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Ana Rita Silva

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Enganadas, torturadas, violadas. O drama de 75 refugiadas sírias na Líbia

Levam consigo poucas coisas, além de esperança. Como quase todos os refugiados. Mas por vezes essa esperança é frustrada, fustigada. Aconteceu a 75 mulheres sírias que chegaram à Líbia: acabaram enganadas, torturadas e violadas. Viveram durante vários anos em cativeiro e foram feitas escravas e obrigadas a prostituir-se. Um dos médicos que acompanhava estas jovens vítimas de uma rede de tráfico humano confessou que terá procedido a mais de 200 abortos.

“Cheguei ao Líbano depois de perder a minha família na guerra. Numa tarde em Beirute conheci o P., que disse depois que estava apaixonado por mim ”, explicou a uma ONG local Sally, uma das vítimas, citada pelo “El Mundo”. A jovem, que tem agora 27 anos, confessa ter acreditado que iria casar-se com esse homem e ter filhos, mas acabou por estar presa num bordel em Junieh, situado a cerca de 20 kms da capital libanesa. Depois diz que desistiu de lutar contra uma situação a que não poderia fugir. Conta que eram agredidas nos pés e noutras zonas do corpo menos visíveis para não chamar tanto a atenção. “Mesmo assim, às vezes os clientes perguntavam o que nos tinha acontecido, mas ninguém fazia nada.”

Serena, outra jovem síria de 27 anos, diz que o seu processo foi semelhante. Conheceu um homem no Líbano que prometeu casar-se com ela, não imaginando que estava a lidar com um membro da rede de tráfico de mulheres. Ela e outras vítimas passaram fome, porque o seu “corpo não era desejável para os clientes”.

A Amnistia Internacional alerta que as refugiadas sírias enfrentam maiores riscos de exploração e abuso sexual, apelando ao maior cuidado por parte das autoridades libanesas.

Benfica recebe a ‘final four’ da Liga Europeia de hóquei em patins

O Benfica vai receber no Pavilhão da Luz a fase final da Liga Europeia de hóquei em patins, com as decisões a estarem marcadas para 14 e 15 de maio, anunciou o Comité Europeu de Hóquei em Patins (CERH).

“O CERH atribuiu ao Benfica a organização da ‘final four’ da Liga Europeia masculina de hóquei em patins. O mais prestigiante título europeu de clubes disputa-se a 14 e 15 de maio no Pavilhão Fidelidade”, refere o CERH.

Na fase final, o Benfica encontrará nas meias-finais os espanhóis FC Barcelona, vencedor das duas últimas edições e clube com mais títulos europeus (21), enquanto a Oliveirense, que eliminou o FC Porto, jogará com os italianos do Forte dei Marmi.

As ‘águias’ contam no seu palmarés com um título europeu, conquistado em 2012/13, numa edição organizada no Dragão Caixa em que afastou o Barcelona nas meias-finais e na final bateu o anfitrião FC Porto (6-5).

FC Porto, por duas vezes, Benfica, Óquei de Barcelos e Sporting, uma, são as únicas equipas portuguesas que já se sagraram campeãs europeias de hóquei em patins.

Hoje, na nota publicada no seu sítio na internet, o Comité europeu diz ter recebido três candidaturas à organização, do Forte dei Marmi, Benfica e Oliveirense, mas que por decidiu “por unanimidade” escolher a dos ‘encarnados’.

PSD-Lisboa não quer repetir solução que só venceu duas vezes

A maioria das corridas eleitorais à Câmara de Lisboa foram em conjunto (7 em 12 eleições), mas agora a concelhia do PSD de Lisboa não se mostra interessada em repetir a fórmula PSD/CDS.

Na história autárquica da capital, quando os dois partidos concorreram juntos, em coligação pré-eleitoral, o resultado não foi o melhor. Coligados, venceram apenas em 1982 e 1985, com Nuno Krus Abecassis. Os dois partidos concorreram juntos sete vezes (1979, 1982,1985, 1989, 1997, 2009 e 2013), mas nas eleições do próximo ano isso pode não acontecer. Pelo menos por vontade da concelhia de Lisboa, com o seu presidente a dizer em entrevista ao jornal i que “não deve haver coligação”. “Espero que se tenha aprendido com os erros do passado e que haja duas candidaturas no centro-direita”.

Mauro Xavier diz mesmo não ser “favorável a coligações pré-eleitorais” e que os dois partidos só se devem juntar-se “se gerarem maioria”. A dificuldade fica, desde já, identificada, segundo o presidente da distrital: “Dificilmente haverá uma maioria absoluta de centro-direita”.

O CDS também não se tem mostrado aberto a esta solução, com a líder do partido a dizer no congresso, no mês passado, que quer “uma candidatura forte, ambiciosa e mobilizadora” e com uma referência: “Que honre o nosso passado autárquico protagonizado por Nuno Abecassis. Seria muito bom podermos mostrar numa grande cidade do que é que o CDS é capaz”. O democrata-cristão foi, de resto, o único presidente da Câmara de Lisboa eleito pela coligação.

Na mesma entrevista, Mauro Xavier deixa ainda avisos internos, atirando a Luís Marques Mendes, que diz ser “o responsável pela perda da câmara de Lisboa quando tirou a confiança política a Carmona Rodrigues”, em 2007. E continua: “Entregou-se a câmara de mão beijada a António Costa, que veio a fazer o seu percurso de notoriedade política na Câmara de Lisboa e que hoje é primeiro-ministro. Marques Mendes tem muita responsabilidade nisso”. Sobre as autárquicas de 2017, diz que o candidato deve ser apresentado um ano antes das eleições e que o partido está a “terminar o perfil do candidato”.

Rei de Espanha volta a reunir com partidos a 25 e 26 de abril

O rei de Espanha vai voltar a chamar os partidos para uma ronda negocial, a terceira desde o impasse legislativo criado nas eleições de 20 de dezembro. Os encontros decorrerão nos dias 25 e 26 de abril, perto da data limite para ser aprovada uma solução de Governo, a 3 de maio. A decisão foi comunicada, esta terça-feira, ao Congresso dos Deputados.

Nesta terceira ronda, o chefe de Estado espanhol tentará perceber se é possível encontrar uma solução de formação de Governo que receba apoio da maioria ou se terá mesmo de dissolver as Cortes (Parlamento) e marcar novas eleições para o dia 26 de junho. Caso consiga encontrar um candidato, o plenário no Congresso dos Deputados terá de ser marcado no dia 27 de abril, com tempo suficiente para que pudesse haver duas votações com 48 horas de intervalo.

Os nomes dos representantes de cada partido que estarão presentes na ronda negocial com o rei, bem como a data e a hora a que serão recebidos, serão divulgados a 21 de abril.

Esta decisão do rei chega depois de, no início de março, o PSOE, de Pedro Sánchez, e o Ciudadanos terem levado o acordo de Governo a votos, e este ter sido chumbado pela oposição, incluindo PP e Podemos, fazendo Espanha mergulhar num impasse ainda maior. O PSOE diz acreditar que a solução do impasse passa por novas eleições.

Será que as pessoas menos inteligentes são mais felizes?

Porque é que algumas pessoas são mais felizes do que outras? Ninguém o saberá ao certo, mas Norman Li, da Universidade de Gestão de Singapura, e Satoshi Kanazawa, da Faculdade de Economia e Ciência Política de Londres (Reino Unido), pegaram na teoria da felicidade da savana (the savanna theory of happiness) para mostrar que as pessoas menos inteligentes são mais felizes se viverem no campo e que os mais inteligentes não precisam tanto de amigos. Mas talvez tenham puxado demais pelos resultados obtidos. Sem falar que Kanazawa não se priva de uma boa polémica.

Psicologia positiva

Aborda as potencialidades dos indivíduos, focando-se sobre temas como emoções positivas, traços positivos da personalidade, relacionamentos positivos ou instituições positivas.

A teoria que os investigadores apresentaram na revista científica British Journal of Psychology (BJP) pretende relacionar a psicologia positiva com a psicologia evolutiva (em que se usam os princípios da evolução em biologia para explicar os processos psicológicos), extrapolando o Princípio da Savana para a situação específica da felicidade. Bem, na verdade, os investigadores analisaram a satisfação com a vida, mas acabaram por extrapolar os resultados para a felicidade geral dos indivíduos.

Segundo o Princípio da Savana, o cérebro humano evolui mediante as condições em que vivam os nossos antepassados na savana africana, durante a época do Pleistoceno (que começou há cerca de 2,5 milhões de anos), e como tal terá dificuldade em tomar decisões em situações que sejam diferentes dessas condições ancestrais. Desta forma, os defensores desta teoria parecem basear-se unicamente nas características que são determinadas geneticamente sem ter em conta a influência que a educação ou o contexto cultural têm no desenvolvimento do indivíduo, incluindo do seu cérebro. Bom, a teoria da savana deixa alguma margem para os mais inteligentes, que são capazes de se adaptar a uma vida fora da savana.

O que Norman Li e Satoshi Kanazawa sugerem é que os constrangimentos à evolução do cérebro impostos pelo Princípio da Savana são mais fortes entre indivíduos menos inteligentes. “Os indivíduos mais inteligentes, que têm níveis mais altos de inteligência geral e, portanto, maior habilidade para solucionar novos problemas em termos evolutivos, podem ter menos dificuldade em compreender e lidar com entidades e situações evolutivamente novas”, escrevem os autores no artigo. Mas, embora se refiram à inteligência geral, os investigadores só analisaram, de facto, a inteligência verbal.

Ao aplicarem o Princípio da Savana ao nível de satisfação com a vida, os investigadores sugerem que o que nos trazia satisfação na nossa vida de homem primitivo ainda é o que nos dá mais satisfação hoje em dia (o mesmo para o que nos dá menos satisfação). “A teoria da savana sugere que esses efeitos das consequências ancestrais na satisfação atual com a vida serão mais fortes entre indivíduos menos inteligentes do que entre indivíduos mais inteligentes”, referem os autores. Ou seja, segundo os investigadores, seremos mais felizes a viver em ambientes rurais com densidades populacionais menores.

De um ponto de vista evolutivo, os nossos antepassados que mantinham contactos frequentes com amigos tinham uma maior probabilidade de sobreviverem e de se reproduzirem. Deste modo, as interações sociais representam uma vantagem evolutiva, que deveria conduzir à felicidade e bem-estar”, diz ao Observador Joana Arantes, investigadora no Centro de Investigação em Psicologia da Universidade do Minho.

A investigadora lembra que as condições sociais a que estavam sujeitos o homem primitivo, vivendo em grupos de cerca de 150 indivíduos, pouco ou nada tem a ver com as condições atuais. “Atualmente, vemos por dia centenas de pessoas, o número médio de amigos no Facebook é aproximadamente 350, e quer por motivos pessoais, quer por motivos profissionais contactamos periodicamente com um número muito elevado de pessoas.”

Este confronto entre as áreas urbanas com uma elevada densidade populacional e as áreas rurais com grupos mais pequenos, justificam, para os investigadores, a perceção da felicidade consoante o coeficiente de inteligência. As pessoas menos inteligentes estão melhor em meios rurais, mais parecidos com o nosso ambiente ancestral, porque terão, segundo os defensores desta teoria, menos facilidade em adaptar-se a novas condições, como os aglomerados de pessoas as grandes cidades. Nestes casos, as interações sociais podem tornar mais feliz a vida das pessoas menos inteligentes, mas não será obrigatoriamente o caso nas pessoas mais inteligentes.

Mas será que as pessoas menos inteligentes são mais felizes no campo porque não se conseguem adaptar à cidade ou não vivem na cidade porque são mais felizes? Será que as pessoas são mais felizes porque vivem em aglomerados mais pequenos ou as pessoas escolhem viver em aglomerados mais pequenos porque são mais felizes? Dois acontecimentos estarem correlacionados estatisticamente, não significa que sejam causa e consequência um do outro, lembra ao Observador João Daniel, investigador na Unidade de Investigação em Psicologia do ISPA – Instituto Universitário. E esse é um dos pontos que o artigo da BJP falha em explicar.

Os resultados até podem ser interessantes, mas em termos teóricos ficam um bocado aquém. A discussão não é muito forte na contextualização teórica dos resultados e conclusões obtidos”, refere João Daniel, biólogo e doutorado em psicologia.

Os dois autores do artigo avaliaram a frequência das interações sociais de mais de 15 mil indivíduos, entre os 18 e os 28 anos, nos Estados Unidos. Mas para Joana Arantes “mais importante do que a frequência das interações sociais com amigos é a qualidade dessas mesmas interações”. Além disso, a investigadora refere que “Li e Kanazawa questionaram apenas acerca da frequência das interações com os amigos, não especificando o que consideravam como amigos, nem analisado nenhum aspeto dessas interações”.

Contactada pelo The Washington Post, Carol Graham, investigadora em economia da felicidade na Instituição Brookings (Washington), refere outra das lacunas do estudo: a felicidade é definida como a perceção de satisfação com a vida, mas não considera questões de bem-estar, como o número de vezes em que o indivíduo se riu ou que se sentiu zangado. Sobre isto, os investigadores desvalorizam: “A teoria da felicidade da savana não está comprometida com nenhuma definição em particular e é compatível com qualquer conceção razoável de felicidade, bem-estar subjetivo e satisfação”.

Com os dados recolhidos, Li e Kanazawa concluíram que, “tal como previsto pela teoria da felicidade da savana, a associação entre a socialização com os amigos e a satisfação com a vida foi mais forte entre pessoas menos inteligentes do que entre pessoas mais inteligentes”. Joana Arantes acrescenta que a investigação na área da inteligência emocional tem mostrado que “as pessoas muito inteligentes podem precisar de interações menos frequentes, mas com maior qualidade do que as restantes pessoas”. Ou porque se adaptam mais facilmente a novos ambientes, ou porque “as atividades sociais acabam por ser desvalorizadas em detrimento dos seus interesses e objetivos principais”.

Relação entre a frequência das interações sociais e a inteligência na perceção da satisfação com a vida. Com uma escala que potencia a perceção de diferença, que na verdade é muito pequena

Li&Kanazawa(2016)BJP

João Daniel refere, porém, que estas “conclusões são exageradas”. Os autores são muito “hábeis na maneira como contam a história”. Com uma amostra de 15 mil pessoas – que o investigador refere como um ponto positivo – é fácil que mesmo as diferenças mais pequenas se tornem estatisticamente significativas, mas isso não quer dizer que a magnitude destas diferenças seja relevante. E chama a atenção para os gráficos, onde as diferenças são inferiores a 0,05. A diferença parece grande porque o gráfico não começa no início da escala, que vai de um a cinco (as conclusões não podem dizer mais do que os resultados, como já o tínhamos referido.

Assim, e como refere El Huffington Post, esta teoria da savana não é mais que isso mesmo, uma teoria. Não vale a pena abdicar já dos amigos. “A teoria da felicidade da savana é uma teoria das ciências fundamentais, iguais a todo o meu trabalho”, diz Satoshi Kanazawa. “Os cientistas fundamentais, como eu, só tentam explicar a natureza.”

Mas Kanazawa não tem sido absolutamente consensual nesta tentativa. Um artigo publicado no blogue Psychology Today, em 2011, foi alvo de muitas críticas, não só por haver um certo racismo implícito no título – “Porque é que as mulheres negras são fisicamente menos atrativas que outras mulheres?” -, mas porque todo o texto era baseado em má ciência, refere um texto de opinião no The Guardian. Já em 2006, o investigador tinha publicado um artigo científico em que afirmava que os povos africanos eram mais pobres e mais afetados por doenças por serem menos inteligentes. Um dos blogues da conceituada revista Scientific American levanta mais questões sobre a integridade do investigador.

Se a verdade ofende as pessoas, é o nosso papel como cientistas ofendê-las. Se o que eu digo está errado (porque não tem lógica ou porque carece de evidência científica credível), então o problema é meu. Se o que eu digo vos ofende, então o problema é vosso. Preparem-se para serem ofendidos. Faço ciência como se a verdade fosse importante e como se os vossos sentimentos sobre isso não”, escreve Satoshi Kanazawa na página da universidade.

Os corredores brancos da radioterapia de Coimbra ganharam cor e poesia

Os corredores de acesso ao tratamento de radioterapia e quimioterapia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) vão ganhar cor e poesia pela mão de artistas que de manhã pintaram telas a convite da Liga Portuguesa Contra o Cancro.

O ‘hall’ de entrada dos serviços de radioterapia e oncologia médica do CHUC estava diferente de manhã. À volta de uma árvore e servindo-se da luz de uma claraboia, cinco artistas, equipados com cavaletes, batas e pincéis, pintavam em telas imagens inspiradas em versos que transmitissem esperança.

Maria Arminda, de 70 anos, não resistiu a dar uma volta pelos quadros que iam sendo pintados ao longo da manhã. Enquanto se deixava admirar pelas imagens, não pensou “noutras coisas”, conta a mulher de Anadia, que acompanhou hoje o marido a um tratamento à próstata.

“Nem sabia qual é que escolhia mas, por mim, levava-os todos para casa. Nem que fossem às costas”, sublinha Maria Arminda, dizendo que, com as telas, “a gente até vai mais levezinha daqui”.

A iniciativa, intitulada “Pinceladas de Esperança”, é organizada pelo Núcleo Regional do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro (NRC-LPCC) e pretende humanizar os corredores brancos onde doentes oncológicos esperam pelo tratamento, com a ajuda de oito pintores que criaram obras em torno de versos e frases de “esperança” de escritores e poetas como Florbela Espanca, Eugénio de Andrade, Miguel Torga, Vergílio Ferreira ou Fernando Namora.

Ao pintor Victor Costa coube pintar a partir de um excerto do poema “Urgentemente”, de Eugénio de Andrade, em que o poeta diz que “é urgente inventar a alegria”, “descobrir rosas e rios e manhãs claras”.

O poema, salienta Victor Costa, “tem todas as fases deste problema”, transpondo para a tela as “manhãs claras” e “o amor”, mas também “o silêncio nos ombros” de que Eugénio fala, numa tela em que a luz acaba por dominar e onde uma árvore simboliza “a regeneração, a vida e a superação”.

“Todos conhecemos histórias difíceis e de superação. A capacidade do doente acreditar que é capaz é fundamental para combater o cancro”, frisa o artista.

Na tela de Álvaro Portugal, as cores quentes dominam um quadro “alegre”, que procura “dar um sorriso” aos doentes oncológicos, explanou.

Já Maria Guia Pimpão pintou “uma mulher que se abre para a luz”. A professora reformada, que também é pintora, olha para o quadro como uma forma de ajudar os doentes “a esquecer o dia que passam aqui e a pensar num futuro mais luminoso”.

O presidente do NRC-LPCC, Carlos de Oliveira, recorda que quando os doentes saem do ‘hall’ de entrada e passam para os corredores, “muitos não sabem o que os espera lá dentro. Deparam-se com máquinas complexas ou tratamentos agressivos. Por isso, quando atravessarem o corredor, é importante encontrarem telas que humanizam o espaço”.

“Aquela parede é muito branca e muito fria”, aponta a diretora do serviço de radioterapia, Margarida Borrego, para o corredor de radioterapia, que sofreu uma remodelação e a introdução de um novo acelerador linear.

Por isso, a responsável desafiou o NRC-LPCC para encontrar algo que desse “um melhor ambiente e mais calor humano e cor” àquele espaço.

Assim que as obras estiverem afixadas, “a imagem que os doentes levam para casa depois do tratamento é aquela imagem bonita”, notou.

“Eles têm jeitinho para isso”, comentou Maria dos Anjos, de 78 anos, a fazer tratamento em radioterapia, sublinhando que é “importante” iniciativas como esta, porque, para superar, afirma, “é preciso ter esperança de que as coisas vão melhorar”.

Ministra da Justiça defende que animais deixem de ser “coisas” no Código Civil

A ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, defendeu a mudança da qualificação jurídica dos animais, considerados “coisas” no Código Civil de Lisboa, para uma definição intermédia “entre a coisa e o ser humano”.

Francisca Van Dunem falava aos jornalistas à margem da conferência sobre a lei da criminalização de maus tratos a animais, organizada pelo partido PAN — Pessoas, Animais, Natureza e que decorre na Assembleia da República.

Para a ministra, que reconheceu alguma oportunidade na mudança de algumas questões na lei que entrou em vigor há 18 meses, o mais premente seria uma mudança ao nível do Código Civil, nomeadamente no que diz respeito à qualificação jurídica dos animais.

Segundo Francisca Van Dunem, o caminho passa por os animais deixarem de ser uma coisa, obtendo-se uma classificação “entre uma coisa e um ser humano, que é onde se situam os animais”.

Já em relação a mudanças no Código Penal, a ministra disse ser preferível um amadurecimento do mesmo, já que “é relativamente recente”.

Durante a sua intervenção, a qual abriu os trabalhos da conferência, a ministra afirmou que “o regime jurídico atualmente em vigor consente aperfeiçoamentos e amplitudes que, uma vez consensualizadas, podem implicar alterações legislativas, não só ao nível da tutela penal, mas também do próprio regime civil substantivo”.

Sublinhando que, apesar do ainda muito curto período de vigência desta criminalização, foram já registados 1.498 inquéritos em 2015, no que diz respeito a crimes contra animais de companhia, Francisca Van Dunem reconheceu que a taxa de acusação é ainda relativamente insuficiente: 6,9 por cento, quando a média de taxa de acusação costuma situar-se entre os 12 e os 13 por cento.

Na conferência, o deputado André Silva (PAN) anunciou que ainda durante esta semana darão entrada no parlamento três projetos de lei.

A alteração do estatuto jurídico do animal, no sentido de deixar de ser considerado uma “coisa” no Código Civil e mudanças no Código Penal em relação à criminalização dos maus tratos são duas das propostas a apresentar.

 O PAN pretende ainda que os animais de companhia possam entrar em estabelecimentos comerciais.

Sobre estas propostas, a ministra da Justiça começou por dizer aos jornalistas que “a lei precisaria de um maior amadurecimento, ao nível da sua aplicação”, mas afirmou que se o parlamento entender avançar com alterações, o Ministério da Justiça pronunciar-se-á, se a isso for chamado.

“É comum reconhecermos que muitos animais são dotados de uma vida mental consciente. Sentem prazer e sentem dor. Têm diversos tipos de experiências sensoriais, são capazes de sentir medo, ter fúria ou alegria, agem segundo memória, desejos e intenções”, disse ainda Francisca Van Dunem na conferência.

A ministra terminou com uma citação do filósofo moral e do direito Jeremy Bentham: “Não importa se [os animais] são incapazes ou não de pensar, o que importa é que são efetivamente capazes de sofrer”.

Siemens ajuda ciclistas com “onda verde”

Nähert sich ein Fahrradfahrer mit SiBike-App einer Kreuzung, schaltet die Ampel binnen weniger Sekunden automatisch auf Grün um bzw. eine bestehende Grünphase wird verlängert. SiBike nutzt die Vorteile der Satellitennavigationstechnologie. Das Smartphone des Fahrradfahrers bestimmt die Position mittels GPS und prüft, ob das Fahrrad einen virtuellen Auslösepunkt mit einer vorher bestimmten Geschwindigkeit passiert. Wenn das Fahrrad den Auslösepunkt passiert, meldet die App die Aktivierung des Auslösepunktes an die Verkehrszentrale. Anschließend gibt die Verkehrszentrale einen Befehl an die Ampelsteuerung und sorgt dafür, dass der Fahrradfahrer grünes Licht erhält. As the cyclist with the SiBike app approaches an intersection, the traffic light either automatically turns green in a matter of seconds or a green phase lasts longer. SiBike takes advantage of the benefits of satellite navigation technology. The cyclist's smartphone determines its position via GPS and checks whether the bike has passed a specific trigger point at a predetermined speed. When the bike passes the trigger point, the app reports its activation to the traffic control center. The traffic control center then issues a command to the traffic light controller and ensures that the cyclist gets a green light.

Há décadas que é possível que os automóveis circulem pelas avenidas sem que sejam importunados pelas paragens constantes nos sinais vermelhos. O fenómeno que os alemães designam por “Grüne Welle”, ou “onda verde” (quando uma cadeia de semáforos passa a verde em sequência), tornou-se numa ocorrência diária nas cidades de grandes dimensões, graças a sistemas engenhosos de controlo de tráfego. Os ciclistas, porém, têm de travar constantemente nos sinais vermelhos. Esses dias estão prestes a chegar ao fim. Graças à tecnologia da Siemens, os ciclistas vão poder experienciar as vantagens da “Grüne Welle”, para já apenas nas ruas alemãs.

 A Siemens tem investido continuamente no desenvolvimento de sistemas avançados de gestão de tráfego, de forma a poder ajudar as cidades a serem mais sustentáveis. A “onda verde” é sinónimo disso mesmo. Cuidadosamente planeadas, as “ondas verdes” garantem um tráfego fluido, reduzem as travagens e acelerações desnecessárias e dão, assim, um comprovado contributo para a redução das emissões de partículas finas e óxidos de azoto.

Ciente destas vantagens e a par das grandes tendências urbanas que incluem o aumento da circulação de ciclistas, a Siemens lançará brevemente uma aplicação para smartphone que envia um pedido de sinal verde aos semáforos ajudando todos os que viajam de bicicleta a chegarem mais rapidamente e de forma mais segura ao seu destino.

Como funciona a “onda verde” para os ciclistas

À medida que o ciclista, com a aplicação SiBike, se aproxima de um cruzamento, o semáforo ou muda automaticamente para verde numa questão de segundos ou fica verde durante mais tempo. O smartphone do ciclista determina a sua posição via GPS e verifica se a bicicleta passou um ponto de ativação específico, definido de forma virtual e igualmente com apoio do sistema GPS, a uma velocidade predefinida. Quando a bicicleta passa o ponto de ativação, a aplicação informa o centro de controlo de tráfego sobre a sua ativação. O centro de controlo do tráfego emite de seguida uma ordem ao controlador dos semáforos e garante que o ciclista encontra um sinal verde. Em suma, a aplicação SiBike tira proveito da tecnologia de navegação por satélite e das aplicações móveis, permitindo às cidades dar prioridade aos ciclistas em determinados percursos ou em zonas específicas.

A “onda verde” para os ciclistas oferece diversas vantagens para as cidades e seus habitantes. Por um lado, mais pessoas optarão pela bicicleta como meio de transporte e deixarão os automóveis em casa, o que alivia o ambiente e reduz o tráfego e o ruído. Por outro lado e no que respeita à infraestrutura, o sistema é fácil de implementar. Não são necessários trabalhos de construção ou instalação de equipamentos adicionais; o que muda é apenas a forma como os semáforos são programados, o que é pouco dispendioso e pode ser implementado sem muito esforço.

Está já planeada uma fase piloto de desenvolvimento desta aplicação que irá decorrer nos próximos meses na cidade de Bamberg, na Alemanha.

 

Partidos de esquerda querem reforço do combate à diabetes e mais bombas de insulina para crianças

A disponibilização de bombas de insulina a todas as crianças com diabetes e o reforço das medidas de prevenção e combate à doença são duas das medidas defendidas em quatro projetos de resolução que estarão esta quarta-feira em debate no parlamento.

A esquerda uniu-se e PS, PCP, BE e PAN recomendam ao Governo algumas medias relacionadas com a diabetes, depois de a Organização Mundial de Saúde ter decidido que o dia mundial da saúde de 2016 seria dedicado à diabetes e de a prevalência da doença estar a aumentar de ano para ano.

Assim, o PCP e o BE querem ver alargado a mais crianças o sistema de perfusão contínua de insulina (SPCI), vulgarmente designado como bomba de insulina, considerando que este sistema melhora a terapêutica, a qualidade de vida e o controlo da diabetes. Recordando que o SPCI se dirige preferencialmente a crianças com diabetes tipo 1 e que ainda não chegam a metade os que têm acesso a este tratamento, o BE recomenda ao Governo que tome as medidas necessárias para garantir o acesso de todas estas crianças até aos 14 anos às bombas de insulina.

O PCP, além de querer igualmente ver reforçada a cobertura de SPCI, recomenda uma maior aposta na prevenção, nomeadamente o combate aos fatores de risco, no diagnóstico precoce e no tratamento adequado.

No âmbito dos fatores de risco, o PCP sugere a articulação do Ministério da Saúde com as autarquias locais para promover hábitos de vida saudáveis, com especial enfoque na alimentação e na atividade física.

Os comunistas preconizam a correção das insuficiências existentes no rastreio da retinopatia diabética e o tratamento atempado daquelas a quem for diagnosticada.

O PS quer que o Governo assuma as recomendações da Resolução do Parlamento Europeu, no que respeita a aplicar programas nacionais para a diabetes, a prevenir a diabetes tipo 2 e a obesidade (fator de risco para a doença), a garantir acesso permanente dos doentes a equipas interdisciplinares de alta qualidade, bem como um apoio contínuo ao financiamento de ações relativas à doença.

Tal como o PCP, os socialistas querem uma maior aposta em iniciativas públicas de sensibilização da população, como campanhas sobre a importância de estilos de vida saudáveis.

O PS sugere que se promova a identificação sistemática de pessoas potencialmente diabéticas ou pré-diabéticas e que sejam desencadeadas formações específicas na área aos profissionais de saúde nos cuidados de saúde primários.

A prevenção deve ser a prioridade e deve alicerçar-se em programas transversais com outros ministérios, defendem os socialistas, que gostariam de ver as autarquias envolvidas a desenvolver planos municipais de combate à diabetes.

O PS defende que sejam quantificados os custos da diabetes e os ganhos e poupanças associados à sua prevenção e tratamento.

Para o PAN, são também fundamentais as campanhas de sensibilização da população, sendo que este partido defende campanhas em escolas e universidades, e o acompanhamento de crianças e jovens com diabetes de modo a prevenir a evolução da doença.

Sapo e Trip Advisor juntam-se para criar o SAPO Viagens

Viajar está na moda — e navegar pela internet em busca dos melhores destinos, hotéis e atrações turísticas também. Talvez por isso — e porque a área do turismo “é uma das indústrias que mais está a investir na área do digital” — o Sapo fez uma parceria com o Trip Advisor, “o maior site de viagens do mundo”. Da parceria resultou um novo site: o Sapo Viagens. Que surgiu de um “namoro mais ou menos mútuo”, entre o Sapo e o Trip Advisor, confessou a diretora do portal, Filipa Martins, ao Observador:

O namoro [entre o Sapo e o Trip Advisor] foi mais ou menos mútuo. Ambos os sites são líderes no seu mercado [o Sapo é o portal líder da internet em Portugal, o Trip Advisor é o site líder mundial na área das viagens], pelo que a parceria foi muito óbvia, muito natural”, afirmou.

O novo site do portal português agrega os conteúdos presentes na comunidade TripAdvisor: desde as informações sobre destinos turísticos até às mais de 300 milhões de críticas e classificações feitas pelos seus utilizadores (a cidades, a hotéis e a restaurantes, por exemplo). Mas acrescenta-lhes conteúdos próprios, produzidos por bloggers e jornalistas portugueses, da área do turismo.

“Estamos muito satisfeitos com esta parceria com o SAPO para integrar as críticas e classificações do TripAdvisor no novo Sapo Viagens”, congratulou-se Gwenael Merlin, responsável pelas parcerias do TripAdvisor, que, segundo Filipa Martins, ficou agradado com o projeto, “por ter uma vertente de comunidade, de agregar reviews de bloggers portugueses e de permitir interação” com os utilizadores.

Inicialmente, os responsáveis do Sapo pensaram integrar uma secção de Viagens no Sapo Lifestyle. Mas decidiram isolá-lo e criar um site próprio, devido ao crescimento do turismo no país e às tendências de consumo de informação dos turistas, como afirma a diretora do portal:

[O Sapo Viagens] podia ter sido uma secção a incluir no lifestyle, mas achámos que devíamos isolar. Esta é uma das indústrias que mais está a investir na área do digital”

Da decisão nasceu um site autónomo, “adaptado a todas as plataformas”, e onde os utilizadores podem interagir, através do “Bilhete-Postal”, uma rubrica onde poderão relatar as suas experiências de viagens.

O núcleo de bloggers e jornalistas de viagens portuguesas que colaborará com o projeto reúne elementos vindos de 9 blogues diferentes. Um deles é Susana Ribeiro, jornalista há mais de 15 anos e responsável pelo site Viaje Comigo, eleito em 2015 como Melhor Blogue de Viagens nos BTL Blogger Travel Awards. Susana diz que um projeto como este, “se calhar, já devia ter sido feito há algum tempo”:

O Sapo vai fazer uma coisa que, se calhar, já devia ter sido feita há algum tempo, que é agregar críticas e reviews de bloggers portugueses [num único site]. (…) Os blogues são importantes”

A nova aposta do Sapo surge por dois fatores, explicam os responsáveis. Por um lado, a indústria do turismo está a crescer, em particular em Portugal — só de 2014 para 2015 registou um crescimento de 9,3%. Por outro, o digital está em franco desenvolvimento, sobretudo na área do turismo.

Segundo dados da Organização Mundial do Turismo, de 2015, citados pelo Sapo, “95% das pessoas utilizam ferramentas digitais antes, durante e após as suas viagens, em busca de melhores experiências turísticas e o cliente médio visita ou utiliza uma combinação de 19 sites e aplicações durante uma viagem”. Nos utilizadores portugueses, a tendência não será muito diferente. E o Sapo quer liderar a oferta na área, com um site cujo modelo de negócio funcionará numa “lógica normal de internet, à base da publicidade”:

Não temos números [objetivos] para dar, mas acreditamos que teremos bons números para apresentar [no futuro], tanto em número de leitores como em rentabilidade”, afirmou.

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