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Elisabete Teixeira

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CONCEITO DE IMITAÇÃO DE MARCA REGISTADA

1 = Os problemas criados pelo Código de 1995 eram altamente preocupantes para a Indústria, que não via resolvidas muitas situações que necessitavam de urgente correção.

Em síntese, o que é verdadeiramente importante para a indústria?

Sem dúvida, legislação que permita

a) A proteção correta dos direitos de propriedade industrial, com adequado sistema de recursos para Tribunal e com possibilidade de atempada oposição, em fase de pedido, por parte dos titulares de direitos já constituídos;

 

b) Um Instituto de Propriedade Industrial que respeite esses objetivos e que disponha dos meios necessários para os assegurar.

c) Clara definição dos Tribunais competentes para julgar quaisquer problemas de propriedade industrial, que possibilite.

d) A eficiente defesa dos direitos concedidos, através de disposições que permitam impedir as infrações.

2 = A CIP – Confederação da Indústria Portuguesa e a Delegação Portuguesa da CCI – Câmara de Comércio Internacional, resolveram enfrentar o problema e criar uma Comissão – com a aprovação do Sr. Ministro da Economia – para rever o Código e propor as indispensáveis alterações.

Essa Comissão teve a seguinte constituição:

Dr. Jorge Cruz (Coordenador)

Dr. César Bessa Monteiro

Dr. Gonçalo Moreira Rato

Engº. José Batista de Almeida (Jaba Farmacêutica, S.A.)

Dr. Guy Villax (Hovione Farmaciência, S.A.)

O Sr. Eng.º. Ivan Villax e o Dr. Nuno Cruz estiveram presentes em todas as reuniões da Comissão e deram importante contributo para a elaboração do Projeto.

Antes do prazo previsto, de três meses, o Projeto ficou concluído.

Na verdade, a Comissão entrou em funções no dia 26 de novembro de 1996 e entregou o Projeto pronto ao Dr. Pedro Ferraz da Costa, Presidente da CIP, no dia 14 de fevereiro de 1997 – ou sejam cerca de 2 meses e meio depois de ter iniciado a sua atividade.

E em 27 de fevereiro os Vice-Presidentes da CIP, Dr. João Gomes Esteves (também Presidente da APIFARMA) e Dr. João Mendes de Almeida (também Presidente da Delegação Portuguesa da CCI), entregaram ao Senhor Secretário de Estado da Indústria o Projeto de Revisão do Código da Propriedade Industrial elaborado pela referida Comissão. 

3 = Com data de 6 de maio de 1998, recebi um ofício do Gabinete do Sr. Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Economia, do seguinte teor:

Encarrega-me o Senhor Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Economia de, por razões de urbanidade, de junto enviar cópia do despacho, nesta data enviado para publicação no Diário da República.

O prazo de 60 dias nele referido, para apresentação das conclusões obtidas no decorrer dos trabalhos, começará a contar a partir da data da sua publicação.

O Eng.º. José Mota Maia, Presidente do I.N.P.I. – Instituto Nacional da Propriedade industrial irá entrar em contacto com V.Exª. tendo em vista o início dos trabalhos.

Com os melhores cumprimentos 

4 = E esse despacho, assinado pelo Sr. Secretário de Estado Dr. Vítor Ramalho, era o seguinte:

“Com a aprovação do Código da Propriedade Industrial, pelo Decreto-Lei nº.16/95 de 24 de janeiro, e a consequente revogação do antigo Código, aprovado pelo Decreto nº 30679 de 24 de agosto de 1940, foi reformada a legislação sobre a Propriedade Industrial, especialmente, no que resulta da integração de Portugal na União Europeia. Assim, o Código da Propriedade Industrial transpôs para a ordem jurídica portuguesa as diretivas comunitárias, adaptou a legislação nacional aos regulamentos comunitários, com a preocupação de a harmonizar com as legislações dos outros Estados Membros, procurando simultaneamente simplificar os processos administrativos e manter um equilíbrio de interesses entre os titulares dos direitos e o conjunto dos utilizadores do sistema da propriedade industrial.

No entanto, decorridos três anos sobre a entrada em vigor do Código de 1995, com base na experiência adquirida, reconhece-se a necessidade de aperfeiçoar e clarificar determinados preceitos bem como de consensualizar posições sobre certas matérias.

Assim no uso das competências delegadas pelo Ministro da Economia, através do despacho nº 13169/97 de 23 de dezembro, considerando a alínea c) do artigo 199º da Constituição da República Portuguesa, determino o seguinte: 

1 – É criada, junto do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (I.N.P.I.), a Comissão para a revisão do Código da Propriedade Industrial, adiante designada, abreviadamente, por Comissão.

2 – A Comissão é composta por:

  1. a) Presidente:

Eng.º. José Mota Maia;

  1. b) Vogais:

– Prof. Dr. António Castanheira Neves

– Dr. César Bessa Monteiro

– Dr. Jaime Quesado

– Eng.º. João Arantes de Oliveira

– Dr. Jorge Pereira da Cruz

– Dr. José Luís Arnaut

– Dr. José Luís Soares Curado

3 – O presidente poderá assessorar-se de dirigentes e técnicos do I.N.P.I.

4 – A Comissão visa consensualizar posições sobre as matérias mais controvertidas e que foram objeto de contribuições por parte de alguns meios interessados, coligindo, para tal, os respetivos pontos de vista.

5 – A Comissão apresentará ao membro do Governo, da tutela, no prazo de sessenta dia, as conclusões obtidas no decorrer dos trabalhos.

………

Lisboa, 30 de abril de 1998

O Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Economia 

(Vítor Manuel Sampaio Caetano Ramalho)

5 = É interessante notar que esta Comissão foi nomeada ao fim de cerca de ano e meio do Projeto ter sido enviado ao Sr. Secretário de Estado e depois concederam-se 60 dias para fazer a Revisão do Código.

Como é possível rever um Código, em condições, em tão curto prazo?

6 = Passaram-se dias e a Comissão não reunia – até porque o despacho não tinha ainda sido publicado no Diário da República.

Nem chegou a ser…

Entretanto, o Sr. Prof. Doutor António Castanheira Neves pediu escusa, creio que por motivos profissionais e a Comissão “viu-se” aumentada de mais três membros: O Prof. Dr. José Oliveira Ascensão, o Dr. Manuel Couceiro Nogueira Serens e o Dr. Miguel Moura e Silva.

7 = Foi o que – com certa surpresa – verifiquei quando o despacho de nomeação da Comissão foi publicado no Diário da República, II Série, nº. 166, de 21 de julho de 1998 – cerca de dois meses e meio depois e era um pouco diferente do anterior, referindo, entre outros, os seguintes pontos:

a) Parece útil e será seguramente proveitoso, decorridos três anos sobre a entrada em vigor do Código de 1995, fazer o balanço da experiência entretanto colhida, ponderando-se a eventual necessidade de o aperfeiçoar no todo ou em parte, bem como a metodologia a utilizar, caso tal necessidade seja reconhecida.

b) A ponderação e análise serão efetuadas por uma comissão que integra personalidades de reconhecido mérito que habilitem o Governo a decidir a oportunidade e o sentido das medidas a adotar, tendo em vista a relevância e a complexidade delas.

c) A Comissão procurará consensualizar posições sobre os dois objetivos do presente despacho e, sempre que tal não for possível, os seus membros deverão exercer os fundamentos dos respetivos pontos de vista.

 d) A Comissão apresentará ao membro do Governo da tutela, no prazo de 60 dias, as conclusões obtidas no decorrer dos trabalhos. 

8 = É extremamente curioso notar a diferença entre os dois despachos:

  1. a) Enquanto o primeiro admite – muito justamente – que

decorridos três anos da entrada em vigor do Código de 1995, com base na experiência adquirida, reconhece-se a necessidade de aperfeiçoar e clarificar determinados preceitos bem como de consensualidade sobre certas matérias,

no seguinte, apenas se diz que

parece útil e será seguramente proveitoso, decorridos três anos sobre a entrada em vigor do Código de 1995, fazer o balanço da experiência entretanto colhida, ponderando-se a eventual necessidade de o aperfeiçoar no todo ou em parte, bem como a metodologia a utilizar, caso tal necessidade seja reconhecida.

Em todo o caso, ambos os despachos previam a possibilidade de fazer a completa revisão do Código – o primeiro refere, mesmo, que o objetivo da Comissão era a revisão do Código da Propriedade Industrial, enquanto que, o segundo, a admite por outras palavras, ou seja, a necessidade de o aperfeiçoar no todo ou em parte e deixando, naturalmente, essa opção à Comissão – pelo que esse ponto ficou claramente definido desde o início.

Mas nunca houve explicação para as alterações da Comissão.

E a Comissão alterada nunca entrou em funções, pelo que, na verdade, apenas houve uma oficialmente nomeada.

No próximo artigo, veremos como decorreram os trabalhos que duraram, apenas, cerca de três meses.

Visitar Montenegro é apaixonar-se

Há sete anos no cargo, Steven Sousa Piedade desde cedo se interessou por movimentos associativos. Enquanto estudante fez parte de associações estudantis e mais tarde de associações de cariz cultural e desportivo. Recentemente tornou-se diretor nacional da Associação Nacional de Jovens Empresários pelo Algarve (ANJE), e também Presidente da Associação Humanitária de Bombeiros de Faro – Cruz Lusa.

Numa era desenvolvida e em constante evolução, a tecnologia torna-se numa importante aliada na comunicação entre autarquia e população, tornando o processo mais célere e eficaz e promovendo a transparência na informação. Porém, quando em 2009 chegou à presidência da JFM, Steven Sousa Piedade encontrou um nível de serviços internos muito desajustado às efetivas necessidades. “Existiam apenas três computadores que estavam completamente obsoletos, por isso praticamente todos os procedimentos eram feitos em papel, com todas as desvantagens que daí advém, nomeadamente ao nível de celeridade. A Junta não dispunha de um sítio na Internet”, começou por explicar.

Deparou-se, também, com diversas necessidades a nível da mobilidade e acessibilidades, as quais, devido ao aumento da população local e consequente crescimento urbano e económico, se foram agravando com o passar do tempo. Para este crescimento, em muito contribuíram a instalação na freguesia do Aeroporto Internacional de Faro e da Universidade do Algarve – Campus Gambelas, que aumentaram a procura de habitações. Este aumento de procura, se por um lado fomentou a especulação imobiliária, por outro impulsionou a dinâmica da construção civil, e em dez anos – de 2001 a 2011- a freguesia de Montenegro viu a sua população residente aumentar mais de 50%. Contudo, as transferências de fundos que sustentam a Junta, não acompanharam a tendência, tendo vindo a decrescer desde 2009, facto que muito tem condicionado o trabalho deste executivo.

“Estou ciente das necessidades ao nível dos acessos à Freguesia, da falta de manutenção de algumas vias, do número insuficiente de parques de estacionamento para fazer face as necessidades dos serviços existentes, mas não deixo de ficar inconformado com a falta de civismo de alguns cidadãos que fazem do Montenegro um local de passagem”. Afirma o Presidente referindo-se a algumas empresas de transportes de passageiros que limpam as viaturas e abandonam o lixo na via pública, ou ocupam todos os estacionamentos de uma urbanização. “Temos, dentro da nossa capacidade financeira e competências atribuídas, efetuado bastantes melhoramentos, sendo evidente a evolução que o nosso território tem apresentado. Este executivo tem estado atento e procura sempre ouvir a população e aquelas que são as suas preocupações”, termina.

O poder da população

Sendo o poder autárquico o elo de gestão mais próximo da sociedade, o executivo tem trabalhado no sentido de beneficiar desse fator de proximidade à população, essencial para definir qual o percurso a tomar e quais as medidas mais pertinentes para o desenvolvimento socioeconómico da freguesia.

Promover a economia local, manter a tendência de fixação da população e criar postos de trabalho, têm merecido uma especial atenção por parte do executivo. “O cargo que ocupo, aliado aos conhecimentos que detenho a nível empresarial têm-me permitido ajudar alguns empreendedores locais. Munícipes, com ideias de negócios que apenas necessitam de ser impulsionados, existindo já casos de sucesso!”, refere, orgulhoso, Steven Sousa Piedade.

Para a população mais envelhecida e com menos recursos, a Junta criou programas com um elevado valor para a comunidade. São exemplos o projeto “Transporte Solidário” em que “Um idoso que, por exemplo, não tenha transporte para se deslocar a uma consulta, pode contar com o nosso transporte, aumentando assim a sua mobilidade”; o programa “Junta Amiga” que intervém também nesta camada mais idosa, quando necessitam de algum trabalho simples de manutenção: “Contamos com os nossos colaboradores para efetuar pequenos trabalhos que estes idosos já não conseguem, seja trocar uma lâmpada, um vidro, uma fechadura, ou simplesmente ligar uma botija de gás. Basta que contactem os nossos serviços, e façam o agendamento” e ainda o projeto de “Apoio Alimentar” “que distribui semanal ou mensalmente (conforme a necessidade da família) bens alimentares de primeira necessidade”.

Outra das medidas levadas a cabo para promover a proximidade com a população local foi a criação de quatro gabinetes nas instalações da junta. Serviços que estão disponíveis a preços mais acessíveis para os recenseados na freguesia, de que fazem parte os Gabinetes de Nutrição, Psicologia, Terapia da Fala e Jurídico decorrente do protocolo recentemente celebrado entre a ANAFRE e a respetiva ordem. “Somos a primeira porta onde as pessoas vêm bater. Quando necessitam de algo é a nós que recorrem em primeira estância e é nosso dever estar cá para os ouvir e ajudar. Senão para que serviria a Junta? Para passar atestados e certificados de residência?”, questiona, ironicamente, o presidente.

Vila Verde, a terra do amor

“Vila Verde. O nome encanta. A paisagem deslumbra…”. Pela antiguidade e riqueza cultural, o município de Vila Verde é detentor de um vasto património. Os Lenços de Namorados, da marca Namorar Portugal, verdadeiros ex-libris desta terra, são exemplo dessa riqueza cultural. De que forma estes ícones Lenços de Namorados promovem o município de Vila Verde?

A inspiração da marca Namorar Portugal baseia-se nos motivos dos Lenços de Namorados e nas suas escritas de amor. Este ícone é um legado histórico e cultural. Surgiram nos finais do século XVIII, bordados pelas raparigas que aprendiam a bordar umas com as outras e movidas por sentimentos amorosos de uma paixão secreta, de amizade, saudade, esperança. A sua origem simples e bela está presente nos ícones mais carismáticos bordados: a chave (do coração), o passarinho (como mensageiro de segredos), o coração (como símbolo do amor) e o barco, um ícone muito usado em meados do século passado, testemunhando o enorme fluxo de migração para o Brasil, das promessas de regresso e da saudade deixada. As cores ricas e os motivos ligados à natureza e ao campo são uma das imagens de marca dos Lenços de Namorados. Mas a singularidade está nos versos escritos pelas jovens e replicados por outras, no português da época, oralizado, que os tornam únicos no mundo!

A estratégia da marca Namorar Portugal visa trazer para a contemporaneidade esta riqueza, os valores, as cores, através de diversas formas de arte, de produtos modernos e inovadores, de eventos e iniciativas, divulgando-os a nível nacional e internacional.

Namorar Portugal é uma marca territorial e identitária do Município de Vila Verde. Com efeito ‘umbrella’, Namorar Portugal engloba eventos e produtos com vista a promoção do território e a atratividade turística, através da temática do Amor. Em que sentido este produto define a região?

O conceito Namorar Portugal nasce da estratégia do Município de Vila Verde em aproveitar o enorme potencial turístico e cultural dos Lenços de Namorados, ícone identitário local. A estratégia baseia-se na promoção de um elemento de tradição que permite criar um evento, uma programação e todo um vasto conjunto de produtos, aliando esta tradição com a modernidade, e criando objetos contemporâneos de elevado valor cultural.

Começamos em 20imagem exterior-espaço namorar portugal03 com um concurso de moda dirigido a criadores e designers, para que apresentassem propostas inspiradas no mote ‘Lenços de Namorados, Escritas de Amor’. Esse concurso tem atualmente projeção internacional, com participações que vêm, inclusive, do Brasil. Todos os anos na noite de 14 de fevereiro, Dia dos Namorados, é materializado na gala Namorar Portugal um evento destacado pelo Turismo de Portugal com a certificação de ‘Evento de Interesse para o Turismo’. O enorme interesse suscitado em torno da gala Namorar Portugal, e da sua inspiração maior, os Lenços de Namorados, levaram em 2009, à criação de uma programação denominada fevereiro, Mês do Romance, composta por iniciativas culturais, na esmagadora maioria gratuitas, como concertos, desfiles de moda, saraus culturais, passeios, recitais de poesia, caminhadas, workshops, concursos, degustações e programas turísticos como Sabores do Romance, que une restaurantes, unidades de alojamento, bares e pastelarias do concelho, com descontos e campanhas especiais. Todo este universo, que se traduz em marca registada pelo Município de Vila Verde, transforma Vila Verde na terra do Amor, a capital dos Lenços de Namorados. Este é um conceito forte e diferenciador que traz mais-valias económicas a todo o concelho. Muitas são as empresas que apostam na marca Namorar Portugal para reforçarem o seu potencial económico. Tem, além disso, permitido que muitas pessoas em situação de desemprego encontrem na marca uma forma de criar negócio e responder aos desafios do futuro.

Associado a conceitos como o “Amor” e o “Romance”, de que forma é que este desafio aporta uma maior notoriedade para a região, nomeadamente na promoção da região de Vila Verde enquanto destino turístico romântico?

Os novos desafios da Indústria Farmacêutica

A sua empresa está preparada para a Nova Legislação de Segurança e Qualidade de Medicamentos? Para responder a esta questão, a Antares Vision e a Logomark desenvolveram uma ação de esclarecimento e demonstração, em Lisboa, sobre a implementação dos equipamentos de segurança para a serialização de medicamentos.

Com convidados representantes das demais empresas nacionais de renome ligadas à indústria farmacêutica, este seminário contou com a presença de oradores especialistas nas diversas áreas ligadas ao tema debatido: Élvio Ornelas, Sócio-Gerente da Logomark; Beatriz Jorge, Técnica de Desenvolvimento de Negócios da GS1 Portugal; e, por fim, Alessandro Marras e Alberto Paletti, representantes da Antares Vision – empresa italiana reconhecida como fornecedora líder mundial em sistemas de Serialização e Track & Trace para a indústria farmacêutica, e que escolheu a Logomark para sua representante em  Portugal.

E quem são a Logomark, a Antares Vision e a GS1? Que papéis representam no que diz respeito ao processo de serialização de medicamentos?

A Logomark – Soluções e Equipamentos Industriais, Lda, é uma Empresa que se move pela constante procura por novas e melhores soluções em equipamentos e tecnologia para os setores farmacêutico, cosmético e alimentar.

Oferece soluções personalizadas que são baseadas na qualidade, elevada fiabilidade de cada produto e na cuidadosa integração de novas tecnologias. Para tal, tem sempre como alvo prioritário a escolha e a representação das melhores marcas que atuam nestes setores, como é exemplo a sua representada Antares Vision.

Já a Antares Vision é o Fabricante Líder Mundial de Sistemas de Visão Artificial, Serialização e Track&Trace para a indústria farmacêutica. Possui a maior experiência do mercado no seu setor. No início de 2016 já tinha instaladas soluções de software e hardware de Track&Trace em 750 linhas de produção, em 140 unidades fabris em todo o mundo. Isto representa mais de cinco mil milhões de SKU’s serializados, agregados, expedidos e notificados às autoridades competentes.

Por sua vez, a GS1 é uma organização sem fins lucrativos com dimensão mundial que facilita a colaboração entre parceiros de negócios, organizações e prestadores de serviços tecnológicos de forma a resolver desafios de negócios que alavancam as normas e asseguram a visibilidade ao longo da cadeia de valor.

A importância deste evento

Numa primeira parte deste seminário, após a apresentação formal, Beatriz Jorge falou ao público sobre aquele que é o papel da GS1 e a sua DSCF1909importância. Com cerca de 7.700 empresas associadas ligadas ao grande consumo, retalho e saúde, Beatriz Jorge abordou um dos processos da GS1 e inerente no dia-a-dia da população: códigos de barras para a identificação de informações, produtos e pessoas que fornecem dados entre os parceiros de negócios. “É importante falarmos a linguagem das máquinas, o código de barras, que nos permite a captura automática de informação e que ajuda na segurança do paciente, neste caso, reduzindo as falhas humanas que acontecem nos tratamentos adicionais”, referiu a nossa entrevistada. Considerando ser necessário existir um dispositivo de segurança único, Beatriz Jorge realça ainda a importância dos códigos de barras para ajudar a combater a contrafação na indústria farmacêutica, promover a rastreabilidade ao longo de todo o processo do fabrico e transporte dos medicamentos e fomentar a eficiência e a produtividade de toda a cadeia de abastecimento de medicamentos. Isto porque um código de identificação único identifica o nome, a determinação comum, forma farmacêutica, dosagens, tamanho da embalagem e tipo de embalagem, número do lote e validade de uma vez só.

Como se processa a instalação dos equipamentos de serialização?

DSCF1789Se você que está a ler este artigo estiver com dúvidas e pertencer à indústria farmacêutica, saiba que em termos de instalação de equipamentos de codificação serão os fabricantes a ter essa responsabilidade em identificar qual será a melhor opção para eles. Por sua vez, os sistemas de verificação ficarão à responsabilidade das farmácias e dos grossistas. Existirá ainda um repositório para que os grossistas e as farmácias possam aceder às informações necessárias sobre os medicamentos.

Numa segunda parte do seminário, Alessandro Marras, Diretor Comercial da Antares Vision e Alberto Paletti, Arquiteto de Soluções Técnicas da Antares Vision, falaram sobre a experiência da empresa na implementação da nova Legislação para Serialização de Medicamentos, bem como apresentaram soluções específicas para a indústria farmacêutica.

Abordaram ainda a questão da arquitetura de software para implementação de Serialização e Track&Trace em linhas de produção existentes e os desafios da integração/upgrade da Indústria.

Ao longo do seminário, os convidados presentes puderam assistir à realização de testes ao vivo com equipamentos em demonstração: um módulo de serialização de medicamentos da Antares Vision modelo Print&Check EVO e uma Estação de Inspeção e Agregação de Embalagens da Antares Vision modelo MatrixTop View.

Em paralelo, numa sala adjacente, existiam outros equipamentos aptos para a realização de testes com produtos dos clientes: três detetores de contaminantes metálicos CEIA; duas controladoras de peso dinâm. IDECON.

O sistema de serialização funciona através do controlo no ponto de dispensa associado a dispositivos que garantam a inviolabilidade da embalagem de todos os medicamentos. Será eficaz e suficiente para combater a contrafação? Até 2019 as empresas irão conseguir implementar este processo, uma vez que a serialização implica custos elevados e, por sua vez, limitações. O regulamento prevê a obrigação da instalação destes dispositivos podendo, cada empresa, escolher o fabricante.

Se para alguns este processo será exigente para a indústria farmacêutica acarretando desvantagens, uma vez que as empresas terão de se responsabilizar inteiramente pelo processo, para outros é possível verem benefícios neste sistema, uma vez que um sistema de código único será benéfico para os pacientes.

No entanto, há quem considere que irá afetar a rentabilidade das linhas e a capacidade da produção, para além de ser um processo que irá exigir um investimento inicial elevado.

“Como operadores no mercado resta-nos cumprir as normas europeias que agora descem à realidade nacional e portanto temos que nos ajustar ao que é imperativo a nível europeu. Estamos, em parceria com outras associações, a criar um consórcio nacional para conseguirmos chegar ao prazo com o regulamento implementado. Para a indústria é uma mudança enorme no funcionamento do sistema e trará enormes custos, mas são normas imperativas e temos de nos adaptar”, Tiago Rodrigues, Groquifar – Associação de grossistas de produtos químicos e farmacêuticos

“Se a legislação obriga à implementação destes equipamentos, devia existir algum tipo de apoios; senão, no final quem irá pagar serão os cidadãos”, José Garcia, Responsável Comercial e Marketing de fabricante espanhol de equipamentos para o setor farmacêutico

“Será um processo difícil e ainda há muitas dúvidas para esclarecer. Estamos a analisar a gestão de como o vamos fazer e o impacto que irá ter. O prazo não é muito longo, teremos de trabalhar muito nesse sentido de cumprir a diretiva. Os investimentos serão longos e as eficiências operacionais irão deteriorar muito, o que significa que os nossos custos como indústria vão aumentar muito ao longo dos anos. Será um grande desafio. Para grandes multinacionais com produtos muito caros cuja contrafação poderá ser maior justifica-se este projeto, mas para pequenas empresas nacionais não”, Paula Marante e Rui Rodrigues, Laboratórios Bial

“É importante existirem seminários como estes para se esclarecerem dúvidas e termos conhecimento de como se vai proceder à codificação das embalagens, por exemplo. Mas, as dúvidas vão-se manter na mesma porque não está nada definido a 100%. Não sei se todas as empresas estão preparadas para suportar estes custos. Há projetos comunitários em curso para esse fim, mas não sei se será viável ou não. A contrafação existe e esta é uma forma de a tentar travar, não sei se irá travar de todo mas, diminuir irá de certeza. Este processo traz vantagens pelo menos no que diz respeito à modernização das indústrias”, João Mourão, Sidefarma

“Confiamos nesta parceria com a Logomark. Trabalhamos com eles não apenas por causa da vertente comercial, mas porque têm uma parte técnica e um background muito forte”, Alessandro Marras, Antares Vision

“Apesar de não sermos fabricantes, neste seminário tirei ilações que nos serão úteis para o nosso dia-a-dia. Esta ação funcionou como uma primeira abordagem, um kick-off junto das empresas. No entanto, irão continuar a existir dúvidas no futuro com a implementação obrigatória até 2019 deste processo”, Nuno Teixeira, COO da BeyonDevices

“Ficámos com uma perspetiva mais positiva daquilo que são as capacidades da Antares Vision. Para nós, produtores de medicamentos, não acrescenta valor, mas será um investimento elevadíssimo para as empresas. Temos de respeitar a diretiva. É uma solução para o problema da contrafação que existe, mas talvez seja demasiado. Com este fórum, na minha opinião, cada um dos participantes irá perceber em que fase do processo está e o que terão de fazer a seguir”, Paulo Moreira, Sofarimex

“Sinto que as pessoas ficaram bastante mais esclarecidas com esta nossa ação. Ainda estamos numa fase inicial, ninguém sabe como as coisas vão decorrer, mas vamos continuar a promover ações deste género para as esclarecer. A Antares Vision é um bom parceiro, tem uma solução completa para todo o processo da instalação de equipamentos para o sistema de inspeção dos medicamentos”, Raúl Alves, Logomark

“Do primeiro flash criativo ao produto final” – Esta é a Lectra

Se podemos falar em segredos de negócio, o da Lectra poderá cingir-se a um: uma aposta vincada e contínua na inovação. “Nos últimos dez a 15 anos, a Lectra tem investido em média cerca de 10% do seu volume de negócios em Investigação e Desenvolvimento. Está no ADN da empresa e isso materializa-se não só nos produtos que disponibiliza ao mercado mas também na capacidade que foi tendo ao longo dos anos de inovar”, explicou Rodrigo Siza Vieira, Diretor da Filial em Portugal, em conversa com a Revista Pontos de Vista. Esta componente inovadora traduz-se na disponibilização de serviços não só de suporte direto às suas soluções, como manutenção e suporte, mas também na área dos serviços que permitem que os clientes implementem e otimizem as soluções Lectra já em fase de utilização produtiva. Ajudar o cliente a automatizar e otimizar a criação do produto, desenvolvimento e produção é, por isso, a pedra basilar do trabalho aqui desenvolvido.

Esta criação de soluções que poderão ser incorporadas em todas as indústrias que utilizem tecidos, peles, têxteis técnicos e materiais compósitos exige uma outra postura que a Lectra sempre soube assumir. “Ao longo do tempo fomos modificando e adaptando a estratégia permanentemente não só em função dos comportamentos e evoluções dos mercados onde atuamos, mas também em função de uma estratégia global adaptável à cultura e ao contexto local de cada região”, esclareceu Rodrigo Siza Vieira. O sucesso da Lectra resume-se, portanto, a três principais vetores: “a tecnologia assente num esforço e investimento permanente na pesquisa e desenvolvimento; as metodologias que se repercutem nos serviços de otimização e implementação e, por fim, a experiência nas diferentes indústrias em que atua”. Falamos essencialmente da indústria da moda e vestuário, um setor para o qual a Lectra nasceu e que ainda hoje é o seu mercado principal, com um volume de negócios que representa os 50 a 60% anualmente.

Lectra está “onde a moda e a tecnologia se encontram”

IMG_2017Em mais de cem países, 24 horas por dia, a Lectra tem procurado responder com mestria aos desafios do século XXI, seguindo tendências e auxiliando as operações do quotidiano operacional dos seus clientes. Acompanhando todo o ciclo de vida de um produto, a atividade da Lectra abrange mercados tão distintos como a moda casual, desportiva ou de lazer, jeans e lingerie, em segmentos que vão desde a moda rápida (fast-fashion) aos artigos de luxo e ao pronto-a-vestir.

Com uma experiência neste setor de mais de 40 anos, a Lectra sentiu as várias dinâmicas vividas em Portugal nos últimos anos e sobre isso Rodrigo Siza Vieira tem uma posição muito clara. “Hoje o setor é bastante mais pequeno, tanto em número de empresas e trabalhadores como no volume global de negócios. Mas é uma indústria saudável, que se fortificou com as dificuldades”, contextualizou o responsável que, perante a pujança deste setor, não se cansa de dizer: “a Lectra em Portugal deve o seu sucesso naturalmente aos seus produtos e serviços, à sua equipa que é muito experiente e conhecedora, mas também ao mercado português que mostrou ser capaz de atravessar dificuldades e sair delas ainda mais forte”, defendeu Rodrigo Siza Vieira.

Quando chegou ao mercado nacional em 1985, a Lectra deparou-se com uma série de desafios que se colocavam às empresas deste setor ao nível da modernização e introdução de novas tecnologias. “Fomos capazes de trazer o aporte tecnológico que necessitavam, mantendo sempre uma enorme proximidade com o cliente. Aliás, essa capacidade de construir relações de longo prazo com os nossos clientes faz parte dos nossos valores”, assumiu, não sendo por acaso que o núcleo duro dos clientes da Lectra acompanha a empresa desde os seus primeiros passos em território português. Além desta fidelização, há ainda a preocupação de descobrir novos clientes e “trazê-los para esta equipa alargada” que se diferencia das demais precisamente por isso, por “ser uma equipa”, defendeu o responsável.

Lectra e a educação

“Lectra, liderando o caminho para aqueles que querem criar o futuro”. Mais do que um chavão, esta é uma responsabilidade desde sempre assumida pela empresa que também encara esta vertente como um “veículo de promoção do nome Lectra”. “Faz parte do nosso posicionamento estar junto das escolas dos diferentes níveis com formação especializada nesta área para assim promovermos junto dos futuros profissionais a empresa e os nossos produtos”, revelou. Como tal, com o intuito máximo de reforçar os estudos profissionais através das mais recentes tecnologias Lectra, a empresa tem desenvolvido um programa de parceria com mais de 850 escolas e universidades em 60 países.

Continuando a estimular este compromisso com as instituições de ensino, para o futuro, a Lectra seguirá a linha de atuação que tem sido trilhada desde 2014. As ambições passarão ainda pelo reforço das soluções CAD/CAM no mercado tradicional e pela promoção de uma das áreas que Rodrigo Siza Vieira acredita que terão mais futuro: o 3D na área de desenvolvimento de produto. Além disso, passa ainda pelos planos da Lectra dar mais visibilidade aos seus produtos e serviços com metodologia lean, uma prática já bastante recorrente na indústria automóvel mas que ainda não é muito praticada no setor da confeção. “Estes serão os grandes desafios que marcam a evolução para 2016, na continuidade do plano de ação já definido para o período anterior”, concluiu Rodrigo Siza Vieira.

A Humanidade e o Arquiteto

Depois da Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa, está agora a dirigir um centro de investigação na Universidade Estadual da Pensilvânia. Como descreveria este momento da sua carreira?

Este é um momento diferente, embora com algumas semelhanças com momentos anteriores. Fui inicialmente incluído numa pequena lista de candidatos ao cargo pela comissão universitária encarregue do preenchimento da vaga e acabei por ser o candidato selecionado, penso que devido ao meu percurso passado e à visão de futuro apresentada. Talvez valha a pena referir algo sobre o cargo, que é o de Chair em Design Innovation (Catedrático de Inovação e Projeto) e de diretor do SCDC-Stuckeman Center for Design Computing (Centro de Investigação em Computação Aplicada ao Projeto), um dos centros de investigação da Escola de Arquitetura e Arquitetura Paisagista que inclui urbanismo e algumas áreas de design e se inclui no Colégio das Artes e Arquitetura. O cargo e o centro foram criados pelo legado em testamento dum antigo aluno da escola com a missão específica de promover a inovação e o desenvolvimento económico e social através da investigação em novas tecnologias aplicadas à conceção em arquitetura, urbanismo e design. A minha contratação deveu-se à experiência de investigação e ensino nesta área que adquiri primeiro no MIT, aqui nos Estados Unidos e, depois, no IST e na FA da Universidade de Lisboa, em Portugal, que se pautou por uma determinada filosofia e se traduziu em resultados de investigação com algum impacto económico. Esta filosofia inclui vários princípios.

IMAG0249Um deles é a inclusão do ensino das novas tecnologias desde cedo na formação de arquitetos, urbanistas e designers, a par das tecnologias tradicionais. Desta forma os futuros profissionais adquirem uma capacidade de selecionar e usar a tecnologia mais adequada a cada problema de projeto, permitindo-lhes o desenvolvimento de soluções inovadoras, onde às vezes a inovação é a opção por soluções tradicionais, por paradoxal que possa parecer. Desta forma não se exclui ninguém de uma possível solução, promovendo-se a inclusão social. Por exemplo, a solução de projeto pode fazer uso de tecnologias tradicionais como a construção em terra, mas o uso de novas tecnologias de projeto pode permitir novos usos dessa tecnologia, assegurando empregos em áreas tradicionais e inovadoras simultaneamente. O resultado pode ser um tecido produtivo extremamente rico e diversificado em termos de sofisticação, mas também em termos de adaptação a variações do contexto económico, evitando grandes ruturas.

Outro princípio é a assunção do conhecimento como um todo. Isto é, a divisão em áreas científicas, resultante do aumento de conhecimento e consequente especialização, é artificial e, podendo ser útil e mesmo necessária na gestão de recursos, é prejudicial na resposta a problemas que exigem soluções integradas. Por este motivo, deve contrariar-se tal divisão, promovendo-se a formação de profissionais com conhecimentos diversificados e a integração de diferentes profissionais em situações e espaços partilhados. Por exemplo, nos programas curriculares universitários, deve existir um leque de disciplinas teóricas optativas que permita a formação de profissionais com conhecimentos ligeiramente diferentes, com alguma sobreposição com profissionais de outras áreas e capazes de com eles dialogar. Da mesma forma, devem existir disciplinas práticas com a participação de alunos de diferentes áreas que se organizem em equipas pluridisciplinares para resolução de problemas complexos. Estou a lembrar-me de um projeto em que participei que incluía alunos e professores de medicina, arquitetura  e engenharia. Tratava-se de desenvolver um modelo matemático e geométrico do comportamento dinâmico da coluna vertebral para ensaiar soluções antes da intervenção cirúrgica com introdução de próteses em doentes com problemas de coluna. Os médicos forneciam os resultados da ressonância magnética do doente, com os quais os arquitetos criavam um modelo geométrico tridimensional do corpo; por sua vez, os engenheiros usavam este modelo para estudar o comportamento estático e dinâmico do mesmo enquanto estrutura, ensaiando diversas soluções de prótese em materiais com diferentes propriedades, até se achar a mais indicada, resultado que era depois fornecido aos médicos.

Um terceiro princípio, é desmistificar a ideia que cada profissional só pode fazer exatamente aquilo para que foi treinado, sendo um falhanço quando não o consegue, já que o contrário pode ser desejável. Por exemplo, pegando no exemplo anterior, um arquiteto e um engenheiro não têm necessariamente que trabalhar em projetos de edifícios, podendo trabalhar em problemas que a um nível concreto parecem muito diferentes mas que a um nível abstrato e até filosófico podem ser semelhantes. O corpo humano é a nossa primeira casa neste mundo e enquanto tal está sujeito às mesmas leis da gravidade. Ver a realidade por este prisma permite potenciar o contributo à sociedade e a sensação de realização pessoal.

O quarto princípio está relacionado com a colaboração. A ênfase deve estar na colaboração, não na competição. É enquanto colaborarmos que podemos descobrir soluções adequadas para os problemas que nos afetam. Se a única coisa que fizermos for competir, nunca teremos oportunidade de descobrir tais soluções. A colaboração deve existir ao nível das equipas dentro de cada instituição, mas também entre equipas de instituições diferentes. A colaboração reduz o esforço e permite otimizar os recursos.

O quinto princípio prende-se com a transversalidade entre as instituições de ensino e a investigação e a sociedade onde se inserem. Deve ser a leitura da realidade que deve alimentar a formação e a investigação, de modo a assegurar que se formem profissionais adequados às necessidades da sociedade, capazes de nela se inserir e para ela contribuir. Isto facilita que os resultados da investigação financiada pela sociedade se traduzam em benefícios sociais. Não quer isto dizer que as instituições só devam fazer investigação aplicada. Não, a investigação fundamental é absolutamente necessária, embora os benefícios sociais a que conduzem possam não ser imediatos. É graças às leis da gravidade de Newton descobertas no século XVIII que hoje conseguimos construir edifícios mais arrojados e em locais impossíveis de construir na altura.

O último princípio que gostaria de salientar, é a ética. A ética é o cimento que cola todos os outros princípios. Sem ética tudo se desagrega, é impossível colaborar, mas também não é possível competir. Por exemplo, uma empresa que consiga um lugar de destaque no tecido produtivo de um país por fuga aos impostos, terá muita dificuldade em competir no plano internacional. A fuga aos impostos é a ausência de colaboração, traduz-se no uso de recursos para os quais não contribuímos. Não podemos competir porque na verdade não nos destacamos pelo valor acrescentado do produto mas pelos custos de produção mais baixos por não pagarmos impostos. Tal como nas empresas, a ética é fundamental nas instituições que se dedicam à investigação.

Voltando à questão que colocou, são estes princípios que apliquei no meu trabalho em Portugal que desejo aplicar aqui. Encaro este momento na minha carreira como mais uma oportunidade para os aprofundar, num país que tem aparentemente mais recursos que Portugal, embora esta diferença não tenha necessariamente de se traduzir numa vantagem. A nossa missão de investigadores é trabalhar com os recursos existentes, pois fazem parte de realidade onde nos inserimos.

Penso que um dos maiores desafios na minha nova posição será a construção de uma equipa de investigação coesa a partir dos elementos existentes, mas também de novos elementos que possam vir a ser contratados. A sociedade norte-americana tem uma ênfase grande no individualismo, mas felizmente as suas instituições universitárias pautam-se por um elevado sentido de ética, o que permite ultrapassar a característica anterior.

O mundo global trouxe mudanças no mercado do trabalho, filtrando profissionais diferenciadores e reforçando o individualismo de cada um. O ingresso ou recolocação no mercado é cada vez mais exigente?

A resposta a esta pergunta fundamenta-se no que disse atrás sobre multidisciplinaridade,  colaboração e realidade. É essencial formar IMAG0299profissionais diversificados e flexíveis, capazes de trabalhar com profissionais de outras áreas e capazes de aplicar os conhecimentos adquiridos a outras realidades. Estes profissionais devem manter-se abertos ao crescimento pessoal, a aprender a operar novas técnicas e em novas realidades. Colaborar é essencial, estender a mão para pedir ajuda e para ajudar. Isto significa também que a sociedade deve estar atenta à realidade e se a realidade inclui um núcleo de pessoas com menos formação numa dada área, há que incluir este facto como um dado quando se equaciona o problema. Por exemplo, se projetamos para uma região, usar técnicas construtivas que possam usar a mão de obra local é uma solução inteligente. Isto pode significar usar técnicas locais, mas também introduzir novas técnicas que possam ser sustentáveis no futuro, que possam ser apropriadas e incorporadas na sociedade local. A exclusão social deve ser evitada a todo o custo, pois não é sustentável, conduzindo a ruturas que afetam negativamente todos, incluídos e excluídos. Há que trabalhar nos dois sentidos, perceber a realidade, as valências da “mão de obra” (todos somos mão de obra) existentes para, a partir delas desenhar novas realidades, mas a mão de obra deve permanecer aberta a aprender. O arquiteto deve pensar no uso de soluções construtivas locais, mas os operários locais devem estar disponíveis para aprender novas técnicas construtivas.

“A junta está a ouvir-vos, está próxima”

IMG_5232Luís Newton recebeu o prémio pelo projeto Geoestrela no evento CIODAY e vai representar Portugal (e a Estrela) no European CIO of the Year 2016, que se vai realizar em Amesterdão. Luís Newton foi distinguido na categoria de Government pelo projeto Geoestrela que pretende definir uma nova filosofia de gestão assente na colaboração entre a comunidade e a autarquia local.

Autarca desde 2001, Luís Newton cresceu e viveu toda a sua vida na freguesia da Estrela pelo que “foi natural que em determinado momento da minha vida começasse a ter envolvimento político, iniciando o meu trabalho autárquico como vogal do executivo da freguesia da Lapa, uma das freguesias extintas e que se fundiu na Estrela”.

Luís Newton teve várias experiências e a oportunidade de trabalhar em vários gabinetes quer a nível camarário, como a nível do governo e da Assembleia da República, mas “o bichinho autárquico sempre mexeu mais comigo por podermos ter esta intervenção que afeta diretamente as pessoas, bem como ter as respostas dos cidadãos. É muito interessante”, esclareceu o presidente.

Em 2012, quando Luís Newton estava a preparar o projeto para a freguesia da Estrela, uma das preocupações recorrentes, aquando da união de freguesias, era que a fusão, essa grande dimensão que a freguesia passava a ter, pudesse representar um afastamento das pessoas em relação ao poder local. “A minha reflexão começou muito por compreender como é que seria possível e, sobretudo antecipar, passarmos de três para uma freguesia, de 10 mil para 22 mil habitantes, sem perdermos essa ligação”, começou por explicar.

Outra das suas preocupações era assegurar que o nível de serviço que a junta prestava à comunidade aumentasse. Como é que podiam conjugar essas duas realidades numa ferramenta que pudessem controlar diariamente? Assim surgiu a ideia do Geoestrela. Para manter a proximidade e aumentar os níveis de serviço à comunidade.

E o que é o Geoestrela?

O Geoestrela é um projeto da Junta de Freguesia da Estrela que permite aos cidadãos, através de uma aplicação, reportar as situações que pretendem ver corrigidas na sua rua.

Com o Geoestrela a pessoa, ao cruzar-se com uma situação no espaço público que entenda que esteja errada ou com a qual não concorde, desde questões de higiene a questões de manutenção do espaço público, pode reportar através da aplicação desta plataforma. Isto com um simples click, ou seja, tirando uma fotografia e enviando.

“A adesão tem sido muito boa, no espaço de um ano tivemos cerca de 8.000 ocorrências e desde novembro de 2015 que registamos mais de 1000 ocorrências mensalmente. Pode parecer uma situação má por existirem tantas ocorrências, mas para mim significa que há uma média mensal de 1000 pessoas na minha freguesia que têm a oportunidade de identificar que há um problema e contribuir para a sua solução”, adianta Luís Newton, afirmando que estão com uma taxa de eficácia de resposta de 85%.Luís-Newton-CIO-2015

Para além de ser uma plataforma de gestão de ocorrências, o Geoestrela funciona, igualmente, como uma ferramenta de gestão territorial. Isto porque, cada ocorrência gera um indicador possibilitando à junta ter informações claras dos diversos problemas que vão surgindo, bem como em que zonas ocorrem.

A par desta possibilidade, Luís Newton explica que com esta aplicação tem sido possível à junta fazer uma melhor gestão dos recursos humanos no que diz respeito à higiene urbana e na distribuição dos funcionários responsáveis pela limpeza das ruas da freguesia. “Confirmámos que podíamos alocar os recursos humanos e localiza-los nas zonas mais pequenas e para as zonas grandes adquirir máquinas que fariam um trabalho mais eficaz. Essa informação foi-nos muito útil e começamos a ter uma manutenção do espaço público e higiene urbana mais eficaz”, afirma o autarca.

Dar continuidade ao projeto

A verdade é que o sucesso do Geoestrela já deu frutos: o desenvolvimento de três novas plataformas: o Estrela Participa, o Estrela Segura e o Estrela do Bairro que estão em fase de teste para serem lançados à população.

No que diz respeito ao Estrela Participa, esta plataforma irá revolucionar o modelo de participação pública. A população poderá lançar ideias da criação ou reabilitação de novos espaços. Ideias estas, sujeitas votação pela comunidade que poderá concordar ou não. Numa fase posterior, se a ideia atingir um determinado número de votos, entra automaticamente para avaliação e orçamentação e será feito um estudo técnico e de enquadramento para a junta poder executar o projeto. “A junta está a ouvir-vos, está próxima. Vocês podem contribuir para a qualidade de vida da junta”, refere o autarca.

Quanto ao Estrela Segura, aqui a comunidade pode reportar situações de não emergência. Posteriormente, se se justificar, a junta comunica a situação imediatamente à PSP que tomará as medidas relevantes.

Já o Estrela do Bairro servirá para divulgar o comércio local e as atividades da freguesia. Partindo do mesmo pressuposto da plataforma de ocorrências do Geoestrela, sempre numa perspetiva georreferenciada, as pessoas vão poder ter acesso às informações sobre as atividades de comércio local na freguesia.

A ideia é “promover os ideais de qualidade de vida que temos para a freguesia. Sentirem que têm uma estrutura local que apoia e incentiva todo o tipo de atividade e ocorrências. Estou cá para isto, para resolver os problemas da comunidade”, realça Luís Newton.

E conclui, “tudo o que tenho vindo a fazer e que vou continuar a fazer é organizar e estruturar a minha junta de freguesia para que esteja à disposição de todos os meus «fregueses»”, conclui o nosso entrevistado.

“Mais do que um hotel, um estilo de vida”

Formou-se na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, já trabalhou na Argentina, México ou Brasil e assume desde janeiro de 2015 uma das principais linhas da frente do Hotel de Convenções de Talatona, em Angola. Como descreveria este momento da sua carreira? Que contributo pessoal tem procurado dar à gestão deste espaço?

Quando me licenciei em Direção e Gestão Hoteleira em 2005, defini como objetivo de carreira alcançar a Direção Geral de um Hotel. Desempenhei várias funções de carácter operacional em diferentes países do mundo e, em 2011 assumi a direção geral da Pousada de Alcácer do Sal, porém não sentia que havia alcançado verdadeiramente o objetivo que me havia proposto.

Em 2012 tive a oportunidade de abraçar o projeto HCTA enquanto diretora de alimentos e bebidas. Foi uma decisão difícil, mudar de continente, mudar de pequenas unidades hoteleiras de 20 a 35 quartos e não mais de 40 colaboradores, para um Hotel de Convenções com 201 quartos, 20 Vilas, dois restaurantes, três bares, 12 salas de conferências e cerca de 390 colaboradores.

Contudo foi um desafio que abracei com a determinação de contribuir com a minha experiência e know-how para o desenvolvimento de quadros angolanos que pudessem prestar um serviço de excelência naquele que é o Primeiro Hotel de 5 estrelas em Angola.

Foi com esta determinação de contributo diário para o desenvolvimento dessas pessoas que em 2014 alcancei a posição de Diretora Geral Adjunta e em janeiro de 2015 me foi conferida a oportunidade de gerir esta unidade hoteleira a que chamo “casa” há quase quatro anos.

IMG_6948De que forma o cargo de diretora geral do Hotel Talatona tem contribuído para o seu crescimento humano?

Apesar de não me considerar uma pessoa “viciada no trabalho” não escondo que sou verdadeiramente apaixonada por aquilo que faço. Não me vejo a trabalhar noutra área que não seja num Hotel, adoro o contacto com clientes e com colaboradores, definir metas, traçar estratégias e acompanhar a minha equipa dia após dia com a certeza que juntos iremos alcançar tudo a que nos propomos.

Ser diretora geral em Angola deu-me a oportunidade de experimentar dificuldades distintas daquelas que havia sentido por exemplo na Europa e aprender a geri-las e a ultrapassá-las. Estar em contacto diário com essas dificuldades, criou-me por exemplo uma admiração e enorme respeito pelos meus colaboradores pelo seu esforço diário para se apresentarem no trabalho com um sorriso na cara e a vontade de “bem servir”, mesmo quando as condições meteorológicas e sociais não estejam a seu favor.

“Temos os olhos postos no futuro”

As autarquias são vistas com o poder político mais próximo das famílias. Como tal, são elas que se apercebem mais facilmente das fragilidades e necessidades locais, dando respostas prementes ou fazendo chegar essas questões ao poder central. Quais são as suas prioridades para Oliveira de Azeméis?

Apostamos forte na educação e na ação social e assim continuaremos. Queremos também ver aumentadas ao máximo as taxas no abastecimento de água e no saneamento básico, dois setores vitais que decidimos concessionar. O apoio aos empresários e a questão da reabilitação urbana são, para nós, igualmente importantes. Temos os olhos postos no futuro e todo o trabalho está centrado na preocupação de valorizar o território para que Oliveira de Azeméis seja ainda mais competitiva.

Num período económico conturbado, no qual os detentores de cargos políticos são diariamente colocados à prova, como é estar na linha da frente de uma autarquia?

É um trabalho árduo mas, ao mesmo tempo, aliciante. Com a insuficiência crescente de meios financeiros mais difícil se torna gerir uma autarquia mas temos, nessa matéria, procurado aproveitar ao máximo os quadros comunitários de apoio, incluindo o atual, o “Portugal 2020”. É nas dificuldades que surgem as oportunidades. Não podemos baixar os braços, temos que arregaçar as mangas e lutar.

É sabido que os autarcas contribuíram, ao longo dos últimos 40 anos, para uma nova fase de descentralização de competências. Está provado que a proximidade tem permitido tomar decisões mais acertadas e eficientes?

A forma de estarmos ao serviço da comunidade é caraterizada pelo espírito de proximidade que desde sempre adotámos. Apenas sabemos trabalhar dessa maneira. Só com descentralização de competências e conhecendo bem de perto a realidade e sabendo verdadeiramente quais as preocupações e os anseios é que poderemos responder com políticas eficazes. É assim que trabalhamos com os agentes educativos, os empresários, as instituições de solidariedade social e o associativismo. Fazemos mais com menos recursos.

Com o objetivo de apoiar e assegurar o bem-estar de todas as classes sociais etárias de Oliveira de Azeméis, a autarquia tem dado importância à ação social, criando uma interação direta com problemáticas como o envelhecimento, educação ou saúde? Quais são as vossas preocupações e como tem sido possível materializá-las no terreno?

Investimos em todos os setores mas há alguns em que apostamos fortemente como é o caso da educação e da ação social. O futuro de Oliveira de Azeméis passa pela aposta que fizermos hoje na formação dos jovens mas também por termos uma sociedade inclusiva e coesa económica e socialmente, sem fragilidades. Trabalhamos estas matérias sempre em parceria e em trabalho de rede com as novas instituições particulares de solidariedade.

Oliveira de Azeméis tem-se assumido como uma região que sabe cuidar do seu tecido empresarial, com projeção a nível nacional e internacional. Em concreto, no apoio às empresas locais e ao espírito empreendedor, que papel a autarquia tem procurado desempenhar?

Caminhamos de mãos dadas com o tecido industrial. Somos um dos concelhos mais industrializados e exportadores da região norte e queremos aumentar ainda mais esses níveis. Temos aqui um parceiro fundamental que é a Universidade de Aveiro através da Escola Superior Aveiro Norte, instalada no município. A colaboração entre esta unidade de formação e investigação e o tecido empresarial deixa-nos descansados relativamente ao futuro. A nível de investimento e atração industrial temos a Área de Acolhimento Empresarial Ul-Loureiro, um projeto de 14 milhões de euros com o apoio de um “business center”. Investimos ainda na requalificação das zonas industriais criando melhores condições aos empresários instalados e a novos investidores.

Que mensagem importa deixar a todas as pessoas que acreditam em si e no trabalho que quer desenvolver por Oliveira de Azeméis? O que é que podem continuar a esperar de si enquanto edil desta região?

Assumi um compromisso com todos os oliveirenses, o de trabalhar para o seu bem-estar e colocar o município na frente da modernidade, do conhecimento, da inovação e da coesão social. Tenho trabalhado a pensar na melhoria da qualidade de vida da população e na criação de condições para o desenvolvimento sustentado do concelho. De mim os oliveirenses poderão continuar a contar com o meu espírito de missão pela causa pública. Esse é o meu desafio diário.

Se pudesse levar o nosso leitor numa viagem pela região, que pontos são importantes dar a conhecer?

O parque de La-Salette (PLS) destaca-se, naturalmente, por ser o cartaz turístico da cidade. A autarquia investiu quase cinco milhões de euros na sua requalificação, tornando-o num parque moderno e virado para o século XXI. Ali, o visitante encontra tranquilidade e desfruta da beleza dos seus recantos e da religiosidade que anualmente leva até ao parque milhares de devotos durante as festas em honra de Nossa senhora de La-Salette. No PLS ainda se pode ver o fabrico tradicional de vidro (Berço Vidreiro).
Destaque também para o Parque Temático Molinológico, um conjunto de moinhos de água que foram recuperados e são hoje um museu vivo das técnicas antigas de moagem e fabrico de pão. O turista pode assistir ao vivo ao fabrico da regueifa e do famoso pão de Ul, em forno de lenha. Por último, é obrigatória a visita às margens do rio Caima, na freguesia de Palmaz. Há para desfrutar cerca de três quilómetros de contacto com a água e a Natureza.

Nova diretiva dá continuidade à postura assumida pela Prévoir

Com mais de cem anos de existência, o Groupe Prévoir personifica os valores de proximidade, solidariedade e de proteção que sempre o caracterizaram desde os primórdios de uma atividade centrada nos seguros de pessoas, mais concretamente nas áreas da previdência, poupança e reforma. Por ser um paradigma de excelência a operar no mercado nacional, a Revista Pontos de Vista foi conhecer a visão da Prévoir acerca da mais recente diretiva sobre a distribuição de seguros e resseguros na União Europeia. Em traços gerais, o que importa saber acerca destas regras? Face à legislação de 2002, o que muda? O que continua a falhar?

Luiz Ferraz, Mandatário Geral da Prévoir-Vie, assume uma postura muito tranquila e positiva perante os novos desafios que se avizinham. “É de realçar que esta nova diretiva tem uma extensão e cobertura a nível da proteção dos clientes. Passamos de uma diretiva de 2002 da área da mediação para uma diretiva na área da distribuição e aqui houve a preocupação de estabelecer três categorias: os mediadores, os mediadores com atividade acessória na área dos seguros e, por fim, as empresas de seguros que ficam ao mesmo nível dos mediadores”, explicou. Estar ao mesmo nível significa que as seguradoras têm de ter uma preocupação adicional relativamente aos seus produtos no sentido de os identificarem com clareza para o seu público-alvo. “Esta nova diretiva não permite que sejam apresentados, sugeridos ou comercializados produtos para pessoas cujo escopo, finalidade de vida, idade ou situação económica não aconselhem a realização daquele seguro”, esclareceu Luiz Ferraz. Além de mais, com uma abrangência europeia, a nova diretiva dará o mesmo grau de garantia em todos os Estados-Membros, não havendo discrepâncias pelo facto de ser cidadão de um determinado país e estar a viver noutro.

Há, portanto, a preocupação de dar ao consumidor o máximo de informação que lhe permitirá tomar decisões que satisfaçam verdadeiramente as suas necessidades. As novas regras conferem, por isso, uma maior transparência uma vez que será facultada informação mais abrangente sobre os produtos seguradores. Mas tal não significa que o mercado peque por falta de transparência. Pelo contrário, realçou Luiz Ferraz. “Sempre que se fazem inquéritos à população sobre o grau de satisfação relativamente aos seguros, a opinião é esmagadoramente positiva. Aliás, de acordo com o último estudo divulgado pela Associação Portuguesa de Seguradores, o grau de satisfação relativamente às seguradoras foi até superior ao grau de satisfação relativamente aos bancos”, partilhou o responsável.

Esta postura de total transparênIMG_2008cia e informação não é, no entanto, uma total novidade para a Seguradora Prévoir, sendo uma melhoria e não uma obrigação de reverem os seus processos e produtos. A adaptação da Prévoir não será, de todo, uma “revolução” mas sim uma evolução lógica num processo para o qual a seguradora já se tem vindo a adaptar ao longo do tempo. Dizer, por isso, que esta nova diretiva força as seguradoras a adotarem uma nova forma de estar no mercado, para Luiz Ferraz, é sinónimo de que até ao momento estavam a atuar de forma “inadequada ou incompetente”. Mas não é isso que acontece. “Estas regras realçam as notas e informações pré contratuais que devemos dar ao consumidor no momento da tomada de decisão para que ele tenha plena consciência de que está a comprar algo de que realmente precisa”, disse Luiz Ferraz, avançando com um exemplo: “a nova diretiva, no fundo, acautela determinadas áreas, como os produtos de investimento com componente de risco em que este deve ser previamente identificado e só depois as pessoas tomarão a sua decisão”.

Cada um dos Países-Membros da União Europeia terá 24 meses para transpor a diretiva para as suas legislações nacionais. Será tempo suficiente? “Terá de ser”, precaveu, desde logo, Luiz Ferraz, acreditando que embora os prazos sejam “apertados”, as seguradoras “terão de encontrar meios para se adaptarem”. A Prévoir está atenta e aguarda o aparecimento do decreto-lei em Portugal e da intervenção da ASF (Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões) que assumirá o papel de entidade reguladora.

Sendo, de um modo geral, uma mudança que a Prévoir considera positiva, por outro lado, há ainda uma boa margem para melhorias. “Acredito que a diretiva será enriquecida na medida em que vai ser transposta para o direito português e terá em linha de conta a realidade nacional, na medida do possível. Estando as seguradoras ao mesmo nível da distribuição, não se podem isentar da responsabilidade porque não basta criar produtos e comercializá-los. Importa assumir a responsabilidade na forma como eles são distribuídos e no que diz respeito aos objetivos que pretendem alcançar”, referiu.

Esta será a postura assumida pela Prévoir. A par de outros objetivos, como a manutenção da rede comercial e do nível de qualidade, a seguradora permanecerá atenta à evolução dos produtos. Além disso, para 2016, outro dos objetivos passará pelo alargamento das parcerias no sentido de continuarem a assumir a posição de “seguradora de referência na solução dos seguros de vida das pessoas”, não esquecendo ainda que “quando se fala em recuperar Portugal e fazer crescer a economia, os seguradores querem estar na primeira linha”, concluiu Luiz Ferraz.

Prévoir assume  nova imagem

“Uma nova identidade, uma nova forma de assumir os nossos valores”. É desta forma que o Groupe Prévoir define esta nova identidade visual, materializada através de um novo logotipo que simboliza o “coração da atividade de segurador de e para pessoas”.

 

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