Inicio Autores Posts por Beatriz Quintal

Beatriz Quintal

72 POSTS 0 COMENTÁRIOS

Piaget lança revista científica “Germinare”

Adicionalmente, a revista estará também aberta a toda a comunidade científica nacional e internacional, para que possa ter outros contributos externos. Coordenada pelo CIIERT – Centro Internacional de Investigação, Epistemologia e Reflexão Transdisciplinar do Instituto Piaget, a revista incluirá artigos em áreas tão diversas como Saúde, Educação, Psicologia, Gestão, Tecnologias, Educação Física e Desporto. Ou seja, as áreas principais que compõem a oferta formativa e de investigação do Instituto.

Todos os artigos submetidos para publicação estarão, como é habitual em publicações de carácter científico, sujeitos a um processo de avaliação pelo sistema double blind peer review realizado por especialistas externos ao Instituto Piaget. Uma forma de assegurar que todos os potenciais autores são tratados com total rigor e isenção.

O primeiro número da Germinare abre com três textos de opinião, da autoria, respetivamente, do presidente do Instituto Piaget, António Oliveira Cruz; do secretário-geral do Instituto; Rui Tomás; e do coordenador executivo do CIIERT, Luís Moreira. Seguem-se oito artigos científicos em áreas como o desporto e exercício físico, a música, a enfermagem e a inteligência artificial.

A edição inclui um artigo sobre as diversas etapas necessárias à redação de um artigo científico, o que pode ser uma ferramenta de grande utilidade para os alunos que estão a iniciar o seu percurso na investigação científica.

A ideia de criar uma revista científica – “um momento único”, como o classifica António Oliveira Cruz que traz à lembrança o “patrono” que deu o seu nome ao Instituto, Jean Piaget, “um dos mais modelares investigadores de todos os tempos” – aconteceu logo nas primeiras reuniões da nova equipa do CIIERT.

“Não se trata apenas de partilhar este conhecimento com um público cientificamente especializado, que o legitima, mas também de o levar a um público mais geral, cada vez mais interessado, ou seja, à sociedade civil, onde no final se aferem e refletem os seus impactos”, refere, por seu turno, Rui Tomás.

A Germinare foi, assim, construída de raiz, utilizando os recursos internos disponíveis e com uma equipa diversificada, que permitiu que o projeto visse agora a luz do dia. “Uma realidade que rapidamente se percebeu ter potencial para crescer além das suas fronteiras internas e, assim, contribuir de forma significativa para o desafio de gerar e divulgar o conhecimento científico”, complementa Rui Tomás.

“O lançamento da 1.ª edição da Germinare ocorre aproximadamente um ano depois de iniciado um novo ciclo de vida do CIIERT”, frisa o responsável deste Centro, Luís Moreira. Um ciclo – acrescenta – que fica marcado “pela redefinição da estratégia para a área da investigação no Instituto Piaget, cuja operacionalização passou, entre outros aspetos, pela reestruturação das estruturas de investigação em três Unidades de Investigação”: o LabEST – Unidade de Investigação em Empreendedorismo, Sociedade e Tecnologia; o KinesioLab – Unidade de Investigação em Movimento Humano; e a RECI – Unidade de Investigação em Educação e Aprendizagem ao Longo da Vida.

A Germinare está acessível através do link https://germinare.ipiaget.org.

A Missão: Erradicar o Tráfico Humano

O Projeto Insight tem como missão dar voz à comunidade Luxemburguesa, de maneira a conseguir vingar nos direitos dos mais desfavorecidos. Como e quando surgiu a vontade de realizar um projeto tão nobre como este?
O tráfico de seres humanos é uma realidade com um impacto económico comparável ao do tráfico de armas e de droga. Estima-se que por ano sejam traficadas milhões de pessoas em todo o mundo. As últimas estatísticas da Organização Internacional do Trabalho estimam mais de 40 milhões de pessoas em situação de escravatura moderna. Como advogada de direitos humanos, estive a colaborar com diferentes ONGs na luta contra o tráfico humano na Índia, Uganda e Gana por mais de cinco anos. A minha experiência mostrou-me que do pobre ao rico, do analfabeto ao letrado, todos estão em risco de serem traficados (mesmo crianças e adolescentes através da exploração on-line) e necessitam de ser resgatados do cativeiro onde se encontram. O Luxemburgo não está imune a este fenómeno o que traz consequências problemáticas como: o crime organizado, a exploração sexual e laboral, violações de Direitos Humanos e quebra de suportes familiares e comunitários. Por isso em 2020 foi establecida no Luxemburgo a associação The Insight Project Asbl.

É um projeto que intervém diretamente na comunidade das pessoas mais vulneráveis do Luxemburgo, com o propósito de prevenir situações de tráfico de pessoas. Que passos serão imprescindíveis neste caminho?
Para além de ações de consciencialização em escolas, empresas, na comunidade local e divulgação nas redes sociais (através das quais já duas vitimas de tráfico humano nos contactaram), a nossa equipa de voluntários tem um contacto direto com profissionais da indústria do sexo, procurando dar-lhes oportunidades de saída, bem como, uma espaço de permanência semanal onde as nossas beneficiárias podem aprender francês, inglês, preparar o CV, obter aconselhamento jurídico e psicológico. Este espaço possibilita um aprofundamento de relacionamento com os mais vulneráveis e identificação de possíveis casos de tráfico humano ou em risco.

Afirmam acreditar que a comunidade do Luxemburgo unida e em ação pode fazer a diferença. De que forma sensibilizam os luxemburgueses a aderirem a esta atividade? Qual o processo desde o seu começo até à sua realização?
Para se atuar e combater este fenómeno a nível nacional, é exigido o seu conhecimento. Mais conhecimento significa uma melhor e maior adequação e adaptação das políticas de intervenção. Consideramos de extrema importância falar sobre este tema, de forma que possa haver uma maior consciencialização do problema, entender que não acontece só em países longe do Luxemburgo, mas pode estar mesmo na porta ao lado, e como podemos agir de forma correta caso estejamos perante um caso destes. Temos diversas campanhas de prevenção para crianças, adolescentes e jovens apoiados pelo projecto In: Cubator (Service Nationale de la Jeunesse – Ministèrio da Educação). Para o público geral temos ainda diversas ações de divulgação e conscientização e organizamos no Luxemburgo a caminhada pela liberdade que é organizada mundialmente pela ONG A21. No ano de 2020, no âmbito do Global Freedom Summit, convidamos os nossos parceiros institucionais e não-governamentais para um colóquio sobre a situação do tráfico humano no Luxemburgo. No seguimento da dita conferência, foram enviadas diversas cartas à Ministra da Justiça do Luxemburgo, Mme. Sam Tanson. Estamos ainda a preparar uma questão parlamentar relativamente à inexistência de investigação contra a sociedade Luxemburguesa que detém a plataforma on-line “PornHub”, que tem sido alvo de investigação por parte de autoridades judiciais estrangeiras por facilitarem a divulgação de material de imagens pornográficas infantis; e uma outra relativa à aplicação de penas mais severas para os traficantes condenados.

Quais os maiores desafios/obstáculos que encontram na hora de colocar o projeto em prática?
Acreditamos que não existe um efetivo bloqueio ao tráfico humano no Luxemburgo, nomedamente, pelas sentenças a que os traficantes condenados estão sujeitos. No Luxemburgo em 2018, quatro traficantes receberam sentenças parcialmente suspensas e foram condenados com penas de prisão entre 12 e 18 meses. Em média, os traficantes foram condenados a 15 meses de prisão. Um decréscimo visto que em 2016 a média de condenações foi de 19,75 meses. É imprescindível o trabalho com os tribunais por forma a que estes comecem a proferir sentenças mais pesadas e mais próximas da pena máxima prevista no enquadramento jurídico-penal luxemburguês de dez anos por forma a podermos deter o crime de tráfico humano.

O que, na opinião da Marta Ventura Correia, ainda falta para que no Luxemburgo se consiga efetivamente chegar a uma igualdade social e erradicar o tráfico humano?
Apenas podemos combater um crime económico como o tráfico humano se aumentarmos o risco de prisão, de arresto de bens, de reputação e diminuirmos a procura desses mesmos produtos ou serviços através das nossas escolhas de consumo consciente e responsável. A União Europeia está efetivamente a dar passos para que o setor empresarial a atuar no espaço europeu seja responsável por auditorias internas relativas ao cumprimento dos direitos humanos na empresa, bem como ao nível dos seus fornecedores e prestadores de serviços sub-contratados. A pressão pública e mediática, juntamente com este novo enquadramento legal a ser implementado pela União Europeia, e penas efetivas e severas para os traficantes condenados, pode levar à erradicação do tráfico humano no Luxemburgo.

Quais as maiores diferenças que nota no país onde atuam desde o começo do projeto até à data de hoje?
Hoje a realidade é diferente de quando começámos. Notamos que as vítimas conhecem melhor os seus direitos, a comunidade local está mais informada sobre a realidade escondida do país, dos riscos de abusos de crianças e adolescentes on-line, mas ainda há muitos que se encontram alheados desta realidade. Isto pode levar a que os casos de tráfico humano se multipliquem uma vez que há uma coisa importante a reter: o tráfico humano confunde-se com muitos outros crimes. Por vezes parece rapto, auxílio à imigração, prostituição, abuso infantil. Sendo difícil de provar é também difícil de incriminar. Necessitamos de uma comunidade local que denuncie, de autoridades judiciárias que investiguem, de serviços sociais que apoiem os sobreviventes e de juízes que apliquem penas severas que deverão ser divulgadas através da comunicação social.

Sabemos que a pandemia da Covid-19 afetou um pouco o mundo inteiro. Acredita que este vírus veio reforçar ainda mais as desigualdades no Luxemburgo? Que mudanças tiveram que ser realizadas no Projeto Insight de maneira a ir ao encontro das “novas” necessidades?
Ainda que não existam estatísticas disponíveis, acredito que a pandemia da Covid-19 aumentou os casos de pobreza escondida no Luxemburgo. Não obstante a tentativa do governo em auxiliar, muitos foram os pedidos que nos chegaram de pessoas vulneráveis e não documentadas no Luxemburgo que precisavam de pagar renda, pagar as contas e comprar comida. Auxiliámos como pudemos e distribuímos comida. Mas nem sempre a nossa intervenção de prevenção chegou a todos. Foram duas as mulheres que conhecemos nas ruas do Luxemburgo que se começaram a prostituir por forma a poderem comprar comida e pagar as contas. Cumpre dizer que, após a nossa assistência, ambas estão neste momento a trabalhar como empregadas de limpeza e fora da prostituição forçada a que a situação económica provocada pela pandemia as tinha levado.

Recentemente, nos dias 16 e 18 de outubro, realizaram duas manifestações no combate ao tráfico humano e de mão de obra. Qual a importância deste tipo de movimentos? Que projetos futuros podemos esperar nesta luta que ainda agora começou?
No dia 16 de outubro foi realizada a campanha pública de sensibilização e prevenção do tráfico humano: Walk For Freedom, foi realizada no Luxemburgo e noutros 70 países por todo o mundo. Caminhámos de forma silenciosa no Luxemburgo por todas as vítimas de tráfico humano. Por mais de 40 milhões de pessoas que neste momento estão privadas de um dos direitos básicos de todos os seres humanos – a liberdade. No dia europeu contra o tráfico humano, 18 de outubro, juntámo-nos ao European Freedom Network, para a divulgação da campanha on-line de erradicação da exploração forçada de trabalho, um dos tipos de escravatura moderna, que existe no Luxemburgo. Vamos continuar a caminhar pela liberdade de todos aqueles que se encontram privados dos seus direitos, a erguer a nossa voz nas redes sociais, no parlamento e nos tribunais por quem não se pode defender. A escravatura não é algo apenas do passado. Infelizmente ainda é uma realidade mas juntos podemos colocar-lhe um fim.

Por fim, e de forma a difundir cada vez mais o Projeto Insight, como é que o público pode contribuir e ajudar nesta batalha que deve ser travada por todos?
Apoie iniciativas que já trabalham contra a escravidão, seja voluntário de uma das nossas atividades:

  • Apoio e aconselhamento;
  • Formações de reabilitação e reintegração na comunidade (aulas francês, inglês, informática, etc.);
  • Campanhas de consciencialização;
  • Eventos de angariação de fundos.

Escolha apoiar financeiramente um dos nossos projetos. Opte por um consumo consciente e responsável. Escolha comprar produtos ‘comércio justo’, faça compras eticamente corretas. Pesquise sobre os produtos para garantir que são produzidos por um adulto que tenha salário e condições de trabalho dignas.
Denuncie atividades suspeitas – podem sempre contactar-nos através do +352 621637637, através das nossas redes sociais @InsightLuxembourg ou email contact@theinsightproject.org.

A Importância de Acreditar: “Acreditem que com determinação e responsabilidade conseguem conquistar os vossos sonhos e objetivos”

A Rute Serra é Mestre em Direito, Pós-Graduada em Gestão Pública sendo que, atualmente, ocupa o cargo – tão importante – de Subinspetora-Geral das Atividades em Saúde. Como nos pode descrever o seu percurso profissional ao longo dos anos?
Iniciei o meu percurso profissional na década de 90, na iniciativa privada, o que hoje considero ter sido uma experiência bastante importante e que moldou indelevelmente o meu estilo profissional. Quando, há quase 25 anos, ingressei na Administração Pública, ainda existiam resquícios de uma administração de cariz burocrático, que antecedia o processo de democratização que o país conheceu a partir do 25 de abril, desfasada, portanto, da realidade que as empresas já conheciam e à qual procuravam adaptar-se. Este embate impactou, naturalmente, uma jovem recém-licenciada, incensada por todos os sonhos possíveis e impossíveis. Convenci-me nessa altura, que podia e devia dar o meu contributo efetivo ao novo desafio que abraçava. Naquele tempo, a formação inicial de um novo quadro da Administração Pública focava de modo incisivo na importância e no relevo que assume na sociedade, o exercício de funções públicas. Ser funcionário público, apesar da conotação tantas vezes (injustamente) negativa, representa uma responsabilidade acrescida, para com todos os cidadãos contribuintes. Assisti, durante aqueles primeiros anos na Administração Pública, ao esforço que se fez para aproximar a ação pública da gestão privada, com base nas teorias da Nova Gestão Pública, que incorporou, talvez com excesso de rapidez e déficit de planeamento, noções básicas da gestão, e, mais importante, procurou recentrar a ação pública naquele que deve ser o seu desígnio fundamental: a criação de valor, de modo a satisfazer eficazmente o interesse público e as necessidades coletivas dos cidadãos. Desempenhei funções em várias entidades, sempre com responsabilidades acrescidas, em especial quando, a partir dos 31 anos, fui pela primeira vez dirigente. Contudo, é importante dizer que como acontece com qualquer percurso profissional, público ou privado, existem momentos em que o esforço que imprimimos não é suficiente para evitar percalços. O que importa é que ao deparar-nos com óbices, sejamos capazes de nos reinventar, porque o ser humano possui uma quase infinita capacidade de adaptação que, nessas alturas, tem que ser ativada.

Sabemos que já exerceu os mais variados cargos em inúmeras áreas. O que queremos saber é, qual é realmente o seu sonho? O que ainda está por realizar?
Ao longo destes quase 25 anos de carreira na Administração Pública, apesar das várias organizações que integrei e das suas especificidades, em comum existe o facto de a área de atuação ser, com poucas variações, idêntica: a da inspeção, fiscalização e auditoria públicas. Neste momento, em face desta experiência acumulada, e por ter percebido existir uma lacuna editorial no que a esta área da Administração Pública diz respeito, decidi iniciar um projeto com vista à edição de uma obra que venha a ser um referencial sobre a atividade de controlo do Estado, útil para as novas gerações de trabalhadores das carreiras especiais.

Quais são as características que considera fundamentais para se alcançar todo o sucesso que já atingiu até à data?
Manter o foco nos resultados que se procuram atingir é essencial. Por outro lado, ter paciência e determinação, para lidar com os momentos em que parece que afinal não vale a pena o esforço. Ter coragem de assumir desafios, interiorizando o estímulo e percebendo que só por isso, se exige uma responsabilidade de comprometimento pessoal acrescida. Manter sempre a resiliência perante os escolhos e a convicção suficiente nas próprias capacidades e competências, com a humildade necessária.

A igualdade de género continua a ser um tema bastante debatido e o qual merece a nossa devida atenção. Sendo uma profissional que há muito ocupa cargos de liderança, enfrentou obstáculos acrescidos pelo facto de ser mulher?
Tenho alguma dificuldade em aceitar que este tema da igualdade de género ainda seja, no século XXI e num país com uma democracia consolidada, uma questão. Mas o facto é que ainda existem disparidades inaceitáveis, e que devem ser, naturalmente, reprimidas. Porém, talvez por sorte no acaso, raramente senti que o facto de ser mulher fosse um obstáculo ao exercício de cargos de liderança. A conduta profissional (e pessoal) que adotamos é fundamental para a credibilidade que apresentamos e foi essa preocupação, que mantive sempre, que julgo ter sido conveniente, naqueles momentos em que pressenti que o meu género, podia potencialmente ser indevidamente utilizado, para inibir a minha competência.

O que significa para a Rute Serra tudo o que já conquistou? Quão gratificante é olhar para trás e ver que está a deixar a sua marca especialmente no mundo feminino?
As conquistas pessoais são marcos importantes de um percurso, que ainda não chegou ao fim. São momentos em que vemos recompensado o esforço e muitas vezes, a ousadia. Representam um certo alimento anímico para continuar, mas não devem ser sobrevalorizados, a ponto de nos tentarmos à acomodação. Essa sim, é perigosa. Desde logo porque nos incute uma falsa sensação de objetivo cumprido. O objetivo só está totalmente cumprido no dia em que decidimos que o que podíamos fazer, está feito.

Avaliando o seu percurso, foco e determinação são duas características que facilmente descrevem a Rute Serra. Assim, o que a motiva diariamente a cumprir com os objetivos a que se propõe?
Como disse antes, a certeza de que o objetivo só está totalmente cumprido quando decidimos que o que podíamos e devíamos fazer, está feito. Dou um exemplo: sou uma leitora compulsiva e há muito que a ideia de escrever um livro de ficção me tinha surgido. Quando a história me apareceu, decidi que nada me impedia de tentar. Escrevi o livro: “A Assassina da Roda”, baseado na história da última mulher executada em Portugal, no século XVIII, que foi editado em fevereiro de 2020 e este ano, depois de ter sido por mim adaptado, estreou no Teatro da Trindade, em Lisboa. É este o impulso diário: decidir que vou fazer.

Sendo um exemplo de liderança feminina, que mensagem gostaria de deixar a todas as mulheres que, como a Rute Serra, gostariam de trilhar o seu caminho rumo à conquista pessoal e profissional?
A mensagem pode ser reduzida a uma palavra: acreditar. Acreditem sempre que conseguem, que podem, que merecem. Acreditem que com determinação e responsabilidade conseguem conquistar os vossos sonhos e objetivos. Acreditem que podem ser e fazer o que se propuserem, mesmo que o caminho não seja sempre a direito. Acreditem, assim, que merecem todo o sucesso que alcançarem.

Devido aos limites que a sociedade ainda impõe, é fácil para uma mulher conciliar uma carreira profissional de sucesso com a vida pessoal? Ou é necessário abdicar ou descurar de uma em detrimento da outra?
O mais saudável será sempre, a todo o tempo, perceber quais são as prioridades. De facto, a longa manus da sociedade neste aspeto é ainda muitas vezes um fator de pressão e de depressão para as mulheres. Compete-nos a nós equilibrar a ambição de corresponder sempre, porque a única consequência será esbarrar na realidade.

“Innovation is at the heart of our development strategy, and part of our DNA”

WEALINS is an company with experience and pan-European know-how in the development of cross-border solutions, present in nine European markets. Celebrating almost 30 years of history, and being a leading player within the life insurance sector in Luxembourg, how do you describe its evolution in the sector? What features does it have that differentiate it from the rest?
The evolution of WEALINS in the insurance sector has been very positive and we can tell a success story. In recent years, the company has been increasing its share in the various markets where it is present, including being the market leader in some of them. Although 2020 was an atypical year, marked by the COVID-19 crisis, WEALINS registered growth of almost 70% compared to 2019, with a production of 1.7 billion euros. And I can say that 2021 is being a very positive year too. WEALINS has several characteristics that differentiate it from the rest, but I believe that the most important are the fact that we belong to a solid group with a unique DNA, which exists for almost 100 years and a solvency ratio of over 200% – o Foyer Group -, and having as one of our pillars the maintenance of an excellent quality of service to our partners and clients as well as having flexibility and adaptability to changes and challenges in the sector.

WEALINS solutions are offered to clients residing in Belgium, Spain, Finland, France, Italy, Norway, Portugal, Sweden, and of course Luxembourg – where the head office is located. Focusing on Luxembourg, what is the importance of, regarding the quality of life of residents, enjoying political, economic, and social stability? What are the solutions and advantages WEALINS can offer as a Luxembourg pure player?
WEALINS is a company specialised in the development of tailor-made life insurance and capitalisation solutions on 9 European markets. We are a Luxembourgish pure-player mostly because we belong to Foyer Group, the first privately-owned group in Luxembourg, historical leader of the local insurance market since 1922, independent of any international financial institution. For WEALINS, the advantage is that it is a family, stable and independent shareholding. Generally speaking, Luxembourg is recognised for its exemplary political, economic and social stability (triple A rating, constant growth above the European average), a culture of stability that reassures investors. Furthermore, the Luxembourg life insurance contract as offered by WEALINS offers multiple advantages, including: the strongest policyholder protection regime in Europe (with the security triangle) in Europe, the access to a wide range of underlying assets and the tax neutrality.

It is a company that seeks to innovate its solutions without ever neglecting sustainability, thus adhering to the social and Corporate Responsibility (CSR) Strategy. As Luxembourg is a country oriented towards the future of innovation and sustainable finance, do you think that it is precisely these issues of innovation and sustainability that make WEALINS a leader in its sector? In what way?
We are attentive to the market trends and to the needs of our partners and their clients.  Innovation and sustainable finance are indeed two trends that are attracting strong interest. Foyer Group and WEALINS have always adopted a CSR approach and employees are involved through dedicated working groups. Foyer Group has recently obtained the ESR (Socially Responsible Enterprise) label issued by the INDR (National Institute for Sustainable Development and Corporate Social Responsibility). Our next challenge in this area is to find ways to combine the ESG (Environmental, Social and Governance) preferences of our individual clients with a strong corporate conviction, as well as the development of ESG criteria.

As a company that focuses on an approach of exclusive partnerships and offering life insurance solutions, what are the biggest challenges you face when you are headquartered in a country like Luxembourg? With increasing competitiveness, what gaps remain to be filled to continue along the path that has been traced so far?
We are indeed operating from Luxembourg. Our teams are multilingual and multi-disciplinary, allowing us to capitalise on synergies of competences and expertise (financial, legal, wealth planning, commercial, sales support, back office) in all our markets. Our understanding of the specificities of each market in which we are active enables us to support each partner and their clients in the best possible way. We are recognised for our operational excellence and our partners acknowledge the responsiveness and professionalism of our teams. This is a real added value compared to our main competitors. We have developed a relationship of trust with our partners that allows us to understand and respond perfectly to their concerns. The year 2020 could have questioned this partnership approach with the Covid-19 crisis. In reality, we have been able to adapt quickly, for example by implementing new procedures and adopting new digital tools, in order to remain close to our partners. In times of uncertainty such as 2020, our partners have been able to turn to the companies they trust the most. We have thus had a record year in 2020 in terms of collected premium, notably because of the loyalty of our partners, as well as the flexibility and adaptability that we have shown. The challenge now (which we are taking up) is to maintain this quality of service on a daily basis.

Luxembourg is recognised as the 1st cross-border life insurance distribution in Europe. Thanks to the portability of contracts, WEALINS supports the client according to changes in their family environment and professional situation in various countries. How does it work in practice?
In fact, the service we offer to our partners and clients, includes supporting a client who, for professional, personal or family reasons, has to change his country of residence. And because of it, WEALINS works with an independent network of specialists to be sure our products are always in compliance with the legislation of the client’s new country of residence. This is known as the portability of the contract meaning that the Luxembourg life insurance contract can accompany the policyholder when he moves. In practice, whenever a client already has contracted a WEALINS solution and decides to change his tax residence, our range of services exactly covers the analysis of any necessary changes in the new jurisdiction, so that the contracted product maintains its classification as ” life insurance”, fully adapted as such to the law in force in that country, that is, with the necessary shielding to do so.

The company’s contracts have the particularity of easily adapting to the legal and tax restrictions applied in each country. Is all this flexibility that WEALINS offers that dictates the quality of its services, making it, of course, a center of excellence in cross-border insurance?
Correct. In addition to our internal product development teams that are always attentive to tax, legislative or other changes that exist either locally in the markets where we provide solutions, or at European level, we also work with legal and tax specialists who validate that all our products are always in accordance with the legislation applicable to the sector in which we operate.
After all, we cannot forget that life insurance is a long-term product and as WEALINS is an international company operating in Europe through the free provision of services, compliance with the law of all the solutions we provide is essential for our partners and clients.

It has a “Security Triangle” mechanism, which offers the client one of the most solid security frameworks in Europe. How does the company help in this regard? What are the procedures?
The prudential rules on life insurance in Luxembourg are a unique safety reference model in Europe. The supervision of the insurance sector is carried out by the Commissariat Aux Assurances (CAA), the Luxembourg insurance company regulatory authority.The policyholder of a Luxembourg life insurance contract benefits, thanks to the specific Luxembourg regulatory framework, of triple protection: segregation of underlying securities from other company assets; quarterly control by the CAA of the balance between technical provisions and underlying assets; the “Super-privilege” in the event of company default: the policyholder of a Luxembourg insurance policy is a privileged first-degree creditor of these assets. The “Security Triangle” mechanism is actually a tripartite convention between the insurance company, the bank and the regulator (CAA). Luxembourg companies must deposit the underlying securities with an authorized credit institution in accordance with the conditions established by the CAA. The deposit of titles can only be made after the signature and approval by the CAA of this tripartite agreement. The purpose of this tripartite agreement is threefold: firstly, it ensures that deposits of assets underlying technical provisions (Regulated Assets) are clearly segregated from the insurance company’s other assets (Free Assets), it also ensures that these assets are not encumbered by any security, pledge or lien other than that of the insured and if a company defaults, the CAA can block its accounts to protect the rights of policyholders.

What are the tax advantages that a life insurance company like   WEALINS can offer?
Exactly the same as any existing life insurance in the countries where we are offering solutions. Although our insurance is provided by a Luxembourg company, WEALINS, it always respects the tax law, as well as the law applicable to the life insurance sector in the country where we sell it. For example, life insurance in Portugal may benefit from decreasing taxation according to the duration of the contract, provided for in the PIT Code (one or three-fifths of income are excluded from taxation, if redemption, advance, redemption or other form of anticipation of availability, as well as expiration, occur after the first five or eight years of the contract). Our life insurance contract dedicated to the Portuguese market (Wealins Life Portugal) benefits from exactly the same. Hence, it is important that all our insurances always comply with the law of the Client’s country of residence.

Why is it important for everyone to have a wealth insurance in a country like Luxembourg? What added value does WEALINS offer?
There are several reasons that lead a client to subscribe a life insurance contract in Luxembourg. However, I consider that the major ones are the security that the “Security Triangle” mechanism offers to investors, the fact that Luxembourg is one of the few countries in the world that still maintains a AAA rating, the possibility to be planned succession through a life insurance and of course the tax advantages that this product has. The life insurance policy is an instrument perfectly adapted to the needs of wealth and succession planning. For WEALINS, it is an instrument that allows policyholders to transmit their assets safely and in accordance with their wishes. Our added value is the know-how of nearly 30 years and our existence and experience in marketing and developing this type of solution, as well as the excellence of our service, recognized by our partners

Technology is fully rooted in the lives of people and companies. How relevant is it to go hand in hand with innovation and the digital transition in life insurance? What are the biggest changes the company has seen in this regard?
Innovation is at the heart of our development strategy, and part of our DNA. WEALINS teams are playing an active role in our digital transformation and actively participating in the various digitalization projects. The Covid-19 crisis in 2020 has been a real facilitator of the digital transformation within the wealth insurance industry. Nevertheless, we did not wait for the crisis to start our digital transformation, with the objective to meet the expectations of our partners and their clients who are looking for a more flexible digital offer. Our approach is to simplify the subscription process while taking into account the specific needs of each client for whom we develop tailor-made solutions.

Finally, what innovations and new projects are being designed for the future of an increasingly innovative sector? Is Luxembourg one step ahead of these trends?
Digitalisation will continue to play an important role in the coming years. At WEALINS we are currently working on the digitalisation (underwriting and all online operations) of our insurance contracts in all the markets in which we are active.

No universo que Inspira e Motiva Olga Insua, o fator-chave é só um: as pessoas

O caminho traçado por Olga Insua passou já por vários campos de ação, o que lhe confere, hoje em dia, um enorme poder de encaixe e liderança, tornando-a numa profissional e mulher com um valor inqualificável. Desta forma, importa perceber quais os fatores-chave durante todo este processo, quais as metas traçadas, bem como as razões que a motivaram a tomar certas decisões, e ainda a importância cada vez mais de se falar numa temática tão relevante como a liderança feminina.

A importância de existir uma marca como a Angelini Pharma
Já com 40 anos de existência em Espanha, a Angelini Pharma atua no campo das ciências sendo uma marca especializada nas áreas da esquizofrenia, depressão e brevemente, na epilepsia. Foi pelas palavras da Diretora Geral, Olga Insua, que conhecemos o foco principal: Brain Health. Assim, e primando acima de tudo pela saúde dos pacientes, a nossa entrevistada confere que “a Angelini Pharma irá doar 35 milhões de dólares americanos para a Fundação Angelini Lumira Biosciences e seremos o único investidor numa fundação que investe em companhias que tem investigação em fase inicial nas áreas de distúrbios de saúde como o sistema nervoso central e doenças raras”.
Dentro de uma empresa desta dimensão, e para que a missão nunca deixe de ser a qualidade de vida dos doentes, as pessoas são um fator-chave. “Aqui presamos muito os nossos colaboradores, as pessoas que trabalham com dedicação e paixão para melhorar a saúde dos doentes que procuram uma melhor qualidade de vida para resolver as doenças que têm”, garante Olga Insua.
Certo é, esta é uma farmacêutica que já abrange um mercado de grande escala, o que acresce uma maior responsabilidade a todos os que ali trabalham. Nesta que é uma área tão necessária a toda a sociedade, a interlocutora não hesitou quando questionada acerca do segredo para todo o sucesso: a ciência e as pessoas. “A ciência é o que nos traz as soluções para milhões de pessoas que sofrem e dependem da inovação e do desenvolvimento da indústria farmacêutica. E as pessoas que trabalham aqui na Angelini são muito dedicadas de forma a conseguirem trazer alta qualidade com estas soluções, e fazê-las chegar às pessoas que precisam, e esse tem de ser o segredo do nosso êxito”, garante.
Para além da Brain Health, a Angelini atua também na área do autocuidado de saúde, onde trabalha com os farmacêuticos, de forma a promover a saúde, a prevenção e a autorresponsabilidade. “Também temos investigação na área das doenças infeciosas e em termos de futuro estamos comprometidos com o nosso crescimento”, sustenta a interlocutora.
Aqui é fundamental também falar sobre uma boa gestão e estratégia, e neste campo, a da Angelini Pharma passa por uma forte aposta na internacionalização em países com alto potencial de crescimento, o que acarreta um desafio acrescido. “No início de 2021 estávamos a marcar presença em 25 países, e com esta compra há muito desafio, e o maior está na integração das empresas, tanto a nível de cultura, de know-how e também dar a conhecer a Angelini nesses países”, conferiu a entrevistada.
Sendo uma marca que em muito se diferencia das restantes, e com um mindset distinto dos demais, o foco da equipa centra-se, segundo Olga Insua, em dois pontos principais: “Primeiro o espírito de transformação que nós temos, trabalhamos como uma companhia moderna, inovadora, com a missão de trazer soluções a todas as pessoas que precisam dos nossos medicamentos, e em segundo ser um ótimo sítio para trabalhar”. Enquanto equipa de excelência, implementaram uma forma ágil de trabalhar à qual deram o nome de “PLAY”, que significa Priorizar, Liderar, Alinhar e You-Learn. Segundo a entrevistada, “com este sistema temos trabalhado a comunicação rápida, transparente, quebrámos a hierarquia, para resolvermos os problemas de maneira rápida e acelerar o nosso impacto no dia a dia”, sublinhando ainda que “trabalhar desta forma é muito apaixonante”.
São vários os motivos que preenchem de orgulho a Diretora Geral desta marca, mas o maior deles é a diversidade de género pela qual primam, uma vez que “a equipa diretiva em Espanha tem 65% mulheres e 35% de homens, sendo que em Portugal a Angelini Pharma conta com 63% de mulheres na equipa”, assegura.

Ser uma profissional e líder de excelência: uma luta que nunca termina
Sabemos que Olga Insua possui já uma vasta experiência profissional com objetivos inovadores e dinâmicos, e é precisamente com orgulho que descreve a sua trajetória, não sendo ela uma trajetória tradicional. Fruto do seu espírito aventureiro, a interlocutora nunca teve medo de correr riscos: pelo contrário, eram eles que lhe davam gozo. Assim, afirma que “esta forma de ser tem-me ajudado a ser flexível, identificar oportunidades e ter essa coragem de procurá-las, sabendo que vou entrar em áreas que não conheço”. A jornada profissional de Olga Insua começou em 1997, numa companhia Suíça (Novartis) onde permaneceu durante 12 anos. Este foi o local que garante ter sido onde aprendeu as bases daquilo que é trabalhar no mundo farmacêutico, isto porque “existe aqui uma grande importância de colocar o paciente como o foco de tudo o que fazemos. Se pusermos o doente no centro, tudo o resto se alinha”, sustenta.
Passados estes 12 anos, e sendo a transformação o nome do meio da nossa entrevistada, surgiu a oportunidade de mudar de companhia, desta vez para uma Dinamarquesa (Novo Nordisk). “A razão da mudança prende-se com o facto de que para mim uma pessoa tem de estar a crescer, em constante evolução. E foi isso que me chamou à atenção nesta nova empresa. Era uma companhia que estava em transformação”, confessa Olga Insua.
Quatro anos depois de laborar nesta companhia, foi convidada a trabalhar na sede global da mesma, onde garante ter sido a missão que mais lhe ensinou sobre liderança, porque segundo a mesma “foi preciso ter muita escuta ativa, entender os objetivos, a minha equipa era internacional, portanto culturalmente havia muita diversidade, e as motivações dessas pessoas não são as mesmas então as maiores lições que tiro daí são entender as motivações de cada um”.
A verdade é que nada acontece por acaso, e muito do que aprendeu nessa fase, aporta valor na função que hoje desempenha. A nível da linguagem, sabemos que a mesma não é igual quando se fala com médicos, com doentes, com políticos, com as autoridades e até mesmo com a equipa que se tem em mãos, o que conferiu à nossa interlocutora uma flexibilidade que atualmente lhe é uma mais-valia. Com o grau de excelência e profissionalismo que todo o caminho trilhado até então lhe ofereceu, a companhia elegeu Olga Insua como Diretora Geral, e segundo a mesma, “foi aqui que pude aplicar a liderança, mas também uma transformação cultural da empresa”.
Mais tarde e já a falarmos do presente, surgiu a oportunidade de integrar uma companhia em Espanha, a Angelini. Aquando da sua entrada nesta nova etapa, enquanto Diretora Geral da farmacêutica do grupo, a entrevistada assume que à data era uma empresa que “se seguia por padrões muito tradicionais, então sabia que precisava aqui de uma transformação. A empresa reconheceu que se queria ser líder em Brain Health e doenças raras, não era da forma mais tradicional que iria promover isso no futuro”.
Engana-se quem diz que a experiência não é o melhor aliado dos bons líderes, porque foi precisamente essa ferramenta que motivou Olga Insua a integrar a Angelini, no sentido de promover uma transformação cultural e empresarial. Após dois anos a assumir um papel fundamental naquela que é agora a sua segunda casa, a Diretora Geral confessa orgulhosamente que “hoje somos uma companhia muito versátil, estamos a trabalhar com muita energia, e a chegar aos resultados de uma maneira ágil e flexível.”
Enquanto líder, guia-se por valores como o respeito, conexão, mente aberta e empatia, uma vez que para Olga Insua, o mais importante neste cargo, é ser também um exemplo. “Liderar como exemplo, permitir que me engane porque as coisas nem sempre vão funcionar bem e está tudo bem com isso, o importante é o que fazemos para retificar”. Neste sentido, a função da mesma assume três responsabilidades cruciais: apoiar, desafiar e eliminar barreiras. Segundo a líder, é importante ajudar as pessoas que com ela trabalham mantendo um elo de ligação sólido com as mesmas.

Empoderamento feminino, qual é o caminho?
Acima de uma líder poderosa, está uma mulher corajosa e humana. Assim, para Olga Insua, quando se fala de liderança e empoderamento feminino, o foco passa por eliminar o modo tradicional onde “o líder manda e o colaborador faz, isto já não existe”, assegura. Para a nossa entrevistada, a auto-organização, a autorresponsabilidade e a confiança, permite que as pessoas sejam criativas, motivando claro, uma inovação dentro do círculo que lidera. “Enquanto líder, estamos todos no mesmo patamar, não existem hierarquias. A equipa trabalha toda para a mesma direção, todos temos o mesmo objetivo”, garante Olga Insua.
Isto leva-nos a outro limiar que é a abertura de portas, a boa comunicação e a boa gestão de uma empresa. Na Angelini as pessoas sentem que não estão meramente a trabalhar, mas sim que acrescentam valor enquanto seres humanos, quem o sustenta é a Diretora Geral, que tem vindo a “identificar talento de pessoas e principalmente nas mulheres que com esta transparência, se sentem à vontade para dar o seu parecer”.
Certo é que a problemática da igualdade de género é cada vez mais merecedora de atenção, e para Olga Insua, uma mulher que há muito ocupa cargos de liderança, o mais importante é ter consciência. “Tenho que ter consciência de como sou percebida, tanto como trabalhadora, mas também como mulher”. Assim, alguns dos obstáculos pela qual a interlocutora se tem visto obrigada a lidar durante a sua trajetória prende-se com uma maior exigência no que toca, por exemplo à criatividade. Garante que as mulheres precisam de ser muito mais criativas para alcançar os seus objetivos e trabalhar muito mais para mostrar o valor que têm, ao mesmo tempo que desenvolvem técnicas para gerir os preconceitos que ainda assombram este género.
Olga Insua confessa que felizmente “houve muitas pessoas que me abriram portas, e estou muito agradecida por isso”. No entanto, “sinto que dentro de cada mulher, inconscientemente ainda é muito comum a sociedade passar mensagens erradas naquilo que é o nosso papel, e quais são as nossas responsabilidades. Muitas das vezes também nos limitamos, porque custa-nos acreditar no poder que temos, e no valor que podemos aportar”, assume a líder.
A verdade é que este é um tema que precisa continuar a ser debatido, uma vez que tal como muitos afirmam, ainda vivemos numa sociedade paternalista e masculina. Por esse motivo, para Olga Insua, “ter esta consciência, falar sobre isto e apoiar as mulheres é fundamental”.
No reverso da moeda ainda há quem afirme que a sociedade impõe alguns limites no que toca à carreira das mulheres enquanto líderes e empreendedoras, tendo estas muitas vezes que descurar da vida profissional em detrimento da pessoal, ou vice-versa, mas para a nossa interlocutora “este é um exercício contínuo e individual”. No caso da mesma, afirma ter “tomado decisões que atrasaram ou aceleraram a carreira. Quando os meus filhos eram pequenos, o meu foco profissional era fortalecer e desenvolver as minhas competências, porque queria estar mais presente como mãe. E mesmo assim, como trabalhava muito fui criticada. Porque não estava suficientemente presente no meu papel tradicional de mãe. Mas não deixei que essas críticas me influenciassem de maneira a limitarem-me enquanto profissional”. Sabemos que apesar de cada vez mais as mulheres se colocarem em primeiro lugar e guiando-se por uma mente mais aberta, a conciliação destes dois mundos passará sempre por um processo doloroso. Mas o que seria da vida sem estes percalços? É com eles que todos aprendemos. Atualmente, o problema prende-se com as mulheres que “ainda não se conseguem soltar das suas responsabilidades tradicionais”, garante Olga Insua. “Pensamos que temos que ter tudo: boa carreira, boa família, e uma casa limpa. Mas na realidade não. Podemos escolher o que é importante para nós, não porque é o que a sociedade exige”, afirma a líder. O importante neste campo passa por o mundo feminino ser capaz de se soltar destas amarras, que involuntariamente, geram ansiedade.
No universo que inspira e motiva Olga Insua, o fator-chave é só um: as pessoas. Quem o afirma é a própria, porque “ver as pessoas a trabalhar com propósito e paixão inspira-me e motiva-me muito apoiar as mulheres. Ser um exemplo, ao mostrar que sim podemos chegar a posições de liderança, mas à nossa maneira”.
Para todas as mulheres que, tal como a interlocutora, pretendem trilhar o seu caminho rumo aos seus desejos pessoais e profissionais, a mensagem da mesma prende-se com a confiança. “Quero dizer a todas as mulheres que acreditem no valor delas e naquilo que podem conseguir. Essa é a base. Acho que devemos marcar o nosso próprio caminho e pedir ajuda. As mulheres precisam de aceitar os seus próprios medos e trabalhá-los, porque dessa forma o medo não nos controla, nem limita”. E como todos os caminhos de sucesso também passam por momentos de dor, é importante e libertador saber dizer adeus. “Às vezes é preciso fechar uma porta para abrir outra, e saber que temos essa liberdade é muito importante”, termina Olga Insua.

Os desafios da digitalização na Contabilidade e as prováveis alterações à lei base das associações profissionais públicas

A palavra de Isabel Cipriano, Vice-Presidente da APOTEC

Em 2008 tinha sido publicada a Lei 6/2008 de 13 de Fevereiro que estabelecia o regime jurídico de criação, organização e funcionamento de novas associações públicas profissionais. Esta lei aplicava-se às associações públicas profissionais que fossem criadas após a data da sua entrada em vigor. Esta condicionante fez com que os Estatuto do Técnico Oficial de Contas, tal como se encontrou consagrado no Decreto-Lei 310/2009 de 26 de Outubro que alterou o Decreto -Lei n.º 452/99, de 5 de Novembro, que aprovou o Estatuto da Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas, que passou a denominar-se Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas ficasse à margem da lei base das associações profissionais públicas.
Mas cedo se percebeu que esta marginalidade teria os dias contados, sendo certo que os estados membros teriam de harmonizar as profissões regulamentadas, o que em Portugal se traduziu na criação da Lei 2/2013 de 10 de Janeiro, que veio a estabelecer o regime jurídico de criação, organização e funcionamento das associações públicas profissionais, quer às já existentes quer às que se viessem a constituir.
Importa ter presente que este diploma considera como associações públicas profissionais as entidades públicas de estrutura associativa representativas de profissões que devam ser sujeitas, cumulativamente, ao controlo do respetivo acesso e exercício, à elaboração de normas técnicas e de princípios e regras deontológicos específicos e a um regime disciplinar autónomo, por imperativo de tutela do interesse público prosseguido.[1]
Do referido memorando de entendimento, Portugal comprometeu-se no âmbito das profissões reguladas em: eliminar as restrições ao uso da publicidade; rever e reduzir o número de profissões reguladas, e em especial, eliminar as reservas de atividade; adotar medidas destinadas a liberalizar o acesso e o exercício de profissões reguladas desempenhadas por profissionais qualificados e estabelecidos na UE; melhorar o funcionamento do setor das profissões reguladas (tais como técnicos oficiais de contas, advogados e notários), levando a cabo uma análise aprofundada dos requisitos que afetam o exercício da atividade e eliminando os que não sejam justificados ou proporcionais.
As restrições à publicidade foram de facto eliminadas, assim como as reservas limitativas da atividade, no que se refere à profissão de Contabilista Certificado. Procurou-se legislar no sentido de melhorar o funcionamento desta profissão assim como da própria entidade reguladora. Foi ainda tido em conta a necessidade de aproximar esta profissão às congéneres europeias.
Poder-se-ia ter ido mais longe, ainda assim foi, com a publicação da Lei 139/2015[2], um passo de gigante face ao anterior estatuto.
Contrariamente ao preconizado no memorando, não se reduziu o número de profissões reguladas nem se agruparam na mesma entidade reguladora as que dispõem de base comum.
Importa fazer um parêntesis histórico. Em termos de legislação, a profissão de contabilista tem tido grandes atropelos. Sempre mais fiscalista do que contabilista, com períodos de ausência em termos de regulamentação, mas deveu-se aos códigos fiscais a sua existência, enquanto profissão semi-regulamentada.
Não vamos ser ingénuos em pensar que esta profissão existe há vinte e cinco anos. É regulamentada sim, desde 1995 apesar da Comissão Instaladora e a Comissão de Inscrição só terem tomado posse em 1996, mas os profissionais existem desde sempre, ou pelo menos desde que se sentiu a necessidade de se fazerem registos contabilísticos.
Quis a mão imperiosa do fisco que com a reforma fiscal ocorrida entre os anos 1958-63 aparecesse consagrada a figura do técnico oficial de contas no Código da Contribuição Industrial[3], como figura obrigatória nas declarações de rendimentos, e sem mais definição.
“A incompreensão do presente nasce fatalmente da ignorância do passado”[4]. Um olhar de longo prazo possibilita aprendizagem, contribuindo para a melhoria das decisões políticas.
O Plano de Recuperação e Resiliência prevê uma reforma de redução das restrições das profissões reguladas[5], que visa adequar a atuação das associações públicas profissionais, eliminando restrições à liberdade de acesso e de exercício da profissão e prevenindo infrações às regras da concorrência na prestação de serviços profissionais, nos termos do direito nacional e nos termos do direito da União Europeia.
Que mundo nos espera e que contributos podemos aportar pós-pandemia? A situação de grande incerteza e imprevisibilidade num quadro de alterações climáticas, de mudanças geopolíticas, as alterações nas organizações e nas mentalidades, nos hábitos de consumo, na forma como nos relacionamos em sociedade são respostas que têm de ter enquadramento na solução do PRR.
E aqui, a autorregulação das profissões é uma questão estrutural das ordens profissionais. E no caso do exercício da profissão de contabilista certificado impõe-se uma regulação diária com orientações técnicas para um desempenho rigoroso, contribuindo desta forma para a defesa da exclusividade do título e exercício efetivo da autorregulação.
Não basta falar no digital, é preciso também pensar digital. As funções dos profissionais de contabilidade envolvem uma abrangência alargada, que vão desde o processo contabilístico e elaboração de demonstrações financeiras, a análise interna do negócio, “finance”, “tax” e “audit”.
As plataformas, os documentos digitais, o arquivo e a segurança digital ganham especial relevo. E isto implica também acautelar os riscos e o futuro da profissão.
Nada se poderá mudar com sucesso apenas pela força legislativa. É necessário o envolvimento de todos os intervenientes, para que possa ser (re)construída uma identidade coletiva, que respeite a ética e a deontologia, contribuindo para um desenvolvimento plural, atraindo novos profissionais, não olvidando daquela que é a primeira atribuição de toda a APP, “a defesa dos interesses gerais dos destinatários dos serviços”

[1]  Conforme artigo 2º da Lei 2/2013 de 10 de Janeiro

[2]  Transforma a Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas em Ordem dos Contabilistas Certificados, e altera o respetivo Estatuto, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 452/99, de 5 de novembro, em conformidade com a Lei n.º 2/2013, de 10 de janeiro.

[3]  Decreto-Lei nº 45 103 de 01-07-1963

[4]  Marc Bloch, Historiador

[5]  Plano de Recuperação e Resiliência https://www.portugal.gov.pt/pt/gc22/comunicacao/documento?i=recuperar-portugal-construindo-o-futuro-plano-de-recuperacao-e-resiliencia

“Somos um Projeto Educativo diferente e gostamos de ser diferentes”

O numera.education é assumidamente apaixonado pela Ciência. O que significa para a Sara Figueiredo ser CEO e Fundadora desta entidade? Quando e onde surgiu esta paixão?
Verdade, há aqui uma paixão muito assumida, quer por parte do projeto quer por mim.
Para mim ser fundadora e CEO deste projeto tem um sabor muito especial, eu tive um percurso escolar pautado por algumas dificuldades a matemática e na altura deparei-me com o estigma de: “na família ninguém tem muito jeito para a matemática…” e acabei por dar início à minha carreira profissional sem passar primeiro pela faculdade.
Felizmente a minha carreira profissional teve início na Indústria Farmacêutica e a paixão pela ciência que estava latente em mim surgiu em força a ponto de decidir investir na minha formação académica já na fase adulta e escolher as Ciências Farmacêuticas com área de formação. Após dez anos de Indústria, surgiu a paixão pelo ensino, a união destas duas paixões deu origem ao numera.education.
Desde que abracei este projeto deparei-me com imensos alunos que se debatiam com as mesmas dificuldades e o mesmo estigma que eu enfrentei, foi então que percebi o quanto era importante desmontar este estigma e limpar a reputação das disciplinas da área de Ciências as quais são associadas sempre a um grau de dificuldade alto.

Sabemos que possuem uma equipa de professores que lecionam apenas em explicações online. Tendo em conta a pandemia da Covid-19 que veio mesmo obrigar a que todos tivessem aulas por meios digitais, que aspetos positivos isto acarretou para o numera.education?
Quando a pandemia se instalou e sofremos o primeiro confinamento, o numera.education não existia, a nossa equipa de professores era pequena e ensinávamos presencialmente. O confinamento veio acelerar algo que já estava idealizado, a urgência e a necessidade de nos adaptarmos à realidade fez o projeto ganhar forma mais cedo do que o previsto, de certa forma foi um momento chave para nós, sabíamos que ensinar online funcionava muito bem e que as rotinas familiares iriam beneficiar muito desta flexibilidade, o momento revelou-se propício à aceitação das pessoas em experimentar.
Rapidamente tratámos de adquirir ferramentas e investir em recursos que nos permitiram garantir a qualidade do nosso trabalho e do longe se fez perto graças à tecnologia e ao valor humano da nossa equipa que, entretanto, teve que crescer.

Quais os maiores desafios/obstáculos que enfrenta diariamente enquanto CEO do numera.education?
Um dos desafios que enfrento diariamente é o de explicar a quem nos aborda, o que é o numera.education. As pessoas em geral estão presas a conceitos, limitadas pelo que conhecem, e está tudo bem. Mas já tive algumas conversas interessantes quando me perguntam se somos um centro de estudos e eu respondo que não, e as pessoas insistem: “mas se dão explicações, são um centro de estudos…”.
Há que explicar que sim, verdade, somos uma equipa de professores focada no sucesso dos nossos alunos, mas somos mais que isso.

Assim sendo o que é o numera.education?
Somos um Projeto Educativo diferente e gostamos de ser diferentes.
O nosso principal objetivo é desmistificar a suposta dificuldade que tem estado associada às disciplinas da área das ciências desde sempre. Apostamos na simplificação de conceitos, na ilustração de ideias, até apostamos no recurso ao humor para ensinar.
Queremos ser abrangentes ao ponto de através da comunicação nas redes sociais divulgarmos conteúdo para alunos e encarregados de educação, desde técnicas de concentração e de estudo a dicas de parentalidade consciente ou factos curiosos que mostram que a ciência a brincar, está em todos nós e é isso que somos:
Um Projeto Educativo que funciona exclusivamente online e que converte todos os dias alunos desmotivados em alunos confiantes, interessados e cientes das suas capacidades. À motivação é só juntar trabalho bem direcionado e a magia acontece!

Dentro da Ciência, dão formação em várias áreas: Matemática, MACS, Biologia e Geologia, Física Química, entre outras. Neste sentido, o que diferencia o numera.education das restantes? Que mais-valias têm?
Estamos focados em fornecer um serviço de qualidade, além de apostarmos no relacionamento entre professor e aluno, porque sabemos que a empatia é essencial, uniformizámos as nossas ferramentas de trabalho quer para os professores quer para os alunos o que nos permite garantir e monitorizar a qualidade do nosso trabalho.
Estabelecemos algumas parcerias, nomeadamente com a XP-PEN Corporation, sendo que todos os nossos professores e alunos utilizam mesa digital, além de que usamos exclusivamente software da Microsoft.
Além disso estabelecemos protocolos de desconto para familiares de funcionários com algumas empresas de relevo que acreditam no projeto, nomeadamente a Altice Portugal, a Fastfiber, a Intélcia, a Tecnovia entre outras.

Enquanto Fundadora o que é para si mais interessante no meio onde trabalha? Porquê?
Além da oportunidade de crescer e evoluir continuamente, porque este projeto exige aprendizagem constante, para mim o mais interessante são as relações humanas que se estabelecem, as partilhas dos alunos, a alegria das suas conquistas. Acompanhar um aluno durante anos até ao seu ingresso na faculdade e hoje tê-lo como professor no numera é algo que nos indica que este é o caminho.

Indique três características indispensáveis a todos os professores que colaborem com o numera.education.
Para nós é essencial que os nossos professores entendam o espírito do projeto, que usem empatia e assertividade em todas as aulas e que tenham sólida formação nas áreas que lecionam, e claro, que tenham paixão por ciência!

O que é que se vislumbra no futuro do numera.education?
O numera.education vai se expandir digitalmente, essa expansão já faz parte de um projeto de mestrado da Licenciatura de Design e Multimédia da Universidade de Coimbra. Vai ser possível chegar ainda a mais alunos, simplificando conceitos de forma apelativa e acessível.

Por fim, quem é a Sara Figueiredo enquanto mulher e profissional? Que mensagem gostaria de deixar a todas as mulheres?
Sou uma mulher vulgar, com sonhos e aspirações vulgares, dou sempre o meu melhor em qualquer situação, quer no campo pessoal quer no profissional e quando isso não chega vou aprender a fazer melhor.
Não aprecio clichés e frases feitas, o que posso dizer a todas as mulheres também se aplica a homens, pensem à frente, pensem onde querem estar no futuro, como se querem sentir nesse futuro e em seguida munam-se de ferramentas e comecem a abrir o caminho!

A Digitalização e a Inovação em prol do Cliente

A Finpartner é uma empresa de contabilidade que se dedica a prestar serviços personalizados a cada cliente nas mais diversas áreas onde atua: contabilidade, assessoria, consultoria, entre outros. A celebrar 15 anos de história, como nos descreve a evolução da marca em Portugal e além-fronteiras?
A Finpartner evoluiu bastante em 15 anos de existência, e esse desenvolvimento fez-se notar em várias áreas. Nomeadamente, na consolidação e expansão da carteira de clientes das mais diversas nacionalidades. Na diversificação dos serviços que prestamos deixando de ser o típico gabinete de contabilidade, que faz registos contabilísticos e responde a obrigações fiscais, e passando a ser visto pelos nossos clientes como um parceiro de negócios. A própria equipa sofreu grandes evoluções desde a organização do trabalho ao reforço de profissionais que integram as nossas equipas com as mais diversas formações e com a capacidade de falar várias línguas.
Sem dúvida que tem sido um percurso desafiante, mas muito recompensador porque com cada conquista que conseguimos alcançar abrimos portas para mais oportunidades a explorar, e é isso que tem acontecido nestes últimos anos, em que a nossa aposta na tecnologia foi reforçada e em que obtivemos a certificação de qualidade ISO 9001 dos nossos serviços de contabilidade e processamento salarial.
Todas estas conquistas alcançadas reforçaram a nossa imagem junto dos nossos clientes e parceiros e consequentemente projetaram a nossa marca a nível nacional e internacional.

Assumem-se como uma entidade que se “distingue das restantes pelo conceito diferenciado de proximidade ao cliente aliado à utilização de novas tecnologias e a uma equipa jovem e comprometida”. Para melhor compreender, que características diferenciam a Finpartner? Como nos pode aprofundar os serviços que empregam?
A Finpartner distingue-se pelo conceito de proximidade com os clientes, é um dos valores que temos mais presente na nossa cultura organizacional. O serviço que prestamos não pode ser igual para todos e tem de ser adaptado à realidade e necessidades de cada um, e é por isso que trabalhamos todos os dias para fazer a diferença junto dos nossos clientes.
Para isso, contamos com as nossas equipas de profissionais que tem um papel crucial em conseguir entender e responder às especificidades de cada cliente, a isso aliamos desenvolvimentos tecnológicos que tem como principal objetivo eliminar as tarefas repetitivas e consumidoras de tempo para nos focarmos naquilo que realmente interessa que é apoiar os nossos clientes nos seus negócios e investimentos. Tiramos partido também das novas tecnologias para criar canais alternativos de comunicação com os nossos clientes de forma a estarmos mais próximos e acessíveis.

Sabemos que ambicionam ser uma referência a nível nacional e internacional, atuando tanto para empresas como individuais. Podemos, assim, afirmar que estes 15 anos de experiência, combinados com esta diversidade de clientes e serviços, é o que permite à Finpartner conseguir responder dos mais simples aos mais complexos desafios?
Efetivamente, o percurso que trilhámos até agora permitiu-nos ter contacto com as mais diversas realidades, não só em termos setoriais de áreas de negócio dos nossos clientes, mas também culturais no que toca à fiscalidade e contabilidade praticada em outros países, o que nos dá um know-how que nos permite agarrar novos desafios e superá-los.
Não somos ingénuos ao ponto de pensar que sabemos tudo, nem pouco mais ou menos, até porque na nossa área de atuação isso seria impossível pois existem alterações constantes que nos obrigam a estar em permanente aprendizagem para poder responder da melhor maneira aos novos desafios que vão aparecendo. Contudo, acreditamos que temos uma base sólida que nos permite avançar e explorar novas áreas e como consequência deparamo-nos com novas oportunidades de expansão dos nossos serviços.

São uma marca cujos valores impulsionam um trabalho mais eficiente e pró-ativo. De que valores estamos a falar? De que forma estes contribuem para um bom posicionamento da marca no setor onde atua?
Os nossos valores assentam no trabalho de equipa, o que nos permite seguramente sermos mais eficientes e pró-ativos, bem como na qualidade do serviço que prestamos que é pautado pelo rigor e qualidade que empregamos em cada tarefa que desempenhamos.
O trabalho de equipa é essencial no nosso dia a dia, por termos profissionais com diversas áreas de formação e experiência, a troca de conhecimento enriquece o nosso trabalho, aliado ao facto da proatividade que demonstram, permite-nos estar em constante evolução e descoberta de novas formas de nos destacarmos como um elemento relevante na gestão dos negócios e investimentos dos nossos clientes.
A qualidade do serviço que prestamos permite-nos fortalecer a nossa posição no mercado em que atuamos, o facto de termos obtido a certificação de qualidade ISO 9001 obriga-nos a promover e procurar uma melhoria continua. Sem dúvida que a certificação é importante para nós, mas mais do que o “carimbo” o que realmente nos interessa é todo o processo que está por trás e que nos ajudou a atingir este objetivo. Pois são os processos internos criados e a organização e estruturação do trabalho que permite que o serviço que prestamos tenha uma qualidade, percecionada pelos nossos clientes, superior à que tínhamos no início deste percurso.
Acreditamos, que estes dois fatores aliados, permitem-nos ser diferenciadores no mercado que atuamos.

A transformação digital é hoje – e cada vez mais – um desígnio nacional que engloba todas as vertentes empresariais, estando por isso incluído o setor da contabilidade. Quão fundamental tem sido para a Finpartner assumir e consolidar a sua posição no mercado no sentido da digitalização? O que mudou?
Decididamente que a digitalização e a tecnologia são fundamentais no presente e serão imprescindíveis no futuro de uma forma transversal a todas as áreas de negócio.
Na Finpartner, esse salto trouxe-nos um mar de oportunidades, tal como referi anteriormente, o nosso primeiro target foi substituir tarefas rotineiras e consumidoras de tempo que muitas vezes não tem qualquer valor percecionado pelos nossos clientes por robots, o que permitiu que os nossos profissionais tivessem mais tempo para se focar em temas que fazem a diferença na realidade dos clientes. O nosso segundo passo passou por reforçar a validação do nosso trabalho, realizado por cada um dos nossos profissionais, de forma a detetar erros atempadamente, também isto através de automatismos tecnológicos, o que aumentou sem dúvida o rigor do nosso serviço. E mais recentemente criamos ferramentas que nos permitissem estar mais acessíveis e próximos dos nossos clientes como é o exemplo da nossa APP.
Seguramente que os desenvolvimentos que já criámos, permitiram-nos estar mais próximos do cliente, termos um papel mais relevante e analítico junto deles, através da apresentação de soluções e incentivos ou da deteção e prevenção de eventuais contingências nos seus negócios e investimentos.
A pandemia da COVID-19, acabou por acelerar esta necessidade, pois o distanciamento físico obrigou-nos a procurar mecanismos alternativos de trabalho e comunicação. A verdade é que a pandemia acabou por nos oferecer diferentes perspetivas do nosso papel e do trabalho que desempenhamos e como desempenhamos. A digitalização documental foi fundamental, pois tipicamente a contabilidade é sinónimo de documentação física e termos sido capaz de ultrapassar esta limitação acabou por nos abrir portas a uma nova forma de trabalhar e de apresentar o nosso trabalho aos clientes.

Sendo transversal a todas as áreas de atividade, a transformação digital trouxe consigo inúmeras vantagens. Na área da contabilidade, qual é a relação que existe entre um serviço bem-sucedido, eficiente e competitivo e a digitalização?
A tecnologia, é imprescindível em todos os aspetos da nossa vida, e com ela vieram várias exigências que nós como consumidores damos como garantidos sempre que a utilizamos, nomeadamente no que toca à colocação da informação de uma forma tempestiva e acessível a qualquer altura de forma fácil e rápida.
A digitalização e os desenvolvimentos tecnológicos de uma forma geral permitem-nos ser mais competitivos e eficientes e na área da contabilidade e da consultoria, acaba por ter um papel fundamental, pois os clientes ao terem informação das suas empresas e investimentos de uma forma rápida permite-lhes tomar decisões com base em informação atual e fiável. No meu ponto de vista o paradigma de o contabilista ser a pessoa que insere informação no sistema e responde a obrigações fiscais tem de mudar, a tecnologia e a digitalização aplicada à nossa área de atuação é um dos passos importantes para que essa mudança tenha lugar.
Na Finpartner é isso que procuramos, usar as ferramentas tecnológicas para nos tornarmos mais eficientes e competitivos de forma a que os nossos clientes beneficiem de um serviço diferenciador e de qualidade.

No «reverso da moeda», considera que a contabilidade enfrenta efetivamente um grande desafio para se adaptar às novas necessidades tecnológicas das empresas? De que forma? Ainda assim, quão legítimo é afirmar que é uma oportunidade vantajosa para os profissionais da área se diferenciarem?
Qualquer mudança, seja ela qual for, apresenta riscos e desafios acrescidos.
A área da contabilidade, não é modernizada há muito tempo e ainda persiste a ideia do contabilista como uma personagem cinzenta muito sobrecarregada e que cujo trabalho se limita ao cumprimento de obrigações fiscais. Está na altura dessa imagem ser revertida e a tecnologia é sem dúvida uma forma de o fazer, modernizar e dar valor ao trabalho desempenhado pelos profissionais desta área e que é crucial para a manutenção do tecido empresarial de qualquer país.
Sem dúvida que esta transição nos faz deparar com alguns entraves, nomeadamente no que toca à comunicação com diferentes entidades do estado, cujos sistemas informáticos estão em diferentes graus de desenvolvimento e nem sempre funcionam adequadamente. A digitalização também obriga a custos acrescidos no que toca à proteção da informação. No nosso setor trabalhamos com muita informação confidencial e o facto de aderirmos à digitalização da mesma, significa que temos de ter sistemas de segurança melhores e mais eficazes para salvaguardar o nosso trabalho e o dos nossos clientes.
Apesar de tudo isso, a tecnologia é o futuro, as empresas que não se começarem a preparar para tal terão um grave problema que poderá colocar em causa a sua sobrevivência.

Por fim, observando tudo o que já foi alcançado até à data em todos os países onde a Finpartner atua, quais diria que são as próximas metas a cumprir e projetos a desenvolver?
As próximas metas que temos passam por continuar a consolidação das nossas áreas chaves, continuando a certificação de qualidade das mesmas. Manter e reforçar o investimento e desenvolvimento na área tecnológica explorando e criando novos mecanismos que aportem valor aos nossos serviços.
Queremos igualmente apostar na transição verde, melhorando o nosso arquivo digital e eliminar ao máximo o uso de papel. Para além de tudo isso a internacionalização da marca continua a ser um dos nossos maiores objetivos pelo que continuaremos a trabalhar nesse sentido.

“A inovação está no centro da nossa estratégia de desenvolvimento e faz parte do nosso ADN”

A WEALINS é uma companhia com experiência e know-how pan-europeu no desenvolvimento de soluções de seguros de vida e capitalização além-fronteiras, presente em nove mercados europeus. A celebrar quase 30 anos de história e sendo um dos principais atores no setor dos seguros de vida no Luxemburgo, como descreve a sua evolução no setor? Que características tem e que a diferenciam das restantes?
A evolução da WEALINS no setor de seguros tem sido muito positiva e uma história de sucesso. Nos últimos anos a companhia tem vindo a aumentar a sua quota nos vários mercados onde está presente, sendo inclusive líder de mercado em alguns deles. Apesar de 2020 ter sido um ano atípico, marcado pela crise da COVID-19, a WEALINS registou um crescimento de quase 70% em relação a 2019, com uma produção de 1.7 mil milhões de euros. E posso adiantar que que 2021 está a ser um ano muito positivo. A WEALINS tem várias características que a diferencia das demais, mas considero que as mais importantes são o facto de pertencemos a um grupo sólido, um ADN único, que conta com quase 100 anos de existência e um rácio de solvência superior a 200% – o Grupo Foyer-, termos como um dos nossos pilares a manutenção de um serviço de excelência para nossos parceiros e clientes e flexibilidade e poder de adaptação às mudanças no setor.

As soluções WEALINS são oferecidas a clientes com residência na Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Itália, Noruega, Portugal, Suécia, e claro, no Luxemburgo, – onde se situa a sede. Centrando-se no Luxemburgo, qual é a importância de, no que diz respeito à qualidade de vida dos residentes, usufruírem de estabilidade política, económica e social? Quais são as soluções e vantagens que a WEALINS é capaz de oferecer como um jogador puro luxemburguês?
A WEALINS é uma empresa especializada no desenvolvimento de seguros de vida e soluções de capitalização à medida. Somos um jogador puro luxemburguês principalmente porque pertencemos ao Grupo Foyer, o primeiro grupo privado no Luxemburgo, líder histórico do mercado de seguros local desde 1922, independente de qualquer instituição financeira internacional. Para a WEALINS, a vantagem é que temos um acionista familiar, estável e independente. De um modo geral, o Luxemburgo é reconhecido pela sua exemplar estabilidade política, económica e social (rating AAA, bem como crescimento constante acima da média europeia), uma cultura de estabilidade que tranquiliza os investidores. Além disso, o contrato de seguro de vida luxemburguês oferecido pela WEALINS oferece múltiplas vantagens, incluindo: o regime de proteção do tomador do seguro mais forte na Europa (com o triângulo de segurança), acesso a uma ampla gama de ativos subjacentes e neutralidade fiscal.

É uma companhia que procura inovar as suas soluções sem nunca descurar da sustentabilidade, aderindo assim à Estratégia de Responsabilidade Social e Corporativa (CSR). Sendo o Luxemburgo um país orientado para o futuro da inovação e finanças sustentáveis, considera que são precisamente estas questões da inovação e sustentabilidade que fazem da WEALINS uma empresa líder no seu setor? De que forma?
Estamos atentos às tendências do mercado e às necessidades dos nossos parceiros e clientes. Inovação e finanças sustentáveis são, de facto, duas tendências que estão a atrair grande interesse. O Grupo Foyer e o WEALINS sempre adotaram uma abordagem de CSR e os funcionários são envolvidos por meio de grupos de trabalho dedicados. O Grupo Foyer obteve recentemente o selo ESR (Empresa Socialmente Responsável) emitido pelo INDR (Instituto Nacional de Desenvolvimento Sustentável e Responsabilidade Social Corporativa). O nosso próximo desafio nesta área será encontrar forma de combinar as preferências ESG (Ambiental, Social e de Governança) dos nossos clientes individuais com uma forte convicção corporativa, bem como o desenvolvimento de critérios ESG.

Sendo uma companhia que se concentra numa abordagem de parcerias exclusivas e que oferece soluções de seguros de vida, quais são os maiores desafios que enfrenta quando tem a sua sede num país como o Luxemburgo? Com o aumento da competitividade, que lacunas ainda têm de ser preenchidas para continuar no caminho traçado até agora?
Na verdade, operamos a partir do Luxemburgo. As nossas equipas são multilíngues e multidisciplinares, o que nos permite capitalizar sinergias de competências e conhecimentos (financeiro, jurídico, planejamento patrimonial, comercial, suporte de vendas, back office) em todos os nossos mercados. O nosso entendimento das especificidades de cada mercado em que atuamos permite-nos apoiar cada parceiro e os seus clientes da melhor forma possível. Somos reconhecidos pela nossa excelência operacional e os nossos parceiros reconhecem a agilidade e o profissionalismo das nossas equipas. É uma mais-valia real em relação aos nossos principais concorrentes. Desenvolvemos com os nossos parceiros uma relação de confiança que nos permite compreender e responder perfeitamente às suas preocupações. O ano de 2020 poderia ter questionado essa abordagem de parceria com a crise Covid-19. Na realidade, conseguimos adaptar-nos rapidamente, por exemplo, implementando novos procedimentos e adotando novas ferramentas digitais, para nos mantermos próximos dos nossos parceiros. Em tempos de incertezas como o de 2020, os nossos parceiros têm conseguido recorrer às companhias em que mais confiam. Tivemos assim um ano recorde em 2020 em termos de prémios cobrados, nomeadamente pela fidelização dos nossos parceiros, mas também pela flexibilidade e adaptabilidade que temos demonstrado. O desafio agora (que estamos a assumir) é manter esta qualidade de serviço no dia a dia.

O Luxemburgo é reconhecido como o primeiro centro de distribuição transfronteiriço de seguros de vida na Europa. Graças à portabilidade dos contratos, a WEALINS apoia o cliente de acordo com as mudanças no seu ambiente familiar e situação profissional em vários países. Como é que funciona na prática?
Na realidade o serviço que oferecemos aos nossos parceiros e clientes, inclui apoiar um cliente que, por razões profissionais, pessoais ou familiares, tenha que alterar o seu país de residência. E para isso, a WEALINS trabalha com uma rede independente de especialistas por forma a que os nossos produtos estejam sempre em conformidade com a legislação do novo país de residência do cliente. A portabilidade do contrato de seguro de vida do Luxemburgo significa que o contrato pode acompanhar o tomador do seguro de cada vez que este se altere a sua residência. Na prática, sempre que um cliente já possua uma solução WEALINS contratada e decida mudar a sua residência fiscal, o nosso leque de serviços cobre exatamente a análise das eventuais alterações necessárias face à nova jurisdição, para que o produto contratado mantenha a sua classificação enquanto “seguro de vida”, totalmente adaptado como tal à lei vigente desse país, ou seja, com a blindagem necessária para tal.

Os contratos da companhia têm a particularidade de se adaptarem facilmente às restrições legais e fiscais aplicadas em cada país. É toda esta flexibilidade que a WEALINS oferece que dita a qualidade dos seus serviços, tornando-a, claro, num centro de excelência em seguros transfronteiriços?
Correto. Para além das nossas equipas internas de desenvolvimento de produtos, que estão sempre atentas às alterações fiscais, legislativas ou outras existentes quer a nível local nos mercados onde disponibilizamos soluções, quer a nível europeu, trabalhamos ainda com especialistas legais e fiscais que validam que todos os nossos produtos estão sempre de acordo com a legislação aplicável ao setor em que atuamos. Afinal não nos podemos esquecer que um seguro de vida é um produto a longo prazo e sendo a WEALINS uma companhia internacional que exerce atividade na Europa através da livre prestação de serviços, a conformidade à lei de todas as soluções que disponibilizamos é essencial para os nossos parceiros e clientes.

O Luxemburgo tem um mecanismo de “Triângulo de Segurança”, que oferece ao cliente um dos quadros de segurança mais sólidos da Europa. De que forma é que a companhia ajuda neste sentido? Quais os procedimentos?
As regras prudenciais em matéria de seguros de vida no Luxemburgo constituem um modelo de referência de segurança único na Europa. A supervisão do setor dos seguros é realizada pelo Commissariat Aux Assurances (CAA), a autoridade reguladora das companhias de seguros do Luxemburgo. O titular de um contrato de seguro de vida no Luxemburgo beneficia, graças ao quadro regulamentar específico luxemburguês, de uma tripla proteção: segregação dos ativos subjacentes mobiliários dos restantes ativos da companhia; controlo trimestral pelo CAA do equilíbrio entre as provisões técnicas e os ativos subjacentes;
o “Super-privilégio” em situação de incumprimento da companhia: o titular de uma apólice de seguro luxemburguesa é um credor privilegiado de primeiro grau destes ativos. O mecanismo de “Triângulo de Segurança” na realidade é uma convenção tripartida entre a companhia, o banco e o regulador (CAA). As companhias no Luxemburgo devem depositar os ativos subjacentes mobiliários numa instituição de crédito autorizada em conformidade com as condições estabelecidas pelo CAA. O depósito de títulos só pode ser efetuado após a assinatura e aprovação pelo CAA desta convenção tripartida. Esta convenção pretende atingir um triplo objetivo: em primeiro lugar, permite garantir que os depósitos de ativos subjacentes às provisões técnicas (Ativos Regulamentados) estão claramente segregados dos outros ativos da companhia de seguros (Ativos Livres). A convenção também permite assegurar que estes ativos não sejam onerados com quaisquer garantias, penhoras ou outros ónus que não as dos segurados. E por fim, em situação de incumprimento da Companhia, o CAA tem a possibilidade de proceder ao bloqueio das contas para proteger os direitos dos tomadores de apólices.

Que vantagens fiscais poderá um seguro de vida da WEALINS oferecer?
Exatamente as mesmas do que qualquer seguro de vida existente nos países onde disponibilizamos soluções. Embora os nossos seguros sejam seguros disponibilizados por uma companhia luxemburguesa, a WEALINS, respeita sempre a legislação tributária, bem como a lei aplicável ao setor dos seguros de vida do país onde o comercializamos. Por exemplo, um seguro de vida em Portugal pode beneficiar de tributação decrescente de acordo com a duração do contrato, previsto no Código do IRS (são excluídos da tributação um ou três quintos do rendimento, se o resgate, adiantamento, remição ou outra forma de antecipação de disponibilidade, bem como o vencimento, ocorrerem depois dos primeiros cinco ou oito anos de vigência do contrato). O nosso contrato de seguro dedicado ao mercado português (Wealins Life Portugal) beneficia exatamente do mesmo. Daí a importância de todos os nossos seguros estarem sempre em conformidade com a lei do país de residência do cliente.

Por que motivo é importante subscrever um seguro patrimonial num país como o Luxemburgo? Qual o valor acrescentado oferece a WEALINS?
São vários os motivos que levam um cliente a subscrever um contrato de seguro de vida no Luxemburgo. No entanto, considero que os principais são a segurança que o mecanismo do “triângulo de segurança” oferece aos investidores, o facto do Luxemburgo ser um dos poucos países de mundo que ainda mantém um rating AAA, a possibilidade de planear a sucessão através de um seguro de vida e claro as vantagens fiscais que este produto oferece. A apólice de seguro de vida é um instrumento perfeitamente adaptado às necessidades do planeamento do património e da sucessão. Para a WEALINS, é um instrumento que permite aos tomadores do seguro transmitir o seu património em segurança e de acordo com a sua vontade. A nossa mais-valia é o know-how com quase 30 anos de experiência a comercializar e desenvolver este tipo de solução, tal como a excelência do nosso serviço, reconhecida pelos nossos parceiros.

A tecnologia está plenamente enraizada na vida das pessoas e das empresas. Até que ponto é relevante acompanhar a inovação e a transição digital na área dos seguros de vida? Quais são as maiores mudanças que a empresa tem visto a este respeito?
A inovação está no centro da nossa estratégia de desenvolvimento e faz parte do nosso ADN. As equipas da WEALINS estão a desempenhar um papel ativo na nossa transformação digital e participam ativamente nos diferentes projetos de digitalização. A crise da Covid-19 em 2020 foi um verdadeiro facilitador da transformação digital no setor de seguros patrimoniais. No entanto, não esperámos pela crise para iniciar a nossa transformação digital, com o objetivo de atender às expectativas dos nossos parceiros e seus clientes que procuram uma oferta digital mais flexível. A nossa abordagem é simplificar o processo de assinatura, tendo sempre em consideração as necessidades específicas de cada cliente para o qual desenvolvemos soluções sob medida.

A terminar, que inovações e novos projetos estão a ser concebidos para o futuro de um setor cada vez mais inovador? Estará o Luxemburgo um passo à frente destas tendências?
A digitalização continuará a desempenhar um papel importante nos próximos anos. Na WEALINS, estamos atualmente a trabalhar na digitalização (subscrição e todas as operações online) dos nossos contratos de seguro em todos os mercados em que atuamos.

“Cada rosto representa uma vida e é singular na sua história”

Ligada desde sempre a várias questões sociais e ajuda humanitária, e paralelamente à sua atividade profissional como business developer numa fintech, a Susana Garrett Pinto fundou em 2015 o TEACH How to Fish (THF), um projeto social voluntário que tem como visão permitir dignidade em autonomia a cada pessoa que vive em situação de pobreza e vulnerabilidade. De que forma o projeto atua perante este desafio?
Através do Projeto THF pretendo tornar as pessoas que vivem em situação de exclusão social autónomas dando a oportunidade de desenvolverem as suas capacidades e talentos, para que deixem de viver dependentes de assistencialismo. Acreditamos que cada um tem em si o potencial necessário para se reinventar, e que com suporte e acompanhamento, conseguiremos reverter a sua condição de pobreza e dependência de caridade.
Trabalhamos em cinco áreas chave – Habitação, Alimentação, Saúde, Educação / Formação e Emprego – e definimos estratégias a curto, médio e longo prazo de duas formas: “dando o peixe” (assistencialismo) e “ensinando a pescar” (capacitação). Damos sempre que necessário primeiramente “o peixe”, com caráter provisório, porque sabemos ser um fator que se torna essencial para fazer o restante caminho rumo ao principal objetivo com sucesso.
A capacitação de todos e o acompanhamento são fundamentais, para isso deverá ser estabelecido um compromisso em conjunto onde fica claro o objetivo número um da nossa cooperação: a autonomia de cada pessoa de forma sustentável.

No início de 2021, a Susana Garrett Pinto criou a by THF, a primeira empresa com um modelo social em Portugal, que sustenta o objetivo primário do Projeto THF. O que a levou a avançar e a dar este passo? Quais as etapas no processo e os primeiros desafios encontrados?
Acredito no serviço pelo exemplo, na liderança pela coerência entre o que se diz, o que se pede aos demais e o que se faz. Nunca transformei o Projeto THF numa associação porque quis trabalhar numa solução que permitisse a sustentabilidade de todas as operações e também uma forma de recuperar a credibilidade do setor social que estimulasse a cooperação entre todos.
Creio que a missão do Projeto THF de transformar a dependência de caridade em autossuficiência, exigiu arriscar novos conceitos rumo à sustentabilidade, assim como um modelo empresarial com potencial de crescimento e que alinhado aos critérios ESG (Environmental, Social e Governance) representa ainda uma elevada aliciante ao investimento. Pretendo ter em breve concluído o processo de validação do modelo de empresa social em Portugal, que acredito que surgirá de forma natural com este primeiro passo que demos na própria constituição da empresa e nos estatutos cuidadosamente definidos, e com isto criar o quarto setor no nosso país, que representará as empresas com fins lucrativos com um propósito social e/ou ambiental e um modelo de atuação sustentável.

Qual o formato de empresa social escolhido? Que respostas e soluções pretende alcançar?
A Vera Costa Pereira, CEO da Business Avenue, abraçou o desafio que lhe levei em 2020, e desenhou de forma inspiradora todo o modelo de negócios que abriu finalmente a oportunidade para o nascimento sustentado da by THF.
A by THF é uma empresa com fins lucrativos, que prestará serviços na área da formação e team building social, em modelos de B2S by THF (Business to Society), e todo o resultado líquido da mesma tem um propósito de investimento social e sempre que possível, através dos nossos parceiros, também ambiental.
O desafio a que nos propusemos foi o de criar uma forma sustentável de resolver problemas sociais assinalados, como o desemprego ou a falta de formação, mas igualmente gerando valor social positivo através do core business do nosso negócio. Isto é, os nossos serviços contemplam também a valorização de cada pessoa como um precioso ativo, inclusivamente no seu trabalho e perante a comunidade.
Muhammad Yunus disse uma vez que “um empreendedor social, ao invés de ter apenas uma fonte de motivação, como a maximização de lucro, tem duas: maximizar lucro e fazer o bem às pessoas e ao mundo”.

De modo a atingir com sucesso os objetivos, a By THF privilegia parcerias com todos os setores sociais. De que forma os diferentes setores e a sociedade civil podem ter uma intervenção ativa na resolução sustentável de desafios sociais?
Por sempre ter assumido o papel de construtora de pontes, e ligar todos os que podem e querem cooperar e todos aqueles vivem em vulnerabilidade, sei que temos de dar voz e um papel ativo aos grandes especialistas no tema pobreza: as pessoas que vivem em situação de pobreza. E quando digo “temos”, incluo toda a comunidade e todos os setores. A cooperação e as parcerias são o caminho fundamental para enfrentar os enormes desafios sociais do nosso país e do mundo, e o quarto setor é fruto da semente para que tal aconteça. Depois a medição de impacto, a transparência e o foco no objetivo primário partilhado permitirão o sucesso de um modelo de valor no trabalho de qualquer um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Considera que existe hoje uma maior abertura por parte das diferentes entidades face às questões sociais?
A by THF tem também como missão o despertar de empatia e da necessidade de trabalharmos em parceria para obtermos resultados sustentáveis na vida de cada pessoa. Por outro lado, a Responsabilidade Social Corporativa (RSC) é pela primeira vez uma prioridade para as empresas que pretendem para além de resultados financeiros positivos ter impacto nas comunidades ou países onde estão presentes.

Tendo como missão contribuir para um mundo mais justo e equitativo, e depois do que a Susana Garrett Pinto já criou, o que considera que falta ainda desenvolver?
Quanto mais escuto pessoas que viveram ou vivem numa condição social de fragilidade, quanto mais aprendo sobre o tema pobreza, mais percebo que tenho de continuar o caminho com profunda humildade, capacidade de escuta e disponibilidade para a mudança. Falta desenvolver um modelo uniformizado para o trabalho na área social ou ambiental à escala mundial, mas que tenha a possibilidade de ser customizado a cada pessoa e a cada realidade, e de responder às necessidades específicas que forem levantadas. A pobreza em nenhuma das suas formas pode ser generalizada e talvez por isso todos os modelos que abordam este tema baseados em informação apenas quantitativa são muito frágeis e pouco eficazes. Estamos sempre a falar de pessoas como nós, de famílias reais, de vidas que mudam a cada momento e onde nada é estanque. De pessoas que perderam muitas vezes a sua casa, o seu trabalho, que não podem adquirir a sua alimentação em autonomia, mas também que perderam a sua dignidade e na grande maior parte dos casos o acesso os seus direitos como cidadãos. E cada rosto representa uma vida e é singular na sua história.

Se pudesse avançar no tempo dez anos, onde gostaria de ver o Projeto TEACH How to Fish e a empresa social by THF?
Indo ao encontro da visão e do cumprimento dos objetivos do Projeto THF, daqui a dez anos gostaria que a nossa presença fosse absolutamente desnecessária junto das pessoas ou comunidades com que trabalhámos durante este período, e que onde outrora assinalámos a existência de pobreza e dependência de caridade, todos possam viver uma vida plena em dignidade e em autonomia. No caso da empresa social by THF o conceito criado prevê o potencial de replicação e internacionalização, e tenho tido aliás várias reuniões com empreendedores sociais na Europa por exemplo, por forma a criarmos sinergias e partilharmos visão, metodologias e também resultados. Sei que com a validação jurídica do modelo e os resultados positivos na abertura do quarto setor em Portugal, rapidamente surgirão outras empresas com os mais diversos modelos de negócio e formas de atuação, e só desejo que sempre permaneça viva a visão de fraternidade e de cooperação para o bem comum e sucesso de todos.

EMPRESAS