconhece.

Para além da venda de equipamentos e software, contamos com um moderno e amplo parque de aluguer, em todas as vertentes de atividade a que nos dedicamos.

Os nossos cerca de 20 profissionais têm uma elevada qualificação técnica, o que nos permite garantir aos nossos clientes o aconselhamento, formação e suporte técnico mais indicado para a sua realidade, de acordo com as suas necessidades e especificidades.

O BIM (Building Information Modelling), mais que uma solução ou conjunto de ferramentas tecnológicas, é um conceito operacional que tem por base a integração, partilha, colaboração e verificação de um conjunto de processos inerentes à conceptualização e execução de uma determinada estrutura. Trata-se de um novo paradigma na digitalização da indústria?

O conceito BIM visa principalmente a adoção de novos fluxos de trabalho na gestão de todo o ciclo de vida de qualquer edifício ou estrutura, seja novo ou preexistente. Isto porque estes fluxos de trabalho podem ser implementados imediatamente na fase de conceção e projeto, ou mais tarde, numa fase de utilização e exploração. Pode inclusive ser aplicado a edifícios históricos ou com interesse patrimonial, numa ótica de apoiar e melhorar a sua gestão, manutenção ou reabilitação.

Compreende este conceito, sem dúvida, um paradigma totalmente novo nos processos de projeto, construção e manutenção de edifícios e estruturas, com especial ênfase na introdução do conceito de trabalho colaborativo, suportado na partilha de informação, utilizando como base um “gémeo digital” do edifício ou estrutura real, que replica, tanto quanto possível, todo o tipo de comportamentos e respostas do objeto real, na sua análise com recurso a software dedicado.

Surge assim como uma solução para modernização e reestruturação da indústria, estimulando a colaboração, incentivando a desmaterialização e elevando a importância de melhores desempenhos e processos mais eficientes. De que forma o BIM se apresenta, portanto, uma mais-valia nas operações da Global Geosystems?

Como distribuidor oficial da Leica Geosystems, a Global Geosystems tem acompanhado, desde o início, a adoção das soluções tecnológicas da marca nas necessidades de empresas e pessoas que implementam, ou pretendem implementar, todas, ou parte, das fases de um fluxo BIM. Estas soluções constituem já uma parte importante do nosso volume de negócios, com um rápido crescimento tanto no mercado espanhol, como no português.

Temos capacidade de prestar serviços de venda, mas também de aluguer, formação e consultoria técnica, relativos às diversas soluções tecnológicas que a marca tem desenvolvido para aplicação neste conceito.

As soluções desenvolvidas pela Leica Geosystems, com aplicabilidade no conceito BIM, compreendem ferramentas de hardware como: laser scanners fixos ou móveis, estações totais robóticas, recetores GNSS, veículos aéreos não tripulados, e sistemas de deteção de elementos e estruturas subterrâneos; e ferramentas de software que se aplicam a todas as fases de trabalho do conceito BIM, como por exemplo: documentação do estado existente em todas as fases de vida do edifício ou estrutura; criação de modelos 3D de todos os elementos construtivos; verificação e validação de todas as fases de construção e reabilitação, em todas as especialidades; partilha de dados e apoio ao trabalho colaborativo sobre o modelo ou documentação da realidade; ou deteção de colisões, entre outros.

Mas que desafios esta abordagem acarreta?

Como resultado do nosso conhecimento técnico e comercial, e à nossa experiência no mercado da construção, temos a capacidade de apoiar os nossos clientes a superar todos os desafios que se coloquem no seu trabalho diário.

Sabemos que a adoção deste novo conceito produz a necessidade de identificar e implementar as ferramentas de hardware e software, e os fluxos de trabalho, que melhor se adequam à sua atividade, mercado, clientes e projetos, bem como de formar, de maneira suficiente e eficiente, os seus recursos humanos, para poder obter o maior benefício dessa adoção, minimizando o impacto inicial na sua produtividade.

De qualquer maneira, a adoção deste conceito constitui uma necessidade para todas as empresas e profissionais ligados de alguma maneira aos setores da construção, manutenção, reabilitação e gestão de edifícios e estruturas, da qual não poderão mais prescindir, no curto ou médio prazo. Adiar a transição para este novo conceito coloca um risco elevado de perda de competitividade, tanto no mercado internacional, como no nacional.

Em resumo, acreditamos que o risco de prescindir da adoção deste conceito é muito maior que o custo de superar os desafios que coloca a sua implementação.

Desde que o conceito de BIM surgiu que o debate se prende em torno do seu valor e aplicação, mas mais do que isso o que se deve saber para ser implementado com sucesso e desbloquear o seu verdadeiro valor?

Fundamentalmente, conhecer e recorrer aos serviços de empresas especializadas, como a Global Geosystems, que são capazes de suprir todas as necessidades de consultoria técnica e comercial, e de formação, que cada profissional e empresa possam sentir para a completa e eficiente implementação deste conceito no seu trabalho diário.

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