Inicio Autores Posts por Elisabete Teixeira

Elisabete Teixeira

3522 POSTS 0 COMENTÁRIOS

Reino Unido. Google acede a dados confidenciais de pacientes britânicos

O “National Health Service UK”, o serviço nacional de saúde britânico, assinou um acordo com a Google que permite à multinacional norte-americana ter acesso à esmagadora maioria dos dados confidenciais sobre a saúde dos 1.6 milhões de pacientes no Reino Unido que utilizam esse serviço público.

O documento a que a revista científica New Scientist teve acesso revela que a Deep Mind – uma empresa de inteligência artificial adquirida pela Google – pode através desse acordo ter acesso a vários pormenores sobre a saúde dos britânicos. E isso inclui saber de que doenças padecem, que medicação tomam e se já sofreram overdoses ou se submeteram a abortos. O acordo também admite que a Google pode aceder aos dados de todos os pacientes que passaram por três dos hospitais britânicos – Barnet, Chase Farm e Royal Free – nos últimos cinco anos.

Em fevereiro deste ano, a Deep Mind anunciou que tinha estabelecido um acordo com a equipa do Serviço Nacional de Saúde inglês, com o objetivo de criar uma aplicação – a “Streams” – que apoiaria o pessoal médico a monitorizar pacientes com doenças nos rins. Sabe-se agora que a empresa controlada pela Google tem acesso a um leque muito maior de informação confidencial e supostamente protegida.

Essa informação não está a ser armazenada nos escritórios da Deep Mind, mas antes por uma terceira empresa que não está especificada documento a que a New Scientist teve acesso. No entanto, há uma cláusula nesse acordo que impede a empresa de inteligência artificial de utilizar esses dados noutras partes da sua atividade. Além disso, a Deep Mind está obrigada a apagar os dados armazenados já em setembro de 2017 se o acordo não for renovado.

Descontos para transportadoras levantam questões de concorrência

O presidente executivo da Galp Energia, Carlos Gomes da Silva, afirmou que a intenção do Governo de criar descontos nos combustíveis para as transportadoras de mercadorias é “um tema sensível”, que levanta questões de concorrência.

“Pode até suscitar ter que ser visto na concorrência ao nível europeu. É um tema sério e preocupante”, defendeu o presidente da Galp, em conferência de imprensa para divulgação dos resultados da petrolífera no primeiro trimestre.

O Governo vai criar descontos para as transportadoras de mercadorias em postos de gasolina em três zonas de fronteira com Espanha – na zona de Elvas, Vilar Formoso e numa terceira zona, a definir, no norte do país – e nas antigas SCUT do interior.

Carlos Gomes da Silva defendeu que “os consumidores não podem ser tratados de forma diferente”, referindo que, como qualquer discriminação, “é um tema sensível”.

“Certamente que o Governo vai ter esse cuidado (…). Tem que se observar se não fere as leis da concorrência”, acrescentou o gestor, quando questionado sobre a intenção do Governo de reduzir a carga fiscal nos combustíveis para as transportadoras, aproximando os preços dos praticados nos postos de abastecimento em Espanha.

Em meados de abril, após várias reuniões com as associações representativas das transportadoras, o Governo anunciou a criação de “uma redução significativa” no preço dos combustíveis para transportadores de mercadorias em postos de gasóleo profissional em três zonas do interior: na fronteira com Espanha, na zona de Elvas, Vilar Formoso e numa terceira zona, a definir, no norte do país.

Estas medidas foram apresentadas como “mecanismos da promoção de competitividade das empresas de mercadorias, mas também medidas de promoção do interior”.

Esta é a música mais feliz da história

Há muitas playlists que o deixam feliz. Mas a ciência veio dizer que existe uma música que é, de facto, a mais feliz da história.

E a música mais feliz é… a Don’t Stop Me Now, dos Queen, dos anos 70. Quem o diz é um estudo dos britânicos da indústria eletrónica, Alba, que realizaram um inquérito junto de 2.000 pessoas no Reino Unido. A ideia era que de entre várias canções escolhessem as suas músicas favoritas, aquelas que lhes provocassem sentimentos de felicidade.

A música dos Queen foi apontada mais vezes e isso pode ser explicado pelo ritmo da canção, segundo o neurocientista Jacob Jolij, que analisou os resultados. “A análise confirmou o que a literatura já nos havia ensinado: as canções compostas por um maior ritmo são as mais eficazes na hora de produzir emoções positivas”, esclareceu Jacob Jolij ao The Huffington Post.

“Praticamente todas as canções mais felizes têm um ritmo superior em 10 pulsações por minuto ao de uma canção pop standard”, acrescentou o especialista. A canções “Dancing Queen” dos Abba e “Good Vibrations” dos Beach Boys também conseguiram boas pontuações.

Apesar desta eleição, a felicidade que uma música provoca dependerá sempre de uma avaliação pessoal, que é subjetiva. Por isso é que serão imensas as músicas felizes para uns e não tanto para outros. As associações positivas que desenvolvemos é que vão definir se determinada canção nos faz ou não sentir bem.

“Embora não seja possível identificar uma música como aquela que transmite melhor sensação, o que podemos fazer é identificar características específicas de canções que elevam o espírito das pessoas”, disse Jolij. “Quanto mais dados tivermos disponíveis, mais podemos aprender sobre como a música afeta o nosso humor”, acrescenta.

Mesmo que não seja a melhor para si, não deixe de ouvir a música intemporal dos Queen, que aqui lhe deixamos.

Arqueólogos do Taiwan encontraram fóssil de uma mãe com o filho ao colo

Arqueólogos do Taiwan encontraram um fóssil de uma mulher a segurar uma criança nos braços e a olhar na sua direção. O fóssil tem cerca de 4.800 anos.

Chu Whei-lee, o curador do departamento de antropologia do Museu Nacional de Ciências Naturais, afirmou: “Quando foram desenterrados os fósseis, todos os arqueólogos, assim como o pessoal que estava no local, ficaram chocados. Porquê? Porque a mãe estava a olhar para baixo, para o bebé que tinha nos braços”.

A exploração arqueológica em Taichung, no Taiwan, encontrou ao todo 48 restos mortais dentro de sepulturas. Esta descoberta representa a descoberta de atividade humana mais antiga na ilha de Taiwan.

A escavação começou em maio de 2014 e demorou um ano até serem desenterradas todas as peças. Os arqueólogos utilizaram a datação por carbono para determinar a idade dos fósseis. Entre os corpos encontrados, encontram-se os de cinco crianças.

Costa inicia visita de três dias aos Açores com sete ministros na comitiva

O primeiro-ministro inicia esta sexta-feira uma visita de três dias a quatro ilhas dos Açores, sendo acompanhado por sete ministros e uma secretária de Estado, comitiva que pretende transmitir o peso político atribuído a esta deslocação.

António Costa estará nas ilhas da Terceira, Graciosa, Faial e São Miguel acompanhado pelos ministros dos Negócios Estrangeiros (Augusto Santos Silva), da Defesa (José Azeredo Lopes), Adjunto (Eduardo Cabrita), da Ciência e Tecnologia (Manuel Heitor), da Saúde (Adalberto Campos Fernandes), do Planeamento e das Infraestruturas (Pedro Marques), do Mar (Ana Paula Vitorino), e pela secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho.

Fonte do executivo disse à agência Lusa que este programa nos Açores surge na sequência de um convite do presidente do executivo Regional, Vasco Cordeiro, e também da visita oficial já realizada pelo primeiro-ministro recentemente à Madeira.

No seu primeiro dia de visita oficial aos Açores, que começará pela manhã em Angra do Heroísmo, com um encontro a sós com o presidente do Governo Regional, o socialista Vasco Cordeiro, poderá ser anunciado um plano transversal de “revitalização” da economia da ilha Terceira.

Na agenda do primeiro-ministro, em termos de caráter imediato, estarão questões relacionadas com os efeitos negativos resultantes da redução do contingente norte-americano na Base das Lajes, na Ilha Terceira, e com as consequências económicas da aplicação das quotas europeias à agricultura açoriana, sobretudo na área do leite.

No caso da Base das Lajes, onde António Costa estará a meio da tarde de hoje, a mensagem do Governo é “dar continuidade aos esforços diplomáticos que têm sido feitos nos últimos anos” pelo Estado Português junto dos Estados Unidos para minimizar o impacto económico e social causado pela gradual redução da presença militar norte-americana – decisão de Washington cada vez mais encarada como irreversível.

Uma das soluções alternativas, tendo em vista minorar impactos, segundo fonte do Governo, passa por um esforço ao nível da diversificação de atividades, designadamente através do aproveitamento dos meios físicos já instalados na base para a investigação científica – projeto que se poderá desenvolver tendo como base a celebração de protolocos com universidades norte-americanas.

A meio da tarde, num avião da Força Aérea, o primeiro-ministro partirá da Base das Lajes para a ilha da Graciosa, onde terá como tema central a exploração das potencialidades das energias renováveis, sobretudo da eólica.

Na ilha da Graciosa, está a ser desenvolvido um projeto pioneiro privado de baterias de armazenamento de energia por parte de um consórcio alemão – isto, sabendo-se que em algumas ilhas dos Açores, como em São Miguel, as energias renováveis já ultrapassam os 50 por cento.

Ninguém pára Marcelo: ontem no Coliseu com Caetano Veloso e Gilberto Gil

Caetano Veloso e Gilberto Gil receberam ontem uma visita especial nos bastidores do seu segundo concerto no Coliseu de Lisboa.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, assistiu ao espetáculo – tendo prescindido do camarote presidencial – e foi aos bastidores cumprimentar os músicos brasileiros.

Caetano e Gil, que agora seguem para Zurique, na Suíça, partilharam uma foto desse momento no seu Instagram.

Portugal tem 314 praias e 17 marinas distinguidas com Bandeira Azul

A Bandeira Azul vai ser hasteada este ano em 314 praias, mais 15 atribuições do que em 2015, ultrapassando pela primeira vez a barreira das três centenas, anunciou o presidente da associação promotora em Portugal, esta sexta-feira.

O galardão vai ser entregue também a 17 marinas, mais duas do que no ano passado.

No ano em que se comemoram 30 anos de Bandeira Azul, sob o mote “Trinta anos, trinta critérios, um objetivo”, João Archer referiu que o facto de a Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE) atribuir mais de 300 distinções a praias é uma marca “significativa”.

Este número “representa aproximadamente 55% das praias designadas [com reconhecimento oficial] em Portugal”, colocando, percentualmente, o país no topo a nível mundial, afirmou o responsável aos jornalistas, após a conferência de imprensa de anúncio das atribuições deste ano, em Lisboa.

Em termos de valores brutos, Portugal, com 314 Bandeiras Azuis, é o quinto país com mais galardões conferidos, entre os 54 países que os atribuem, atrás da Espanha (578), Turquia (436), Grécia (395) e França (379).

Do total das bandeiras que vão ser hasteadas nas praias portuguesas, 292 são em praias costeiras e 22 são em praias fluviais, registando-se entre elas 10 que nunca tinham recebido a distinção.

Adaúfe (concelho de Braga, na região Norte); Piódão (Arganil), Bogueira (Lousã), São Pedro da Maceda (Ovar) e Torrão do Lameiro (Ovar), na região Centro; Bolestim (Vila de Rei, na zona que a associação denomina Tejo); Rocha Baixinha (Albufeira) e Amoreira Mar (Aljezur), no Algarve; Furna de Santo António (São Roque do Pico, Açores) e Cabeço da Ponta (Porto Santo, Madeira) são as novidades da lista.

Em termos de reentradas em relação ao ano passado, registaram-se 14, enquanto nove praias deixaram de ter a distinção.

A região Norte conta este ano com 69 bandeiras nas praias (mais quatro do que em 2015), o Centro ganhou cinco, tendo um total de 32, a região Tejo tem 52 (menos duas do que no ano passado) e o Alentejo 27 (mais uma do que em 2015).

O Algarve continua a ser a região do país com mais praias galardoadas, tendo agora 88 (mais três), os Açores ficam com 34 bandeiras (mais três) e a Madeira conta com 12 (mais uma).

Comparativamente ao ano passado, as marinas/portos de recreio receberam duas bandeiras a mais, perfazendo um total de 17.

As duas entradas registaram-se na Madeira – Funchal e Quinta do Lorde -, que não tinha qualquer marina distinguida em 2015.

Os Açores são a região com mais marinas galardoadas (cinco), seguida do Algarve (quatro) e do Tejo e do Alentejo (cada uma com três).

A associação revelou estarem planeadas para este verão 707 atividades de educação ambiental, em 650 praias e 57 marinas, havendo ainda concurso sobre práticas sustentáveis e códigos de conduta.

Tendo em conta os critérios de atribuição da Bandeira Azul, desde a “informação e educação ambiental”, “qualidade da água”, “gestão ambiental e equipamentos” e “segurança e serviços”, o presidente da ABAE, João Archer, considera que a possibilidade de se hastearem 314 bandeiras este ano é reflexo “de um caminho de sucesso”.

João Archer afirmou que se atingiu o objetivo de “ter a Bandeira Azul representada como uma marca de desenvolvimento sustentável, uma marca de confiança” das praias portuguesas.

As cerimónias oficiais de hastear das primeiras Bandeiras Azuis de 2016 estão programadas para 01 de junho, no concelho de Mafra, 3 de junho, no Porto de Recreio de Sines e no dia 17 de junho, em Góis.

Ministro da Agricultura acompanha com “preocupação” possível seca no Alentejo

O ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, manifestou esta sexta-feira “preocupação” com um possível cenário de seca no Alentejo, este ano, mas disse estar a acompanhar a situação e admitiu adotar medidas, caso sejam necessárias.

“Não estamos ainda” em seca, mas “estamos perante um conjunto de indícios que faz antever que” esta situação “será, provavelmente, um problema incontornável”, este ano, afirmou o ministro, em declarações à agência Lusa, em Estremoz, no distrito de Évora.

À margem de uma conferência na Feira Internacional de Agropecuária e Artesanato de Estremoz (FIAPE), Capoulas Santos reconheceu à Lusa que o cenário de seca “ameaça” zonas específicas do Alentejo, sobretudo no interior sul.

“De facto, é sobretudo na parte sul do Baixo Alentejo”, no distrito de Beja, onde “não houve este ano, infelizmente, a pluviosidade necessária para recarregar os aquíferos”, sendo que, “em alguns casos, os riachos não chegaram sequer a correr neste inverno”.

E, em algumas localidades do Baixo Alentejo, indicou o ministro da Agricultura, Florestas e do Desenvolvimento Rural, “já é necessário carregar água para abeberar o gado”.

“Estamos no final do mês de abril, portanto, não é difícil imaginar o que acontecerá quando chegarmos a junho, julho, agosto ou setembro”, ou seja, os meses mais quentes e secos, disse, frisando que o ministério está “a acompanhar” a situação, que “causa preocupação”.

Já antes, no encerramento da conferência sobre “O Futuro da Organização da Produção”, que marcou o dia desta sexta-feira na FIAPE, o governante tinha abordado o problema da seca, aludindo a impressões que tinha acabado de trocar com o presidente da Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP), João Machado, e o autarca de Estremoz, Luís Mourinha.

“Estamos todos a ficar muito preocupados com a perspetiva de uma situação grave de seca”, para a qual, “no momento próprio, teremos que equacionar eventuais medidas”, afiançou.

Luís Capoulas Santos revelou à Lusa que, “brevemente”, vai reunir a comissão de seca que está instituída no ministério para fazer “uma avaliação correta da situação”.

Questionado igualmente pela Lusa, o presidente da CAP disse que “a grande maioria do território nacional não tem problemas de falta de água e não está a sofrer com a seca”, mas confirmou também que “há zonas do Alentejo que, neste momento, já estão numa situação difícil” a esse nível.

“O que se tem de verificar é se vai chover nos próximos tempos ou não. Se chover, a situação pode ser amenizada”, mas, “se não chover, tem que se adotar medidas”, defendeu.

João Machado realçou ainda que já tem vindo a abordar esta temática com o ministério: “É isso que temos vindo a falar”, para que, “quando chegarmos à altura mais quente, no verão, haja medidas previstas, nomeadamente para abeberamento do gado ou para outras situações que os agricultores precisem”.

“Isto é publicidade à borla para nós”, diz motorista da Uber

No dia da marcha lenta dos taxistas contra a Uber, o Observador solicitou um dos motoristas da empresa para uma viagem de teste. Logo ao aceder à aplicação recebeu uma mensagem de alerta a informar que, por causa da “paralisação organizada pelas associações de táxi portuguesas”, “as opções de mobilidade” seriam “mais reduzidas”.

O aviso confirmou-se logo de seguida. A aplicação informou depois que o tempo de espera previsto para a chegada do motorista à Rua dos Caetanos (onde fica a redação) era de 21 minutos.

“O dia está a correr bem mas como há muito tempo de espera tem havido muitas pessoas a cancelar as viagens”, começa por dizer Morais, o motorista que nos foi atribuído para a viagem desta sexta-feira. “Cheguei a pensar que talvez fosse cancelar também”, diz-nos ainda.

PJ faz buscas em Viana, Defesa e na Douro Azul

A Polícia Judiciária está a realizar buscas nos estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), no ministério de Defesa e na Empordef (a holding das indústrias de Defesa) por suspeitas de gestão danosa, corrupção e participação económica em negócios por parte da administração anterior dos estaleiros. Há oito buscas em curso no âmbito da Operação Atlantis: “Em causa estão fatos relacionados com a subconcessão dos Estaleiros Navais de Viana e a venda do navio Atlântida”, informou a PGR em comunicado esta sexta-feira ao início da tarde.

O Observador sabe que a empresa de turismo Douro Azul, do empresário Mário Ferreira, também está a ser alvo de buscas. O grupo Douro Azul, que faz cruzeiros no Douro, comprou o navio Atlântida ao Estado e depois vendeu-o ao dobro do preço a uma empresa norueguesa. O Observador tentou contactar Mário Ferreira, mas ainda não obteve resposta. Foi um negócio realizado quando José Pedro Aguiar-Branco era ministro da Defesa, durante o Governo de Pedro Passos Coelho era o primeiro-ministro. A PGR também está a investigar “factos relacionados com a subconcessão dos Estaleiros de Viana” à Martifer, um negócio polémico concretizado no mesmo período, que chegou a ser alvo de uma comissão de inquérito. O Ministério da Defesa reforçou a informação à Lusa, de que as buscas tinham a ver com a subconcessão.

Os cerca de dez investigadores que se deslocaram ao Ministério da Defesa têm estado a reunir documentação da antiga Direção Geral do Armamento (atual Direção-Geral dos Recursos de Defesa) no sétimo andar no edifício situado no Restelo, apurou o Observador. Outro caso que está a ser objeto de análise da Judiciária e do Ministério Público é a dos navios asfalteiros, encomendados pela Venezuela no tempo do Governo de José Sócrates.

De acordo com o comunicado da Polícia Judiciária há 30 agentes, cinco procuradores da República do Ministério Público e dois magistrados judiciais envolvidos nesta operação. As diligências estão a ser feitas em Viana do Castelo, Lisboa, Porto, Aveiro e Torres Vedras e ainda ninguém foi constituído arguido.

Atlântida comprado por 9 milhões quando estava avaliado em 50 milhões

A Douro Azul de Mário Ferreira comprou o navio Atlântida aos Estaleiros de Viana por 9 milhões de euros, em 2014, quando era avaliado em mais de 50 milhões. A embarcação tinha sido encomendada pelo Governo Regional dos Açores, mas o ferry-boat foi recusado porque não tinha as condições técnicas requeridas para navegar entre as ilhas do arquipélago.

Depois de ter um projeto para transformar o navio num cruzeiro de luxo na Amazónia, Mário Ferreira acabou por vender o Atlântida a uma empresa da Noruega. O Diário Económico chegou a avançar que o navio seria vendido por 17 milhões de euros, mas Mário Ferreira não divulgou os valores. “A empresa cotada que o comprou a outra empresa pediu confidencialidade, mas posso dizer que ganhámos dinheiro”, disse Mário Ferreira à SIC, em novembro de 2015, quando a venda se concretizou.

O colapso dos Estaleiros de Viana do Castelo foi objeto de uma comissão parlamentar de inquérito em 2014 e na altura já a Procuradoria-Geral da República estaria na posse de documentos enviados pelo então ministro da Defesa, Aguiar Branco, sobre o contrato para a construção do navio Atlântida feito com a região Autónoma dos Açores. A entidade que encomendou o barco recusou recebê-lo e os Estaleiros tiveram de devolver 32 milhões de euros aos Açores, financiados com uma ajuda de Estado que veio a ser considerada ilegal pela Comissão Europeia.

O relatório desta comissão também seguiu para a PGR.

Os Estaleiros Navais

Os ENVC encontram-se em processo de extinção desde 10 de janeiro de 2014, data da assinatura, entre o anterior Governo e o grupo privado Martifer, do contrato de subconcessão dos estaleiros navais até 2031, por uma renda anual de 415 mil euros.

Em maio de 2015 foi empossada a comissão liquidatária da empresa de construção naval, data em que cessou funções o último Conselho de Administração dos ENVC, presidido por Jorge Camões.

De acordo com dados fornecidos na altura à Lusa, os 129 leilões realizados pela administração ENVC desde o início do processo de liquidação representaram um encaixe financeiro de 12,5 milhões de euros.

Naquele montante “está incluída” a venda do Atlântida, o navio construído nos ENVC, por encomenda do Governo dos Açores, que depois o rejeitaria em 2009 devido a um nó de diferença na velocidade máxima. A embarcação foi vendida em setembro de 2014 por 8,750 milhões de euros, através de concurso público internacional, ao grupo português Douro Azul.

Aquele montante inclui também os 1.275 milhões de euros da venda do material comprado para a construção do Anticiclone, a segundo navio encomendada pelo Governo regional, que ficou na fase de blocos.

A subconcessão foi a solução definida pelo anterior Governo, com José Pedro Aguiar-Branco como ministro da Defesa, depois de encerrado o processo de reprivatização dos ENVC, devido à investigação de Bruxelas às ajudas públicas atribuídas à empresa entre 2006 e 2011, não declaradas à Comissão Europeia, no valor de 181 milhões de euros.

A decisão de subconcessão dos terrenos e infraestruturas dos ENVC, adjudicada a 18 de outubro de 2013 pela administração daquela empresa pública à Martifer, resultou do relatório final elaborado pelo júri do concurso.

A proposta do grupo português foi a única analisada pelo júri, após exclusão de um investidor russo, por incumprimento dos requisitos do concurso público lançado em julho e concluído em 23 de setembro de 2013.

Quando fechou portas, enquanto ENVC, em abril de 2014, depois de quase 70 anos de atividade, a empresa pública empregava cerca de 609 trabalhadores.

EMPRESAS