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Anarita Paiva

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“O nosso maior objetivo é Estimular os Alunos para processos Inovadores”

A OHC é uma organização de formação profissional continuada cuja missão é o desenvolvimento pessoal e profissional, com troca de experiências, transmissão de conhecimento e promoção de valor na sociedade. Em que momento sentiu que, com esta criação, poderia fazer a diferença na sociedade Luxemburguesa?
A partir de 2016, a OHC implantou uma visão de educar e possibilitar oportunidades de desenvolver as competências pessoais e profissionais, a princípio, para os imigrantes que aqui residem. Hoje já atendemos públicos de todas as nacionalidades, incluindo luxemburgueses. A OHC aposta nas inovações e fomos o primeiro Centro de Formação a oferecer cursos e-learning e cursos em modelos híbridos: online mais professor.

Certificada pelo Ministério da Educação, a OHC colabora com instituições nacionais e internacionais, com o objetivo de oferecer aos alunos uma educação inclusiva e de qualidade. Para o efeito, possui a plataforma de formação e-learning, disponível 24 horas por dia. O que podemos encontrar nesta mesma plataforma?
Nas nossas plataformas e-learning é possível encontrar mais de 500 cursos de desenvolvimento profissional, pessoal e de idiomas. Estamos inscritos na Plataforma Nacional de Educação Lifelong-learning: https://www.lifelong-learning.lu/Recherche/Tous/ohc/pt?keyword=ohc. Fazemos parte de Projetos Educacionais e transnacionais como a EPALE: http://www.mufocom.eu/.

Em complemento, a maior inovação está no facto de a OHC oferecer cursos online de 140 idiomas e nove cursos de idiomas em total imersão com a tecnologia da realidade virtual. Que valor a mesma agrega aos alunos?
As tecnologias de Realidade Virtual (VR ou RV) estão a tornar-se mais abertas às nossas necessidades diárias. No que diz respeito à RV, foi provado cientificamente que a memorização melhora significativamente, simulando a presença real e tornando-se cada vez mais disponível para uso em várias áreas de nossas vidas. Inclusive para ensino. São excelentes oportunidades para novos métodos de ensino de línguas estrangeiras e desenvolvimento pessoal. A RV está a tornar-se uma aliada ativa de profissionais de diversas áreas e, no nosso Centro, também é uma ferramenta para professores, alunos e escolares em quase todo o mundo. Os métodos de ensino atuais são caminhos abertos para métodos inovadores. A atualização é um processo natural e evolutivo de tudo e na educação não é exceção. A Realidade Virtual (RV) facilita a aprendizagem de línguas e melhora significativamente os resultados de aprendizagem dos alunos. Os alunos memorizam um vocabulário maior por meio da prática, concentração e envolvimento na aula, devido à tecnologia de imersão. Não é apenas aprender; é experimentar a linguagem. A RV afeta a aprendizagem da linguagem devido à chamada memória espacial de uma pessoa. Só começa a funcionar ativamente devido à imersão na realidade virtual. Obtemos o efeito de absorção dinâmica de conteúdo, o que leva a um rápido aumento no vocabulário e na memorização das regras de pronúncia. A RV traz os seguintes benefícios para o processo de aprendizagem:
– Autocentrado, permitindo aos alunos navegar livremente;
– Auto-dirigido, permitindo aos alunos escolher o que querem aprender em cada nível, dentro do padrão CEFR europeu;
– Multi-sensorial, aumentando o envolvimento do aluno.
– Aumenta a retenção da aprendizagem e a motivação pessoal para o desenvolvimento do estudo.

Apesar dos tempos complexos que (ainda) atravessamos devido às consequências da Covid-19, podemos afirmar que, no caso, a OHC está muito bem preparada para responder às necessidades dos alunos, tendo em conta as soluções que oferece? Em que medida?
Devido à pandemia, a OHC foi uma ferramenta importante para a saúde mental das pessoas, pois as mesmas conseguem ocupar-se e estudar a partir de casa e utilizar o tempo para aperfeiçoar as competências profissionais.

Uma das principais visões desta organização é a promoção da integração dos alunos na sociedade. Qual tem vindo a ser a evolução neste sentido?
Toda sociedade deveria preocupar-se com o processo de integração e treino da sua população e nós somos somente mais uma ferramenta deste processo. No nosso caso, trabalhamos em colaboração com os Ministérios da Educação e do Trabalho com o propósito de capacitarmos as pessoas e recolocarmos os profissionais no mercado.

Em constante evolução e reconhecido pela qualidade dos seus serviços, o Luxemburgo é hoje um país valorizado pela Europa. O mercado está a formar profissionais para responder às suas necessidades?
O mercado de trabalho, está sempre em profunda transformação e evolução e a formação continuada de um profissional deve fazer parte do seu percurso. O Luxemburgo é um mercado que exige qualidade e vários idiomas dos profissionais. O nosso maior objetivo é estimular os alunos para processos inovadores e apostar na qualidade nas atividades profissionais.

Enquanto Presidente da OHC – qual o seu olhar para o futuro a curto e médio prazo?
Na nossa missão o importante é fortalecermos as bases pessoais e profissionais dos nossos alunos. Isso exige a curto prazo um grande esforço para sairmos da zona de conforto e descobrirmos novas tecnologias e processos inovadores de educação. No médio prazo já podemos ver os frutos que estamos a plantar na nossa estrada da Educação desde 2016 e essa é nossa maior satisfação.

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“A Sustentabilidade está, e estará nos anos vindouros, no Centro do debate do setor Segurador”

Desde 1994, a CA Seguros é a Seguradora Não Vida do Grupo Crédito Agrícola, que garante a segurança e proteção aos seus Associados e Clientes. Como nos pode descrever a evolução da marca ao longo destes 27 anos de atividade?
Ao longo destes 27 anos de atividade, a CA Seguros tem realizado um percurso de crescimento, de solidez, de qualidade e de afirmação no mercado. Tem sido uma evolução pautada por uma atenta e equilibrada gestão dos riscos que aceitamos e por uma grande proximidade às Caixas Agrícolas. Também privilegiamos muito o serviço que prestamos ao Cliente, quer no momento da contratação do seguro quer quando ocorre um sinistro, sendo este o momento em que é sentida e valorizada a qualidade da nossa prestação.

Apresentando uma gama vasta e completa de produtos para proteção de particulares, empresários e empresas, a CA Seguros conta com mais de 400 mil Clientes, através de cerca de 750 mil apólices em vigor. Que soluções de seguros – adequadas às necessidades de cada um – são aqui disponibilizadas? O que as torna distintas no mercado?
O portfólio de produtos da CA Seguros é muito completo e visa responder às mais diversas necessidades dos nossos Clientes. Desde o seguro que visa proteger a saúde, a casa, ou o automóvel até aos seguros agrícolas ou acidentes temos, efetivamente, uma resposta para as diferentes fases da vida pessoal ou empresarial. Um fator distintivo é a relação de proximidade com os Associados e Clientes e com as Caixas Agrícolas que são a nossa rede de distribuição. O Crédito Agrícola valoriza as comunidades locais e tem uma rede de mais de 600 Agências em todo o país que opera com base no conhecimento pessoal e na confiança. Estamos também muito focados na qualidade do serviço e a certificação da norma ISO 9001 alavanca a orientação para a excelência. Também a nossa política de subscrição assenta numa gestão sã e prudente dos riscos visando garantir uma carteira equilibrada.

Com os olhos postos nos desafios do futuro, a CA Seguros tem em curso inovações que permitirão tirar partido da tecnologia e das comunicações. De que forma esta aposta na inovação tem facilitado e organizado o trabalho, bem como melhorado a qualidade do serviço em prol dos seus Clientes?
Na CA Seguros valorizamos e reconhecemos a inovação, perspetivando-a como um investimento. Além de todos os Colaboradores poderem contribuir com novas ideias, dispomos de um Gabinete específico – Gabinete de Resseguro e Inovação – que procura eventos indutores de inovação e incorpora-a, não só nos produtos e serviços que oferecemos, mas também nos processos e no modelo de negócio. Os nossos Clientes beneficiam de várias formas de integração da inovação. Por exemplo, através da funcionalidade eSign têm ao seu dispor uma forma simples, rápida, segura e sem papel, de contratar o seguro que precisam sem necessitarem de se deslocar presencialmente a uma Agência. Outro exemplo é a App CA Seguros com diversas funcionalidades, incluindo a possibilidade de subscrever seguros novos, consultar a carteira em vigor, participar sinistros e solicitar assistência. Não poderia deixar de referir a solução CA Best Driver, que lançámos em outubro, e que alia o seguro automóvel à prevenção rodoviária. Os segurados que apresentem um estilo de condução mais seguro e que adiram à solução CA Best Driver, poderão beneficiar da devolução parcial do prémio do seu seguro CA Automóvel, se atingirem pontuações elevadas e se não registarem sinistros durante esse período.

Uma das missões da CA Seguros é ser a Seguradora (Não Vida) em que confiam todos os Associados e Clientes do Crédito Agrícola. Para isso conta com valores como a competência, cumprimento, responsabilidade, transparência e, por fim, sustentabilidade. No que diz respeito à sustentabilidade, em que medida, no presente, se harmonizam aspetos económicos, sociais e ambientais, para os manter no futuro?
Temos como objetivo gerar valor sustentável a longo prazo para os nossos stakeholders: não somente acionistas e Clientes, mas também Colaboradores, reguladores, fornecedores, comunidades locais e a sociedade em geral. Esta criação de valor sustentável alicerça-se em várias dimensões e traduz-se, já há vários anos, em ações e decisões concretas e observáveis no dia a dia. Desde logo, na essência da nossa atividade que oferece proteção contra riscos diversos, de curto e longo prazo, aos quais os Clientes do Crédito Agrícola estão expostos no seu quotidiano, permitindo que vivam o seu dia a dia com mais segurança e que as empresas operem, inovem e se desenvolvam. Com os nossos Colaboradores, privilegiamos relações de trabalho estáveis e duradouras. Prova disso é o facto de, com todos eles, termos vínculo contratual efetivo a tempo incerto. Praticamos uma estratégia de Recursos Humanos de longo prazo, focada no envolvimento, no desenvolvimento das competências e na promoção da saúde e bem-estar.  Sabemos que os recursos ambientais não são ilimitados e adotamos práticas que promovem a redução dos consumos e a eficiência energética. Eliminámos copos de plástico, aplicámos redutores de caudal nas torneiras, reciclámos resíduos e temos adotado veículos híbridos na frota da companhia. E continuamos a transformar os nossos processos, digitalizando-os e desmaterializando-os. Por exemplo, promovemos o envio de documentos contratuais de seguros para a morada electrónica dos segurados, o que contribui igualmente para um melhor ambiente através da redução de desperdício de papel e se traduz num serviço mais cómodo, rápido e seguro para o Cliente.

No setor dos Seguros, cujo negócio é gerir e assumir riscos, de que forma a sustentabilidade se destaca como um aspeto fundamental – e cada vez mais relevante – no cenário atual, onde as empresas são avaliadas pela sua capacidade de adaptação às mudanças?
Acredito que a atividade seguradora vai revelar a sua capacidade de adaptação e que tem um papel protagonista nesta mudança para um desenvolvimento sustentável. Para as atuais e futuras gerações, vai estimular a consciência sobre a exposição aos riscos, vai assumir e gerir uma parcela considerável dos riscos aos quais estão expostos pessoas, empresas e governos e vai financiar a transição para uma economia de baixo impacto no clima.

Sabe-se que o caminho para a sustentabilidade é de longo prazo. Para o mercado dos Seguros, que desafios e oportunidades ficam por ultrapassar e abraçar?
Não restam dúvidas que a sustentabilidade está, e estará nos anos vindouros, no centro do debate do setor segurador. Entre os muitos riscos que se colocam, destaco os riscos relacionados com o clima, designadamente o aumento da severidade de eventos climáticos extremos, como ciclones, tempestades e inundações, a mudança nos padrões de precipitação e as temperaturas médias crescentes. Estes riscos poderão impactar o aumento dos prémios de seguros ou reduzir a disponibilidade de coberturas em locais de elevado risco. Mas o processo de adaptação às mudanças climáticas também traz oportunidades que devem de ser consideradas na construção de um novo paradigma económico. Por exemplo, oportunidades relacionadas com o desenvolvimento e expansão de bens e serviços novos com baixa intensidade em carbono poderão fazer surgir novas soluções de seguros, com mais procura e com ganhos reputacionais.

Tendo um papel preponderante – contando com o seu posicionamento e reconhecimento no mercado –, de que forma a CA Seguros incentiva os seus Associados e Clientes a um comportamento sustentável e responsável através da aquisição de produtos e serviços?
Ao adquirirem produtos e serviços de seguros, os nossos Associados e Clientes estão a adoptar um comportamento que visa a sustentabilidade: reduzem os riscos a que se encontram expostos e protegem-se pessoal e familiarmente, civil e empresarialmente, bem como protegem o seu património. Podemos assim referir que sempre que um Cliente adquirir qualquer dos nossos produtos, está a revelar um comportamento responsável e sustentável, sendo particularmente notória esta dimensão nos produtos de responsabilidade civil (âmbito poluição ou ambiental), no seguro de energias renováveis, nos seguros agrícolas ou nos seguros vocacionados para ciclistas.

Exemplo do quanto a CA Seguros se compromete, diariamente, para exceder as expetativas dos seus Clientes, são os inúmeros prémios consecutivos, nomeadamente o de “Melhor Seguradora Não Vida” ou pela sua distinção enquanto a Seguradora do Ramo Não Vida com o mais elevado nível de satisfação dos Clientes, entre outros. Que significado têm estas conquistas para a história e evolução da marca?
Estes prémios são uma validação da qualidade dos nossos produtos, serviços e práticas de gestão e refletem o nosso compromisso com a qualidade e a melhoria contínua. Reforçam a imagem de solidez económica e financeira e o prestígio da CA Seguros junto dos Associados e Clientes do Crédito Agrícola e do setor segurador. O reconhecimento que estas conquistas trazem tem potenciado uma maior procura das nossas soluções, o que explica o crescimento da carteira e do número de Clientes, e as reduzidas taxas de anulação das apólices. Neste contexto, é importante reconhecer o contributo decisivo das Caixas Agrícolas e dos seus Colaboradores, que intermedeiam a venda dos nossos seguros, aos Clientes do Crédito Agrícola, e lhes asseguram uma elevada qualidade nos serviços prestados, na venda e pós-venda.

A quem dedicaria todos estes prémios, conquistas e marcos importantes da vida da CA Seguros?
Aos nossos Colaboradores e aos Colaboradores da rede de Agências do Crédito Agrícola. Sem dúvida, estes prémios e conquistas são o reflexo de todo o seu empenho, qualidade e envolvimento.

A terminar, enquanto Administradora da CA Seguros, como perspetiva o futuro da marca que lidera e ainda o setor onde se enquadra, tendo em conta as constantes mudanças da sociedade e do mundo?
Perspetivo que a CA Seguros e o mercado segurador em geral, vão adaptar-se às novas tendências, aos novos consumidores, às fortes exigências regulatórias e às necessidades, novas ou já existentes, que os Clientes vão apresentar. Sem dúvida que se colocam muitos e exigentes desafios, mas a gestão da incerteza e do risco faz parte das nossas atividades e o setor tem provas dadas sobre a sua resiliência.

“The HQA is just such a good News story and it’s a Win for everyone”

Empowered Startups has programming in Canada, the USA, France, Portugal and in Asia. The HQA residency visa business incubation program is the flagship offering of Empowered Startups Portugal. Who participates in this particular program?
Experienced executives and senior professionals choose the Portugal HQA program. The program is designed for highly qualified international professionals looking to establish residency in the EU. Through the HQA program, they found their own university-linked venture in Portugal. HQA founders are from a variety of disciplines — C-suite executives, doctors, lawyers, crypto and fintech professionals, as well as entrepreneurs with multiple businesses. These are ambitious and accomplished people who want the security of residency in Portugal. LA Magazine recently reported that Portugal is the new California dream. A rapidly growing number of successful people see that establishing a base in Portugal is a smart move, both personally and professionally. These are savvy international professionals, so they want their path to residency to create valuable opportunities. They’re getting what they want by founding a venture in the HQA program.

What does Empowered Startups do for these highly qualified professionals?
The HQA program supports international professionals in launching a venture that leverages their expertise. We pair participant/founders with university-driven startup ecosystems and build them a base of operations that connects to their activities abroad. It’s a simple concept, and the impact is tremendous. We deeply value our relationships with the rectories and presidencies of universities and politechnics in Portugal, and the government entities driving Portugal’s economic development. The work being done in Portugal’s regional ecosystems is not only world-class, it’s inspiring — the ecosystems in development are models for how the world could function. Launching a venture in Portugal is the perfect testbed from which to then scale to the EU, to South America, to Africa, to Asia… Start in Portugal and the world is your oyster.

Why are people choosing the HQA program?
Accomplished professionals choose the HQA because it’s a smooth path to a future in the EU. The EU Commission has made strong statements specifically against so-called Golden Visa programs. Frankly, every one of our HQA founders considered Golden Visa offerings as a path to residency. Each one chose the HQA because they felt it clearly has a stronger value proposition. They’re smart people, so they recognized how the HQA benefits them and benefits Portugal, meaning it’s an astute choice. The personal reasons for choosing the HQA vary, of course. Some people value that they can easily expand their existing business into the EU through Portugal. Some value the connections to senior people of influence in Portugal. Some value the speed of processing — as reported in industry publications, HQA applications are prioritized, so people can expect to be legal residents in a few months. All of the HQA founders value that the program itself builds value for everyone involved — the founder, the university researchers and students, the other local startups, the non-metropolitan regional ecosystems where these ventures are launched, and the people of Portugal writ large. The HQA is just such a good news story — it’s a win for everyone.

Why is the HQA growing so fast? It has been reported that HQA application rates have more than doubled for two years’ running, especially from Americans.
The short answer is timing. HQA legislation has been around for years. Now Portuguese public bodies are using HQA legislation to specifically attract the people that Portugal knows it needs — highly qualified professionals with strong international connections. The world’s experienced executive-level talent are hearing the call, they see the HQA program provides a smooth path, and they’re coming.

EMPOWERED STARTUPS

Through partnerships with key people and world-class research facilities, Empowered Startups accelerates and incubates innovative international business ideas, working with professionals and entrepreneurs committed to creating outstanding startups with strong growth potential. For the company, the startup ecosystem in Portugal is a market with extreme potential – the climate is favorable for business and the professionals, holders of knowledge, guarantee their commitment to success. As a gateway to continental Europe, with strong ties to Asia, Africa and South America, Portugal assumes itself as the ideal and intelligent launching pad for companies with potential for international expansion.

“Temos de continuar a apostar na Consciencialização, especialmente das capacidades das Pessoas com EM”

A Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM), criada em 1984, tem como missão contribuir para a melhoria das condições de vida dos portadores de Esclerose Múltipla (EM), familiares e cuidadores. Após 37 anos de iniciativas, como avalia o concretizar desta missão até aos dias de hoje?
Ao longo de todos estes anos, além de se ir formando enquanto IPSS e Associação de Doentes, a SPEM, tendo o seu início em Lisboa, tem demonstrado, ao longo dos anos, que existe com pessoas com EM para pessoas com EM. Seja na prestação de serviços aos associados e comunidade envolvente, seja como Associação de Defesa dos Direitos da Pessoa com Esclerose Múltipla, da Pessoa doente crónica e da Pessoa com Deficiência (no nosso caso orgânica e invisível muitas vezes). Além de tudo isto, a SPEM também tem prestado à comunidade um serviço de consciencialização desta patologia crónica, incapacitante e que afeta cada vez pessoas mais jovens e em início de vida. A SPEM existe para estas pessoas com EM, para as suas famílias, para dar voz e servir de apoio a todos os que padecem desta patologia e a todos os que sentem esta causa como sua. Para comprovar o efetivo compromisso com a causa e as iniciativas desenvolvidas, a SPEM já recebeu vários prémios e condecorações que provam o seu serviço a esta comunidade de pessoas com EM e a esta centralidade que se pretende ter na SPEM de colocar o doente no centro.

A SPEM intervém junto dos poderes públicos e organismos competentes, especialmente nas áreas da saúde e proteção social, para um eficiente suporte aos doentes e acesso às terapias. Como se encontra atualmente o panorama do dito suporte e acesso? Podemos afirmar que se tem promovido o suficiente a qualidade de vida das pessoas com esta condição?
Atualmente, vivemos tempos conturbados a nível político, que naturalmente influenciam o social e a saúde. A necessária união destes dois “silos” é indiscutível enquanto suporte na melhoria da qualidade de vida de qualquer doente crónico, como as pessoas com EM. Hoje em dia, a luta pelo doente no centro torna-se ainda mais gritante e é nisso que a SPEM se tem vindo a centrar ao longo dos últimos anos, apelando à consciência dos organismos competentes e poderes políticos para as necessidades destas pessoas. Seja no acesso aos cuidados de saúde ou terapêuticas mais eficazes e por isso mais caras, seja na qualidade desses serviços de saúde que carecem de melhorias estruturais para que o doente esteja no centro e para que o cuidado a esta patologia não se perca no oceano do SNS. A EM é uma doença crónica, inflamatória do Sistema Nervoso Central e que afeta inúmeras funções do nosso cérebro, por isso mesmo ela necessita de monitorização, de vigilância, de cuidados médicos personalizados e efetivos e que naturalmente dependem das eficácias dos meios complementares de diagnóstico (como ressonância magnética, entre outros) para que o quanto antes se intervenha nesta doença e para que ela não vá à nossa frente. Ainda existe um longo caminho a percorrer que implica talvez a reestruturação na área da saúde para que o doente fique no centro e para que as necessidades dos doentes crónicos e desta patologia sejam tidos em conta. Na área social, a conversa é a mesma, porque enquanto pessoa somos seres sociais em interação com o nosso meio, onde as relações e o entendimento importam para a nossa qualidade de vida. A urgente necessidade de união entre as montanhas social e saúde são emergentes para toda e qualquer cidadão e ainda mais para o doente crónico que precisa de ver respeitados os seus direitos, quer sejam de saúde quer sejam sociais, laborais, entre outros. Todos temos direito a uma habitação segundo a Carta dos Direitos da ONU, mas também temos direito a um emprego, segundo a mesma carta.

O Dia Nacional da Pessoa com Esclerose Múltipla celebra-se todos os anos no dia 4 de dezembro. A data tenta chamar a atenção da população para a doença, desde os seus sintomas à sua gravidade e ao seu tratamento. Considera que hoje existe uma consciencialização maior sobre as necessidades das pessoas com esta condição e das suas vivências?
Sim, considero que hoje em dia há uma maior consciência da patologia. Contudo, infelizmente, ainda existe uma grande incompreensão talvez associada, ainda, a um desconhecimento, por parte de entidades empregadoras essencialmente. Grande parte dos sintomas da EM são invisíveis, tais como: insuficiência urinária, depressão, dificuldades na visão, dor, dormência, sensibilidade à temperatura, entre outros. Dada a sua invisibilidade esta leva à incompreensão e muitas vezes até a situações de incredulidade, o que não é nada favorável para o doente.  É necessário apostar ainda na consciencialização, especialmente das capacidades das pessoas com EM, para com as entidades empregadoras e para com a sociedade em geral.

 Respeito e inclusão são os dois motes para este dia. Quão importante é celebrar esta efeméride e relembrar a sua origem?
Essas duas palavras são essenciais porque suportam toda a ideia de melhoria da qualidade de vida destas pessoas com EM e até de qualquer cidadão. O respeito pela nossa patologia, pela dificuldade que enfrentamos diariamente com os sintomas invisíveis e com a compreensão dos mesmos parece-nos essencial que seja cada vez mais consciencializado pela sociedade. A inclusão, seja social seja laboral, é algo inato ao ser humano que só vive em sociedade, em relação e que só consegue ser cidadão efetivamente com plena participação em sociedade quando incluído na mesma. Muitas vezes, infelizmente quem é diferente do padrão “normalizado” em sociedade acaba por ser excluído ou até por se autoexcluir o que só agrava o seu estado anímico e de saúde. Assim, estes dois conceitos estão sempre em cada iniciativa da SPEM, em cada projeto e até em exposições onde se pretende consciencializar a sociedade para a doença, para os doentes e principalmente para a pessoa por detrás da doença.

Em que medida é imprescindível promover informação, consciencialização e capacitação dos doentes, familiares, cuidadores e sociedade civil em relação à doença e ao seu impacto?
A consciencialização é um produto inacabado. Mas podemos dizer que o nosso esforço tem valido a pena porque cada ano chegamos a mais pessoas e ganhamos mais espaço na sociedade. Só é possível quebrar o estigma associado à doença com uma maior consciencialização da sociedade. E é este sempre o trabalho da SPEM nesta promoção de conhecimento em torno da doença e de tudo o que esta envolve. A capacitação é outro tema muito relevante para a SPEM, seja o patient advocacy seja mesmo uma capacitação dos cuidadores e familiares. Esta doença facilmente é incompreendida porque muitas vezes não se vê. O trabalho de desenvolver ferramentas para lidar com a doença só é possível com um conhecimento desta e até de nós mesmos e dos nossos limites. A capacitação também só se efetiva com um conhecimento da doença e dos seus direitos enquanto doente de EM, doença crónica e deficiência orgânica.

Estando presente de norte a sul de Portugal, conseguindo chegar a cada vez mais pessoas com Esclerose Múltipla, de que forma a SPEM irá – como todos anos a 4 de dezembro – dignificar e elevar a voz dos doentes?
O Congresso deste ano tem como título SAÚDE + SOCIAL 4.0 e tem a ambição de contribuir para o quebrar “os silos” que contem e separam o SNS e a Segurança Social e colocar o foco destes na resolução da complexidade da condição da pessoa com doença crónica. O congresso será realizado a 3 e 4 de dezembro de 2021 em Lisboa na Associação Nacional de Farmácias (no seu formato presencial) e digitalmente para todo o País. Será um congresso na modalidade híbrida e é dirigido à comunidade que se encontra ligada à EM, sejam eles decisores, sejam técnicos, sejam cuidadores, sejam os próprios portadores de EM e os seus familiares e amigos. A questão de dar voz ao doente de EM tem sido uma preocupação para a SPEM. Além de todos os vídeos que temos no nosso canal do Youtube (SPEM TV) com testemunhos de e para pessoas com EM, todo o programa deste congresso foi desenhado desde o início com pessoas com EM, com pessoas que trabalham com pessoas com EM, com os nossos voluntários, técnicos, direção, e todo este envolvimento tornou o programa e toda a planificação do congresso rica, mas essencialmente parte integrante de cada um de nós que pertencemos à SPEM e que vamos tendo voz nela e na sociedade. Enquanto diretora de congresso e também pessoa com EM sinto-me honrada por fazer parte desta família que somos na SPEM e por todo o envolvimento que temos tido de toda a comunidade SPEM e não só, mas também comunidade médica, farmacêutica, social, etc. No congresso, em cada painel, temos tudo pensado de pessoas com EM para pessoas com EM.

A terminar – e tendo em conta que a sociedade está em constante evolução – considera que a investigação e desenvolvimento têm sido (e serão) um alicerce promovido em Portugal no que diz respeito à Esclerose Múltipla? De que forma a SPEM irá articular a sua atividade com a peça essencial que é a investigação?
Relativamente à investigação e ao desenvolvimento, a SPEM tem já uma longa tradição que vem desde a sua fundação quando, em Portugal, essas palavras ainda nem se quer se associavam à patologia da EM. Foi pela mão da SPEM e de alguns médicos e investigadores que a EM entrou no radar da nossa comunidade científica e se foi desenvolvendo. Hoje em dia o panorama é muito diferente, pois temos vários grupos de investigação nacionais a desenvolver investigação de base e a participar em projetos e consórcios internacionais de investigação e desenvolvimento de soluções terapêuticas, que ajudem a tratar mais eficazmente, a reabilitar melhor e a dar às PcEM uma melhor qualidade de vida. Neste esforço coletivo a SPEM enquadra-se como entidade de referência, tanto como parceiro como agente ativo do processo de ID. Neste momento, estamos e temos estado envolvidos em várias iniciativas com várias instituições académicas nacionais e internacionais que vão desde a Medicina, passando pela Saúde Pública, pela Motricidade Humana, pela Psicologia e pela Economia. Nesta sequência, a SPEM criou neste mandato o Pelouro da Ciência e Investigação que tem desenvolvido um trabalho notável de aproximação e articulação da SPEM com todas as partes interessadas (stakeholders) na área do ID, tanto em Portugal como Internacionalmente, através da Plataforma Europeia da EM e da Federação Internacional da EM e da Iniciativa Progressive Alliance.

“A Cidadania, a Solidariedade e a Multiculturalidade são o universo que caracteriza o mundo do Ensino Superior”

Sendo uma instituição de ensino superior localizada na «cidade dos estudantes» – o Politécnico de Coimbra (IPC) é uma das maiores instituições de ensino superior portuguesas. De que forma, ao longo de 42 anos de história, tem contribuído para o desenvolvimento dos estudantes e do país?
O Politécnico de Coimbra, como uma das maiores instituições de ensino superior do País, forma anualmente cerca de 2000 pessoas. Daqui saem todos os anos profissionais das mais diversas áreas com forte capacitação nas suas áreas de formação. A nossa forte ligação ao território e às empresas garante que fazemos uma formação essencialmente centrada no saber fazer, aplicando o conhecimento na resolução de problemas que todos os dias se colocam às pessoas, empresas e instituições com quem os nossos estudantes ou ex-estudantes se cruzam.

Com seis escolas e uma grande diversidade de áreas de formação, que vão desde a agricultura e ambiente, passando pela educação, comunicação, turismo, artes, gestão, contabilidade e marketing, até à saúde e engenharias, quais os fatores que elevam o IPC ao ensino de qualidade que hoje conhecemos?
O Politécnico de Coimbra tem procurado estar na vanguarda das metodologias de ensino, da inovação pedagógica e da oferta formativa. Questionamo-nos em permanência se estamos a fazer os cursos certos, da forma correta. Sabemos que alguns dos cursos estão em áreas que sofrerão alterações na próxima década e que terão de ser transformados, readaptados ou mesmo descontinuados. Da mesma forma, há áreas onde ainda não ensinamos e que terão forte potencial no futuro, face às transformações que ocorrerão no mundo, nomeadamente ao nível da transição climática, da digitalização e das consequências de tudo isso na vida das pessoas. Também nos questionamos sobre a forma como ensinamos e não temos dúvidas que o modo de ensinar e de aprender vai ser alvo de grandes transformações nos próximos anos, com os professores a terem de se adaptar rapidamente a esta nova geração de alunos, mais digitais, mais nómadas e com um percurso pré-universitário muito diferente do que tinham há 20 anos. A manutenção da qualidade, ou melhor o seu permanente aumento, depende de sermos capazes de manter esta dinâmica.

Estudar em Coimbra é tradição. É uma cidade universitária onde os jovens constroem o seu futuro profissional, sejam portugueses ou alunos internacionais. Em que medida o IPC dispõe de uma rede de Instituições parceiras no âmbito do Programa Erasmus e fomenta as sinergias entre a sua educação e as comunidades da Europa?
O Politécnico de Coimbra é hoje uma das melhores e maiores portas para uma experiência de aprendizagem internacional. Integrado no Consórcio Erasmus Centro, que o IPC lidera atualmente, tem ao dispor dos alunos inúmeras parcerias por todo o mundo, com destaque para a Europa. Hoje mais de 35% dos nossos alunos têm uma experiência internacional, podendo escolher quase todos os países europeus, mas também, através do International Credit Mobility (ICM), muitos países fora da Europa com os quais dispomos de parcerias e de bolsas. Podem optar por qualquer dos continentes pois temos parceiros em todos eles. A grande importância desta experiência é dar aos jovens “mundo”, ou seja, criar neles uma perspetiva diferente do ensino, mas também da sociedade. Os programas de mobilidade ajudam a encarar a aprendizagem de forma diferente, nomeadamente porque lhes mostra que somos melhores do que pensamos e porque, mesmo como sociedade, estamos também num patamar acima da média. Somos mais humanos e mais educados do que supomos, mesmo se por vezes duvidamos disso.

É de conhecimento comum que a pandemia aportou um conjunto de alterações em todos os setores, sendo que ao nível do Ensino Superior, foi evidente. Como o IPC contornou as adversidades impostas pelas novas exigências da sociedade, sem descurar a qualidade do seu ensino?
Os professores adaptaram rapidamente o que era possível para lecionarem em ensino digital remoto, os estudantes perceberam que ou se adaptavam e aceitavam as contingências do momento ou interrompiam os estudos, e os serviços, pela mão dos profissionais não docentes, criaram soluções, nomeadamente através dos sistemas de informação, para responder à situação. Ultrapassadas as questões técnicas, houve que garantir a toda a comunidade meios para continuarmos a cumprir a nossa missão, com a qualidade que nos exigimos. Conseguimos manter padrões de qualidade que nos garantiam que, face às circunstâncias, não comprometiam o futuro dos nossos estudantes e, logo que foi possível, fomos retomando o ensino presencial. O tipo de ensino que fazemos, muito baseado no saber fazer, não se compadece na maioria dos casos com o ensino digital, por muito bom que seja. Claro que retiramos ensinamentos da situação e temos a convicção de estarmos preparados para fazer ensino digital nos graus e temas em que faz sentido. Mas para os jovens vindos do ensino secundário que ingressam nas nossas escolas, a presença no espaço físico da escola é determinante à sua formação profissional e à sua formação como pessoa.

Apesar de ainda não ter terminado, atualmente tudo começa a regressar ao normal. As ferramentas que o IPC utilizou foram fundamentais para que hoje se possa considerar (ainda mais) um pilar da educação em Portugal e, consequentemente um alavancar de sucesso para os estudantes que se iniciam no universo do trabalho? De que forma?
A geração que está agora em formação, a que acabou de chegar ao ensino superior e que sociologicamente conhecemos como geração z, é a geração da internet, onde tudo está à distância de um click. Pela forma como cresceram e como vivem o dia-a-dia, esta geração quer cada vez mais um ensino diferenciador, personalizado e próximo. Esta é a geração que quer ter tudo no smartphone, mas que também quer experienciar e perceber antes de escolher. É por esta forma de estar que temos de criar um ensino que responda a estas necessidades. Os cursos do futuro vão ser mais abertos, mais ligados a competências transversais, com informação mais próxima do interessado e com menos salas de aula. O ensino vai ter mais laboratórios, mais empresas, mais experiências reais e mais escolha. Cada vez mais temos de estar preparados para carreiras académicas feitas à medida, que garantem a melhor formação possível para “aquele trabalho” e cada vez mais temos de criar soluções para a mudança de trabalho, seja por gosto, por saturação ou por adaptação do mercado. A geração z vai ter vários empregos e, provavelmente, em áreas muito diferenciadas umas das outras. É a isso que as instituições vão ter de responder se quiserem sobreviver.

Inovação, conhecimento, qualidade, empregabilidade, cidadania, solidariedade, sustentabilidade e multiculturalidade são as palavras que melhor definem o IPC. Assim, para o futuro – e tendo em conta os constantes desafios à educação –, de que forma o Instituto irá continuar a promovê-las e a fazer jus ao título de um dos melhores institutos de ensino superior para se estudar em Portugal?
O futuro, que já começou, é tudo isso. A inovação, o conhecimento e a qualidade andam lado-a-lado. Não é possível ter qualidade sem inovar todos os dias e o conhecimento faz-se cada vez mais dessa inovação. Faz-se da ligação ao conhecimento prático (mundo do trabalho/ empresas), com quem cada vez mais criamos conhecimento. Hoje gosto de falar em cocriação de conhecimento com as empresas e não em transferência de conhecimento. O que produzimos tem tanto mais valor quanto mais se fizer em parceria com os interessados. A cidadania, a solidariedade e a multiculturalidade são o universo que caracteriza o mundo do ensino superior. Somos cada vez mais um espaço de multiculturalidade, desde logo porque temos estudantes provenientes das mais diversas partes do mundo, que trazem com eles culturas e formas de estar diferentes, mas também porque levamos os nossos estudantes a procurarem por esse mundo fora experiências de ensino superior que lhes abram os horizontes. Num mundo em que as pessoas cada vez mais convivem por detrás de um ecrã é fundamental cultivar e incentivar a cidadania e a solidariedade. Os jovens de hoje estão pouco despertos para o voluntariado, para o associativismo, no fundo, para a cidadania. Temos de a colocar no centro da aprendizagem, para que continue a acontecer. Ao ensino superior, enquanto porta de entrada na idade adulta, cabe o papel de tornar a solidariedade real para com terceiros. Importa formar bons profissionais, mas que sejam, acima de tudo, boas pessoas. Por fim, a sustentabilidade é o nosso nome do meio. Todos os dias temos programas ativos de sustentabilidade, seja ela puramente ambiental ou tenha um objetivo económico subjacente. O Politécnico de Coimbra consegue hoje ser um eco-politécnico com todas as suas escolas a implementarem diariamente práticas de preservação ambiental, muitas delas associadas à redução de consumos e, logo, à sustentabilidade financeira. A nossa instituição é – e pretende continuar a ser – um centro de educação para a sustentabilidade, pelo exemplo e pela transmissão de saber.

AEMinho: Ação Local com Estratégia Global

Sabe-se que o Minho tem um modo de estar próprio, com características que se manifestam nas mais variadas dimensões. Esta região prima pela sua forte consciência social, pelas tradições enraizadas, identidade cultural exclusiva e comunidade empresarial que contém uma riqueza única, resiliente e vincada. Foi precisamente para defender, promover e impulsionar a iniciativa empresarial e torná-la no vetor essencial do desenvolvimento económico, social e cultural da região e reforçar a sua competitividade e resiliência, que a Associação Empresarial do Minho nasceu em maio do presente ano. Tendo como valores principais a ética empresarial, o respeito pessoal e institucional, a solidariedade social e empresarial, a transparência económica, o respeito e defesa do meio ambiente e a diversidade como um elemento de inclusão e de desenvolvimento institucional, Ricardo Costa, Presidente da mesma, assume que o objetivo não seria criar mais uma Associação, mas sim aquela que fosse capaz de cumprir com estes objetivos. “O Minho tem uma especificidade e um tecido empresarial fortíssimo, tem know-how e centros de investigação em instituições de ensino superior que se destacam pelo mundo fora. Achámos que seria essencial criar uma Associação que juntasse os empresários, que promovesse a partilha de experiências, o networking, que disseminasse informação relevante e, principalmente, para que as empresas pudessem, em conjunto, chegar onde não chegariam sozinhas”, afirma o nosso entrevistado.

Desde maio de 2021…

Certo é, com apenas cinco meses de atividade, a visão da AEMinho – Associação Empresarial do Minho já está a dar frutos rumo ao cumprimento daqueles que são os seus maiores objetivos. “Este é um momento muito importante para pedirmos responsabilidade aos nossos agentes políticos. Somos totalmente apartidários, só queremos que, seja quem for, se preocupe com o desenvolvimento económico, social, cultural e ambiental da nossa região, que entenda a sua verdadeira potencialidade”, destaca Ricardo Costa, reforçando ainda: “Não tenho dúvidas do mérito e reconhecimento do Minho. Nós temos cerca de 120 mil empresas, representamos 15% da balança comercial nacional no que diz respeito às exportações e é do conhecimento público a nossa forte componente industrial. Contribuímos e muito para o desenvolvimento económico de Portugal”. Assim, e tendo em conta os objetivos estrategicamente bem definidos, a Associação Empresarial do Minho irá elevar o nome da região a nível nacional e internacional através da força conjunta das organizações que a compõem.

Os pilares fundamentais do desenvolvimento do Minho

Aquando da criação da Associação Empresarial do Minho, foram estabelecidos seis pilares estratégicos – e tão importantes, não apenas para a região como para o planeta: resiliência; transição energética, economia circular e sustentabilidade; transferência de conhecimento, ciência, inovação e centros de investigação; transição digital; atração, captação, retenção e requalificação de talento; e por fim, internacionalização e exportação. Abordando a questão da transição energética, Ricardo Costa sustenta: “Todos nós sabemos ou temos conhecimento das metas que nos foram impostas pelo Pacto Ecológico Europeu, mas eu acho que ainda há pessoas que pensam em 2030 como um ano longínquo – e não é. Na verdade, estamos quase lá. Pela urgência de todas estas questões, estamos a desenvolver várias atividades, nomeadamente a organização de uma conferência sobre a sustentabilidade no início de 2022, para sensibilizar os empresários sobre o tema, e onde vamos inclusivamente apresentar uma ferramenta certificada pela União Europeia, criada por nós AEMinho. Esta ferramenta vai permitir aos empresários, perceberem em que ponto estão, ou seja, que passos ainda precisam de ser dados pelas suas empresas para atingirem os objetivos a que todos devemos chegar”. É neste sentido que a Associação Empresarial do Minho terá um papel preponderante, não só em informar e apelar à importância e sensibilização do tema, como apresentar soluções que permitam que os empresários da região possam passar pela transição energética de forma mais eficaz, até porque, tal facto irá, consequentemente, promover a competitividade empresarial no futuro, que está próximo. Já no que diz respeito à transição digital, o objetivo é colocar o Minho na linha da frente no (natural) compromisso com a digitalização, tendo em conta as necessidades dos tempos modernos impulsionados pela COVID-19. Seja por «obrigação» ou não, o que é certo é que “a pandemia nos elucidou quanto à importância dos meios digitais e é essencial que estejamos a caminhar lado a lado com esta transformação. Isto implica que se desenvolva um conjunto de formações e especializações, promovendo a requalificação de pessoas, seja através de empresas, das instituições de ensino, das Câmaras Municipais, das Juntas de Freguesia, ou outros. Nós temos empresas que estão no topo da digitalização a nível mundial, por isso temos tudo o que é preciso, basta que rememos todos para o mesmo lado”. A AEMinho pretende ainda usar as vias diplomáticas para, articulando com o Governo, recrutar pessoas noutros territórios. Posteriormente, em conjunto com as instituições locais, promover a integração dessas pessoas no contexto socioeconómico do Minho.

Um futuro alinhado com a valorização da região

Apresentado o plano estratégico para o futuro, a base de atuação da Associação Empresarial do Minho passará sempre pelo cumprimento dos pilares mencionados. “O nosso caminho será traçado tendo em conta as seis linhas de ação, que tão importantes são para todos. Vamos continuar a juntar os empresários, promover o networking e fazer com que, em conjunto, se tornem mais fortes. Queremos ter um papel dinamizador da região, criando estas pontes entre os vários Municípios e instituições e promover – cada vez mais – o intercâmbio e a cooperação transfronteiriça da EuroRegião Galiza-Norte de Portugal”, termina Ricardo Costa.

 

Vamos falar sobre a importância do Dia Nacional da Pessoa com Esclerose Múltipla?

Foi no dia 4 de dezembro que se celebrou o Dia Nacional da Pessoa com Esclerose Múltipla: uma doença crónica, inflamatória e degenerativa que afeta o Sistema Nervoso Central. Qual a importância de assinalar uma data como esta?
Acredito ser de extrema importância a existência de dias mundiais e/ou nacionais para determinadas doenças, sobretudo para aquelas que possa haver maior desconhecimento ou desinformação sobre as suas características e que estejam associadas a maior cronicidade, com consequentes prejuízos pessoais, sociais e laborais. A Esclerose Múltipla (EM) é um exemplo paradigmático do que acabei de referir.

Os dois motes para esta efeméride são o respeito e a inclusão das pessoas portadoras de Esclerose Múltipla. Com que metodologia se pretende alcançar esta missão? Acredita que ainda existem muitas lacunas por colmatar neste sentido?
O respeito deveria ser algo inerente à sociedade em que vivemos, independentemente de ser portador de determinada doença ou característica pessoal, contudo sabemos que, infelizmente, isso ainda não acontece a uma escala global. Em particular, nos doentes com EM, ainda constatamos situações lamentáveis de exclusão laboral e social e outro tipo de faltas de respeito que são inaceitáveis. Conheço situações de despedimentos e rejeição em cargos laborais apenas pelo simples facto de ser portador desta doença, independentemente das capacidades físicas ou psicológicas das pessoas em questão. Creio que a melhor forma de colmatar estas falhas, é informar devidamente o público em geral sobre a doença e sobre os doentes, combater a desinformação e incentivar campanhas para eventos nos quais se possam abordar estas questões. A existência de um dia nacional para a Esclerose Múltipla permite dar voz aos doentes, combater alguns mitos sobre a doença, esclarecer dúvidas e estimular o convívio e o respeito entre todos os envolvidos.

Sabemos que cada vez mais é crucial alertar a população para este problema, desde os seus sintomas, à sua gravidade e ao seu tratamento. Na perspetiva do João Ferreira, como é que se está a acompanhar esta doença em Portugal?
A minha perceção é que tem existido, nos últimos anos e gradualmente, um maior conhecimento sobre esta doença e suas características. Para isto, muito têm contribuído os médicos neurologistas, enfermeiros, farmacêuticos e outros profissionais de saúde com quem os doentes interagem regularmente, tanto de modo presencial como digital. Também a indústria farmacêutica, com a criação de inúmeras ações de formação e cursos que visam a aprendizagem contínua sobre a doença para profissionais de saúde e para os próprios doentes e suas famílias e as sociedades nacionais de doentes com EM, através de campanhas de sensibilização para o público, para doentes e suas famílias, entre outras. Em suma, eu diria que estamos todos a aprender cada vez mais uns com os outros sobre a Esclerose Múltipla em Portugal.

Tendo em conta que estamos a entrar numa terceira fase de vacinação da Covid-19, quão relevante é para os doentes de Esclerose Múltipla usufruir desta vacina? Porquê?
Gostaria de realçar que, pelos dados que temos até à data, não parece existir um maior risco de contrair ou de ter doença mais grave por Covid-19 sendo portador de EM. Nem existem dados que permitam afirmar que a resposta à vacinação é diferente em pessoas com Esclerose Múltipla comparativamente com a população geral. Relativamente às normas atuais da Direção-Geral da Saúde sobre a terceira fase de vacinação, a maioria das pessoas com esta doença não são consideradas prioritárias, tendo em conta o que referi anteriormente. Contudo, uma percentagem de doentes com EM, sobretudo aqueles com formas mais agressivas da doença, necessitam de efetuar tratamento com fármacos imunossupressores, como por exemplo ocrelizumab, fingolimod ou cladribina. Nestas situações, perante uma possível menor resposta imunitária à vacinação, está recomendado o reforço com a terceira dose da vacina. Os doentes devem esclarecer com o seu neurologista assistente se são elegíveis ou não para esta fase de vacinação.

O tratamento da Esclerose Múltipla implica todo um procedimento médico onde o doente deve estar atento a todos os sintomas. Como é feito o auxílio de um paciente que suspeita ser portador da doença?
Os sintomas referidos por uma pessoa com EM podem ser variados, no entanto muitos deles são inespecíficos, ou seja, podem estar presentes em pessoas sem qualquer doença ou com patologias distintas. Estes sintomas inespecíficos – como por exemplo a fadiga, a pouca tolerância a esforços, dor crónica ou recorrente, tonturas – auxiliam no diagnóstico se estiverem presentes simultaneamente com sintomas específicos da Esclerose Múltipla. Estes últimos são variados e surgem gradualmente ao longo de horas ou dias, sendo os mais comuns a visão turva em um ou nos dois olhos, visão dupla, dormência, perda de força muscular ou coordenação motora num ou vários membros, desequilíbrio ou sensação de pernas “presas” a andar. Perante um ou vários destes sintomas, particularmente os sintomas específicos, a pessoa deve procurar um neurologista e depois desencadeia-se um processo para o diagnóstico no qual temos como pontos-chave: o cuidadoso exame neurológico ao doente, a realização de Ressonância Magnética cerebral ou medular e outros exames complementares caso sejam necessários, como por exemplo a punção lombar.

Certo é, esta é uma doença que – infelizmente – ainda desperta algum preconceito por parte de quem não conhece as suas características. De que forma se pode erradicar esta intolerância?
Concordo plenamente com essa afirmação e é algo que eu pessoalmente tento combater a cada consulta que faço, a cada doente recém-diagnosticado que sigo e suas respetivas famílias e a cada comunicação que faço sobre a doença, no contexto apropriado. Creio que a melhor forma de enfrentar o preconceito que ainda abrange a EM é tentar perceber melhor a doença em si e os doentes que com ela vivem, incentivar a procura pela informação correta e apropriada sobre a mesma contrariando a muita desinformação que ainda circula, estimular a criação e participação ativa da população em eventos e formações no âmbito da EM.

Assinalar o Dia Nacional da Pessoa com Esclerose Múltipla é fundamental também para dignificar os doentes e promover a sua qualidade de vida com o respeito que merecem. Neste sentido, como é que a população pode cooperar com os doentes e as respetivas famílias?
Eu diria que a melhor forma de cooperação que a população geral poderá ter para com os doentes com EM é a demonstração de respeito e compreensão, fortalecidos, uma vez mais, com adequado conhecimento sobre a doença e suas características muito particulares. É importante perceber que, muitas das pessoas portadoras desta doença, sofrem diariamente com sintomas disfuncionais e incapacitantes, que são invisíveis a terceiros e extremamente difíceis de explicar. Percebermos a doença e os doentes, só por si, ajuda a aumentar a qualidade de vida das pessoas com EM.

Por fim, como é que o João Ferreira vê o futuro da inclusão desta doença, bem como a sua cura? O otimismo é um fator-chave?
Como sublinhei anteriormente, na minha opinião o conhecimento da população geral sobre a doença tem aumentado e tenho a certeza que irá continuar no futuro. Os doentes são cada vez mais compreendidos e devem prosseguir na sua tarefa de se fazerem ouvir a si e à doença de que são portadores. Quanto à eventual cura da EM, devemos conter um pouco o entusiasmo, pelo menos para já. A Esclerose Múltipla foi descrita por Charcot há mais de 150 anos atrás. Os primeiros tratamentos que modificam o curso natural da doença surgiram apenas há 30 anos, contudo, só nos últimos dez anos, as opções terapêuticas nesta doença praticamente triplicaram. Portanto, na minha opinião, podemos estar otimistas sobre as próximas décadas no que diz respeito a tratamentos modificadores e, talvez, curativos para esta doença tão incapacitante.

“O HQA é uma boa Notícia e uma Vitória para todos”

A Empowered Startups possui programas no Canadá, EUA, França, Portugal e Ásia sendo que o programa de incubação de empresas de visto de residência HQA é a chave principal da Empowered Startups Portugal. Quem participa neste programa específico?
Executivos experientes e profissionais seniores escolhem o programa Portugal HQA. O programa é projetado para profissionais internacionais altamente qualificados que procuram estabelecer residência na UE. Através do programa HQA, encontraram o seu próprio empreendimento ligado à universidade em Portugal. Os fundadores da HQA são de uma variedade de disciplinas – executivos de alto escalão, médicos, advogados, profissionais de criptografia e fintech, bem como empresários com vários negócios. São pessoas ambiciosas e realizadas que desejam a segurança da residência em Portugal. A LA Magazine publicou recentemente que Portugal é o novo sonho da Califórnia. Um número crescente de pessoas de sucesso observa que estabelecer uma base em Portugal é uma jogada inteligente, tanto pessoal como profissionalmente. Esses são profissionais internacionais experientes, que ambicionam que o seu caminho para a residência crie oportunidades valiosas. estão a conseguir o que desejam ao fundar um empreendimento no programa HQA.

O que é que a Empowered Startups faz por estes profissionais altamente qualificados?
O programa HQA apoia profissionais internacionais no lançamento de um empreendimento que alavanca sua experiência. Unimos participantes/fundadores a ecossistemas de startups virados para universidades, e construímos uma base de operações que se conecta às suas atividades no exterior. É um conceito simples e o impacto é tremendo. Valorizamos profundamente as nossas relações com as reitorias e presidências de universidades e politécnicos em Portugal e com as entidades governamentais que impulsionam o desenvolvimento económico do país. O trabalho que está a ser feito nos ecossistemas regionais de Portugal não é apenas de classe mundial, é inspirador – os ecossistemas em desenvolvimento são modelos de como o mundo poderia funcionar. Lançar uma empresa em Portugal é o teste perfeito para depois escalar para a UE, para a América do Sul, para a África, para a Ásia, entre outros. Comece em Portugal e o mundo é a sua ostra.

Quais os motivos que levam as pessoas a escolher o programa HQA?
Profissionais talentosos escolhem o HQA porque é um caminho tranquilo para um futuro na UE. A Comissão da UE fez declarações veementes especificamente contra os chamados programas Golden Visa. Honestamente, cada um dos fundadores do HQA considerou as ofertas do Golden Visa como um caminho para a residência. Cada um escolheu o HQA porque sentiu que claramente, o mesmo, tem uma proposta de valor mais forte. Eles são pessoas inteligentes, por isso reconheceram que este programa os beneficia e beneficia Portugal, o que significa que é uma escolha astuta. Os motivos pessoais para escolher o HQA variam, é claro. Algumas pessoas valorizam o facto de poderem facilmente expandir os seus negócios existentes para a UE através de Portugal. Alguns valorizam as ligações a pessoas seniores com influência em Portugal. Outros valorizam a velocidade de processamento – conforme relatado em publicações do setor, os processos através do HQA são priorizados, portanto, as pessoas podem esperar ser residentes legais em alguns meses. Todos os fundadores do HQA valorizam que o próprio programa agrega valor para todos os envolvidos – o fundador, os pesquisadores e estudantes universitários, as outras startups locais, os ecossistemas regionais não metropolitanos onde esses empreendimentos são lançados e os portugueses em grande escala. O HQA é uma boa notícia e uma vitória para todos.

Como explica o facto de o HQA estar a crescer tão rápido? Foi relatado que as taxas de aplicação de HQA mais do que dobraram em dois anos consecutivos, especialmente por americanos.
A resposta curta é o tempo. A legislação HQA existe há anos. Agora, os organismos públicos portugueses estão a utilizar a legislação HQA para relembrar especificamente as pessoas de que Portugal sabe o que eles necessitam – profissionais altamente qualificados com fortes ligações internacionais. Os experientes talentos de nível executivo do mundo estão a ouvir a chamada. Percebem que o programa HQA oferece um caminho tranquilo e, por isso, eles estão a chegar. ▪

EMPOWERED STARTUPS

Através de parcerias em pessoas-chave e instalações de investigação de alto nível, a Empowered Startups acelera e incuba ideias inovadoras de negócios internacionais, ao trabalhar com profissionais e empreendedores empenhados em criar startups de destaque e com forte potencial de crescimento. Para a empresa, o ecossistema de startups em Portugal é um mercado com um extremo potencial – o clima é favorável aos negócios e os profissionais, detentores do conhecimento, garantem o seu compromisso com o sucesso. Como uma porta de entrada para a Europa continental, com fortes laços com a Ásia, África e América do Sul, Portugal assume-se como a plataforma de lançamento ideal e inteligente para empresas com potencial de expansão internacional.

Como o Luxemburgo apoia o Crescimento da Indústria de Fundos de Investimento: Fundsquare, uma História de sucesso

Constituído em 2013 no Luxemburgo, a Fundsquare tem como objetivo tornar-se a infraestrutura única no mercado mundial, facilitando a distribuição de fundos entre as partes interessadas. Sendo responsável pelo mercado português, de que forma a marca tem consolidado a sua presença em Portugal, de modo a dar resposta às maiores preocupações dos atores da indústria?
Desde a criação da empresa sob a CCLux em 1997 e a sua transição para a Fundsquare em 2013, a subsidiária integral da Bolsa de Valores de Luxemburgo manteve-se próxima das suas origens. A Fundsquare tem como objetivo expandir a nossa oferta de serviço internacional para cobrir todos os mercados de fundos europeus, mas também a América Latina e a Ásia. O mercado português adapta-se naturalmente quando falamos em distribuição de fundos para o Fundsquare, o que implica a sua abertura internacional. Portugal é um mercado importante para a distribuição de fundos domiciliados no Luxemburgo, considerando que os registos transfronteiriços em 2020 aumentaram 27% em comparação com os anos anteriores, atingindo 70% da distribuição dos principais grupos de gestão transfronteiras. Atualmente, 50 grandes grupos de gestão transfronteiras distribuem os seus fundos em Portugal, sejam fundos domiciliados no Luxemburgo ou na Irlanda. A Fundsquare tem estado cada vez mais ativa em Portugal nos últimos quatro anos. Fazemos questão de nos conectarmos com atores locais e partes interessadas dentro do ecossistema do fundo. Adicionalmente, temos mantido discussões com os órgãos de fiscalização e associações: CMVM, ASF, bem como APB e APFIPP para conhecer as necessidades locais e para melhor determinar como a nossa oferta de serviços pode beneficiar o mercado. Em termos de gestores de ativos e fundos portugueses, a Fundsquare tem prestado serviços com uma presença estabelecida no Luxemburgo, ao mesmo tempo que os apoia no registo de fundos para processos de passaporte para outras jurisdições da UE, incluindo Portugal, é claro.

A Fundsquare ajuda os profissionais a enfrentar os desafios atuais e futuros da distribuição de fundos internacionais. De que desafios estamos a falar?
Na longa lista de desafios principais, o gerenciamento regulatório e de dados são os principais. Com a chegada dos fatores ambientais, sociais e de governança (ESG), incorporados ao recentemente publicado Regulamento de Divulgação Financeira Sustentável da UE e ao Regulamento de Taxonomia da UE, juntamente com o GDPR, ativos alternativos e investimentos em criptomoedas, as Autoridades Nacionais de Supervisão Financeira parecem estar mais envolvidas no processo de desenvolvimento, implementação e aplicação de novos regulamentos e estruturas para abranger a necessidade de transparência total. O setor de gestão de ativos encontra-se uma posição em que não se pode ficar parado. Decisões e ações precisam de ser tomadas rapidamente – e, em alguns casos, antecipadas – pelos participantes da indústria para atender a esses novos requisitos em constante evolução e todas precisam de passar pelo gerenciamento e uso de dados eficientes. À medida que a indústria avança, os participantes com as melhores ferramentas e processos para gerar, gerenciar, distribuir, controlar e supervisionar os processos de gerenciamento de dados são os que ganham vantagem competitiva e mantêm o teste do tempo. A Fundsquare é um utilitário de mercado de fundos que oferece uma resposta flexível a toda a cadeia de distribuição. Os nossos serviços de valor agregado cobrem a conformidade regulatória e gerenciamento de informações para gestores de fundos, todas as entidades do ecossistema relacionadas, incluindo os seus provedores de serviços. A nível da Fundsquare, simplificamos a orquestração de todos os tipos de dados com soluções digitalizadas em tempo real em todo o ciclo de vida de um produto, desde o início até ao arquivamento, permitindo um produto para o mercado rápido, melhor mitigação de risco e supervisão aprimorada. Para nós, a melhor forma de atender os nossos clientes é permitir que eles mantenham o controlo sobre os seus processos ao longo do ciclo de vida dos fundos através de uma governação transparente e processos eficientes. Através da nossa ferramenta proprietária, FundLifeCycle, os clientes podem ter a certeza de que os seus dados e relatórios regulatórios estão em conformidade e são distribuídos às autoridades regulatórias nacionais e supranacionais, bem como a disseminação de dados e documentos que gerenciam ou terceirizam para prestadores de serviços terceirizados. Seguindo este caminho, além de tratarmos hoje da coleta e divulgação de dados e templates EPT / EMT, também estamos a preparar-nos para o novo template EEC (European ESG Template), tendo especialistas internos dentro do grupo de trabalho Findatex. A Fundsquare está realmente a estabelecer um centro de troca de dados para todas essas informações (EPT / EMT / EEC) para servir o mundo dos gestores de ativos para a disseminação de dados dos seus próprios fundos, mas também particularmente para as suas necessidades de coleta de terceiros, especialmente quando se trata do novo EET modelo, o desafio é duplo.

Certo é, na origem da Fundsquare estão as crescentes pressões económicas e regulatórias, tendo incentivado a criação de um mecanismo unificado que diminuísse custos e riscos. É legítimo afirmar que estas lacunas estão atualmente colmatadas? De que forma?
A Fundsquare mutualiza os custos de distribuição e supervisão dos gestores de ativos à medida que nos posicionamos no centro do ecossistema do fundo, permitindo a comunicação entre os promotores do fundo, todos os tipos de provedores de serviços, autoridades de supervisão financeira e investidores de maneira simplificada e económica. Saber e acompanhar como e quando os dados dos gestores de ativos que são enviados para as autoridades nacionais competentes ou plataformas de distribuição é essencial em termos de governação geral. Fazer a ponte entre os relatórios regulatórios e os serviços de informações de fundos é o principal fator de sucesso para manter toda a cadeia de dados atualizados, precisos e em conformidade. Através da nossa ferramenta proprietária, FundLifeCycle, fornecemos aos nossos clientes a supervisão adequada sobre suas atividades e relatórios enquanto permanecem em controlo dos seus próprios dados, incluindo as verificações na integração e precisão dos dados na extremidade principal do DataVendors (serviços de loopback). Atendemos uma grande percentagem dos 100 melhores em serviços regulatórios e de informação. Temos orgulho da sua confiança e envolvimento connosco. Atualmente, 100% dos relatórios regulatórios para fundos domiciliados no Luxemburgo são administrados pela Fundsquare.

Em que medida é possível comparar o mercado português com o do Luxemburgo? O que destacaria ao realçar as vantagens competitivas de ambos os países?
O sucesso do setor financeiro luxemburguês não beneficiou apenas o Luxemburgo, mas também a Europa em geral. A posição de liderança do Luxemburgo na área de fundos de investimento é uma história de sucesso de um produto de investimento europeu, o OICVM. O principal fator de sucesso das capacidades de distribuição de fundos do Luxemburgo através do seu processo de passaporte para mais de 70 países, enquanto Portugal está a distribuir cerca de 12 vezes mais fundos estrangeiros do que locais. Portugal tem vindo a distribuir mais de 4.175 fundos estrangeiros, com um aumento anual superior a 10% ano após ano. Por outro lado, o número de fundos domiciliados em Portugal (tanto OICVM como AIF) foi recentemente reduzido devido a provedores locais que oferecem reorganizações, embora globalmente os investimentos estejam a crescer, especialmente nos setores de pensões e de unidades vinculadas. Em termos digitais, acredito que os dois países estão a fazer um grande esforço e a investir muito em inovação, fintechs e atração de talentos.

Num contexto mais geral, podemos considerar que o hoje o Luxemburgo é um pequeno «grande» país da Europa? Porquê?
Beneficiando de um ambiente político e economicamente estável, o Luxemburgo também desfruta de uma força de trabalho extremamente qualificada e é historicamente reconhecida pelo seu papel proativo e eficiente na adoção ou implementação de regulamentos financeiros europeus. O Luxemburgo não é apenas um mercado financeiro ágil, mas também altamente orientado para os negócios. Tanto a governança luxemburguesa como as autoridades de supervisão financeira são reconhecidos como verdadeiros facilitadores para o desenvolvimento empresarial. O Luxemburgo continua a ser de longe o centro de fundos predominante na UE, apesar da forte concorrência de outras jurisdições. O Luxemburgo atrai continuamente novos promotores e instituições financeiras devido à sua excelente reputação no atendimento a produtos de fundos de investimento internacionais.

A terminar, como perspetiva o futuro da Fundsquare, nomeadamente no mercado português?
O datahub da Fundsquare Information Services cobre todos os requisitos dos clientes e está a ser expandido para incluir um banco de dados abrangente de todos os fundos europeus. Portugal, tal como outros mercados, partilha os principais desafios da indústria, como o cumprimento do cumprimento regulamentar, as pressões de custos, a concorrência, a visibilidade, a digitalização, a discussão ESG e, com certeza, a gestão de dados, bem como a supervisão da governança. A fonte de dados e a publicação são hoje os principais elementos que a Fundsquare traz para o mercado português, sendo uma distribuidora ativa de fundos domiciliados no Luxemburgo. A Fundsquare acompanhará os clientes nas suas necessidades globais, mas também específicas. Estamos a aumentar a nossa acessibilidade às Autoridades Competentes Nacionais Europeias para facilitar os relatórios e passaportes de AIF/M, reproduzindo assim este grande sucesso fora do Luxemburgo. Continuamos a mutualizar os custos de distribuição e supervisão do gestor de ativos para a coleta, gestão e disseminação de informações de fundos (documentos, dados estáticos e dinâmicos) através de ferramentas padronizadas e processos altamente automatizados.

“Ser a Seguradora Global de Confiança é a nossa Visão”

A MAPFRE é uma seguradora global com negócio em cinco continentes. De origem espanhola, desenvolve uma vasta atividade em todas as áreas do setor segurador há mais de 80 anos. Como nos descreve a evolução da empresa no mercado onde atua? Qual o segredo para quase um século de existência?
O “segredo” – como lhe chama – tem sobretudo a ver com o nosso modelo de negócio, muito assente em redes de distribuição fortes, com muita proximidade com os nossos clientes, o que impulsionou o nosso processo de internacionalização. Agora estamos, em conjunto com a nossa rede, a dar passos importantes tendo em conta o novo paradigma do mundo digital. Outro dos segredos é o forte compromisso social que sempre norteou a nossa companhia. Tal compromisso está bem evidenciado em diversos indicadores, como o facto de atualmente cerca de 98% dos 33.730 funcionários da MAPFRE em todo o mundo terem contratos por tempo indeterminado. Não podemos esquecer o nosso compromisso com a diversidade – 46,3% das vagas em postos de responsabilidade são ocupados por mulheres – e inclusão – as pessoas com deficiência já representam 3,3% do quadro total de colaboradores, tendo ultrapassado em 2020 a meta de 3% que o Grupo tinha fixado para o final de 2021. Cerca de 200 mil pessoas beneficiaram das ações solidárias realizadas por mais de 4.750 funcionários e familiares em 28 países, graças ao nosso programa de voluntariado corporativo, mesmo tendo em conta a situação pandémica que vivemos nos últimos dois anos. Se a tudo isto juntarmos o facto de o Grupo ter contribuído com 298 milhões de euros em impostos só em Espanha – cerca de 26,6% dos lucros – ficamos com uma boa ideia da natureza e do papel que a MAPFRE desempenha nos países onde opera.

Sabemos que apresenta vantagens aos clientes como saúde e bem-estar online, serviços de informação, proteção digital e assistência informática, entre outros. Para melhor compreender, de que soluções estamos a falar?
Falamos de uma proposta de valor para os nossos clientes diferenciadora, baseada numa relação de confiança, transparência e na prestação de um serviço de excelência. Com o programa de fidelização “Cuidamos de Ti”, os nossos clientes conseguem poupar nos seus seguros e obter serviços para si e para as suas famílias. São vários os serviços que disponibilizamos aos nossos clientes, de forma totalmente gratuita, e que são mais valias nos tempos que correm atualmente. Por exemplo, os nossos clientes podem usufruir do serviço de Proteção Digital e Assistência Informática (e que inclui a recuperação de dados, a localização de equipamentos, o anti cyberbullying), do serviço de Saúde e bem-estar online (consulta médica, segunda opinião, apoio psicológico ou orientação nutricional), de um atendimento a clientes premium, do serviço de aluguer de veículo com desconto e, ainda, a possibilidade de aderir ao cartão MAPFRE Bankinter Card (que dá direito a descontos em seguros). Fazemos um aconselhamento honesto, damos informação completa sobre as características e qualidade dos nossos serviços e produtos antes da contratação, cumprimos prazos e monitorizamos a nossa prestação de serviço através de inquéritos de satisfação aos clientes. Temos uma grande preocupação com a confidencialidade e a proteção dos dados dos nossos clientes. A rapidez na gestão e a resolução de reclamações através de canais de comunicação eficientes e adequados a cada situação, o respeito escrupuloso pelo código de conduta, a ética e a transparência, são outros elementos diferenciadores da nossa atuação.

É uma empresa que marca a sua presença em Portugal há 30 anos, contando com mais de 100 lojas a nível nacional. O que diferencia a MAPFRE das restantes seguradoras no mercado português?
Ser a seguradora global de confiança é a nossa Visão. E é com este objetivo que norteamos a nossa atuação ao longo das últimas décadas. Também em Portugal, a proximidade, integridade e compromisso são valores que nos levam a manter uma relação próxima com os nossos clientes, a um serviço de qualidade e a bons resultados, consistentes e com um caminho de crescimento contínuo. Os prémios da MAPFRE Seguros em Portugal atingiram os 138,8 milhões de euros, representando um crescimento de 1,7 por cento em relação ao ano anterior. Conseguimos superar o mercado no crescimento em prémios e a nossa operação foi capaz de responder aos desafios, de se adaptar e mesmo de melhorar alguns aspetos do seu desempenho. Considerando a totalidade das empresas do grupo MAPFRE Portugal, que incluem também a operação do Bankinter Vida Portugal e, mais recentemente, a nova joinventure com o banco Santander, os prémios ascenderam a 261,2 milhões de euros, com um resultado global de 15,8 milhões de euros. À semelhança do que foi adotado pelo grupo MAPFRE a nível mundial, também em Portugal foi ativado um plano com medidas especificamente orientadas para mitigar os efeitos da pandemia. A prevenção, a segurança e a responsabilidade social estão no nosso ADN, por isso colocámos até 90% dos colaboradores em regime de teletrabalho e fomos a primeira seguradora a obter, em Portugal, a certificação ISSO 22301 pela AENOR de “Gestão da Continuidade do Negócio”. Realizámos também doações diretas à sociedade, nomeadamente material e equipamento médico, oferecido aos hospitais de Santa Maria (Lisboa) e de S. João (Porto), e ações solidárias através do voluntariado corporativo MAPFRE, iniciativas que marcaram o exercício de 2020 em Portugal.

A missão primordial passa por uma melhoria constante dos serviços que oferecem, desenvolvendo cada vez mais uma relação sólida com os clientes. Para isso possuem valores como a integridade, inovação, sustentabilidade, entre outros. De que forma a marca tem vindo a assumir compromissos internacionais de sustentabilidade ao longo dos anos?
Construir um mundo melhor, mais justo, mais igualitário, mais próspero e mais seguro. É isto o que significa a sustentabilidade e o que queremos ajudar a atingir. Para isso temos que agir de forma equilibrada nos três pilares da sustentabilidade: ambiental, social e boa gestão. A nossa estratégia global de sustentabilidade passa por encontrar um equilíbrio a médio e longo prazo entre estes pilares, orientando o impacto da empresa na sociedade e identificando oportunidades de desenvolvimento sustentável para criar valor partilhado com os grupos de interesse e com a sociedade em geral. A nível internacional a MAPFRE aderiu ao Pacto Global da ONU, à Iniciativa Financeira do programa ambiental da ONU (UNEPFI), aos Princípios para a Sustentabilidade do Seguros (PSI), aos Princípios de Investimento Responsável das Nações Unidas (PRI) e aos Princípios da ONU Mulheres. Assumiu ainda o compromisso público de contribuir para a Agenda de Desenvolvimento 2030 da ONU.

Assim sendo, qual a importância para uma empresa como a MAPFRE caminhar lado a lado com a sustentabilidade e a neutralidade carbónica?
O Grupo MAPFRE está comprometido em reduzir a sua pegada de carbono até que a neutralidade nas emissões mundiais seja alcançada em 2030. Já no seu Plano de Sustentabilidade 2019-2021 estava definido o objetivo de se tornar uma empresa neutra em emissões de carbono em nível internacional até 2030. Em Espanha e Portugal, este objetivo será atingido este ano, o que tecnicamente se traduz num corte de 61% nas emissões de gases de efeito estufa. A MAPFRE figurou também no ranking mundial do Finantial Times, entre as 300 empresas que mais reduziram as emissões de gases com efeito de estufa entre 2014 e 2019. Além disso, destaco também o compromisso público de não investir em empresas em que 30% ou mais do seu volume de negócios seja proveniente de energia produzida a partir do carvão, e de não patrocinar a construção de novas infraestruturas relacionadas com minas de carvão ou centrais termoelétricas.

A MAPFRE atua em praticamente todo o mundo. De que forma é que cada país está preparado ou não para dar resposta às questões ambientais? Considera que estão todos no mesmo patamar de resposta?
De facto, nem todos os países onde a MAPFRE opera estão no mesmo patamar de resposta. As assimetrias são grandes e os interesses por vezes conflituantes, como ainda recentemente se constatou na reunião em Glasgow. Mas o importante é não desistir e continuar a lutar pelos objetivos definidos pela Organização das Nações Unidas. Os resultados da COP não foram os desejados, mas não houve retrocessos. Pela nossa parte, até pela importância que temos na sociedade, estaremos sempre na primeira linha de combate.

Certo é, o percurso para a sustentabilidade ainda é longo. No setor dos Seguros, onde o foco é gerir e assumir riscos, quais os maiores desafios que a MAPFRE encontra? E oportunidades?
O setor de seguros tem uma essência fortemente social e contribui decisivamente para construir um mundo mais sustentável. Em primeiro lugar surge desde logo a proteção das pessoas. Esta premissa é ainda mais forte em contextos mais difíceis e complexos, como na crise social e económica decorrente da pandemia, em que o seguro tem agido com responsabilidade e compromisso, sendo um aliado dos sistemas públicos de saúde e impulsionando programas solidários. Como especialistas em riscos, as seguradoras podem identificar riscos em questões ambientais, sociais e de gestão, contribuindo para evitá-los ou mitigá-los e ajudando o cliente a melhorar a própria gestão sustentável. O investimento socialmente responsável é outro ponto-chave da aposta dos seguros num mundo mais sustentável. Além da rentabilidade, há também preocupação com o impacto social e ambiental da nossa atividade empresarial. A colaboração com terceiros, para impulsionar ações sustentáveis é igualmente um dos aspetos em que o setor dos seguros tem um papel determinante, graças à sua relação estreita e capacidade para influenciar fornecedores, clientes, governos, autoridades, organizações não governamentais, fundações e outras empresas no domínio da sustentabilidade.

De que forma a MAPFRE combina todas as soluções que oferece com este caminho com a sustentabilidade? E como é que incentiva os seus associados a uma conduta mais consciente?
Para as empresas comprometidas com a sociedade, como é o caso da MAPFRE, ter um plano de sustentabilidade é fundamental para impulsionar o desenvolvimento dos países onde estamos presentes. É, sem dúvida, um exercício exigente, que implica refletir sobre o que devemos melhorar nos próximos anos e que nos obriga a cumprir com uma série de obrigações em diferentes países, e a trabalhar lado a lado com todos nossos públicos de interesse. Em 2019, a MAPFRE aprovou o Plano de Sustentabilidade 2019-2021, um roteiro transversal aplicado em todo o Grupo, com mais de 30 objetivos e linhas de ação específicas para avançar nos compromissos em termos ambientais, sociais e gestão, ou seja, em questões tão importantes quanto a luta contra as mudanças climáticas, a economia circular, a inclusão, a transparência, a educação financeira, a economia do envelhecimento, a Agenda 2030, a ética, o emprego, o voluntariado corporativo e o investimento socialmente responsável, entre outros. Posicionar a empresa como referência em transparência, sustentabilidade e confiança, fazer com que os clientes, funcionários e a sociedade identifiquem a MAPFRE como uma empresa comprometida com o desenvolvimento sustentável e, ainda, conseguir que os acionistas e investidores partilhem a nossa visão de criação de valor a médio e longo prazo, são outras linhas mestras do nosso plano. Segundo os especialistas, as empresas que contam com uma estratégia em sustentabilidade são mais competitivas, geram mais oportunidades, enfrentam os novos desafios com mais garantias e contam com melhor reputação.

Numa sociedade em constante mudança, que estratégia será adotada pela MAPFRE para o futuro a longo prazo no compromisso com a sustentabilidade que assume?
Em 2012, as Nações Unidas elaboraram os Princípios de Sustentabilidade em Seguros (PSI, na sigla em inglês) durante a Conferência Rio+20 da ONU. Tratava-se de fornecer um plano de ação global para que as empresas de seguros pudessem desenvolver e expandir soluções inovadoras de seguros e gestão de riscos, fundamentais para promover cidades sustentáveis, energias renováveis, segurança alimentar e comunidades mais resilientes a catástrofes, entre outros aspetos. Fátima Lima, diretora de Sustentabilidade da MAPFRE no Brasil, é a representante da companhia nesse importante organismo internacional. Foi recentemente reeleita membro do conselho mundial do PSI, cargo que exerce desde 2015. A integração das questões ambientais, sociais e de governança (ASG) no processo de tomada de decisão, a colaboração com nossos clientes, parceiros e demais stakeholders para aumentar a sua conscientização, administrar riscos e desenvolver soluções são os principais objetivos. Importa igualmente evidenciar a responsabilidade e a transparência, a divulgação pública e regular dos nossos progressos na implementação dos princípios. A MAPFRE participa regularmente na Assembleia Geral Anual, integrando um conselho formado por representantes de 140 países, que define e atualiza os princípios alinhados com a Agenda 2030 da ONU.

Enquanto representante de uma organização com a dimensão da MAPFRE, que mensagem gostaria de deixar aos leitores para que possamos alcançar o mais rápido possível a neutralidade do carbono?
Penso que a solução está, acima de tudo, naquilo que cada um de nós pode fazer para atingir esse objetivo. “A parte que nos toca” é o conceito assumido pela MAPFRE que se dirige a cada um de nós, às nossas ações, que representam a parte que nos toca entre os milhões de gestos e ações que se somam ao objetivo de proteger o nosso planeta, de garantir as necessidades do presente sem comprometer as gerações futuras. Para construir um mundo mais sustentável, mais justo, mais próspero, mais ético, mais igual, mais diverso, mais colaborativo e mais ecológico! Neste sentido, não posso deixar de recordar a célebre frase do antigo presidente norte-americano John Kennedy, no seu discurso de posse, em janeiro de 1961: “Não pergunte o que os Estados (Unidos) podem fazer por você, mas o que você pode fazer pelos Estados (Unidos)”.

 

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