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Ana Rita Silva

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Morreu o cientista Miguel Mota, pioneiro da divisão celular

O investigador e cientista Miguel Mota, conhecido pela sua teoria sobre divisão celular, descoberta feita nos anos 1950, mas só validada trinta anos depois, morreu na quinta-feira, aos 90 anos, anunciou hoje a família.

A informação foi avançada à agência Lusa pelo filho, Manuel Mota, dizendo que “no passado dia 24 de março faleceu o professor Miguel Mota, agrónomo e cientista ilustre, Doutor ‘Honoris Causa’ pela Universidade de Évora (2006) e pioneiro da Genética e da Biologia Celular em Portugal”.

Miguel Eugénio Galvão de Melo e Mota nasceu em Lisboa, a 15 de outubro de 1922, licenciou-se em Agronomia pelo Instituto Superior de Agronomia, de Lisboa, tendo assumido em 1948 a direção do Laboratório de Citogenética da Estação de Melhoramento de Plantas, em Elvas, logo depois de ter concluído a licenciatura.

Foi pioneiro na utilização de microscopia eletrónica em Portugal e contribuiu para o avanço do conhecimento da genética e da biologia celular em plantas, tendo deixado “um enorme” legado na produção de cereais melhorados, refere a Ordem dos Biólogos.

Em matéria de biologia celular em plantas, publicou em 1957 um artigo sobre o papel determinante dos cinetócoros na anáfase [uma das fases de divisão celular], teoria só reconhecida pela comunidade científica internacional nos anos 1980.

Os cinetócoros são uma estrutura dos cromossomas e, segundo o investigador português, seriam uma espécie de motor na anáfase, ao moverem os cromossomas para os pólos, permitindo a divisão celular.

Ou seja, Miguel Mota descobriu que são os cinetócoros que provocam o movimento dos cromossomas, para o polo da célula, no momento em que se divide em duas iguais (na anáfase, que ocorre na mitose e na meiose).

Esse trabalho visionário desenvolvido nos anos 1950 justificou a homenagem, em 2009, por parte do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), da Universidade do Porto, cerimónia que juntou alguns dos maiores investigadores mundiais na área da divisão celular, entre os quais Ted Salmon, da Universidade da Carolina do Norte, e Rebecca Heald, investigadora na Universidade de Berkeley e editora da revista Journal of Cell Biology.

Na reunião científica esteve também presente Gary Gorbsky, da Oklahoma Medical Research Foundation, que comprovou experimentalmente, em 1987, a teoria apresentada em 1957 pelo investigador português.

A homenagem foi justificada, na altura, com o facto de, até àquela data, a “hipótese revolucionária” não ter sido reconhecida.

Miguel Mota manteve-se ao longo do seu percurso académico sempre ligado à investigação na área da genética, até se aposentar em 1992.

O cientista português trabalhou nas mais prestigiadas instituições de investigação em países como a Suécia, a Grã-Bretanha e os EUA, tendo escrito mais de um milhar de artigos científicos, que foram publicados em dezenas de jornais e revistas.

No decorrer do elogio fúnebre, que teve lugar na sexta-feira, Hélder Maiato, do IBMC, frisou que Miguel Mota “estava à frente do seu tempo” e que as descobertas do cientista foram feitas “antes de alguém sonhar que existiam motores moleculares”.

“Mais do que uma obra completa e do que uma longa lista de publicações, penso que este é o verdadeiro legado que nos deixa Miguel Mota – a sua inabalável determinação em pensar diferente e de remar contra a corrente. E remou, até ao seu último fôlego, levando consigo um pouquinho de todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecer o Homem, mas deixando a todos à sua volta uma vida muita mais rica”, disse o investigador do IBMC.

Como viajar entre Lisboa e Porto? Comboio e autocarro poluem menos que o avião

A associação ambientalista Zero aconselha os passageiros que pretendem viajar entre Lisboa e Porto a optarem pelo autocarro ou comboio, ou preencherem todos os lugares do automóvel, para ajudar no combate às alterações climáticas.

No trajeto Lisboa–Porto, “se o seu objetivo for ajudar a combater as alterações climáticas, esqueça o avião, vá muito acompanhado no carro (se não for elétrico), ou opte preferencialmente pelo autocarro ou comboio”, salienta a Zero — Associação Sistema Terrestre.

As contas das emissões de dióxido de carbono dos meios de transporte realizadas pela Zero revelam que “o avião polui cinco a nove vezes mais por passageiro do que comboio ou autocarro” na ligação entre aquelas duas cidades.

A TAP inicia no domingo uma ponte aérea entre Lisboa e Porto, com aviões de hora a hora, e a última ligação com partida às 22:25, no primeiro caso, e às 21:30, na segunda cidade.

Para a Zero, a forma mais poluente de transporte é o automóvel a gasóleo, só com um passageiro, ao emitir 50,2 quilogramas de dióxido de carbono por pessoa, numa distância de 314 quilómetros, seguindo-se o avião Boeing 737-800 da Ryanair, que faz a ligação entre o Porto e Lisboa, com 36,1 quilogramas, e depois a alternativa da TAP Express garantida por aviões a turbopropulsor e de menores dimensões.

No outro extremo, nas alternativas com menos emissões, está o automóvel elétrico, com entre 3,1 e 1,2 quilogramas de dióxido de carbono, consoante leve duas ou cinco pessoas, e o comboio intercidades, com 3,8 quilogramas, já que o AlfaPendular apresenta um pouco mais, com 5,5 quilogramas por passageiro.

A partilha do automóvel a gasóleo “será sempre favorável mas, mesmo assim, com um veículo de cinco lugares cheio, as emissões são aproximadamente o dobro das do comboio ou do autocarro”, realça a Zero.

Os dados mais recentes referem que o setor dos transportes foi o que apresentou o maior aumento de emissões entre 1990 e 2013, com quase 40%, ao contrário dos processos industriais ou da produção de eletricidade, que reduziram este tipo de poluição.

Palmira. Depois de recapturada ao Estado Islâmico, UNESCO prepara-se para restaurar cidade histórica

Depois de ter estado dez meses sob o domínio do Estado Islâmico, a cidade síria de Palmira, património mundial da UNESCO, foi reconquistada pelo exército do regime de Bashar al-Assad. Agora que surgem as primeiras imagens depois da operação militar de sábado, fica provado que aquele grupo terrorista destruiu alguns dos monumentos ali situados, mas que também poupou outros.

Foi essa a avaliação que fez o diretor-geral de Antiguidades e Museus da Síria, Maamoun Abdelkarim, em declarações à AFP. Abdelkarim disse que, antes de entrarem em Palmira, as autoridades “estavam à espera do pior” mas que “de forma geral o cenário está em boa forma”.

Entre os monumentos destruídos estão os templos de Bel e Baalshamin e o Arco do Triunfo desta cidade que em tempos pertenceu ao império romano. Segundo o The Guardian, foram poupadas a Ágora e o anfiteatro romano. Este último foi utilizado por aquele grupo terrorista para fazer execuções.

“Estou pronta para enviar urgentemente uma equipa de peritos para fazer uma avaliação dos danos na cidade património mundial da UNESCO de Palmira”, disse no domingo a diretora daquele órgão, Irina Bokova, num comunicado oficial. Na mesma nota, é referido que Bokova entrou em contacto o Presidente russo, Vladimir Putin, para discutir a proteção e a preservação daquela cidade.

A UNESCO informou ainda que vai promover uma conferência de peritos em restauro “no final de abril” onde o tema central será a recuperação do património cultural sírio.

Palmira foi recapturada ao Estado Islâmico depois de ter sido tomada por aquele grupo terrorista em maio de 2015. A reconquista foi conseguida pelo exército sírio, que contou com o auxílio militar da Rússia, que interveio com bombardeamentos aéreos. Bashar al-Assad aproveitou a ocasião para enaltecer o exército sírio e os seus aliados: “A libertação da cidade histórica de Palmira é um feito importante e prova a eficácia da estratégia adotada pelo exército sírio e pelos seus aliados na guerra contra o terrorismo”.

“Restaurámos a segurança e a estabilidade de Palmira e conseguimos controlar as colinas em torno da cidade”, disse o exército sírio num comunicado, citado pelo The Guardian.

Tiroteio na Cova da Moura faz um morto e um ferido grave

Um tiroteio no bairro Cova da Moura, na Amadora, resultou num morto e num ferido grave na noite de domingo. PSP e bombeiros foram mal recebidos pelos moradores e foram obrigados a retirar as vítimas do local para fazer as manobras de reanimação fora do bairro, apurou o Observador junto de fonte policial.

De acordo com fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Lisboa, o alerta para uma “agressão com arma de fogo”, na Rua dos Anjos, foi dado às 20h59. Testemunhas contaram à PSP que foram dois homens os autores dos disparos e que usaram caçadeiras de canos serrados.

Polícias e os bombeiros da Amadora encontraram dois homens feridos caídos no chão. “Os meios de socorro foram mal recebidos e fomos obrigados a retirar as vítimas do bairro para proceder às manobras de reanimação”, disse fonte da PSP.

Uma das vítimas, de 28 anos, acabou por morrer. Junto a si foram apreendidas 16 gramas de cocaína, o que leva as autoridades a suspeitarem de um ajuste de contas. Por se tratar de um homicídio, o caso passa agora para a Polícia Judiciária.

O ferido grave, de 25 anos, foi transportado para o Hospital de Santa Maria, Lisboa. Segundo fonte do hospital “sofreu ferimentos na face e numa nádega” e foi sujeito a uma intervenção cirúrgica. Esta manhã de segunda-feira estava internado na Unidade de Cuidados Intensivos.

No local deslocaram-se elementos e meios dos Bombeiros da Amadora, da PSP e do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), no total de quatro veículos e oito operacionais.

Portal da Deco dedicado aos transportes públicos recebe cerca de 38 queixas por dia

O portal da Deco dedicado às queixas sobre os transportes públicos recebe, em média, 38 reclamações por dia, a maioria relacionada com atrasos e com a diminuição ou supressão de linhas, percursos e horários.

Desde 11 de fevereiro, dia em que foi lançada a Carta dos Direitos dos Passageiros de Transporte Público Coletivo e o portal www.queixasdostransportes.pt, a associação de defesa do consumidor já recebeu 1.580 queixas de passageiros, disse à agência Lusa Ana Sofia Ferreira, jurista da Deco.

Relativamente à carta dos direitos dos passageiros, a jurista adiantou que já foi subscrita por 6.077 pessoas, “o que significa que os consumidores estão interessados sobre esta matéria”. Destas, 1.580 apresentaram queixa no portal, a maioria devido a atrasos (22%) e a diminuição ou supressão de linhas ou percursos e horários (20%).

“O testemunho que estes consumidores nos fazem chegar diariamente” é que estes atrasos “já fazem parte” do seu quotidiano, uma situação que “é necessário verificar e melhorar” porque significa “tempo perdido” para os passageiros, disse a jurista.

Os preços elevados dos títulos de transporte e a aquisição de passes mensais com percursos superiores aos que os consumidores vão utilizar também motivaram queixas (8%).

Perante esta situação, a Deco defende que os consumidores devem ter “mais opções” em termos de títulos de transporte e passes mensais, mais adequados às necessidades dos consumidores. Houve ainda utentes que reclamaram sobre questões de falta de higiene e conforto (8%) nos autocarros, nas carruagens e nos locais onde aguardam pelo transporte.

Os principais alvos das queixas foram os transportes rodoviários e ferroviário, com 948 e 321 reclamações, respetivamente,

O Metropolitano recebeu 229 reclamações, o transporte marítimo/fluvial 47 e o transporte aéreo 36.

O que a Deco tem verificado é que “existe um descontentamento por parte dos passageiros, mas depois não existe a formalização da reclamação”, disse a jurista. Isto acontece porque os passageiros encaram estes problemas como “meros constrangimentos e um descontentamento que vão conversando, mas não dão conhecimento aos prestadores de serviços e às entidades competentes”, uma situação que “é necessário alterar para que possam ser feitas melhorias no serviço que é prestado”.

A Deco já encetou mediações com as entidades reclamadas e deu conhecimento às entidades reguladoras das queixas apresentadas pelos utentes, exigindo “uma intervenção mais eficaz neste setor e a melhoria da qualidade deste serviço”.

Também tem apresentado a carta dos direitos aos operadores, procurando “reforçar os direitos já implementados e a introdução de novos” para responder às exigências e necessidades dos consumidores.

“É essencial que esta carta seja debatida por todos os operadores e que seja verificada a possibilidade da sua aplicação”, defendeu Ana Sofia Ferreira.

Para debater os direitos e interesses dos passageiros, a associação realiza na quinta-feira, na Estação do Rossio, em Lisboa, um debate para discutir os problemas relatados pelos consumidores e encontrar soluções.

Doze distritos do continente e ilhas dos Açores sob aviso amarelo

Doze distritos do continente e todo o arquipélago dos Açores estão sob ‘Aviso Amarelo’, com previsão de chuva, em particular na região norte, segundo previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

Estão sob ‘Aviso Amarelo’ os distritos de Faro, Beja, Setúbal, Lisboa, Leiria, Coimbra, Aveiro, Viseu, Porto, Vila Real, Braga e Viana do Castelo e todas as ilhas dos Açores.

A previsão para hoje é de chuva forte e vento moderado nos distritos de Porto, Braga e Viana do Castelo, céu muito nublado nas regiões centro e sul, embora sem possibilidade de ocorrência de aguaceiros no Algarve e Alentejo.

As temperaturas máximas previstas para hoje são de 19 graus em Beja e Santarém, 18 graus no Algarve, 17 graus em Lisboa e Leiria, 16 graus em Castelo Branco e Braga, 15 no Porto, 14 em Coimbra, Portalegre, Vila Real e Bragança, 12 em Viseu e 10 na Guarda.

Nos Açores a previsão é de aguaceiros, possibilidade de ocorrência de chuva forte e temperatura máxima entre os 17 graus de Santa Cruz e Angra do Heroísmo e os 18 de Ponta Delgada.

Na Madeira, onde os termómetros vão chegar aos 19 graus, espera-se céu com períodos de muita nebulosidade, mas sem ocorrência de precipitação.

António Costa é o terceiro líder mais mal pago da União Europeia

Os comentadores e analistas políticos que falam em políticos mal pagos em Portugal têm mais um argumento de peso para defender o seu ponto de vista. Num estudo elaborado pelo CNN Money e divulgado pelo jornal espanhol El Mundo, António Costa está entre os líderes políticos com salário mais baixo na União Europeia, atrás do homólogo grego e italiano e a milhas ds mais bem pagos.

Segundo as contas da CNN, António Costa ganha 78.194 euros por ano, antes de descontos e contribuições, um valor que é o terceiro mais baixo da Europa a quinze Estados. Abaixo do Primeiro-Ministro português, surgem apenas Mariano Rajoy e o líder húngaro Viktor Orban, apesar da distância não ser considerável.

Logo acima do líder do Partido Socialista surge Alexis Tsipras, que ganha mais 7.285 euros brutos por ano; Matteo Renzi é o quinto da tabela, mas já com uma diferença de mais de 20 mil euros por ano face a António Costa.

Sem surpresas, Angela Merkel lidera a lista de líderes da União Europeia, com um salário anual que chega aos 290 mil euros. O valor é quase quatro vezes maior do que o ordenado de António Costa e está entre os salários mais altos dos chefes de Estado de todo o mundo.

A liderança do ranking mundial de líderes políticos mais bem pagos pertence ao presidente dos Estados Unidos: Barack Obama recebe pouco mais de 356 mil euros por ano, cerca de quatro vezes e meia mais do que António Costa.

 

O ‘sangue novo’ de cada partido que traz vida e ação ao Parlamento

O sangue novo da Assembleia da República, aquele que faz vibrar as bancadas e temer os adversários políticos, é muitas vezes difícil de encontrar, mas, no momento em que surge, acaba por ser parte fundamental na imagem, afirmação e posição dos partidos.

O Notícias ao Minuto falou com alguns dos mais relevantes jovens intervenientes nas diferentes bancadas parlamentares, e foi perceber como se faz a diferença dentro de um partido quando se é mais novo do que a generalidade dos membros do Parlamento. Mariana Mortágua (Bloco de Esquerda), Leitão Amaro (PSD), João Oliveira (PCP), João Almeida (CDS) e Isabel Moreira (PS) são alguns dos deputados que mais dão nas vistas.

O interesse, a chegada e a afirmação

Na maioria dos casos, o interesse pela política surge espontaneamente, na escola, em casa ou entre amigos. A inserção nos partidos acaba também por começar naturalmente e, em grande parte dos casos, há uma pro-atividade no contacto com o partido e, consequentemente, com a filiação e entrada na estrutura político-partidária.

Questionados sobre a dificuldade que muitas vezes existe no ‘salto’ das juventudes partidárias para os partidos – exceto no caso do Bloco em que não existe juventude partidária -, os deputados garantem que a saída da vida política é, muitas vezes, proporcionada por diversos fatores, maioritariamente profissionais e pessoais.

“As pessoas não têm todas a mesma atitude perante as coisas, nem têm todas a mesma disponibilidade”, refere João Oliveira. João Almeida concorda e fala em “alturas decisivas” nas quais, muitas vezes, as pessoas não estão “tão disponíveis”. Para além das circunstâncias da vida, Leitão Amaro acrescenta dois fatores que podem levar à desistência – “as pessoas desiludirem-se com a atividade política dentro das instituições e, por outro lado, um certo fechamento dos partidos a gerações mais novas, uma aversão ao que é novo, ao que é diferente, ao que pensa diferente, ao que é impaciente”.

Apostas em jovens são de risco ou ponderadas?

No momento de fazer apostas para a Assembleia da República, os partidos procuram um equilíbrio entre experiência e juventude e, na opinião de João Oliveira, por exemplo, “o PCP tem um grau de acerto muito grande com a escolha dos quadros que faz”. Por outro lado, Isabel Moreira não concorda que haja falta de jovens no Partido Socialista. “Não faço essa leitura no que toca ao PS. Basta ver o atual grupo parlamentar, altamente renovado, e a juventude, bem como a novidade, presentes no Governo ao nível ministerial e ao nível dos secretários de Estado”, concretiza.

Leitão Amaro garante que “é normal que quem está a começar tenha de fazer um caminho de aprendizagem e experiência, e as pessoas que estão mais estabelecidas tenham mais visibilidade”. E Mariana Mortágua, a única representante de um partido sem juventude partidária, compara “duas formas de haver uma renovação geracional”: “Ou é planeada e há, de facto, uma estratégia para se ir pondo pessoas mais jovens ou às vezes há ruturas que obrigam a isso”.

“Esse sangue novo faz-nos lembrar que fazer política é muito mais do que estar na Assembleia da República e que estes cargos têm de ser, obviamente, temporários, e que é necessário que possam ir sendo ocupados por diferentes pessoas com diferentes experiências e capacidades”, salienta a bloquista.

Ligação às redes sociais

As redes sociais são um forte meio de afirmação dos mais jovens na política, e a maioria dos protagonistas acredita que são um elo de ligação entre os políticos e as pessoas, apesar do escrutínio de que muitas vezes são alvo.

Isabel Moreira nota que as redes sociais são “sobretudo a adesão da política a novas formas de comunicação” e João Oliveira garante que olha para estas “sem grande assombro”, mostrando que o contacto entre as pessoas tem a “virtude” de ser possível dar conta do “trabalho desenvolvido, das posições”. O deputado comunista frisa ainda que “o escrutínio maior dos cidadãos sobre a ação dos eleitos políticos só ajuda à qualidade da democracia”.

Leitão Amaro faz sobressair, no mesmo sentido, que as “as redes sociais têm um papel de prestar contas” à população e aborda uma outra dimensão que considera “importantíssima”: a “alimentação de informação”, o receber conteúdos das pessoas e entrar num diálogo. Já João Almeida fala das redes sociais como um “instrumento de trabalho indiscutível” e aponta esta ligação às pessoas como tendo “mais benefícios do que desvantagens”.

No momento da decisão, muitos são os partidos que vão dando oportunidades aos mais jovens de darem os primeiros passos no maior palco de atuação nacional – a Assembleia da República –, mas nem todos fazem as apostas da mesma forma e nem todas as ‘apostas’ são bem-sucedidas. Apesar da possibilidade de se tornarem ‘apostas de risco’, os deputados com que o Notícias ao Minuto falou acreditam que há a necessidade de trazer jovens de valor para a política e que haverá sempre ‘sangue novo’, principalmente por este trazer uma forma diferente de olhar para o cenário político.

 

 

Açores, primeiro ano das low cost colocou destino na moda

“Os Açores, neste momento, usufruem de um bom nível de notoriedade que é necessário continuar a trabalhar para manter. Se isso é estar na moda, temos de trabalhar permanentemente para estarmos sempre na moda”, disse à agência Lusa o secretário regional do Turismo e Transportes, Vítor Fraga, a propósito da passagem do primeiro ano sobre a liberalização das ligações aéreas entre duas ilhas dos Açores e o continente.Na terça-feira assinala-se um ano sobre o primeiro voo de uma low cost para Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, para onde passaram a voar as companhias Ryanair e a easyJet, que se juntaram à SATA e TAP.

A liberalização contempla as rotas entre Ponta Delgada e Lisboa e Porto, e entre Terceira e Lisboa e Porto, mas nesta ilha continua por executar.

Para Vítor Fraga, a liberalização insere-se num novo modelo de acessibilidades que é “mais vasto” e que, no seu entender, acabou por “trazer benefícios para todas as ilhas, porque consegue criar condições de conjugação entre rotas liberalizadas e rotas sujeitas a obrigações de serviço público”.

“Vem proporcionar aquilo que era um dos nossos principais objetivos, criar condições para entrarem novos operadores no mercado e, com isso, [verificar-se] uma redução no custo da acessibilidade”, declarou, destacando que, atualmente, “é fácil encontrar passagens a um terço do valor do que era praticado” no passado.

Segundo dados fornecidos pela Secretaria Regional, em 2015 desembarcaram nos aeroportos da região 1,1 milhões de pessoas, mais 21,2% do que no ano anterior.

Já ao nível do alojamento, os Açores registaram o ano passado 1,5 milhões de dormidas no arquipélago, um acréscimo de 22,7% comparativamente a 2014. Estes dados incluem a hotelaria tradicional, o turismo em espaço rural, o alojamento local, colónias de férias, pousadas da juventude e parques de campismo.

Vítor Fraga reafirmou que 2015 “foi o melhor ano de sempre” para o turismo dos Açores, destacando outros efeitos multiplicadores da liberalização.

“Existe um conjunto de novos empreendimentos que irão abrir ainda no decorrer do ano de 2016 ao nível da hotelaria tradicional, o que totaliza 656 novas camas” na região, exemplificou, acrescentando que “existem já, igualmente, pedidos de licenciamento prévio para o ano de 2017 que totalizam 956 camas e isto apenas ao nível da hotelaria tradicional”.

O governante admitiu que neste “ano zero” da liberalização das ligações aéreas houve “constrangimentos pontuais”, acreditando, contudo, que em 2016 a situação estará ultrapassada.

“Houve situações pontuais de constrangimentos quer do número de lugares, quer de preços muito elevados ao nível da acessibilidade”, afirmou Vítor Fraga, convicto de que “este ano esta situação será fortemente atenuada, porque daquilo que é a oferta pública conhecida das várias operadoras que trabalham para a região, há um incremento de 70 mil lugares só no verão IATA (sigla em inglês para Associação Internacional de Transporte Aéreo) em relação ao ano anterior”.

 

Greve dos CTT teve 75 por cento de adesão nas primeiras horas

De acordo com o secretário-geral do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT), Vítor Narciso, nas primeiras oito horas de greve, a adesão rondou os 75 por cento, afetando as principais centrais de correios, em Lisboa, Porto e Coimbra.

“Significa que não houve tratamento do correio, não houve grande parte do transporte a partir daquelas centrais. Vamos ver agora como será com a abertura de estações e centros de distribuição”, disse.

Contactada pela agência Lusa, fonte dos CTT remeteu mais informações para meio da manhã, contando já com dados sobre a hora de abertura das estações dos correios.

A greve de um dia foi convocada pelo SNTCT, um dos 11 sindicatos do setor, e em causa estão os valores sobre aumentos salariais.

Todos os sindicatos dos trabalhadores dos CTT chegaram na quarta-feira passada a acordo com a administração dos Correios precisamente, à exceção do SNTCT, que considera o aumento salarial proposto pela administração dos CTT “ofensivo”, mantendo por isso a greve de hoje.

 

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